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sexta-feira, 8 de março de 2013
Livros sobre "Cangaço"
1938 - Angico

Autor: Paulo Medeiros Gastão
Lampião de "A a Z"

Os livros 1938 - Angico e Lampião de "A a Z" podem ser
adquiridos através deste e-mail:
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paulomgastao@hotmail.com
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O Incrível Mundo do Cangaço - Vol. i e I
Autor: Antonio Vilela de Souza

Volume I

Volume II
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O endereço não tem nada a ver com cangaço. Foi um erro no momento da sua criação. Ainda não conseguimos outro link de acordo com o material postado.
Acredito que faltam ainda muitas coisas a descobrir...
Por:
Jack de Witte
Jack de Witte em visita a Fazenda Piçarra
Caríssimo
amigo Manoel Severo,
Bom
dia. O tempo passa rápido e logo teremos a próxima edição do Cariri
Cangaço. Eu te agradeço imensamente pelo convite que muito me honrou.
Farei tudo que for possível para participar, como um simples humilde
pesquisador e escritor do tema. Manter-te-ei informado o mais rápido possível.
Tu sabes que o meu português, por falta de pratica esta cada dia pior. Posso
ler em português e compreendo a grande maioria das coisas, mas eu não posso
falar em publico, pois requer falar corretamente.
Não conheço ainda a agenda desta quarta edição do congresso, mas como pesquisador, acredito que faltam ainda muitas coisas a descobrir a respeito, digo: a) da forma como Lampião se protegia b) como funcionava a rede de aprovisionamento em armas e munições de Lampião? Quem lhe fornecia as armas e as munições? Como eram encaminhadas? Como se faziam as negociações? c) bem como a meu modo de ver sua morte ainda tem uma parte a ser explicada.
Paulo Gastão e
Jack de Witte
Jack de Witte
Uma vez mais
obrigado pelo honroso convite. Um grande abraço a Bosco André. Eu não consegui
ainda encontrar seu «blason» na França. Continuo a procurar.
Minhas
saudações cangaceiras,
Jack de Witte
França
http://cariricangaco.blogspot.com
quinta-feira, 7 de março de 2013
Gérson Pionório: Vive em Paulo Afonso o último matador de Cangaceiros.
Por: João de Sousa Lima
O ÚLTIMO
MATADOR DE CANGACEIROS
No dia 28 de
julho completará 75 anos da morte de Lampião, as pessoas envolvidas diretamente
na história do cangaço e que ainda se encontram vivas estão beirando os 100
anos de idade. É muito difícil encontrar remanescentes daquela época em se
tratando de cangaceiros ou os que lutaram em nome da ordem pública como
soldados efetivos ou contratados. Encontramos só três cangaceiros vivos e
soldados da volante em torno de doze. Coiteiros e pessoas que conheceram alguns
cangaceiros ainda existem uma grande quantidade.
Gérson
Pionório, um dos últimos matadores de cangaceiros.
Em
Paulo Afonso vive Gérson Pionório Freire, filho de João Miguel Freire e Isabel
Pionório Freire. O pai de Gérson nasceu nas barrancas do Riacho do Navio e sua
mãe em Chorrochó, Bahia. Gérson nasceu no dia 20 de janeiro de 1916, em Curaçá,
Bahia. Ele é um dos poucos militares que matou cangaceiros.
A
identidade do cidadão Gérson
O
Primeiro contato de Gérson com os cangaceiros foi quando Lampião passou com seu
grupo na fazenda Guarani, em Curaçá. A fazenda pertencia ao pai de Gérson, o
senhor João Miguel. No momento estavam o pai, a mãe, Gérson, Abdias, Ulisses e
Elza.
A identidade de Gérson como cabo da polícia baiana.
Os cangaceiros solicitaram dinheiro, ouro, sal e animais. O ouro estava
em um cupinzeiro que existia em uma das paredes e os cangaceiros não
encontraram. Pegaram cinco contos de réis que estavam no bolso de João Miguel,
um cavalo, um burro e sete jegues. Lampião
olhou pra Gérson e disse:
- Menino venha
cá, pise aqui esse sal!
Gérson
pisou o sal e entregou a Lampião. O cangaceiro começou a colocar o sal com uma
colherinha de chá em um pequeno cumbuco de coco que o orifício de entrada era
apertado e o sal caia fora do recipiente em sua maior parte. Gérson pegou um
livro, arrancou uma página, fez um funil e colocou o sal no cumbuco. Lampião
observando a inteligência do rapaz falou:
- É morrendo e
aprendendo!
Desde esse
episódio do primeiro encontro de Lampião, alguns anos se passaram e Gérson
resolveu ser policial, sendo apadrinhado do capitão Menezes. No dia 04 de maio
de 1936, na cidade de Jeremoabo, Gérson e seus irmãos Abdias e Ulisses entraram
na volante de Antônio Inácio como contratado. Gérson passou a ser efetivo da
polícia no dia 10 de outubro de 1940.
Gérson
destacou como soldado nas cidades de Jeremoabo, Canindé, Canudos (foi
delegado), Pilão Arcado, Sento Sé, Remanso, Sobradinho, Casa Nova, Senhor do
Bonfim, Juazeiro, Napele, Tucano, Calda de Cipó, Urucé, Itabuna, Canavieiras,
Camacã, Jacareci (foi delegado), Euclides da Cunha (foi comandante), e Cocorobó
(foi delegado). Ele passou pelas volantes de Pedro Aprígio, Aníbal Vicente, Zé
Rufino e Odilon Flor.
Soldado
da volante.
Quando
serviu com Odilon Flor, participou do combate onde foram mortos os cangaceiros
Pé-de-Peba, Chofreu e Mariquinha. O combate aconteceu no Riacho do Negro, em
Sergipe.
As
orações que Gérson guarda com carinho desde sua entrada na polícia para
perseguir os cangaceiros.
A volante de
Odilon Flor seguiu os rastros dos cangaceiros e próximo a cidade de Coité (hoje
Paripiranga) chegaram na casa de um coiteiro. Os policiais cercaram a casa, no
curral tinha uma janela e avistaram umas perneiras, roupas e garrafas de
bebidas. Os policiais entraram na residência e perguntaram a mulher sobre os
cangaceiros. O marido da mulher foi chegando e os soldados deram voz de prisão.
Odilon Flor ordenou:
- Gérson vá
mais Luiz pra trás da roça e mate esse coiteiro!
O coiteiro pra não morrer prometeu entregar os cangaceiros. A volante seguiu
com o coiteiro nos rastros dos cangaceiros indo encontrá-los às onze horas da
noite. O combate noturno travado entre 15 policiais e 08 cangaceiros foi
ferrenho. Odilon Flor foi baleado nas nádegas, os cangaceiros tiveram uma baixa
de 03 componentes do grupo. Os policiais cortaram as cabeças e ainda à noite as
colocaram em um carro de boi e levaram até Paripiranga. Na cidade, a população
pôde ver as cabeças de Pé-de-Peba, Chofreu e Mariquinha. Gérson passou a
receber o soldo de sargento depois da morte dos cangaceiros.
Fragmentos
de uma oração.
Quando
Zé Rufino matou Corisco e baleou Dadá, Gérson e seu irmão Abdias Pionório foram
buscar Dadá em Paripiranga e a trouxeram pra Jeremoabo. Dormiram no Sítio do
Quinto, revezando os dois irmãos a guarda da cangaceira baleada.
A
convivência de Gérson e Zé Rufino foi marcada por discussões. Zé Rufino
descontava do soldo dos soldados pra pagar o que eles consumiam dos sertanejos
e Zé Rufino ficava com o dinheiro.
Detalhes
das orações dentro de um plástico
O
volante participou também da prisão do matador Peixoto, assassino que
aterrorizou várias cidades baianas. O bandido Peixoto matou um rapaz em Santo
Antônio da Glória e foi preso depois de uma longa perseguição. Peixoto fugiu da
cadeia de Glória e foi se esconder em Sergipe, na cidade de Simão Dias, sob a
proteção do fazendeiro Dorinha.
O
crucifixo que por tantas vezes o protegeu nos tiroteios.
Gérson,
João Ribeiro, Gervásio Grande e mais alguns soldados foram a Simão Dias e
prenderam Peixoto e o levaram para Paripiranga. De lá foram levar o preso pra
Salvador. No trajeto, quando passavam em Boquim, um juiz de Direito se
aproximou dos policiais e do detento e pediu aos soldados que soltassem o preso
que ele era um coitadinho. João Ribeiro pegou um mamão e jogou no juiz. O mamão
espatifou-se nos peitos do juiz sujando sua roupa de linho branco. O preso foi
entregue em Salvador.
Outra oração
Gérson
trabalhou um bom período para a família do político Nilo Coelho, vive há muito
tempo em Paulo Afonso e é sargento reformado da polícia baiana. Lúcido, conta
suas histórias e fala com saudades do tempo em que andava nas caatingas em
perseguição aos cangaceiros. Guarda junto aos documentos algumas orações e um
crucifixo que ele tem desde que entrou na polícia e acredita que só não morreu
nos tiroteios por força dessas orações.
João de Sousa
Lima
Historiador e
Escritor
Membro da
ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso. Sócio do GECC
- Grupo de estudos do cangaço do Ceará
Paulo Afonso,
Bahia, 07 de março de 2013.
http://www.joaodesousalima.com/
A Maravilhosa prosa de Vicente Landim de Macedo
Por: Manoel Severo
Manoel Severo,
Pedro Luis e Vicente Macedo
O Cariri é
rico em tradição e história; cada pedaço desse chão encerra um conjunto
imensurável de cultura e conhecimento próprio daqueles que se eternizam
para sempre. Homens e mulheres, filhos desta terra, com suor, amor e
dedicação ajudam a construir o futuro deste vale abençoado por Padre Cícero.
Dentre esses filhos ilustre do Cariri existem aqueles que dignificam ainda mais sua existência na maneira como cuidam e zelam pela memória de seu lugar. Assim é Vicente Landim de Macedo, filho de Aurora, neto de Marica do Tipi; pesquisador, escritor e um profundo apaixonado por suas raízes e por sua terra. Atualmente radicado em Brasília o autor de “Marica do Tipi um brava sertaneja” e concluindo mais uma obra: “Tipi, de arbusto a Distrito”, Vicente nos encanta a todos quando começa a falar de sua Aurora e da história de seu Tipi.
Na tarde do
último dia 22, tivemos a oportunidade de compartilhar com o confrade Vicente
alguns desses momentos marcantes da história rica de Aurora e de sua
ascendência. “Não conheci Vó Marica, mas cresci e por toda minha vida escutei
muito sobre sua vida e sua história, foi quando decidi escrever um livro sobre
ela e daí, me dediquei fundo na pesquisa” lembra Vicente. Marica Macedo, ou
Marica do Tipi é uma dessas personagens históricas marcantes de todo o Cariri;
ao lado de Dona Fideralina, se notabilizaram com verdadeira matriarcas, líderes
de clãs emblemáticos como os Macedo de Aurora e os Augusto em Lavras da
Mangabeira.
Vicente
Landim de Macedo e o Cariri Cangaço
Vicente Landim
Macedo navega pelos labirintos da memória com uma naturalidade impressionante,
são nomes, lugares, datas, acontecimentos que vão se tecendo e se encontrando
num papo inigualável e cheio de curiosidades. Ao encontro estiveram presentes o
Curador do Cariri Cangaço Manoel Severo, Pedro Barbosa e Pedro Luis,
Conselheiro do Cariri Cangaço e Aconteceu na residência de outro filho de
Aurora, o prefeito de Juazeiro do Norte, Raimundo Macedo.
“Aurora, terra
de nossos confrades e amigos, José Cícero e Adailton Macedo, agora marca
presença no Cariri Cangaço com mais um ilustre filho: Vicente Landim de
Macedo", confirma Manoel Severo.
Vicente Landim
Macedo, escritor, pesquisador, Pres. de Honra da AFA-Brasília, é
mais uma presença confirmada no Cariri Cangaço 2013 e Aurora mais um grande
anfitrião do evento em 2013, ao lado de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha,
Missão Velha, Barro, Porteira, e mais recentemente Lavras da Mangabeira. Cariri
Cangaço, de 17 a 22 de Setembro de 2013 com avant premier confirmada para maio
em Lavras da Mangabeira.
Cariri Cangaço
http://cariricangaco.blogspot.com
O CANGAÇO NO CINEMA BRASILEIRO
Por: João de Sousa Lima

(em texto extraído da Internet)
Cangaço foi um fenômeno ocorrido no nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início
do século XX. O cangaço tem suas
origens em questões sociais e fundiárias
do Nordeste brasileiro, caracterizando-se por
ações violentas de grupos ou
indivíduos isolados: assaltavam fazendas,
sequestravam coronéis (grandes fazendeiros)
e saqueavam comboios e armazéns. Não tinham moradia fixa: viviam perambulando pelo sertão, praticando tais crimes, fugindo e se escondendo.

Os cangaceiros conheciam a caatinga e o
território nordestino muito bem, e por isso
era tão difícil serem capturados pelas
autoridades. Estavam sempre preparados
para enfrentar todo o tipo de situação. Conheciam as plantas medicinais, as fontes de água, locais com alimento, rotas de fuga e lugares de difícil acesso.
Consta que o primeiro cangaceiro teria sido o "Cabeleira" (José Gomes), líder nascido
em Glória do Goitá - cidade da zona da mata pernambucana - em 1751, que aterrorizou a região, inclusive, Recife.

Mas foi somente no final do século XIX que o cangaço ganhou força e prestígio, principalmente com "Antônio
Silvino”, "Lampião" e "Corisco O
cangaceiro mais famoso foi Virgulino
Ferreira da Silva, o Lampião, denominado
Senhor do Sertão" e também "O Rei do Cangaço". Atuou durante as décadas de 20 e
30 em praticamente todos os estados do Nordeste brasileiro.
O Nordeste sempre teve uma forte presença na cultura brasileira em todos
os ramos da arte, e no cinema não poderia ser diferente.

Se os americanos possuem seus westerns
imortalizados pela figura do cowboy, o Nordeste do Brasil
possui os cangaceiros, tema que há muito tempo faz parte do cenário cinematográfico brasileiro, tendo se tornado um gênero bastante singular no cinema nacional, conhecido como a "versão tropical do western
americano".O cangaço foi retratado no cinema brasileiro em várias épocas e de diversas formas. Desde a década de 20 a temática fascina cineastas e espectadores. Até o momento, há cerca de 50 filmes sobre o assunto, entre curtas, médias e longas-metragens, documentários e ficções.

OS
PRIMÓRDIOS- 1925 - Filho sem Mãe - Tancredo SEABRA. (Filme
Desaparecido)- 1926 - Sangue de Irmão - Jota Soares. (Filme
Desaparecido)- 1927 - Lampião: o Banditismo no Nordeste - Autor
Desconhecido. (Filme Desaparecido)- 1930 - Lampião, a Fera do
Nordeste - Guilherme Gáudio. (Filme Desaparecido)-1936 - Lampião, o Rei do
Cangaço - Benjamin Abrahão Lampião, o Rei do Cangaço é, certamente, o filme
mais importante desse
período e um dos mais significativos para o gênero, sendo um documento chave para a compreensão antropológica do cangaço
e um registro histórico no cinema brasileiro.

“NORDESTERN”-1950 - Lampião,
o Rei do Cangaço - Fouad Anderaos. (Filme Desaparecido)-1953 - O
Cangaceiro - Lima Barreto.- 1960 - A Morte Comanda o Cangaço -
Carlos Coimbra.- 1962 - Três Cabras de Lampião - Aurélio
Teixeira.- 1962 - Nordeste Sangrento - Wilson
Silva.- 1962 - Lampião, o Rei do Cangaço - Carlos
Coimbra.- 1963 - O Cabeleira - Milton Amaral. (Filme Desaparecido)- 1965 - Entre
o Amor e o Cangaço - Aurélio Teixeira. (Filme
Desaparecido)- 1966 - Riacho do Sangue - Fernando de
Barros.- 1967 - Cangaceiros de Lampião - Carlos
Coimbra.- 1968 - Maria Bonita, Rainha do Cangaço - Miguel
Borges. (Filme Desaparecido)

“NORDESTERN”- 1969 - O
Cangaceiro Sanguinário - Osvaldo de Oliveira. (Boca do
Lixo)- 1969 - O Cangaceiro sem Deus - Osvaldo de Oliveira. (Boca
do Lixo)- 1969 - Meu Nome é Lampião - Mozael
Silveira.- 1969 - Corisco, o Diabo Loiro - Carlos
Coimbra.- 1969 - Quelé do Pajeú - Anselmo Duarte. (Filme
Desaparecido)- 1970 - A Vingança dos Doze - Marcos
Faria.- 1971 - Faustão - Eduardo Coutinho.- 1971 - O
Último Cangaceiro - Carlos Mergulhão. (Filme
Desaparecido)- 1972 - Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro - William
Cobbett.- 1974 - O Leão do Norte - Carlos Del Pino. (Filme Desaparecido)- 1978 - Os
Cangaceiros do Vale da Morte - Apollo
Monteiro. (Filme Desaparecido)- 1980 - O Cangaceiro do
Diabo - Tião Valadares.

COMÉDIAS- 1955 - O
Primo do Cangaceiro - Mário Brasini.- 1961 - Os Três Cangaceiros
- Victor Lima.- 1963 - O Lamparina - Glauco Mirko
Laurelli.- 1969 - Deu a Louca no Cangaço - Nelson Teixeira
Mendes/Fauzi Mansur. (Filme Desaparecido)- 1974 - As Cangaceiras
Eróticas - Roberto Mauro. (Pornochanchada)- 1976 - A Ilha das
Cangaceiras Virgens - Roberto Mauro. (Pornochanchada)- 1976 - Kung-fu
contra as Bonecas - Adriano Stuart.
(Pornochanchada)- 1977 - Pedro Bó, o Caçador de Cangaceiros -
Mozael Silveira.- 1983 - O Cangaceiro Trapalhão - Daniel Filho.

DOCUMENTÁRIOS- 1959 - Lampião
(o Rei do Cangaço) - Al Ghiu.-1964 - Memória do Cangaço - Paulo Gil
Soares.- 1975 - O Último Dia de Lampião - Maurice Capovilla.
(Docudrama)- 1976 - A Mulher no Cangaço - Hermano Penna.
(Docudrama)- 1977 - No Raso da Catarina - Hermano Penna.
(Docudrama) (FilmeDesaparecido)- 1982 - A Musa do Cangaço - José
Umberto Dias. (Curta)

CINEMA
NOVO O CANGAÇO DE GLAUBER ROCHA-1964 - Deus e o Diabo na Terra do Sol
- Glauber Rocha.- 1969 - O Dragão da Maldade Contra o Santo
Guerreiro - Glauber Rocha.

CINEMA
RETOMADA (releituras)-1996 - Corisco e Dadá - Rosemberg Cariry.-1997 - Baile
Perfumado - Paulo Caldas/Lírio Ferreira.- 1997 - O Cangaceiro -
Aníbal Massaíni Neto.

O filme foi gravado no
Vargem Grande do Sul,
povoado de Pão de Açúcar,
interior do estado de
município de Poção no São Paulo. a paisagem da
cidade se parecia muito com a nordestina.

FICHA TÉCNICA Título Original: O Cangaceiro - Diretor: Lima Barreto Gênero: Aventura - Elenco: Alberto Ruschel, Marisa Prado, Milton Tempo de Duração: 110min. Ribeiro, Vanja Orico, Ricardo Campos, Galileu Ano de Lançamento (Brasil): 1997Garcia, João Batista Giotto Direção: Anibal Massaini Neto Produção: Aníbal Massaini Netto Argumento: Lima Barreto Roteiro: Lima Barreto, Raquel de Queiroz Roteiro: Antônio Carlos Fontoura(diálogos) Adaptação: Galileu Garcia, Anthony Foutz e Carlos Fotografia: Chick Fowle CoimbraTrilha Sonora: Gabriel Migliori Produção: Anibal Massaini Neto Duração: 105 min. Produtor Associado: Alexandre Adamiu Ano: 1953 Direção de Produção: Ary Fernandes País: Brasil Co-produção: Cinearte Produções Cinematográficas e Gênero: Drama Ramona Constellacion e Film CompanyCor: Preto e Branco Vicente SalviaDistribuidora: Columbia Pictures Sonografia: Juarez Dagoberto da CostaEstúdio: Companhia Cinematográfica Vera Cruz Fotografia: Cláudio Portiolli Direção Artística: Carybé Maquiagem: Victor Merinow Montagem: Luiz Elias

BIBLIOGRAFIA: CAETANO, Maria do Rosário. Cangaço: o Nordestern do cinema brasileiro. Brasília: Avatar Soluções Gráficas, 2005.GOMES, Paulo Emílio Sales. Cinema: Trajetória e subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.MIRANDA, Luiz Felipe e RAMOS, Fernão-
Enciclopédia do cinema
Brasileiro. São Paulo: Senac, 2004.OLIVEIRA, Adriano Messias de. O
cangaço no cinema brasileiro dos anos 90:
um certo olhar sobre nossa identidade cultural. Belo Horizonte: UFMG, 2001 (História, Dissertação de mestrado).QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. Os
cangaceiros. São Paulo: Duas Cidades, 1977.SOUZA, Marcelo Dídimo. O
Cangaço no Cinema
Brasileiro. São Paulo: UNICAMP, 2007 (Instituto de Artes, Tese de doutorado em Multimeios).
:VIANA, Nildo Jornal Opção, 19 jul. 2006.
Disponível em: 28/06/2010. FILMOGRAFIA: O Cangaceiro.
1953. São Paulo. Direção: Lima Barreto.

Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Roteiro: Lima Barreto. Fotografia: Chick Fowle, Ronald Taylor. Edição: Oswald Hafenrichter. Música: Gabriel Migliori. Elenco: Alberto Ruschel, Marisa Prado, Milton Ribeiro e Vanja Orico, Adoniram Barbosa, Zé do Norte.O
Cangaceiro.
1997. São Paulo. Direção: Aníbal Massaíni Neto. Produção: Aníbal Massaini Neto. Roteiro: Antônio Carlos.
Extraído blog do escritor e pesquisador do cangaço: João de Sousa Lima
http://www.joaodesousalima.com/
O Lampião que não se apaga rumo a São Paulo !

Caro Manoel
Severo, no dia 10 próximo levaremos nossa experiência para São Paulo e também
falaremos da grande fonte de inspiração da pesquisa que é o Cariri Cangaço.
Através da divulgação do projeto pelo blog do Cariri Cangaço ganhamos mais
apoio e desta vez o grande pesquisador Archimedes Marques, que também nos
presenteou com a magnífica obra, Lampião contra o Mata Sete.
Margarete
Oliveira

Fenômeno
Cangaço entre os Projetos campeões na Feira Estadual rumo a FEBRACE!
NOTA
CARIRI CANGAÇO: Para conhecer o Projeto Fenômeno Cangaço: O Lampião
que não se apaga, visite sua págnina na internet:
www.fenomenocangaco.blogspot.com
http://cariricangaco.blogspot.com
quarta-feira, 6 de março de 2013
LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE

À
venda nos seguintes locais
Mossoró
- RN:
Praça
da Convivência - Corredor cultural - Centro
CAFÉ
E ARTESANATO
Natal
- RN:
LIVRARIA
NOBEL - Avenida Senador Salgado Filho, 1782. fone: (0xx)
- 84 - 3613-2007
Campina
Grande - PB:
Vila
do Artesão
FURLÃO
ARTE EM COURO - Biagio Grisi

R$
35,00
OBS:
Para encomendas externas, há o acréscimo da taxa dos correios.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
1º Encontro de Gonzagueanos em Fortaleza
Por: Kydelmir Dantas
1º
ENCONTRO DE GONZAGUEANOS DO MEMORIAL GONZAGÃO
FORTALEZA - CE

FORTALEZA - CE

DATA: 09/03/2013 (sábado)
HORÁRIO: 16 h
LOCAL: Rua Abelardo Marinho, 109 (esquina com a Rua Jorge Acúrcio) - Bairro Vila União -
PROGRAMAÇÃO
- Visita às dependências do Memorial;
- Exibição do DVD “Gonzagão 100 anos”;
- Inauguração da “Feirinha de Caruaru”;
- Homenagens às mulheres pelo transcurso do
HORÁRIO: 16 h
LOCAL: Rua Abelardo Marinho, 109 (esquina com a Rua Jorge Acúrcio) - Bairro Vila União -
PROGRAMAÇÃO
- Visita às dependências do Memorial;
- Exibição do DVD “Gonzagão 100 anos”;
- Inauguração da “Feirinha de Caruaru”;
- Homenagens às mulheres pelo transcurso do
“Dia
Internacional da Mulher”;
- 1ª Reunião para a criação da
- 1ª Reunião para a criação da
Associação
de Gonzagueanos do Estado do Ceará (AGONZECE);
- Entrega do Troféu Luiz Gonzaga:
- Entrega do Troféu Luiz Gonzaga:
“O
Pernambucano do Século XX”,
“Comis
e bebis”;
- Forrobodó Gonzagueano;
- Forrobodó Gonzagueano;
CONTATO:
Marcelo
Leal (85)9951-7435
Nair
Lima (85)9928-1015
http://cariricangaco.blogspot.com
A chegada de Sinhô Pereira ao Cariri Cangaço Parte I
Por: Jorge Remigio

Napoleão
Tavares Neves e Jorge Remigio
Quando
setembro vier, teremos o prazer de desfrutar a convivência por quase uma
semana, com grandes personalidades do meio cangaceirístico, como também, de
muitos amigos e amigas formados no seio desse encontro grandioso e singular,
que é o CARIRI CANGAÇO. Este prima por dar um caráter cultural, didático e
educativo ao evento, como também, tem a força de interagir plateias e
pesquisadores nos seminários que sucedem nas cidades acolhedoras que fazem
parte do circuito. A notícia da inclusão e discussão em seminário do personagem
Sinhô Pereira, foi muito acertada. Parabenizo a organização do evento, pela
escolha, sabemos o valor que tem o estudo desse que é considerado o maior
expoente de um cangaço típico e não comum, que foi o cangaço de vingança. Mais
acertado ainda foi o convite ao brilhante pesquisador, Dr. Leandro Cardoso
Fernandes, que por afinidade é um Pereira, para proferir a palestra sobre o
cangaceiro Sebastião Pereira da Silva. O Sinhô Pereira.
O brilho do
mito Lampião ofuscou a história de muitos cangaceiros de destaque que o
antecederam. Personagem exaustivamente estudado e decantado ao longo da
história, o qual se confunde até mesmo com o próprio cangaço. Cabe agora aos
pesquisadores contemporâneos a tarefa de suprir essa extensa lacuna. O CARIRI
CANGAÇO sai na frente e põe em discussão: Sinhô Pereira. Seu Rodrigues para os
seus cabras. Uma de suas bisavós chamava-se Quitéria Rodrigues do Nascimento,
mãe de Ana Sá, sua avó e irmã de Jacinta Rodrigues que se casou com o português
José Pereira da Silva que migrou do sertão dos Inhamuns cearense, sendo os
pioneiros da família Pereira na região do médio Pajeú. Os quais eram donos de
extensa área territorial e constituíram uma numerosa prole.

Leandro
Cardoso Fernandes
A fixação dos Pereira no Vale do Pajeú, mais precisamente em uma região que
compreende hoje os Municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, seu
Distrito Bom Nome e parte do Município de Flores, marca uma época de
desbravamento dos ermos sertões, a luta com o gentio na disputa do espaço e da
criação do gado em currais. Foi mesmo uma autêntica epopeia esse período,
conhecido por ciclo do couro ou ciclo do gado. Sinhô Pereira tem sua gênese aí.
Nasceu dessa cultura, dessa formação social, mesmo que um século depois, as
vicissitudes do tempo não mudaram radicalmente a atmosfera cultural do
ambiente. Na primeira geração, os filhos do patriarca José Pereira e
da sua esposa Jacinta Quitéria, vão ser muito importante para dar sequência ao
domínio territorial já conquistado. Consolidando de vez os seus currais naquela
região. Todos os filhos do patriarca vão ser tio avós de Sinhô Pereira, exceto
Francisco e Ana que eram seus avós.
O primeiro
filho foi Simplício Pereira da Silva, casado com Ana Joaquina Nunes, essa,
filha do sesmeiro Aniceto Nunes da Silva e de Antônia Lourenço de Aragão.
Chegou ao título de Coronel da Guarda Nacional e foi o maior desbravador
daquela mata virgem. Tornou-se uma lenda em sua época, os seus feitos são
extensos, participou ativamente no sertão de várias convulsões políticas que se
sucederam após a abdicação de D. Pedro I. Sua história carece de muitas
páginas. O segundo: João Pereira da Silva casou-se com Antônia de Sá e era dono
da Fazenda São Cristóvão em Belmonte. Terceira: Josefa Pereira da Silva, que se
casou com Joaquim Nunes da Silva, irmão das esposas de Simplício e Manoel.
Quarto: Antônio Pereira da Silva, casado com Constância Pereira da Silva, dono
da Fazenda Campo Alegre. Quinto: Francisco Pereira da Silva, casado com Ana de
Sá, fundador da Vila de São Francisco, avós de Sinhô Pereira e Luiz Padre. O
grande industrial João Pereira Santos, vem desse ramo. Sexto: Manoel Pereira da
Silva, casado com Francisca Nunes, irmã da esposa de Simplício. Foi a maior
figura do clã dos Pereira, chefe político da família, liderava o partido
Conservador no Brasil Imperial naquela região, era Comendador, Comandante
Superior das Ordenanças de Flores, Ingazeira e de Vila Bela e Coronel da Guarda
Nacional. Faleceu em 1862. Foi o pai de Andrelino Pereira da Silva, o Barão do
Pajeú, o qual herdou a chefia política do pai. Andrelino foi o primeiro
prefeito de Vila Bela (1892-1895) Sétimo: Vitorino Pereira da Silva. Foi
presidente da Câmara Municipal de Vila Bela. Oitavo: Joaquim Pereira da Silva.
Casou com Severina Pereira Aguiar e em segundas núpcias, com Constância Pereira
de Sá. Ficou estabelecido no berço da família, ou seja, na Fazenda Carnaúba e
era o pai de Manoel Pereira Lins, o Né da Carnaúba. Esse ramo deu vários
prefeitos de Serra Talhada. Né Pereira era padrinho de Sinhô e primo legítimo
do seu pai Manoel Pereira da Silva, o “Manoelzinho da Passagem do Meio”. Nono:
Sebastião Pereira da Silva casado com a sobrinha, Januária Pereira da Silva,
Irmã do Barão do Pajeú, filha do seu irmão Manuel Pereira. Foi Capitão da Guarda
Nacional e em segundo casamento, desposou Maria Febrônea de Sá, que era filha
da sua sobrinha Manuela Pereira, filha do seu irmão Francisco. Teve 32 filhos.
Décimo: Alexandre Pereira da Silva, fazendeiro, o qual casou com Joana de Sá.
Foi morto pelos fanáticos do Reino Encantado ou Pedra Bonita em 1838. Onze:
Cipriano Pereira da Silva, solteiro, foi morto pelos fanáticos do Reino
Encantado ou Pedra Bonita em 1838. Local atualmente pertencente a São José do
Belmonte. Doze: Ana Pereira, se casou com Francisco Mariano de Sá. Treze:
Mariana Pereira da Silva (interdita).

Como se
observa, na primeira geração casou-se quase todos com as filhas e filho do
casal José Mariano de Sá e Quitéria Rodrigues do Nascimento. No caso, já eram
primos pela linhagem materna. A evolução da árvore genealógica desenvolveu-se
principalmente nos casamentos próximos, consanguíneos de primos com primas
basicamente. Porém, identifiquei cinco casamentos entre tio e sobrinha. Quais
sejam: Os dois casamentos do Capitão Sebastião Pereira da Silva, já citados
acima, o de Januária, filha do Barão do Pajeú, que casou com um irmão deste,
José Pereira da Silva, são os pais de José Simplício Pereira Sá (Pereirão), que
casou com a filha do Major José Inácio do Barro-CE, Virgínia Amélia Pereira de
Souza. A filha de Andrelino, (Barão) Francisca Pereira da Silva (Dona
Chiquinha), casou com o tio Manoel Pereira da Silva Jacobina, conhecido por
Padre Pereira, pais de Luis Padre. Ele era irmão da mãe dela, Maria Pereira da
Silva. Dos cinco filhos que tiveram, dois nasceram com problemas mentais. O
Filho do Barão do Pajeú, o Coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva, casou
com Maria Pereira da Silva, conhecida por Marica, filha de sua irmã Generosa
Pereira da Silva. Essa consangüinidade facilitava o aparecimento de patologias
na geração seguinte, como: Doença mental, bócio, surdez e mudez.
Quero ressaltar aqui, que vários membros da família Pereira, tiveram união matrimonial com Carvalho. Família também clânica e que se fixou naquela região nos mesmos moldes dos vizinhos. Pereira e Carvalho no decorrer das décadas seguintes desenvolveram-se como oligarquias fortes e com interesses comuns, ou seja, a disputa pela hegemonia do poder político naquela região. Portanto, o choque seria inevitável. Em novembro do ano de 1848 na Comarca de Flores do Pajeú, eclode o primeiro conflito, dessa que seria uma duradoura contenda. Em espaços alternados, vingou até o ano de 1922. Encerrando-se quando o cangaceiro Sinhô Pereira abandona definitivamente a luta armada no Pajeú das Flores, e “navega” para as longínquas terras de Goiás.
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No alvorecer
do século XX chega à Vila Bela, monsenhor Afonso Antero Pequeno. De família
influente politicamente no Cariri Cearense, que naquele momento ardia em
conflitos coronelísticos, trazendo na bagagem o germe da discórdia e o espírito
beligerante. Envolvido na luta do primo, Coronel Antônio Luiz Alves Pequeno,
que tentava depor o Coronel José Belém de Figueiredo, vice-presidente do Estado
do Ceará (1904), requisitou junto às lideranças políticas dos dois clãs,
Pereira e Carvalho, armas, munição e um contingente considerável de jagunços
para reforçar a facção do seu parente. A negação do Coronel Antônio Andrelino
Pereira da Silva ao pedido do padre caudilho e consequentemente a concordância
em tudo pela liderança dos Carvalho, Coronel Antônio Alves do Exu, fez com que
o pároco passasse a interferir e interceder favoravelmente junto aos Carvalho,
na luta e interesses políticos das duas famílias. Nas eleições municipais de
1907, foi eleito prefeito de Vila Bela com o apoio da família Carvalho,
empurrando os Pereira para oposição. Abrindo um parêntese e voltando dois anos,
1905 é uma data de sangue. No centro de Vila Bela, dia da feira livre, é ferido
gravemente à bala, falecendo dias depois, Manoel Pereira Maranhão, conhecido
por Né Delegado, recentemente deposto do cargo, era primo legítimo do pai de
Sinhô, sendo o autor do crime: Antônio Clementino de Carvalho (Quelé), o qual
se refugia na residência do Monsenhor Afonso Pequeno, próximo ao local do fato.
Após muito tumulto, o padre negociou a entrega e prisão do amigo, sendo este,
posteriormente desaforado para comarca de Flores. O padre fez questão de atuar
como um segundo advogado de defesa do réu na tribuna do júri, onde fora este
absolvido.
Né Delegado quando convalescia, pediu para os parentes não executarem vingança, reconhecendo ele, que fora intempestivo e inconsequente, quando investiu contra Quelé. Aquele ano de 1905 foi precursor do acirramento e de vários desentendimentos entre membros das duas famílias, expondo mais ainda o Coronel Antônio Andrelino, já bastante desgastado politicamente junto à oligarquia Rosista. O Comendador Rosa e Silva dominou a política pernambucana por quase duas décadas, sendo o clã dos Pereira seus correligionários fies. O setuagenário Manoel Pereira da Silva Jacobina, pai de Luis Padre e tio de Sinhô, ganhou o apelido de Padre Pereira por ter sido seminarista. Sendo uma pessoa sensata e de índole conciliatória, passou a ser requisitado com frequência para apaziguar as rusgas familiares. Ele tinha sido o segundo prefeito de Vila Bela (1895-1898).
O final do ano de 1907 se aproximava e mais precisamente no dia 15 de outubro, é morto de emboscada o Padre Pereira, pessoa muito amada e respeitada pela família e por quase toda população de Vila Bela. O crime de emboscada na cultura sertaneja é conceituado como um ato covarde, traiçoeiro, desprezível. O chamam pejorativamente de crime de pé de pau. Para as pessoas daquela região, esse tipo de crime é uma atitude infamante, digna de repúdio. O crime de homicídio “a peito” é até justificado naquela cultura braba. Existem versões para os motivos que deram causa a esse atentado contra Padre Pereira. O mais plausível, entendo que tenha sido um acerto de conta entre João Nogueira, que era casado com Benvenuta Pereira, conhecida por Benuta, sobrinha da vítima e meia irmã de Sinhô Pereira. A sucessão de casamentos ao longo dos anos entre Nogueira e Carvalho, resultou em uma só família.
Museu do
Cangaço em Serra Talhada
João Nogueira insistia em requisitar a parte de terras na herança da esposa, uma vez que a mãe desta, Úrsula Alves de Barros, já havia falecido. O sogro, Manoel Pereira da Silva, o “Manoelzinho da Passagem do Meio”, foi consultar o irmão, no caso Padre Pereira, e esse opinou que não seria oportuno vender e partilhar suas terras naquele momento. Resultou então, em uma inimizade e um ódio cego por parte de João Nogueira contra Padre Pereira. O qual contratou os cabras: Luis de França, Manoel Tomé e Mariano Mendes, para eliminar o seu desafeto. A comoção foi grande no seio da família Pereira, principalmente por parte da viúva, Francisca Pereira da Silva (Dona Chiquinha), que era esposa, sobrinha e prima segunda da vítima. Esta, de temperamento forte e no calor da hora, convoca alguns sobrinhos do esposo e primos: Manoel Pereira da Silva Filho, conhecido por Né Dadu, era o mais afoito, Pedro Pereira Valões, Manoel Pereira Valões, o cabra Pedro de Santa Fé e outros mais, para executarem a vingança imediata. Nessa ocasião, Sebastião Pereira contava com onze anos e Luis Padre, filho da vítima com quinze anos.
O sobrenome Valões, foi uma criação de Aureliano Pereira da Silva, irmão do Barão do Pajeú e avô de Sinhô. Ele registrou três filhos, dos nove que teve com Maria Pereira da Silva, com sobrenome Pereira Valões. Conta-se que este lia uns livros sobre França e Bélgica e achava bonito o sobrenome Valões. O grupo formado na emoção parte para vingança. Executam Joaquim, irmão de João Nogueira, e em seguida, cometem um assassinato torpe. Matam Eustáquio Carvalho, que era um velho bondoso, sem envolvimento naquela guerra dos clãs. A alegação era que tinha que morrer alguém dos Carvalho com índole boa, parecida com a do Padre Pereira. ”Os Carvalho tinham que sentir a mesma dor que os Pereira sentiam naquele momento”. São atitudes medievais, herdadas de um Portugal arcaico e por anos isolado de uma Europa revolucionária, política e industrialmente. Tem início agora, a fase mais crucial da beligerância familiar. Né Dadu assume a chefia da luta, é agora o braço armado da família, reagindo e investindo contra os inimigos.
Continua...
Jorge Remígio
http://cariricangaco.blogspot.com
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