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segunda-feira, 4 de julho de 2022

SANGUE NO SERTÃO: OS HORRORES DO CANGACEIRO CORISCO, O DIABO LOURO

 Por André Nogueira

Líder após a morte de Lampião, o alagoano ficou conhecido pela brutalidade e pouca diplomacia.

Corisco, principal alcunha do cangaceiro alagoano Cristino Gomes da Silva Cleto, entrou para o banditismo após ser declarado de morte por um coronel de Água Branca, ao matar um de seus homens. O jovem alto, bonito e forte adentrou ao grupo do Capitão Virgulino Lampião. Rapidamente, por suas habilidades físicas (e pouco diplomáticas), ele ganhou a confiança do sanguinário e se tornou principal líder de subgrupo de bandoleiros.

Assim, Corisco ganhou autonomia como comandante de ações, tendo praticamente o próprio bando. Nesse tempo, cometeu diversos crimes violentos, pelos quais era famoso. Pelas poucas palavras, ações sangrentas e mechas douradas, ficou conhecido como o Diabo Louro.

Brutalidade

Uma das ações mais brutais de Corisco foi o estupro de Dadá, ação que levou a mulher a sofrer uma hemorragia muito séria, e quase resultou em seu óbito. Sequestrada, ela se casou com o cangaceiro e passou a viver junto a ele, se tornando uma das mais brutais mulheres do cangaço. Contam às histórias que Corisco aprendeu com Dadá a ser mais gentil e delicado e a relação de ódio e imperatividade entre os dois se tornou um caso de amor.

Corisco e Dadá, em imagem colorizada / Crédito: Rubens Antonio

Ao mesmo tempo em que arisco, o cangaceiro ensinou a esposa a usar armas, ler, escrever e contar, coisa que aprendera antes de entrar para o crime aos 17 anos. Porém, essas habilidades não impediam o líder do cangaço de ser um brutal e sanguinolento bandido.

Filhos 

Corisco e Dadá tiveram sete filhos, mas apenas três deles sobreviveram aos primeiros anos e foram enviados para as cidades, para que não crescessem nos bandos nômades do sertão. Devido a algumas alianças com coronéis, ele conseguiu uma boa vida para esses sobreviventes.

As abordagens de Corisco corriqueiramente apelavam para a ironia. Ao mesmo tempo em que posava de superior, ele tratava de maneira violenta, e às vezes até sádica, suas vítimas. Lidando dessa maneira com populações pobres, Corisco e Lampião marcaram uma virada no cangaço, que no século 19 não tinha como horizonte possível um trato forçoso e sangrento com as vitimas da exploração sertaneja.

Há relatos de abordagens de Corisco em que a violência é usada apenas como diversão, principalmente contra populações indefesas. Muitas vezes, o cangaceiro não fazia distinção entre um comboio milionário e um sertanejo pobre.

Bando de Lampião, por Benjamin Abraão / Crédito: Domínio Público

No entanto, o caso de violência mais famoso do Diabo Louro ocorreu após o assassinato do bando de Lampião pelas volantes em Angicos, 1938. Após uma emboscada enquanto os bandidos dormiam, os policiais degolaram onze cangaceiros, entre eles Virgulino e Maria Bonita. Como Corisco e Dadá estavam distantes, na Fazenda Emendada, eles sobreviveram. Tornando-se os novos reis do cangaço, partiram para a vingança.

Atrás dos traidores que entregaram a localização de Lampião à polícia, Corisco descobriu com Joça Bernardo o local da fazenda de um antigo aliado, José Ventura Domingos e, lá, matou e degolou o fazendeiro e sua esposa, crendo completar sua vingança. Depois, matou os filhos de José. Acontece que, na verdade, Corisco fora enganado: o verdadeiro traidor de Virgulino fora o próprio Joça Bernardo, que tapeou o Diabo Louro para fugir.

A informação rapidamente se disseminou, pois Corisco enviou as cabeças degoladas ao tenente João Bezerra.

Tentativa de redenção

Então, as autoridades volantes saíram em busca de Corisco. O governo Vargas aumentara a patrulha e a estratégia contra os cangaceiros, e cada vez mais os líderes erram derrubados. Num ataque, o Diabo foi baleado de uma maneira que sua mão direita ficou paralisada. A partir de então, Dadá se tornou a atiradora do grupo. Suas alianças rapidamente deixaram de existir: os coronéis não gostavam dele, que era muito bruto.

Corisco, por Benjamin Abraão / Crédito: Wikimedia Commons

Por dois anos, Corisco conseguiu fugir das autoridades dos estados e do Exército, sem angariar mais confidentes. Por esse motivo, em maio de 1940, ele dissolveu o bando e saiu sozinho com Dadá pelo sertão baiano, buscando refúgio. Cortou o cabelo, passou a se vestir como vaqueiro e deu início a um planejamento em que pretendia largar o banditismo e recomeçar a vida.

Todavia, antes que isso fosse possível, eles foram novamente abordados pelas volantes: mesmo querendo se entregar, aproveitando a lei de Vargas que anistiava cangaceiros desistentes, ele declarou não ver Zé Rufino, policial que o atacara em Barra do Mendes, como digno de sua captura. Resistindo, foi metralhado na barriga, tendo seus intestinos lançados para fora. Viveu por mais dez horas, morrendo naquele mesmo dia.

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CANGACEIRO CORISCO FICA ALEIJADO EM TIROTEIO NA QUEIMADA DO LUIZ.

Por No Rastro do Cangaço
https://www.youtube.com/watch?v=AZin9kIUO0E&ab_channel=NoRastroDoCanga%C3%A7o

O Cangaceiro Corisco, o “Diabo Louro”, cabra de confiança de Lampião, o Rei do Cangaço, juntamente com seu Bando e sua esposa, a Cangaceira Dadá, são encurralados pela Força Volante comandada pelo Sargento Antônio Recruta, do qual fazia parte o rapazinho João Torquato, que procurava vingar a morte do pai e do cunhado. João Torquato foi valente, e além de matar dois cangaceiros do grupo, ainda acertou um balaço no cangaceiro Corisco, que ficou com os braços inutilizados para o resto de sua vida.

Fonte: Relato baseado no livro Lampião a Raposa das Caatingas - José Bezerra Lima Irmão.

Relacionados: Sertão Nordestino, Lampião e Maria Bonita, Grota de Angico, Contos do cangaço no sertão, cangaço Lampiônico, Cangaceiros de Lampião, cabras de Lampião, História Nordestina, Literatura do Sertão Brasileiro, Crime de castração, história do eunuco, lampião a raposa das caatingas, o governador do sertão, lampião mata inocente, crimes de Lampião, lampião herói ou bandido, Volantes Policiais no cangaço, volante policial Nazarenos, Volante Zé Rufino, Volante Mané Neto, Padre Cícero, Rota do cangaço, cangaceiro Corisco, cangaceiro Moreno, Cangaceiro Zé Baiano, cangaceiro Gato, histórias e contos, filmes completos, canais de cangaço, A morte do cangaceiro Corisco.
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#NoRastroDoCangaço Vejam também:

https://youtu.be/caVfy_ZGplw https://youtu.be/4gtfGPPxnV4 https://youtu.be/7jWUGL3MZqo https://youtu.be/n66BehWFWto https://youtu.be/ej1LY1Wztms https://youtu.be/3wuCmkQyaII https://youtu.be/Y1kh7Js_lhA https://youtu.be/rl0RucODGec https://youtu.be/pmPvnN9JRL8 https://youtu.be/cPMXW02sFGs

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CASA DA COSTUREIRA DE LAMPIÃO EM SÃO CAETANO DO NAVIO, PERNAMBUCO.

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=8uQgtU7op1M&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Visitamos a casa da costureira de Lampião no distrito de São Caetano do Navio, Betânia/PE, e fizemos a filmagem para que vocês também possam conhecer esse local que foi frequentado por Lampião e seus comandados. Dessa casa saíram muitas das vestimentas que foram utilizadas pelos cangaceiros entre os anos de 1925 e 1928. Conheçam a história.

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LAMPIÃO NO RN, MEDO TERROR E SANGUE - PARTE X - COLCHETE E JARARACA

Por José de Paiva Rebouças


As trincheiras pareciam intransponíveis. Os cangaceiros nunca tinham encontrado tamanha resistência. Os três dias de arrastão pela região do alto e médio Oeste foram suficientes para que a cidade organizasse bem as trincheiras. Nem a desconfiança de previa tamanha força.

Este desenho é só para ilustração. Não existe foto do cangaceiro Colchete - https://arterocha.blogspot.com/2015/02/cangaceiro-02.html

Colchete, no entanto, não tinha intenção de desistir. Esgueirando-se pelas esquinas, usou a mureta da casa de Alfredo Fernandes como proteção e com paciência observou a posição dos atiradores. Num instante de delírio, correu desprotegido em busca dos fardos de algodão.

Alfredo Fernandes - http://aluisiodutra.blogspot.com/2017/09/a-historia-da-usina-de-alfredo.html

"Levava punhal à boca e rangia os dentes em atitude feroz, conta Sérgio Dantas. "Tiro certeiro partiu do palacete e atingiu em cheio seu rosto suado", completa.

Dr. Sérgio Dantas - http://lampiaoaceso.blogspot.com/2011/10/prazer-em-conhecer-lampiao-aceso.html

Colchete se estrebuchou antes de cair. Um segundo tiro lhe atingiu as costas quando ele já estava fora de combate. Ali mesmo ficou sem se mexer.

Cangaceiro Sabino Gomes - http://cariricangaco.blogspot.com/2014/06/o-ataque-de-sabino-gomes-porfrancisco.html

Diante do ocorrido, Sabino ordenou a retirada. Concluiu que seria impossível vencer a batalha. O Grupo saiu correndo e atirando contra as trincheiras para a própria cobertura.

Ainda embriagado, Jararaca não escutou a voz de comando. Aguardou escondido até não ouvir mais tiros. Se apoiou no mesmo muro usado por Colchete na tentativa pouco inteligente de apanhar os pertences do companheiro. Na trincheira, um atirador viu a movimentação e esperou o momento certo.

Mesmo ferido por um tiro, Jararaca ainda fugir. - https://casadeorixaejurema.wordpress.com/2020/04/20/a-historia-do-cangaceiro-jararaca/

"Disparo certeiro abateu Jararaca. Caiu desacordado por cima do corpo fétido de Colchete", narra Sérgio Dantas. Ficou assim um tempo, até redobrar a consciência. Ferida feia se abriu no peito. Tentou rastejar, mas logo percebeu que seus companheiros abandonavam a zona de guerra.

Durvalina e Moreno - https://www.hypeness.com.br/2021/09/cangaco-moreno-e-durvinha-e-a-historia-do-ultimo-casal-do-grupo-de-lampiao/

"Sabino, estou ferido! Moreno, socorro!

Me ajude, Sabino",  teria gritado Jararaca. Mas não adiantou. Os homens não voltariam para acudi-lo.

A casa do prefeito Rodolfo Fernandes (hoje Palácio da Resistência) rodeada com fardos de algodão e, ao lado esquerdo, a Capela de São Vicente. Essa foi a trincheira armada para defender a cidade contra a invasão do bando de Lampião.

Com esforço, levantou-se e tentou fugir no sentido do cemitério para onde estavam indo seus companheiros. Novo tiro vindo da trincheira de Rodolfo Fernandes acertou sua perna. Caiu outra vez.

Continuarei amanhã.

Fonte - Revista Brava Gente  do Jornal de fato.com

Páginas 30 e 31.

Mês Junho de 2022.

Digitado e Ilustrado por José Mendes Pereira - administrador deste blog.

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domingo, 3 de julho de 2022

TIROTEIO NA FAZENDA ALGODÃOZINHO

Por Aderbal Nogueira 

https://www.youtube.com/watch?v=SKCQCPhFBpo&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Quer ajudar nosso canal? Nossa chave Pix é o e-mail: narotadocangaco@gmail.com Alagadiço - Frei Paulo (SE) - Dezembro-2021 - Rio Salgado e o banho das cangaceiras - Local da morte de Neném - Arame farpado na Fazenda Algodãozinho Link desse vídeo: https://youtu.be/SKCQCPhFBpo

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COITO NA BEIRA DO VELHO CHICO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=zoWqKWVCKjo&t=196s&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

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A EMBOSCADA NA CAATINGA E ONDE NASCEU O PRIMEIRO FILHO DE LAMPIÃO E MARIA

Por Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=_OvcBfTMoq4&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCG8-... - A morte de Antônio Curvina - Espedito Seleiro - Local onde nasceu o primeiro filho de Lampião e Maria Link desse vídeo: https://youtu.be/_OvcBfTMoq4

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LIVRO DO ESCRITOR JOÃO DE SOUSA LIMA

 Por Volta Seca

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LIVRO DO ESCRITOR ARCHIMEDES MARQUES

A excelente obra pode ser adquirida diretamente com o autor, através do email: archimedes-marques@bol.com.br

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HÁ 118 ANOS É APEADO DO PODER EM CRATO, O CORONEL JOSÉ BELÉM DE FIGUEIREDO PELOS RIFLES DO SANTO ANDRÉ

 Por Valdir Nogueira

Coronel José Belém de Figueiredo

29 de junho de 1904, após 3 dias de tiroteios, o coronel José Belém de Figueiredo, chefe político do Crato e então vice-presidente do estado do Ceará, ligado a família Pereira do Pajeú, é deposto por tropas particulares comandadas pelo coronel Antônio Luiz Alves Pequeno. Tropa esta trazida do sertão do Pajeú, estado de Pernambuco para auxiliar o chefe político cearense. Em seguida a deposição do coronel José Belém de Figueiredo, o coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, é grimpado ao poder municipal naquela comuna, lógico, pelos rifles da fazenda Santo André, de propriedade do belmontense Antônio Clementino de Carvalho, o famoso Antônio Quelé, principal desafeto da família Pereira. 

Quelé possuía o maior plantel de jagunços ao norte do rio São Francisco, fornecendo braços armados para desempatas contendas em toda região. A fazenda Santo André, era uma das vigas mestras da disputa sangrenta entre os dois tradicionais clãs Carvalho e Pereira . Por sua vez, o coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, era primo do combativo MONSENHOR AFONSO ANTERO PEQUENO pároco de Belmonte e Vila Bela, no princípio do século passado, e envolvido também no conflito do Crato.

Valdir José Nogueira de Moura, Pesquisador e Escritor - Conselheiro Cariri Cangaço ; 02 de julho de 2022 São José de Belmonte PE

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"A BALA E A MITRA" - TERCEIRA EDIÇÃO LANÇADA EM GARANHUNS

  Por Junior Almeida


Foi lançado ontem, 2 de julho, no auditório do Seminário São José, aqui em Garanhuns, pela Editora Verbo Encarnado, de São Paulo, a terceira edição do livro A Bala e a Mitra, da jornalista recifense Ana Maria César. O evento foi especialmente escolhido para esta data, por coincidir com o 65º aniversário de morte do 5º Bispo de Garanhuns, Dom Expedito Lopes, assassinado pelo Padre Hosana Siqueira, único caso desse tipo no Brasil. O evento, prestigiado por um bom número de pessoas, começou ainda sem a presença da autora, que veio de Recife, e se atrasou por conta das chuva em todo trajeto, foi um pouco diferente de demais eventos literários, pois, teve antes do seu início, a reza do terço, comandada por membros da confraria Dom Expedito Lopes. 

A colunista Kitty Lopes foi a mestre de cerimônias do evento, tendo a mesa das autoridades composta por Ivonete Xavier, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns – IHGG -, Dom Paulo Jackson, Bispo Diocesano, do psiquiatra Bruno Lopes, presidente da Confraria Dom Expedito Lopes, além do seu irmão, Padre Thiago, que é postulador da causa de beatificação de Dom Expedito, em sua fase romana, e que escreveu um dos capítulos de A Bala e a Mitra.

Junior Almeida e Ana Maria César


Em sua fala, Ana Maria César disse como como se deu o início de sua pesquisa para o livro.  Ela, que é filha do juiz do caso, Amaro de Lyra e César, disse que em 1980, ainda residindo em Caruaru, encontrou o relatório do seu pai sobre o famoso crime, e que o documento foi o ponto de partida para o livro, que atualmente está na terceira edição. Depois, segundo ela, foi ao cartório em que estava arquivado o processo e tirou uma cópia do documento.A autora revelou que tempos depois o processo sumiu do cartório e, que existe hoje em dia apenas uma cópia deste documento histórico doada por ela ao Memorial de Justiça de Pernambuco, no bairro do Brum, em Recife.

Ana Maria, visivelmente emocionada, disse que se sentia agradecida a Deus por ser, segundo ela, um instrumento Dele para reparar a verdade histórica, pois, antes dela publicar sua obra, existiam várias versões equivocadas sobre o episódio, como por exemplo, a que “Padre Hosana tinha matado Dom Expedito por que o bispo estaria namorando com a sua mulher”. Ao final de suas palavras, Ana Maria César foi aplaudida calorosamente.Um momento de grande emoção do evento, foi quando a Irmã Justina, de 87 anos, uma das sete freiras da primeira turma da congregação fundada por Dom Expedito, falou. A religiosa do Instituto das Missionárias de Nossa Senhora de Fátima do Brasil estava com o Bispo no Hospital Dom Moura, segurando seu oxigênio enquanto ele estava ferido, e junto com outros religiosos, presenciou a sua morte.

Corpo de Dom Expedito

Irmã Justina, junto com Cândida, residem no Rio de Janeiro e, são as últimas religiosas vivas que estavam com o 5º Bispo de Garanhuns no momento de sua passagem. Apoiada em uma bengala, a religiosa contou que no hospital, vendo seu fim se aproximar, Dom Expedito fazia orações em latim, nas quais pedia o perdão para o Padre Hosana e, que um o médico que o assistia achou que ele delirava, passando, então, o Bispo a falar em português.Dom Paulo, ao falar, lembrou de alguns momentos da vida de seu antecessor. Destacou a humildade e a pobreza material de Dom Expedito, citando o caso em que seu pai, pedreiro de profissão, não foi à sua ordenação de padre por que não possuía um simples par de sapatos. Lembrou também que seu algoz, o destemperado Padre Hosana zombava dele, pois se dizia um fazendeiro, enquanto seu Bispo e superior não passava de um pobretão.

O atual Bispo de Garanhuns ainda relembrou algumas transgressões do Padre Hosana, como uma agressão ao próprio Dom Expedito, um ano antes de seu assassinato e, também do aborto da mulher Maria José, concubina do então padre de Quipapá, isso em 1953. Disse também que Padre Hosana queria a todo custo que Maria José abortasse novamente, no ano de 1955, tendo ela fugido para não cometer mais esse pecado.

Dom Paulo Jackson disse que em 24 de março de 1956, nasceu o filho de Padre Hosana e Maria José, bem longe de Pernambuco. O Bispo revelou ainda que Quitéria, a outra mulher de Hosana, teve um filho dele. Que um pintor de paredes, que trabalhou no “Palácio do Bispo” foi que lhe revelou que era neto de Quitéria e Padre Hosana, se dizendo filho do pecado.

Dom Paulo destacou que mesmo Dom Expedito sendo acusado injustamente de dar ouvidos à fofocas, de ter sido agredido pelo Padre Hosana em 1956, e no ano seguinte ser baleado, vindo a morrer por conta dos ferimentos, perdoou tudo; as pessoas que o caluniavam a até seu próprio algoz. O bispo finalizou dizendo que “vai fazer um decreto para que todos os padres da Diocese rezem para Dom Expedito, pedindo a sua beatificação.” Padre Thiago, como dito, postulador da causa de beatificação de Dom Expedito em Roma, disse não ter dúvidas de “que ele é santo”.

Depois das falas sobre o livro e o trágico episódio de julho de 1957, Ana Maria César autografou os exemplares da nova edição de A bala e a Mitra, obra, que ao lado de A Vida de Dom Expedito Lopes Bispo Mártir de Garanhuns, de Frei Fernando Francisco da Silva, são indispensáveis para a História de Garanhuns, bem como a História da Igreja. 

Junior Almeida, pesquisador e escritor - Conselheiro Cariri Cangaço 

Capoeira, PE 03 de julho de 2022

Fonte: Blog do Roberto Almeida

https://cariricangaco.blogspot.com/2022/07/a-bala-e-mitra-terceira-edicao-lancada.html

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VIÚVA, FILHA E NETAS DO EX-CANGACEIRO ASA BRANCA.

 Por José Mendes Pereira

Dona Francisca da Silva Tavares é a viúva de Antônio Luiz Tavares, o ex-cangaceiro Asa Branca, que fez parte do bando do capitão Lampião. Quando o famoso capitão Lampião visitou Mossoró, no ano de 1927, o Asa Branca também veio em companhia do bando de cangaceiros.

https://www.youtube.com/watch?v=0tOMuCKWWa8&ab_channel=NaRotaDoCanga%C3%A7o

Fui um dos seus vizinhos no bairro Bom Jardim, mas eu nunca tive nenhum contato no que diz respeito à conversas, porque, eu o conhecia apenas de vista e chapéu, e, naquele tempo, muitas pessoas não gostavam de falar com indivíduos que foram assassinos.  Mas o Asa Branca não aparentava homem bravo, e o seu jeito de ser, não demonstrava pessoa que antes, tivera uma vida errada. 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2015/12/por-que-o-cangaceiro-asa-branca-faz.html

Sobre a sua esposa, Francisca da Silva Tavares, sou seu amigo, inclusive da família, e vez por outra, eu as visito na sua residência, uma pequena prole e uma mãe muito simpática, e que recebe todos que a procuram, com um sorriso no rosto.

Ela é a segunda esposa do cangaceiro e está com 85 anos de idade. Sempre vive assim, com jeito de quem é muito feliz.

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LAMPIÃO NA PARAÍBA - NOTAS PARA A HISTÓRIA

 

O livro ‘LAMPIÃO NA PARAÍBA – NOTAS PARA A HISTÓRIA’ não foi concebido com a intenção de se tornar uma obra revolucionária. O objetivo do autor foi apenas elaborar um registro perene e confiável sobre a atuação do célebre cangaceiro em terras paraibanas. Com 363 páginas e cerca de 90 fotografias de personagens envolvidas na trama - e lugares onde os episódios ocorreram -, o trabalho certamente será de grande utilidade aos estudiosos de hoje e de amanhã.

Dividido em 19 capítulos, com amplas referências e notas explicativas, tenta-se recontar, entre outros, os seguintes episódios:

“A invasão a Jericó; fazendas Dois Riachos e Curralinho; o fogo da fazenda Tabuleiro; os primeiros ferimentos sofridos por Lampião; as lutas com Clementino Furtado, o ‘Quelé’; combate em Lagoa do Vieira; Sousa: histórico do assalto e breve discussão sobre as possíveis razões políticas para a invasão da cidade; a expulsão dos cangaceiros do município de Princesa; combates em Pau Ferrado, Areias de Pelo Sinal, Cachoeira de Minas e Tataíra; o cangaceiro Meia Noite; Os ataques às fazendas do coronel José Pereira Lima; morte de Luiz Leão e seus comparsas em Piancó; confronto em Serrote Preto; Suassuna e Costa Rego; a criação do segundo batalhão de polícia; Tenório e a morte de Levino Ferreira; ataque a Santa Inês; combates nos sítios Gavião e São Bento; chacina nos sítios Caboré e Alagoa do Serrote; Lagoa do Cruz; assassinatos de João Cirino Nunes e Aristides Ramalho; Mortes no sítio Cipó; fuga de paraibanos da fronteira para o Ceará; confronto em Barreiros; invasão ao povoado Monte Horebe; combates em Conceição; sequestro do coronel Zuza Lacerda; o assalto de Sabino a Triunfo(PE) e Cajazeiras (PB); mortes dos soldados contratados Raimundo e Chiquito em Princesa; Luiz do Triângulo; ataques a Belém do Rio do Peixe e Barra do Juá; Pilões, Canto do Feijão e os assassinatos de Raimundo Luiz e Eliziário; sítios Vaquejador e Caiçara; Quelé e João Costa no Rio Grande do Norte; combates com a polícia da Paraíba em solo cearense; o caso Chico Pereira sob uma nova ótica; Virgínio Fortunato na Paraíba: São Sebastião do Umbuzeiro e sítios Balança, Angico e Riacho Fundo; sítio Rejeitado: as nuances sobre a morte do cangaceiro Virgínio”.

A obra certamente não abrangerá o relato de todas as façanhas protagonizadas pelo célebre cangaceiro no estado da Paraíba. Muito se perdeu com o passar dos anos. Os historiadores de ontem, em sua maioria, não tiveram grande interesse em dissecar os episódios por ele protagonizados no território do estado.

A presente obra busca resgatar o que não se dissipou totalmente na bruma do tempo.

LAMPIÃO NA PARAÍBA – NOTAS PARA A HISTÓRIA, Polyprint, 2018, 363 pgs. Disponível em outubro de 2018.

Sobre o autor: Sérgio Augusto de Souza Dantas é magistrado em Natal. Publicou os livros Lampião e o Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada (2005), Antônio Silvino – O Cangaceiro, O Homem, O Mito (2006), Lampião Entre a Espada e a Lei (2008) e Corisco – A Sombra de Lampião (2015).

https://www.facebook.com/OCangacoNaLiteratura/photos/o-livro-lampi%C3%A3o-na-para%C3%ADba-notas-para-a-hist%C3%B3ria-n%C3%A3o-foi-concebido-com-a-inten%C3%A7%C3%A3/1142160999268382/

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LAMPIÃO NO RN, MEDO TERROR E SANGUE - PARTE IX - A HORA FATAL: INVASÃO E RESISTÊNCIA

 Por José de Paiva Rebouças


O dentista Antônio Brasil foi o primeiro a avistar os cangaceiros com seu binóculo, desde uma das torres da igreja de Santa Luzia. De lá, deu alarme aos que estavam entrincheirados na agência do telégrafo. 

Catedral de Santa Luzia em Mossoró - http://www.diocesedemossoro.com/2012/07/catedral-de-santa-luzia-recebe-as-cores.html

Padre Mota correu para a praça da matriz de Santa Luzia e mandou badalar os sinos, sendo seguido pelas outras igrejas.

Padre Mota - http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2017/01/padre-mota.html

Quando o barulho cessou, a cidade silenciou aguardando o primeiro ataque. "Homens a postos retinham a respiração. Olhos grudados nas armas à espera dos milicianos do temível cangaceiro", conta Sérgio Dantas.

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Sérgio Dantas com Antônia à esquerda que foi a primeira companheira do cangaceiro Gato (Santílio Barros).http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2016/01/investigadores-da-historia-cangaceira.html

Por volta das quatro da tarde, começou a cair uma neblina seguida de um vento frio. Os cangaceiro esgueiravam-se  entre as primeiras casas da cidade e desciam pelo Córrego do Barbosa com bastante discrição.

Igreja de São Vicente de Paulo - https://pt.foursquare.com/v/igreja-de-s%C3%A3o-vicente/4ccca569c9b846884050bec3?openPhotoId=5027a3b9e4b04e431c400dd6

Logo chegaram à linha férrea e à parte posterior da capela de São Vicente, próximo às trincheiras principais. Diferente de hoje, o lugar tinha pouquíssimas residências. Ali, o primeiro grupo se dividiu em dois, sendo uma parte comandada por Sabino e a outra por Massilon. Pouco atrás vinha Lampião com a segunda coluna.

Massilon, Lampião e Sabino - https://blogcarlossantos.com.br/o-julgamento-de-jararaca/

No meio do caminho, entre a linha férrea e a casa do coronel Rodolfo, erguia-se imponente a resistência de Joaquim Perdigão, genro do intendente. Arrombaram a casa para saqueá-la e usá-la de trincheira enquanto estudavam a área.

Massilon seguiu na esperança de surpreender a casa de Rodolfo, onde hoje é a Prefeitura de Mossoró, entrando pelos fundos. Lampião marchou em direção ao cemitério.

Cemitério São Sebastião de Mossoró - https://blogcarlossantos.com.br/o-cemiterio-de-sao-sebastiao-em-mossoro/

Bem próximo da capela de São Vicente, Sabino saiu na rua para ver melhor a trincheira. Com a farda da Guarda Nacional, foi confundido por alguns instantes com um militar. Mas logo alguém descobriu.

Tiros partiram de todos os flancos. Ágil, o cangaceiro saltava de um lado para o outro sem ser atingido. Com pouco, uma bala perfurou seu chapéu e outra arrancou a perneira. Então ele recuou. 

Os homens do seu bando, presos entre as trincheiras da capela de São Vicente e a casa de Rodolfo, ficaram em desvantagem e tiveram de esperar o fogo cessar. Massilon, um pouco mais atrás, chegou pelos fundos da casa do intendente. Tentou arrombar a porta da garagem, mas o piquete reagiu.

A trincheira de Rodolfo Fernandes era a mais guardada.

Tiros acertaram a parede e a porta de madeira. Estilhaços atingiram um cangaceiro. Nas proximidades da estrada de ferro, os homens de Lampião estavam em desvantagem. A dificuldade de chegar às trincheira os obrigou a recuar do fogo e buscaram abrigo nos jazigos do cemitério.

Continuarei amanhã.

Fonte - Revista Brava Gente  do Jornal de fato.com

Páginas 28 e 29

Mês Junho de 2022.

Digitado e Ilustrado por José Mendes Pereira - administrador deste blog.

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