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segunda-feira, 1 de abril de 2019

CINCO INSCRIÇÕES DA MORTALIDADE


Por Manoel Severo

A vida é a arte do encontro. É sempre um privilégio encontrar, viver e encantar-se com as "cinco inscrições da mortalidade", o espetacular encontro entre a mais jovem e talentosa manifestação da poesia cearense. Alan Mendonça, Bruno Paulino, Dércio Braúna, Maílson Furtado e Renato Pessoa, são dessas almas nobres que nos permitem viajar para dentro de nossos corações, sempre.

Cinco Inscrições da Mortalidade em noite na UECE...
Bruno Paulino, Alan Mendonça, Renato Pessoa e Dércio Braúna
Na noite da última sexta-feira, 29 de março, o GPLEER – UECE realizou no Auditório do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará mais um encontro com a criação literária contemporânea como também o lançamento do livro "Cinco inscrições da mortalidade" seguido de bate-papo com os autores Alan Mendonça, Bruno Paulino, Dércio Braúna e Renato Pessoa, infelizmente Maílson Furtado não pôde comparecer. Por cerca de tres horas foi possível mergulhar na obra que já configura-se como uma das mais festejadas do ano; conhecer o estilo inconfundível de cada um dos poetas, suas influências, seus conflitos, dores e amores, enfim uma noite espetacular.

Renato Pessoa e Manoel Severo
Alan Mendonça, Dércio Braúna, Ingrid Rebouças, Renato Pessoa, 
Bruno Paulino e Lilian Martins
Manoel Severo e Alan Mendonça
A celebração... 
"Certa vez disseram que "um poema é como um rio ,que sempre que atravessa nosso caminho, nunca é lido e sentido da mesma maneira". Agora imagine um livro que reúne poemas de cinco autores diferentes! O resultado é "Cinco Inscrições da Mortalidade", uma obra plural que reúne não só poemas que me atravessam como também amigos que me acompanham por essa vida besta! Que felicidade a minha de aprender com os aperreios em verso e resistência do poeta-filósofo Renato Pessoa , de voar alto com o apaixonado poeta-passarinho Bruno Paulino , de debulhar silêncios e melodias com o poeta-músico Alan Mendonça , de ser verbo encarnado com a poesia carne-palavra-viva de Dércio Braúna e viver n'algum entre-lugar de poeira e poesia de Maílson Furtado Viana ! Eu me divirto e aprendo muito com todos vocês! Espia aí quantos escritores queridos numa só foto! Poesia pra vida ser mais bonita e a gente suportar a solidão dessas capitais!" emociona Lilian Martins.
o
Debruçado sobre o livro, dedilhando suas páginas e palavras, transportando nossa emoção para encontrar a emoção contida na poesia dos Mestres é na verdade um grande presente. A cada encontro, a cada diálogo, a cada momento de "cinco inscrições da mortalidade" chegamos a conclusão do tamanho do presente que é o dom da vida. Descendo dos palcos e das bancadas vamos encontrar cinco maravilhosos meninos, meninos poetas, meninos iguais a cada um de nós, isso é o mais incrível... Alan, Bruno, Dércio, Mailson e Renato, a  vocês o nosso beijo de eterna gratidão.
Manoel Severo, UECE 29 de março de 2019
Fotos de Ingrid Rebouças



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MANOEL SEVERO TOMA POSSE COMO UM DOS MAIS NOVOS IMORTAIS DA ACLA

Marciano Girão e Manoel Severo

Foi uma tarde noite pra lá de especial. O dia 30 de março de 2019, nos salões lotados da primeira academia de letras do Brasil; fundada antes mesmos da Academia Brasileira de Letras; no Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras tomava posse a nova diretoria da ACLA - Academia de Ciência, Letras e Artes de Columinjuba, que tem como patrono o "Príncipe dos Historiadores do Brasil" o mais que ilustre e festejado Capistrano de Abreu.

Paulo Roberto Neves, novo presidente da ACLA preside a solenidade de Posse
Manoel Severo é empossado e recebe seu Título das mãos do empresário Marciano Girão

Na oportunidade da posse da nova diretoria que tem como Presidente o empresário e intelectual Paulo Roberto Neves, tomou posse como membro efetivo do sodalício da terra de Capistrano de Abreu o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Gurgel Barbosa na Cadeira Número 7 - Letras, que tem como patrono "Luiz de Abreu". A solenidade que lotou o Palácio da Luz, levou aos Salões da Academia Cearense de Letras representantes dos mais significativos segmentos das letras, cultura e artes, como também do meio político e empresarial cearense. 

"Nosso sentimento navega entre a vaidade; à qual me entrego de forma desvairada; pois compreendo humildemente o imerecimento de tão grande honra e a grande e entusiasmada responsabilidade  de integrar os quadros de sodalício tão importante e de tanto relevo para o desenvolvimento das ciências,letras e artes do Ceará. Da augusta terra de Capistrano de Abreu estaremos nos dedicando com o que temos de melhor no cumprimento de nossas novas missões" revela o mais novo imortal da ACLA, Manoel Severo. "Foi um dia especial e inesquecível, fazer parte de mais uma conquista do meu amor, sendo empossado como membro da ACLA - Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba. Acompanhei toda sua emoção e felicidade em se tornar "Imortal" a partir da cidade que ama." complementa Ingrid Rebouças.

 Manoel Severo, Ingrid Rebouças, Luana Lira e Pedro Barbosa
 Brener Cavalcante, Manoel Severo, Ministro Ubiratan Aguiar
Ingrid Rebouças, Marciano Girão e Eveline Correia

A ACLA - Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba foi criada em 21 de junho de 1992, no Sítio Columinjuba, na cidade de Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza. A data de sua inauguração homenageia o nascimento de Antonio de Abreu, primeiro dentre os Patronos a ter um livro publicado. Seu primeiro presidente foi o intelectual Américo de Abreu, escolhido por suas virtudes, raras qualidades e reconhecido saber cultural. Por ocasião de criação deu-se a solenidade de posse da primeira Diretoria Executiva e do seu Conselho Fiscal, além da posse dos primeiros Membros Titulares da ACLA, assim, plantada a semente de um sodalício em um aprazível local, berço de figuras exponenciais cujas principais virtudes sempre foram a honra, a disposição para o trabalho e, principalmente, o sentimento de fraternidade.

Governador Gonzaga Mota ao lado do jornalista Paulo Tadeu 
Luana Lira, Ministro Ubiratan Aguiar e Pedro Barbosa
Manoel Severo e Brener Cavalcante

A ACLA tem como seu Presidente de Honra , João Capistrano Honório de Abreu; o Príncipe dos Historiadores Brasileiros;  que nasceu neste mesmo sítio Colominjuba, sede da ACLA, na  cidade de Maranguape no Ceará em 23 de outubro de 1853. Capistrano de Abreu realizou seus primeiros estudos em rápidas passagens por várias escolas para em 1869, viajar para Recife, onde cursou humanidades e retornando ao Ceará dois anos depois fundou a Academia Francesa, órgão de cultura e debates, progressista e anticlerical, que durou de 1872 a 1875. Mudando para o Rio de Janeiro foi aprovado em concurso público para a Biblioteca Nacional. Em 1879, foi nomeado oficial desta mesma Biblioteca, lecionou Corografia e História do Brasil no Colégio Pedro II e foi nomeado por concurso em que apresentou tese sobre O descobrimento do Brasil e o seu desenvolvimento no século XVI.

Capistrano de Abreu, Príncipe dos Historiadores do Brasil, Presidente de Honra da ACLA
Dedicou-se ao estudo da história colonial brasileira, elaborando uma teoria da literatura nacional, tendo por base os conceitos de clima, terra e raça, que reproduzia os clichês típicos do colonialismo europeu acerca dos trópicos, invertendo, todavia, o mito pré-romântico do «bom selvagem». Morreu no Rio de Janeiro, aos 73 anos, em 13 de agosto . 


Ezequias Meneses, Afrânio Gomes e Manoel Severo
Manoel Severo, Paulo Victor e Pedro Barbosa 
Malvinier Macedo, Manoel Severo e Rosa Firmo 
Manoel Severo e Alberto George
Ingrid Rebouças e Arlindo Barreto

Capistrano de Abreu mudou o cenário da historiografia brasileira, no final do século XIX e começo do século XX. Ele é considerado um dos primeiros grandes historiadores do Brasil e o responsável pela entrada do nosso país no mundo da historiografia moderna. Uma de suas grandes obras foi o livro Capítulos da História Colonial (1500 – 1800), que foi publicado em 1907 atuou também nas áreas de Etnografia (método antropológico de coleta de dados) e Linguística (estudo científico da linguagem) , hoje, as obras do historiador são vistas como grandes fontes de fatos e informações, que fizeram parte da História brasileira.

Posse da ACLA - Palácio de Luz,
Academia Cearense de Letras
Fortaleza, Ceará
30 de Março de 2019


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CORONEL GUSTAVO AUGUSTO LIMA

Por Jorge Emicles
Gustavo Augusto Lima, é nascido em 23 de agosto de 1861 no seio de uma das mais importantes famílias do Cariri. Filho, neto e bisneto de coronéis, teve desde a mais tenra idade convivência com a cultura do poder e as relações entre os latifundiários e seus cabras e escravos. Não se conhecem relatos nesse sentido, mas é quase certo que na sua infância de menino de engenho nos campos do sítio Tatu, símbolo dos domínios de sua mãe, teve muitas oportunidades de brincar no lombo dos escravos e subjugar os cabras da propriedade, numa relação que embora não o sendo de fato, era bem próxima à servidão medieval. Uma das características mais marcantes da educação que recebeu de sua mãe, dona Fideralina Augusto Lima, foi o esmero pela instrução formal. Dizia a matriarca do clã dos Augustos que a próxima geração exerceria o poder a partir da força da caneta, não do bacamarte, como era na sua própria época, de sorte a que teve especial zelo com a educação dos seus filhos e netos (COUTO, 2018).

Não era o primogênito de dona Fideralina, mas o seu quinto rebento. De início não foi preparado para assumir a chefia do clã, lugar antes destacado para seu irmão mais velho, Honório, contra quem haveria de protagonizar um dos mais peculiares episódios do coronelismo caririense. Mesmo assim, foi enviado para estudar no tradicional Colégio do Padre Inácio de Souza Rolim, em Cajazeiras, onde também estudaram José Marrocos e o próprio padre Cícero Romão Batista.Mas a sua vocação era para a política, o que bem cedo o levou ao protagonismo de famosa rixa com seu irmão mais velho.

Fazenda Tatu, feudo dos Augustos 

Antes mesmo de tomar as rédeas do poder em Lavras da Mangabeira, exerceu vários cargos de honor, naturalmente sempre através das firmes mãos de sua matriarca. Antes de 1907 já havia exercido o cargo de coletor das rendas provinciais, membro do Conselho da Intendência Municipal e já ostentava a patente de coronel da Primeira Companhia do Batalhão da Guarda Municipal. Foi em 26 de novembro de 1907 (MACEDO, 2017) que se deu o episódio, de longe, mais marcante de sua vida, que iria definir seu destino no mandonismo local, mas também na sua própria desgraça. Também é evento profundamente marcante na vida de dona Fideralina, cujas consequências retumbaram até a hora de sua morte. Pode-se dizer também que o passamento mesmo do coronel Gustavo, quase vinte anos depois, foi inevitável desdobramento desse terrível episódio de relevância política, sem dúvidas, mas sobremaneira marcante para todo o clã dos Augustos.

Era tão poderoso o mandonismo exercido pela tradição da família, que somente outro membro dela poderia desafiar as ordens da matrona. Ou pelo menos tentar. Foi exatamente o que fez o filho Honório Correia Lima, cuja descendência desboca no atual prefeito da capital Alencarina, Roberto Cláudio. Foi Honório o primeiro a dissentir da orientação política da mãe e por esforços próprios chegou a galgar a posição de líder do Partido Governista em Lavras. Dona Fideralina, contudo, não admitia que ninguém brilhasse mais que ela mesma, o que a levou a tomar sérias providências. Após firme recusa do filho em ceder o lugar conquistado, resolveu toma-lo pelas armas. Valendo-se de seus destemidos cabras e sob a liderança de Gustavo, fez apear do poder não somente do partido, como da própria Intendência Honório. Foi o momento áureo da ascensão definitiva de Gustavo ao poder local, posto que foi no lugar do irmão. Uma das histórias mais replicadas da velha Fideralina remonta exatamente a essa ocasião quando, ainda no alpendre do sítio Tatu, dirigiu aos cabras liderados por Gustavo a sentença de que “aquele que derramasse o sangue de Torto morreria” (MACEDO, 2017). Torto era o epíteto de Honório.Dali em diante a família nunca mais se reunificaria, replicando aquela rusga original em vários outros episódios, que ao termo conduziram à própria morte de Gustavo.

Dona Fideralina Augusto Lima

Tanto Honório quanto seu irmão Gustavo eram casados com duas primas legítimas, ambas filhas de uma irmã de Fideralina, Dulcéria Augusto de Oliveira, conhecia por Pombinha. Naquele episódio, Pombinha tomou as dores de Honório, tendo se arregimentado a ele na indignação pela desfeita de Fideralina. Daí nasce a inimizade e oposição perpétua levada a cabo pelas irmãs até o final de suas vidas. Consta que já no leito de morte, Fideralina chamou a irmã para proceder às pazes, ao que Pombinha retrucou que não iria, que se fosse para perdoar, faria isso à distância mesmo (MACEDO, 2017). Uma vez que Honório se retirou para Fortaleza (jamais tendo retornado a Lavras), a liderança da oposição coube a Pombinha.

Outra cena folclórica, também decorrente desse episódio, se deu quando, a partir da queda da oligarquia de Nogueira Accioly, começaram a ser nomeados os novos Intend entes municipais adversários dos coronéis. A indicação para a Intendência de Lavras teve o patrocínio de Pombinha (tendo recaído na pessoa de seu genro, conhecido por Zé Burrego), que em cumprimento a promessa atravessou todo o largo da Matriz da cidade de joelhos, indo assim até o altar, em louvor pela graça alcançada, que era a aparente derrocada política e sua irmã (MACEDO, 1990). Mas aquele foi apenas um hiato passageiro do poderio absoluto de dona Fideralina, seu filho Gustavo e a horda de cabras que lhes garantia o mandonismo.

Nogueira Accioli

No Cariri cearense, o fenômeno do coronelismo teve cores bem marcantes e violentas. Enquanto no âmbito nacional vigia a Velha República, no plano estadual foi o tempo do reinado despótico de Nogueira Accioly, que ganhou nas armas e nos cabras dos coronéis locais uma de suas forças mais consideráveis. Embora as fraudes eleitorais garantissem a vitória da situação em todo os pleitos, o poder nesse rincão era tomado a bala. A lei e a ordem prometidos pela autoridade maior da oligarquia Accioly de quase nada valiam. Para ascender ou se manter no poder era imprescindível o fogo do bacamarte e a força dos cabras, arregimentados entre os trabalhadores braçais dos coronéis ou alugados quando era necessário fortalecer o regimento.

Nesse período, houve alteração no mando dos coronéis em quase todas as cidades caririenses. Sempre arregimentados pelo poder da bala, os inimigos simplesmente cercavam, dominavam o opositor e o depunham. Não houve um único caso de reação por parte do poder do Estado. A postura do comendador Nogueira Accioly sempre foi a de consagrar na Intendência municipal o coronel vencedor do embate (MACEDO, 1990). Assim caiu o coronel Belém, em Crato, Neco Ribeiro em Barbalha e Antonio Roseo em Missão Velha. Um dos episódios mais marcados pela violência foi a chamada questão de 8 (porque ocorrido no ano de 1908), em Aurora, que antes da deposição do poder local do coronel Totonho Leite, deu azo à terrível chacina do Taveira, uma emboscada a mando do coronel Totonho e com a participação de homens do governo do Estado, que resistida, levou ao poder outra famosa matrona caririense, dona Marica Macedo, ou Marica do Tipi (MACEDO, 1990).

Esse derradeiro episódio teve reflexos indiretos no acontecimento de 1910 em Lavras da Mangabeira, onde no curso da sequência de levantes do poder local, também tentaram apear do poder o coronel Gustavo Augusto. O acontecido teve vez em oito de abril de 1910, quando aproximadamente cento e cinquenta cabras, liderados por Quinco Vasques (Joaquim Vasques Landim), proveniente da serra de São Pedro (hoje Caririaçu), tomou as ruas de Lavras e apeio fogo de bacamarte contra a residência do coronel Gustavo Augusto Lima, que avisado com antecedência do ataque, havia arregimentado seu pessoal, o que possibilitou que resistisse com sucesso. Esgotada a munição do agressor, forçado foi a bater em retirada. CALIXTO JÚNIOR (2017) em obra específica sobre esse acontecimento não consegue identificar as razões precisas que teria Quinco Vasques para entregar-se a tão perigosa empreitada. Aduz, contudo, que “foi atribuída pelo Pe. Alencar Peixoto a responsabilidade do ataque a Lavras (...) aos mandões do Crato” (CALIXTO JÚNIOR, 2017, p. 55). Também em outra passagem do mesmo trabalho, conclui ter havido algum tipo de atrito entre Gustavo e Vasques desconhecido, contudo, das fontes históricas.

Quinco Vasques

Do inquérito que foi instaurado para apurar tal ocorrido, o próprio Quinco Vasques confessa que ao cabo de sua missão deveria entregar a intendência a José Augusto de Oliveira, o Zé Burrego, por sua vez filho de Pombinha e cunhado do coronel Gustavo. Também, antes de invadir a vila de Lavras, Vasques pernoitou na propriedade do major Eusébio Tomás de Aquino, primo de Gustavo. Já na urbe, invadiram a casa do irmão de Gustavo, coronel Francisco Augusto Correia Lima. Apesar do parentesco com a vítima do ataque, ambas as personagens eram seus inimigos políticos, partidários da dissidente Pombinha (MACEDO, 1990).
Por sua vez, há evidências de que os derrotados de oito, em Aurora, intentavam fortalecer sua posição através da nova Intendência de Lavras, o que facilitaria a retomada de seu poder em Aurora. Conforme vaticina MACEDO (1990, p. 122), é preciso se considerar “as profundas vinculações de parentesco e amizade de José Augusto de Oliveira, ou seja, José Borrego, e José Leite de Oliveira com os Leites e Gonçalves de Aurora, os quais (...) haviam sido escorraçados, com seu chefe, o coronel Antônio Leite Teixeira, vulgo, Totonho Leite”.

Portanto, o ataque era claramente uma tentativa de substituir o poder de um coronel por outro, dessa feita com peculiaridade de serem os pretensos depositor e deposto membros da mesma família. Claro revide à deposição anos antes do coronel Honório. Só que dessa vez, foi vencedora a resistência, no único episódio no Cariri de manutenção do mesmo potentado após os ataques dos inimigos.

Logo no ano seguinte viria a ter fim a prática da deposição à bala. Não pela autoridade do oligarca Accioly, que seguia como sempre pusilanimemente referendando o vencedor pelas armas, alegando o fato consumado, mas pela arte nada menos que de padre Cícero, que valendo-se da autoridade e respeito que possuía sobre todos os contendores, arquitetou o famoso Pacto dos Coronéis, documento firmado em Juazeiro, sob a presidência do padre, que estabelecia o armistício e a instituição de procedimentos pacíficos de solução de futuros conflitos.E desde então não houve mais refregas desse tipo no Cariri.Os tiros de bacamarte, contudo, ainda não silenciaram, porque com a queda da oligarquia Accioly, veio a desgraça política de todos os coronéis locais, que humilhados viram a substituição de seus Intendentes por pessoas da confiança do novo Presidente do Estado, Franco Rabelo.Era preciso derrubá-lo, pois. E a tempestade perfeita se apresentou quando o Presidente do Estado se recusou a apoiar a candidatura do todo poderoso Pinheiro Machado à Presidência da República.

Pesquisador e escritor Jorge Emicles
ICC-Instituto Cultural do Cariri
Parte de 2 de Artigo de Jorge Emicles

E vem ai
Cariri Cangaço 10 Anos
Crato-Juazeiro do Norte-Barro
Missão Velha-Lavras da Mangabeira


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CHICO DOS ROMANCES



Eu Francisco Peres de Souza (Chico dos Romances), nasci no dia 1º de Abril de 1939 e ainda estou positivo, consciente de tudo que faço, agradeço a Deus primeiramente, e a todos os amigos que gostam do Chico dos Romances.


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PROBLEMAS

Mais tarde tentarei publicar algo.

domingo, 31 de março de 2019

“O SUPLÍCIO DO CANGACEIRO BALIZA”


Em dias quentes, quando o ‘Astro Rei’, sem dó nem piedade, calcina as terras sertanejas, os animais e aves da caatinga procuram refugiarem-se do abrasador calor, popularmente conhecido como ‘maiá’, nos mais diversos lugares possíveis.

O cangaceiro conhecido pela alcunha de “Baliza”, que na verdade tratava-se de Venceslau Xavier, junto com sua companheira Antônia Maria, em princípios de 1933, estão a aninharem-se na beira de um barreiro, mais ou menos ao meio dia, do dia 19 de março do ano que corria. Ali, juntinhos e abraçados estão, no silêncio da mata, pois tudo que tem vida, respeita a força do poder do clima no Sertão. 

A ‘coisa’ estava pegando fogo igual ao calor do sol do meio dia, tão boa e gostosa que, mesmo naquele total silêncio, não notaram a aproximação da volante que os cercavam.

Tratava-se da volante comandada pelo cabo Justiniano. Os soldados volantes os cercam e dão ordem de prisão. Após serem amarrados, o casal de cangaceiros é levado para um povoado próximo. 

Ficando preso naquela localidade, servindo de atração para aqueles de maior curiosidade em conhecer um cangaceiro de perto, como que fossem ‘coisa de outro mundo’. Esquecia que eram gente igual a todos, menos seus atos, isso, os fazia diferentes.

Depois de vários dias detidos naquele pequeno povoado, vem a ordem para que o cabo escolte o prisioneiro para a cidade de Santo Antônio da Glória. O cabo manda que entre em forma seu pequeno contingente e seguem, em cortejo, com o prisioneiro entre duas fileiras humanas, rumo à localidade designada. 

Havia naquela região um comandante de volante, Ladislau Reis, que tinha sua fama propagada por toda ribeira. As atrocidades comandadas pelo tenente foram tantas que, mesmo diante de tão horrendas histórias, o sertanejo, sem nunca perder a inspiração, dão-lhe o apelido de “Tenente Santinho”. Quando algum lavrador escutava que o ‘tenente Santinho’ estava pela redondeza, seu coração disparava, seu corpo, involuntariamente, reagia como que o repugnando, e seus pelos, todos, arrepiavam-se, descendo uma corrente elétrica do ‘talo’ do pescoço ao osso do ‘mucumbu’. 

O dito comandante era mais perverso do que Lampião e Corisco, juntos. Gato, Zé Baiano e Sabino foram ‘fichinhas’ diante da ‘dureza’ do tenente.

Seguindo pelas estradas tortuosas do longo caminho, o cabo, seus homens e o prisioneiro, a certa altura, encontra-se com uma volante que estava de passagem por aquela várzea... E era, justamente, a volante comandada pelo “Tenente Santinho”.

Tendo a patente superior a do cabo, o tenente ordena que seja lhe entregue a guarda do prisioneiro. O cabo, tremendo mais que vara verde, apressadamente entrega o prisioneiro ao superior. Ladislau diz que levará o mesmo para a cidade designada pela ordem escrita e que o cabo poderia retornar para sua cidade com seus comandados.

Depois de assumir a custódia do prisioneiro, o tenente Santinho imediatamente ‘ordena’ a seus homens que comessem a dar um ‘trato’ no cabra Baliza. 

A seção de tortura inicia-se ali mesmo. O ‘cacete come solto’ de tal forma, que em pouco tempo, em vez de ver-se um rosto, via-se um acúmulo de sangue e edemas os quais desfiguraram totalmente a cara do prisioneiro. 

Por horas, os soldados da volante aplicam inimagináveis atos torturantes naquele corpo, que mais parecia uma peneira de tantas perfurações de pontas de punhais e facas peixeiras. E segue aquela sessão horrível aplicada ao corpo de Venceslau Xavier. 

Em determinado momento, os soldados do tenente Santinho, acatando suas ordens, o amarram em uma árvore. O laço da corda de fibras de agave, sisal, e colocado na altura dos tornozelos do cangaceiro. Arrastam-no como se arrasta um tronco de madeira e amarram-no de cabeça para baixo num galho de uma árvore próxima.

Após está dependurado, é colocado pedaços de madeira bem perto da sua cabeça. Uma fogueira estava arrumada, a qual, logo, logo, estaria acesa, pelo próprio tenente Santinho.

O prisioneiro debate-se, gira para um lado, depois para o outro... Contorcendo-se feito uma cobra na areia quente, na tentativa vã de esquivar-se das chamas que consumiam seu corpo, Venceslau Xavier, tenta amenizar as dores causadas pelo calor das labaredas que assam, no sentido próprio da palavra, seu corpo. 

No princípio, ouvem-se gritos horripilantes saídos das cordas vocais do cangaceiro Baliza, acompanhado do odor de cabelos chamuscados, para em seguida, a fumaça levar um cheiro de carne assada pelos campos sertanejos. Por fim, o suplício tem seu término, Baliza está morto. 

Santinho não deixa nem o fogo apagar-se totalmente, puxa da bainha seu facão e corta o pescoço daquele corpo, chamuscado, queimado, assado...

Deixando o corpo naquela posição, o tenente Ladislau leva seu troféu macabro para Santo Antônio da Glória, e lá o mostra a população, exibindo, com orgulho e satisfação, o ‘produto’ de seu ato de selvageria.
Fonte “CORISCO - A Sombra de Lampião”- DANTAS, Sérgio Augusto de S., pg 145. 1ª edição, editora Polyprint Ltda, Natal-RN,2015

Foto "A noite Ilustrada", Revista, edição de 30 de Novembro de 1932.

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AGRADÁVEL BATE-PAPO LITERÁRIO COM TEMA NO LIVRO SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO

Por Luiz Serra

Em Brasília, no Espaço da Livraria Visconde, troca de ideias em rodas de conversação sobre o assunto, esclarecimentos acerca da feitura e pesquisa do livro, e com sonorização da Casa com músicas do mestre Gonzagão, encontro se estendendo até às 21h30.


Reiterando que minha tese central do livro, quanto ao cangaço, é que o ambiente sertanejo por quase 100 anos resumia-se a uma hostilidade sem tamanho. A vida humana era só um pecado da existência. Inumações improvisadas ocorriam à pressa, à margem dos caminhos. 


Lampião feria e até esquartejava a quem aprouvesse, da mesma forma que da mente de um coronel sertanejo saíam ordens não menos doentias. 


Quanto às volantes de contratados, jagunços, torturas para revelar paradeiros de bandos cangaceiros furtivos eram despropositadas, alienantes e nefastas. No entanto, a voz do povo revelou algo inesperado: a imagem de Lampião como alguém que enfrentou a "ordem dos coronéis e políticos", que, na realidade, distanciadas de qualquer resquício de Estado, todos respirando naquele agreste ambiente francamente anárquico.


Neste sábado, 17, será a vez da Manoela Serra com seu Diário Bipolar, este opúsculo criativo e enriquecedor ao tema psicológico, em recente lançamento.

Ambos os produtos da literatura, em seus quadrados mágicos temáticos, à venda na Livraria Visconde, na Asa Sul, SCS405, Brasília.

Fonte: https://www.facebook.com/
Página: Luiz Serra

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LUIZ GONZAGA - ASA BRANCA FT. FAGNER, SIVUCA, GUADALUPE - YOUTUBE

https://www.youtube.com/watch?v=zsFSHg2hxbc

Letras
Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar ai pro meu sertão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar ai pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Compositores: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga
Letra de Asa Branca - Participação Especial: Luiz Gonzaga © Ubc
Gêneros: Easy listening, Salsa e tropical, Pop


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