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sábado, 18 de agosto de 2018

LAMPIÃO, JUSTIÇA ABANDONADA POR FALTA DE JUSTIÇA

Por Raul Meneleu 

O que Lampião fez para esses valentes policiais lhe devotarem tanto ódio e perseguição? E por que reservei o nome desse artigo como "Justiça abandonada por falta de justiça"? se todos nós sabemos que Lampião era um facínora covarde e fez muita miséria por onde passava nos sertões nordestinos? Existiu algum momento dele ter uma vida social de honestidade e exemplo de cidadão pacato e cumpridor das leis?


Manuel Neto, certa vez, foi encontrado por Gérson Maranhão perambulando pelos areais do Moxotó, acompanhado apenas de três homens armados.

Você não tem medo de andar assim com tão pouca gente? Perguntou-lhe Gérson.

Não respondeu ele. Nada tenho a perder na vida. Não quero mesmo viver. Só quero é morrer e o mesmo pensam os três que me acompanham. Ninguém de nós quer viver, mas só morrer.

O mesmo dizia o sargento Moisés, do povoado Bezerros, então pertencente ao município de Salgueiro (hoje Verdejante). Tornou-se ele, por questão de vingança, grande perseguidor de Lampião: "Meu desejo não é viver, mas morrer" dizia ele.

Também o sargento Lero (Aureliano de Sousa Nogueira), de Nazaré e perseguidor de Lampião: "Os nazarenos não tinham outro jeito, ou se acabar nas unhas de Lampião ou se acabar brigando com Lampião."

O que Lampião fez para esses valentes policiais lhe devotarem tanto ódio e perseguição? E por que reservei o nome desse artigo como "Justiça abandonada por falta de justiça"? se todos nós sabemos que Lampião era um facínora covarde e fez muita miséria por onde passava nos sertões nordestinos? Existiu algum momento dele ter uma vida social de honestidade e exemplo de cidadão pacato e cumpridor das leis?

Para seus cabras Lampião era um ídolo. Tinha a força de um mito. Para isso contribuía sua conquistadora personalidade, excepcional inteligência, espírito de liderança irresistível, genialidade guerrilheira, profundo misticismo religioso e outros carismas notáveis. Além disso o modo como dirigia o grupo: rigorosa moral, exemplo de honestidade, espírito de justiça, energia de autoridade, alegria e fraternidade. Daí porque nunca faltaram cabras que o seguisse e verdadeiras feras humanas, sendo de todos eles senhor absoluto, da vida e da morte. E para se explicar porque ele dominava dessa forma podemos ver algumas de suas decisões: por motivo de traição, matou Mourão... por razão de falta de respeito moral, matou Cacheado, matou Sabiá...

Quando viu que não havia mais jeito de cura, matou outro Sabiá, o cabra que tinha sido baleado no combate de Mata Grande, e que vinha sendo conduzido numa rede, por léguas e mais léguas, por vários dias na direção do Navio.

Lampião condoía-se da pobreza. Segundo se conta, quando era almocreve, fazia questão de não deixar passar, sem sua ajuda, um esmoler ou necessitado.

No cangaço exercia a prática de enfermeiro, dentista (extrações à ponta da faca!) e parteiro.

Por toda parte favorecia os pobres, quer como produto dos saques, quer com dinheiro. Tanto assim que os cantadores nas feiras,  o exaltavam pela justiça que exercia com equidade.

Mas o mundo inteiro ficaria abismado diante de suas legendárias gestas dilacerantes, hora agindo com loucura vingativa, hora com pendores de honestidade e bondade, se bem que essa última afirmativa fosse infinitivamente inferior em quantidade de atos em relação à primeira. Mas sabemos que os cantadores de feira focavam mais suas estórias nos predicados de homem revoltado pelas injustiças a ele acometidas e seus feitos mitológicos e quixotescos. Se bem que entrava também o medo de falar mal do cangaceiro. Sabe lá se teriam um encontro com ele nas estradas e caminhos?

Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, celebraria em famosa poesia, para agregar mais ainda a construção de um mito, suas palavras de protesto em forma de endechas, sua grande decisão de viver do outro lado da lei. E isso era bastante compreensível pelo sertanejo pobre, que constantemente era empurrado para o paredão das injustiças que eram submetidos naquele caldeirão cultural onde o direito pendia para os afortunados:

"Por minha infelicidade
Entrei nesta triste vida
Não gosto nem de contar
A minha história sentida
A desgraça enche o meu rosto
Em minha alma entra o desgosto
Meu peito é uma ferida.

Aí peguei nas armas
Para a vida defender
Perseguido, aperriado,
Vi que era feio correr,
Vi a desgraça no meu rosto
Então senti-me disposto
Matar para não morrer".'

Foi um alvoroço geral quando os cantores cordelistas levaram essas palavras de Virgolino Ferreira, entoadas num choro sentido, pela escolha que o ídolo fizera, praticamente por imposição de uma casta dominante, que não aceitara por inveja, esse rapazinho de inteligência fora do comum e que sobressaía-se nos eventos sociais, onde as mocinhas o olhavam admiradas por sua postura de corpo e inteligência. Era poeta, músico, ótimo como domador de cavalos, bom vaqueiro, excelente artífice do couro, bom negociante, excelente almocreve, fino e educado, religioso e respeitador. Essa era a imagem lembrada por todos que o conheciam.

Sim amigos, os cantadores de feira eram os portadores das palavras do povo que em reconhecimento proclamavam Lampião com o epíteto de "Santo":

"O Santo Lampião,
Era um homem bem devoto
Só andava pelo voto
Do Padre Cirço Romão
O Santo Lampião
Era um home bem querido
Ele era protegido
Do Padre Cirço Romão
Quando o pai dele foi morto
Depois é que não sabia
O Santo disse um dia
Precisamos nos vingá.
Lampião é inteligente
Que o povo bem já se vê
o Santo adivinhou
Até o dia de morrê."

Sim amigos, esse era o mundo injustiçado e abandonado em que viviam os deserdados em sua pobreza infinita, onde os meninos e meninas acordavam com olhos remelentos e pregados, como se fosse providência divina para não enxergarem a pobreza em que viviam, onde até mesmo a água para desgrudarem as pálpebras era difícil.

Era o mundo pesado caindo nas costas daquele povo sofrido e injustiçado, onde para fazer justiça, a força das armas eram o revide para ofensas de toda sorte; injúrias, traições, pagamento de dividas e de salários, etc., eram resolvidos pela força e o crime de homicídio era avaliado naquele sertão de "deus dará" pela balança dos malfeitos cometidos. Era a justiça do povo.

Num mundo abandonado como aquele do sertão, absolutamente carente de justiça, Lampião iria aparecer, como um enviado quase hierático, reconhecido e consagrado pelo povo, para fazer justiça: ofensas de donzelas, resoluções de casamento, pagamento de dividas e de salários, etc, eram resolvidos por Lampião por onde  passava e que fazia questão de ser sempre justa, pois era definitiva, aceita por todos sem discussão.  Conta-se que até mesmo crimes de homicídio anteriormente tão freqüentes, rarearam, porque Lampião seria chamado como juiz. Os rapazes pensavam duas vezes em mexer com uma moça donzela.

Um fato para ilustrar, colhido nos carrascais secos de Custódia, pelo padre Frederico Bezerra Maciel, conterrâneo de Lampião, onde este assunto surgira espontâneo e forte, pois ainda menino, fixou-se, não porém, como obsessão ou mesmo preocupação, mas como estudo pois era admirável e lhe despertara perguntas - "Quem é este homem para ser tão perseguido?” Perguntas como essa voejavam de sua mente e se misturavam ao apito nervoso dos trens que via, bufantes, fumacentos e poeirentos, transportando tropas volantes, ao toque estridente de cornetas,“ em demanda do sertão” o campo de batalha da Guerra de Lampião, onde recolhi dados para esse artigo; sua sextologia LAMPIÃO,  SEU TEMPO E SEU REINADO:

Seu Capitão e meu Padim, vim aquí pru mode tão dizendo que foi eu que buli com a moça, mas não foi eu não.

Me diga, zé Júlio, fale a verdade, você é meu afilhado. Só dou proteção dentro do direito e da justiça.

Juro meu Padim e Capitão, a moça já tava bulida.

Lampião depois de se inteirar rigorosamente, através de testemunhas, do caso e da inculpabilidade do afilhado, pune por ele, sentenciando peremptoriamente ao pai:

Trate de casar sua filha com outro. E não toque em Zé Júlilo, que não deve nada à honra dela.

E José Tiago da Silva, vulgo Zé Júlio, livrou-se de um casamento forçado à ponta de faca. Mais tarde, mudou-se ele para Belo Jardim onde se casou com D. Coleta Cirino. Matutão jeitoso e bom, tornou-se industrial de laticínios e fazendeiro, além de gostar de politica, chegando a ser prefeito municipal.

Lampião tornou-se nome internacional e manchete obrigatória nos maiores jornais do mundo, "New York Times"; "Paris Match" e em Buenos Aires o "La Nación"

Não admira que a Enciclopéia Britânica, na sua edição brasileira BARSA, Ihe tenha dedicado verbete especial e na internet, pesquisa do portal Google, com milhares e milhares de páginas sobre ele, onde numa barafunda de histórias e estórias contam e inventam casos dele.

O poeta popular João Martins de Ataide, no folheto de sua autoria "Os projetos de Lampião", põe na boca de Lampião a seguinte sextilha:

"Muita gente no Brasil
Tem grande ódio de mim,
Outros julgam que eu nasci,
Somente para ser ruim,
Alguém está enganado,
Eu vivo nisto obrigado,
Mas nunca fui mau assim".

Então meus amigos, cheguei a conclusão que ninguém nasce ruim. Lampião foi levado àquela vida por fatos poderosos que talvez possa até ter tido inversão se tivesse sido assistido pela justiça dos homens. Mas, sabemos que esta é falha pois como diz, é a justiça dos homens! Agregado a isso, tem a questão do ego humano, o orgulho exacerbado das partes contribuindo para o crescimento da raiva e da dor. Além disso tem o mal uso das autoridades, de um poder que achavam ser ilimitado. E quem poderia ser contra? 

Vemos assim que até certa época da vida de Virgolino Ferreira, podemos dizer que era a de um rapaz comum, com seus almejos normais, dentro dos limites impostos a todos, pela imposição de uma sociedade imaginada, onde prevalecesse as regras independente do dinheiro e poder. Mas nunca foi igualitária, até os dias de hoje, mas houve melhorias. Mas isso não absolve Lampião. Poderá até absolver Virgolino. Mas nunca poderá absolver Lampião, pois sua conduta mesmo enaltecida em eventos humanísticos que são poucos, abate-se sobre ele a mão pesada da Justiça por sua vida de crimes e violência.

https://meneleu.blogspot.com/2018/08/lampiao-justica-abandonada-por-falta-de.html

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INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA - ADQUIRA!

Por Francisco Pereira Lima

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MANOEL SEVERO E VIRGULINO LAMPIÃO NA TV ASSEMBLÉIA


Programa Questão de Ordem sob o comando do Jornalista Renato Abreu
entrevista o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo
Gravado em 10 de agosto de 2018
TV Assembléia, estado do Ceará
FONTE: YOUTUBE

http://cariricangaco.blogspot.com/2018/08/manoel-severo-e-virgulino-lampiao-na-tv.html

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EXTRA - QUATRO SUSPEITOS DE ENVOLVIMENTO NO ASSASSINATO BRUTAL DO POLICIAL MILITAR EM CARAÚBAS SÃO PRESOS PELA POLÍCIA NA BR 110 EM CAMPO GRANDE RN

Icem Caraúbas

A Polícia Rodoviária Federal, após interceptar conversas de um bando com um indivíduo de Assú, acionou a Polícia Militar de Campo Grande e em ação conjunto com o GTO de Assú, prenderam na noite desta sexta-feira (17), os suspeitos de terem participado do assalto ao ônibus dos estudantes que terminou com a execução do soldado Ildonio Jose da Silva, de 43 anos, 

A Polícia conseguiu interceptar vários áudios entre Nelson Gomes Fonseca e o bando. Ele estava aguardando os indivíduos na cidade de Assú, para posteriormente dar cobertura ao bando para fugir para Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte.

Em posse das informações, a Polícia Rodoviária Federal entro em contato com a Polícia Militar de Campo Grande e o Grupo Tático Operacional (GTO), de Assú, onde em ação conjunta no contorno da BR-110 em Campo Grande, que dá acesso à cidade de Caraúbas, no Oeste do Rio Grande do Norte, os policiais conseguiram interceptá-los em um veículo Gol, de cor Preto.

Já em Assú os policiais prenderam o coiteiro identificado como Nelson Gomes Fonseca, que estava esperando o bando para dar fuga para Natal.  Foram presos Aleilson Melquiades de Oliveira, 18 anos (responde por homicídio qualificado), Luiz Felipe de Lima, 18 anos (responde por homicidio qualificado), Nelson Gomes Fonseca (não tem registro na justiça) e Kleison Yuri da Silva (sem registro na justiça). Segundo a polícia este participou nesta sexta-feira (17) como motorista e ajudante de fuga aos criminosos

Todos foram conduzidos para a Delegacia de Polícia Civil de Caraúbas, onde foram autuados em flagrante pelo delegado Christiano Othon Costa de Melo. Os presos serão encaminhados para a Cadeia Pública daquela cidade onde ficarão a disposição da justiça.

http://fimdalinha.com.br/noticia/quatro-suspeitos-de-envolvimento-no-assassinato-brutal-do-policial-militar-em-caraubas-sao-presos-pela-policia-na-br-110-em-campo-grande-rn

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EXTRA - POLICIAL MILITAR ASSASSINADO DURANTE ASSALTO EM CARAÚBAS É ENTERRADO COM HONRAS MILITARES EM MOSSORÓ RN.

Imagens: O Câmera

O soldado da polícia militar, Ildonio José da Silva de 43 anos, foi enterrado no final da tarde desta sexta feira, 17 de agosto, em Mossoró na região Oeste do Rio Grande do Norte, sua terra natal.

O corpo do PM foi levado em carro aberto do Corpo de Bombeiros, da Igreja Evangélica nas Malvinas onde foi velado até o Cemitério Novo Tempo, as margens da BR 304, onde ocorreu o sepultamento.


A cerimônia de enterro reuniu colegas de trabalho, amigos e familiares que lhes prestaram as últimas homenagens. O soldado Ildônio José da Silva foi sepultado com honras militares, e contou com a presença do Comandante Geral da Polícia Militar do RN, Coronel Cosmo.

Ildonio José, era lotado no 2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) sediado em Mossoró e servia na 3º Companhia da PM em Caraúbas, onde também morava com a esposa e um filho de cinco anos.


Ele foi brutalmente assassinado, durante um assalto a o ônibus de universitário que se deslocavam para faculdades em Mossoró. O assalto ocorreu no final da tarde de quinta feira, 16 de agosto, na RN 117 entre as cidades de Caraúbas e Giovernador Dix Sept Rosado na região Oeste Potiguar.

Ildônio José cursava Administração em Mossoró. e viajava diariamente no ônibus com os demais universitários. em 2018 21 policiais foram assassinados no estado do no Rio Grande do Norte.

http://fimdalinha.com.br/noticia/policial-militar-assassinado-durante-assalto-em-caraubas-e-enterrado-com-honras-militares-em-mossoro-rn

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JOSÉ CORDEIRO FALA A PAULO GASTÃO E A ADERBAL SOBRE A TENTATIVA DE INVASÃO DO BANDO DE LAMPIÃO A MOSSORÓ


Por Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=_5vKXDDahpI

Um dos defensores da cidade de mossoró durante a tentativa de invasão do bando de lampião, nos fala aqui de suas memorias daquele dia. Eu e Paulo Gastão tivemos a satisfação de conversar com seu Cordeiro.

Publicado em 17 de ago de 2018

José Cordeiro foi um dos combatentes das trincheiras de Mossoró, durante a tentativa de invasão do bando de Lampião.

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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

MURO DE BERLIM - 13 DE AGOSTO DE 1961


Durante 28 anos, de 1961 a 1989, a população de Berlim, ex-capital do Reich alemão, com mais de três milhões de pessoas, padeceu uma experiência ímpar na história moderna: viu a cidade ser dividida por um imenso muro. Situação de verdadeira esquizofrenia geopolítica que cortou-a em duas partes, cada uma delas governada por regimes politicos ideologicamente inimigos. Abominação provocada pela guerra fria, a grosseira parede foi durante aqueles anos todos o símbolo da rivalidade entre Leste e Oeste, e, também, um atestado do fracasso do socialismo real em manter-se como um sistema atraente para a maioria da população alemã.

Na manhã bem cedo do dia 13 de agosto de 1961, a população de Berlim, próxima à linha que separava a cidade em duas partes, foi despertada por barulhos estranhos, exagerados. Ao abrirem suas janelas, depararam-se com um inusitado movimento nas ruas a sua frente. Vários Vopos, os milicianos da RDA (República Democrática da Alemanha), a Alemanha comunista, com seus uniformes verde-ruço, acompanhados por patrulhas armadas, estendiam de um poste a outro um interminável arame farpado que alongou-se, nos meses seguintes, por 37 quilômetros adentro da zona residencial da cidade.

Enquanto isso, atrás deles, trabalhadores desembarcavam dos caminhões descarregando tijolos, blocos de concreto e sacos de cimento. Ao tempo em que algum deles feriam o duro solo com picaretas e britadeiras, outros começavam a preparar a argamassa. Assim, do nada, começou a brotar um muro, o pavoroso Mauer, como o chamavam os alemães.

Berlim fora conquistada pelo Exército Vermelho em maio de 1945. De comum acordo, acertado pelo tratado de Yalta e confirmado pelo de Potsdam, entre 1944-45, não importando quem colocasse a bota ou a lagarta do tanque por primeiro na capital do III Reich, comprometia-se a dividi-la com os demais aliados. Desta maneira, apesar dos soviéticos tomarem antes a cidade, e também um expressivo território ao seu redor, tiveram que ceder o lado ocidental dela para os três outros membros da Grande Aliança, vitoriosa em 1945.

Assim Berlim viu-se administrada, a partir de 8 de maio de 1945, em quatro setores: o russo, majoritário, o americano, o inglês e o francês. Com o azedar da relação entre os vencedores, em 1948 as quatro zonas reduziram-se a duas: a soviética e a ocidental. Em seguida, Stalin decidiu-se por um bloqueio total contra a cidade em represália ao Plano Marshall, que visava promover o reerguimento econômico da Europa destroçada pela guerra. Todas as estradas de rodagem e de ferro que ligavam Berlim com a Alemanha Ocidental foram então fechadas pelos soviéticos, na tentativa de fazer com que os aliados ocidentais desistissem da sua parte na cidade. Ou saíam ou os berlinenses morreriam de fome e frio.

CRÈDITOS: Profº: Voltaire Schilling – RS

https://www.facebook.com/groups/545584095605711/

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O FILHO DO CASAL DE CANGACEIRO ADÍLIA E CANÁRIO..!



SABEM QUEM ESTÁ AO MEU LADO? Pois saibam. 

Nada mais nada menos que uma página pujantemente viva da história brasileira: João Batista (Joãozinho), filho legítimo dos ex-cangaceiros Canário e Adília. 

Os cangaceiros Adília e Canário

Nesta noite de quinta-feira, 16 de agosto de 2018, no Memorial Alcino Alves Costa, em Poço Redondo, sertão sergipano, tive a honra de receber e prosear com este filho de dois dos mais famosos nomes da história cangaceira. E vem muita revelação por aí, aguardem!

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CORONELISMO. CORONEL JOÃO SÁ.


João Gonçalves de Sá “João Sá” (Jeremoabo, 25 de Novembro de 1882 - 05 de Agosto de 1958)

Ex-Prefeito da cidade Jeremoabo entre os anos de 1938 e 1943. Fazendeiro e pecuarista, Coronel da Guarda Nacional, deputado estadual pelo PSD. Uma das grades lideranças políticas do Nordeste baiano.

Em 1928, enquanto viajava, manteve um encontro inesperado com Lampião e seu bando, onde mantiveram o primeiro contato.

Em 1932 ao ser preso o ex-cangaceiro Volta Seca apontou o coronel João Sá como um dos mais poderosos e influentes coiteiros de Lampião em solo baiano.

O coronel João Sá faleceu no dia 05 de agosto de 1958 aos 75 anos de idade.

Geraldo Antônio de Souza Júnior


ENCONTRO COM LAMPIÃO.

Fonte: Wikipédia.

Em dezembro de 1928, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, estava de passagem pela Bahia, mais precisamente, pela então vila de Ribeira do Pombal. Lampião e seu bando estavam naquela região depois de vários anos atuando nos sertões dos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, fugindo de uma grande perseguição dos aparatos policiais destes estados. Depois de passar pela vila, o bando de cangaceiros esteve também em Bom Conselho (hoje Cícero Dantas) e seguiu em direção mais ao norte, cerca de 40 quilômetros, para um pequeno aglomerado de casas denominado Sítio do Quinto, procurando a casa de um homem chamado José Hermenegildo.

Naquela mesma época, o coronel João Sá exercia os cargos de presidência da Intendência de Jeremoabo e, pela segunda vez, o mandato de deputado estadual pelo legislativo baiano. Ele, seu pai Jesuíno Martins de Sá (um dos secretários da Intendência de Jeremoabo) e o jovem José da Costa Dórea seguiam num pequeno automóvel modelo Ford rumo à cidade de Salvador, onde o trajeto naquele tempo exigia seguirem pelo território sergipano e dali prosseguirem por via ferroviária, utilizando os trens da ferrovia conhecida como Leste Brasileiro.

Conforme os relatos de Dórea transcritos no capítulo 5 do livro “Lampião na Bahia”, de Oleone Coelho Fontes, a viagem ocorreu à noite, na madrugada do dia 16 para 17 de dezembro de 1928 devido a um problema mecânico no automóvel. Mesmo sabendo que o grupo de Lampião circulava pela região, o coronel Sá confiou que guiando durante grande parte da noite, seguindo pelas antigas estradas poeirentas da região, eles poderiam passar despercebidos pelo bando.

Ao realizarem uma parada para tomar café na fazenda Abobreira, o medo de um encontro com Lampião e seus cangaceiros se tornou mais real, pois o proprietário do lugar, José Saturnino de Carvalho Nilo, confirmou que eles estavam nas redondezas. Mesmo assim seguiram adiante, em direção ao lugarejo Sítio do Quinto.

Ao entrarem no pequeno arruado, viram diante de uma casa um veículo parado, com alguns homens ao seu redor. Um deles estava com um candeeiro. O coronel João Sá imaginou que a casa onde o veículo e os homens estavam deveria oferecer algum tipo de apoio aos viajantes. Após brecarem, os passageiros do Ford foram cercados por homens armados e intimados a informarem quem eram. Após isso o coronel João Sá descobriu que estava diante do cangaceiro Lampião, e para confirmar suas suspeitas, o homem armado aproximou o candeeiro de seu rosto, mostrando a característico defeito em seu olho. Ele e os outros viajantes foram conduzidos à casa de José Hermenegildo e foram se acomodando em cima de sacos de algodão e de peles de animais, temendo que fossem mortos, assim como ocorreu com outros coronéis.

Mas Lampião não lhes fez mal algum. Em sua chegada à Bahia, ele pretendia firmar contatos, compor alianças, ampliar sua rede de coiteiros que lhe dariam apoio e proteção, e dizia que estava “em paz” no território baiano, que “havia entrado no cangaço pelos sofrimentos sofridos pela sua família” e que se “houvesse condições”, ele largaria aquela vida em armas e buscaria ficar em paz.

Porém, mesmo divulgando estas novas intenções, não deixou de coagir os fazendeiros baianos, pedindo para estes lhe “ajudar” no sustento do seu bando. E assim o fez com o Coronel João Sá, que não transportava dinheiro naquele momento, e sim títulos bancários. Dórea afirmou que foi chamado pelo coronel para fora da casa, onde lhe solicitou 200$000 réis para dar a Lampião. Este por sua vez deixou que os viajantes do Ford escrevessem cartas as suas famílias, que um portador levaria as missivas para Jeremoabo.

Na sequência, Lampião pediu a José Hermenegildo que colocasse três redes para acomodar a ele, ao coronel e a seu pai no mesmo quarto. Neste momento, o coronel pediu ao maior cangaceiro do Brasil que narrasse a epopeia de sua vida. Lampião descreveu as perseguições que sofreu ao longo da vida como bandoleiro das caatingas, mas que estava “a fim de descansar” no sertão baiano. Depois de ouvir as histórias, todos foram dormir, e após o despertar, o coronel João Sá comenta a Lampião que na condição de deputado estadual, teria de informar as autoridades sobre aquele encontro. Consta que Lampião não se alterou com as palavras do político baiano.

Quando o coronel deu na partida do seu automóvel, a máquina não pegou (provavelmente devido ao frio noturno do sertão). Na mesma hora, vários comandados de Lampião deram uma mãozinha ao coronel João Sá, empurrando o carro, que pegou no “tranco” e estes seguiram viagem.

Estes relatos foram documentados pelo jornal carioca "Crítica", de Mário Rodrigues (na edição do dia 30 de dezembro de 1928) e enquanto Lampião esteve na Bahia, as terras e os protegidos de Coronel João Sá permaneceram em segurança. O pesquisador Oleone Coelho Fontes afirma que, fosse por simpatia, por necessidade de preservar seus bens, ou por ter vislumbrando vantagens outras nesta aliança com o grande cangaceiro, o coronel Sá se tornou um dos mais importantes protetores de Lampião na Bahia.

https://cangacologia.blogspot.com/2018/08/coronelismo.html

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LAMPIÃO E ZÉ PEREIRA AS MEMÓRIAS DE HERMOSA


Por Luís Eduardo Andrade para o 'Correio da Paraíba'   (28/12/2016)
Princesa Isabel. 13 de Fevereiro de 1913. Oito horas da manhã. Enquanto as ruas princesenses se coloriam para receber o carnaval, o mundo se preparava para receber aquela que lhe traria mais beleza. E por esse motivo, seu nome não poderia ser outro: Hermosa. A palavra que significa “bonita” em espanhol, foi a escolhida por João de Campos Góes e Alexandrina Pereira para chamar sua filha que acabara de nascer Hermosa Pereira Góes. Uma pena que João não pôde curtir outro carnaval ao lado de Hermosa.

Faleceu antes do primeiro ano de vida de sua herdeira. Aliás, primeiro ano dos 104 que vivera (e vive).

É impossível falar de Hermosa Góes Sitônio (nome de casada) sem mencionar assuntos como a Revolta de Princesa, o cangaço, o Coronel Zé Pereira, dentre outros tópicos que só quem vivenciou a história de perto, pode falar. Contudo, é necessário observar outros aspectos da personalidade de Hermosa. Chegar aos 104 anos de vida já não é das tarefas mais simples, porém, atingir essa meta com lucidez e simpatia é um feito digno de um ser humano ímpar. E as memórias de Hermosa não poderiam deixar de ser registradas e catalogadas. Por esse motivo, convido-lhe a embarcar na história e adentrar nas lembranças dessa mulher de fibra, exemplo de superação, empoderamento e principalmente, força de vontade.

Tio Zé Pereira

Um dos mais conhecidos “coronéis” do Nordeste, chefe político da cidade de Princesa Isabel e nêmesis do Rei do Cangaço Lampião, era simplesmente o Tio Zé Pereira, de Hermosa. Nos seus relatos, a sobrinha refere-se a o coronel como homem fino, educado e altamente inteligente. Talvez por isso, tenha conseguido tanto respeito. Como Hermosa e seus irmãos perderam o pai muito cedo, Zé Pereira assumiu a responsabilidade sobre os filhos da irmã. Se esforçando para que nada lhes faltasse. E nunca faltou.

Princesa Independente

Cento e quatro anos, em um período que compreende duas Guerras Mundiais, todas as Copas do Mundo, 25 Olimpíadas da Era Moderna, 10 papas, o primeiro passo do homem na Lua, Ditadura Militar no Brasil, dentre outros eventos que marcaram a história da humanidade, e foram vividos de perto por Hermosa. Mas dentre todos esses fatos históricos, um foi marcante na Paraíba: a Revolta de Princesa Isabel.

A revolução aconteceu em 1930, e tudo começou por conta de divergências políticas e econômicas entre o Governador que dá nome a Capital da Paraíba, e os coronéis do interior, que chefiavam não só a política, como a economia das cidades. E todos eles, encabeçados pelo Coronel Zé Pereira, ou Tio Zé Pereira, para Hermosa.Segundo ela, um homem muito incompreendido. Mas o que se tornou compreensível foi a revolta de Zé Pereira com o governador João Pessoa, quando o mesmo instaurou impostos e cargas tributárias para as exportações dos grandes latifundiários. E a situação ficou insustentável quando os candidatos do Coronel foram impedidos de concorrer à deputação federal, enquanto aliados do governador não tiveram candidatura barrada. Até que em 1930, Zé Pereira rompe efetivamente com o Estado da Paraíba e proclama Princesa como território livre, com hino e bandeira.

E enquanto a política fervia, a adolescente Hermosa cuidava de estudar e dos afazeres domésticos. Mal sabia ela, que dali a poucos dias, seria afetada diretamente pelo conflito, tendo que se exilar na cidade da família de seu falecido pai. E os embates começaram quando a Polícia da Paraíba foi enviada pelo governador até Teixeira, cidade próxima a Princesa, para impedir que as pessoas apoiassem a revolta. Zé Pereira não se intimidou e mandou 120 homens armados para o distrito em questão. E depois de muitas batalhas armadas, a revolução parecia ganhar força. Todavia, Hermosa relata que as “guerrilhas” aconteciam nas redondezas da cidade. Até que a revolta sofreu um golpe doloroso e paradoxal. João Pessoa fora assassinado por João Dantas, supostamente por motivos pessoais, e mitificou-se em todo o Brasil. E o que poderia dar fôlego a revolta, foi fundamental para sua queda. “Perdi a batalha.”, declarou Zé Pereira quando soube da morte de João Pessoa, segundo Hermosa.
 

A casa das 70 mulheres

Depois do fim da revolta, o Exército entrou na cidade para restabelecer a ordem pública. De acordo com Hermosa, que ainda não era casada com Zacarias Sitônio, grande amor de sua vida, foi um período muito bom, pois além da paz reinar, a cidade era embelezada pelos jovens e educados militares. Mas com a saída do Exército, a Polícia da Paraíba novamente entrou em Princesa para acabar com qualquer vestígio de revolução. E fez isso da forma mais brutal possível. Atacando e invadindo casas, queimando plantações e matando pessoas no meio das ruas. Não existia outra solução além da fuga.

Enquanto os homens envolvidos se exilaram por todo o Brasil, incluindo Zé Pereira, 70 mulheres foram morar na cidade de Flores (PE). Lá, começaram a trabalhar com costura, trabalhos manuais, ensinando crianças nas escolas, e até vendendo suas jóias. E justamente por essa posição à frente do seu tempo, acabaram sofrendo preconceito justamente por parte das mulheres nativas de Flores. Porém, encabeçadas por Hermosa, lutaram pelo empoderamento feminino naquela cidade.

Hermosa ainda relata um encontro emocionante. Certo dia, depois de uma jornada de trabalho, as 70 mulheres ouviram uma batida peculiar em sua porta. E ao perguntar de quem se tratava, foram surpreendidas: “É tio Zé Pereira”. Fugido, o coronel teve que ser célere na visita, visto que tropas da polícia todos os dias revistavam a casa das moças. “Foi um momento de muita emoção”, narrou Hermosa.

O grande amor

Depois da anistia e a saída das tropas da polícia da cidade de Princesa Isabel, as mulheres regressaram, após quase seis anos. E nessa volta, já madura, Hermosa Góes descobriu o grande amor de sua vida: Zacarias Sitônio. Digo descobriu, pois ambos já se conheciam desde a infância, mas na volta de Hermosa, a paixão floresceu. Leitor voraz e poeta declarado, Zacarias impressionava sua enamorada pela boca de Augusto dos Anjos. Os versos do livro “Eu”, estavam decorados em sua mente. Era um mar que misturava amor e poesia. E por falar em mar, surgiu daí a inspiração para os frutos desse amor: MARta, MARiângela e MARgareth. As três filhas de Zacarias e de Hermosa, que agora, configurava “Sitônio” como seu sobrenome. Seu cônjuge então, decidiu ingressar na política, e fazer oposição a Nominando Diniz, que passara a comandar a região, já que o tio Zé Pereira se afastara para um sítio em Serra Talhada (PE), em busca de paz. Zacarias, como bom “genro postiço”, elegeu-se prefeito e “guardou o lugar” de Aloysio Pereira, filho do Coronel, que estava no Rio de Janeiro estudando Medicina.

O Rei e a Princesa

Caminhando em paralelo às histórias da Revolta de Princesa, Hermosa relembra fatos relacionados ao movimento do cangaço, mais especificamente da intriga que Lampião, o rei, tinha com Zé Pereira, o coronel, e consequentemente, com Princesa. Segundo ela, Virgulino Ferreira recebia apoio de cidades vizinhas para manter seu bando ativo. E em uma das tentativas de invadir uma dessas cidades, Lampião sofreu um de seus piores ataques. As tropas do Coronel Zé Pereira o expulsaram e o chefe do bando foi alvejado com um tiro no tornozelo. Hermosa relata que quando o mesmo foi encontrado, agonizara na mata por 12 dias e tinha o pé preso à perna apenas por tendões.

Em outra história envolvendo o rei do cangaço, Hermosa conta que o bando chegou na fazenda Riacho dos Navios, onde seu pai costumava morar. E questionou de quem eram os gados daquela propriedade. “É dos sobrinhos do Coronel Zé Pereira”, respondeu um criado. E nesse momento, Virgulino autorizou sua tropa a fuzilar todos os animais. Sessenta cabeças de gados ao chão. Zé Pereira ainda foi traído por seu cunhado, Marcolino Pereira, que foi coiteiro de Lampião em uma de suas fugas nas redondezas de Princesa. “Eles protegiam Lampião por medo, não era maldade”, argumenta Hermosa. A centenária ainda afirma que não foram assassinadas pelo temido rei do cangaço por sorte. “Ele (Lampião) só não nos matou porque não conseguiu nos pegar ”, afirmou Hermosa.
 

Livro vivo

Pode-se dizer que Hermosa Góes Sitônio é uma fonte histórica viva. Assim como um livro que narra histórias que dão asas à nossa imaginação. Ouvir Hermosa é voltar no tempo sem sair do presente. É ver a História (com H maiúsculo) diante de nossos olhos. Que sua sensibilidade não se perca. E que esta princesa de Princesa se eternize como personagem vivo da História do Brasil.



Pesquei no Correio da Paraíba

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NÓS E O TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.966

Diz o povo do meu sertão que “mês miou, mês findou”. E para melhor entendimento do praciante, como o sertanejo também diz, é que chegou a primeira quinzena, pronto, o tempo parece correr para o final do mês. Os dias não miaram com o português do analfabeto, mas mearam. E de fato parece que quando a coisa não anda muito bem em nossas vidas, o tempo parece muito devagar e depois acelera a jornada quando chega tal dia 15. Quem vive da agricultura e de um pequeno criatório, fica desanimado e muito mais pobre quando as chuvas não chegam com precisão em nosso semiárido. No sertão nordestino pode-se falar em tudo, porém, o assunto principal naturalmente é o clima que reflete muito bem a doideira do hoje em dia.
ILUSTRAÇÃO: (BLOG DE ROCHA).
O movimento é grande em diversas prefeituras do interior, visando à ajuda do governo central, contra a seca. Nem terminou ainda o nosso período chuvoso e se torna necessário o berro descomunal do homem do campo. É como dizia certo proprietário rural: “No Nordeste estamos sempre começando”. Amealha-se alguma coisa por certo tempo e depois se perde tudo para voltar ao ciclo vicioso que marca o agronegócio do pequeno. Mas nem todos conseguem persistir na resistência e migram. Migram para bem longe da terra natal, dando adeus à terra que lhe deu à luz. Tenta-se em outro canto conquistar a dignidade que as terras e os senhores da terra não quiseram dar. É assim que se ouve uma triste partida silenciosa e sem a melodia do Rei do Baião.
E volta-se à triste e necessária política do caminhão–pipa, tristeza para o Jeca, felicidade para o político viciado que esfrega as mãos com o contentamento da seca que lhe arranja escravos. A água mistura-se a humilhação diária, mata a sede, mas não anima. O caminhão-pipa não chega com o charque, o açúcar, a proteína... Nem a saúde combalida de velhos, crianças e adultos que batem com o desengano nos pratos lisos. Agosto “miou”, um miado gigante que destroça o coração do necessitado. Mas os rios de dinheiro tornam-se riachos para as necessidades da Justiça que procura um aumento do tamanho de um elefante.
Continuamos vivendo uma vida egípcia onde a desumanidade ainda reina nos cetros dos faraós.

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A ANGÚSTIA DA ESPERA

*Rangel Alves da Costa

Toda espera coloca um pé margeando um abismo, já disse o poeta. Já outro sintetizou que a espera é laço que não se desfaz por desejo ou vontade própria. Tudo verdade. Nada mais difícil e tormentoso que esperar.
O simples ato de esperar implica em afetação de comportamentos e em diversas consequências. E todas angustiantes, aflitivas, atormentadoras. É como se a pessoa tivesse a vida suspensa na dependência de outro acontecimento.  
O desejo e a vontade, o temor e a necessidade, são algumas das consequências da espera. E fato que se torna em desespero pela demora de acontecer. Um olhar lançado ao relógio, os passos de lado a outro, a mente fazendo suposições, a visão que se lança pela porta, pela estrada, pela janela. Assim se afeiçoa a expectativa.
E surgem as mais cruéis indagações: Será que virá, será que á agora, por que ainda não chegou? Será que vem mesmo, será que vai mesmo acontecer, por que não acontece logo para acabar com esse desespero? Já deveria ter chegado, já deveria ter acontecido, mas por que não há logo uma resposta para essa espera?
O relógio bate o seu tempo certo, mas parece que os ponteiros perderam o rumo, correm ou estão cansados demais. A porta silenciosa e no mesmo lugar, mas parece que se aproxima e que a qualquer momento será tocada. A estrada se alonga, a curva adiante sem sombra ou sinal, mas parece que um vulto ganha contorno, que enfim a pessoa virá. Mas tudo miragem, ilusão da espera.
As situações de espera são as mais diversificadas e terrificantes possíveis. E os momentos assim são os mais longos, verdadeiras eternidades. Os passos seguem sozinhos ao redor, nada se tem como normalidade. Tudo acontece, menos o esperado. O coração pulsa apressado, os olhos vagueiam atônitos, tudo indica que vai acontecer a qualquer momento. Mas nada.


A linda donzela, cheirosa a loção de alfazema, com cabelo em trança e face rosada, corre ao entardecer para a janela e, na ilusão do amor primeiro, se põe a esperar que o seu príncipe encantado passe. Quem sabe se ele não desponta na esquina com uma flor à mão e um olhar de apaixonada confissão. Mas tarde após tarde, já caindo a noite, e somente a vã espera.
O pai de primeira viagem já não suporta mais a aflição. A esposa esperando o filho tão sonhado, já em trabalho de parto, mas ele tem de ficar aguardando o anúncio na antessala ou no corredor da maternidade. E nada de a porta abrir, nada de aparecer o médico ou enfermeiro para dizer qualquer coisa. Também não consegue ouvir qualquer choro de criança. Nada. Quer gritar, mas a placa adiante avisa: Silêncio!
No leito de morte, a família reunida ao redor, o velho parente não suporta a dor daquele momento e vai encostar-se a qualquer coisa do lado de fora. Aí, tudo fazendo para não desabar de vez, mas sentindo a vazante no olhar e a agonia no peito, aguarda apenas que alguém apareça à porta para a notícia final. E espera e desespera, e de repente os gritos. É o fim e a espera acabou.
Na beirada do mar, na solidão já sombreada do cais, a mulher lança o olhar aflito às águas distantes. Procura enxergar o barquinho de seu pescador que tarda a chegar. Tem um lenço à mão e teme não mais reencontrar seu amor para a festa da vida. E o tempo passa, a noite chega de vez, mas nada parece cortando as correntezas. Será que seu amor voltará a seus braços ou foi levado pelo canto da sereia?
E vai esperando até o amanhecer. Ao redor tudo já com outra feição. O alvorecer esperando o sol, o cais esperando as ondas, a gaivota esperando que a mulher aflita entenda o seu grasnado triste. O seu pescador não voltará.

Escritor
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