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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

UM TESOURO DE AVIÕES HISTÓRICOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ESCONDIDOS EM UMA FAZENDA

 

Por mais de 60 anos, uma verdadeira “Caverna de Aladim” de aviões históricos da época da Segunda Guerra Mundial, incluindo um dos 30 aviões de combate Mosquito restantes no mundo, permaneceu praticamente fora da vista de todos, em uma propriedade rural próxima a cidade neozelandesa de Nelson.

Mas agora esses raros aviões estão sendo restaurados no Omaka Aviation Heritage Centre (OAHC) para serem exibidos, ou voar novamente. Este é um museu localizado próximo ao campo de pouso do Aeroclube de Omaka, a cinco quilômetros do centro da cidade de Blenheim, região de Marlborough, na ilha sul da Nova Zelândia. Um dos principais colaboradores dessa instituição é o diretor de cinema neozelandês Sir Peter Jackson, ganhador do prêmio Oscar em 2004, que ficou mundialmente conhecido por dirigir a trilogia épica O Senhor dos Anéis.

Mas Quem Guardou Esses Aviões?

Esses aviões pertenceram ao fazendeiro John R. Smith, que viveu na pequena localidade de Mapua, a oeste da cidade de Nelson, na costa da Baía de Tasmânia, onde iniciou sua coleção particular de aeronaves ainda jovem, na década de 1950.

Rob Smith, sobrinho do recluso colecionador de aeronaves histórico John Smith, abre o galpão onde seu tio acumulou um tesouro de aviões, incluindo um raro avião de combate Mosquito da Segunda Guerra Mundial – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

John dedicou uma vida inteira a caçar e salvar antigas aeronaves na Nova Zelândia. Além do Mosquito a sua coleção incluiu um P-51D Mustang, um biplano Tiger Moth, dois caças Curtiss P40 Kittyhawk, fuselagens de jatos de combate Vampire, além de uma grande quantidade de peças.

Sua própria família não tem muita certeza sobre o que motivou essa sua paixão. Mas segundo George Smith, com 89 anos e irmão de John, antes de emigrar para a Nova Zelândia a sua família viveu perto de uma base aérea chamada Finningley, que pertencia a RAF – Royal Air Force (Real Força Aérea). Essa base ficava nas imediações da cidade de Doncaster, no sul da região de Yorkshire, Grã-Bretanha, e os Smiths viveram naquele lugar em pleno período da Segunda Guerra Mundial.

George Smith, 88, com o caça P-51D Mustang da coleção de seu irmão que está sendo vendido– Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

É provável que essa situação, associado ao simples desejo de resgatar pedaços da história da aviação do ferro-velho, tenham motivado John a adquirir essas velhas aeronaves junto a RNZAF – Royal New Zealand Air Force (Força Aera Real da Nova Zelândia).  

Ao longo das décadas seguintes essas aeronaves ficaram protegidas em um grande galpão de ferro corrugado. Não demorou para que colecionadores, entusiastas e historiadores de aviação da Nova Zelândia e do exterior realizassem várias peregrinações a Mapua para ver os aviões cada vez mais raros. Mas John Smith permaneceu um personagem recluso e arredio, deixando potenciais compradores desapontados.

George Smith, 88, compartilha memórias de seu falecido irmão John e sua coleção da Segunda Guerra Mundial e outras aeronaves históricas – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

Quando ele morreu em agosto de 2020, aos 84 anos, ele deixou seu tesouro no grande galpão e um enorme trabalho para sua família resolver. Os Smiths, hoje liderados por George e seu filho Rob, tinham que tomar uma decisão.

Entrar no galpão dessa propriedade rural era o mesmo que entrar em uma espécie de cemitério de aviões totalmente indisciplinado. Em frente a uma modesta casa de madeira encontravam-se as carcaças de metal do motor – chamadas nacelas – do caça-bombardeiro Mosquito. Perto dali asas do jato de combate Vampire repousavam na grama alta, em outro canto peças dos P-40 e do Mustang.

O galpão está cheio de peças de uma grande variedade de aeronaves antigas – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

Rob Smith disse que quando eles começaram a lidar com o enorme trabalho de seleção, era difícil até mesmo entrar no galpão por causa do grande número de peças, desde fuselagens e asas, até caixas cheias de componentes de motores.

“Estimamos que levasse cerca de três anos para arrumar e limpar tudo”.

O Mosquito

O item mais importante que havia no galpão era um avião de combate bimotor, multifuncional, modelo Mosquito, que foi utilizado pela RAF e outras forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. 

Um dos poucos aviões do tipo Mosquito em condições de voo – Fonte – https://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki

Esses versáteis caças-bombardeiros eram incomuns, porque suas estruturas eram feitas principalmente de madeira, o que os tornavam relativamente rápidos para construir e principalmente voar. Em 1942 os Mosquitos foram considerados as aeronaves operacionais mais rápidas no conflito, tornando-se uma verdadeira lenda da Segunda Guerra e 7.781 modelos foram construídos.

Especificamente sobre esse avião sabemos que ele deixou a fábrica em 19 de novembro de 1945, sendo um modelo Mosquito FB MK. VI FB e não lutou na Segunda Guerra. Na RNZAF serviu até 22 de abril 1952, como parte do No. 75 Squadron (Esquadrão Nº 75), na Base Aérea Ohakea, localizada na ilha do norte da Nova Zelândia. Foi então armazenado na Base Aérea de Woodbourne e em 30 de junho de 1955 o fazendeiro John Smith comprou o bombardeiro excedente em um leilão. O interessante é que esse Mosquito voou pela RNZAF apenas 80 horas e 35 minutos.

John Smith coletou aviões e peças de toda a Nova Zelândia, muitas vezes rebocando-os de volta para Mapua, perto de Nelson – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

Depois de desmontar as asas do Mosquito, Smith o rebocou para Mapua na parte de trás de um trailer. A Força Aérea havia removido as armas e itens da cabine, mas ele conseguiu encontrar peças de reposição autênticas, incluindo uma mira de bomba e um rádio.

Durante os anos vindouros, segundo George Smith, de vez em quando seu irmão colocava os enormes motores Rolls Royce Merlin para funcionar, gerando um som ensurdecedor que podia ser ouvido na comunidade de Mapua, a vários quilômetros de distância.

O Mosquito de Woodbourne na década de 1950, onde John Smith o comprou, desmontou suas asas e o levou de volta para Nelson – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

O trabalho de preparação do Mosquito para seu novo destino em Omaka começou com a delicada e especializada tarefa de desmontá-lo. Que no final das contas será uma espécie de volta ao lar, pois o local de armazenamento dessa aeronave fica a poucos quilômetros de Blenheim e não muito distante de Omaka.

No museu o Mosquito será exibido ao lado de outros aviões que pertenceram a John Smith. Um deles é um modelo Tiger Moth e um dos Kittyhawks, este último apelidado de Gloria Lyons.

Homenagens

Curtiss Kittyhawk, batizado como “Gloria Lyons”, diante do sol, pela primeira vez em muitos anos. Ainda resplandecente em sua camuflagem da Segunda Guerra Mundial, esse avião foi enviado para o Omaka Aviation Heritage Center para fins de conservação. (imagem de Graham Orphan via Omaka Aviation Heritage Centre) – Fonte – https://warbirdsnews.com/aviation-museum-news/omaka-aviation-heritage-center-receives-rare-warbirds-for-display.html

Graham Orphan, membro do conselho do OAHC, prestou homenagem à visão de John Smith de preservar esses aviões históricos e aos esforços de sua família para honrar seu legado. Ele disse que visitar a coleção de John Smith era um privilégio e um teste.

“John era apenas cauteloso. Mas se você falasse por muito tempo e ele percebesse que você era um entusiasta genuíno, ele o receberia de braços abertos. Todos nós queríamos que ele vivesse para sempre, porque enquanto John estivesse vivo, os tesouros da Caverna de Aladim da Segunda Guerra Mundial permaneceriam assim.”

No entanto, Orphan ficou maravilhado com o fato do público futuramente ter a chance de ver esse bimotor Mosquito restaurado em Omaka, além de outros aviões que pertenceram a Smith.

Mas um avião que pertenceu a John já está em exibição nessa instituição há algum tempo. Quando ainda era vivo, John presenteou um piloto de helicópteros da região com um bimotor de fabricação americana Lockheed Hudson. Por razões que desconheço esse piloto não reformou esse avião e acabou entregando-o para o OAHC. Por sua vez o museu criou com essa aeronave um belo cenário para seu acervo, representando um avião perdido no meio da selva tropical.

Já o destino da aeronave P-51D Mustang, que ficava no galpão sob a asa do Mosquito, ainda não foi decidido. Ao contrário do bimotor que vai para o museu, que precisaria ser totalmente reconstruído para voar novamente, esse Mustang poderia se tornar aeronavegável, embora a um alto custo, pois as asas foram cortadas e teriam que ser reconstruídas.

O Mosquito dentro do galpão em Mapua, Nova Zelândia, com uma miríade de outros materiais relacionadas à aviação. Logo atrás da fuselagem do Mosquito é possível ver o P-51D Mustang. essa aeronave é um candidato a restauração em condições de aeronavegabilidade e foi colocado à venda – esperançosamente para alguém na Nova Zelândia. (imagem de Graham Orphan via Omaka Aviation Heritage Centre) – Fonte – https://warbirdsnews.com/aviation-museum-news/omaka-aviation-heritage-center-receives-rare-warbirds-for-display.html

Mesmo desmontado, esse avião foi avaliado em cerca de um milhão de dólares. Rob Smith disse que houve interesse por esse avião vindo de potenciais compradores da Nova Zelândia e de outros lugares. Mas a família gostaria que ele permanecesse no seu país, preferencialmente na ilha sul.

Brian Weir, um entusiasta da aviação de Nelson que conhecia John Smith, disse que estava tentando levantar dinheiro suficiente para manter esse avião na região. Essa aeronave foi um dos trinta Mustangs recebidos pela RNZAF em 1945, com a maioria sendo retirada de serviço em 1955 e vendida como sucata em 1958. Weir disse que manter o Mustang na Nova Zelândia seria uma homenagem ao legado de John Smith.

Página principal na internet do Omaka Aviation Heritage Centre (OAHC). Vale a pena a visita – Fonte – https://www.omaka.org.nz/

Realmente o fato de John Smith ser uma criança que vivia na Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial e sua família morar próximo a uma base aérea, poderia facilmente explicar essa sua louca paixão por essas aeronaves. Mas acredito que muito disso se deve também a memória extremante ativa da intensa participação da Nova Zelândia e seu povo na Segunda Guerra Mundial.  

A Nova Zelândia entrou nesse conflito no dia 3 de setembro de 1939, no mesmo dia que a Grã-Bretanha declarou guerra a Alemanha Nazista. Para a maioria do povo dessa nação, a associação com a Grã-Bretanha em uma época de crise era natural e necessária. Como um firme oponente do apaziguamento, a Nova Zelândia há muito defendia uma posição forte contra as ditaduras fascistas.

Um Mosquito sobrevivente em manutenção – Fonte http://www.aeronews.com

Apesar de possuir em 1940 uma população com apenas 1.600.000 habitantes, cerca de 194.000 homens – 67% daqueles com idades entre 18 e 45 anos – e 10.000 mulheres serviram nas forças armadas. Esse país dedicou uma proporção muito alta de seus recursos ao esforço de guerra: cerca de 30% da renda nacional geral foi utilizada nesse objetivo, com a cifra aumentando para 50% durante os anos críticos de 1942-44. O saldo negativo foi que 11.928 neozelandeses foram mortos.

As duas grandes ilhas que compõem a Nova Zelândia não foram atingidas diretamente durante a guerra, mas os neozelandeses estiveram envolvidos em combates em terra, mar e ar, sendo estes travados globalmente. Desde o Egito a Itália, passando pela Grécia e chegando ao Japão e ao Oceano Pacífico. Consta que a natureza da Segunda Guerra Mundial não só deu muito ímpeto ao desenvolvimento do senso de identidade dos neozelandeses, mas também aumentou muito a confiança dos membros dessa nação em relação ao seu papel no mundo.

Fontes

– https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

– https://www.omaka.org.nz/index.html

– http://www.adf-serials.com.au/nz-serials/nzmosquito.htm

Extraído do blog Tok de História do Historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

https://tokdehistoria.com.br/2021/09/26/um-tesouro-de-avioes-historicos-da-segunda-guerra-mundial-escondidos-em-uma-fazenda/

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CLEMENTINO QUELÉ E SUA FICHA MILITAR NA POLÍCIA PARAIBANA

Por João de Sousa Lima

Clementino Quelé


A ficha cadastral constante nos arquivos da Polícia Militar da Paraíba do sargento Clementino José Furtado, Clementino Quelé, uma lenda entre as volantes que combateram no cangaço na Paraíba e em Pernambuco, especialmente ao bando de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, está amarelada, mas conta um pouco da história da Paraíba.

Clementino Quelé “sentou praça” na PM da Paraíba em 13 de Maio de 1925 e reformado com a patente de sargento em 18 de Julho de 1940. Quelé ingressou na Polícia já com a patente de sargento, acreditem. Relatam que por um arranjo político do famoso coronel José Pereira. Impossível condensar a história de Clementino José Furtado num texto de 70 linhas ou num livro de 700 páginas, tal a inacreditável, quase inverossímil, trajetória de Quelé do Pajeú ou “Tamanduá Vermelho”, apelido que recebeu quando ingressou no bando de cangaceiros chefiado por Virgulino Ferreira da Silva, Lampião.
Reza a lenda que tudo começou quando Clementino Furtado tornou-se inspetor de quarteirão, espécie de subdelegado da polícia pernambucana, seu estado de origem. Ao realizar a prisão de dois ladrões de cavalos, os matou, gerando assim a aurora dos seus problemas – os ladrões eram de famílias poderosas; daí a natural perseguição política que a ele foi movida.
De agente da lei, tornou-se procurado; acabou reagindo à bala a um mandado de prisão. Na sequência, sua família foi alvo de perseguições políticas e, caçado pela polícia, Clementino ingressou no bando de Virgulino Ferreira, de quem viria a se torna lugar-tenente, pois liderava seu próprio grupo de cangaceiros, formado por seus parentes e agregados da família. Clementino não deu certo como cangaceiro. Entrou em conflito com o chefe, numa discussão quase letal. Contam que um parente de Clementino se apresentou para ingressar no bando de cangaceiros de Lampião, mas tutelado e sob às ordenas do próprio Clementino. O ingresso de neófito de cangaceiro encontrou rejeição por parte do cangaceiro Meia Noite, outro chefe de subgrupo e guarda-costas do próprio Virgulino.
Não houve acordo. A discussão causou um racha no bando de Virgulino, que se posicionou ao lado de Meia Noite. Assim, não havia mais lugar para Clementino e os seus no bando de Lampião – e a querela foi tão feia que Virgulino e Clementino tornaram-se inimigos mortais. Caçado pela polícia pernambucana e tendo Lampião como seu inimigo figadal, Clementino manteve sua milícia privada em sucessivos embates com o bando de Virgulino; entreveros que quase dizimaram sua própria família.


Sem saída, Clementino fugiu para Paraíba onde obteve proteção do coronel José Pereira, latifundiário e político poderoso na região de Princesa Isabel(PB) praticamente um “senhor da guerra” num vasto território nos dois lados da divisa entre Paraíba e Pernambuco, que se estendia de Princesa até Serra Talhada.
O poder do Cel. Zé Pereira na Paraíba era imenso. Deputado estadual, de forte influência política e econômica, a ponto de alistar Clementino José Furtado na Polícia Militar, já com a patente de sargento – estar sob o manto protetor do Cel. Zé Pereira era o porto seguro para muitos desgarrados com ou sem família. Na condição de sargento da Polícia Militar da Paraíba, Clementino tornou-se chefe de volante, assumindo protagonismo na perseguição implacável ao banditismo rural, especialmente ao seu inimigo histórico: Lampião.
- Que não teve trégua nem sossego na região de Princesa, antes uma espécie de spa para repouso e lazer de Lampião, em função da alargada cobertura que o “rei do cangaço” tinha de coiteiros e aliados. Virgulino amargou derrotas, ferimentos à bala e caçadas implacáveis movida por Clementino e sua volante não só na Paraíba. Clementino tocou o terror na caçada a Lampião, na vasta região que vai de Triunfo até Nazaré do Pico, passando por Serra Talhada, matando tudo “que rastejava, andasse ou voasse” em associação com Virgulino, cantavam poetas e repentistas nas feiras livres.
A saga de Clementino não se limitou no combate ao cangaço e sua reputação o precedia. Em fevereiro de 1930, estourou a famosa “Revolta de Princesa”, que antecedeu a Revolução de 30. Revolta esta liderada pelo cel. José Pereira contra o presidente do estado, João Pessoa. Ele declarou a independência de Princesa em relação ao estado da Paraíba, simplesmente. O cel. José Pereira mobilizou mais de 2 mil homens em armas para combater o governo do estado da Paraíba, menos o seu protegido e leal aliado até aquele momento, o sargento da PM Clementino José Furtado, que àquela altura havia jurado fidelidade à Polícia Militar sob às ordens do governo João Pessoa.
De novo, Clementino estava de volta ao campo de guerra para liderar uma tropa de 60 soldados da PM no combate ao revoltosos de Princesa. Nessa jornada, o sargento Quelé sitiou a vila de Patos de Irerê, raptou mulheres e crianças para usá-las como “escudos humanos” num planejado ataque a Princesa Isabel, que nunca ocorreu, pois Clementino havia cometido um ato ousado demais: Raptara a senhora Alexandrina Diniz, ou dona Xandu, esposa do cel. Marcolino Diniz, parente de chefe dos revoltosos o cel. Zé Pereira, também seu parente. Alexandrina era da fina flor da elite que governava Pernambuco e o sertão paraibano.
Ao término de tudo e não por fim de sua trajetória guerreira, Clementino se viu cercado por 100 jagunços e cangaceiros a soldo de Marcolino e Zé Pereira, furando o cerco numa noite de tempestade e deixando para trás granadas com pavios acessos que não explodiram. Clementino jamais recebeu uma promoção na PM da Paraíba, foi para reforma como sargento e terminou sua carreira como delegado na cidade Prata, onde morreu e está sepultado.

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/09/clementino-quele-e-sua-ficha-militar-na.html
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O TRÁGICO FIM DE PERPÉTUO DE FREITAS, O POLICIAL MAIS RESPEITADO E TEMIDO DA HISTÓRIA DO RIO DE JANEIRO

Acervo do Beto Rueda

“Perdi, vou pra jaula, mas só vou me entregar se a cana for dada pelo Doutor Perpétuo”.

Essa é uma das frases de Sombra, um bandido muito conhecido nos anos 50, na cidade do Rio de Janeiro, após resolver se entregar à polícia.

Perpétuo de Freitas foi um temido detetive policial civil da cidade maravilhosa. Suas práticas iam desde arrumar emprego para o cidadão sair do crime, a assassinatos a sangue frio de bandidos que atacavam policiais. Perpétuo foi um dos agentes que instituiu no Rio a lei do 10 pra 1. Se um policial fosse morto por algum bandido, 10 foras da lei eram executados para servir de exemplo e mostrar aos ladrões a pesada punição da infração das regras. Os foras da lei eram poupados se entregassem o assassino do policial.

Durante anos, Perpétuo e seu parceiro, Detetive Milton LeCoq, andaram pela cidade do Rio de Janeiro conhecendo todo tipo de fora da lei. Os dois resolviam crimes e trabalhavam a partir do código das ruas, uma espécie de lei paralela que gerenciava a convivência no submundo entre policiais e ladrões.

Perpétuo era respeitado no mundo do crime pois, como diziam seus adversários, “era um homem de uma palavra só”. Tudo que dizia cumpria, seja para o bem ou para o mal. Essa espécie de ética levava bandidos e policiais a confiarem no trabalho do detetive e temerem sua fúria em caso de descumprimento de acordos.

Quando Perpétuo dizia que o ladrão sairia preso, ele não colocava nem algema, conduzia o meliante com as mãos em seus ombros, mas garantia que ninguém encostaria o dedo no “vagabundo”. O tira também sustentava uma longa lista de arapongas (informantes) e favores a cobrar. Foi Perpétuo que instituiu a lei que impunha o fim dos tapas na cara de presos. Ele dizia: “Nunca esqueçam que quem bate esquece. Mas um homem que apanhou na cara sempre vai querer vingança”.

Fazia o estilo Good Cop (o policial bom), disparava tiros apenas quando descumpriam acordo. Porém, Perpétuo entrou em crise com novos policiais que tinham aderido à matança como forma de conter o crime. Conhecidos como Polícia Mineira, seus rivais na própria instituição passaram a boicotar seu trabalho.

A trajetória de Perpétuo começa a mudar, quando seu parceiro Milton LeCoq é assassinado por Cara de Cavalo, um bandido extremamente perigoso, havia indícios na época de que, na verdade, o detetive foi morto pelos próprios parceiros em uma troca de tiros. A culpa, entretanto, caiu nos ombros do fora da lei.

Perpétuo, transtornado com a morte do colega, e desconfiando das ações de certos policiais, resolveu investigar o crime sozinho. Montou tocaia na Favela do Esqueleto e conseguiu contato com Cara de Cavalo, que jurou se entregar para ele, desde que garantisse sua vida. Esperando Cavalo numa birosca, Perpétuo foi abordado por policiais que queriam vingança pela morte de LeCoq.

Na birosca, Perpétuo aguardava um informante que daria a localização de Cara de Cavalo para ser efetuada a prisão. Mas enquanto o detetive aguardava seu contato, um grupo de policiais sedentos por vingança, compareceu também ao local. Jorge Galante, um recém incorporado à polícia, resolveu enfrentar Perpétuo. Ele foi empurrado com dois tapas no peito e ouvir a frase: “Galinho, isso é trabalho pra profissional, sai daqui. Eu dei a palavra que vou prender e ele vai sair daqui vivo”. Galante, então, colocou a mão na arma e disse: “Não esqueça que o vento que venta lá, venta cá”, sacou o revólver e disparou no peito de Perpétuo. Um único disparo tombou o homem de 1,90 de altura.

A morte de Perpétuo de Freitas marcou o fim de uma era da polícia carioca e fluminense. Cara de Cavalo foi encontrado dias depois e foi fuzilado com 120 disparos de arma de fogo.

Após esses acontecimentos, foi montada, no Rio de Janeiro a “Scuderie LeCoq” , um grupo de extermínio conhecido também como Esquadrão da Morte e parte significativa da polícia passou a respeitar somente uma lei: a pena capital.

Foto: Detetive Perpétuo, de terno, realiza prisão de um fora-da-lei.

#fotosevideosantigos

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RELÍQUIAS DO CANGAÇO EM CALUMBI-PE

Por Fas Estudios
https://www.youtube.com/watch?v=VzhmeI3iNdE&ab_channel=FASSTUDIOS

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ADEUS, CELSO RODRIGUES!

Por Manoel Belarmino

Eu soube do falecimento do ex-prefeito de Piranhas, senhor Celso Rodrigues Rego, ocorrido na manhã de hoje, na cidade de Piranhas, nas Alagoas. Celso Rodrigues era amigo das antigas da família Soares. Os Rodrigues sempre confiaram aos Soares as suas fazendas nos sertões do lado de cá. Mais do que uma relação entre vaqueiros e patrões, a amizade dos Rodrigues com os Soares era quase familiar. Eu me lembro que a última vez que vi Celso Rodrigues pessoalmente foi no velório de Idália Soares, em 2019, aqui em Poço Redondo. Mesmo com dificuldades devido à sua idade, seu Celso, acompanhado do seu neto Celsinho Rodrigues, esteve presente manifestando aqui a sua solidariedade aos Soares.

Piranhas e os sertões das Alagoas e de Sergipe sentem a perda irreparável desse sertanejo ilustre.

Com quatro mandatos de prefeito da sua terra Piranhas, Celso Rodrigues deixou a sua contribuição e o seu legado em Piranhas e em todo o Sertão.

Meus sentimentos ao confrade Celsinho Rodrigues, ao Monsenhor Luciano Rodrigues e a toda a família Rodrigues.

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domingo, 26 de setembro de 2021

PEÇA LOGO ESTES...

    Por José Mendes Pereira 

A primeira obra é "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS" que já está na 5ª. edição, e aborda o fenômeno do cangaço e a vida do maior guerrilheiro das Américas. Um homem que não temeu às autoridades policiais  e muito menos aqueles que lutavam contra a sua pessoa, na intenção de desmoralizá-lo nas suas empreitadas vingativas, e eliminá-lo do solo nordestino. Realmente foi feito o extermínio do homem mais corajoso e mais admirado do Nordeste do Brasil, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, mas não em combate, e sim, através de uma emboscada muito bem organizada pelo alagoano tenente João Bezerra da Silva. 


O Segundo livro da trilogia do escritor e pesquisador do cangaço é: "FATOS ASSOMBROSOS DA RECENTE HISTÓRIA DO NORDESTE" com 332 páginas, e um grande acervo de fotos relacionado ao assunto. E para aqueles que gosta de ler e ver fotos em uma leitura irá se sentir realizado com todas as fotos.


O terceiro livro da trilogia também do escritor José Bezerra Lima Irmão é: "CAPÍTULOS DA HISTÓRIA DO NORDESTE" resgata fatos sobre os quais a história oficial silencia ou lhes dá uma versão edulcorada ou distorcida: o "desenvolvimento" do Brasil, o desumano progresso de colonização feito a ferro e fogo, Guerra dos Marcates, Cabanada, Balaiada, Revolução Praieira, Ronco da Abelha, Revolta dos Quebra-Quilos, Sabinada, Revolta de Princesa, as barbáries da Serra do Rodeador e da Pedra do Reino, Guerras de Canudos, Caldeirão e Pau-de-Colher, dando ênfase especial à saga de Zumbi dos Palmares, Invasões Holandesas, Revolução Pernambucana de 1817, Confederação do Equador e Guerras da Independência, incluindo o 2 de Julho, quando o Brasil se tornou de fato independente... São assuntos que dão gostos a gente lê-los.  

Adquira-os com o professor Pereira através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

ou com o autor através deste g-mail: 

josebezerralima369@gmail.com

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LIVROS DO RUBENS ANTONIO

  Por Edinardo Marques

https://www.facebook.com/photo/?fbid=5400397820000468&set=a.5228106547229597

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LIVRO

     Por Francisco Pereira Lima

Indicação Bibliográfica. Nova e caprichada reedição, com Xilogravuras, do excelente livro VELHOS COSTUMES DO MEU SERTÃO, de Juvenal Lamartine. 

Quem desejar adquiri-lo entrar em contato com o Professor Pereira. Whatsapp 83 9 9911 8286, ou ainda franpelima@bol.com.br

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=1720730074802596%2C1720457008163236%2C1720434674832136&notif_id=1630233395090042&notif_t=group_activity&ref=notif

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NAZARÉ DO PICO RELATO SOBRE AS MORTES OCORRIDAS NO COMBATE DAS BAIXAS.

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=vYjPLTsMaxM&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

A nossa saudosa amiga Mabel Nogueira, membro da família Nazarena, fala a respeito dos acontecimentos que antecederam e sucederam ao sangrento Combate na localidade Baixas no município de Serra Talhada, onde no dia 14 de novembro de 1924, Lampião e os Nazarenos travaram uma de suas maiores batalhas, deixando um saldo de três mortos, sendo os Nazarenos Olimpio Jurubeba e Inocêncio Nogueira e o cangaceiro Manoel de Margarida. Um combate que entrou para as páginas da história do cangaço como sendo um dos mais acirrados e sangrentos. 

Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. 

Forte abraço... Cabroeira! 

]Atenciosamente: Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia e Arquivo Nordeste. 

Seja membro deste canal e ganhe benefícios: 

https://www.youtube.com/channel/UCDyq...

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CANGAÇO - O TRISTE FIM DE JOSÉ PEQUENO NAS MÃOS DE LAMPIÃO

 Por Nas Pegadas da História

https://www.youtube.com/watch?v=JfSBHELIG1A&ab_channel=NASPEGADASDAHIST%C3%93RIA

LIVROS SOBRE O CANGAÇO

A história de lampião contada através dos cordéis 

https://amzn.to/3lWeAXB

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BARRA NOVA, DE COITEIRO A CANGACEIRO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=FYAk-yi4Uk0&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

João Maurício (filho do cangaceiro Barra Nova e enteado de Sandes, ex-coiteiro que virou volante) narra como os dois viraram coiteiros de Lampião, como foram descobertos e o sofrimento que a família passou após a volante de Zé Joaquim os pegarem. 

Link desse vídeo: https://youtu.be/FYAk-yi4Uk0

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CONHEÇA A CASA DE UMA DAS PESSOAS QUE DAVAM ABRIGO A LAMPIÃO

 Por TV Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=nvYa6IWbpow&ab_channel=tvbrasil

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CANGAÇO E EU - DR. LAMARTINE DE ANDRADE

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=XQZky27RS6c&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Um depoimento importantíssimo sobre a morte de Lampião, Dr Lamartine de Andrade fala sobre o exame feito na cabeça de Lampião.

Cangaço e eu - Dr. Lamartine de Andrade. Dr. Lamartine de Andrade, o último médico legista que examinou o crânio de Lampião. Link do vídeo: https://youtu.be/XQZky27RS6c

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NOTA DE PESAR!

 Por João de Sousa Lima

É com profunda tristeza que soube agora cedo do falecimento do meu amigo Celso Rodrigues..., uma perda irreparável e que deixa uma infinita legião de amigos ...., seu nome está gravado na história de Piranhas ...

https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?multi_permalinks=2032855633545209%2C2032528523577920%2C2032330306931075&notif_id=1632590932735627&notif_t=group_activity&ref=notif

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sábado, 25 de setembro de 2021

ALGUMAS VOLANTES QUE PERSEGUIAM CANGACEIROS/ Canal Cangaço em Foco

 https://www.youtube.com/watch?v=1E1xfE_p9B8&ab_channel=CANGA%C3%87OEMFOCO

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" L A M P I Ã O C O N V O C A D O ".

 Por Luís Bento

Convocado a Juazeiro do Norte pelo Sacerdote e conselheiro, " Lampião " na companhia de 49 Cangaceiros, adentram no então Distrito Macapá atual JATI, em 02 de março do ano de 1926. Após a passagem por Macapá, Lampião seguiu viagem a cidade de Juazeiro do Padre Cícero Romão Batista, onde veio com a missão de defender a cidade de um possível ataque dos revoltosos da " Coluna Prestes ", liderada por Luís Carlos Prestes o Cavaleiro da Esperança. 


A controvérsia ainda continua: quanto a convocação, quanto a patente de Capitão do Batalhão Patriótico de Juazeiro. Uns afirmam ter sido o Padre, outros, Floro Bartolomeu.

Misto de faroeste à brasileira, luta de classes e banditismo, o Cangaço é um capítulo da história Nordestina ainda cercado de polêmicas. Tendo Virgulino Ferreira da Silva, " Lampião ", como seu maior expoente. Entre as muitas histórias que protagonizaram em torno de se, " Lampião " pensava em melhorar sua imagem perante a população, que ainda se dividi entre o " herói e o bandido sanguinário".

Por LUÍS BENTO

JATI 23/09/21/

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=1739545576254379%2C1738153359726934%2C1738061239736146%2C1737000769842193%2C1736423536566583&notif_id=1632174715111131&notif_t=group_activity&ref=notif

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DEFENSORES NA SEDIÇÃO DE JUAZEIRO, 1914.

 Acervo do Beto Rueda

Fonte:

OLIVEIRA, Xavier. beatos e cangaceiros. Rio de Janeiro: S.n., 1920.

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E AÍ, VERDADE OU MENTIRA ESSE TAL ALISTAMENTO?

 GUILHERME VELAME WENZINGER


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AS TURBULÊNCIAS POLITICAS EM TRIUNFO E O ASSASSINATO DO CEL DEODATO MONTEIRO

 Por José Tavares de Araujo Neto

Coronel José Pereira, de Princesa

Em 1919, parte da imprensa pernambucana apontou o envolvimento do coronel José Pereira e do empresário João Pessoa de Queiroz no assassinato do coronel Deodato Monteiro, chefe político de Triunfo.  No dia 24 de junho daquele ano, Deodato Monteiro havia sido morto em emboscada nas proximidades da cidade de Flores por um grupo composto por cerca de 15 homens, reconhecidamente sob o comando do seu desafeto, o bandoleiro Luiz Leão.

Havia entre coronel Deodato Monteiro e Luiz Leão uma desavença que perdurava desde os trágicos acontecimentos ocorridos nos dias 22 e 23 janeiro de 1910, quando Triunfo foi transformada em uma sangrenta praça-de-guerra, palco de confronto entre dois grupos políticos, que também davam nomes a dois blocos carnavalescos, o “Fumos” e o “Garras”, que protagonizaram horrendas cenas de selvagerias, tendo como resultado diversas vítimas, entre mortos e feridos.

Neste triste episódio, dentre outros, foram mortos Belarmino de Sousa Lima, delegado de Flores, mais conhecido por seu Belo, irmão do delegado de Triunfo, o truculento Joaquim de Sousa Lima, mais conhecido por Né da Barra. Seu Belo foi acertado por uma bala alvejada por Luiz Leão; e, também foi a óbito, o médico dr. Agostinho de Araujo Jorge, membro do grupo de oposição, que teve sua casa invadida por correligionários do coronel Deodato Monteiro.

Dr. Agostinho Luiz era acusado de ter fornecido uma arma ao alfaiate Manuel Antonio para se defender de agressão do delegado Né da Barra, que já o havia agredido e ameaçado de prisão. Em torno das 17 horas do dia 22, Né da Barra manda três homens surrar a cacete Manuel Antonio, que reage disparando contra seus agressores, inclusive acertando um deles. Né da Barra e seu irmão Belo vem ao ataque a Manuel Antonio, neste momento Luiz Leão atira em Belo, que, baleado, é removido para a residência do coronel Deodato Monteiro, onde vai a óbito pouca mais de uma hora depois. Após uma rápida conferência, o grupo que estava no velório, fortemente armado e bem municiado, decide atacar a casa do médico e de outas figuras importantes da oposição. 

José Tavares de Araujo Neto, autor.

Neste ínterim, outro grupo de cidadãos, constituído por major Isaías Lima, Pedro Alves, José Vieira e outros oito integrantes do “Garras”, se refugia na Casa de Caridade, lugar que acharam ser mais seguro para se proteger da fúria dos componentes do Grupo “Fumos”, os correligionários do coronel Deodato Monteiro.  O cerco à Casa de Caridade só foi encerrado na manhã do dia 23, graças à intervenção do coronel José Pereira, que deslocando-se da cidade de Princesa, e, juntando-se ao comerciante Manuel de Siqueira Campos (Dudu) e seu sócio Carolino de Arruda de Campos, conseguiu, em conversação com os sitiantes Deodato Monteiro, Né da Barra e Cândido Cajazeiras, negociar o cessar fogo.

À medida que o tempo foi passando foi acentuando ainda mais a contenda entre o coronel Deodato Monteiro e Luiz Leão. Notadamente após o assassinato de Arthur Leão, irmão de Luiz, cujo crime ele atribuía ao chefe político de Triunfo. E, mais recentemente, em um dos dias da festa de carnaval próximo passado, quando o delegado João Gomes, genro de Deodato Monteiro, havia tentado efetuar a prisão de Luiz Leão, que estrategicamente fugiu da cidade, e, à noite, retornou com um grupo, que abriu fogo contra o destacamento policial local. 

Naquela manhã do dia de São João de 1919, quando o veículo que transportava o coronel Deodato Monteiro foi abordado pelo grupo capitaneado por Luiz Leão, este, antes de executá-lo, perguntou-o pelo delegado de Triunfo João Gomes, estranhando a ausência do genro do coronel, que certamente também seria alvo da operação criminosa. Aliás, é oportuno registrar, que o delegado João Gomes foi destaque na imprensa nacional por dar proteção ao seu irmão José Gomes, um dos indiciados no assassinato do industrial Delmiro Gouveia, crime ocorrido em 10 de outubro de 1917.

Parte da imprensa pernambucana atribuiu motivação política no atentando contra o coronel Deodato Monteiro. Na época, o Jornal do Comércio de Recife, propriedade João Pessoa de Queiroz vinha publicando uma série de acusações contra o coronel Deodato Monteiro, que pretendia ser candidato a prefeito de Triunfo, cargo que já havia ocupado. Por outro lado, o coronel José Pereira tornou-se suspeita porque, segundo dizia-se, após o crime o bando havia se homiziado em uma de suas propriedades no município de Princesa, no vizinho Estado da Paraíba.

O promotor, dr. José Carlos Cavalcante Borges, denunciou Luiz Leão como responsável material intelectual pelo crime, alguns dos seus companheiros que foram identificados como executores e o coronel José Pereira Lima como conivente moral do crime, por haver facilitado a fuga e homiziado os criminosos em sua propriedade. Não apurando absolutamente nada que incriminasse o empresário João Pessoa de Queiroz.

O Juiz de Direito, dr. Joaquim Correia de Oliveira Andrade Lyra, pronunciou como responsaveis pelo referido crime os indivíduos de nome Luiz Leão, Cabral de tal, Cicero Manoel Romão, vulgo Cícero Ventania, Salú Leovigildo, Nezinho Leovigildo e Jonas Gabriel, sendo julgada improcedente a denúncia contra Odilon de tal, Dionísio e coronel José Pereira Lima.

Segundo o Juiz, não ficou comprovado que houvesse conveniência do coronel José Pereira, mesmo porque todas as testemunhas ouvidas garantiram ou desconheciam que existisse qualquer tipo de desentendimento entre os chefes políticos de Princesa e o de Triunfo. O máximo que se comprovou durante as oitivas foi que Luiz Leão, após ser indiciado em crimes praticados em Triunfo, Estado de Pernambuco, sob o pretexto de ser vítima de perseguições políticas, teria ido residir no lado paraibano da serra da Baixa Verde, em propriedade pertencente ao coronel José Pereira, na região do povoado de Patos, município de Princesa.

José Tavares de Araujo Neto, pesquisador , Pombal-PB 

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/09/as-turbulencias-politicas-em-triunfo-e.html

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Dr. ARSÊNIO MOREIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de setembro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.59?

Já falei sobre isso. Para marcar o início do Século XX, foi erguido um cruzeiro de madeira no topo do serrote do Cruzeiro, em Santana do Ipanema. Quinze anos após, como motivo de promessa, foi levantada uma capela em homenagem a Santa Terezinha, por trás do cruzeiro. O autor foi o sargento de polícia Antides Feitosa, casado com Dona Hermínia Rocha, florista da cidade. As intempéries destruíram o templo. Em torno dos anos 60, o deputado santanense Siloé Tavares, ergueu a segunda capela sobre as ruínas da primeira. No pé do serrote muita zabumba com banda de pífanos, feijoada e foguetório para animar trabalhadores e devotos que subiam o serrote, conduzindo material de construção. Com o tempo, a segunda capela ruiu e aproximadamente em 1990 ? abnegados santanenses construíram a terceira capela até com arquitetura estanha à nossa região. Continua de pé.

Uma foto antiga mostra alguns visitantes na igrejinha original, entre eles, um caçador e um homem de branco que parece indivíduo importante. Por acaso, descobri tratar-se do primeiro médico de fora a clinicar em Santana do Ipanema: Dr. Arsênio Moreira.  Não era mais aquele rapaz simpático do início da carreira, mas sim, um cidadão de meia idade, forte e completamente outro. Arsênio viera da Bahia convidado para servir às forças policiais em Mata Grande. Depois viera para o 7 Batalhão de Polícia de Alagoas chegado em Santana do Ipanema, em 1936. Passou a servir ao Batalhão e depois particularmente onde hoje é o casarão do museu da cidade. Foi ele quem examinou o veneno que Lampião conduzia. Isso após a chacina acontecida em Angicos, em 1938

Arsênio foi homenageado com seu nome no título do primeiro hospital de Santana. Sua enorme foto que ilustrava a parede de recepção da unidade, atualmente encontra-se no Museu Darras Noya, onde morou e clinicou. Com a fundação do novo hospital na Cajarana, o antigo ficou desativado e quase vira ruínas. Com isso perdeu-se a homenagem do homem que tanto fez por Santana do Ipanema e a todo o sertão de Alagoas. Era carismático, humano e competente, dizem todos os que precisaram dos seus serviços médicos. Mesmo assim, ainda tem pedaços de avenida com seu nome.

A foto abaixo, portanto, deve ter sido tirada em torno do final dos anos 50.


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MEMÓRIA DO CANGAÇO.....NO POVOADO SERROTA COM AS IRMÃS DO CANGACEIRO PASSARINHO...EM 1999

 Por João de Sousa Lima


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MEMÓRIA DO CANGAÇO....NO DIA QUE A ATRIZ VANJA ORICO CONHECEU OS CANGACEIROS MORENO, DURVINHA E ARISTEIA....

 Por João de Sousa Lima


https://www.facebook.com/photo?fbid=4521116684575781&set=a.414751525212338

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DEFENSORES NA SEDIÇÃO DE JUAZEIRO, 1914.

Acervo do Beto Rueda

Fonte:

OLIVEIRA, Xavier. beatos e cangaceiros. Rio de Janeiro: S.n., 1920.

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DICA DE LIVRO DO CANGAÇO.. ....VÍDEO

Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=t_5l-dVs5AI&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Lampião o último cangaceiro, de Joaquim Góis

Ângelo Osmiro Barreto, pesquisador e escritor das histórias do cangaço possui uma das maiores, senão a maior, biblioteca com o tema Cangaço, no Brasil.

Já foi presidente da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e hoje é presidente do GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará.


Toda sexta-feira, às 19:15h, fique com a Dica de Leitura do Prof. Ângelo Osmiro.

Mais um excelente vídeo com o selo e qualidade, Aderbal Nogueira e Angelo Osmiro Barreto..

 https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?multi_permalinks=2031743560323083&notif_id=1632523468911408&notif_t=group_activity&ref=notif

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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

LA VEM SABINO MAIS LAMPIÃO CHAPÉU DE COURO E FUZIL NA MÃO , FOTO EU MONTEI.

 Por Samuel Silva Biel

https://www.facebook.com/photo/?fbid=110640548040338&set=gm.1738415196367417

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