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domingo, 27 de maio de 2018

PROGRAMAÇÃO POÇO REDONDO 2018



PROGRAMAÇÃO CARIRI CANGAÇO 
POÇO REDONDO 2018

CELEBRANDO O CHÃO SAGRADO DE ALCINO

QUINTA-FEIRA 
Dia 14 de Junho de 2018 

6h00min - Alvorada Festiva e Queima de Fogos

19h00min – Noite Solene de Abertura 
Praça de Eventos
Poço Redondo-Sergipe

19h20min – Formação da Mesa de Autoridades
19h30min – Hino Nacional e Hino de Poço Redondo

19h40min – Apresentação do Cariri Cangaço
Por Conselheiro
RAUL MENELEU MASCARENHAS 
Aracaju-SE

19h50min - Fala das Autoridades

20h20min - Entrega de Comendas
Por Conselheiros 
CELSINHO RODRIGUES E MANOEL SERAFIM

20h50min - Cariri Cangaço, 
Mais que um Evento, um Sentimento 
MANOEL SEVERO BARBOSA

21h15min - Apresentação de Grupos Folclóricos
Feira de Cordéis, Xilogravuras e Literatura do Cangaço

22h00min - Show em Praça Pública

SEXTA-FEIRA
Dia 15 de Junho de 2018

8h30min - Saída para Curralinho

9h00min - Inauguração dos Marcos Históricos 
na Estrada Antônio Conselheiro

Cangaceiro Canário
Zé de Julião
As Cruzes dos Soldados
Tonho Canela
RANGEL ALVES DA COSTA
Poço Redondo-SE
MANOEL BELARMINO
Poço Redondo-SE

10h00min - Alto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição
Conferencia - Antônio Conselheiro: O Mito
CARLOS ALBERTO SILVA
Natal-RN
WESCLEY RODRIGUES
Sousa-PB
OLEONE COELHO FONTES
Salvador-BA

10h40min - Caminhada pelas ruas do povoado de Curralinho

11h00min - Margens do Rio São Francisco - Orla de Curralinho
Conferência - Lampião e as Novidades na Historiografia do 
Cangaço em Sergipe
ARCHIMEDES MARQUES
Aracaju-SE

12h00min - ALMOÇO

14h00min - Saída para Fazenda Maranduba

Visitações aos Marcos Históricos
Brió e Zé Joaquim
RANGEL ALVES DA COSTA
Poço Redondo-SE
MANOEL BELARMINO
Poço Redondo-SE

15h00min - Recepção na Fazenda Maranduba
GRUPO TEATRAL RAÍZES NORDESTINAS

15h30min - Inauguração dos Marcos Históricos
Serrote da Maranduba 
Cruz dos Nazarenos

16h30min - Capela da Maranduba
Conferência - O Fogo da Maranduba: Vitoria de Lampião ou Derrota 
das Forças Volantes?
IVANILDO SILVEIRA
Natal-RN

19h00min - Lançamentos de Livros
Praça de Eventos
Poço Redondo-SE

A Revolução Praieira no Sertão
LEONARDO FERRAZ GOMINHO

As Quatro Vidas de Volta Seca
ROBÉRIO SANTOS

Lampião, o Cangaço e outros fatos no Agreste Pernambucano
JUNIOR ALMEIDA

21h00min - Shows na Praça de Eventos

SÁBADO
Dia 16 de Junho de 2018

8h30min - Saída para Serra Negra
Pedro Alexandre - Bahia

9h30min - Solenidade de Abertura
Câmara de Vereadores de Pedro Alexandre

9h50min - Fala das Autoridades

10h00min - Entrega de Comendas por Conselheiros
NARCISO DIAS e LUIZ RUBEN BONFIM

10h15min - Conferência
A Importância de Serra Negra para a História do Cangaço
ORLANDO DE CARVALHO
Serra Negra - BA

10h50min - Visitação aos pontos Históricos de Pedro Alexandre

Quartel das Volantes
Praça João Maria de Carvalho
Rua Velha 
Praça General Liberato de Carvalho

12h30min - ALMOÇO

14h00min - Retorno para Poço Redondo

15h00min - Cortejo Festivo
Avenida Alcino Alves Costa
Poço Redondo-SE

15h30min - Inauguração do Marco em Homenagem a
ALCINO ALVES COSTA

16h30min - Inauguração da Reforma da Praça Lampião

17h00min - Feira de Livros e Artesanato
Praça da Matriz

19h00min - Praça de Eventos
Poço Redondo - SE

19h20min - Entrega de Certificados
FAMILIARES DE REMANESCENTES DO CANGAÇO
Por Conselheiros
KYDELMIR DANTAS e ELANE MARQUES
 ANTONIO VILELA e EDVALDO FEITOSA

Homenageados:

Família dos ex-cangaceiros Sila, Novo Tempo , Mergulhão e Marinheiro 
  Família dos ex-cangaceiros Adília e Delicado 
  Família do ex-cangaceiro Cajazeira (Zé de Julião)
  Família da ex-cangaceira Enedina 
  Família das ex-cangaceiras Rosinha e Adelaide 
 Família da ex-cangaceira Áurea 
 Família do ex-cangaceiro Zabelê
  Família do ex-cangaceiro Canário
  Família do  coiteiro Manoel Félix 
  Família do coiteiro Adauto Félix 
  Família do coiteiro Messias Caduda  
19h30min - Conferência
O Legado de Alcino Alves Costa: Vida e Obra
RANGEL ALVES DA COSTA
Poço Redondo-SE

Depoimentos
JULIANA PEREIRA
Quixadá-CE

21h00min - Apresentações Artísticas

22h00min - Shows em Praça Pública

DOMINGO
Dia 17 de Junho de 2018

Aniversário de Nascimento de Alcino Alves Costa
O Caipira de Poço Redondo

6h00min - Alvorada Festiva e Queima de Fogos

7h00min - Missa de Aniversário
78 Anos de Nascimento de Alcino Alves Costa
MEMORIAL ALCINO ALVES COSTA
Poço Redondo - SE

8h30min - Café Sertanejo de Encerramento
Grupos Folclóricos
Forró Pé de Serra

Cariri Cangaço Poço Redondo 2018
Realização
INSTITUTO CARIRI DO BRASIL
Co-realização
PREFEITURA MUNICIPAL DE POÇO REDONDO
MEMORIAL ALCINO ALVES COSTA

Apoio
SBEC- SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO
GRUPO DE ESTUDOS DO CANGAÇO DO CEARÁ
ICC - INSTITUTO CULTURAL DO CARIRI
GPEC-GRUPO PARAIBANO DE ESTUDOS DO CANGAÇO
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO PAJEÚ

Mídia e Redes Sociais
GRUPO LAMPIÃO CANGAÇO E NORDESTE
GRUPO OFICIO DAS ESPINGARDAS
COMUNIDADE O CANGAÇO
GRUPO HISTORIOGRAFIA DO CANGAÇO
GRUPO DE ESTUDOS CANGACEIROS
O CANGAÇO NA LITERATURA
GRUPO SERTÃO NORDESTINO

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BENJAMIN ABRAHÃO BOTTO


Por Itailson Souza

O libanês que domou Lampião:

Benjamin Abrahão Botto que já havia sido secretário particular do Padre Cícero, parte para sua maior aventura: capturar imagens do homem mais procurado no Nordeste.

Quarenta e duas facadas decretaram o final, no dia 9 de maio de 1938, da cinematográfica vida do libanês nascido no lugarejo chamado Zahelh e que deixou o seu país natal durante a I Guerra Mundial. Benjamin Abrahão Botto veio parar no Brasil, mais precisamente em Pernambuco, muito longe dos Estados Unidos que seria o destino preferencial na sua rota de fuga. Ele estabeleceu-se no Recife como mascate, vendendo inicialmente tecidos. Depois, ampliou suas ofertas para produtos vindos do Sertão, como rapadura, farinha e carne-de-sol.

No início dos anos 20, empreendeu sua primeira aventura pelo interior, chegando até Juazeiro do Norte, no Ceará, onde se tornou secretário particular do Padre Cícero, considerado "santo" pelos romeiros que afluíam de todos os lugares do Nordeste. O médico e historiador Napoleão Tavares Neves ressalta que "Abrahão ganhou a simpatia do religioso com uma mentira. Ao ver aquele homem diferente no meio da multidão, Padre Cícero, beirando os 80 anos de idade, teria se emocionado ao saber que o estrangeiro de fala enrolada nascera em Belém, na Palestina, o lugar de nascimento de Jesus Cristo".

Foi ao lado do Padre Cícero que Benjamin Abrahão conheceu, no início de março de 1926, o homem que mudaria o seu destino. Lampião, o rei dos cangaceiros, tinha ido a Juazeiro do Norte para receber uma patente de Capitão e depois lutar contra a Coluna Prestes.

https://www.youtube.com/watch?v=O33Flqcp5B4

Os caminhos do libanês e do pernambucano de Serra Talhada se cruzariam novamente em 1936, quando Benjamin Abrahão, com uma carta de apresentação do Padre Cícero (falecido dois anos antes) e equipamentos obtidos na Aba Film, sediada em Fortaleza, parte em busca do bandido mais famoso do Nordeste com um objetivo: registrá-lo em celulóide.

O capitão Virgulino Ferreira é ignorante, mas inteligência não lhe falta Armado com uma câmera de corda Nizo Kiamo, de 35 milímetros e lente Zeiss, cinco rolos de filme e mais uma câmera fotográfica Interview Établissements André Debrie, o libanês seguiu o rastro do bando de Lampião. Todo esse material, lhe foi entregue pelo Sr. Ademar Bezerra de Albuquerque, proprietário da ABA-FILM.

Graças aos contatos do Cel. Audálio Tenório, chefe político de Águas Belas/PE, ele obteve a permissão de se aproximar dos cangaceiros na Fazenda Bom Nome, em Alagoas. Desconfiado, Lampião ordena que Abrahão fique na frente do equipamento para o primeiro take (foto), para se certificar de que não era uma armadilha.

Com todos os filmes recheados de cenas do bando, Abrahão parte para Fortaleza. Depois de revelado, o material entusiasma Adhemar Albuquerque, que cede mais material para nova sessão de filmagens na caatinga. Depois de mais cenas da vida cotidiana dos cangaceiros, era hora de divulgar a novidade.

Em 27 de dezembro de 1936, o Diário de Pernambuco é o primeiro jornal do Brasil a publicar a façanha do libanês. Na entrevista, recheada de fotos de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros, Abrahão descreve como se encontrou com o homem que a polícia de sete estados não conseguia prender ou matar por quase duas décadas.

"Fiz tudo para ver se escapulia alguma frase indiscreta. O capitão é ignorante, mas inteligência não lhe falta", afirmou Abrahão ao Diário.

O Cine Moderno, em Fortaleza, abrigou, no dia 2 de julho de 1938, a única exibição pública do filme de Benjamin Abrahão. Na platéia, o chefe de Polícia, Cordeiro Neto, jornalistas e convidados para uma sessão privada. As cenas na tela causaram revolta.

Como o Governo Vargas iria admitir que um bandido pudesse ser retratado como o rei da caatinga, dando ordens ao seu bando, costurando, lendo e rezando o ofício? O material acabou apreendido pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e só foi redescoberto em 1957.

A ferrugem das latas, o mofo e a poeira destruíram mais de 90% do material coletado pelo libanês nos seus dois encontros com Lampião. Restaram apenas cerca de 11 minutos de imagens. Nelas, os temíveis cangaceiros aparecerem sorrindo, encarando a câmera, simulando combates, dançando e despreocupados com a repressão oficial.

Benjamin Abrahão já não podia mais defender sua obra. Dois meses antes da exibição de Lampeão, o Rei do Cangaço, ele foi assassinado em Itaíba - Águas Belas/PE, no interior de Pernambuco, crime atribuído a um sapateiro, deficiente físico enciumado pela traição da mulher com o estrangeiro. Mas muitos já estavam incomodados com as cobranças de Abrahão da ajuda financeira prometida para a realização do filme.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/permalink/822700457938900/

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sábado, 26 de maio de 2018

LUIS PEDRO AMIGO FIEL DE LAMPIÃO.


Por Beto Rueda

Nasceu próximo ao lugar Retiro, cercanias do município de Triunfo, na zona do Pajeú, divisa de Pernambuco e Paraíba.

Seu nome real era Luis Rodrigues de Siqueira. Seu pai, Pedro Alexandrino de Siqueira, conhecido por Pedro Vermelho (Por isso, os filhos ficaram conhecidos como "os Pedro").


Entrou no Cangaço devido a uma vingança: Após a morte de um primo chamado Henrique, ocorrido no final do ano de 1923, Luis Pedro matou o assassino do primo.

Com medo de ser preso, foi pedir proteção a Lampião.

Arte do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

Nessa ocasião, Virgolino que estava na região, no sítio Almas, que pertencia a João Timóteo de Lima, casado com uma moça da família de Luis Pedro.

Foi bem acolhido e iniciou ali a sua trajetória cangaceira. Contava na época, com quatorze ou dezoito anos(Existe uma divergência em relação a idade). 

Muito leal, destacou-se como uma pessoa de palavra, equilibrado, sempre bem humorado e corajoso. Com o tempo passou a ser conselheiro e homem de confiança.

Neném do Ouro e Luiz Pedro

Teve como companheira nas veredas do sertão, a baiana Neném.

Sem dúvida foi o cangaceiro que mais tempo acompanhou Lampião. Do final do ano de 23/início de 24, até o final, na grota de Angico, no dia 28 de Julho de 1938.

Fonte: IRMÃO, José Bezerra Lima. Lampião a Raposa das Caatingas.
Salvador: JM Gráfica e Editora, 2014.
Referência: Seminário Cariri Cangaço: E por falar em Luis Pedro..
BASSETTI, José Sabino, 2011.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: 

franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com
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'LAMPIÃO E O CANGAÇO NA HISTORIOGRAFIA DE SERGIPE' PELO AUTOR ARCHIMEDES MARQUES


Por Shirley M. Cavalcante (SMC)
Archimedes José Melo Marques, natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, nasceu em 24 de novembro de 1956. Formado em Direito pela Universidade Tiradentes, é delegado de polícia no Estado de Sergipe há mais de trinta anos. Na área policial, possui o curso de Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Segurança Pública, pela Universidade Federal de Sergipe.
É escritor de artigos e contos diversos nas áreas policiais e afins, publicados em sites e jornais escritos, espalhados pelos quatro cantos do Brasil e além fronteiras, com vários textos publicados em livros. “Lampião contra o Mata Sete” foi sua primeira obra literária, um livro contestação ao seu opositor “Lampião, o Mata Sete”. O seu segundo trabalho, fruto de quase oito anos de pesquisa, é a coleção “Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe”, composta de cinco volumes (até o momento somente o primeiro volume lançado), uma obra riquíssima em todos os detalhes que traz boas novidades para os amantes do tema e para a própria história do cangaço.
“O cangaço, sem dúvida, foi um movimento que marcou os nossos sertões de forma negativa na época, mas de forma positiva para a atualidade.”
Boa leitura!
Escritor Archimedes Marques, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a escrever sobre o cangaço?
Archimedes Marques - Faço parte do Movimento Cariri Cangaço, na qualidade de Conselheiro. O Movimento Cariri Cangaço é o maior evento do mundo dentro do assunto Cangaço, Sertões, Nordeste e afins, que reúne anualmente mais de 300 escritores, historiadores, pesquisadores e amantes desses temas para palestras, debates, apresentações e visitas aos locais históricos. Daí, em nome disso tudo que é pura história, resolvi enveredar pela literatura cangaceira, literatura essa que já passa dos 800 títulos diferentes de diversos autores, mas ao que parece é um assunto que não se esgota, pois a cada ano descobrimos algo novo, a cada ano surge um novo autor para trazer essa história ao patamar de mais aproximada possível da verdade.
Apresente-nos “Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe”:
Archimedes Marques - Foram nove anos de atuação do bando de Lampião em terras do baixo São Francisco, notadamente em Sergipe, de 1929 a 1938.A partir de suas fortes ligações com o mandonismo local, veio a estabelecer um verdadeiro feudo sob suas ordens, instalando o terror e o medo, trazendo sofrimento para as muitas povoações e lugarejos do menor estado da federação.E é justamente dentro desse contexto que o livro procura colocar em “águas mais cristalinas” essa história, com o confronto de uma infinidade de entrevistas, debruces em arquivos públicos, documentos diversos, registros iconográficos, mapas, escritos, enfim, com novas pesquisas de campo, fazendo com que tudo pudesse estar em permanente diálogo na direção do fortalecimento da verdadeira história, ou seja, a definição mais aproximada do que realmente foi a passagem de Lampião por terras sergipanas, trazendo em seu bojo muitas novidades nunca antes publicadas.
Quais os principais desafios na construção do enredo que compõe a obra?
Archimedes Marques - Desafios há em todos os projetos de nossas vidas, e isso nos faz sair fortalecidos quando alcançados nossos objetivos. No caso em pauta, em virtude de eu exercer o cargo de delegado de polícia, fui e ainda continuo sendo criticado por muitos que confundem a coisa, ou seja, pensam que no fundo defendo Lampião, um bandido, quando na verdade defendo a história; para dizer a verdade, a grande história dos nossos sertões nordestinos, e porque não dizer, da grande história do nosso Brasil, uma história de sangue e lágrimas para multidões, mas também uma história de orgulho para tantos outros. O Major Optato Gueiros, da Força Pernambucana, inimigo e exímio perseguidor de Lampião, reconhecendo a força desse cangaceiro disse o seguinte: “Lampião foi um instrumento nas mãos de Deus para executar uma justiça que nem a polícia nem os juízes poderiam fazê-lo”.
Apresente-nos os principais objetivos a serem alcançados com a publicação de “Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe”.
Archimedes Marques - A história do cangaço sempre foi banhada em mitos, galgada em criações, mergulhada em invencionices, submergida em exageros e até mesmo estrangulada em mentiras propositais ou omissões descabidas, sem contar as tantas lendas daí surgidas, por isso é tão diversificada, tão bifurcada, possui tantas vertentes, pois além de tudo, Lampião, o símbolo maior desse tema, virou um mito, um mito, acredito, impossível de desmitificar. Desse modo, como já dito nas entrelinhas, o objetivo principal dessa obra é mostrar a história nua e crua como ela de fato ocorreu, ou pelo menos a mais verossímil possível.
Qual a passagem do livro que mais o marcou, quer seja pela pesquisa ou o momento, enquanto escrevia a obra?
Archimedes Marques - A história relativa às cangaceiras sempre foi muito intrigante. Procurar saber o porquê de pacatas sertanejas se atreverem a deixar  seus lares, abandonarem seus pais, suas famílias, para viverem em eternas perseguições policiais ao lado de perigosos bandidos, sempre é uma incógnita.E é dentro desse contexto que surge o exemplo maior: Maria Bonita, a pioneira das cangaceiras, mulher de coragem e porque não dizer, “revolucionária”,pois revolucionou a sociedade machista da época, e com ela trouxe novas adeptas. E é justamente relativo a essa grande mulher que trago a maior novidade da coleção, uma novidade ocorrida dentro da cidade de Propriá, em Sergipe, uma novidade que até então pesquisador algum tinha chegado a tanto. Essa é a descoberta e passagem que mais me marcou.
Além desta obra sobre o cangaço, você tem “Lampião contra o Mata Sete”, apresente-nos esta obra literária.
Archimedes Marques - Há alguns anos um cidadão conterrâneo sergipano escreveu um livro intitulado “Lampião, o Mata Sete”, obra que infelizmente o autor esqueceu o rumo da história do cangaceirismo, e de modo diverso tentou contrariá-la, afastou o seu roteiro, escondeu os caminhos claros e andou pelas veredas. Trouxe um conteúdo que não interessa a ninguém, muito menos aos amantes, pesquisadores, curiosos da história do cangaço no Nordeste brasileiro. É patente a premeditação do enredo em busca do ataque. Do primeiro ao último capítulo a emissão de juízo de valor subjetivo pelo autor fluiu de forma tão exacerbada, que faz os pelos do leitor se arrepiarem a ponto de tamanho de sobressalto, e cair no campo da indignação, principalmente por não apresentar provas, nem mesmo indícios. Afirma o autor que Lampião era um homossexual, covarde e medroso, que nada entendia de guerrilhas; e Maria Bonita,uma mundana adúltera, mulher de muitos, tudo no sentido de desmitificá-los. Enfim, usando de perspicácia rasteira e invencionices, tenta mudar os rumos da verdadeira história. Desse modo, vendo tamanha insensatez, escrevi sua contestação: “Lampião contra o Mata Sete”, uma refutação que desmonta pedra sobre pedra a pretensão do seu opositor, que além de tudo traz um livro de todo equivocado com fatos trocados, datas erradas, nomes diferentes, erros que pululam a cada página e provam que o seu autor NUNCA FOI E NUNCA SERÁ UM VERDADEIRO PESQUISADOR.
O que mais o encanta no cangaço?
Archimedes Marques - O cangaço, sem dúvida, foi um movimento que marcou os nossos sertões de forma negativa na época, mas de forma positiva para a atualidade. De forma positiva, porque hoje milhares de pessoas vivem do comércio de livros, de escritos diversos, de utensílios, de artesanatos, de turismo, de filmes, de teatros... enfim, vivem e sobrevivem dessa história tão intrigante quanto encantadora, ou seja, o cangaço ultrapassou décadas, e por certo ultrapassará séculos. Quer encanto maior?
Onde podemos comprar seus livros?
Archimedes Marques - Infelizmente meu primeiro livro “Lampião contra o Mata Sete” já se esgotou e não lancei a segunda edição, porque o autor contraditado não lançou a segunda edição do seu “Lampião, o Mata Sete”. Já o livro atual “Lampião e o Cangaço na Historiografia De Sergipe” não se encontra em livrarias, mas pode ser adquirido em contato direto comigo pelo e-mail: archimedes-marques@bol.com.br
Quais os seus principais objetivos como escritor?
Archimedes Marques -Como não sou escritor de ficção e sim um historiador,  meu principal objetivo é propalar a verdade dos fatos, para que estes sirvam de parâmetros a gerações futuras, e com isso meu nome fique marcado como dos mais sérios historiadores.
Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Archimedes Marques. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?
Archimedes Marques - Como existe gosto para todos os tipos de literatura, sugiro aos amantes do tema cangaço que procurem ler os livros mais sérios, os menos tendenciosos, os menos inventivos, os menos alucinados, aqueles pesquisados e escritos por historiadores mais renomados, mais acreditados, pois só assim estaremos propagando a história mais próxima da realidade.
Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.
franpeima@bo.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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LA LUNA

*Rangel Alves da Costa

Estava lendo um poema. La luna o seu nome. E dizia assim: La luna, mulher e lua. Um nome e uma luz. Um beijo na face e um olhar dourado. Ela está lá em cima,  la luna. E quem dera que aqui estivesse, mulher...
A lua de ontem também estava um poema. Minha la luna de solidão. Ela estava cheia, imensa, belíssima e misteriosa. E também perigosa, segundo os crentes nas interferências lunares.
Creio na magia da lua cheia, no seu imenso poder de atrair, envolver, transformar. Basta um simples olhar para a sua face e algo misterioso surge diante do olhar. E também na mente.
No ser humano, é a mente que mais sofre influência da lua cheia. Como é a mente que irradia todas as forças e propensões pelo corpo, então todo o ser passa a ser submetido ao poder daquela luz imensa.
Tento avistá-la apenas na sua beleza, na sua luminosidade indescritível. E trago tal grandeza para o romantismo que aflora, para a nostalgia que ressurge, para a poesia do instante.
Eis que, indubitavelmente, a lua cheia faz o amante ficar propenso a mais amar, o saudoso a entristecer ainda mais, o poeta a encontrar versos jamais imaginados em outras fases lunares.
Eis que a lua cheia desperta a emoção, sentimentalismo, reencontro. Ninguém é capaz de mirar tamanha esfera dourada e se fazer de forte ou de alheio ao que ela forçosamente transmite.
Eis que ninguém consegue simplesmente mirar a lua cheia e depois retornar o olhar sem trazer na íris todo um mistério indecifrável, toda uma força que poderosamente age pelas entranhas adentro.
Nesta noite não pude, pois numa cidade sem campo aberto ao redor, mas gostaria de ter esperado essa lua do alto duma montanha ou em cima de uma pedra grande. E abrir os braços e erguê-los para o alto como se desejasse abraçar toda a luz.


E conversar com a lua cheia, dialogar com seus segredos e mistérios, me confessar escravizado diante do poder de sua luz. E somente assim conseguir sair de lá sem me deixar levar por aquele clarão. E subir e subir, ou descer e descer...
Fico imaginando quanta ação dessa lua perante homens, animais, águas e todos os elementos da terra. Tenho a máxima certeza que não há um só elemento sobre a terra, um só grão de areia, que naquele momento não estivesse sendo afetado pela força e poder da lua cheia.
Os loucos, coitados, mais enlouquecidos ainda, transtornados e transformados, envoltos no dilema de querer subir a qualquer custo até alcançar o imenso anel. E assim porque atraídos para o amor da lua, para a paixão da lua, para o inexplicável da lua.
Os loucos, pobres coitados, tentando a todo custo fugir daquela luz chamejante, buscando se esconder para não ter de mirar aquilo que se alastra para ferir, machucar, dilacerar a alma.
Mas não consegue, pois nada consegue se esconder ou fugir da lua cheia. Os loucos se amarram a objetos, trancam portas e janelas, correm para esconderijos, mas nada disso surte qualquer efeito. E de repente já estão do lado de fora, com as mãos sobre a cabeça, gritando, já sem forças para evitar que ela os chame ao alto.
Sob o clarão do luar, os apaixonados se ajoelham, os amantes se tornam vorazes, as inocências só pensam em pecar, os pecados afogueiam os corpos, os copos são transbordados, os seres se entregam sem medo.
Nas distâncias das águas os barcos e velas naufragam com a força das ondas, com os movimentos revoltosos dos azuis. Os cais são povoados por seres estranhos, de pessoas que vagueiam perdidas, e todas desejosas de ir beber da luz do luar sobre as águas.
E eu nem sabia mais o que fazer. A noite tão bela, a lua tão cheia, a lua chamando, e fui. Segui até a janela para novamente voltar o olhar para o alto e ver se na lua avistava o eu poeta que já havia sido chamado. E tive que reencontrá-lo lá em cima.
Minha la luna estava lá em cima. E eu apenas aqui. Apenas aqui.

Escritor
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