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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

CONVITE!









Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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O OUTRO LADO DA MOEDA NA GUERRA CONTRA O CANGAÇO.


Lampião teria realizado suas estrepolias pelos sertões do Nordeste bem mais sossegado se não fosse perseguido e tivesse em seu calcanhar a Força Policial Volante de Nazaré (Pernambuco) que cujos membros ficaram conhecidos na história cangaceira como “Nazarenos”.

Os Nazarenos tiveram papel importante e fundamental no combate ao cangaceirismo/banditismo que assolava os sertões do Nordeste naquela época. Muitos de seus membros, inclusive, eram movidos por dívidas de sangue o que aumentava ainda mais a garra e determinação desses homens em meio à caatinga em busca do aniquilamento de seus inimigos.

A valentia e a coragem demasiada desses homens fizeram com quê muitos sofressem ferimentos gravíssimos durante as refregas e até mesmo ocasionado a morte de vários de seus componentes.


Na fotografia em anexo estão os irmãos Aureliano Nogueira (Esquerda) e Hercílio Nogueira (Direita) membros da Força de Nazaré. Hercílio Nogueira foi morto durante um combate ocorrido na Fazenda Maranduba contra o bando de Lampião no dia 08 de janeiro de 1932, ainda no princípio do embate ente os cangaceiros e a Força Policial.

Geraldo Antônio de Souza Júnior

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terça-feira, 10 de outubro de 2017

INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA..!


Clássico da Literatura Nordestina. Ten. João Gomes de Lira nasceu 03/07/1913 na Fazenda Genipapo, Nazaré do Pico, Floresta-PE. Ingressou na Volante do famoso Manoel Neto em 16/07/1931, para combater Lampião e seu bando na Bahia, Sergipe e Alagoas. Seu João sempre recebeu os pesquisadores e estudiosos do Cangaço com a simpatia ímpar na sua residência em Nazaré do Pico. Tive o prazer de desfrutar da sua amizade, mesmo pouco, pois ele nós deixou em 03/08/2011, deixando muita saudade. Está no céu intercedendo por nós. Homenagens do Cariri Cangaço.

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SOU PARENTE DE CANGACEIRO, E DAÍ?

 Por Rangel Alves da Costa

Minha avó Emeliana era irmã - por parte de pai e de mãe, como se diz no sertão - de Manoel Marques da Silva, mais tarde apelidado como Zabelê no bando de Lampião. Manoel Marques o Zabelê, era filho de Antônio Marques da Silva e Maria Madalena de Santana, a Mãe Véia. Tio materno de meu pai Alcino Alves Costa era, pois, meu tio-avô. Rapazote ainda, quase na idade de menino, influenciado pelas andanças do bando do Capitão pela região de Poço Redondo, no sertão sergipano, eis que um dia decidiu seguir no rastro dos homens do sol, da lua e da catingueira. Abandonou a família para nunca mais retornar ao lar, ainda que muito andasse em séquito pela região e redondezas. Estava presente na Gruta do Angico quando Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram chacinados pela volante alagoana comandada pelo tenente João Bezerra, porém saiu ileso. Mas desse dia em diante ninguém mais teve notícia de seu paradeiro. 


Com o nome de pássaro, pois Zabelê é nome de bicho que voa, talvez tivesse voado para uma desconhecida distância. Durante muitos anos seus familiares entrecortaram regiões do país no seu encalço, em busca de seu paradeiro, mas sem jamais reencontrá-lo. Voou, Zabelê voou. Arribou para sempre e nunca mais retornou. Hoje é pássaro somente na história e na recordação. Deixou apenas um irmão e muitas irmãs, dentre as quais minhas tias Mariquinha, Osana, Cordélia, Mãezinha, Conceição e Rosinha, todas já falecidas. Seus parentes de hoje formam um Poço Redondo inteiro. Acima um retrato de algumas de suas irmãs, pela ordem: Mãezinha, Mariquinha, Emeliana (minha avó) e Cordélia.

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Segundo os relatos de velhos retirantes nordestinos que chegaram aqui no sul do Brasil em meados do século XX, para laborarem com o cultivo do café nas terras roxas das fazendas do norte do Paraná, nos comovem em saber pelos mesmos; que todos os militares comandantes de volantes que perseguiam os cangaceiros pelos ermos dos sertões, que ao chegarem em um estabelecimento comercial de qualquer cidade, vila o lugarejo nas “vendas, armazéns, empórios e outras do ramo”, que tais comandantes usando da maior soberba, intimavam os comerciantes ou proprietários em nome da “ Republica Nova”, para que lhes fornecessem de graça todo o tipo de mercadoria que precisassem para suas campanhas nas caatingas em perseguição aos criminosos. Que os milicianos aproveitavam e se apossando, pegavam e levavam de tudo, desde alimentos, bebidas, fumo, e diversos outros tipos de utensílios e até mesmo o que não precisavam. 


Que de todos os comandantes de volantes, o mais justo, correto e sensato era o nazareno Tenente Manuel Neto da intrépida volante Pernambucana, este sim! Comprava e pagava a vista todos os mantimentos, aviamentos e suprimento de que sua volante necessitava para se manter e combater o banditismo durante a longa jornada de perseguição aos perigosos cangaceiros dentro do mais inóspito bioma brasileiro.

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UMA BOA NOTÍCIA DE CARAÚBAS-RN – A RECUPERAÇÃO DA SECULAR CASA DA FAZENDA SABE MUITO

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Velha Casa do Sabe Muito, município de Caraúbas, Rio Grande do Norte.

Texto – Rostand Medeiros, através das informações de Gladstone Praxedes, de Caraúbas, Rio Grande do Norte, que gentilmente enviou as fotos aqui apresentadas.
Em 2014 o amigo Francisco Veríssimo de Souza Neto, da cidade de Apodi, informou ao nosso blog TOK DE HISTÓRIA que a secular casa senhorial da propriedade Sabe Muito, na zona rural do município potiguar de Caraúbas, estava ruindo. Na época o amigo comentou que parte do telhado havia caído e que existia a possibilidade de parte da velha residência poderia desabar durante o próximo inverno.

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A triste situação de como estava a velha casa em 2014 – Foto – Assis Oliveira

As informações transmitidas por Veríssimo foram oriundas da visita do jornalista Assis Oliveira à velha Casa do Sabe Muito, este inclusive me passou gentilmente algumas fotos que mostravam o estado complicado desta antiga casa.

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As atuais reformas – Foto enviada por Gladstone Praxedes.

Na época das fotos o jornalista Oliveira, que é nascido em Caraúbas e há muitos anos mora na cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul, retornava a sua terra natal depois de dezesseis anos de ausência. Certamente ele não gostou nada do que viu!
Para saber mais sobre esta informação veja a matéria publicada em 2014 acessando este link – https://tokdehistoria.com.br/2014/02/15/a-triste-situacao-da-casa-do-sabe-muito/

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Foto enviada por Gladstone Praxedes.

Pois bem, essa semana eu recebi a ótima notícia que a Casa do Sabe Muito está sendo recuperada.
Segundo Gladstone Praxedes, de Caraúbas, no ano de 2015 a propriedade foi adquirida pelo empresário Junior Praxedes, proprietário da Rede de Postos JP, que é natural de Caraúbas. Junior então tomou a iniciativa de restaurar com recursos próprios esse monumento histórico tão representativo dos sertões da região oeste do Rio Grande do Norte.

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Foto enviada por Gladstone Praxedes.

Eu não sou engenheiro civil, mas nem preciso de muita sapiência nessa área para compreender que uma casa daquele porte necessita de muitos recursos para uma reforma de qualidade, como a que está sendo executada pelo empresário Junior Praxedes. Para ele certamente ficaria bem mais barato e fácil passar uma patrol por cima da casa e ainda dava para ganhar algum dinheiro com a venda das telhas, madeiras e outras sobras da demolição.
Ainda bem que isso não aconteceu!

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Foto enviada por Gladstone Praxedes.

Independente do uso que o empresário destine a esta maravilhosa residência, um grande exemplo arquitetônico das antigas casas grandes das fazendas do sertão potiguar, o seu gesto merece todos os elogios e aplausos.
Queira Deus que este exemplo seja seguido por muitos outros!

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Foto enviada por Gladstone Praxedes.
https://tokdehistoria.com.br/2017/09/08/uma-boa-noticia-de-caraubas-rn-a-recuperacao-da-secular-casa-da-fazenda-sabe-muito/
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A DIOCESE DE MOSSORÓ GANHA A PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA, NO DIA 12/10;2017, EM SERRA DO MEL/RN.

Por Valério Bulcão

A Diocese de Mossoró ganha a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no dia 12/10/2017, em Serra do Mel, dentro das comemorações dos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo/SP. Neste dia acontecerá uma Romaria saindo da Catedral de Santa Luzia, ás 7h da manhã, com a imagem de Santa Luzia acompanhada da imagem de Nossa Senhora Aparecida com destino à Serra do Mel. Essa Romaria marca o início da peregrinação da imagem de Santa Luzia 2017 e os 175 anos da Paróquia que será celebrado no dia 27 de outubro. Participe!! Mais informações Catedral- (84)3321.3157.





Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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MOSTRA CULTURAL: GEOGRAFIA DO NORDESTE. - UERN - MOSSORÓ/RN. DIA: 09 DE OUTUBRO DE 2017 - LOCAL: PÁTIO DA FAFIC/UERN - MOSSORÓ/RN. RESPONSÁVEL: PROF. MS. JOSÉ ROMERO ARAÚJO CARDOSO (DGE/FAFIC/UERN)









Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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FALTAM DOIS DIAS


Enviado pelo professor escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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HOJE FAZ CEM ANOS DA MORTE DE DELMIRO GOUVEIA

By Jair Tavares

Quarta-feira, 10 de outubro de 1917, nove horas da noite, o Coronel Delmiro Gouveia, como de costume, sentado sob a luz elétrica do terraço do seu chalé na Vila Operária de Pedra (que ele mesmo construiu no agreste do estado de Alagoas), ler descontraído o seu jornal. Das sombras das plantas que adornam o jardim da residência, três vultos se esgueiram por entre os galhos e, de repente, ouvem-se três estampidos quase simultâneos de armas de alta potência. O Coronel é alvejado duas vezes: uma no braço e outra no coração. Acorre a sua casa o seu pseudo-amigo Firmino Rodrigues que o encontra, nos braços da atual esposa - dona Joventina, todo ensopado de sangue.


O cel. ferido sobrevive por mais alguns minutos, e ainda balbucia "mataram-me, quem foi o cabra que me matou? Valha-me Nossa Senhora!" e morreu quando o relógio batia 21:40 horas daquela fatídica noite.

Devido a quantidade significativa de inimigos poderosos que amealhara no decorrer de sua vida, sobravam motivos para a a sua eliminação. Por isto nunca se desvendou o mistério que envolveu a morte do coronel.


Delmiro Augusto da Cruz Gouveia foi um empreendedor futurista extraordinário que transformou "o nada" de uma região seca e inóspita do sertão nordestino, em um polo industrial de padrão invejável para a época. Era uma espécie de Midas moderno que transformava em ouro tudo que tocava.

Mas a facilidade com que ele ganhava dinheiro se assemelhava com a que ele atraía inimigos de toda sorte. E, tudo indica que ele já pressentindo a sua morte iminente, em 19 de maio daquele mesmo ano ele fez lavrar um testamento passando para os seus três filhos do primeiro casamento, toda a fortuna que lhe cabia no momento, cerca de quatro mil contos de Réis.

Não se pode julgar ninguém mas este Cel não tinha medo de quase nada e vivia mesmo vulnerável a uma tragédia deste tipo em toda parte onde estivesse. Quis o azar que isto acontecesse justamente na sua própria casa.


Quem quiser saber mais sobre este episódio procure adquirir o livro: Quem matou Delmiro Gouveia? - Gilmar Teixeira.) Ainda dará tempo para você adquiri-lo. Aqui está o e-mail do autor Gilmar Teixeira: 

gilmar.ts@hotmail.com

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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UM TRIBUTO 7.1



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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CARIRI CANGAÇO...FLORESTA E NAZARÉ DO PICO-PE

Por Manoel Severo
Honório de Medeiros, Manoel Severo e Ivanildo Alves Silveira

Estamos todos envolvidos e comprometidos com a realização de mais um Cariri Cangaço. Desta vez e mais uma vez em Pernambuco, desta vez e mais uma vez em Floresta e Nazaré. Todos os nossos esforços estão na direção de proporcionar tanto aos nossos convidados como à família Florestana, um grande evento, onde a harmonia e a cordialidade daqueles que prezam pelo que temos de mais preciosos que é nossa Memória possa mostrar mais uma vez ao Brasil o tamanho e a Força, de nossa História, Cultura e Tradição. O Cariri Cangaço é uma grande construção coletiva e só se justifica a partir dessa premissa...


As emoções que cercam esse maravilhoso momento que viveremos juntos nestes próximos dias 12 a 15 de Outubro serão muito grandes, Floresta e Nazaré respiram historia do sertão, são berço de grandes personagens e cenário de grandes acontecimentos e NOS AGUARDAM DE BRAÇOS E CORAÇÕES ABERTOS...SEJAM TODOS ESPECIALMENTE MUITO BEM VINDOS !!!!!

POR: Manoel Severo Barbosa / cangaceiros cariri
https://cariricangaco.blogspot.com.br/…/programacao-cariri-…


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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A CASA DAS IMORTAIS VELHARIAS

*Rangel Alves da Costa

De vez em quando gosto de ir visitar algumas imortais velharias. Vou ao mercado, subo ladeira, caminho pelos arredores do centro ou distancio-me ainda mais somente para visitar, conversar, prosear, folhear e me apaixonar ainda mais pelos livros antigos. Sim, prazer imenso em reencontrar as páginas já amareladas de um Garcia Márquez, de um Érico Veríssimo, de um João do Rio, de um Machado de Assis, de um Proust, de um Poe, de um Tagore. Sim, também Jorge Amado, Florbela, Sommerset Maugham, Exupéry, Walt Whitman, dentre tantos outros.

Nos sebos ainda existentes pela cidade, os possíveis e inusitados reencontros. Ora, não é toda hora que um Voltaire chega com cheiro de outros tempos, que um Dante ressurge das cinzas, que um José Mauro de Vasconcelos aparece com suas páginas ainda cheirando a pé de laranja lima. Aquele Drummond mais antigo, aquela Cecília Meireles primeira, aquele José Lins do Rego exalando o cheiro da bagaceira e do suor do engenho. Outro dia encontrei uma edição bonita de A Boa Terra, de Pearl S. Buck, também Hermann Melville e Harriet Beecher Stowe. Nas mãos, A Cabana do Pai Tomás e sua história tão bela e tão dolorosa.

Além desses, há outros clássicos da literatura mundial que, embora raramente, de vez em quando há a sorte grande de avistá-los escondidinhos pelos cantos das estantes ou mesmo nas caixas empoeiradas e baús compartilhados de traças. Talvez um Balzac, algum dos Dumas, um Charles Dickens, um Nietzsche, um Schopenhauer, um Kafka. Delicioso prazer em folhear um João Guimarães Rosa, seja numa página de Grande Sertão: Veredas, Sagarana ou Corpo de Baile. E encontrar Riobaldo e Diadorim em seu amor proibido.

Na minha estante já estão muitos moradores do meu Nordeste. De vez em quando folheio e releio Graciliano, João Ubaldo, Gilberto Freyre, Cascudo, Nertan Macêdo, João Cabral, Rachel de Queiroz, Tobias Barreto, dentre muitos outros. Contudo, realmente não sei o que acontece, mas o encantamento nunca é o mesmo quando o autor é encontrado pelos sebos da vida. É como se o inesperado acontecesse, como se um amigo muito distante de repente fosse avistado tomando um cafezinho numa mesa de canto.

Os autores não precisam ser de um passado tão distante que não se tenha como raridades. A raridade está na edição primorosa, na integralidade da obra, no seu conteúdo, na boa tradução, mas também pelo aspecto antigo que o livro passa a ter depois de alguns anos. Naquele amarelado cinzento, entre folhas já fragilizadas pelo tempo ou pelo uso, todo o encantamento e magia que se deseja sempre ter. Nas mãos, um mundo. Nas mãos, cavaleiros errantes, servidões humanas, tragédias e risos, amores desencontrados e reencontrados. Avista-se um moinho de vento, a bagaceira do engenho, o menino falando com seu pé de laranja lima, o olhar perverso da traição.

Os autores já partiram noutro romance do além, mas suas obras continuam permitindo os reencontros e as visitações. Mas os livros também partem de repente. Os bons livros escasseiam pelas traças, pelos descuidos, pelo mau uso. Daí se tornarem raridades aqueles que persistem em sobreviver sob os cuidados de um guardião da memória, nas bibliotecas públicas ou particulares, mas principalmente nos escondidos daqueles leitores mais apaixonados. Não raro, contudo, vão parar no lixo numa descuidada faxina. A salvação é quando encontram o caminho dos sebos, das casas das imortais velharias.

Os sebos se constituem em verdadeiros templos da arqueologia literária. Nem tudo que se encontra espalhado possui serventia, mas a exploração com afinco e persistência sempre revelará importantes e indescritíveis achados. Neles, os arqueólogos das letras ou os exploradores da boa escrita, lançam a pá do olhar logo no formato da brochura, na sua idade, no seu aspecto de preservação. Em seguida, logo cuidam de encontrar o nome da obra e seu autor. E é assim que surge uma raridade do Padre Antônio Vieira, um tratado filosófico, um Virgílio ou um Marco Aurélio. E já na posse do inusitado tão desejado, o leitor logo se confessa amigo daquela obra e diz que enfim encontrou aquele autor.

E assim por que os sebos não são apenas lugares onde livros antigos podem ser encontrados e comprados. Não. Os sebos são como as casas de inacessíveis ou distantes amigos, mas que de repente aparecem à janela com um sorriso, mesmo que já envelhecido. Os sebos são, assim, os bancos de praças onde os velhos se assentam despercebidos à espera de alguém que lhes reconheça. E que sente ao seu lado para o diálogo, para a relembrança, para o prazer da presença.

Coisa de três ou quatro dias atrás, entrei num desses sebos e quase não saio mais. Meu olhar se perdia pelas estantes, pelas caixas, pelos livros amontoados pelos cantos. Uma vontade danada de levar comigo dez, vinte, trinta livros. Separei apenas três: uma edição de Cem Anos de Solidão, de Garcia Márquez, e dois volumes de Lampião, Seu Tempo e Seu Reinado, de Frederico Bezerra Maciel. Paguei quase nada. O preço maior foi a despedida, o adeus àqueles velhos e queridos amigos.

Escritor
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OS VÂNDALOS

Por Clerisvaldo B. Chagas, 10 de outubro de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.755

Vândalos era um povo germânico que invadiu e devastou a antiga Hispânia e o Norte da África, onde fundou um reino. De certo tempo para cá, a palavra vândalo passou a ser utilizada no Brasil, como indivíduo destruidor dos bens públicos. Chamávamos por aqui a esse tipo de gente de maloqueiros, desocupados, vadios. Eles, os vândalos, quebram estátuas, bancos de praças, chafarizes, picham o patrimônio histórico e até incendeiam ônibus lotados de passageiros. Como não encontraram um nome mais forte para o sem-vergonha, ficou em vândalo, mesmo.

Foto de Mauro Wedekin

Semana passada, três adolescentes numa moto agiram pela madrugada na cidade de Porto Real de Colégio. Colocaram abaixo uma estátua de ferro e concreto em homenagem ao índio. Feito o serviço, partiram para a cidade sergipana de Propriá. Nessas alturas, chovem as opiniões domésticas sobre o vandalismo em cima de uma representação já estigmatizada. As destruições do patrimônio público acontecem nas cinco Grandes Regiões brasileiras, em algumas, é verdade, de forma mais intensa. Entre todas as causa das maldades está à básica falta de educação. Um povo educado não faz essas coisas diariamente por aí pelo simples prazer e ignorância dos danos.

Alcançamos ainda o tempo de vigias nos logradouros públicos. No interior sertanejo alagoano, não só em Santana do Ipanema, mas também em outras cidades, eles estavam ali noite e dia protegendo canteiros, bancos, estátuas e seus usuários. Recordamos, talvez do último deles, o soldado reformado Gonçalo. Uma doçura de pessoa que estava sempre no seu posto de trabalho e merecia a atenção e o respeito de todos. Até os comerciantes do entorno da Praça Manoel Rodrigues da Rocha (Praça da Matriz) cooperavam financeiramente com o ex-militar. Em Maceió não conhecemos monumentos que não tenham sido pichados, mutilados ou ambas as coisas. Mas se muita gente não enxerga o mal que está praticando, as autoridades tem obrigação de colocar vigias, como antes. Não estamos falando sobre a tal guarda municipal, polêmica e pior.

Semana passada, derrubaram o índio; qual será o alvo desta semana?



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MAIS UMA OBRA DO ESCRITOR E PESQUISADOR DO CANGAÇO VENÍCIO FEITOSA NEVES


Grande leitor do cangaço, você não pode deixar de adquirir esta obra, escrita por quem entende dos Pereiras do Pajeú e dos Feitosas dos Inhamuns. 

O livro contém 570 páginas, e pela quantidade de páginas você já imaginou o grande número de informações sobre os Pereiras do Pajeú e Feitosas dos Inhamuns.

Adquira logo o seu para não ficar sem ele em sua estante. Entre em contato com o professor Pereira lá em Cajazeiras, no Estado da Paraíba, através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br. 

Quem já o adquiriu sabe bem o belo trabalho do escritor e pesquisador Venício Feitosa Neves.

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