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terça-feira, 18 de março de 2014

Lampião: Uma Estratégia Para a Presença Eterna



Por Alcino Alves Costa (*)
Alcino Alves Costa jogava no time dos que acreditam que Angico está repleto de "mentiras e mistérios".

Há algum tempo foi noticiado que um velho enterrado no cemitério da cidade mineira de Buritis seria o nosso lendário Virgulino Ferreira da Silva.

Lampião de Buritis

Ora, apesar da certeza dos mistérios que envolvem a fatídica grota do Angico, local onde a história registra, atesta e assevera com todas as letras, o épico acontecimento de 28 de julho de 1938, quando no cerco vitorioso da polícia alagoana, comandada pelo Tenente Bezerra, foram mortos Lampião, Maria Bonita e mais nove companheiros. Sempre e sempre, na medida dos meus limitados conhecimentos, faço em afirmar e reafirmar, estribado nas puras convicções, de que a grota do Angico guarda um desconhecido mistério.

Grota de Angico onde Lampião, Maria Bonita e mais 9 cangaceiros e um volante foram assassinados

Em meu trabalho "Lampião Além da Versão", no capítulo "Mentiras e Mistérios de Angico", estão registrados vários depoimentos e fatos dos que viveram as horas terríveis do cerco aos bandidos. E quem leu o livro há de observar que realmente existem muitas historietas nos acontecimentos que culminaram com a morte do rei do cangaço.


Pois bem! Foi um espanto e com um grito íntimo de vitória perante as minhas pesquisas em relação aos mistérios de Angico, quando soube do fato do velho de Buritis com a possibilidade do mesmo ser Lampião.


É evidente que não podemos desconhecer o quanto este assunto é delicado. Estão mexendo com um fato que tem mais de meio século de História, portanto, o cuidado é de primordial importância e não se sair por aí fazendo afirmações demagógicas e loucas, que serviriam de zombaria e chacota. É claro que, de minha parte, jamais arriscaria a me expor ao ridículo, fazendo perigosas e tão sérias afirmativas, no entanto, posso asseverar e garantir que tudo que se relaciona com a grota de Angico é envolto em um tremendo mistério, e que tudo ali pode ter acontecido, desde a morte de Lampião até mesmo a sua minuciosamente preparada fuga. Acontecimento, aliás, que não seria nenhuma novidade, uma vez que outras deserções aconteceram perante a vida cangaceira, dentre muitas a de Sinhô Pereira, o lendário cangaceiro do Pajeú, que teve o privilégio de ter sido o chefe e mestre de Virgulino. Outro foi seu parente e imediato Luís Padre.

Sinhô Pereira e Luiz Padre

Sem podermos arriscar, somos obrigados a admitir a possibilidade de que o maior dos cangaceiros tenha seguido o exemplo do antigo e extraordinário chefe, portanto, nada empecilha aos estudiosos, historiadores, e até mesmo às autoridades envolvidas com a nossa história, ou a quem de direito, que vá à fundo, que verifique 'in loco' ou trajetoriamente.

Antonio Amaury

Em conversa telefônica há dias passados com o mestre e amigo Antônio Amaury, ele dizia-me estar prestes a editar um livro que irá provar que o cerco de Angico não foi idealizado para Lampião ser morto, quem deveria morrer era justamente o coiteiro Pedro de Cândido. 

 Segundo o escritor João de Sousa Lima o Pedro de Cândido está á esquerda

Dizia ainda o nosso conceituado e afamado historiador que Joca Bernardes, o coiteiro tido e havido como o traidor de Lampião, não era coiteiro do mesmo e sim de Corisco e, mais, Amaury deu-me uma séria afirmativa ao dizer-me que Joca Bernardes nem conhecia Lampião.


João de Almeida Santos o coiteiro Joca Bernardes

Quanto ao pedido do fotógrafo José Geraldo Aguiar em relação ao DNA do corpo do velho de Buritis sou da opinião de que seja realizado o exame.

 José Geraldo Aguiar - faleceu em 2010

Se o mesmo der positivo ou negativo nada mudará aquilo que foi a marca registrada do rei dos cangaceiros, o seu caráter, sua valentia, sua índole de guerreiro, que, mesmo depois de todas essas eras dos mistérios de Angico ainda consegue fazer dos povos, simples repensadores dos seus passos, de sua história. E que, seja como for tudo isto ainda é prova da estratégia daquele que foi o maior dos estrategistas, traçando passos no ontem, no hoje e para a eternidade.
(*) Escritor e radialista, O Caipira de Poço Redondo (SE), Sócio da SBEC.

http://lentescangaceiras.blogspot.com.br

Ilustrado por José Mendes Pereira
  
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O mais novo livro sobre o cangaceiro Jararaca



Autor: Marcílio Lima Falcão
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Marcílio Lima Falcão

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP).
Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e Movimentos Sociais no Brasil Republicano.

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Quem matou Delmiro Gouveia?

Autor: Gilmar Teixeira

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Memorial de Mossoró no Rio Grande do Norte (ataque de Lampião, em 13 de junho de 1927




"O ataque do famoso Lampião àquela famosa cidade norteriograndense, é considerado como a maior derrota/batalha que o rei vesgo do cangaço enfrentou em sua trajetória.

O memorial erguido pelos mossoroenses conta através de imagens, jornais e objetos à referida invasão. (Texto do pesquisador Volta Seca - facebook)".
A seguir, ilustrações e informações do http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Um dos objetivos da pesquisa histórica é comunicar uma compreensão dos acontecimentos passados - www.blogdogemaia.com

Memorial da Resistência em Mossoró, Rio Grande do Norte. - goprn.blogspot.com
 
Memorial da Resistência, Mossoró - RN. Mossoró reconta história da expulsão de Lampião. Quando chegou a Mossoró, o “rei do cangaço” Virgulino Ferreira da  Silva - turismo - riograndedonorte.blogspot.com

Página de Márcia Procopio  - Memorial da Resistência de Mossoró-RN/Brasil - www.flickr.com

Informação ao leitor:

Cada foto desta tem aproximadamente 4 metros de altura. Todo o material escrito pelos pesquisadores e historiadores está registrado e organizado nas paredes do memorial.

Todos nós sabemos que em 1927, quando Lampião entrou em Mossoró, no intuito de assalta-la,  ainda não existiam mulheres no cangaço. Mas as mulheres que aparecem no memorial, a finalidade é mostrar as guerreiras do cangaço.

O memorial Mossoró contra a Lampião é muito bem detalhado, e o visitante terá condições de ler, fotografar, ou mesmo copiar tudo quanto foi registrado, e conhecer os reféns, os cangaceiros que aqui estiveram com Lampião, os bilhetes enviados ao prefeito Rodolfo Fernandes, os combatentes ao bando de cangaceiros etc...

Se você leitor, pisar no chão de Santa Luzia (Mossoró), não deixe de visitar este importante memorial. Ele está localizado no centro da cidade de Mossoró, ao lado do Fórum Muncipal e do Teatro Municipal Dix-huit Rosado. Não precisa pegar táxi, a pé mesmo você chegará lá sem nenhuma dificuldade.

É um excelente memorial que os seus olhos irão ver.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O "X" da Questão do Ataque de Lampião a Mossoró



Por: Honório de Medeiros
Paulo Gastão, Honorio de Medeiros, Luitgarde, Carlos Santos e Franklin Jorge no Cariri Cangaço 2013

Aparentemente apenas dois personagens são protagonistas tanto da invasão de Apodi, por cangaceiros, em 10 de maio de 1927, quanto de Mossoró, em 13 de junho de 1927. Trinta e três dias separam uma da outra.Eles são o Coronel Isaías Arruda, Intendente de Missão Velha, no Cariri cearense, e o cangaceiro Massilon.

Qual a natureza da relação entre o Coronel e o Cangaceiro? Circunstancial ou decorrente de um planejamento? No que diz respeito ao Coronel sabemos que a invasão de Apodi somente lhe surgiu na mente quando foi procurado por Décio Hollanda para ajuda-lo nesse propósito. Não há qualquer registro de interesse seu quanto ao Rio Grande do Norte anterior a esse contato.

E quanto à invasão de Mossoró, sabemos que essa idéia lhe foi apresentada após o retorno de Massilon da invasão de Apodi, apesar da opinião de Sérgio Dantas, calcado em Raul Fernandes, no sentido de que o Coronel tinha seus olhos voltados para a riqueza da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte.E o sabemos em primeiro lugar porque o Coronel não chamara Lampião às suas terras. Lampião lá apareceu inesperadamente, conforme nos demonstra, com precisão, o próprio Sérgio Dantas. E o sabemos também porque não há registro de qualquer atividade anterior do Coronel em promover essa “indústria” da invasão de cidades em busca de lucro.

Massilon

Por fim, podemos inferir essa hipótese com base na seguinte cadeia de raciocínio: se ele não tivesse sido procurado para ajudar na invasão de Apodi, não teria conhecido Massilon; se não tivesse conhecido Massilon não haveria o ataque a Mossoró. Então tudo leva a crer, em uma primeira análise, ao se observar a balança na qual estão postados os argumentos, no fator circunstancial, quanto ao Coronel, enquanto não encontramos qualquer indício que aponte para um planejamento anterior no sentido de atacar Mossoró.

Se circunstancial, então o papel do Coronel nas duas invasões foi de somenos importância, limitando-se a arranjar jagunços, armas, munição e, talvez, animais para as duas invasões, e a convencer Lampião a participar do ataque a Mossoró. Coube, aqui, para empreender esse raciocínio, usar a Navalha de Ockham. Entretanto se essa participação do Coronel foi circunstancial cabe, agora, perguntar o seguinte: o ataque a Apodi e Mossoró, no espaço de trinta e três dias, foi, também, circunstancial ou havia um nexo entre eles, anterior ao próprio ataque?

Izaias Arruda

Quanto à existência do nexo existem os seguintes fortes indícios:

(i) a correspondência de Argemiro Liberato avisando previamente do ataque;

(ii) o aviso do Coronel Chico Pinto ao Coronel Rodolpho Fernandes após a invasão de Apodi e antes de Mossoró;

(iii) a menção ao projeto do ataque a Mossoró feito por jornal da cidade;

(iv) a presença, tendo em vista seu passado, nos dois ataques, enquanto protagonista, de Massilon.

Se assim o é, então a idéia de atacar Apodi e Mossoró já existia antes dos ataques serem realizados. Quanto à invasão de Apodi, não existem dúvidas em relação a sua natureza política. Teria o ataque a Mossoró também a mesma finalidade? Mais: se o ataque a Apodi tinha natureza política, e o ataque a Mossoró também o tinha, o que se conclui quando sabemos que no primeiro caso o objetivo era o Coronel Chico Pinto? Obviamente que o ataque a Mossoró queria atingir, por sua vez, o Coronel Rodolpho Fernandes.

Se decorrente de um planejamento, então como explicar esse liame entre as invasões? Se o há, necessariamente passa pelo único personagem cuja presença nos dois ataques não foi circunstancial: Massilon. Nesse caso somente a história de Massilon anterior aos fatos pode explicar o ataque a Mossoró. Suas relações, seus antecedentes, sua geografia.

Esse é o “x” da questão.

Honório de Medeiros
Pesquisador, escritor, sócio da SBEC
Conselheiro Cariri Cangaço

www.honoriodemedeiros.com

http://cariricangaco.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com