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segunda-feira, 1 de abril de 2019

AS MARAVILHOSAS PEDRAS DO SERTÃO DE SEU RABELO


Por Manoel Severo

Bruno Paulino, David Rabelo, Manoel Severo e Antônio Rabelo

Costumo dizer que somos movidos por paixão. As paixões acabam transformando-se em combustível precioso para a realização de nossos sonhos, sonhos de todas as naturezas... Assim tem sido com nosso empreendimento que é o Cariri Cangaço, assim tem sido com o senhor Francisco Antônio Rabelo do sertão maravilhoso de Quixeramobim.

Mas, quem é o ilustre Francisco Antônio Rabelo, ou simplesmente Rabelo; como é conhecido por toda Quixeramobim e por todo o planeta ? Poderia dizer que Rabelo é o marido da dona Lúcia, ou o pai do David e do Darvin , poderia dizer que Rabelo é aquele "louco" apaixonado por fusquinhas, por skate e exímio piloto de motocross, ou ainda o esforçado cantor de rock romântico dos anos 80... 

 Rabelo em apresentação no curso de Pós-graduação de Administração da Unifor na noite do último dia 26 de março de 2019
David Rabelo, Ingrid Rebouças, Manoel Severo e Antônio Rabelo 
na Pós-graduação na Unifor

Mas vou começar pelo fim: O ilustre Francisco Antônio Rabelo, o Rabelo; é hoje um dos mais respeitados designer de jóias artesanais do Brasil. De sua oficina em Quixeramobim a Ceará Designer de Jóias Artesanaisvem ano a ano conquistando a paixão e o respeito de todos que possuem um requintado bom gosto e prezam pela arte a partir das coisas do sertão. Rabelo utiliza todo o seu talento nato transformando pedras rústicas e as mais variadas matérias primas da caatinga em jóias preciosas, de rara beleza e extremo bom gosto. Sua produção tipicamente e preciosamente artesanal; anéis, brincos, colares, braceletes, dentre outros inúmeros acessórios, possuem um marca  inconfundível que tomou conta do Brasil e do mundo: A Marca Rabelo de Ser e de Fazer... Por ocasião da construção de nosso Cariri Cangaço em Quixeramobim, que acontece nos próximos dias 24 a 26 de Maio de 2019, tivemos a oportunidade de nos aproximar e de imediato nos apaixonar pelo "jeito Rabelo de Ser".  

"uma das matérias primas mais inusitadas e preciosas de nosso sertão, o espinho de mandacaru, aqui ganha tratamento e roupagem de luxo para encantar o mundo"
  
Encontrar Rabelo em pleno centro de Quixeramobim; em sua motocicleta, na sede de sua empresa ou mesmo na sua casa; é sinal de muita conversa boa e muita conversa espetacularmente "louca", daquelas que você fica torcendo para não acabar.... Assim é Rabelo, que nos confessa:"Severo é muito difícil ser doido no meio de vocês que são normais..." Uma boa gargalhada se segue à confissão de um dos artesãos de  mais sucesso em nosso Ceará; o menino humilde, de pouco estudo que com muito talento, determinação, persistência e trabalho, venceu, e venceu fazendo bonito.

Hoje a Ceará Designer, além de vender para o mercado interno, onde está presente nas principais capitais do país, exporta suas jóias para a América Latina, Europa e Ásia, "são peças exclusivas, feitas a mão, aqui dedicamos nossa alma à cada peça, ainda  mais quando carregam a força de nossa origem que é o sertão" revela um entusiasmado artesão, Rabelo que conclui:"aqui desenvolvemos nossa própria tecnologia de produção, com equipamentos e máquinas criadas por nós mesmos".

Dona Lúcia, a "guardiã" e fiel companheira de sonhos e realizações

Na fábrica, Rabelo tem como principais colaboradores, a esposa e eterna companheira; dona Lúcia; parentes e principalmente pessoas da comunidade. "Aqui emprego apenas pessoas da nossa comunidade, todos moram aqui bairro, formamos uma família", revela Rabelo, que aos poucos vai orientando e ensinado a cada um o oficio das joias do sertão e conclui, "mais recentemente começamos a lançar para o mundo jóias a partir de uma das matérias primas mais inusitadas e preciosas de nosso sertão, o espinho de mandacaru, que aqui ganha tratamento e roupagem de luxo para encantar o mundo". Em sua empresa Rabelo recebe mensalmente grupos de universitários de varias faculdades que se deslocam até Quixeramobim para conhecer um pouco do oficio do artesão e principalmente para receberem uma aula de campo sobre mineralogia.

Quem vai ate a sede da Ceara Designer de Jóias Artesanais, na cidade de Quixeramobim, conhece não só a sede da empresa como também a casa de Rabelo, que fica ao lado, como também a pista de motocross que também fica ao lado, como também a oficina de seus fusquinhas e a "Mina  do Rabelo", como assim? Pois é, Rabelo certo dia acordou com mais uma ideia "maluca" na cabeça: "Vou construir uma mina aqui no meu quintal para que os mais jovens possam ter essa incrível experiência da mineração e conhecer um pouco da beleza que a natureza nos reserva" e assim é o extraordinário Rabelo, o "professor Pardal" de Quixeramobim.

Ingrid Rebouças, Zé e Cotim, os sobrinhos do "professor Pardal" de Quixeramobim, 
na entrada da Mina no quintal de Rabelo
o
Rabelo é uma dessas pessoas que se guarda no coração, não apenas o artesão talentoso, o empresário de sucesso que hoje compõe o TOP 100 do Sebrae; figurando entre os melhores artesãos do país; mas e principalmente pelo grande ser humano que é. "Rasgar seda é uma arte e quando vejo toda a historia de vida do Rabelo, vejo suas realizações, sento em sua casa para tomar uma cerveja com amigos enquanto dona Lúcia prepara algo delicioso para comermos, quando vejo o olhar amoroso e cuidadoso do pai aos filhos David e Darvin, o abraço apertado nos sobrinhos Zé e Cotim e percebo que Rabelo dá o seu melhor para que tudo possa valer a pena, me dedico com prazer a "rasgação de seda" , obrigado Rabelo por estar ao nosso lado nos ajudando a sonhar e a realizar, é isso que faz nosso olho brilhar", afirma Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço. Francisco Antônio Rabelo, será um dos homenageados em nosso Cariri Cangaço Quixeramobim 2019.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço
Quixeramobim, 23 de Março de 2019

E vem aí
Cariri Cangaço Quixeramobim
24 a 26 de Maio de 2019


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CINCO INSCRIÇÕES DA MORTALIDADE


Por Manoel Severo

A vida é a arte do encontro. É sempre um privilégio encontrar, viver e encantar-se com as "cinco inscrições da mortalidade", o espetacular encontro entre a mais jovem e talentosa manifestação da poesia cearense. Alan Mendonça, Bruno Paulino, Dércio Braúna, Maílson Furtado e Renato Pessoa, são dessas almas nobres que nos permitem viajar para dentro de nossos corações, sempre.

Cinco Inscrições da Mortalidade em noite na UECE...
Bruno Paulino, Alan Mendonça, Renato Pessoa e Dércio Braúna
Na noite da última sexta-feira, 29 de março, o GPLEER – UECE realizou no Auditório do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará mais um encontro com a criação literária contemporânea como também o lançamento do livro "Cinco inscrições da mortalidade" seguido de bate-papo com os autores Alan Mendonça, Bruno Paulino, Dércio Braúna e Renato Pessoa, infelizmente Maílson Furtado não pôde comparecer. Por cerca de tres horas foi possível mergulhar na obra que já configura-se como uma das mais festejadas do ano; conhecer o estilo inconfundível de cada um dos poetas, suas influências, seus conflitos, dores e amores, enfim uma noite espetacular.

Renato Pessoa e Manoel Severo
Alan Mendonça, Dércio Braúna, Ingrid Rebouças, Renato Pessoa, 
Bruno Paulino e Lilian Martins
Manoel Severo e Alan Mendonça
A celebração... 
"Certa vez disseram que "um poema é como um rio ,que sempre que atravessa nosso caminho, nunca é lido e sentido da mesma maneira". Agora imagine um livro que reúne poemas de cinco autores diferentes! O resultado é "Cinco Inscrições da Mortalidade", uma obra plural que reúne não só poemas que me atravessam como também amigos que me acompanham por essa vida besta! Que felicidade a minha de aprender com os aperreios em verso e resistência do poeta-filósofo Renato Pessoa , de voar alto com o apaixonado poeta-passarinho Bruno Paulino , de debulhar silêncios e melodias com o poeta-músico Alan Mendonça , de ser verbo encarnado com a poesia carne-palavra-viva de Dércio Braúna e viver n'algum entre-lugar de poeira e poesia de Maílson Furtado Viana ! Eu me divirto e aprendo muito com todos vocês! Espia aí quantos escritores queridos numa só foto! Poesia pra vida ser mais bonita e a gente suportar a solidão dessas capitais!" emociona Lilian Martins.
o
Debruçado sobre o livro, dedilhando suas páginas e palavras, transportando nossa emoção para encontrar a emoção contida na poesia dos Mestres é na verdade um grande presente. A cada encontro, a cada diálogo, a cada momento de "cinco inscrições da mortalidade" chegamos a conclusão do tamanho do presente que é o dom da vida. Descendo dos palcos e das bancadas vamos encontrar cinco maravilhosos meninos, meninos poetas, meninos iguais a cada um de nós, isso é o mais incrível... Alan, Bruno, Dércio, Mailson e Renato, a  vocês o nosso beijo de eterna gratidão.
Manoel Severo, UECE 29 de março de 2019
Fotos de Ingrid Rebouças



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MANOEL SEVERO TOMA POSSE COMO UM DOS MAIS NOVOS IMORTAIS DA ACLA

Marciano Girão e Manoel Severo

Foi uma tarde noite pra lá de especial. O dia 30 de março de 2019, nos salões lotados da primeira academia de letras do Brasil; fundada antes mesmos da Academia Brasileira de Letras; no Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras tomava posse a nova diretoria da ACLA - Academia de Ciência, Letras e Artes de Columinjuba, que tem como patrono o "Príncipe dos Historiadores do Brasil" o mais que ilustre e festejado Capistrano de Abreu.

Paulo Roberto Neves, novo presidente da ACLA preside a solenidade de Posse
Manoel Severo é empossado e recebe seu Título das mãos do empresário Marciano Girão

Na oportunidade da posse da nova diretoria que tem como Presidente o empresário e intelectual Paulo Roberto Neves, tomou posse como membro efetivo do sodalício da terra de Capistrano de Abreu o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Gurgel Barbosa na Cadeira Número 7 - Letras, que tem como patrono "Luiz de Abreu". A solenidade que lotou o Palácio da Luz, levou aos Salões da Academia Cearense de Letras representantes dos mais significativos segmentos das letras, cultura e artes, como também do meio político e empresarial cearense. 

"Nosso sentimento navega entre a vaidade; à qual me entrego de forma desvairada; pois compreendo humildemente o imerecimento de tão grande honra e a grande e entusiasmada responsabilidade  de integrar os quadros de sodalício tão importante e de tanto relevo para o desenvolvimento das ciências,letras e artes do Ceará. Da augusta terra de Capistrano de Abreu estaremos nos dedicando com o que temos de melhor no cumprimento de nossas novas missões" revela o mais novo imortal da ACLA, Manoel Severo. "Foi um dia especial e inesquecível, fazer parte de mais uma conquista do meu amor, sendo empossado como membro da ACLA - Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba. Acompanhei toda sua emoção e felicidade em se tornar "Imortal" a partir da cidade que ama." complementa Ingrid Rebouças.

 Manoel Severo, Ingrid Rebouças, Luana Lira e Pedro Barbosa
 Brener Cavalcante, Manoel Severo, Ministro Ubiratan Aguiar
Ingrid Rebouças, Marciano Girão e Eveline Correia

A ACLA - Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba foi criada em 21 de junho de 1992, no Sítio Columinjuba, na cidade de Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza. A data de sua inauguração homenageia o nascimento de Antonio de Abreu, primeiro dentre os Patronos a ter um livro publicado. Seu primeiro presidente foi o intelectual Américo de Abreu, escolhido por suas virtudes, raras qualidades e reconhecido saber cultural. Por ocasião de criação deu-se a solenidade de posse da primeira Diretoria Executiva e do seu Conselho Fiscal, além da posse dos primeiros Membros Titulares da ACLA, assim, plantada a semente de um sodalício em um aprazível local, berço de figuras exponenciais cujas principais virtudes sempre foram a honra, a disposição para o trabalho e, principalmente, o sentimento de fraternidade.

Governador Gonzaga Mota ao lado do jornalista Paulo Tadeu 
Luana Lira, Ministro Ubiratan Aguiar e Pedro Barbosa
Manoel Severo e Brener Cavalcante

A ACLA tem como seu Presidente de Honra , João Capistrano Honório de Abreu; o Príncipe dos Historiadores Brasileiros;  que nasceu neste mesmo sítio Colominjuba, sede da ACLA, na  cidade de Maranguape no Ceará em 23 de outubro de 1853. Capistrano de Abreu realizou seus primeiros estudos em rápidas passagens por várias escolas para em 1869, viajar para Recife, onde cursou humanidades e retornando ao Ceará dois anos depois fundou a Academia Francesa, órgão de cultura e debates, progressista e anticlerical, que durou de 1872 a 1875. Mudando para o Rio de Janeiro foi aprovado em concurso público para a Biblioteca Nacional. Em 1879, foi nomeado oficial desta mesma Biblioteca, lecionou Corografia e História do Brasil no Colégio Pedro II e foi nomeado por concurso em que apresentou tese sobre O descobrimento do Brasil e o seu desenvolvimento no século XVI.

Capistrano de Abreu, Príncipe dos Historiadores do Brasil, Presidente de Honra da ACLA
Dedicou-se ao estudo da história colonial brasileira, elaborando uma teoria da literatura nacional, tendo por base os conceitos de clima, terra e raça, que reproduzia os clichês típicos do colonialismo europeu acerca dos trópicos, invertendo, todavia, o mito pré-romântico do «bom selvagem». Morreu no Rio de Janeiro, aos 73 anos, em 13 de agosto . 


Ezequias Meneses, Afrânio Gomes e Manoel Severo
Manoel Severo, Paulo Victor e Pedro Barbosa 
Malvinier Macedo, Manoel Severo e Rosa Firmo 
Manoel Severo e Alberto George
Ingrid Rebouças e Arlindo Barreto

Capistrano de Abreu mudou o cenário da historiografia brasileira, no final do século XIX e começo do século XX. Ele é considerado um dos primeiros grandes historiadores do Brasil e o responsável pela entrada do nosso país no mundo da historiografia moderna. Uma de suas grandes obras foi o livro Capítulos da História Colonial (1500 – 1800), que foi publicado em 1907 atuou também nas áreas de Etnografia (método antropológico de coleta de dados) e Linguística (estudo científico da linguagem) , hoje, as obras do historiador são vistas como grandes fontes de fatos e informações, que fizeram parte da História brasileira.

Posse da ACLA - Palácio de Luz,
Academia Cearense de Letras
Fortaleza, Ceará
30 de Março de 2019


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CORONEL GUSTAVO AUGUSTO LIMA

Por Jorge Emicles
Gustavo Augusto Lima, é nascido em 23 de agosto de 1861 no seio de uma das mais importantes famílias do Cariri. Filho, neto e bisneto de coronéis, teve desde a mais tenra idade convivência com a cultura do poder e as relações entre os latifundiários e seus cabras e escravos. Não se conhecem relatos nesse sentido, mas é quase certo que na sua infância de menino de engenho nos campos do sítio Tatu, símbolo dos domínios de sua mãe, teve muitas oportunidades de brincar no lombo dos escravos e subjugar os cabras da propriedade, numa relação que embora não o sendo de fato, era bem próxima à servidão medieval. Uma das características mais marcantes da educação que recebeu de sua mãe, dona Fideralina Augusto Lima, foi o esmero pela instrução formal. Dizia a matriarca do clã dos Augustos que a próxima geração exerceria o poder a partir da força da caneta, não do bacamarte, como era na sua própria época, de sorte a que teve especial zelo com a educação dos seus filhos e netos (COUTO, 2018).

Não era o primogênito de dona Fideralina, mas o seu quinto rebento. De início não foi preparado para assumir a chefia do clã, lugar antes destacado para seu irmão mais velho, Honório, contra quem haveria de protagonizar um dos mais peculiares episódios do coronelismo caririense. Mesmo assim, foi enviado para estudar no tradicional Colégio do Padre Inácio de Souza Rolim, em Cajazeiras, onde também estudaram José Marrocos e o próprio padre Cícero Romão Batista.Mas a sua vocação era para a política, o que bem cedo o levou ao protagonismo de famosa rixa com seu irmão mais velho.

Fazenda Tatu, feudo dos Augustos 

Antes mesmo de tomar as rédeas do poder em Lavras da Mangabeira, exerceu vários cargos de honor, naturalmente sempre através das firmes mãos de sua matriarca. Antes de 1907 já havia exercido o cargo de coletor das rendas provinciais, membro do Conselho da Intendência Municipal e já ostentava a patente de coronel da Primeira Companhia do Batalhão da Guarda Municipal. Foi em 26 de novembro de 1907 (MACEDO, 2017) que se deu o episódio, de longe, mais marcante de sua vida, que iria definir seu destino no mandonismo local, mas também na sua própria desgraça. Também é evento profundamente marcante na vida de dona Fideralina, cujas consequências retumbaram até a hora de sua morte. Pode-se dizer também que o passamento mesmo do coronel Gustavo, quase vinte anos depois, foi inevitável desdobramento desse terrível episódio de relevância política, sem dúvidas, mas sobremaneira marcante para todo o clã dos Augustos.

Era tão poderoso o mandonismo exercido pela tradição da família, que somente outro membro dela poderia desafiar as ordens da matrona. Ou pelo menos tentar. Foi exatamente o que fez o filho Honório Correia Lima, cuja descendência desboca no atual prefeito da capital Alencarina, Roberto Cláudio. Foi Honório o primeiro a dissentir da orientação política da mãe e por esforços próprios chegou a galgar a posição de líder do Partido Governista em Lavras. Dona Fideralina, contudo, não admitia que ninguém brilhasse mais que ela mesma, o que a levou a tomar sérias providências. Após firme recusa do filho em ceder o lugar conquistado, resolveu toma-lo pelas armas. Valendo-se de seus destemidos cabras e sob a liderança de Gustavo, fez apear do poder não somente do partido, como da própria Intendência Honório. Foi o momento áureo da ascensão definitiva de Gustavo ao poder local, posto que foi no lugar do irmão. Uma das histórias mais replicadas da velha Fideralina remonta exatamente a essa ocasião quando, ainda no alpendre do sítio Tatu, dirigiu aos cabras liderados por Gustavo a sentença de que “aquele que derramasse o sangue de Torto morreria” (MACEDO, 2017). Torto era o epíteto de Honório.Dali em diante a família nunca mais se reunificaria, replicando aquela rusga original em vários outros episódios, que ao termo conduziram à própria morte de Gustavo.

Dona Fideralina Augusto Lima

Tanto Honório quanto seu irmão Gustavo eram casados com duas primas legítimas, ambas filhas de uma irmã de Fideralina, Dulcéria Augusto de Oliveira, conhecia por Pombinha. Naquele episódio, Pombinha tomou as dores de Honório, tendo se arregimentado a ele na indignação pela desfeita de Fideralina. Daí nasce a inimizade e oposição perpétua levada a cabo pelas irmãs até o final de suas vidas. Consta que já no leito de morte, Fideralina chamou a irmã para proceder às pazes, ao que Pombinha retrucou que não iria, que se fosse para perdoar, faria isso à distância mesmo (MACEDO, 2017). Uma vez que Honório se retirou para Fortaleza (jamais tendo retornado a Lavras), a liderança da oposição coube a Pombinha.

Outra cena folclórica, também decorrente desse episódio, se deu quando, a partir da queda da oligarquia de Nogueira Accioly, começaram a ser nomeados os novos Intend entes municipais adversários dos coronéis. A indicação para a Intendência de Lavras teve o patrocínio de Pombinha (tendo recaído na pessoa de seu genro, conhecido por Zé Burrego), que em cumprimento a promessa atravessou todo o largo da Matriz da cidade de joelhos, indo assim até o altar, em louvor pela graça alcançada, que era a aparente derrocada política e sua irmã (MACEDO, 1990). Mas aquele foi apenas um hiato passageiro do poderio absoluto de dona Fideralina, seu filho Gustavo e a horda de cabras que lhes garantia o mandonismo.

Nogueira Accioli

No Cariri cearense, o fenômeno do coronelismo teve cores bem marcantes e violentas. Enquanto no âmbito nacional vigia a Velha República, no plano estadual foi o tempo do reinado despótico de Nogueira Accioly, que ganhou nas armas e nos cabras dos coronéis locais uma de suas forças mais consideráveis. Embora as fraudes eleitorais garantissem a vitória da situação em todo os pleitos, o poder nesse rincão era tomado a bala. A lei e a ordem prometidos pela autoridade maior da oligarquia Accioly de quase nada valiam. Para ascender ou se manter no poder era imprescindível o fogo do bacamarte e a força dos cabras, arregimentados entre os trabalhadores braçais dos coronéis ou alugados quando era necessário fortalecer o regimento.

Nesse período, houve alteração no mando dos coronéis em quase todas as cidades caririenses. Sempre arregimentados pelo poder da bala, os inimigos simplesmente cercavam, dominavam o opositor e o depunham. Não houve um único caso de reação por parte do poder do Estado. A postura do comendador Nogueira Accioly sempre foi a de consagrar na Intendência municipal o coronel vencedor do embate (MACEDO, 1990). Assim caiu o coronel Belém, em Crato, Neco Ribeiro em Barbalha e Antonio Roseo em Missão Velha. Um dos episódios mais marcados pela violência foi a chamada questão de 8 (porque ocorrido no ano de 1908), em Aurora, que antes da deposição do poder local do coronel Totonho Leite, deu azo à terrível chacina do Taveira, uma emboscada a mando do coronel Totonho e com a participação de homens do governo do Estado, que resistida, levou ao poder outra famosa matrona caririense, dona Marica Macedo, ou Marica do Tipi (MACEDO, 1990).

Esse derradeiro episódio teve reflexos indiretos no acontecimento de 1910 em Lavras da Mangabeira, onde no curso da sequência de levantes do poder local, também tentaram apear do poder o coronel Gustavo Augusto. O acontecido teve vez em oito de abril de 1910, quando aproximadamente cento e cinquenta cabras, liderados por Quinco Vasques (Joaquim Vasques Landim), proveniente da serra de São Pedro (hoje Caririaçu), tomou as ruas de Lavras e apeio fogo de bacamarte contra a residência do coronel Gustavo Augusto Lima, que avisado com antecedência do ataque, havia arregimentado seu pessoal, o que possibilitou que resistisse com sucesso. Esgotada a munição do agressor, forçado foi a bater em retirada. CALIXTO JÚNIOR (2017) em obra específica sobre esse acontecimento não consegue identificar as razões precisas que teria Quinco Vasques para entregar-se a tão perigosa empreitada. Aduz, contudo, que “foi atribuída pelo Pe. Alencar Peixoto a responsabilidade do ataque a Lavras (...) aos mandões do Crato” (CALIXTO JÚNIOR, 2017, p. 55). Também em outra passagem do mesmo trabalho, conclui ter havido algum tipo de atrito entre Gustavo e Vasques desconhecido, contudo, das fontes históricas.

Quinco Vasques

Do inquérito que foi instaurado para apurar tal ocorrido, o próprio Quinco Vasques confessa que ao cabo de sua missão deveria entregar a intendência a José Augusto de Oliveira, o Zé Burrego, por sua vez filho de Pombinha e cunhado do coronel Gustavo. Também, antes de invadir a vila de Lavras, Vasques pernoitou na propriedade do major Eusébio Tomás de Aquino, primo de Gustavo. Já na urbe, invadiram a casa do irmão de Gustavo, coronel Francisco Augusto Correia Lima. Apesar do parentesco com a vítima do ataque, ambas as personagens eram seus inimigos políticos, partidários da dissidente Pombinha (MACEDO, 1990).
Por sua vez, há evidências de que os derrotados de oito, em Aurora, intentavam fortalecer sua posição através da nova Intendência de Lavras, o que facilitaria a retomada de seu poder em Aurora. Conforme vaticina MACEDO (1990, p. 122), é preciso se considerar “as profundas vinculações de parentesco e amizade de José Augusto de Oliveira, ou seja, José Borrego, e José Leite de Oliveira com os Leites e Gonçalves de Aurora, os quais (...) haviam sido escorraçados, com seu chefe, o coronel Antônio Leite Teixeira, vulgo, Totonho Leite”.

Portanto, o ataque era claramente uma tentativa de substituir o poder de um coronel por outro, dessa feita com peculiaridade de serem os pretensos depositor e deposto membros da mesma família. Claro revide à deposição anos antes do coronel Honório. Só que dessa vez, foi vencedora a resistência, no único episódio no Cariri de manutenção do mesmo potentado após os ataques dos inimigos.

Logo no ano seguinte viria a ter fim a prática da deposição à bala. Não pela autoridade do oligarca Accioly, que seguia como sempre pusilanimemente referendando o vencedor pelas armas, alegando o fato consumado, mas pela arte nada menos que de padre Cícero, que valendo-se da autoridade e respeito que possuía sobre todos os contendores, arquitetou o famoso Pacto dos Coronéis, documento firmado em Juazeiro, sob a presidência do padre, que estabelecia o armistício e a instituição de procedimentos pacíficos de solução de futuros conflitos.E desde então não houve mais refregas desse tipo no Cariri.Os tiros de bacamarte, contudo, ainda não silenciaram, porque com a queda da oligarquia Accioly, veio a desgraça política de todos os coronéis locais, que humilhados viram a substituição de seus Intendentes por pessoas da confiança do novo Presidente do Estado, Franco Rabelo.Era preciso derrubá-lo, pois. E a tempestade perfeita se apresentou quando o Presidente do Estado se recusou a apoiar a candidatura do todo poderoso Pinheiro Machado à Presidência da República.

Pesquisador e escritor Jorge Emicles
ICC-Instituto Cultural do Cariri
Parte de 2 de Artigo de Jorge Emicles

E vem ai
Cariri Cangaço 10 Anos
Crato-Juazeiro do Norte-Barro
Missão Velha-Lavras da Mangabeira


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CHICO DOS ROMANCES



Eu Francisco Peres de Souza (Chico dos Romances), nasci no dia 1º de Abril de 1939 e ainda estou positivo, consciente de tudo que faço, agradeço a Deus primeiramente, e a todos os amigos que gostam do Chico dos Romances.


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PROBLEMAS

Mais tarde tentarei publicar algo.