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quarta-feira, 31 de maio de 2017

III LEMBRANÇA DO ÍDOLO REGULAMENTO


I – Do Evento e seus Objetivos

Art. 1º - O III CONCURSO “LEMBRANÇA DO ÍDOLO”, será realizado pelo Parque Cultural “O Rei do Baião”, na Fazenda São Francisco, município de São João do Rio do Peixe-PB, por ocasião das festividades em homenagem a Luiz Gonzaga, nos dias 19 e 20 de agosto de 2017.

Art. 2º - Poderão inscrever-se no II CONCURSO “LEMBRANÇA DO ÍDOLO” pessoas de todas as regiões e países, independente de estilo, gênero ou nacionalidade, que concorrerão em absoluta igualdade de condições.

Art. 3º - As obras devem ser exclusivas no idioma português, inéditas e originais.

Art. 4º - O Concurso homenageia o casal ANTÔNIO BARROS E CECÉU, famososartistas paraibanos.

Art. 5º - A obra deverá ser escrita estilo crônica, ocupando apenas uma lauda (página).

Art. 6º - Patrono: Francisco de Assis Lisboa Filho (Vereador Diassis Lisboa), do município de Santa Helena-PB.

II - Das Inscrições

Art. 7º - As inscrições deverão ser feitas na Fazenda São Francisco, zona rural de São João do Rio do Peixe (PB), ou ainda no endereço: Rua Dr. José Guimarães Braga, 70, Vila do Bispo, Cajazeiras (PB), CEP – 58.900-000, pelos telefones: (83) 99615-7942 / (83) 99379-1893, Pelo e-mail: 
Maiores informações no site: www.caldeiraodochico.com.br, nogonzagaodobrasil.blogspot.com.br e no programa “Caldeirão Político” da Rádio Oeste da Paraíba.

§ 1º - Serão aceitas inscrições por e-mail, pessoalmente ou via correio.

§ 2º - O período de inscrição será de 10 de abril a 31 de julho de 2017.

Art. 8º - A formalização das inscrições se processará mediante a entrega das crônicas digitadas em espaço simples (Office Word), fonte Times New Roman 12 ou Arial 11, acompanhadas da identificação do autor (nome, endereço completo e um breve currículo) em folha à parte.

§ 1º - Na cópia da crônica não deverá constar o nome do autor, apenas o nome da obra. A identificação deverá ser feita em folha à parte e anexada.

§ 2º - Cada participante poderá inscrever apenas uma crônica, e a mesma não poderá conter mais do que uma lauda (página).

Art. 9º - A Comissão Organizadora do Concurso não se obriga a devolver o material utilizado para as inscrições, ficando o mesmo na guarda da Comissão do III CONCURSO “LEMBRANÇA DO ÍDOLO”.

Art. 10º - O ato da inscrição implica, automaticamente, na aceitação integral por parte dos concorrentes dos termos deste regulamento.

III - Do Julgamento

Art. 11º - O Julgamento das obras será feito por uma comissão formada por três jurados de reconhecida experiência na cultura nacional, sendo sua decisão soberana, não cabendo qualquer manifestação contrária.

PARÁGRAFO ÚNICO – Em caso de empate entre os primeiros colocados o desempate se dará por decisão dos três jurados, convocados extraordinariamente para esse fim.

IV - Da Premiação

Art. 12º - A premiação do III CONCURSO “LEMBRANÇA DO ÍDOLO” acontecerá no dia 20 de agosto de 2017, dentro da programação do IX FESMUZA, na Fazenda São Francisco – Parque Cultural “O Rei do Baião”.
Art. 13º - O vencedor do III CONCURSO “LEMBRANÇA DO ÍDOLO” receberá prêmio de R$ 500,00 (quinhentos reais), o Troféu “ANTÔNIO BARROS” e Certificado Digital de Participação.

Art. 14º - O segundo e terceiro colocado receberão o Troféu “CHIQUINHA GONZAGA” e Certificado Digital de Participação.

Art. 15º - Os casos omissos a este Regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora.

Fazenda São Francisco, maio de 2017.

Francisco Alves Cardoso
Presidente do Parque Cultural “O Rei do Baião”

Luiz Claudino de Oliveira Florêncio
Coordenador de Planejamento

Francisco Álisson de Oliveira
Produtor Cultural

 Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

SIMPLESMENTE CECÍLIA !

Por Manoel Severo
Cecília do Acordeon

A tardinha se aproximava e os últimos raios do sol teimavam em persistir refletindo na estrada que tomamos para conhecer uma personagem simplesmente sensacional... Era sábado, dia 27; Fortaleza havia amanhecido com um dia claro, mas denso de nuvens de chuva,um dia como dizemos por esses lados do Brasil: "Um dia lindo". Nosso destino, o município de Redenção, a cerca de 55 km da capital do Ceará; ali, no distrito de Antonio Diogo deveríamos procurar uma localidade chamada "Currais 2"...

Como todo bom rastejador das caatingas, no primeiro posto de gasolina em Antonio Diogo fomos logo perguntando:"Como chego em Currais 2?" o moço alertou: "Olhem vocês podem ir pela estrada nova, mas vai ser difícil de encontrar pois são várias veredas sem placa, é melhor ir aqui por dentro,etc etc etc..." Saímos do posto seguimos caminho como ele havia nos orientado e perguntamos mais umas... 6 vezes, por entre veredas e pequenas vilas para chegar enfim ao nosso destino, ali já perto das 18 horas...Mas valeu a pena e como valeu...

Ingrid Rebouças, Cecília e Manoel Severo

O local, um pequeno vilarejo tipicamente do sertão, chegamos a casa e de lá saiu uma simpática e jovem senhora; dona Neide; que já nos esperava e foi logo gritando: "menino chama ali a Cecília!!!" E de repente chega nossa principal anfitriã, a pequena Cecília Araujo Costa, de nove anos de idade, uma menina mais que linda e pra lá de especial, ou simplesmente: Cecília do Acordeon !

Cecilia  , uma pequena sanfoneira mirim que desde os seus sete anos de idade vem encantando a todos que encontra, não só por seu talento maravilhoso com sua "vermelhinha"; que é como chama sua querida sanfona; mas e principalmente por sua doçura e seu coração verdadeiramente preciosos, que logo no primeiro contato e no primeiro sorriso fica fácil de perceber...

Cecília do Acordeon:Talento nato que nasce de um belo coração...
"Tudo começou com meu avô, que é Mestre de Reisado, então eu ia acompanhar e ficava encantada daí vi seu Cícero, um sanfoneiro tocando, logo quis uma sanfona e vivia pedindo a meu pai, mas ele não tinha dinheiro... Um dia fomos a cidade de Canindé e aí a danada da sanfona parecia que estava me perseguindo... novamente meu pai não tinha como comprar, chorei o tempo todo...  pouco tempo depois meus pais conseguiram comprar minha primeira sanfona, nunca senti tanta alegria" Confessa a tímida menina Cecília.

Nos abraçamos, nos abancamos e aí a tímida menina saiu de cena e de forma simplesmente fantástica entrou em ação a "pimentinha do forró", não sabíamos se olhávamos o talento de Cecília ou os olhos brilhando, quase saltando da face, de sua mãezinha, a dona Neide, realmente um espetáculo emocionante. A primeira música ela fez questão de dizer:"Essa a musica que conta a minha historia..." Uma melodia forte e cheia de significado invadia a sala e mais que isso, invadia nossos corações... bacana demais...

Ingrid Rebouças, Dona Neide, Cecília e Manoel Severo
Cecília do Acordeon e Ingrid Rebouças

Por falar em bacana, o que mais me encantou nesta visita foi o grande sentimento de gratidão que é cultivado pela família, por varias vezes a pequena Cecília nos surpreende sempre agradecendo, isso não tem preço. Agradece aos pais, ao meu tio Silvanar, ao avô, ao seu Cícero; sanfoneiro que lhe ensinou a tocar; a toda família e aos muitos amigos de todo lugar que tem carinho por ela. "Severo semana passada o Paulo Vanderlei veio aqui com o Chambinho e hoje vocês chegam aqui na minha casa, muito obrigado, agora meu sonho é conhecer Exu a cidade do Rei do Baião" fala a pequena Cecília, que inclusive tem uma pagina muito bacana na internet só esperando a visita de todos: http://ceciliadoacordeon.blogspot.com.br/

"Cecília tem esse sonho de conhecer a cidade onde nasceu Luiz Gonzaga, mas o dinheiro que estávamos juntando para ela ir até Exu foi preciso usar numa cirurgia de urgência que ela teve que fazer a uns três meses" revela dona Neide, mãe de Cecília. Pois é Dona Neide, este Universo é mesmo pródigo, pois essa visita é justamente para convidar toda a família para estarem conosco no Cariri Cangaço Exu, no próximo mês de Julho...

E assim a maravilhosa visita me fez ganhar a tarde, o dia... o mês e a todos nós que nos encontraremos no Cariri Cangaço Exu 2017, a grande oportunidade de ganhar mais uma componente desta família que nos faz compreender que tudo vale a pena, sempre vai valer... Família Cariri Cangaço, seja bem vinda minha pequena Pimentinha do Forró !

Manoel Severo,
Curador do Cariri Cangaço
Fortaleza, Cear
27 de Maio de 2017
Em Julho...

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FOTOS DA PRISÃO DE ANTÔNIO SILVINO

Por Rostand Medeiros

O aprisionamento de Lampião não se me afigura impossível. Nada importa diga ele que prefere a morte. Antônio Silvino também o dizia, mas, apenas se viu baleado, foi o primeiro em fazer questão de mansamente se entregar à justiça. 

A prisão de Antônio Silvio em 1914

Restabelecido ulteriormente, voltaram-lhe no presídio os ímpetos brutais, como na manhã em que, entre descomposturas do calão mais vil, sacudiu um pão na cara de um desembargador.

Antônio Silvino preso.

Quando a captura de Lampião parece a tanta gente sonho irrealizável, vem a propósito recordar como se deu a de seu terrível predecessor.

O que desgraçou Antônio Silvino foi a perseguição sem tréguas que lhe moveu uma de suas vítimas mais humildes. Bem diz o povo que “não há inimigo pequeno” e que “mutuca é que tira boi do mato”…

Sargento Alvino, promovido a alferes após a captura de Antonio Silvino

José Alvino Correia de Queiroz era obscuro comerciante no sertão de Pernambuco, quando Antônio Silvino lhe saqueou o pequeno estabelecimento. Reduzido à miséria, jurou vingar-se e entrou a polícia daquele Estado. Acreditaram nos seus propósitos e fizeram-no sargento.

Inteirado de que Silvino transitaria por certa faixa do município de Taquaritinga, o Sargento Alvino buscou informações de João Vicente e Joaquim Pedro, moradores naquelas paragens. Ambos negaram a pés juntos ter qualquer conhecimento a respeito. Mas, tão jeitosamente o miliciano conduziu as investigações, que a esposa de João Vicente o orientou:

– Quando o Sr. chegar à casa de nosso vizinho, o Joaquim Pedro, e encontrar as mulheres torrando galinhas ou fazendo comedoria de sobra, pode apertar o pessoal que o “capitão” Antônio Silvino está escondido perto, no mato…

O oficial Theophanes Ferraz Torres, comandante da volante que capturou Silvino. Valente e destemido, seria um grande perseguidor de Lampião.

No dia esperado, 27 de novembro de 1914, os policiais, sob o comando do Alferes Teófanes Torres e do Sargento José Alvino, estavam no local referido, de nome Lagoa Laje.

Assim que penetrou na residência de Joaquim Pedro, o Sargento Alvino se encaminhou diretamente para a cozinha, atrás de cuja porta se lhe deparou pendurada uma banda de ovelha. E viu chegar desconfiado, pelo quintal, um rapazola com um tabuleiro à cabeça, cheio de tigelas, colheres e pratos. Interrogado, o recém-vindo explicou, titubeante, que havia ido deixar comida a uns “trabalhadores”, num roçado.

Concomitantemente, o Alferes Teófanes submetia Joaquim Pedro a interrogatório, e este negava que soubesse do paradeiro de Silvino.

Aparece o sargento e, depois de falar na ovelha morta e de mostrar o tabuleiro com os restos de comida, pede permissão para forçar o velho sertanejo a não continuar mentindo. Ato contínuo, tranca-lhe, numa alcova, a mulher e os filhos e ordena que os soldados desembainhem os sabres.

Nos antigos jornais e revista por mim pesquisados, esta foto consta como sendo a força policial que lutou e capturou Antonio Silvino, mas muitos pesquisadores apontam como sendo o próprio bando de Antonio Silvino.

Nesse momento, mais nervosa, uma filha do ameaçado pede, da alcova:
– Meu pai, por caridade, descubra logo!

Joaquim Pedro roga que não lhe batam e justifica-se, alegando que logo não disse a verdade por temer a vingança de Silvino, no caso de a polícia o não prender ou matar. E confessa que o celerado está escondido não longe dali.

Eram cinco horas da tarde e urgia assaltar os cangaceiros, antes que a noite sobreviesse.

Também nos jornais de época esta mulher foi apresentada como Antônia de Arruda, amante de Silvino.

Sob as ameaças de ser liquidado, se desse o menor sinal aos bandidos, Joaquim Pedro vai mostrar o esconderijo deles. Com todas as precauções imagináveis, a tropa se aproxima da malta criminosa.

Antônio Silvino estava deitado numa pedra, sobre a qual se debruçava copada oiticica. Perto, divertiam-se alguns de seus cabras, a jogar um sete-e-meio. Ao ouvir a primeira descarga, Silvino gritou, motejante:

Ferimentos de Antônio Silvino após a sua captura.

– Espera aí, rapaziada! Deixem, ao menos, os menino acabar esta mão!

Mas o fogo irrompeu violento e sem intermitências, dos dois lados.

Com o cair da noite, o tiroteio deixou de ser correspondido. O Alferes Teófanes e o Sargento Alvino acreditaram que Silvino tivesse fugido. Suspeitando, todavia, que ele se quisesse vingar de Joaquim Pedro, foram entrincheirar-se na casa deste.

Antônio Silvino já com o uniforme da prisão.

Coisa bem diversa se passava. Silvino fora atingido por uma bala nas espáduas e o seu companheiro Joaquim Moura tivera quebrada uma perna. Os demais cangaceiros se embrenharam, desorientados, na caatinga, favorecidos pelo negrume da noite.

Estando a perder muito sangue, Silvino convidou Joaquim Moura a se entregarem, mas este repelira o convite e, depois de dizer que macaco do Governo não tinha o gosto de botar-lhe as mãos em riba, ele vivo, suicidou-se com um tiro na cabeça.

Outra foto do oficial Ferraz.

Impressionado ainda mais com o trágico fim do último assecla que lhe restava, Silvino despojou-se das armas e arrastou-se para a casa da mulher que ele ignorava tivesse sido quem o denunciara. O marido dela, João Vicente, a estava censurando por sua leviandade, persuadido de que Silvino, sabedor da denúncia, lhes não perdoaria.

De repente, batem à porta. Quando, de fora, uma voz anuncia que quem bate é Antônio Silvino, João Vicente encomenda a alma a Deus, convicto de que vai morrer. É sua mulher quem se afoita a atender ao chamamento.

Aqui outra imagem do sargento Alvino.

Ao se abrir a porta, aparece, à luz da lamparina, o vulto do grande salteador. Quase desfalecido e com as vestes rubras de sangue, Silvino está escorado no portal.

– Capitão, que horror é este?

– Mataram-me… arqueja aquele que, acovardado, começava a expiar crimes sem conta.

Conduzido a uma rede, ele pede que chamem a polícia. Vai alguém a Taquaritinga, mas não encontra lá os soldados. Na confusão em que todos se viam, ninguém a princípio se apercebeu de que os policiais poderiam estar pernoitando na fazenda de Joaquim Pedro. À mulher de João Vicente ocorre agora essa possibilidade. Despacham para ali o portador. Quando este bate à porta de Joaquim Pedro, os soldados aperram as armas, crentes de que é Silvino quem chega. Aberta a muito custo uma janela, o mensageiro dá contas de sua incumbência: vem avisar que Antônio Silvino, sozinho, desarmado e gravemente ferido, está em casa de João Vicente e quer entregar-se à prisão.

Expectativa para a chegada do famoso bandoleiro nordestino na Casa de Detenção de Recife.

O Alferes Teófanes suspeita que se trate duma cilada e opina que se aguarde o raiar do dia. Tanto insiste, porém, o Sargento Alvino que, afinal, o seu comandante se dispõe a ir ver Silvino. Ainda assim, o recadista vai seguro pelos cós e advertido de que receberá uma punhalada, ao primeiro tiro com que a tropa seja surpreendida.

Cercada com cautelas a morada de João Vicente, houve grande alegria, quando se patenteou aos olhos de seus perseguidores a mísera situação daquele que se gabava de que, embora sem saber ler, governava todo o sertão! O Sargento Alvino parecia o mais contente. Exigiu que se não fizesse o menor mal a Antônio Silvino e saiu, pelos matos, a cortar umas folhas de quixabeira para lhe lavar as feridas.

Fora destronado o Átila bronco que, durante dois decênios, apavorara a gente matuta do meio-norte e assoalhava não ser passarinho que morasse entre grades… Por trinta anos ia se fechar atrás dele o portão da Penitenciária de Recife!

Multidão a frente da Estação Central do Recife na chegada do famoso cangaceiro.

Foi à tenacidade do Sargento Alvino, à sua argúcia e vontade firme de vingança que se deveu a prisão de Antônio Silvino. Forçoso é, porém, reconhecer que colaborou inestimavelmente nisso a indiscrição duma mulher.

Acontecerá o mesmo, algum dia, a Lampião? Até na ruína dos cangaceiros terá aplicabilidade o cherchez la femme

Texto acima é do Cearense Leonardo Mota, inserido no seu livro “No tempo de Lampião” e publicado pela Of. Industrial Gráfica, do Rio de Janeiro, em 1931. Esta reprodução é da segunda edição, de 1967. Leonado Mota era cearense da cidade de Pedra Branca, nasceu em 1891 e faleceu em 1948. Estudou a fundo o sertão nordestino, onde descreveu vários aspectos da região em obras memoráveis. 

Antes de Lampião, Antônio Silvino era o cangaceiro mais famoso e seu apelido mais conhecido foi “Rifle de Ouro”. Nascido no dia 2 de dezembro de 1875, em Afogados da Ingazeira, Manoel Batista de Morais entrou para a história como Antonio Silvino. Durante 16 anos, driblou a polícia, praticou saques e assassinou inimigos, mas era tratado pelos poetas populares como um “herói” por respeitar as famílias. A invencibilidade de Silvino terminou no dia 27 de novembro de 1914, quando ocorreu o seu último tiroteio com a polícia. Atingido no pulmão direito, conseguiu se refugiar na casa de um amigo e disse que ia se entregar. Da cadeia de Taquaritinga seguiu, dentro de uma rede, até a estação ferroviária de Caruaru, onde um trem especial da Great Western o levou para o Recife. Uma multidão o aguardava na Casa de Detenção, atual Casa da Cultura. Antonio Silvino tornou-se o detento número 1.122, condenado a 239 anos e oito meses de prisão. Em 4 de fevereiro de 1937, depois de vinte e três anos, dois meses e 18 dias de reclusão, foi indultado pelo presidente Getúlio Vargas. O ex-rei do cangaço morreu em 30 de julho de 1944, em Campina Grande, na casa de uma prima.

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FRANCISCO DE ASSIS E ESPOSA DOUTORA LEILA


Uma excelente foto, não só da serra como também do casal Francisco de Assis do Nascimento e Doutora Leila.

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“A BELEZA SALVARÁ O MUNDO”

Por José Gonçalves do Nascimento

A frase é de Fiódor Dostoiévski e está em “O idiota”, romance de 1868. É dita, precisamente, pelo personagem Hippolit que a atribui ao protagonista da trama, o príncipe Míchkin, um misto de Cristo e Dom Quixote.

A beleza, aqui entendida sob o ponto de vista da criação artística, nas suas mais diversas manifestações, de fato haverá de salvar o mundo. Neste sentido, a afirmativa do escritor russo soa quase como uma profecia.

Há que se dizer, antes de tudo, que a arte se funda na verdade absoluta. Sua grandeza está na força da sua verdade. Isso implica autenticidade, originalidade, limpidez, integridade, isenção. A arte não comporta qualquer desvio, falsificação ou maquiagem. A arte é ou não é. Não admite meio termo. Do contrário, ela se mostraria fraca e não convenceria ninguém. Quem conseguirá resistir à força arrebatadora de uma “Pietá”, de Michelangelo, de uma “Nona Sinfonia”, de Beethoven ou de uma “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga? É esta verdade que confere vida e identidade à obra de arte, tornando-a perene, fascinadora e irrepreensível.

Em um mundo despedaçado por divisões de toda ordem, somente a arte, cuja linguagem é universal, é capaz de dialogar com as diferenças. Ela nos ajuda a transcender a sociedade fragmentada em que vivemos, convidando-nos a encarar a realidade com um olhar novo e aberto a uma convivência mais saudável e mais construtiva. Friedrich Schiller (poeta do século XIX) defendia que somente as relações fundadas na arte poderiam unir a sociedade. E, na linha do que defende Noberto Bobbio (pensador do século XX), a arte une porque vive do diálogo, diferentemente da política, que vive do conflito.

No filme a “A missão”, por exemplo, é a arte que supera o impasse existente entre missionários e indígenas. Com roteiro de Robert Bolt e direção de Roland Joffé, a película, datada de 1986, conta a saga dos missionários jesuítas que ousaram adentrar as florestas do Brasil, com o intuito de catequizar os Guaranis.


No início do filme, um missionário é amarrado em uma cruz e lançado no rio, o que revela a dimensão do conflito entre os religiosos e os nativos. Nas cenas subsequentes, todavia, um padre vai a uma clareira rodeada de indígenas, senta-se em uma pedra, e começa a tocar um oboé. Os Guaranis, que antes se apresentavam hostis, aproximam-se do sacerdote e, sensibilizados pela arte musical – comum também a eles – começam a baixar as armas. Após o gesto, o religioso sai andando pelo leito do rio, enquanto os índios o seguem amistosamente.

Isso decorre, acima de tudo, do caráter de isenção e liberdade que a arte assume. A mensagem da arte, porque universal, não pode se fixar em nenhum dogma, seja ele qual for. Deve evitar qualquer filiação, seja do ponto de vista político, religioso ou filosófico. Caso contrário, perderia ela uma de suas características fundamentais para se transformar em mera peça ideológica ou publicitária.

Não é demais falar da arte como algo que liberta, que redime e que aponta para a existência de uma realidade plenamente nova e condizente com nossos sonhos e anseios mais profundos - ainda que no campo puramente estético.

Um pensador dos nossos tempos, Tzvetan Todorov, é de opinião que “a obra de arte, ao mesmo tempo singular e universal, permanece como imagem eloquente da plenitude. Sua vantagem suplementar (...) é de se dirigir a todas e todos, e de incitar discretamente cada um a se abrir para a beleza do mundo”.

Referindo-se a literatura, Oscar Wilde, tido por seus contemporâneos como o “apóstolo da beleza”, atribuía àquela a função de “criar, partindo do material bruto da existência real, um mundo novo que será mais maravilhoso, mais durável e mais verdadeiro”. E, de novo, Todorov: “uma renovação autêntica só poderá emergir das visões imaginativas dos artistas e místicos”.

É por tudo isso que, das grandes invenções do engenho humano, as únicas que remanescem são aquelas voltadas para a contemplação do espírito. A arte é epifania. É a perene ebulição que envolve; e revolve; e revoluciona; e vibra; e fascina; e hipnotiza. A arte criou e recriou o mundo. Aliás, este nunca mais foi o mesmo depois de Adão, de Homero, de Platão, de Cervantes, de Goethe, de Beethoven, do Emmanuel, de Castro Alves.

Arte dita, pensada, emoldurada, cantada, sentida. Os homens se perdem; a arte, jamais. Ela salta dos poemas, dos afrescos, das canções. Está na tragédia de Ésquilo, no olhar ressaqueado de Capitu, nas façanhas de Macunaíma, na prédica do Conselheiro, nas veredas do grande sertão, no toque do atabaque e do berimbau, no turbante azul e branco dos filhos de Gandhy, no rosto pintado dos Yanomamis.

Concluímos evocando um mestre da atualidade, Gregory Wolfe: “se a arte não pode salvar nossas almas, pode ao menos fazer muito para remir a época, dando uma verdadeira imagem de nós mesmos, tanto no horror e tédio a que estamos sujeitos, quanto na glória em que, por raros momentos, podemos ter o privilégio de vislumbrar”.

“A beleza salvará o mundo”.

José Gonçalves do Nascimento
jotagoncalves_66@yahoo.com.br

 Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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AS PESQUISAS ESTÃO AVANÇADAS PARA A CONFECÇÃO DO LIVRO SOBRE O CORONEL ISAIAS ARRUDA. DO AUTOR João Tavares Calixto Júnior


Elias Saraiva dos Santos é natural de Aurora, Ceará, onde nasceu em 1917, no sítio Taveira. Morador em Milagres, Ceará, ao longo dos seus 100 anos de vida presenciou cenas que se constituíram na expressão máxima do que foi o fenômeno do coronelismo no Cariri cearense. 

Membro da família Santos, primo dos irmãos Paulino, seu Elias guarda informações que valem ouro aos que se interessam pela preservação da memória dessa região. 


A negligência sobre a importância da família Santos - em diversos aspectos - será parcialmente sanada com a publicação do livro sobre Isaías Arruda de Figueiredo, um Santos também, e que se tornou um fenômeno em seu meio de atuação, por ter, num curto espaço de tempo, "estremecido os céus e a terra".

Fonte: facebook
Página: Volta Seca
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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UMA BELA CONSTRUÇÃO ABANDONADA E, JESUÍNO BRILHANTE.


Recentemente fiz uma visita ao famoso sobrado de Belém de Brejo do Cruz na Paraíba. Mesmo abandonada pelo poder público, a belíssima construção arquitetônica datada do século XIX, permanece inabalável, resistindo as intempéries e depredações do homem.

Fica situado nas proximidades do Serrote da Tropa, município de São José de Brejo do Cruz-PB, onde aconteceu o combate em que veio a sucumbir o famoso cangaceiro Jesuíno Brilhante, em 1879.

Fonte: facebook
Página: Rivanildo Alexandrino
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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I CONCURSO “HOMENAGEM AO PADRE DO JUAZEIRO”; Participe!


REGULAMENTO

I – Do Evento e seus Objetivos

Art. 1º – O Primeiro Concurso HOMENAGEM AO PADRE DO JUAZEIRO, busca consagrar o famoso Padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço” do Juazeiro do Norte-CE, bastante aclamado por Luiz Gonzaga na música “Viva Meu Padim”, é uma realização do Parque Cultural “O Rei do Baião”, da Fazenda São Francisco, município de São João do Rio do Peixe-PB, no dia 20 de agosto de 2017, na programação do X FESMUZA – Festival de Músicas Gonzagueanas.

Art. 2º – O Patrono do Concurso é o Sr. Fernando Pelício.

Art. 3º – Poderão inscrever-se no Concurso todos os admiradores desse tema e da vida e obra do Gonzagão, de todas as regiões de qualquer país, que concorrerão em absoluta igualdade de condições.

Art. 4º – Os textos devem ser exclusivos no idioma português, inéditos e originais.

Art. 5º – O Concurso HOMENAGEM AO PADRE DO JUAZEIRO tem como objetivos:

a) – Homenagear o Padre Cícero, e toda sua história de luta e vida pelo povo nordestino;

b) – Os textos terão obrigatoriamente que versar sobre Padre Cícero, importante personagem da história nordestina.

II – Das Inscrições

Art. 6º – As inscrições deverão ser feitas na Fazenda São Francisco, zona rural de São João do Rio do Peixe (PB), ou ainda no endereço: Rua Dr. José Guimarães Braga, 70, Vila do Bispo, Cajazeiras (PB), CEP – 58.900-000, pelos telefones: (83) 99615-7942 / (83) 99379-1893, pelo e-mail: chicocardoso.caldeirao@gmail.com
a) Maiores informações no site: 
www.caldeiraodochico.com.br, gonzagaodobrasil.blogspot.com.br e no programa “Caldeirão Político”, na Rádio Oeste da Paraíba.

§ 1º – Serão aceitas inscrições por e-mail, pessoalmente ou via correio.

§ 2º – O período de inscrições será de 17 de abril a 31 de julho de 2017.

Art. 7º – A formalização das inscrições se processará mediante a entrega dos textos digitados em espaço simples (Office Word), fonte Times New Roman 12 ou Arial 11, acompanhados da identificação do autor (nome, uma fotografia recente para fazer parte do mural dos inscritos, telefone de contato, endereço residencial completo, endereço eletrônico e breve currículo).

§ 1º – Na cópia do texto não deverá constar o nome do autor, apenas o nome da obra. A identificação completa deverá ser feita em folha à parte e anexada.

§ 2º – Cada escritor só poderá inscrever um texto, e o mesmo não poderá conter mais do que uma página.

Art. 8º – A Comissão Organizadora do Concurso não se obriga a devolver o material utilizado para as inscrições, ficando o mesmo na guarda da referida Comissão.

Art. 9º – O ato da inscrição implica, automaticamente, na aceitação integral por parte dos concorrentes dos termos deste Regulamento.

III – Do Julgamento

Art. 10º – O Julgamento dos textos será feito por uma comissão formada por três jurados de reconhecida experiência na cultura regional, no prazo de 15 (quinze) dias após o término das inscrições, sendo sua decisão soberana, não cabendo qualquer manifestação contrária.

Parágrafo Único – Em caso de empate entre os primeiros colocados o desempate se dará por decisão de três jurados, convocados extraordinariamente para esse fim.

IV – Da Premiação

Art. 11º – A premiação do Concurso HOMENAGEM AO PADRE DO JUAZEIRO acontecerá no dia 20 de agosto de 2017, dentro da programação do X FESMUZA, na Fazenda São Francisco, São João do Rio do Peixe-PB – Parque Cultural “O Rei do Baião”.

Art. 12º – O Campeão receberá o Troféu “PADRE CÍCERO” e Certificado Digital de Participação.

Art. 13º – Os demais inscritos receberão Certificado Digital de Participação.

Art. 14º – Os casos omissos a este regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora.

Fazenda São Francisco, março de 2017.
Francisco Alves Cardoso
Presidente do Parque Cultural “O Rei do Baião”
Luiz Claudino de Oliveira Florêncio
Coordenador de Planejamento
Francisco Álisson de Oliveira
Produtor Cultural


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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DIA DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA 26 DE jUNHO


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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