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segunda-feira, 2 de março de 2015


A última semana marcou mais um momento importante para realização do IV Congresso Nacional do Cangaço a se realizar no município de São Raimundo Nonato, no Piauí. Para ultimar os preparativos estiveram em Teresina, o Presidente da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço; Dr Benedito Vasconcelos e os Diretores da Entidade; Paulo Gastão, Aderbal Nogueira e Tomaz Cisne.
  
 Wilson Seraine recebe SBEC para reunião de trabalho: IV Congresso Nacional


O encontro aconteceu na residência do pesquisador e colecionador, Wilson Seraine, e contou com as presenças de Leandro Cardoso, Marcos Damasceno, Luciano Klaus, dentre outros colaboradores na capital piauiense. O tema do IV Congresso Nacional do Cangaço será "Caatinga: patrimônio natural e cultural". 

Fotos: Luciano Klaus

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2015/03/sbec-realiza-reuniao-em-teresina.html

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O Velho Guerreiro

 Por Marcos Dasmaceno
Paulo Gastão ao lado de Ingrid Alidiane e Mabell Sales, no Cariri Cangaço

Paulo Gastão, figura lendária da pesquisa do Brasil rural, da história do povo. Notável e relevante pesquisador da história do Cangaço; um dos ícones.

Indiscutivelmente, um monumental homem da pesquisa. Sua história é rica e longa, com larga lista de serviços prestados à sociedade. Uma trajetória incansável, desafiadora. Um missionário; todo missionário é um predestinado. Um iluminado. A história da pesquisa do Cangaço se confunde com sua história de pesquisador. Ele é uma legenda.

Construtor histórico. E, o mais admirável é que está sempre realizando novos projetos. Não aceita a imposição da vida, da natureza, de que idoso é - inevitavelmente - sinônimo de fragilidade, invalidez e sedentarismo. Está em pleno movimento e atuação, e a todo vapor. Vive a vida com a mesma intensidade de um jovem. Espiritualmente ele é um jovem. O vigor dele é admirável.
  
Paulo Gastão e a família Cariri Cangaço em Juazeiro do Norte

Paulo Gastão é um homem de causa. Um homem de história. Um homem de compromisso. Um homem de convicção. Atuante e exemplar. Exemplo de vida. Uma escola. Para nós, ele é uma escola. Essa figura mítica faz parte de nossas vidas, e fazemos parte da vida dele. Nossa grande bandeira; nosso mestre.

Ele não é uma pessoa; é uma plataforma, uma marca. Ele é único, incomparável e insubstituível. Vou além: pesquisador da magnitude dele, está em extinção. Não se pode considerar PAULO GASTÃO sem lhe reconhecer a experiência, a contribuição, a história.

Ele não é folha seca, que qualquer vento carrega. Ele é tronco de jatobá em beira de riacho, que suporta a força de qualquer enchente devastadora. Tronco bem enraizado e plantado no terreno de Deus.

Marcos Damasceno, pesquisador e escritor
Teresina - PI

E vem aí...

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JOÃO GAMBARRA E A LUTA PELA MEMÓRIA DOS QUE LUTARAM

Por Rostand Medeiros
O responsável pelo TOK DE HISTÓRIA, junto com o Sr. João Gambarra, no monumento aos combatentes brasileiros da Segunda Guerra Mundial em Santa Luzia, Paraíba-CLIQUE PARA AMPLIAR AS FOTOS.

Um ex-combatente de 96 anos, que mantém vivo no sertão a memória dos paraibanos que lutaram na Segunda Guerra Mundial. 

Junto a Rudolf Thales Diniz Lourenço e German Zaunseder, bons amigos que gostam de história, estivemos recentemente no sertão da Paraíba, mais precisamente na cidade de Santa Luzia, também conhecida tradicionalmente como Santa Luzia do Sabugy, onde conhecemos um ser humano muito especial.

Através da minha querida prima Fátima Cavalcanti, respeitada odontóloga que residente em João Pessoa, conseguimos chegar ao Senhor João Bezerra da Nóbrega Gambarra, um odontólogo aposentado, muito respeitado profissionalmente na sua terra e nascido no longínquo ano de 1919.

Rostand Medeiros, Seu João e Dona Dagmar

Verdadeira memória da viva da sua região, tivemos o privilégio e a honra de sermos muito bem recebidos em sua casa, onde ele e sua esposa, Dona Dagmar, foram de extrema cortesia e atenção.

Junto a Seu João conversamos algumas horas sobre a história do nosso sertão nordestino, o cangaço na Paraíba, as antigas revoluções ocorridas na primeira metade do século XX e a Segunda Guerra Mundial.
O interessante foi que descobri que seu pai, o vaqueiro José Alves Bezerra, no início do século XX negociava gado entre a Paraíba e a região do Seridó Potiguar (Santa Luzia é próxima a fronteira do Rio Grande do Norte). José Alves também trazia gado do distante Piauí, percorrendo antigos caminhos coloniais, aonde seus negócios chegavam a alcançar a região da Serra da Rajada, próximo ao Rio Carnaúba e da pequena vila homônima ao rio. Ali mantinha negócios e tinha amizade com o fazendeiro Joaquim Paulino de Medeiros, conhecido como coronel Quincó da Ramada e meu bisavô. Através de Seu João soube interessantes detalhes do ataque que a minha família sofreu de cangaceiros supostamente comandados por Chico Pereira, no dia 1 de fevereiro de 1927, na Fazenda Rajada, município de Acari. O papo rolou solto!

O amigo German Zaunseder, argentino de Buenos Aires e descendente de alemães, conhecendo o sertão potiguar. Ao fundo a Serra da Rajada.

Já em relação a segunda Guerra Mundial Seu João contou que foi o terceiro sargento Gambarra, lotado entre os anos de 1942 e 1945 no 20º Batalhão de Caçadores da cidade de Campina Grande. Ele não seguiu para a Itália com a FEB – Força Expedicionária Brasileira, mas vivenciou a partida de amigos e a tristeza da perda de alguns deles em combate. Esteve vigilante nas nossas praias, patrulhando extensas faixas do então praticamente deserto litoral paraibano.

Mas o fato mais intenso e relevante da nossa visita foi quando Seu João, com extremo orgulho e satisfação, levou os três amantes da história vindos de Natal até o monumento existente em sua cidade para honrar a memória dos ex-combatentes paraibanos que participaram da Segunda Guerra Mundial.

Localizado as margens da BR-230, que corta toda Paraíba de lesta a oeste, o monumento impressiona bela beleza e singeleza. Encimado por três grandes pilares retangulares que sustentam uma grande coluna, possui no alto uma estátua que representa um combatente brasileiro da Segunda Guerra. Nos três pilares que servem de base estão os nomes dos paraibanos que seguiram para a Itália e dos que protegeram nosso litoral, além dos símbolos da FEB e do 5º Exército dos Estados Unidos. Não faltam os nomes daqueles que participaram do conselho gestor para a existência deste monumento, entre eles está o nome de João Gambarra. Foi uma visita muito especial.

German, Rudolf e Seu João no monumento de Santa Luzia

Após o fim da guerra Seu João estudou em Recife, onde se formou em odontologia. Foi amigo de turma do respeitado odontólogo potiguar Sólon Galvão.
O Seu João Gambarra é sempre prestigiado pelo Exército Brasileiro

Seu João é um homem que possui uma lucidez, uma vitalidade e um prazer pela vida que são fantásticos!

Rijo, lúcido, ativo, seus olhos brilham ao relembrar o passado. Ao lembrar-se do velho sertão que não existe mais, da época da guerra e dos que partiram. Mas Seu João vive a vida cada momento intensamente, onde memorizar este passado não é um peso, mas uma satisfação. Uma satisfação que ele faz questão de dividir, principalmente com os mais jovens. Mas ele se entristece ao comentar que atualmente poucos se interessam pela história.

Rudolf junto ao AT-26 Xavante da FAB, espetado em Parelhas, Rio Grande do Norte, ao lado da Igreja de São Sebastião

Espero na minha vida poder encontrar outras pessoas como João Gambarra.

Um encontro destes não seria tão especial se não tivesse ao meu lado amigos que também gostam de história. Rudolf Lourenço é paraibano de Campina Grande, radicado em Natal, estudou economia na UFRN, é casado com a minha amiga Erika Leite e possui um grande interesse na história Segunda Guerra por influência de seu pai Josemar Lourenço da Silva, tenente da reserva da FAB.

Já German Zaunseder é argentino de Buenos Aires, estudou direito na Universadad Federal de Buenos Aires, reside em Natal há seis anos, é casado com uma potiguar, tem um filho de quatro anos e um grande interesse na história da Segunda Guerra Mundial por razões pessoais. Sua família é originária da Bavária, mas emigrou para a cidade de Duseldorff, onde nasceu seu tataravô Siegfredo.


Por uma razão que German desconhece, seu tataravô colocou em um dos seus filhos o nome muito pouco germânico de Antônio Zaunseder, avô do nosso amigo. Fugindo da crise que se abateu sobre a Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, a família Zaunseder emigrou para a Argentina no início da década de 1920. Mas em 1939 os homens em idade de servirem as forças armadas de Hitler retornaram ao país de origem para lutar na guerra. Segundo German os irmãos do seu avô morreram em combate, mas Antônio sobreviveu, falecendo na Alemanha em 1954. Entretanto nosso amigo desconhece como foi a história do seu avô na Wehrmacht.  


CERTIDÃO DE BATISMO DO VIRGULINO FERREIRA DA SILVA


Para o seu acervo

Fonte: facebook
Página: Romao Olivera

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Depois do ataque frustrado à Mossoró-RN em 1927, Lampião visitou Limoeiro do Norte-CE e lá foi recebido pelo Juiz Municipal Custódio Saraiva. Segundo o Juiz, em certo momento Lampião foi com ele ao telégrafo da cidade e se comunicou com várias cidades vizinhas, inclusive Fortaleza-CE. Será que existe a voz do capitão Lampião gravada em algum lugar?

Fonte: facebook
Página: Eduardo Campbell

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domingo, 1 de março de 2015

QUEM MATOU DELMIRO GOUVEIA?


SERVIÇO
Livro: Quem Matou Delmiro Gouveia?
Autor: Gilmar Teixeira
Edição do autor
152 págs.
Contato para aquisição
gilmar.ts@hotmail.com
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00


SUMÁRIO

Por José Romero Araújo Cardoso

S U M Á R I O
ROMERO CARDOSO: uma inteligência rara!  6
Clemildo Brunet
APRESENTANDO NOTAS SOBRE A HISTÓRIA DO NORDESTE DE JOSÉ ROMERO CARDOSO          9
Francisco Alves Cardoso
PREFÁCIO          12
Francisco Pereira Lima
A CIVILIZAÇÃO DO COURO         14
O HEROÍSMO DAS PARTEIRAS TRADICIONAIS    16
OS ANTIGOS ALMOCREVES        18
ABOIO DOS VAQUEIROS: PATRIMÔNIO IMATERIAL DO NORDESTE         20
A GRANDE SECA DE 1877-1879 22
RIO PRETO: HUMILHAÇÃO, ÓDIO E CRIMES HEDIONDOS            24
CANUDOS: GUERRA DESUMANA E CRUEL           26
PAJEÚ: O GRANDE ESTRATEGISTA DA GUERRA DE CANUDOS     30
TROPEIROS DA BORBOROREMA: AVENTURA ALMOCREVE PELAS VEREDAS DA TERRA DO SOL  33
BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE AS SECAS NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO              35
DELMIRO GOUVEIA E O SONHO DE INDUSTRIALIZAR O SEMIÁRIDO       39
O SEMIÁRIDO BRASILEIRO E A “INDÚSTRIA DAS SECAS”              41
OUSADO ATAQUE CANGACEIRO A SOUSA-PB, EM 27 DE JULHO DE 1924              43
MEIA-NOITE E O FOGO DO SÍTIO TATAÍRA         49
A VINGANÇA DE LAMPIÃO CONTRA O “CORONEL” ZÉ PEREIRA  53
LAMPEÃO, SUA HISTÓRIA: OBJETIVOS DA PRIMEIRA BIOGRAFIA ERUDITA DO “REI DO CANGAÇO”       56
CORONEL MANUEL BENÍCIO: COMANDANTE PARAIBANO DE FORÇAS VOLANTES . 59 A COLUNA PRESTES EM PIANCÓ-PB E A MORTE DO Pe. ARISTIDES          61
O TRUCIDAMENTO DO CANGACEIRO JARARACA EM MOSSORÓ              65
ASSASSINATO DO PRESIDENTE JOÃO PESSOA    69
PRINCESA-PB: MAIOR MANIFESTAÇÃO DE INSURGÊNCIA DO MANDONISMO
LOCAL   71
A GRANDE SECA DE 1932            75
MÉTODOS DE SANGRAMENTOS UTILIZADOS POR VOLANTES E CANGACEIROS              77
A ESTRELA OCULTA DO SERTÃO              80
A IMPORTÂNCIA DO CORDEL EM SALA DE AULA             83

N o t a s  s o b r e   H i s t ó r i a  d o  N o r d e s t e  | 5
 
BENJAMIN ABRAHÃO E A INVOLUNTÁRIA CONTRIBUIÇÃO PARA A EXTINÇÃO DO CANGAÇO   85
GILBERTO FREYRE E A ESSÊNCIA DO IMPOSSÍVEL            88
DRAMA DA FOME: FERIDAS ABERTAS QUE OS PODEROSOS INSISTEM EM NÃO CURAR  90
A BATALHA DE VINGT-UN ROSADO EM DEFESA DA PESQUISA DE PETRÓLEO NA BACIA POTIGUAR           94
JOSUÉ DE CASTRO E A OUSADIA DE DENUNCIAR UM TEMA AINDA PROIBIDO              104
A MORTE DE JOSUÉ DE CASTRO NO EXÍLIO         107
LUIZ “LUA” GONZAGA   110
NOTAS SOBRE O MUSEU DO SERTÃO DA FAZENDA RANCHO VERDE (ESTRADA DA ALAGOINHA - MOSSORÓ/RN)           112
REFERÊNCIAS    115
UM OLHAR SOBRE AS NOTAS DA HISTÓRIA DO NORDESTE DE ROMERO        CARDOSO          117
Marinalva Freire da Silva
POSFÁCIO          119
Archimedes Marques

FONTE:        CARDOSO, José Romero Araújo. Notas para a História do Nordeste. João   Pessoa/PB: Ideia, 2015. 119 p.

Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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O MAIS NOVO LIVRO SOBRE JARARACA

Por Marcílio Lima Falcão

Sinopse - Jararaca - Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró - Marcílio Lima Falcão.

Jararaca: Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró historiciza a construção das memórias sobre a santificação do cangaceiro Jararaca, morto na noite de 19 de junho de 1927, no cemitério São Sebastião, em Mossoró, pela força policial que o escoltava para Natal, capital do Rio Grande do Norte. A interpretação é realizada por meio da análise da documentação dos jornais O Mossoroense, O Nordeste e O Correio do Povo, da análise de obras com narrativas a respeito da morte de Jararaca, da importância dos lugares de memória como espaços de conflito e das falas dos devotos que visitavam o túmulo de Jararaca no dia de finados. Procura-se compreender as formas de circulação, apreensão e ressignificação das memórias sobre a santificação de Jararaca.

Jararaca - Memória e esquecimento nas narrativas sobre um cangaceiro de Lampião em Mossoró - Marcílio Lima Falcão.

Autor: Marcílio Lima Falcão
Adquira logo este através deste e-mail:limafalcao34@gmail.com
Valor: R$ 
35,00 (incluso a postagem)
Banco do Brasil
Agência: 
3966-7
CC – 
5929-3
Marcílio Lima Falcão

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP).
Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e Movimentos Sociais no Brasil Republicano.

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IRMÃ DULCE E VOLTA SECA


Num dia qualquer na cadeia, Volta Seca estava em sua cela e recebe o comunicado que uma freira vinha vê-lo. Ele não era dos mais religiosos, aliás, antes mesmo de se tornar cangaceiro de Lampião, Antônio não era de ir à igreja, mas ele lembra que assistiu uma missa em Poço Redondo, era dia 19 de abril de 1929. O Padre Artur Passos estava como sempre celebrando a missa da sexta-feira e do nada as pessoas se alvoroçaram e Lampião acompanhado de mais dez cabras invadem a capela. O padre engoliu seco e continuou a missa, pedindo para que as pessoas continuassem no seus  lugares. Os cangaceiros se sentaram, inclusive Volta Seca. Quando a missa acabou, o padre foi conversar com o chefe Virgulino e este deu um bilhete com o nome de todos, menos o de Fortaleza, não se sabe porquê.

Volta Seca que era bem enturmado na cadeia ficou curioso e perguntou o nome da religiosa e porque ela queria ver ele. Disseram a ele que era uma boa mulher que ajudava os pobres e que em maio do ano que eles estavam, 1939 ela para abrigar doentes que recolhia nas ruas, invadiu cinco casas na Ilha do Rato, em Salvador. Volta Seca gostou dela por ser ousada e aceitou a visita. Era o mesmo ano de 39, setembro, ele já havia comido sete anos de cadeia, parecia estar acostumado com a vida lá dentro.

Chegou o dia marcado e a freira fui por volta das 9h. Era jovem ainda, 24 anos, bonita, branca e baixinha. As pessoas do Presídio do Engenho da Conceição já a conhecia de nome. Volta Seca percebeu de longe que ela trazia consigo uma sanfona e um sorriso nos lábios. Ela foi até o pátio principal, sentou e começou a tocar para os presos que estavam ali. Volta Seca estava a uma grande distância mas ele sabia que era ela. O som começou a ecoar os becos recheados de galanteadores, malfeitores e ladrões. A música atraía todos para perto dela. Alguns soldados ficavam perto, mas eles não ofereciam perigo, não mais. Volta Seca também foi atraído pela música, assim como os ratos do conto “O Flautista de Hamelin” dos irmãos Grimm. Ele foi indo na direção da freira, devagar como sempre e percebeu que outros ex-cangaceiros também estavam sentados lá ouvindo música.




- Venha pra cá, eu não mordo, venha me ouvir tocar. Antônio dos Santos seu nome não é? 

Os outros presos olharam admirados para o acontecimento e a partir deste dia Volta Seca passou a ser mais respeitado que nunca. Mas, a princípio ele ficou calado. Não se sabia se vergonha de falar com ela por ter outras pessoas ou se era seu jeito de receber o novo. Mas, a música continuou. Depois de umas três ou quatro canções, Volta Seca fala pela primeira vez. 

- Eu já toquei realejo. Sei umas modinhas.

- Onde você aprendeu? 

- Nos tempos de cangaço, mas num gosto de falar disso não, vá continui tocano prá nóis.

Irmã Dulce não interrogava ninguém, mas passava mensagens de paz aos que estavam sentados no chão e em tamboretes improvisados com alguns baldes que estivera sendo usados para lavar o ambiente para a chegada da “Santa”. Ela estava lá, sem nenhuma vaidade, uma aura clara de paz. Volta Seca havia deixado pra trás o cangaço, mas naquele instante ele foi rebatizado através da música. 

- Se aproxime mais, meu filho, deixa eu ver você de perto. Você é ainda uma criança, que Deus te abençoe e te faça um homem bom quando sair deste lugar. Mas, antes mesmo de sair, continue sendo bom. 

- Dona Dulce, eu conheci outra Dulce que foi companheira de outro cangaceiro apelidado de Criança.

- Mas, meu filhinho, esta vida ficou para trás hoje você é Antônio dos Santos, dois nomes abençoados: “Antônio” do meu padroeiro “Santo Antônio” e “Santos” de todos os outros santos que restam.

Os presos caíram na risada, até os carcereiros. Não parecia que naquele meio eram pessoas que haviam cometido as maiores atrocidades, o respeito era incrível.

- Dona beata, eu não me acostumo com este lugar, mas eu prometo a senhora que mais nunca vô pegá numa arma em minha vida. Quero aprendê um ofíço aqui dento e saí cum dinheiro. Todo dinheiro que eu consiguí aqui vô dá prus pobre como eu, é só eu termina de cumpri minha pena.

- Que gesto bonito, Antônio, só por isso vou tocar uma música pra você que talvez a reconheça.

- Mais ôxi, como tú sabe?
- Deixa eu começar aqui...
“Olê mulher rendeira
Olê mulher rendá

Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá
Tu me ensina a fazer renda,
eu te ensino a namorá.

Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Tu me ensina a fazer renda,
Eu te ensino a namorá.

Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Saudade levo comigo,
Soluço vai no emborná.

Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Se você tá me querendo,
Vamo pra Igreja, vamo casá.

Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
E depois de nóis casado,
Vou pra roça, vou prantá.

Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá,
Tu me ensina a fazer renda,
Eu te ensino a namorá.

Olé, Mulher Rendeira,
Olé mulhé rendá.”

- Essa eu cunhêço sim, mais cum ôtras prosas, mas bem qui tá bunitinha assim.

- Já estou de saída, Antônio, vim ver você e acabei fazendo uma apresentação aqui para os outros filhinhos, gostei muito de todos vocês. Quer alguma coisa, filho?

- Sim, quero qui toda vêiz que vinhé aqui mande me chama, vô na maió carrêra li vê.

- Combinado.

E a freira se levantou, recebeu palmas e foi se distanciando em direção à porta principal. Volta seca ainda foi até a grade e a viu entre as gigantescas palmeiras reais que ficavam do lado de fora do presídio. Esta seria a primeira vez de várias visitas. Os presos voltaram para suas celas e Volta Seca foi assoviando com um tímido sorriso a música que ouvira por último...

Santos, Robério B. Volta Seca. Página 225. 2017 (obra Inédita).

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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CONVITE!


Olá!

Segue o convite, atinente ao lançamento do livro bilíngue, CEARÁ EM CENA, importante obra, formada por 32 escritores, poetas e jornalistas do Ceará e do Rio Grande do Norte.

Conforme convite em anexo, a coletânea CEARÁ EM CENA será lançada no dia 21 de março/2015, das 14 às 16h, no Salão do Livro de Paris, situado no Porte de Versailles, Pavilhão 1, no Stand M 91, da Divine Édition.

O Salão do Livro de Paris previsto para o período de 20 à 23 de março de 2015, tem como patrono a Republica Francesa Presidida por François Hollande e o  Ministério da Cultura,  dirigido por Fleur Pellerin. 

O País a ser homenageado, nesse evento, será o Brasil. Por tudo isto tem muito a comemorar e a agradecer à Presidente Diva Pavesi; a equipe do “Projeto Cultural França Brasil” (coordenado pela embaixadora Socorro Cavalcanti e formada por Dr. Ernane Machado, Tizim, Nirvanda Medeiros, Odmar de Lima, Benedito Vasconcelos e Silas Falcão); aos escritores e Presidentes de Academias de Letras do Ceará e do Rio Grande do Norte e aos parceiros: Banda de Música da Polícia Militar do Ceará; Colégio da Policia Militar; Secretaria da Cultura do Estado do Ceará;  Hotel Seara; Colégio Maria Ester; Secretaria do Trabalho do Estado do Ceará; a Bailarina Lecticia Plutarco; o Palhaço do “verbo” e a magnífica Cantora Francesa.

Atenciosamente,

Ceição Maciel

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e presidente da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS


A 2ª edição continua sendo vendida através dos endereços abaixo: 

josebezerra@terra.com.br
(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799
Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
E-mail:
lampiaoaraposadascaatingas@gmail.com
Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

Voltei para corrigir o meu equívoco:

Tanto a 1ª edição como  a 2ª edição do "Lampião a Raposa das Caatingas" todos os livros foram  costurados, em vez de colados. É que o trabalho no livro foi tão perfeito que pouco se nota a costura.

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DR. IVANILDO SILVEIRA E NELI CONCEIÇÃO FILHA DOS CANGACEIROS MORENO E DURVINHA


Grande Ivanildo Silveira, eu te devo muito. Se não fosse a sua força eu não teria conseguido o túmulo de meus pais. Obrigada meu bom amigo. Saudades.

Fonte: facebook
Página: Neli Conceição

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