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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O ROSÁRIO...X...O PUNHAL

Por Rangel Alves da Costa

Tornou-se célebre o episódio do encontro entre Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e o Padre Artur Passos, ou simplesmente Padre Artur, na residência dos amigos comuns Teotônio Alves China, o China do Poço, e sua esposa Dona Marieta, na povoação sergipana de Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo.


Segundo as narrativas, o mês era o de agosto, no tríduo dedicado às comemorações em louvor à santa padroeira da povoação, Nossa Senhora da Conceição. No dia 15, data do festejo principal, havia celebração de missa pelo vigário da Paróquia de Porto da Folha, município sertanejo ao qual estava vinculado Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo.

Assim, no dia 15, antes do meio-dia, chegou à localidade o Padre Artur Passos no intuito de celebrar a tão aguardada missa. Cansado, depois de uma longa viagem em lombo de burro, desceu do animal defronte à casa do seu amigo China, local onde ficava todas as vezes que até ali se dirigia. Descansaria um pouco, almoçaria, e depois emendaria nos preparativos da celebração.

Mas a casa da família China, pessoa renomada e das mais influentes na povoação, se enchia de convidados nesse período festivo. E eis que chega um matuto em disparada para avisá-lo que a cangaceirada já dobrava a curva da estrada naquela direção. China sabia que era pra sua casa que o Capitão Lampião se encaminhava juntamente com o seu bando. Já o havia recebido ali outras vezes.

Antes de sair à porta para esperar a comitiva trajada de sol, China gritou por Dona Marieta, que acorreu esbaforida perguntando pra qual lado o mundo estava se acabando. Quando ouviu a novidade da boca do esposo quase desmaia pra trás. Quando conseguiu abrir a boca, disse ao marido que coisa pior não poderia acontecer. E se danou a rezar.

Se benzendo, logo apontou em direção a uma porta, em cujo local o Padre Artur descansava antes do almoço, e perguntou como haveria de ser agora com a chegada de Lampião e o velho sacerdote estando por ali. E disse ainda que não esperava nada de bom nesse encontro da valentia bandoleira com a cruz da cristandade.

Verdade é que China também não sabia o que fazer, mas resolveu apenas dizer que não haveria de acontecer nada de ruim. Ademais, se de um lado não podia deixar de acolher o da igreja, por outro lado não podia nem pensar em deixar de receber o da guerra sertaneja. Contudo, o desespero do homem não era maior porque conhecia segredos entre os dois que ninguém mais sabia.

Coisa de não acreditar, mas China já sabia, pois ele mesmo intermediário, de uma velha amizade travada às escondidas entre Lampião e o Padre Artur. Ele mesmo já havia enviado diversas missivas para o padre dizendo o local exato onde o bando estava acoitado e que em tal dia o Capitão lhe esperava para o que sempre faziam nessas visitas mais que escondidas. E tudo mantido em segredo tão bem guardado que somente o coiteiro Mané Félix tinha conhecimento.

E durante essas visitas, sempre saindo no lombo de burro mas chegando à pé e depois de vencer os desafios das pontas de paus, xiquexiques e mandacarus, pedrarias e verdadeiros abismos, o velho sacerdote se transformava totalmente. Ou quase, pois sempre guardava alguns momentos para confessar os cangaceiros, ouvir o que lhes afligia, proporcionar algum conforto espiritual diante daquelas durezas cotidianas.

E como sempre chegava acompanhado do coiteiro carregado de tecidos, bebidas e mantimentos, nem se sentia culpado por passar horas e horas jogando baralho com Lampião, bebericando vinho de jurubeba, taliscando uma perna de preá assado na brasa. Não só o vinho, mas também, cachaça, e da limpinha, da boa mesma. E dizem até que quando o fogo lhe chegava às ventas, logo gritava pedindo um fole e se danava a dedilhar. E era uma festança só no meio da cangaceirada.

Antes de retornar, e quase sempre no outro dia, chegava o momento daquilo que mais apreciava fazer, que era lançar o olhar pidão sobre as mãos do Capitão Lampião e pedir devotadamente que fosse presenteado com aquele anel maior e mais brilhoso. E por mais que o rei dos cangaceiros dissesse que não podia se desfazer assim do presente enviado por este ou aquele coronel do sertão, acabava cedendo aos rogos do amigo vigário.

Com o valioso presente escondido debaixo dos panos, voltava o velho sacerdote em direção à sua paróquia, onde já no dia seguinte começava a esbravejar contra aqueles malditos assassinos, bandoleiros imprestáveis que andavam assolando o sertão de mortes e atrocidades, pecadores que mereciam o tacho fervente ainda em vida. Mas tudo da boca pra fora, pois enquanto falava o anel cangaceiro reluzia na sua mão. E que coisa mais bonita de se ver.

Por ter conhecimento da velada amizade entre os dois é que China procurou se acalmar e dizer à esposa que tudo logo seria resolvido da melhor maneira possível. E ao chegar e tomar conhecimento de que o padre já estava hospedado ali, Lampião foi logo dizendo que tinha grande interesse em encontrá-lo o mais rapidamente possível.

Talvez por momentâneo esquecimento de que China sabia de tudo, ao tomar conhecimento da proposta o padre quis espernear e jurar que jamais colocaria a cruz do Senhor diante de um cangaceiro. Mas em seguida lembrou-se da asneira que dizia ao amigo, porém pediu por todos os santos que não deixasse ninguém perceber que os dois mantinham grande relacionamento de amizade.

Então Padre Artur revestiu-se de falsa ojeriza ao rei dos cangaceiros e saiu do quarto como se quisesse matar uma fera apenas com o olhar. Mas baixou a guarda diante do Capitão e nem pensou duas vezes quando o mesmo lhe chamou num canto e disse que naquele dia todo o bando assistiria a celebração da missa. E a única exigência ouvida foi que deixassem as armas do lado de fora da igreja. Ao menos as de cano longo.

E assim foi feito, depois de uma maravilhosa buchada de bode gordo, coisa de lamber os beiços e repetir o prato. E quanta alegria esfomeada no da batina, e quanta voracidade no da pistola.

Fonte: Rangel Alves da Costa / Porto da Folha Histórias

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

BOB MOTTA VOOU


BOB MOTTA VOOU

A Academia de Cordel do Vale do Paraíba - ACVPB cumpre o doloroso dever de informar que o poeta Bob Motta partiu para a Casa do Pai, neste 7 de julho de 2017, deixando a família, a poesia e os amigos de luto.


Estamos aguardando outras informações do Rio Grande do Norte, quando repassaremos para os seus amigos e fãs.


***
.
O nosso cancioneiro
Perde um poeta grande
Agora o seu gorjeio
Pelo universo se expande
Bob, poeta do povo
Vai ver seu amor de novo
Pra que a dor no peito abrande

***
BOB MOTA!!!
A poesia matuta
Hoje está em tempestade
O poeta Bob Mota
Partiu pra eternidade
Deus colheu mais esse fruto
Deixando a gente de luto
Amargando essa saudade.

07/07/2017

***
Descanse em paz Bob Motta!
O cordel está de luto
Hoje a poesia chora
Nosso poeta matuto
Deu adeus e foi embora
Confesso não vou chorar
Pois eu vou lhe encontrar
Quando chegar minha hora.

(RAINILTON DE SIVOCA)
***
Não há nada que convença
No caso de Bob Motta
Que ele morreu de doença.
Seguindo na sua rota
E vislumbrando a verdade,
Bob morreu de saudade
Qual solitária gaivota.

***
O Bob Motta voou
Seguindo a brisa e o vento
Que fez d’alma o alimento
Que em seu coração pousou
Se o seu amor abarcou
Primeiro no firmamento
Seguiu-a, foi seu intento
Canta, seu canto brotou
E o seu encanto ecoou
No bosque do sentimento!

***
A vida é mesmo mistério
Cada qual tem sua cota
Nascemos e renascemos
Como fruta na compota
Que os céus, o Universo,
Dê por merecer acesso
Ao poeta Bob Mota!

***
O Grande VATE BOB MOTTA
Partiu para eternidade
Céu da poesia abre a porta
Aqui na terra SAUDADE
Desse CORDELISTA astuto
Raro poeta matuto
Que enCANTOU sítio e cidade.

[Aprendiz Poeta Jomansan]
JUAZ/ PB em 07/ 07/ 2017.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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A IMPORTÂNCIA DE MANOEL BELARMINO PARA O CONHECIMENTO DE POÇO REDONDO E DO SERTÃO

Por Rangel Alves da Costa

Ou o homem conta a sua História, ou a história do homem será levada pelas ventanias do esquecimento. No contexto de tal enunciado é que se insere o sertanejo e poço-redondense Manoel Belarmino. Este descendente dos Soares, de ancestralidade vinda desde o Território de Maria do Rosário e arredores, chamou para si a difícil, porém prazerosa, incumbência de contar a história do povo sertanejo ao próprio sertanejo.
Daí a importância de Manoel Belarmino para o conhecimento de Poço Redondo e do sertão. Ampliando tal entendimento, pode-se afirmar que dos seus escritos - seja em forma de texto ou de cordel, seja através de palestras ou de curtos proseados - tem-se por revelado o sertão em amplitude, envolvendo a formação da raça sertaneja, os seus aspectos históricos, o ressurgimento de personagens tão importantes mas que restaram no esquecimento de grande parte da população.
Certamente que muitos não gostam de seus escritos. E assim acontece por que Belarmino não cala ante o que deva ser dito, não se faz de cego ante o que precisa ser visto, não negligencia ou omite seu senso de cidadão, de homem politizado e porta-voz de muitos que falam pelos seus escritos. Belarmino é assim: querido ou odiado, mas necessário. E tão necessário que muito do sertão, da realidade social e da realidade quilombola, não seria conhecido sem o que ele traz aos olhos de todos.
Belarmino não precisaria de formações e mais formações acadêmicas, doutoramentos e títulos e honrarias, para se mostrar sábio naquilo que se envolve e faz. Grande parte de seu estudo e de seu conhecimento nasce da realidade social na qual adentra de coração. Num instante está na Serra da Guia, no outro já está na Rua dos Negros, e ainda no outro já pode ser avistado em reuniões e proseados com comunidades distantes. Belarmino gosta do diálogo, de conhecer raízes, de se aprofundar nos percursos históricos, de buscar a palavra naquele que ninguém acredita sequer ter voz.
Seu ativismo político e ideológico produz insatisfações. Mas não seria de se esperar diferente. Ora, Belarmino não é diferente dos demais cidadãos. É homem comum, simples, humilde. O que o diferencia, contudo, é um poder de percepção (talvez) maior da realidade social. E tal percepção logo se transforma em palavra, em escrito, em alerta ou mesmo grito desaforado. Nunca soube avistar, sentir, amargar nas entranhas e doer sobre a pele (não só dele como das desvalidas comunidades) e simplesmente calar, engolir, deixar pra lá. Não é, pois, do seu feito, negligenciar. E tudo diz, e tudo mostra, ao seu modo.
Por outro lado, depois de Alcino Alves Costa, talvez não tenha quem tenha cavoucado mais as entranhas da história de Poço Redondo e do sertão do que Manoel Belarmino. Não só os fatos, as raízes, os surgimentos, as entranhas da história de um povo, mas também os seus mitos, suas lendas e tradições. Neste sentido, o que Belarmino faz é ser cultura, ser história, ser sociologia, ser antropologia, ser geografia e muito mais. De repente, e lê-se um texto seu sobre o Poço Redondo antigo, sobre seus antigos folguedos, sobre personagens agora esquecidos como Augustinho.
Outro dia, ao lado de Ana Bela de Juvenal e Quitéria Gomes de Bonsucesso - pois estes os de Poço Redondo -, Belarmino foi empossado como membro da Academia Sergipana de Cordel. Uma honraria, certamente, um orgulho bom ao mundo sertanejo. Mas isto não é o que lhe causa maior prazer. Seu maior prazer é estar debaixo de um sombreado de pé de pau reunido com pessoas do campo. Seu maior prazer é estar compartilhando com Dona Zefa da Guia as sabedorias do mundo. Seu maior prazer é escrever sobre todo o seu aprendizado em cada situação assim.
Parabéns, Belarmino. O seu amor pela história de Zé de Julião nunca será em vão. O seu amor pela história e pelas lições de Alcino nunca serão em vão. O seu amor pelos negros, pelos quilombolas, pelos desvalidos, nunca será em vão. Nada será em vão se há compartilhamento do que se viveu e aprendeu na estrada. E isso você faz muito bem. E Poço Redondo e o sertão agradecem.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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TERIA LAMPIÃO DEIXADO FILHOS COM OUTRAS MULHERES DURANTE A SUA VIDA ERRANTE?

Por José Mendes Pereira

Primeiro devo alertar a todos os leitores que dois senhores que foram duvidosamente filhos de Lampião, a dúvida acabou, sendo João Ferreira da Silva tendo este nascido no ano de 1938. Segundo as informações sem credibilidades, quando ele tinha 42 dias, foi deixado por Lampião e Maria Bonita na casa de Aurora da Conceição, na região do Cariri (CE). 

Ainda segundo informações de pesquisadores, para identificar o filho quando voltasse da batalha, Lampião furou as duas orelhas de João com um punhal. O cangaceiro nunca voltou e João sofreu com a desconfiança sobre sua história até os 56 anos. 

Fonte da foto Carol Quintanilha - http://www.terra.com.br/istoegente/48/tributo/

Mas para essa comprovação se era sim ou não filho do casal de cangaceiros, após dois exames de DNA, constatou-se que não era verdade. João Peitudo faleceu com 62 anos de idade, morte natural, no dia 26 de Junho de 2000, em Juazeiro do Norte, a 563 quilômetros de Fortaleza.


É claro que o João Peitudo se dizia ser filho de Lampião e Maria Bonita, não criado por ele, mas, lógico, a afirmação deve ter saído da boca de quem o criou, ou da própria mãe que certamente o abandonou. Sem essa afirmação, jamais o João Peitudo iria se considerar filho dos reis do cangaço.

João de Souza Lima, entre o ex-soldado volante Teófilo e Zé Alves - http://lentescangaceiras.blogspot.com.br/2008/12/os-filhos-do-rei-do-cangao.html

O segundo suposto filho de Lampião e Maria Bonita.

LEIA O QUE ESCREVEU O PESQUISADOR E ESCRITOR JOÃO DE SOUSA LIMA SOBRE ESTE OUTRO SUPOSTO FILHO DE LAMPIÃO E MARIA BONITA:

(... continuando no campo da pesquisa histórica, vasculhando as fontes que trazem alguma ligação com o cangaço, acabo de descobrir outro filho de Lampião, na cidade de Chorrochó, Bahia. Ele é da família dos famosos “Engrácias”, as primeiras pessoas que mantiveram contato com Lampião quando ele entrou no Estado da Bahia, tendo vários membros dessa família seguido os cangaceiros. Alguns se tornaram famosos, como: Cirilo de Engrácia, Antônio de Engrácia, Zé Sereno, Zé Baiano, Arvoredo e Corisco. 

Da família dos “Engrácias” um dos grandes coiteiros de Lampião nessa região foi João Ramos de Souza, conhecido por todos como Joãozinho. Entre as filhas desse coiteiro Lampião se engraçou da jovem Helena e com ela teve um caso, poucos dias depois a menina-moça apareceu grávida e o Rei do Cangaço para resguardar a honra da jovem e não desmoralizar a família que tanto lhe dava guarida, tomou uma rápida e sábia decisão: pagou uma alta quantia a um rapaz, Simão Alves dos Santos, para que ele casasse com Helena e assumisse a paternidade do filho do cangaceiro. Simão topou o acordo e assim foi feito, nascendo a criança no dia 13 de agosto de 1930, sendo batizada com o nome de José Alves dos Santos. O parto foi realizado por dona Lídia, mãe do cangaceiro Zé Sereno. 

Durante muito tempo as conversas sobre esse caso foram mantidas em segredo, temendo a população que Lampião fosse sabedor que a conversa havia se espalhado. Quando Lampião morreu e o cangaço se extinguiu, as brincadeiras começaram a surgir e os amigos de José Alves sempre o perturbavam relacionando-o como filho de Lampião. 

Os comentários tornaram-se frequentes e as pessoas de mais idade sempre tocavam no assunto. José Alves dos Santos ainda encontra-se vivo, e residindo em Chorrochó, nas mesmas terras onde seus pais o criaram. 

Estive recentemente com ele quando realizei extensa entrevista e ele concordou em fazer um exame de DNA para realmente comprovar o que os fatos indicam. 

Os testes estão em andamento e só o tempo dirá se ele é realmente mais um filho gerado nas caatingas do Sertão Nordestino, mais um rebento descendente de Lampião, mais um fruto evidenciado de um farto capítulo da nossa história recente, a história do Cangaço, capítulo ainda tão latente, tão presente nos carrascais do Sertão". 

(*) Pesquisador e sócio da SBEC.

http://lentescangaceiras.blogspot.com.br/2008/12/os-filhos-do-rei-do-cangao.html

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A MORTE DOS CANGACEIROS ZÉ VEIO E CÍCERO GARRINCHA


Moreno e seu grupo empreenderam uma viagem em direção á Santana do Ipanema, saindo das proximidades da fazenda Lajeiro do Boi. No percurso, os catingueiros tiveram que passar nos pastos, fazenda com o mesmo nome do local onde morreram Eleonora, Serra Branca e Ameaça. Cícero Garrincha e Aristéia seguiam um pouco na frente do grupo, atravessando as veredas, soltando sorrisos de contentamento, curtindo a festividade da aparente gravidez, de poucos meses, da cangaceira.

Moreno, sempre arisco, seguia concentrado no caminho e preparado para as surpresas que pudesse aparecer (e elas sempre apareciam).

Apesar de cedo do dia, o sol alardeava seus raios trêmulos sobre a terra, castigando os galhos pontiagudos e as folhas secas da caatinga. Os cangaceiros riscava com suas “ percatas “ ferradas, os empoeirados atalhos alagoanos.

Os risos de Aristéia disfarçava a triste dor que perpassava a condição de sofrimento da ida bandoleira do cangaço, feito sentença cumprida na solidão e no abandono dos carrascais poeirentos dos materiais lúgubres, que geravam as ações continua de fuga, onde se igualavam atacantes e atacados.

Um pouco mais na frente, fechando a passagem de vereda por onde seguiam os cangaceiros, soldados armavam uma emboscada. Escondidos e protegidos entre as pedras e as vegetações mais salientes, eles aguardavam o momento de atacar os inimigos.

Os cangaceiros seguiam em direção á armadilha, sem desconfiar da cilada armada. Poucos passos depois, na aparente serenidade da caminhada, tiros ecoaram, calando risos e gerando tumultos. Moreno e João Garrincha agacharam-se e retribuíram os disparos, colocando as mulheres em suas retas-guardas, longe dos possíveis ferimentos. Travou-se acirrado tiroteio. 

Um pouco á frente de Moreno, um cangaceiro atingido pelos primeiro disparos, agonizava. Pouco segundos depois, o cangaceiro Zé Velho, apelidado de pontaria, dava seus derradeiros suspiros. Um pouco atrás de Zé Velho, Cícero Garrincha, o Catingueira, também tombava crivado por balas.

Aristéia avistou Cícero Garrincha se arrastando, procurando sair do raio de ação dos disparos realizados pelos policiais.

Aos poucos, o matraquear intermitente das armas foram ficando compassados. Os soldados foram silenciando seus armamentos e fugindo do campo de batalha. Zé Velho tombara morto, crivado pelas minúsculas ogivas de chumbo disparadas. Cícero Garrincha levantou-se depois de muito esforço. Suas roupas estava completamente encharcadas de sangue. Moreno se aproximou de Cícero Garrincha e, junto com João Garrincha, o transportaram para um local mais seguro. Aristéia lembrou-se do velho ditado sertanejo: “ Muito riso é prenúncio de muita dor “.

Os cangaceiros seguiram a trilha de volta, buscando socorrer o amigo que cambaleava apoiando nos ombros dos dois fiéis amigos. Com algumas centenas de metros, já exaustos, os cangaceiros pararam. Cícero Garrincha foi colocado em uma sombra e sua camisa foi aberta dando visão ao estrago causado pelo tiro. A caixa torácica foi parcialmente destruída pelos estilhaços de uma mortal bala. Os companheiros assustaram-se diante da visão do ferimento, onde viam o coração pulsando. A respiração ofegante do baleado, expulsava jatos de sangue, pelo largo orifício da contusão. O cangaceiro pediu água, Moreno argumentou que água naquele momento causaria danos piores, podendo levá-lo rapidamente á morte. Durvalina tirou de dentro de um dos bornais um vidro de “ saúde da mulher “ um composto usado quando das cólicas menstruais. Um capucho de algodão foi ensopado por Durvalina na solução e passado nos lábios do moribundo cangaceiro, por seguinte vezes o chumaço de algodão foi embebido no remédio e aliviado a secura dos lábios de Cícero Garrincha, enquanto seu coração arquejava descompassado, expulsando sangue borbulhante cada vez que respirava, sendo assistido por olhares assustados com a gravidade da lesão. Moreno sabia que a morte do amigo era questão de tempo. Cícero Garrincha também pressentiu o momento difícil porque estava passando. Ao lado do cangaceiro, Aristéia chorava sua angústia. Moreno olhou nos olhos de catingueira e perguntou:

- O que você quer que eu faça com sua mulher?

- Faça o que Deus quiser!Se pudé deixe ela com a família!

- Eu deixo!

A respiração de catingueira foi ficando insuficiente, o sangue banhava cada vez mais as mãos que segurava o corpo inquieto. O coração pulsava frágil e visível. O cangaceiro apertou com a mão, o braço de Moreno, pendeu a cabeça pro lado e expirou. As lágrimas rolaram nas faces angustiadas dos companheiros. João Garrincha assistiu, contrariado, a morte do irmão. Aristéia chorou amargamente sua perda, ostentando em sua barriga saliente, um órfão prestes a nascer. Moreno cavou, junto com a ajuda dos amigos, uma cova rasa e enterrou o companheiro, cobrindo a sepultura, com macambira e xique-xique cactáceos que enfeitam a paisagem rara do Sertão Nordestino.

Os cangaceiros seguiram outro caminho, inverso ao que vinham seguindo, fugindo de mais uma desagradável surpresa que, por ventura, pudesse acontecer. Ao local do combate, Moreno retornaria quatro dias depois, encontrando só a carcaça do corpo decepado do cangaceiro pontaria. A policia levou a cabeça, deixando o corpo para servir de comida para os bichos famintos das caatingas.

http://ahistoriadearisteia.blogspot.com.br/2009/05/morte-dos-cangaceiros-ze-veio-e-cicero.html

Informação ao leitor: O site não registrou o nome do autor deste material, mas me parece ser do escritor João de Sousa Lima. 

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A FILHA DE LAMPIÃO...EXPEDITA DE OLIVEIRA FERREIRA NUNES.


Expedita de Oliveira Ferreira Nunes (Porto da Folha, 13 de setembro de 1932) é a única filha de Virgulino Ferreira da Silva e de Maria Gomes de Oliveira, respectivamente, Lampião e Maria Bonita.

Expedita nasceu em Porto da Folha, Sergipe, em 1932. Filha de Lampião e Maria Bonita, seus pais faleceram quando Expedita tinha apenas 5 anos. Ela foi criada pelos vaqueiros Severo e Aurora desde seus 21 dias de idade até seus 8 anos, já que seus pais viviam na luta do cangaço e não puderam criá-la. Só viu seus pais biológicos por três vezes na vida e os pais adotivos nunca esconderam dela a verdade. Expedita também conviveu com 11 irmãos de criação, todos filhos legítimos do casal de vaqueiros, no qual ela os considerava de fato irmãos. Aos 8 anos foi morar na cidade de Propriá (SE), na casa do tio paterno, chamado João Ferreira, o único que não seguiu o cangaço.

Continuou os estudos e ao terminar o primário passa a querer trabalhar, mas o tio a impede, por ela ser mulher e jovem demais. Revoltada, querendo sua independência, ela sai de casa com 14 anos. Ela vai morar com os pais adotivos em Aracaju. Lá ela passa a trabalhar no comércio, tendo trabalhado em diversas lojas e fez muitas amizades. No começo sentia vergonha por ser filha de cangaceiros e evitava comentar, todos sempre a aceitaram, mas ela nunca entendeu bem se o cangaço era bom ou mau.

Em Aracaju reencontrou seu melhor amigo de infância, Manoel Messias Nunes Neto. Eles se conheceram aos 6 anos de idade e ficaram amiguinhos como toda criança. Quando fez 10 anos o tio a prometeu a ele, pois na época o parente mais próximo escolhia logo um menino para casar a menina no futuro, e o mais cedo possível. Após meses de amizade, começaram a namorar. Os pais foram contra por ela ser muito jovem, e com raiva, ela saiu de casa e alugou um quarto numa pensão. O namoro prosseguiu. Manoel foi o primeiro e único namorado de Expedita. Com um ano de namoro, aos quinze anos, a jovem descobriu estar grávida, ficando muito assustada. Manoel, com 20 anos, não a deixou por isso, e a chamou para morar com ele na casa de seus pais.

Ao completar 18 anos e já com dois filhos, Manoel, com 23, a pediu em casamento, por ela já ser maior de idade e ele já ter juntado dinheiro para casar. A união foi feita em um cartório, com uma festa muito bonita, onde compareceram todos seus irmãos adotivos, o tio e os pais adotivos. A noiva passou a assinar Expedita de Oliveira Ferreira Nunes.

O casal teve 4 filhos: Dejair, Vera, Gleuse e Iza. Expedita também é avó de três netas: Karla, Gleusa e Luana.

Fontes: José Mendes Pereira Potiguar/ Porto da Folha e Suas Histórias
Foto: Imagem da internet

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ANIVERSÁRIO DE VERNECK ABRANTES DE SOUSA


Meus Parabéns ao primo, colega e amigo Verneck Abrantes de Sousa, o aniversariante do dia, que não tem medido esforços no resgate da história e na defesa do legado cultural da "Terra de Maringá".

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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28.07.2017 - RIO DE JANEIRO ABL - ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS CERIMÔNIA DE POSSE DO POTIGUAR JOÃO ALMINO

Franci Dantas

“...Como humilde gesto simbólico de reconhecimento ao Rio Grande do Norte, quando eu me juntar à poeira de estrelas peço que encaminhem este fardão para a Academia Norte-rio-grandense de Letras, academia aberta à presença feminina desde sua fundação por Câmara Cascudo em 1936” (Trecho do discurso do imortal João Almino).





Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

40 ANOS DE UMA TRAGÉDIA QUE POMBAL JAMAIS ESQUECERÁ:

Por José Tavares de Araújo Neto

Há exatamente quarenta anos, em 06 de agosto de 1977, um acidente automobilístico abalou a cidade de Pombal, no qual foram vítimas fatais os jovens Baú, Tiaozinho e Vigó, e que também envolveu Nininha, Negão de Iaiá e os irmãos Jailson e Mosquito, sendo que último, estudante de direito e um dos melhores jogadores de futebol da história da cidade, ficou com sequelas irreversíveis

Saudades dos meus amigos que partiram tão cedo, principalmente de Vigó, com o qual eu tinha um relacionamento mais do que de um amigo, mas de verdadeiro irmão.

José Tavares de Araújo Neto



Lembro demais desse dia, mesmo ainda muito pequena (4 anos). Minha avó até hoje chora a morte do filho caçula e muito especial. Era um tio carinhoso e muito presente. Tiãozinho estava em casa montando um som que tinha comprado quando os amigos o chamaram para brincar (como era costume) e estava muito feliz com o seu emprego no Banco do Brasil, que há poucos meses havia assumido. Lembro de muitos detalhes desse fatídico dia. 


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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FATOS SEM FIGURÕES

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2017são
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.709

        Sem querer elogiar político nenhum, por ser independente e por motivos óbvios, algumas coisas em Alagoas, são dignas de notas. Os fatos representam progresso para a terra e não reconhecê-los é ser cascão. A obra federal que estar sendo realizada entre o povoado e entroncamento Carié – Inajá, além dos grandes benefícios para a integração de Alagoas, registra mais desenvolvimento para o Nordeste, uma vez que se vão interligando trechos importantes interestaduais de rodovias. Isso representa a vez dos interiores que procuram vias competentes entre si e entre si e o litoral. E ainda segundo informações abalizadas, Carié – Inajá é o único trecho do Brasil com 50 quilômetros, sem asfalto.

Foto: (Agência Alagoas).

Já o viaduto da Polícia Rodoviária que vai ser iniciado é altamente relevante para Maceió que procura alternativas ao número crescente de seus veículos. Como o trecho – há cinquenta anos prometido – Carié – Inajá, foi iniciado, diminui bastante a desconfiança de que a obra não seja realizada. Pressão de capital não é igual a parafuso de interior.
Quanto a duplicação da Rodovia BR-101, não ficou muito clara a explicação das autoridades. A BR-101 corta Alagoas norte-sul ligando o nosso estado a Pernambuco pelo município de Novo Lino e, a Sergipe pelo município de Porto Real de Colégio. São, portanto, cerca de 239 quilômetros de extensão. Nesse caso a propaganda é falsa, pois na verdade só serão duplicados 46 quilômetros, pelo que se entende após divulgação. O trecho nos parece que vai de Rio Largo ao entroncamento com a BR-104. Mas os políticos no geral bota logo a boca larga para diminuí-la nos retalhos: “Vamos duplicar a BR-101”. Depois de impressionar o público, a duplicação será apenas de 46 quilômetros. Essas manobras são típicas dos demagogos que acham facilidade em viver de política. Mesmo assim a trecho que será duplicado é relevante, pelo tráfego intenso da região.
Estamos aguardando também a realidade do asfalto no trecho sertanejo Batalha – Belo Monte, para retirar este último município do isolamento e da pobreza ora existente.
É lá onde se encontra a foz do rio Ipanema.


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O CASARÃO DE BONSUCESSO

*Rangel Alves da Costa

Defronte ao agora magro caudal do São Francisco, num alto vistoso, logo se avista a exemplar arquitetura e imponência de um casarão que remonta os tempos imperiais, desde que o caminho pelas águas era o único para se adentrar e desbravar os sertões. Seu construtor, como um soberano erguendo um forte para ter diante de si toda a visão panorâmica desde a primeira curva do rio, ali fez surgir uma história que se mantém tão viva como intrigante.
Construído pelos idos de 1887, a arquitetura antiga sempre se mostra mais imponente que as atuais formas arquitetônicas, ainda que o tempo tudo faça para fragilizar suas estruturas. Os materiais utilizados, em muitas situações, são tão resistentes que permanecem como inalterados. Assim, mesmo que a fachada e paredes externas tenham de ser constantemente reparadas, as estruturas continuam tão firmes quanto aqueles tempos primeiros.
Assim acontece com o Casarão da povoação ribeirinha de Bonsucesso, no Sertão Sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sempre denominado de casarão pela sua grandiosa construção e pela imponência que se destaca em meio às paisagens ribeirinhas das beiradas do Velho Chico, entre as margens de vegetação rasteira e as matas e caatingas sertanejas. Contudo, o que mais chama a atenção é a engenharia levada a efeito na sua construção, pois tudo fruto de grandes e penosos sacrifícios humanos.


Em Poço Redondo, somente a Gruta do Angico possui maior importância histórica que o Casarão do Bonsucesso. Este, fincado desde os primórdios da colonização ribeirinha defronte ao Velho Chico, numa parte mais elevada e de onde se avistam as águas nas suas distâncias, foi erguido num misto de poder e mando e de submissão escravista. E assim por que o Casarão, construído na pedra batida entre paredes largas, ainda hoje chora, sangra, agoniza a dor escrava entre suas paredes e seus arredores.
Como pode ser ainda observado em antigas fotografias (e recentemente chegou-me às mãos uma verdadeira relíquia fotográfica através da amiga Quitéria Gomes), ao lado do imenso e imponente Casarão havia outras construções para a criadagem serviçal, a senzala. Com efeito, no período de construção do sobrado, a escravidão imperava por todos os lugares, e muitos escravos foram trazidos para a região ribeirinha do São Francisco e gestaram muito do que ainda se tem como obra de quase eternidade.
Os negros foram trazidos para todos os tipos de trabalhos, desde a terra às construções. E foi assim com a grande moradia do senhor de então daquelas margens são-franciscanas. Ora, o poder e a riqueza têm que ser mostrar grandiosos, faustosos, imponentes, e tendo na mão escrava a cumprimento da ordem, tudo era feito para que a opulência também fosse mostrada através da residência senhorial. E assim foi ordenada a construção do sobrado com paredes de verdadeira fortaleza.
Que engenharia foi levada a efeito, com exigências verdadeiramente extravagantes. O senhor não desejava apenas a fortaleza para morar, mas também nos cercados e muralhas circundando a residência. Então ordenou também a construção de cercas (ou muros) de pedras. E pedra sobre pedra, numa junção arquitetônica ao modo da exatidão no encaixe das antigas civilizações. E não trabalho para durar meses ou anos, mas séculos, como depois se confirmaria.
Assim, não só nas paredes do casarão (de cerca de um metro de largura) como nas antigas cercas de pedras que corriam aos fundos e nas laterais, tudo erguido pela mão negra, pela mão escrava, tendo como a ordem o açoite e a obediência pelo lanho de sangue jorrando pelos lombos e pelas mãos. E há de se imaginar aquelas mãos em tão árduo ofício e de repente ainda tendo de suportar chibatadas em busca da perfeição.


Daí se dizer que as paredes e as cercas do Casarão, ainda que na pedra talhada, foram todas cimentadas pelo sangue negro. E por isso também a eterna presença escrava nesta indescritível riqueza histórica: o Casarão de Bonsucesso. Hoje ainda tão belo e suntuoso, mas ainda hoje também de tão triste memória pela sua dolorosa história. E uma história para também ser sentida na alma de hoje.
E ainda lá a imponência do belo Casarão. À sua frente as águas do Velho Chico, pelos arredores as paisagens sertanejas. E todo um sertão em suas mais diversas feições. Há que se dizer, contudo, das dificuldades de acesso e visitação de todos aqueles que desejem adentrar na histórica construção. Sob ordens do atual proprietário, os cuidadores não permitem visitas públicas. Lamentável que assim aconteça, vez que uma história para ser vivenciada e compartilhada e não apenas avistada.

Escritor
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