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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

CANGACEIROS ATRÁS DAS GRADES FIM DA ILUSÃO


Cangaceiros na penitenciãria
Cangaceiros na penitenciária

Em 12 de dezembro de 1926, o advogado Estácio Coimbra assume o mais alto cargo no Poder Executivo de Pernambuco. Neste novo governo foi designado como Chefe de Polícia (cargo equivalente atualmente ao de Secretário de Segurança) o também advogado Eurico Souza Leão. Este nasceu em 1889, no Engenho Laranjeiras, interior pernambucano. Era filho de Manoel Arthur Souza Leão e Ernestina Freire Souza Leão, de tradicional família ligada à aristocracia da Zona da Mata Pernambucana.

Eurico estudou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, colando grau no dia 23 de dezembro de 1921. Quando assumiu seu cargo em 1926, o jovem de 37 anos tinha pela frente uma tarefa muito difícil; nada menos do que comandar a estrutura estadual e os homens que iriam perseguir o mais importante chefe de cangaceiros do Brasil, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.
1931-Eurico Souza Leao (1)

Eurico, com o apoio do governador Coimbra, logo marcou uma reunião para promover convênios com os estados vizinhos, visando uma ação contra o cangaço. Ele reformulou o serviço policial volante, compondo os grupos de combate com soldados oriundos do sertão, com hábitos e resistência física semelhante às dos próprios cangaceiros. Outra ação importante foi a abertura de processos judiciais e até mesmo prisões de pessoas que apoiavam e davam guarida aos bandidos, os chamados coiteiros. Muitos destes eram ligados ao próprio partido do governoestadual.

Logo a ação trouxe resultados de maneira extremamente positiva, ajudando a destruir o elo que unia os cangaceiros aos poderosos chefes do interior e enfraquecendo a ação dos bandidos.
Uma caricatura apresenta o medo do sertanejo em relação ao cangaço
A caricatura apresenta o medo do sertanejo

As medidas aplicadas foram avassaladoras e provocaram muitas baixas entre os cangaceiros, principalmente entre os membros do grupo de Lampião, conquistando também a opinião pública. Nesta empreitada o Chefe de Polícia Eurico Sousa Leão teve como um dos principais elementos ao seu lado o major Teófanes Ferraz Torres, que comandou as unidades policiais nas cidades e vilas do interior[1]

Resultados Imediatos 

Dos cangaceiros capturados pela ação do governo pernambucano, antes do episódio de Mossoró, sem dúvida que a maior “estrela” foi Arthur José Gomes da Silva, o conhecido Beija Flor. Ele havia sido capturado na região de Jatobá de Tacaratu pela volante do tenente Amadeu[2].
O cangaceiro Beija Flor
O cangaceiro Beija Flor

Chegou ao Recife em 13 de março fortemente escoltado por dez policiais, desembarcando em um trem da Great Western. Os jornais propalavam que ele falava desembaraçadamente e com tranquilidade, apesar de analfabeto. Jovem, tinha cabelos claros e foi pessoalmente interrogado por Eurico. Afirmou que era chefe de um bando de cangaceiros independentes, que ocasionalmente se reunia com Lampião para realizar assaltos, sendo considerado responsável por “mais de 30 mortes” e assaltos ao longo de sua vida como bandoleiro. Finalizou informando que desde janeiro não se encontrava com Lampião e sabia que este tinha ido “para o norte”[3].

Segundo os pesquisadores Frederico Bezerra Maciel e Bismarck Martins de Oliveira, o cangaceiro Arthur José Gomes da Silva, o Beija Flor, era pernambucano, filho do ex-praça da polícia pernambucana Arsênio José Gomes e de Maria Tereza da Conceição, além de ser irmão de Euclides José Gomes, o cangaceiro Cacheado. Ele teria acompanhado seu irmão e o bando de Lampião durante a ida deste a cidade cearense de Juazeiro, quando em 6 de março de 1926 houve o encontro de Lampião e Padre Cícero. Os autores apontam que os irmãos Gomes participaram da maior batalha da história do cangaço, a da Serra Grande, próximo a Vila Bela, em 26 de novembro de 1926.
Bando de Lampião em Juazeiro, 1926
Bando de Lampião em Juazeiro, 1926.

Beija Flor sempre andava com uma ostensiva medalha de Nossa Senhora das Graças no peito, tendo sido preso no dia 3 de fevereiro de 1927, aos 21 anos de idade. Devido à ação mais enérgica da polícia pernambucana, tencionava seguir para a região de Uauá, na Bahia.

Dias depois da sua chegada a capital de Pernambuco, os jornais locais divulgavam, até com certa surpresa, que Beija Flor havia constituído um advogado para ser libertado. Seu causídico logo requereu um habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça. Através do Desembargador Arthur da Silva Rêgo, solicitou ao Chefe de Polícia Eurico Sousa Leão maiores informações sobre aquele prisioneiro que tinha a alcunha de um pequeno pássaro e estava doido para “bater asas” de novo. A resposta de Eurico não utilizou palavras positivas. Informou que o cangaceiro era “perigoso”, sendo considerado “um problema seu livramento”.

Beija Flor havia cometido crimes em Água Branca, Alagoas, onde estava pronunciado nos artigos 294 e 356 (assassinato e roubo), do Código Penal de 1890, então vigente na época. Já no município pernambucano de Vila Bela, atual Serra Talhada, ele também estava pronunciado no mesmo artigo 294 e nos artigos 136 (incêndio a edificação) e 304 (lesão corporal). Para complicar a situação de Beija Flor, o Chefe de Polícia ainda aguardava novas comunicações do major Ferraz sobre outros crimes que ele havia cometido. Dias depois o pedido de habeas corpus foi negado[4].
Antiga Cadeia Pública de Recife - Fonte - ideiasembalsamadas.blogspot.com
Casa de detenção Fonte – ideiasembalsamadas.blogspot.com

Logo outros cangaceiros foram chegando para a grande Casa de Detenção do Recife[5]

Mais de 100 Cangaceiros Capturados ou Mortos 

Sempre com certo estardalhaço, quando novas prisões e mortes de cangaceiros ocorridas no sertão eram divulgadas em profusão na imprensa recifense.

Na noite de 11 de abril de 1927, uma segunda feira, um homem negro, alto, procurou o major Ferraz no quartel da polícia em Vila Bela. Disse que seu nome era Francisco Miguel, que era acusado de assassinato no município pernambucano de Floresta, havia andado como membro do grupo de Lampião, era conhecido como Pássaro Preto e deixou o bando a cerca de dois meses. Logo este cangaceiro, que também participou do grande combate de Serra Grande, veio para Recife[6].
Lampião e seu irmão Antônio em Juazeiro
Lampião e seu irmão Antônio em 
 Juazeiro

Em 19 de abril, no lugarejo São João do Barro Vermelho, perto de Vila Bela, foi morto o cangaceiro Cícero Nogueira em um tiroteio com as volantes dos tenentes Antônio Francisco e Alfredo Alexandre. Mesmo sem maiores detalhes, consta que os policiais passaram pelo lugar Poço Ferro e tiveram a notícia que este bandoleiro, também participante do combate de Serra Grande, estava próximo a São João do Barro Vermelho. 
Major Teófanes Ferraz Torres
Theóphanes Torres

Ali foi capturado pelo soldado Augusto Gouveia. Mesmo detido e cercado, em um dado momento este cangaceiro pediu para palestrar com seu captor, no que foi atendido. No meio da conversa Cícero Nogueira aproveitou um momento de distração do militar e bateu com seu chapéu de couro na cabeça de Gouveia. Na correria que se seguiu o cangaceiro foi alvejado e morto[7].

Quando completava seis meses a frente do cargo, no dia 11 de junho de 1927, através da imprensa pernambucana, Eurico Sousa Leão, junto com o major Ferraz, divulgaram uma lista com o nome, alcunha e fatos ligados a captura ou morte de 100 cangaceiros de diversos bandos que infestavam o sertão[8].
Esta lista impressionante foi publicada no mesmo dia que Lampião e seus homens se encontravam no Rio Grande do Norte, com o objetivo de realizar o ataque a Mossoró, o que ocorreria dois dias depois. O fato do “Rei do Cangaço” está em terras potiguares, buscando novas paragens para praticar suas rapinagens e crimes, é um quadro claro da feroz perseguição que sofria em solo pernambucano. 

Dias Maravilhosos Para os Policiais 

Ao longo do segundo semestre de 1927 outros cangaceiros foram sendo continuamente mortos e capturados pelas forças policiais de Pernambuco e de outros estados nordestinos. Dentre estes estavam alguns que estiveram no ataque dos cangaceiros ao Rio Grande do Norte.
Lampião e seu bando após a derrota em Mossoró
Lampião e seu bando após a derrota em Mossoró

Na sexta-feira, 22 de julho de 1927, o telégrafo estalou em Recife com a notícia da captura naquele mesmo dia do cangaceiro Serra do Umã, também alcunhado Mão Foveira. Ele se chamava Domingos dos Anjos de Oliveira, era negro, jovem, tido como valente e natural da grande Serra do Umã, uma elevação natural do sertão pernambucano cheia de histórias[9]
Região da Serra do Umã na atualidade - Foto - G. dos Anjos
Região da Serra do Umã na atualidade – Foto – G. dos Anjos

Já o bandoleiro Serra do Umã era irmão do cangaceiro alcunhado Azulão, morto no dia 10 de junho de 1927 pelo soldado da polícia potiguar José Monteiro de Matos, no lugar Caiçara, próximo a povoação de Vitória, durante a primeira resistência ocorrida contra Lampião e seus homens no Rio Grande do Norte[10].
Cangaceiro Serra do Umã preso em Recife
Serra do Umã preso em Recife

Além de Azulão, o pai e outro irmão do cangaceiro Serra do Umã  também já haviam andado com Lampião de arma na mão e chapéu de couro na cabeça. Estes dois, Raimundos dos Anjos (o pai) e Rufino (o irmão), foram presos nos primeiros dias de agosto pela volante do tenente Arlindo Rocha, na localidade Serrote, município de Floresta[11].
Cangaceiro Andorinha
Cangaceiro Andorinha

Ao observar os jornais antigos e livros sobre o tema cangaço, é inegável que aqueles dias de agosto de 1927 foram maravilhosos para a luta das forças de segurança do governo pernambucano contra os cangaceiros e outros bandidos que infestavam o sertão. Até o fim do mês foram presos 16 destes foras da lei, alguns capturados nos contrafortes da própria Serra do Umã. Entre estes figuravam cangaceiros como José Alves de Lima, o José Guida, e João Alves Mariano, o Andorinha, respectivamente com 52 e 30 anos de idade e que haviam acompanhado o mítico chefe cangaceiro Sinhô Pereira[12]. 
Também estavam detidos os antigos companheiros de Lampião como Antônio Quelé Alves Bezerra, ou Antônio Guilé, alcunhado Candeeiro, Camilo Domingos de Farias, o Pirulito, e seus parentes Fortunato Domingos de Farias, o Guará, e Benedito Domingos de Farias. Consta que Candeeiro e Benedito Domingos estiveram em Mossoró no dia 13 de junho de 1927[13].
Benedito Domingos de Farias preso. Ele também participou do ataque a Mossoró
Benedito Domingos de Farias

Nestas capturas o tenente Arlindo Rocha certamente usou de violência para alcançar os seus intentos, inclusive contra os coiteiros da Serra do Umã. Após capturar Pirulito (e depois de certamente apertá-lo) o tenente Arlindo esteve junto aos coiteiros conhecidos como David Dudu, Manoel Domingos e Manoel Lucindo, membros ou ligados a família Domingos. Com estes conseguiu encontrar três fuzis Mauser e um rifle Winchester. Mesmo discretamente, um jornal recifense afirma que o tenente Arlindo conseguiu este material bélico depois de colocar os coiteiros “debaixo de rigor”[14].

Em setembro, no dia 11, um domingo, quem se entregou na cadeia de Vila Bela foi outro cangaceiro que causou sensação na imprensa quando chegou à casa de Detenção do Recife. Era o famoso Zabelê. 
Considerado de alta periculosidade pela polícia, seu nome verdadeiro era Isaias Vieira dos Santos e quem o recebeu foi o delegado A. Xavier. O cangaceiro declarou que havia tomado parte em vários tiroteios, estando envolvido em um crime na Serra Grande e que nos últimos 14 dias ele estava sem alimentação regular devido à perseguição policial, vivendo de plantas do mato. Aí não teve jeito e decidiu se entregar[15].
Zabelê
Zabelê

Na década de 1960, já velho, morando em um casebre em Serra Talhada, desassistido e muito pobre, Isaias Vieira dos Santos declarou a pesquisadora Aglae Lima de Oliveira que no passado havia sido um pequeno vendedor nas caatingas e seus melhores clientes eram os bandidos. A polícia soube quem era a sua clientela preferencial, o classificou como coiteiro, prometeu surrá-lo e prendê-lo. Isaias decidiu então seguir junto com Lampião. Nesta mesma entrevista, destinada a fornecer dados para o desenvolvimento do livro “Lampião, Cangaço e Nordeste”, o ex-cangaceiro Zabelê afirmou a Aglae de Lima que se entregou aos policiais porque soube que “-Tava garantido pelo coroné Corneio Luare”.

Ou houve um erro gráfico na impressão do livro. Ou a transcrição da fala tradicional do velho cangaceiro ficou muito a desejar. Ou a pesquisadora não quis colocar textualmente que a pessoa que supostamente garantia a entrega de Zabelê à polícia era o comerciante e político serra-talhadense Cornélio Soares[16]

Quem Podia Pagava. Quem não Podia Ficava… 

O ano de 1928 se iniciou e mais cangaceiros chegavam ao Recife.
Em 28 de março, vindo de Rio Branco (atual Arcoverde), chegava a Recife um trem com 15 cangaceiros e uma escolta de 30 policiais.
Camilo Domingos de Farias, o Pirulito
Camilo Domingos de Farias, o Pirulito

Na gare da estação desembarcaram Camilo Domingos de Farias, o Pirulito, Antônio Bernardo Silva, Adriel Ananias Pereira, Manoel Othon Alencar, o Seu Né, Benedito Domingos Farias, Manuel Torquato Amorim, Antônio Quelé Bezerra, o Candeeiro, Domingos dos Anjos de Oliveira, o Serra do Umã, Fortunato Domingos de Farias, o Guará, Rufino dos Anjos Oliveira, Manoel Cornélio de Alencar, o Sinhô Piano, José Bernardo da Silva, Antônio Serafim da Silva, o Antônio de Ernestina e Cícero Flor da Silva[17].

Para quem estava preso os dias passavam lentos, como se passa em todo local de detenção. Para evitar este problema, quem podia tratava de sair da cadeia pelos meios legais.
Este foi o caso do comerciante Emiliano Novaes. Membro de uma proeminente família da cidade de Floresta, tido como amigo e coiteiro de Lampião, consta que chegou a cavalgar de arma na mão ao lado de cangaceiros. No livro de Luiz Bernardo Pericás, “Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica” existe a reprodução de um telegrama policial enviado pelo tenente Sólon Jardim, de Vila Bela para Recife.
O Casca Grossa
O Casca Grossa

Informava o oficial que Emiliano Novaes estava chamando cangaceiros de várias partes para atacar a vila de Nazaré, onde viviam e se concentravam alguns dos maiores inimigos e mais tenazes perseguidores de Lampião.

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O grupo de Emiliano Ferraz era superior a 100 cangaceiros e entre suas ações consta que no dia 29 de julho de 1926, no lugar Ingazeira, eles mataram o Soldado Cândido de Souza Ferraz, de número 386, lotado na 1ª companhia, do 3º Batalhão de Vila Bela. Consta que o Soldado Ferraz estava com a saúde debilitada e seguia para o quartel quando foi covardemente assassinado.

Pelo crime Emiliano Novaes foi preso. Mas em agosto de 1928, através do renomado Dr. Caetano Galhardo, seu advogado, conseguiu o desaforamento de seu processo para o município do Cabo, próximo a capital pernambucana. Depois o Dr. Galhardo impetrou uma ordem de habeas corpus. Esta foi julgada em 21 de agosto, sendo o processo anulado “Ab initio” e concedendo a liberdade ao acusado, que foi imediatamente solto[18].

Já os cangaceiros sem recursos, nem advogados, pagavam seus crimes na cadeia. 

Um Intelectual Visita os Cangaceiros 

Na Casa de Detenção de Recife, os agora ex-cangaceiros trabalhavam principalmente na sapataria, alguns eram alfaiates e um era serralheiro. Eles eram muito respeitados pelos outros presos, mas raramente recebiam alguma visita de parentes. 
Cangaceiro Capão
Cangaceiro Capão

Entretanto entre as décadas de 1920 e 1930 era normal a visita de estudiosos e jornalistas ávidos para descobrir os aspectos ligados aos cangaceiros e ao cangaço. Mas a maioria só procurava conversar com o velho e respeitado Manoel Baptista de Morais, o famoso cangaceiro Antônio Silvino.
Fotos de cangaceiros presos na Casa de Detenção de Recife, estampada na primeira página de um jornal da capital pernambucana
 
Mas os antigos guerreiros de chapéu de couro não ficavam fora dos holofotes. O Chefe de Polícia Eurico Sousa Leão, não criava nenhum tipo de problema quando algum jornalista de Recife e de outras cidades queriam entrevistar e fotografar os cangaceiros. Era uma ótima propaganda da ação “saneadora” do governo pernambucano contra a violência no sertão.
Outra foto dos cangaceiro na reportagem de "O Malho" de dezembro de 1928
“O Malho” de dezembro de 1928

Uma grande reportagem, que trazia como principal fotografia que abre este artigo, foi realizada pela revista carioca “O Malho”, edição de 29 de dezembro de 1928, cujo autor foi o respeitado Ribeiro Couto. E este fez diferente, nem sequer falou com Antônio Silvino e foi direto conversar com os “cabras” de Lampião[19]. 
Aproveitando uma parada de quatro horas do vapor Bagé em Recife, Ribeiro Couto deu um jeito de ir à Casa de Detenção. Ali quem lhe apresentou o ambiente foi o delegado Maurício Pinheiro Guimaraes.
Aqueles antigos cangaceiros, sem suas impressionantes roupas e armas, envergando seus claros uniformes azuis de presidiários não causavam medo ao visitante.

Entre maravilhado e um tanto repugnado, o paulista de Santos primeiramente tentou contato com Beija Flor, mas soube que ele estava em uma audiência no interior do estado. Mas se impressionou com Serra do Umã, que para ele era “um cafuzo que os próprios companheiros temiam pelos instintos ferozes”.
Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto
Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto

Ribeiro Couto foi até a oficina da sapataria, onde cerca de 80 homens realizavam seus ofícios na maior tranquilidade, mas a maioria deles estava condenada a 30 anos de reclusão. Ali foi apresentado a Genésio Vaqueiro, um negro risonho, mas discreto. Era conhecido no cangaço como Mourão, disse ter andado com Lampião só por alguns “dias”, que era agricultor, se iludira com o cangaço e que não tinha nenhuma morte nas costas.
  
Baraúna, o cangaceiro que Couto considerou "um índio"
Baraúna, considerado “um índio”

Já em relação a Antônio Gregório da Silva, o Baraúna (ou Braúna), Couto o considerou sua aparência como a de um “índio” e soube que era um dos mais perigosos homens que andou com Lampião. Mas também um verdadeiro artista na “arte de engraxar botas”, seu ofício na Casa de Detenção.
Já de Ventania, que não tinha ainda vinte anos, cujo nome verdadeiro era José Pereira da Cunha, foi o único dos detentos que expressou uma opinião negativa sobre Lampião, por ele ter desrespeitado uma prima sua. Ribeiro Couto sugeriu então se não seria o caso de incorporá-lo nas volantes que no final de 1928 caçavam Lampião nos sertões da Bahia.

Para Ribeiro Couto aqueles rapazes, que um dia viveram apenas da agricultura, ao andarem com Lampião se tornaram “famosos”, mas que também aquilo havia sido a perdição de todos[20]

Anos Atrás das Grades 

O tempo ia passando, seguindo o ritmo da justiça.
No começo de dezembro de 1929, em seção presidida no Fórum de São Lourenço pelo juiz José Julião R. Pinto de Souza, sendo promotor o Dr. Nogueira Vilela, o ex-cangaceiro Serra do Umãfoi pela segunda vez absolvido. Não sei dizer quando ocorreu seu primeiro júri, mas sabemos que o seu processo foi desaforado da Comarca de Floresta e que, mesmo com a segunda absolvição, o Dr. Vilela apelou novamente. Mas o antigo companheiro de Lampião não desistiu[21].
1930-Beija FRlor em Noronha

Não sabemos quando, mas temos a notícia que Beija Flor foi julgado e condenado a 30 anos de reclusão no presídio do então Território Federal de Fernando de Noronha. Em fevereiro deste mesmo ano ele chegava do temido arquipélago no vapor Corcovado, junto com mais 90 detidos, para ir depor em Salgueiro, no interior de Pernambuco. Foi notícia em todos os jornais recifenses[22].
O cangaceiro Guará
O cangaceiro Guará

Ao longo dos anos vários dos antigos bandoleiros participavam de seus julgamentos, alguns deles por vezes seguidas, com resultados que chamam atenção. No primeiro julgamento da 4ª Seção do Júri de Recife, presidido pelo Dr. João Tavares, no dia 25 de outubro de 1933 foram absolvidos Benedito Domingos de Farias (que havia feito parte do bando de Lampião durante o ataque de Mossoró), Fortunato Domingos de Farias, o Guará, e Domingos dos Anjos de Oliveira, o Serra do Umã. Para Domingos era terceira vez que pisava em um tribunal e pela terceira vez ocorria a sua absolvição. Mas tal como das outras vezes, pela terceira vez o promotor recorreu. A partir daí não sabemos o que aconteceu com ele e seus companheiros[23].

Passados 30, 40 anos depois, vamos ter algumas notícias destes antigos cangaceiros que andaram com Lampião no período anterior a 1928. Entretanto o destino de muitos requer pesquisa mais acentuada, mas com possibilidades de se conseguir poucas informações. E a causa é relativamente simples!
Em outra reportagem de "O Malho" vemos, da esq. para dir. os cangaceiros Cobra Verde, Cocada e Recruta em 1929
Cobra Verde, Cocada e Recruta em 1929

Estigmatizados, perseguidos e marcados, para muitos que sobreviveram ao cangaço e o cárcere, o melhor na vida pós-cadeia era a discrição. Evitar falar sobre este tema. Evitar falar sobre a sua vida no cangaço e na cadeia até com os familiares.

Muitos deles até estavam vivos e lúcidos quando vários setores culturais brasileiros nas décadas de 1950 e 1960 voltaram seus focos para o tema cangaço e a sociedade brasileira passou a conhecer Mais do tema. Mas o Nordeste dessa época ainda era bem atrasado no sentido de absorção de informações e poucos foram até eles com material condizente para gerar bons registros.
Cangaceiro Cancão
Cangaceiro Cancão

Na década de 1970 pesquisadores começaram a percorrer os sertões em Fords Rurais em busca dos que participaram do cangaço antes de 1928. Buscavam histórias da época anterior a Lampião cruzar o “Velho Chico”, quando os bandos podiam ter mais de 100 “cabras” e antes das mulheres participarem ativamente do cangaço. 

Antônio Quelé Alves Bezerra, ou Antônio Guilé, alcunhado Candeeiro
Antônio Quelé Alves Bezerra, ou Antônio Guilé, alcunhado Candeeiro

Chegaram aos rincões levando a tiracolo pesados gravadores de “Fitas K7” e máquinas fotográficas japonesas de ótima qualidade. Mas muitos dos que vivenciaram aquele momento do cangaço ou continuavam sem querer falar, ou já tinham morrido, ou estavam senis.

Mas com persistência e uma busca mais apurada alguns falaram e deram ótimos depoimentos sobre suas andanças de armas na mão.

Mas poucos falaram das experiências cadeia!
Dos que falaram temos o exemplo de Isaias Vieira dos Santos, o Zabelê.
No seu relato dado a pesquisadora Aglae Lima de Oliveira no final da década de 1960, comentou que quando andava com Lampião passava muito bem e vivia de “barriga cheia”. Mas aí veio o cárcere!

Sabemos que Zabelê passou 14 anos atrás das grades e que grande parte foi em Fernando de Noronha. Para ele este tempo de presídio lhe trazia muito arrependimento. Mas não pelos crimes cometidos, mas por ter se entregado as autoridades. Isaias reclamou que nunca achou “quem espiasse meus papé” para sair mais cedo da cadeia. 
José Alves de Lima, o José Guida, que teria sido cangaceiro de Sinhô Pereira
José Alves de Lima, teria sido cabra de Sinhô Pereira

Ele confirmou que entrou no cangaço “empurrado pula puliça” e que não era ”home de leva surra de outro home”. A pesquisadora Aglae Lima acentuou em seu livro que Isaias Vieira dos Santos, na época do seu relato “passava fome”[24].

Talvez para ele fosse melhor morrer lutando!

REFERÊNCIAS

[1] Sobre a biografia e o trabalho policial de Eurico de Sousa Leão ver – http://blogvivendoaguapreta.blogspot.com.br/p/noticias.html e http://pt.wikipedia.org/wiki/Eurico_de_Sousa_Le%C3%A3o

[2] O atual município pernambucano de Petrolândia está localizado na região do Médio São Francisco, na fronteira entre Pernambuco e Bahia e possui cerca de 25.000 habitantes. 

[3] Beija Flor afirmou também que estava atuando com seu pequeno bando de cangaceiros na fronteira entre Pernambuco e a Bahia, quando caiu em uma cilada e foi capturado. Mais sobre Beija Flor ver o Jornal de Recife, Recife-PE, edição de 15 de março de 1927, pág. 2. Sobre a saída de Lampião de Pernambuco devido à atuação das forças volantes ver DANTAS, Sérgio A. de S. Lampião e o Rio Grande do Norte – A história da grande jornada. Natal-RN: Cartgraf, 2005, págs. 36 a 39 e TORRES FILHO, G. F. de S. Pernambuco no tempo do Cangaço : Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Virgulino Ferreira “Lampião” : Theophanes Ferraz Torres, um bravo militar – Volume II (1926-1933): Recife-PE: Edições Bagaço, 2003, págs. 170 a 174.

[4] Ver Jornal de Recife, Recife-PE, edições de 8 de abril de 1927, pág. 2 e 28 de abril de 1927, pág. 5. Sobre a íntegra do Código Penal de 1890 ver http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=66049,
MACIEL, F. B. Lampião, seu tempo e seu reinado: A Guerra de Guerrilhas (fase de domínio): Petrópolis-RJ: Editora Vozes Ltda, 1986, págs. 171 e OLIVEIRA, B. M. O Cangaceirismo no Nordeste, 2ª Ed.: João Pessoa-PB, 2002, pág. 209.

[5] Em 6 de agosto de 1848, através da Lei provincial 213, foi autorizada a construção de uma cadeia pública em Recife. A construção se iniciou em 1850 e sua conclusão só ocorreu em 1867, apesar da sua inauguração oficial ter sido realizada 25 de abril de 1855. O prédio da Casa de Detenção do Recife, em estilo neoclássico, foi construído em forma de cruz, ficando as celas dispostas em alas que podiam ser vigiadas facilmente a partir de uma sala central. Em 1973, depois de 118, o presídio foi desativado e o local transformado na Casa de Cultura de Pernambuco, onde até hoje funciona um centro de artesanato, com lojas de pintura, bordado, joias, confecções etc. Ver www.casadaculturape.com.br/aCasa.php

[6] Ver o periódico Jornal Pequeno, Recife-PE, edição do dia 12 de abril de 1927, 1ª pág.

[7] Cícero Nogueira é apontado nos jornais como sendo tanto coiteiro que apoiava Lampião, quanto cangaceiro que andou com o grande chefe do cangaço e, aparentemente, formou um pequeno bando que perturbava a paz na região de São João do Barro Vermelho, atualmente denominada Tauapiranga e ainda hoje um distrito de Serra Talhada. Ver os periódicos Jornal Pequeno, Recife-PE, edição do dia 12 de abril de 1927, 1ª pág, A Província, Recife-PE, edição do dia 20 de abril de 1927, pág. 5 e o livro de TORRES FILHO, G. F. de S. Pernambuco no tempo do Cangaço : Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Virgulino Ferreira “Lampião” : Theophanes Ferraz Torres, um bravo militar – Volume II (1926-1933): Recife-PE: Edições Bagaço, 2003, págs. 194 e 195.

[8] Ver jornal A Província, Recife-PE, edições dos dias 11 e 12 de junho de 1927, págs. 2 e 3 respectivamente.

[9] Com altitudes que chegam a quase 1.000 metros, está localizada entre as cidades pernambucanas de Floresta, Salgueiro e Serra Talhada, mas a cidade mais próxima é Carnaubeira da Penha, com quase 13.000 habitantes. Durante o período do Cangaço a Serra Umã foi um verdadeiro baluarte dos bandoleiros e considerada quase inexpugnável. Em 1920 o então capitão Teófanes Ferraz Torres subiu a serra atrás de bandidos, junto com uma volante e levou um tiro no rosto dos chamados “Caboclos da serra”. Estes eram os descendentes de indígenas e de antigos escravos fugitivos que buscaram refúgio naquela grande elevação. Já a presença dos indígenas na Serra do Umã data provavelmente do século XIX. Segundo documentos de 1801, esses índios, sob a denominação de Umãs juntamente com outras tribos, foram aldeados no local onde permaneceram até 1819, quando a aldeia foi abandonada após vários conflitos. Em 1824, houve a dispersão de diversos grupos indígenas pelo sertão de Pernambuco, tendo os Umã se dirigido para região da Serra Negra. As primeiras visitas de representantes do extinto SPI – Serviço de Proteção ao Índio àquele grupo ocorreram entre 1943 e 1945, conforme depoimento de índios Aticum, quando funcionários desse órgãoestiveram na área para assisti-los dançarem o “toré”. A realização do “toré” seria o Indicador de que os habitantes daquela serra do sertão pernambucano eram “índios”, o que Ihes  então  daria o direito de receberem assistência do SPI. Em 1949 foi criado o Posto Indígena Aticum, posteriormente denominado Padre Nelson, na aldeia Alto da Serra. A presença dos antigos escravos é caracterizada também pela adoção de elementos da religiosidade de matriz africana entre os índios Aticum. Sobre a prisão do cangaceiro Serra do Umã ver jornal A Província, Recife-PE, edição do dia 22 de julho de 1927, pág. 2. Sobre as populações indígenas que habitam a Serra do Umã ver  http://www.ufpe.br/nepe/povosindigenas/atikum.htm / http://www.ufpe.br/nepe/povosindigenas/atikum.htm. Sobre a fama da Serra doUmã ser um baluarte de cangaceiro ver TORRES FILHO, G. F. de S. Pernambuco no tempo do Cangaço : Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Virgulino Ferreira “Lampião” : Theophanes Ferraz Torres, um bravo militar – Volume II (1926-1933): Recife-PE: Edições Bagaço, 2003, págs. 218 e 219.

[10] A antiga povoação de Vitória é o atual município potiguar de Marcelino Vieira. Sobre o combate da Caiçara ver http://tokdehistoria.com.br/tag/marcelino-vieira/ e  http://tokdehistoria.com.br/tag/o-grande-fogo-da-caicara/

[11] Sobre a prisão do pai e do irmão do cangaceiro Serra do Umã, ver jornal O Paiz, Rio de Janeiro-RJ, edição do dia 13 de agosto de 1927, pág. 4.

[12] Mais sobre José de Guida e Andorinha, ver Jornal de Recife, Recife-PE, edição do dia 2º de maior de 1928, pág. 7.

[13] Segundo o pesquisador Bismarck Martins de Oliveira o cangaceiro Andorinha também havia estado com Lampião em Juazeiro, no dia 4 de março de 1926. Sobre Candeeiro este autor aponta que ele também acompanhou Lampião a Juazeiro, esteve no grande combate da Serra Grande e confirma que o mesmo esteve participando da invasão de Mossoró. Ver OLIVEIRA, B. M. O Cangaceirismo no Nordeste, 2ª Ed.: João Pessoa-PB, 2002, págs. 200 e 214.Ver também os jornais A Província, Recife-PE, edição do dia 19 de agosto de 1927, pág. 5. e Jornal de Recife, Recife-PE, edição do dia 23 de agosto de 1927, 1ª pág.

[14] Ver o Jornal de Recife, Recife-PE, edição do dia 23 de agosto de 1927, pág. 9.

[15] A Província, Recife-PE, edição do dia 14 de setembro de 1927, pág. 3.

[16] Sobre o depoimento de Isaias Vieira dos Santos, ver OLIVEIRA, A. L. Lampião, Cangaço e Nordeste, 2ª Ed.: Rio de janeiro-RJ, 1970, págs. 420 e 421. Já em relação a Cornélio Aurélio Soares Lima, era mais conhecido como coronel Cornélio Soares, nasceu no dia 14 de setembro de 1886 na cidade de Salgueiro, era filho de Tibúrcio Valeriano Gomes Lima e Dona Lucinda Soares Lima. Ainda jovem contrai matrimônio com Cecília Diniz com quem forma uma prole de sete filhos. Em 1925 fica viúvo, e no ano de 1926 casa-se com Úrsula de Carvalho Soares que lhe dá mais nove filhos. Desde cedo demonstrou grande vocação para política, tomando sempre parte decisiva em todos os acontecimentos políticos e sociais da época. Com o advento da revolução de 1930, assume o comando político da então Vila Bela, que tinha como líder na política estadual o Dr. Agamenon Sérgio de Godoy Magalhães. Foi prefeito de Serra Talhada no período de 1947 a 1951. Faleceu em 6 de agosto de 1955. Ver – http://www.fundacaocasadacultura.com.br/site/?p=materias_ver&id=268

[17] Ver o Jornal de Recife, Recife-PE, edição do dia 30 de março de 1928, pág. 5.

[18] Sobre o caso Emiliano Novaes ver PERICÁS, L. B. Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica: São Paulo-SP, 2010, Boitempo Editorial, págs. 214 e 215. Também o Jornal de Recife, Recife-PE, edição do dia 22 de agosto de 1928, pág. 3. Já “Ab initio” é uma expressão latina que significa desde o início, desde o começo.

[19] Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, formou-se bacharel em Direito em 1919, no Rio de Janeiro RJ. Até 1922, colaborou nas revistas Brás Cubas e Careta, sob os pseudônimos de Antônio Simples e Zeca, e nos jornais Gazeta de Notícias, sob o pseudônimo de Eduardo Sancho, Diário do Rio de JaneiroA Pátria e A Manhã. Em 1921 publicou O Jardim das Confidências, seu primeiro livro de poesia. Nas décadas seguintes foram publicados seus romances Cabocla e Prima Belinha e seus livros de contos Circo de Cavalinhos e O Crime do Estudante Batista, entre outros. Também produziu livros de ensaios, impressões de viagens e crônicas, além da peça de teatro Nossos Papás. Entre 1929 e 1955 serviu, com adido consular e embaixador, na França, em Portugal e na Iugoslávia. Em 1932 fundou a Editora Civilização Brasileira, com Gustavo Barroso e outro sócio. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 1934. Sua obra poética inclui, entre outros, os livros Um Homem na Multidão (1926), Canções de Amor (1930), Noroeste e Outros Poemas do Brasil (1933), Cancioneiro do Ausente(1943) e Entre Mar e Rio (1952). A poesia de Ribeiro Couto pertence à segunda geração do Modernismo. De acordo com o crítico Rodrigo Octávio Filho – Ribeiro Couto opôs, aos temas nobres, os temas cotidianos, os temas da vida ao alcance do olhar de qualquer ‘homem da multidão’. E tudo isso em linguagem discreta e em meio tom.

[20] Ver Revista O Malho, Rio de Janeiro-RJ, ed. 29 de dezembro de 1928, págs. 23, 51 e 52.

[21] Sobre este caso, ver o jornal A Província, Recife-PE, edição do dia 4 de dezembro de 1929, pág. 2.

[22] Ver o periódico Jornal Pequeno, Recife-PE, edição do dia 2 de fevereiro de 1930, pág. 3.

[23] Ver o Jornal de Recife, Recife-PE, edição do dia 26 de outubro de 1933, pág. 2.

[24] Ver OLIVEIRA, A. L. Lampião, Cangaço e Nordeste, 2ª Ed.: Rio de janeiro-RJ, 1970, págs. 420 e 421.

Você achou aqui o que eu trouxe do  Tok de História

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UM ESTADO E SEUS CAPÍTULOS TOTALMENTE SITUADOS NA SAGA

“Lampião na Paraíba – Notas para a História” é a mais nova e impecável contribuição de Sérgio Dantas


O livro ‘Lampião na Paraíba – Notas para a História’ não foi concebido com a intenção de se tornar uma obra revolucionária. O objetivo do autor foi apenas elaborar um registro perene e confiável sobre a atuação do célebre cangaceiro em terras paraibanas. Com 363 páginas e cerca de 90 fotografias de personagens envolvidas na trama - e lugares onde os episódios ocorreram -, o trabalho certamente será de grande utilidade aos estudiosos de hoje e de amanhã.

Dividido em 19 capítulos, com amplas referências e notas explicativas, tenta-se recontar, entre outros, os seguintes episódios:

“A invasão a Jericó; fazendas Dois Riachos e Curralinho; o fogo da fazenda Tabuleiro; os primeiros ferimentos sofridos por Lampião; as lutas com Clementino Furtado, o ‘Quelé’; combate em Lagoa do Vieira; Sousa: histórico do assalto e breve discussão sobre as possíveis razões políticas para a invasão da cidade; a expulsão dos cangaceiros do município de Princesa; combates em Pau Ferrado, Areias de Pelo Sinal, Cachoeira de Minas e Tataíra; o cangaceiro Meia Noite; Os ataques às fazendas do coronel José Pereira Lima; morte de Luiz Leão e seus comparsas em Piancó; confronto em Serrote Preto; Suassuna e Costa Rego; a criação do segundo batalhão de polícia; Tenório e a morte de Levino Ferreira; ataque a Santa Inês; combates nos sítios Gavião e São Bento; chacina nos sítios Caboré e Alagoa do Serrote; Lagoa do Cruz; assassinatos de João Cirino Nunes e Aristides Ramalho; Mortes no sítio Cipó; fuga de paraibanos da fronteira para o Ceará; confronto em Barreiros; invasão ao povoado Monte Horebe; combates em Conceição; sequestro do coronel Zuza Lacerda; o assalto de Sabino a Triunfo(PE) e Cajazeiras (PB); mortes dos soldados contratados Raimundo e Chiquito em Princesa; Luiz do Triângulo; ataques a Belém do Rio do Peixe e Barra do Juá; Pilões, Canto do Feijão e os assassinatos de Raimundo Luiz e Eliziário; sítios Vaquejador e Caiçara; Quelé e João Costa no Rio Grande do Norte; combates com a polícia da Paraíba em solo cearense; o caso Chico Pereira sob uma nova ótica; Virgínio Fortunato na Paraíba: São Sebastião do Umbuzeiro e sítios Balança, Angico e Riacho Fundo; sítio Rejeitado: as nuances sobre a morte do cangaceiro Virgínio”.

A obra certamente não abrangerá o relato de todas as façanhas protagonizadas pelo célebre cangaceiro no estado da Paraíba. Muito se perdeu com o passar dos anos. Os historiadores de ontem, em sua maioria, não tiveram grande interesse em dissecar os episódios por ele protagonizados no território do estado.

A presente obra busca resgatar o que não se dissipou totalmente na bruma do tempo.

LAMPIÃO NA PARAÍBA – NOTAS PARA A HISTÓRIA, Polyprint, 2018, 363 pgs. Disponível em outubro de 2018.

 Aguardemos!

Sobre o autor: Sérgio Augusto de Souza Dantas é magistrado em Natal. Publicou os livros Lampião e o Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada (2005)Antônio Silvino – O Cangaceiro, O Homem, O Mito (2006)Lampião Entre a Espada e a Lei (2008) e Corisco – A Sombra de Lampião (2015).

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terça-feira, 30 de outubro de 2018

CANGACEIROS DE POÇO REDONDO



A menina-moça que se encantou com o cabeludo e adornado moço das caatingas e a ele se prometeu para trilhar aqueles caminhos de incertezas e sofrimentos. A mocinha escolhida para ser levada ao mundo cangaceiro e pelas veredas seguindo sem imaginar as durezas do amanhã. O jovem indignado com as barbáries das volantes e resolvendo combater o mal à sombra de Lampião. O jovem sertanejo inconformado com as injustiças palmilhadas no seu mundo-sertão e abrindo a porteira da luta para o convívio ao lado daqueles que já não aceitavam o peso da canga. Um que vai pelo instinto da rebeldia. Outro que segue pelas influências recebidas de parentes ou amigos que já faziam parte do bando cangaceiro.

Tais situações, que poderiam ser muito mais acrescidas, dizem bem das motivações para que tantos jovens sertanejos de Poço Redondo, entre mocinhas (quase meninas em alguns casos) e rapazes, um dia tivessem decidido abdicar da vida comum sobre a terra do sol e enveredassem pelos caminhos das vinditas de sangue. Como dito, arroubos apaixonados de uma adolescência empobrecida, enraivecimentos e ódios pelas injustiças impostas de goela adentro, instintos de luta que só poderiam ser abrandados na luta, desejos inexplicáveis de convívio com o perigo e a incerteza da vida no instante seguinte. Contudo, uma motivação maior: o nome de Lampião e o mundo, que mesmo não sendo novo, possuía força de atração como imã apaixonante.

Por tudo isso, tantos e mais tantos filhos de Poço Redondo passaram a fazer parte das hostes cangaceiras. José Francisco do Nascimento, o Zé de Julião, depois recebendo a alcunha de Cajazeira no bando de Lampião, não tinha necessidade alguma de sair de sua confortável vida e adentrar na luta entre espinhos e feras, e muito mais levar consigo sua jovem esposa Enedina. Ora, era filho de Julião do Nascimento e Dona Constância do Nascimento, um dos casais mais afortunados da povoação sertaneja de Poço Redondo. Dono de muitas fazendas e rebanhos, com dinheiro guardado em baú e debaixo do colchão. Então, por que o seu filho José resolveria deixar a família e seguir a vida cangaceira? Uma só resposta. Ou Zé de Julião se rebaixava na sua honra, aceitando os desmandos das forças volantes e as injustiças alastrando-se desde o seu lar familiar ao sertão inteiro, ou ele se indignava. E ele se rebelou.

O filho de Seu Julião e Dona Constância sentia-se de coração partido toda vez que as volantes chegavam a Poço Redondo e se danavam a praticar barbaridades, desde agressões físicas aos humildes conterrâneos a deslavadas extorsões. Como seu pai era rico, homem de muitas posses, então quase sempre era forçado a dar dinheiro àqueles que ali deveriam estar para protegê-lo contra possíveis ações cangaceiras, e não para receber ameaças em troca de vultosos valores. Mas era assim que acontecia. Não suportando mais tamanha injustiça daqueles que se apresentavam como forças governamentais para roubar, ferir e matar, então Zé de Julião foi buscar vingança ao lado daqueles outros vingadores das caatingas. E foi assim que, mesmo casado recentemente com sua Enedina, juntou-se ao bando de Virgulino Lampião.

O caso de Zé de Julião é apenas um exemplo das muitas motivações para que tantos filhos de Poço Redondo preferissem o cangaço a ter de suportar outros - e mais angustiantes - sofrimentos da porta pra dentro e da cancela pra fora de suas moradias sertanejas. Na maioria das vezes, aqueles meninotes e moços foram como que expulsos de seus berços e forçados à luta. Afora o encantamento das meninas-moças pelos artistas das matas, dos dourados, dos perfumes e das armas, a maioria dos poço-redondenses foi como que forçada a experimentar outro tipo de vida como menos injustiças e opressões, ainda que mais dolorosa. No bando, sob o comando de Lampião, imaginavam poder, enfim, dar o troco àqueles que os havia ferido na sua honra e dignidade de sertanejos.

Eis os nomes dos homens e das mulheres. Do próprio povoado: Sabiá (João Preto), filho de Zé Bié e Dona Antônia; Canário (Rocha), filho de Dona Virgem e Cante; Diferente (Nascimento), filho de Mané Grosso; Zabelê (Manoel Marques da Silva), filho de Antônio Marques da Silva e Maria Madalena de Santana; Delicado (João Mulatinho), irmão da cangaceira Adília; Demudado (Zé Neco), seu pai também se chamava Zé Neco; Coidado (Augusto), filho de Zé Brazinho; Cajazeira (José Francisco do Nascimento - Zé de Julião), filho de Julião do Nascimento e Dona Constância do Nascimento; Novo Tempo, Mergulhão e Marinheiro (Du, Gumercindo e Antônio), filhos de Paulo Braz São Mateus e irmãos de Sila; Elétrico, filho de Pedro Miguel; Lavandeira (filho de Virgem de Pemba); e Penedinho (Teodomiro), filho de Pedro Miguel e Dona Calu.

Da Fazenda Caibreiro, da Lagoa do Boi, do Baixão, da Guia e do Garrote: Bom de Vera (Luís Caibreiro) filho de Antônio Caibreiro. Da Fazenda Lagoa do Boi: Beija Flor (Alfredo Quirino), filho de Quirino da Lagoa do Boi. Do Baixão e da Serra da Guia: Moeda e Alecrim (João e Zé Rosa), dois irmãos que morreram na chacina de Angico, filhos de João Rosa; Sabonete e Borboleta (Manoel e João Rosa), mais dois irmãos, estes filhos de Antônio Rosa da Guia e primos de Moeda e Alecrim; Quina-Quina e Ponto Fino (Jonas e José da Guia), também irmãos, filhos de Pedro da Guia; Zumbi (Angelino), filho de Mané Roberto; Cravo Roxo (Serapião), filho de Mané Gregório; Cajarana (Francisco Inácio dos Santos, alcunhado Chico Inácio), filho de Inácio Vítor; Azulão (Luís Maurício da Silva); e Santa Cruz, da Fazenda Garrote, em Bonsucesso.

As mulheres: Sila (Ilda Ribeiro de Souza), companheira de Zé Sereno e irmã de Novo Tempo, Mergulhão e Marinheiro; Adília, companheira de Canário e irmã de Delicado; Enedina, mulher de Cajazeira, a única do bando que era realmente casada; Dinda, companheira de Delicado; Rosinha, companheira de Mariano; Áurea, companheira de Mané Moreno, o da Bahia; e Adelaide, companheira de Criança, irmã de Rosinha e prima de Áurea.

Desse modo, 34 foi o número de filhos de Poço Redondo que se bandearam para as hostes cangaceiras, sendo 27 homens e 7 mulheres, e dizem que apenas um decidiu ser volante (Galdino, apelidado de Garrincha, a serviço do Sargento Deluz). Jovens, mocinhas e rapazinhos, que sequer imaginaram estar selando no cangaço a fatalidade nos seus destinos. Zé de Julião, por exemplo, perdeu sua Enedina na Chacina do Angico. Sabiá morreu num combate em Canhoba. Cravo Roxo pelas forças de Odilon Flor. Demudado morto com Zé Baiano em Alagadiço. Canário morto após Angico nos arredores de Poço Redondo. Mergulhão, Elétrico, Moeda e Alecrim, todos mortos na Chacina do Angico. Bom de Vera morto em combate na região de Pinhão, em Sergipe. Dentre as mulheres, Áurea foi morta pela volante de Odilon Flor. E Rosinha foi assassinada a mando de Lampião, por haver descumprido suas ordens.

Eis a saga. E uma história que ainda aflora, mas agora no amor e na paz, na imensa descendência que restou e ainda gesta, entre filhos, netos, bisnetos e tataranetos, num Poço Redondo de viva memória cangaceira.


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COMUNICADO QUE PEÇO AOS AMIGOS DO FACEBOOK QUE TIREM UM POUQUINHO DO SEU TEMPO E LEIAM ESTE MEU MODESTO TEXTO.


Por Antonio José de Oliveira

"Tudo neste mundo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do Céu" - Eclesiastes 3.1.

Conforme venho avisando desde o mês de julho, quando completei SETENTA E CINCO ANOS, a idade, associada a alguns probleminhas de saúde que vão surgindo naturalmente, vai nos fragilizando. E, após constatar a presença de glaucoma em um dos olhos, assim como, tendinite nas articulações dos ombros, talvez pelo uso de vinte anos de computador (mesmo sem comprovação da origem), meu médico sugeriu a redução de tal uso. Como preciso ser obediente ao profissional de saúde para meu próprio bem, mesmo sem desativar o FACE, a fim de continuar divulgando o que for importante, tenho que reduzir o tempo de uso nas redes sociais. Para tal, como entre meus bons SEISCENTOS E CINQUENTA amigos, quero solicitar ao primeiro que conheci através dos seus quatro blogs, e depois pelo FACEBOOK, o JOSÉ MENDES PEREIRA, pesquisador e professor aposentado da Cidade de Mossoró - RN, cidadão da minha plena confiança, que, na qualidade de divulgador de cantores e da saga do cangaço sem nenhum interesse financeiro, que adicione os CANTORES NOVOS TALENTOS da boa música que estão sempre em contato com o meu FACE. Dos mais de uma centena, quero registrar apenas os nomes dos que estão sempre que necessário, em contato comigo; os demais, enviarei quando estiverem mais próximos ao meu contato.

Pesquisador Antonio José de Oliveira de Serrinha-BA.

RENAN RICO, PEDRO MOTTA POPOFF, KAYKE RHYAN, GUGU GAITEIRO, ANDRÉ CANDIOTO, JOÃO BENTO E RENATINHO, PIETRO RIOS, RAFA LEMOS, MATHEUS SANTOS FREITAS, VINNY MORAES, MARCO SOUZZA, CRISTIAN E SEBASTIAN, BRUNO BARROS, CAUÃ CARVALHO, GIAN HENRIQUE E GIOVANI, LUIS ARTHUR SEIDEL, ISAQUE BARBOSA, ALYSSON E RÔMULO, GABRIEL FAGAN LINS, GABY PONGELUPE E YASMIN PEDRINI, GUSTAVO SILVA E GABRIEL, LUCAS HERNANDES, MURILO NASCIMENTO, VINÍCIUS GERMANO, DAVI CAMPOLONGO, LUIS FELIPE, MARYA EDUARDA E JESSÉ, GÊMEOS LUCAS E GABRIEL, ALYSSON GABRIEL, JOÃO PEDRO, JÚLIO OLIVIERI, PEDRO HENRIQUE BORGES E JOÃO VITOR, GUILHERME MARTINEZ, GUSTAVO CARNEIRO, LUCAS VIOLA, ERICK WENG, WELLINGTON PARIS, MATHEUS HENRIQUE E SAMUEL, GUILHERME BEVILAQUA, EDYWAZ E FOGAÇA, JOÃO VITOR KINDEL, RICARDO RUSCH, JAYNE PRISCILA, TIAGUINHO SEPKA, PABLO PALUDO, THYAGO CAMILO, MOISÉS MARINHO, DAVI LIMA, HÉRCULYS FRANÇA, SAMYA ABREU, FILIPE BORGES, IGOR NASCIMENTO, MATHEUS COUTINHO, EDICARLOS EDINHO OLIVEIRA, PEDRO HENRIQUE E GABRIEL, NICOLAS GABRIEL, LEONARDINHO FILIPINHO, KAIO FERNANDES, MURIELZINHO, RENAN ALVES NEVES, JEAN MICHEL, LUIZ GUSTAVO, JUAN SEBASTIAN LAVERDE, BERNARDO ARAUJO, MATHEUS TAVARES, RAPHAEL SPERADIO, MATHEUS FELIPE, MARLON BRENO, SAMUEL MACHADO - O MENINO DA GAITA, ARTHUR E ALESSANDRA, RAFAEL HENRIQUE, DAVID MIRANDA, AILSINHO E ALEX NOVAES. Assim como outros que deixei para enviar em outra ocasião, são todos meninos talentosos que merecem seus nomes serem divulgados nas redes sociais e em outros meios de comunicação. 


Agradecido a você meu caro amigo Mendes de Mossoró que sempre divulgou as minhas singelas matérias, e os meus agradecimentos aos amigos pesquisadores, escritores, modelos, poetas, cantores, atores, enfim, todos que vêm me aturando por esses anos, mas, não irei desativar minha conta no FACEBOOK, apenas usando de forma moderada, que segundo meu amigo Genésio Queiroga, SAÚDE EM PRIMEIRO LUGAR. 

Um abraço a todos daqui desta nossa querida Bahia, 30 de outubro de 2018 - Antonio José de Oliveira.

Antonio José de Oliveira é aposentado como Agente de Tributos da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. Natural de Riachão do Jacuípe, mas reside no Povoado de Bela Vista – Serrinha – BA. Formado em Teologia, Pedagogia e fez pós-Graduação em Psicopedagogia e Psicanálise Clínica.

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ACHADOS - ENEDINA, A BELA ENEDINA

Enedina, a esposa de Zé de Julião
Olhem que ainda não é 8 de Março, mas justamente neste 23 de fevereiro dedicamos dois artigos a duas senhoritas, personagens da saga de Lampião. 
A primeira foi homenageada pela confrade Aninha e a seguir um artigo comemorativo pela razão de um achado daqueles indeléveis para história do cangaço! 
Quebrando nosso ritmo atual, diria até um protocolo de uma no máximo duas postagens diárias não podia adiar para que vocês assim como eu tivessem a oportunidade de conhecer a figura de Enedina, na única fotografia existente.
Texto e foto: Cortesia do "vaqueiro da história", mestre Alcino Costa

Há muitos anos, dominado pela minha obsessão em pesquisar as coisas do sertão, em especial, as coisas do cangaço, eu vivo à procura de fatos quase que impossíveis de serem encontrados dos tempos de Lampião.

Carrego em meu sentimento uma vontade louca de encontrar fotos daquelas mocinhas que se bandearam para o cangaço. Será que fotografias não conhecidas poderiam ainda ser encontradas? – assim eu imaginava.

Eu tinha quase a convicção que não. Você, meu querido vaqueiro da história, você já imaginou encontrarmos uma foto de Lídia Pereira de Sousa, a famosa Lídia de Zé Baiano, nascida no Raso da Catarina, no lugarejo Salgadinho, o mesmo local do nascimento de Nenê de Luís Pedro e de Naninha de Gavião?

Como se sabe, dizem que Lídia era a mulher mais linda e mais atraente do cangaço. A sua história foi triste e medonha. Em 1934 foi assassinada. O assassino foi seu próprio companheiro, o desalmado “Carrasco de Chorrochó”, o antigo pedreiro Aleixo, celebrado no cangaço com o nome de Zé Baiano. Uma versão dá conta de que ela foi enterrada no Riacho do Quatarvo, nas terras da antiga fazenda Paus Pretos, do coronel Antônio Caixeiro, em terras do município de Poço Redondo. 

Será que existem fotos da bela 'Maria de Juriti', nos tempos de sua juvenil mocidade ao lado deste famoso cangaceiro? Quem é de nossos confrades que conhece uma foto de Dinda, a mocinha filha de Poço Redondo que foi para a companhia de seu noivo, João Mulatinho, irmão de Adília de Canário, alcunhado no bando de Delicado?

Quem conhece uma foto de Rosinha, de Mariano e de Adelaide, de Criança, caboclinhas irmãs, filhas que eram de Lé Soares?

Quem antes dessa postagem conhecia uma foto de Enedina, a única mulher casada do bando de Lampião? Com certeza absoluta ninguém.

Pois bem! Meus amigos e companheiros no rastejar a história dos povos sertanejos, em especial a história do cangaço e de Lampião, neste mês de fevereiro de 2011, eu tive uma grandiosa surpresa. Surpresa que me deixou pleno de felicidade. Emocionado mesmo. Conversando com Antônio Neto, um grande artista de Poço Redondo, neto da falecida Maninha, que era irmã de Enedina, a Enedina de Zé de Julião, a Enedina que morreu em Angico ao lado de Lampião, ele me disse que sua mãe, dona Antonieta, tinha uma foto da esposa do cangaceiro Cajazeira de pouco antes dela ter ido para o cangaço. Ainda mais. Que aquela foto havia sido tirada no dia de seu casamento que aconteceu na igrejinha de Poço Redondo, em 15 de Agosto de 1937.

Fiquei atarantado com aquela inesperada novidade. Ter esta foto em minhas mãos era algo de um valor extraordinário. Tonho Neto se comprometeu em ir buscá-la na Pia do Boi, fazendinha do município onde a sua mãe reside.

A minha expectativa era enorme. Eis que no dia 20 deste mês, este meu querido amigo me entregou a foto, esta foto que tenho a felicidade de mostrá-la a todos os que pesquisam e estudam o cangaço.
Vejam meus companheiros o quanto Enedina era bela. Uma menina-moça que carregava em seu corpo e em seu espírito uma lindeza incomparável. E saber que uma jovem e linda mulher, como Enedina, no fulgor de sua mocidade, perdeu a vida, com a sua cabeça esbagaçada por uma infeliz bala, na subida de uma das serras de Angico, é um acontecimento que ainda hoje, após tantos anos, nos deixa tristes e desconsolados.

Olhem devagar e com muito carinho esta foto. O que é que vocês acharam? Que tal! Aí está a prova do quanto a mulher sertaneja era e é bela, linda, maravilhosa.

A beleza da mulher cangaceira era realmente invulgar. Além de Lídia, considerada a mais bela de todas, não podemos desconhecer a beleza de Maria Bonita, de Maria de Pancada, de Dulce, a segunda companheira de Criança; de Sila de Zé Sereno, o jeito trigueiro e belo de Dadá de Corisco e Inacinha de Gato e tantas outras que com sua beleza e seu fascínio alucinavam os jovens cangaceiros que tinham naquelas lindas flores campestres, flores em forma de gente, a essência do amor e do desejo se derramando aos dengos em seus másculos braços, alucinadas de desejos, dominadas por uma volúpia incontrolável, dando e recebendo quase que divinais momentos de felicidade e prazer, mesmo que em um ambiente quase que perene de sofrimento e gravíssimos perigos da própria vida.

A história tem sido injusta com a mulher cangaceira. Elas mudaram o viver do cangaço. Foram verdadeiras heroínas que amenizavam a brutalidade dos cangaceiros. Foram elas as sertanejas que ali estavam, naquele tão perigoso meio, unicamente para estarem ao lado do homem amado, dando e recebendo carinho, arriscando a vida em troca do prazer e da felicidade em acompanhar e estar ao lado do homem de sua vida.

Elas eram lindas. Enedina era uma prova do que estou afirmando. Admirem esta foto que é uma relíquia da história de Poço Redondo e da história do cangaço.

Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo
Ói o homem aí! ói a cara dele
É como se eu estivesse presente vendo a satisfação do confrade em mais um importante achado. 

Parabéns e obrigago, mestre!
















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UM HOMEM PRECISA VIAJAR...


“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amyr Klynk

No meio dos estudiosos fiquei conhecido como ‘o cara do Blog', ou o 'Kiko do Lampião Aceso’ que completa hoje, 10 anos na web.

Mas os quase 20 anos de paixão por este tema, eu não passei somente na frente de um computador, ou como diria meu mestre, no conforto de um gabinete. Também pisei e ainda ei de pisar muito chão, tomar sol na cabeça, pra ver de perto, com os meus próprios olhos os cenários desta história que nos instiga e nos aprisiona pro resto da vida.

Nos 80 anos de morte de Virgulino Ferreira da Silva eu compartilho os melhores momentos de tantas aventuras proporcionadas por minha família, e principalmente pelos AMIGOS que o cangaço me deu, e claro, pela complacência (libera nóis ai) de sucessivos patrões ao longo destes 10 anos.

Queria ter chegado mais cedo, alcançado mais gente que foi ‘simbora’ sem me dar tempo de ao menos segurar nas suas mãos. Mas olha, cumpadi, sou muito satisfeito pelo que pude ver, colher e entrevistar visse?

A gente vai em busca de cangaço, mas no meio do caminho se bate com Luiz Gonzaga, Padre Cícero, Messianismo e tantos outros temas da historiografia nordestina.

Viva a Memória do Cangaço, e o nosso Lampião Reacendido.

Atenção: antes de copiar (baixar) ou mesmo compartilhar as imagens deste álbum, para uso em publicações, sejam escritas ou em blogs, exigimos primeiramente realizar a formal gentileza de pedir a nossa autorização.

Berço da fera do Nordeste. Vestígios do que foi um dia a casa em que nascera Virgolino Ferreira da Silva, sítio Passagem das Pedras, Povoado São Domingos, Serra Talhada, PE.

O amigo Camilo Nogueira, no momento em que nos presenteou com uma relíquia inestimável, uma telha que pertenceu a casa em que nascera Virgulino. Ele é o atual proprietário da lendária Ingazeira dos Ferreiras. — em Serra Talhada.

Ruínas da Fazenda Poço do Negro, um distrito de Serra Talhada, próximo ao povoado de Nazaré, em Floresta, última morada dos Ferreiras em Pernambuco. Nesta casa, em 12 de fevereiro de 1918, Zé Saturnino com 16 homens ataca Virgolino e seu tio (materno) Manoel Lopes e os primos Sebastião Francisco e Domingos Paulo e o cabra Luiz Cameleira.  Que por sua vez enfrentam Zé Saturnino por horas de cerrado fogo.  O primeiro inimigo de Lampião abandona o campo de luta, conduzindo baleado o companheiro José Joaquim dos Santos (José Guedes).

Testemunha viva da História II.  Este pé de Umbú - Cajá ficava no terreiro da casa dos Ferreiras no lugar Poço do Negro. Ele foi plantado pelos irmãos Ferreira, e em 2017 completou 100 anos de existência.

Sr. João Alves de Barros, filho de Zé Saturnino, 1º inimigo de Lampião.

Fazenda Baixa Grande, do não menos lendário e emblemático "Major Zé Inácio do Barro". Foi dessas terras que em 1918 saíram os primeiros homens de Sebastião Pereira (Sinhô Pereira) e Luiz Padre.

Em carrara esculpida... A paisagem de interior, defronte a casa do coronel José Inácio do Barro. — em Barro, Ceara, Brazil.

Marcas de um tiroteio que durou 6 horas, contra a casa do padre Lacerda no distrito de Coité, município de Mauriti, CE em 19 de janeiro de 1922.— em Mauriti.

Em 26 de junho de 1922, o palacete da senhora Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres, a Baronesa de Água Branca, em Alagoas era invadido por Virgolino e seu recém criado bando. O ataque entra para a sua biografia como o primeiro, desde que se tornou chefe cangaceiro.

Clique no link para ver todas as fotos. São mais de 100 fotos.

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MARIA BONITA e LAMPIÃO NO REINO ENCANTADO


Quirino Silva

Uma pequena amostra do 'Cariri Cangaço' em São José do Belmonte-Pernambuco. 4 dias de reverência a nossa cultura nordestina. Ele é um legitimo representante da cultura Nordestina. Incorpora a figura do enigmático cangaceiro Lampião. 

https://www.youtube.com/watch?v=BR5ZU5MhZaI&fbclid=IwAR3E7SHZncoasK-P7D1FCe709XMa-dkHz6tJLJQuNfzBBedDNC074Y2J68A

O Quirino Lampião em suas apresentações procura exaltar a alegria, a amizade e a união entre as classes sociais. Mostra que os tempos de tirania e de tristeza oriundas da época do cangaço ficaram no passado da história. Participa de eventos diversos, e se expressa através da simpatia, e da animação de suas danças típicas do nordeste como o forró e o xaxado.

Contato 83-99655.0922 email: eletroquisa@bol.com.br


Publicado em 22 de out de 2018

Performance com Quirino Silva e Célia Maria Silva, casal de artistas que se apresentam em seminários e encontros culturais do Nordeste. Essa performance foi apresentada por ocasião do CARIRI CANGAÇO EM SÃO JOSÉ DO BELMONTE precisamente na Pedra Bonita ou Pedras do Reino.
Categoria
Música neste vídeo
Música
Artista
Elba Ramalho/Ze Ramalho/Geraldo Azevedo
Álbum
As Grandes Décadas Da Música Popular Brasileira
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Música
Artista
Luiz Gonzaga
Álbum
São João Do Araripe
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Música
Artista
Volta Seca
Álbum
A Musica do Cangaco
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Música
Artista
Luiz Gonzaga
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SME (em nome de Best); ASCAP, UMPG Publishing e 1 associações de direitos musicais
Música
Artista
Zé Ramalho
Licenciado para o YouTube por
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Música
Artista
Amelinha
Licenciado para o YouTube por
SME (em nome de Columbia); UBEM, EMI Music Publishing e 4 associações de direitos musicais

https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5

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SEM TÍTULO


Durante Seminário do Cariri Cangaço em São José do Belmonte, foto com o primo grande historiador e escritor Geraldo Ferraz, neto do célebre major Theofanes Ferraz Torres grande vulto da história policial de Pernambuco.

O major Theophanes Ferraz Torres nasceu em Floresta a 27 de dezembro de 1894, muito cedo abraçou a carreira das armas. Entre os oficiais da polícia pernambucana que desejavam capturar Lampião estava o major Theophanes Torres Ferraz. 

Aos 30 anos de idade, este militar era considerado uma verdadeira lenda no seio da corporação em que atuava. Ferraz havia se notabilizado pela prisão do famoso cangaceiro Antônio Silvino, em novembro de 1914, após o tiroteio ocorrido no sítio Lagoa da Laje, na zona rural do atual município pernambucano de Vertentes. 

Foto tirada em frente à Prefeitura municipal. Sentados da esquerda para a direita: o prefeito João Primo de Carvalho, Jacinto Gomes dos Santos (Delegado de polícia), major THEOFANES FERRAZ TORRES, dr. Eurico de Souza Leão, dr. Melquíades Montenegro (juiz municipal), major Joaquim Leonel Pires de Alencar e Antônio Brandão de Alencar. Em pé e por trás de Theofanes e Eurico: tenente Arlindo Rocha. O capitão Nelson Leobaldo encontra-se por trás do major Joaquim Leonel.

A segunda foto mostra a visita do dr. Eurico de Souza Leão em 1928 à cidade de Belmonte, quando da inspeção ao Sertão pernambucano. Foto tirada em frente à Prefeitura municipal. Sentados da esquerda para a direita: o prefeito João Primo de Carvalho, Jacinto Gomes dos Santos (Delegado de polícia), major THEOFANES FERRAZ TORRES, dr. Eurico de Souza Leão, dr. Melquíades Montenegro (juiz municipal), major Joaquim Leonel Pires de Alencar e Antônio Brandão de Alencar. Em pé e por trás de Theofanes e Eurico: tenente Arlindo Rocha. O capitão Nelson Leobaldo encontra-se por trás do major Joaquim Leonel.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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