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segunda-feira, 11 de março de 2013

O Lado B do Rei do Baião - Rev. Continente


O CD Luas do Gonzaga é mais um dos bons serviços prestados à música brasileira pelo pesquisador, compositor, cantor e violonista baiano Gereba Barreto. Fã e amigo do Rei do Baião, Gereba - que tem cinco discos lançados com seu grupo Bendegó e várias de suas composições gravadas por grandes intérpretes da MPB, além de ter produzido arranjos para mais de quarenta álbuns – dedicou-se a realizar um sonho de seu ídolo. Em Luas do Gonzaga, o músico e, agora, produtor resolveu deixar adormecido o legado do Mestre Lua enquanto forrozeiro e despertou outra faceta do filho de Exu. Choros, serenatas, valsas e maracatus compostos e gravados por Gonzagão, entre as décadas de 1940 e 1950, chegaram ao conhecimento do público no final de 2012, ano em que foi comemorado o centenário do Rei do Baião. As canções foram descobertas por Gereba em 1985, durante a festa dos 73 anos de Gonzaga, na sua fazenda, em Exu. Incomodado com o rótulo de ser apenas forrozeiro - sentimento compartilhado com Gereba -, Gonzaga, certamente, estaria feliz de ver suas obras inéditas em outros ritmos, feitas com qualidade e sentimento, ao alcance popular.

As músicas que compõem o álbum - um total de 15 - faziam parte do acervo de gravações instrumentais de Gonzaga, em discos de 78 rotações. Durante cinco anos, Gereba pesquisou os compositores adequados para dar letras às melodias, além de ter enfrentado dificuldades com os direitos autorais. “Decidi que estas valsas e os choros tinham que sair do anonimato e resolvi passá-los para os nossos queridos poetas Fernando Brant, Zeca Baleiro, Abel Silva, Carlos Pitta, J. Velloso, Maciel Melo, Lirinha, Bené Fonteles, Xico Bezerra e Tuzé de Abreu”, escreveu no texto que abre o encarte do disco.

Reprodução/Capa

Na vinheta de 22 segundos que principia o álbum, a voz de Luiz Gonzaga relata parte de sua trajetória quando era soldado do exército em 1939 e “se arrumou” para ir  a São Paulo em busca de uma sanfona que comprara à prestação. A audição pertence ao acervo de Gereba Barreto gravado em Exu, em 1985. Na mesma faixa, a atriz Ingra Liberato narra o que seria a abertura de um programa de rádio intitulado Treze de Dezembro, data em que Luiz Gonzaga nasceu, anunciando Luas de Gonzaga como um capítulo da vida do Rei do Baião que será apresentado aos ouvintes dali por diante.

O choro que vem em seguida, Treze de Dezembro, na voz de Gilberto Gil, é uma evocação ao nascimento da maior voz do sertão e foi composto na ocasião dos 73 anos de Gonzaga, no sertão de Pernambuco. “Era já noitinha quando Gil chegou com seu violão e um pedaço de papel de pão na mão escrito com a letra do belo choro que “seu” Luiz fez em 1952. Gil cantou com aquele swing maravilhoso que só ele faz em seu violão”, recorda Gereba no texto de apresentação do álbum.

Nada é mais inusitado do que o maracatu intitulado Rei Bantu, com fragmentos de cantigas tradicionais de Recife, recolhidas por Lenine, que gravou a faixa junto com Margareth Menezes. Em Galope além do mar e Sete Luas do Gonzaga, Gereba assina as melodias, que ganharam letras de Capinan e Ronaldo Bastos, respectivamente, além da interpretação de Jussara Silveira nesta última.

Nota-se um fio condutor feminino sobre parte das canções, a começar por Lygia, gravada por Jorge Vercillo. Depois vem Mara, com letra e voz de Zeca Baleiro, Marieta,por Jair Rodrigues, Verônica, no canto teatralizado de Lirinha e, por último, Wanda, na voz de Flávio Venturini. Todas batizadas com nomes de mulheres que, provavelmente, passaram pela vida de Gonzaga e serviram de fonte de inspiração para o mestre.

Divulgação/Gereba Barreto não descansou enquanto não trouxe à tona a versatilidae do Mestre LuaOutra faixa que merece atenção é a valsa Passeando em Paris, interpretada com primor por Elba Ramalho e agraciada com os assobios de Gereba. Pisa de mansinho vem para amaciar ainda mais o conjunto da obra. “Pise de um jeito / que mais tarde a saudade / me traga de volta / o chamego desse teu pisar”. Além da composição de Xico Bezerra, que casou perfeitamente com as vozes de Adelmario Coelho e Santanna, a melodia é um daqueles chorinhos que grudam na cabeça, conquistando o ouvinte de imediato. Ná Ozzeti, Fagner, Dominguinhos e Maciel Melo também cantam no disco.

Luas do Gonzaga é dotado de atributos que o fazem, facilmente, entrar para a lista de registros raros da música brasileira. Fundamentado nas memórias de quem conviveu com o Mestre Lua e testemunhou episódios importantes de sua vida artística, o disco ainda ressalta a musicalidade de Gonzaga antes mesmo deste ser coroado como o Rei do Baião. “Primeiro fui fã, depois para minha completa realização, tornei-me amigo e, melhor, tenho orgulho de ter possibilitado grandes realizações em sua vida como, por exemplo, tocar pela primeira vez, em 1974, para uma plateia nobre de mais de cinco mil pessoas na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. É bom lembrar que antes disso ele só se apresentava pela perifeira de Salvador”, diz o baiano de Monte Santo.

Gereba Barreto ainda acertou em cheio na seleção de letristas e intérpretes, que, por sua vez, se apropriaram de forma bastante rica e autêntica, cada um ao seu modo, das canções compostas pelo Mestre Lua. “Percebo que essa intuição era uma espécie de destino, para dar visibilidade a uma obra do 'seu' Luiz muito pouco conhecida. Tenho ciência de que, ao abraçar este projeto e possibilitar essas parcerias de tão ilustres autores da música brasileira com o nosso Gonzagão, estou cumprindo mais uma sagrada tarefa para a cultura popular brasileira”, conclui Gereba.


Bethânia Lima
Assistente de Eventos
84. 3212-5553/3211.5304

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Salif Keita, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei...
Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...

Chico César

Enviado pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço: Kydelmir Dantas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

domingo, 10 de março de 2013

O DIA QUE OS RUSSOS ESPIONARAM A BARREIRA DO INFERNO

Por: Rostand Medeiros

UM DESCONHECIDO EPISÓDIO DA GUERRA FRIA EM ÁGUAS POTIGUARES


Ouve um tempo em que Natal olhava para o céu e via interessantes rastros espiralados de fumaça branca, que às vezes marcava grandes extensões do firmamento. Era a época em que Natal ficou conhecida como “Capital Espacial do Brasil”, termo irradiado entusiasticamente pelas rádios locais para mostrar a importância do Centro de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno, na época um local único no país.

Foto atual do complexo da Barreira do Inferno

Era a década de setenta do século passado, período em que nosso país vivia um período difícil, fechado e o mundo estava em plena Guerra Fria, se mantendo em permanente estado de tensão, sempre com o medo presente de uma hecatombe nuclear entre os americanos e os russos soviéticos. Este conflito ideológico era distante de nossa realidade e não dávamos a mínima atenção.

Mas houve um dia os soviéticos decidiram espionar a nossa Barreira do Inferno.

Natal Soltando Foguetão

A história da implantação do Centro de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno confunde-se com a história do inicio das atividades espaciais no Brasil.

A ideia de o Brasil galgar o espaço exterior tem início com o próprio desenvolvimento dos processos tecnológicos de lançamento de foguetes pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial. A ideia de ficar para trás neste novo desenvolvimento tecnológico não passava na cabeça de algumas pessoas inteligentes que havia em nosso país naquela época. Logo com a criação de instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1950 e o surgimento do Centro Técnico de Aeronáutica, hoje o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), como órgão científico e técnico do Ministério da Aeronáutica apontava para a necessidade do desenvolvimento de um projeto de programa espacial brasileiro.

Mas como bem sabemos, no governo brasileiro aqueles que têm ideias interessantes, têm proporcionalmente grandes dificuldades no desenvolvimento de seus projetos por conviverem com medíocres e carreiristas de plantão, que não sabem perceber no presente as necessidades do futuro.

Mas como também sempre ocorre no nosso país, só após termos visto que estrangeiros dão importância a uma determinada coisa, é que iniciamos as mesmas atividades.

Muitos artefatos disparados em cabo Canaveral, eram monitorados pela estação de Fernando de Noronha – Fonte – NASA

Em 1956 os Estados Unidos chamaram o governo brasileiro para participar como parceiro na criação  de uma estação de rastreio de veículos espaciais no Arquipélago de Fernando de Noronha. Ali deveriam acompanhar a trajetória dos artefatos lançados em Cabo Canaveral, na Flórida.

Vendo que não poderia deixar de participar do desenvolvimento aeroespacial que acontecia no mundo, o governo brasileiro decidiu construir uma base de lançamento de foguetes. A princípio foram escolhidos três locais no Nordeste para a sua instalação: Fernando de Noronha, Aracati (Ceará) e a região próxima a praia de Ponta Negra. Após uma análise, decidiu-se que Ponta Negra era o local ideal.

Em 05 de outubro de 1964 teve início a construção das primeiras edificações do centro de lançamento. Recordo de uma antiga reportagem de um jornal local, que até mesmo grupos de presidiários de bom comportamento foram utilizados na construção da estrada de acesso a base. Oficialmente a base foi primeiramente denominada Campo de Lançamento de Foguetes de Ponta Negra, mas depois receberia a denominação de Centro de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno.

Esta era uma área pouco frequentada por pescadores, pela existência de uma grande falésia de arenito, muitas pedras e forte correnteza que não ajudava em nada a navegação das pequenas jangadas dos pescadores da vila de Ponta Negra.

Um recente lançamento na Barreira do Inferno

Em 15 de dezembro de 1965 ocorreu o primeiro lançamento de um foguete na Barreira do Inferno. Foi um foguete americano de dois estágios NIKE-APACHE, fruto de uma nova cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos, com a participação de técnicos da NASA.
Logo um foguetório de fazer inveja em festa de São João era visto nos céus potiguares. Chegou um momento que de tão comuns, os rastros dos foguetes já nem chamavam mais a atenção das pessoas na cidade. De toda maneira o espetáculo enchia de orgulho o povo de nossa terra, sendo referência no Brasil. Até o grande sanfoneiro Luiz Gonzaga colocou na sua música “Nordeste prá frente“ o seguinte refão;

“Caruaru tem sua universidade

Campina Grande tem até televisão

Jaboatão fabrica jipe à vontade

lá de Natal já tá subindo foguetão…”

Participação Estrangeira

Por sua localização no Nordeste do Brasil, próximo a linha do Equador e suas instalações, a Barreira do Inferno começou a chamar a atenção dos centros de desenvolvimento espacial espalhados pelo mundo afora. Vários projetos internacionais foram firmados entre o nosso país, estados e centro de pesquisa estrangeira. A NASA e o Max Plank Institute, da então República Federal da Alemanha, se tornaram utilizadores habituais das instalações da Barreira do Inferno e seus cientistas eram clientes comuns do novo hotel dos Reis Magos, na praia do Meio.

Foguetes tipo Nike-Ajax, Nike-Cajun, Nike-Iroquois, Javelin, Aerobee e outros eram aqui lançados. De dezembro de 1965 a março de 1972 a Barreira do Inferno já havia disparado um total de 381 foguetes. O lançamento de número 382 estava previsto para ocorrer no dia 7 de março de 1972, onde um modelo Black Brant 5C, fabricado pela empresa canadense Bristol Aerospace e vendido para os alemães desenvolverem seus projetos de pesquisa espacial, subiria a partir da Barreira do Inferno.


Esta operação era parte do Projeto Aeros, onde o custo de 1 milhão de dólares do disparo era totalmente financiado pelo estado germânico e trazia algumas novidades em relação aos lançamentos anteriores. A sua carga útil de componentes eletrônicos de medição, pesando 98 quilos, seria recuperada a cerca de 145 milhas náuticas (268 km) de distância da base, o Black Brant 5C atingiria a altitude máxima de 230 km e após o fim de combustível cairia livremente até 4.500 metros de altitude, quando seria acionado seus paraquedas e a carga cairia tranquilamente no oceano. Essa carga seria recuperada com o trabalho conjunto de uma corveta do Grupamento Naval do Nordeste da Marinha do Brasil e dois helicópteros SAR da FAB – Força Aérea Brasileira. Até então eram normalmente eram disparados foguetes cuja área de recuperação de sua carga útil atingia em média de 40 milhas náuticas (74 km) e metade da altitude. Diante da situação a FAB e a Marinha criaram uma área de exclusão ao redor da Barreira do Inferno de 60 milhas náuticas (111 km), onde todo o tráfego aéreo e marítimo foi expressamente proibido por razões de segurança.


Durante a operação a corveta da Marinha ficaria permanentemente em alto mar e caberia também a sua tripulação a missão de informar a Barreira do Inferno, cinco horas antes do lançamento, as condições  do tempo, velocidade do vento, visibilidade e cobertura de nuvens. Ainda em relação a meteorologia o monitoramento também era realizado pelo então Centro Meteorológico do Instituto de Atividades Espaciais, com sede em São José dos Campos, São Paulo, que utilizava informações vindas do satélite ESSA-8. Todo este cuidado era importante, pois naquele início de março de 1972 estava ocorrendo algumas chuvas na costa potiguar.

O evento era coberto de extrema segurança e contava com a presença até do então Ministro da Aeronáutica, o brigadeiro Araripe Macedo, toda a cúpula da FAB, do setor técnico aeroespacial brasileiro e do pessoal diplomático e técnico alemão.

P-15 da FAB

Para manter a cobertura área segura a FAB disponibilizou duas aeronaves de patrulha Lockheed  P-15 Neptune, pertencentes ao Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAv), o conhecido Esquadrão Orungan, sediado em Salvador, na Bahia.
E foram os membros deste esquadrão que localizaram em alto mar, às dez horas da manhã do dia 1 de março, um penetra no foguetório teuto-brasileiro.

O Intruso Vermelho

As aeronaves de patrulha da FAB eram equipadas com potentes radares de busca, podiam voar horas sobre o mar e segundo os jornais da época teriam detectado um forte sinal que aparentava ser de um navio de grande porte, agindo de maneira suspeita em águas territoriais brasileiras. Prontamente eles foram investigar.

Navio Cosmonauta Iuri Gagarin – Fonte – Wikipédia

Os tripulantes se depararam com um grande navio pintado em cor clara, equipado com enormes antenas parabólicas, navegando lentamente a cerca de 144 milhas náuticas (266 km) da costa de Natal. Os dados mostraram que o tal navio estava 56 milhas náuticas (103 km) dentro de águas territoriais brasileiras, em clara violação segundo as leis brasileiras.

Vale frisar que nesta época a União Soviética não reconhecia o mar territorial brasileiro como tendo 200 milhas náuticas. O decreto ampliando a nossa faixa marítima havia sido instituído apenas em 1970 e além dos soviéticos os arquivos do Itamaraty registram notas de protesto, ou de não reconhecimento, ou de reservas quanto ao ato unilateral de ampliação do mar territorial, vindos da Bélgica, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Japão, Noruega, Reino Unido, República Federal da Alemanha e Suécia.

Mas para os aviadores do P-15 Neptune, os soviéticos e seu grande navio estavam sim em nossas águas territoriais e, ou caiam fora, ou poderiam sofrer alguma consequência. E aquele não era um naviozinho qualquer, era o grande e recém-lançado navio soviético de monitoramento espacial Cosmonauta Iuri Gagarin.

Um verdadeiro monstro com 230 metros de comprimento, autonomia de 24.000 milhas náuticas (44.448 km) e uma tripulação de 180 pessoas, onde entre estes haviam os mais especializados técnicos de monitoramento e rastreamento eletrônico da extinta União Soviética. Em operação desde dezembro de 1971, a silhueta do navio Cosmonauta Iuri Gagarin se caracterizava pela existência de quatro grandes antenas parabólicas e elas serviam para monitorar tudo que fosse interessante e relativo a área espacial produzido pelos países ocidentais.

O Iuri Gagarin e sua inconfudível silhueta – Fonte – Wikipédia

Apesar de vivermos o período de extrema censura jornalística durante a ditadura militar brasileira, o interessante neste caso foi que os militares não negaram aos jornais praticamente nenhuma informação sobre a presença deste “intruso vermelho” em nossas águas. Desejavam mostrar que as nossas Forças Armadas estavam atentas a movimentação daquele barco carregado de alta tecnologia russa e em clara missão de espionagem tecnológica.

E não podemos negar que o pessoal do Esquadrão Orungan estava realizando corretamente seu trabalho. Segundo o então comandante da operação de lançamento do foguete Black Brant 5C, o coronel aviador Paulo Henrique Correia do Amarante, não havia dúvidas que o navio Cosmonauta Iuri Gagarin estava no mar territorial brasileiro para monitorar e rastrear o lançamento do foguete adquirido pelos alemães.

Ele afirmou que após a localização visual do navio, ocorreu uma primeira passagem para fotografias e depois os P-15 Neptune da FAB realizaram voos rasantes “raspando as antenas e o mastro do navio soviético”. A tripulação do Iuri Gagarin prontamente acelerou as máquinas e deslocou a nave para fora de nossas águas territoriais, em uma direção que o conduzia a região do Arquipélago de Fernando de Noronha. O coronel Paulo Henrique chegou mesmo a apresentar fotografias do navio espião à imprensa.


Foi divulgado que no dia 6 de março os P-15 Neptune retornaram a missão de buscas ao navio Cosmonauta Iuri Gagarin, em uma operação que durou mais de cinco horas, alcançando uma área de 900 milhas náuticas de patrulha, incluindo Fernando de Noronha. Foi utilizado constante busca por radar, foram levados cinegrafistas para registar a presença da nave, mas o grande navio não voltou a ser localizado.

Desenho do P-15 da FAB – Fonte – wp.scn.ru

Para os militares brasileiros o lançamento do foguete Black Brant 5C e a parceria teuto-brasileira não tinha nada de secreto. Tanto que as atividades na Barreira do Inferno eram amplamente divulgadas, até como forma de mostrar que o governo militar era atuante e tecnologicamente moderno. Deduziu-se que a presença do navio Cosmonauta Iuri Gagarin, violando as novas águas territoriais brasileiros e arriscando um possível problema diplomático, era um claro aviso aos alemães que os soviéticos estavam plenamente atentos as suas atividades aeroespaciais, ocorressem elas onde ocorressem.

Esta situação de bisbilhotagem eletrônica entre a extinta União Soviética e os países ocidentais eram ações mais do que corriqueiras durante a chamada Guerra Fria. Eles se xeretavam mutuamente na tentativa de descobrir os avanços tecnológicos dos inimigos e muitas vezes estas ações serviam para mostrar ao adversário que o outro lado estava atento e alerta.

Nós brasileiros é que não estávamos acostumados com este tipo de coisa.

E a Visita das Baleias

Serguei Mikhailov, o então embaixador soviético no Brasil na época negou qualquer declaração por parte daquela representação diplomática e não sei se o Itamaraty chegou a emitir alguma nota de desagravo. desconheço se o caso teve maiores desdobramentos diplomático.


Apesar de alguns atrasos devido à chuva, exatamente as 7h32m53s da manhã do dia 8 de março de 1972 o foguete Black Brant 5C foi lançado da Barreira do Inferno em direção ao sol.

O artefato alcançou 230 km de altitude e precisamente 10 minutos e 15 segundos após o lançamento a sua carga útil de equipamentos eletrônicos de medição tocou o Oceano Atlântico a 15 milhas náuticas (28 km) da corveta da Marinha. Já os P-15 Neptune da FAB localizaram visualmente a cápsula no mar e apoiaram a chegada do navio da marinha brasileira.

Os militares da FAB não avistaram o navio Cosmonauta Iuri Gagarin, mas informaram que foram visualizadas duas graciosas e grandes baleias próximas ao artefato aeroespacial. Consta que os cetáceos se mostraram completamente indiferentes com a presença humana no seu território, com as tolas diferenças ideológicas dos homens e com seus brinquedinhos tecnológicos.

Fontes – Reportagens publicadas no periódico carioca Jornal do Brasil, edições de 7,8 e 9 de março de 1972, respectivamente nas páginas página 18, 7 e 4.

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Extraído do blog: 
Tok de História
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sábado, 9 de março de 2013

A Expedição contra Lampião, de Humberto Campos- Parte I

Por: Manoel Neto
Os cangaaceiros, de Carybé

“A Expedição Contra Lampião”, com esse título Humberto de Campos revive o tema cangaço nas suas crônicas diárias, então publicadas em todo o país por diferentes periódicos que lhe asseguravam muitos leitores e, por consequência, enorme popularidade, como já afirmamos no capítulo anterior.

Oportuna essa aproximação do autor com o cangaceirismo nordestino, pois era a união da “fome com a vontade de comer”, mormente, naquela quadra, quando despertava curiosidade crescente na opinião pública, cotidianamente informada sobre as andanças dos bandos errantes nos carrascais sertanejos, notadamente de Lampião, informações estas carregadas nas tintas e quase sempre tingidas com muito sangue e descritas com pormenores estarrecedores.

Mais uma vez é a repressão aos cangaceiros, muito embora, o autor se refira explicitamente a Lampião, a quem denomina - “o famoso sanguinário bandido que domina há doze anos os sertões do Nordeste brasileiro[1]”, que ocupa as meditações do cronista. Sobre este texto colhemos evidências que nos levam a acreditar haver sido ele publicado em 1931, isto por que, trabalho do professor Jorge da Matta Villela, intitulado “Operação anti-cangaço: As táticas e estratégias de combate ao banditismo de Virgulino Ferreira, Lampião[2] nos dá ciência que:

“Neste inicio de 1931, segundo CHANDLER[3], o centro de planejamento da campanha contra Lampião havia-se deslocado para a capital federal”. E no centro deste plano estava o Capitão Carlos Chevalier. Ele pretendia utilizar aviões na captura de Lampião e em conjunto com as aeronaves (que na verdade pareciam ser apenas uma) seriam empregues sistemas de radiocomunicação que travariam contato com um contingente de mil homens, dentre os quais 200, por exigência do capitão do ar, cariocas.(Cf. VILELLA, p. 112).


A informação transcrita acima que Mattar colheu em Chandler nos permite elucidar um dado cronológico importante. Melhor explicando: esclareço de imediato que “A Expedição Contra Lampião”, objeto de nossos comentários neste capítulo reporta-se justamente ao ataque planejado pelo oficial Chevalier contra os salteadores sertanejos. Tendo em conta esse dado, podemos presumir que a crônica foi produzida por Campos em 1931, posto que ele não comentaria em ano posterior notícia notadamente datada. Ao puxarmos o fio de uma meada, sabemos, estamos “cutucando o cão com vara curta”.

Assim é que fomos passar os olhos no indispensável trabalho de Marilourdes Ferraz[4] e lá encontramos o seguinte trecho: “Em 1931, dois episódios marcaram de modo extraordinário a vida do Rei do Cangaço no sertão baiano”. (Cf. FERRAZ, p. 338). Como o primeiro episódio relatado não é relevante para o que tratamos neste artigo passemos ao segundo:

“[...] Em maio deste mesmo ano, surge o bando no povoado de Várzea da Ema (grifo nosso) para levar a efeito a vingança contra o fazendeiro Petronilo Reis[5]. Agora quase meia centena de homens integravam o grupo, que chegou arrasando, queimando e matando. Essa tarefa devastadora teve a duração de quase quarenta e oito horas, num mês ameno, com o mato muito verde. Quando Lampião deu a ordem de partida, deixava para trás mais um lugar devastado e uma área esturricada pelo fogo” (ob. cit. p. 339).

Marilourdes Ferraz

Este acontecimento narrado por Ferraz nos obriga a uma digressão, porém necessária. Quando tratamos da primeira crônica de Humberto de Campos, “A Última Proeza de Lampião”, em que o mesmo aborda os acontecimentos transcorridos em Curaçá, nos sertões da Bahia, destacamos as dificuldades para precisar a data da publicação do texto, em razão de inexistir referência na coletânea consultada. Além disso, em outras fontes coligidas, como também, auscultando nomes conceituados que averiguaram e continuam averiguando o episódio, os mesmos confirmaram passagens de Lampião na Sede de Curaçá, mas desconheciam o incidente narrado por Campos, pelos menos naqueles moldes e extensão. Fato de tal monta como aquele textualizado por Campos não teria sido perpetrado por lá. Ocorre, contudo, que a narrativa constante do “Canto do Acauã” ao mencionar Várzea da Ema e a violência do ataque, bem como, o número de cangaceiros participantes, nos obrigou a considerar que naquele ano o pequeno povoado – Várzea da Ema - onde nascera o famoso guerrilheiro Pedrão, conselheirista que lutou em Canudos, integrava o território de Curaçá, havendo, por consequência, a possibilidade clara de Campos haver citado este município, em razão das informações que coligiu para redigir o seu escrito. Cabe neste momento uma observação que devemos ter em conta quando o tema é cangaço e que também se encaixa aqui como uma luva, observação esta proveniente de Luiz Rubem Bonfim[6], qual seja:

“Não existia na época um jornalismo investigativo sobre a presença de Lampião na Bahia, as matérias publicadas nem sempre eram assinadas pelos jornalistas, os periódicos da capital não focavam apenas notícias, mas também opiniões, comentários e editoriais. As informações sobre Lampião e seu bando na Bahia, eram obtidas através das agências de notícias, da abordagem de viajantes na estação ferroviária da Calçada em Salvador, no trecho ferroviário Salvador a Juazeiro, na Secretaria de Segurança Pública no bairro da Piedade, moradores do sertão se dirigiam às redações em Salvador, também eram enviados do interior telegramas e cartas assinadas” (grifo nosso).
(BONFIM, ob. cit., p. 15).

Que outras fontes estariam disponíveis para o ilustre autor de “Notas de Um Diarista”, cujo interesse pelo cangaço era eventual? Escrevia em cima da perna, diariamente, fazendo uso do seu enorme talento e inegável erudição, não havendo tempo para pesquisas mais acuradas, detalhes. Sofria de grave enfermidade que lhe roubava a visão gradativamente, escrevendo com enorme dificuldade para por “o pão na mesa”, como salientou inúmeras vezes. Leve-se em conta igualmente quer a notícia em si, já rendia “panos para manga”. Daí nossa especulação sobre a possibilidade de que o lugar exato do corrido, considerando os indícios, venha mesmo a ser o então distrito de Várzea da Ema, hoje pertencente à Chorrochó, sendo que naquela época ambos estavam inseridos em território de Curaçá. Estaríamos certos?

 Capitão Carlos Chevalier

Voltemos agora ao capitão Chevalier e sua iniciativa na ótica do “moço de Miritiba”. Dizendo está noticiada “há dias a organização de uma coluna militar, de mil e poucos homens, para dar combate ao bandoleiro Lampião, o famoso e sanguinário bandido que domina há doze anos os sertões do Nordeste brasileiro” (Cf. CAMPOS, Notas de um Diarista, p. 31), Humberto vai adiante detalhando informes sobre a empreitada em curso, não sem uma fina ponta de ironia e certa estranheza diante da complexa estrutura logística que se ajuíza organizar para combater cangaceiros nos terrenos áridos e espinhosos da caatinga. Mencionando a chefia da empreitada dá asas ao seu raciocínio:

“Comandada pelo Capitão Chevalier essas forças levam canhões, metralhadoras, aviões, automóveis, o material bélico indispensável, em suma, para mim, batalha com tropas regulares. E é assim constituído, armado, municiado, apetrechado, que o pequeno exército vai entrar pelas terras adustas do Brasil nordestino, entre toques de corneta, rufos de tambores e a trepidação bárbara dos motores, na terra e no céu. Para justificar esse aparato bélico, informa-se que a quadrilha chefiada pelo salteador se compõe de 150 homens. E há nisso um evidente exagero. “O cangaço profissional para ser exercido com eficiência, prescinde de grandes grupos, que lhe comprometeriam a mobilidade” (CAMPOS, p. 31).

Cabe-nos de imediato melhor apresentar o Capitão Carlos Saldanha da Gama e Chevalier, este o seu nome completo. De antemão podemos assegurar que naqueles idos era o citado oficial figura conhecida. Participara das conspirações que resultou na sublevação vitoriosa denominada Revolução de 1930, havendo, porém, poucos anos antes, em 1921, integrado a turma:

“[...] de Observadores Aéreos ao lado do Capitão Newton Braga, dos Tenentes Eduardo Gomes, Ivo Borges, Amílcar Velloso Pederneiras, Gervásio Duncan de Lima Rodrigues, Ajalmar Vieira Mascarenhas, Sylvino Elvidio Bezerra Cavalcante, Plínio Paes Barreto”


Na mesma década e, antes, no final dos anos 20, historiografou a insurreição militar acontecida em 1922, na fortificação militar de Copacabana, movimento popularizado como “os 18 do Forte” [7]. Em 1931 alcança generosos espaços na mídia ao apresentar seu plano para capturar Lampião. Não se pode dizer, contudo, que tenha sido o primeiro, talvez, sim, o mais ambicioso. Se corrermos os olhos nos jornais baianos publicados quando Lampião ganhara fama nacional e suas façanhas repercutiam com frequência quase diária na imprensa, veremos que muitos foram àqueles, notórios ou anônimos, que “tiravam do bolso do colete” planos mirabolantes para capturar o antigo tropeiro de Vila Bela. O professor Jorge Vilella, autor já citado neste texto, observa que:

“Entre os anos de 1922 e 1938 os governos das capitais nordestinas, seus jornais e uma parcela de seus cidadãos tiveram uma preocupação em mente: como dar cabo daquele que era, já desde o primeiro dos seus 16 anos como chefe de cangaço, o maior de todos os cangaceiros” (VILELLA, ob. cit.)

Urgindo cumprir este desiderato, algumas iniciativas oficiais foram espantosamente encaminhadas, apesar das pouquíssimas chances de lograrem êxito. Refiro-me no caso a iniciativa do Capitão João Miguel, que agindo de forma insensata, autoritária e cruel, resolveu evacuar as populações rurais e confiná-las nos cidades-sedes dos municípios indexados no seu plano, como maneira de desmontar o apoio voluntário e involuntário que os coiteiros asseguravam aos bandidos. Famílias inteiras foram obrigadas a deixar seus lares e pertences, suas roças, a fazeres e criações para em muito pouco tempo transformarem-se em pedintes, em párias, a perambular por praças e demais logradouros públicos das cidades, inteiramente despreparadas para receber e cuidar daquele excedente populacional. Em decorrência desta sandice, pais de família perderam-se no álcool e na violência, meninas se prostituíram, sem contar o sofrimento atroz de velhos e crianças. Este caos se estabeleceu em 1932 quando os sertões nordestinos padeciam uma das mais inclementes estiagens do século, fenômeno que por si só era um flagelo, batizada então de “seca de João Miguel[8]“.

Lampião em foto Benjamim Abrahão

O então 1º Tenente Felipe Borges de Castro num documento datado de 1939[9], portanto, depois do trucidamento de Lampião e parte do seu bando na Grota do Angico, também apresentou sua solução para erradicar o cangaço. Na sua proposta Castro reconhece que a ação nefasta da Polícia que frequentemente usa de “medidas violentas” contra supostos colaboradores dos cangaceiros, pessoas em alguns casos, vítimas de informações infundadas oriundas de informantes dos policiais, é extremamente prejudicial à campanha repressora. Feita esta constatação o militar sugere a criação de “uma colônia correcional agrícola num dos pontos mais frequentados pelos bandoleiros” [10]. A esta providência somar-se-iam duas outras iniciativas: “a criação de uma Delegacia Especial em zona atingida pelo banditismo[11]” e a “difusão na zona do banditismo da doutrina de Deus e catequeses por um sacerdote católico”. Na avaliação do já citado Mattar Vilella,

“o projeto utópico do Tenente Castro é um plano de separação e arresto, a criação de um amplo espaço carcerário e didático no interior do qual todos os implicados no problema do banditismo, mesmo sem prova criminal, pudessem ficar fechados mantendo sua influência negativa separada do mundo[12]“.

Sempre atento e perspicaz o Cego Véio [13] mostrava-se escrupulosamente cuidadoso e discreto em relação aos seus colaboradores, avaliando corretamente a importância dos mesmos para o perfeito funcionamento da  intricada rede de apoio que cuidadosamente montara, como alerta Maria Cristina da Matta Machado:

“Lampião era muito discreto, comportamento importante para quem vive ameaçado de ter inimigos, até mesmo nas suas fileiras. Jamais falava com todos os seus camaradas de luta os assuntos ligados à segurança moral e física dos seus coiteiros” (MATTA MACHADO, 1969, p. 68)[14]

[1] A área territorial em que o cangaço se fez mais assíduo integra os Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, e Sergipe. Procedente, entretanto, é a observação de Luiz Rubem Bonfim, no seu livro “LAMPIÃO, Conquista a Bahia”, quando o mesmo destaca que o vocábulo Nordeste era usual para referência a Bahia. Quanto aos demais Estados nordestinos eram registrados como “estados do Norte”, embora, não pareça ser o caso no texto comentado.
[2] VILLELA, Jorge Mattar. Artigo publicado na Revista de Ciências Humanas, de Florianópolis, Santa Catarina, no número 25, à página 112, em abril de 1999:
[3] CHANDLER, 1981apud Mattar, 1999, p. 112. Ob.cit.
[4] FERRAZ, Marilourdes. O Canto do Acauã. Das memórias do Cel. Manoel Flor (Coronel Manoel Flor). Comunigraf Editora. 3ª edição. Recife, 2011. 661 p. Il:.
[5] Senhor de muitos cabedais, grande proprietário de terras e criador de gado e principal liderança de Santo Antonio da Glória, hoje município de Gloria, situada próximo a divisa de Pernambuco e Alagoas.
[6] BONFIM, Luiz Rubem F De A. Lampião Conquista a Bahia. Impressão Graf Tech. Paulo Afonso, 2011. 422 p. Il:.
[7] Chevalier publicou os seguintes títulos “Memórias de um revoltoso ou Legalista”, de 1927 ; “Os 18 do Forte”, de 1930 e “Os 18 do Forte – Siqueira Campos”, obras hoje somente encontráveis em sebos e com alfarrabistas.
[8] O Capitão João Miguel integrava os quadros do exército Brasileiro e sendo comissionado na Polícia Militar com o fito de participar da luta contra o banditismo na Bahia, durante o governo do Interventor Juraci Magalhães, ocasião em que  o posto de Comandante das Forças em Operação Contra o Cangaço na Bahia. Era especialista em comunicações. Sobre a seca de 1932 e outras estiagens nos sertões nordestinos sugerimos a leitura do livro “Vida e morte no sertão: história das secas no Nordeste nos séculos XIX e XX”,  do historiador paulista Marco Antonio Villa.
[9] Novo Plano Para Extinção do Banditismo. Felipe Borges de Castro galgou a posição de Coronel e escreveu um importante trabalho para a compreensão da política de repressão ao cangaço na região, o livro “A Derrocada do Cangaço na Nordeste”, reeditado recentemente pela Assembleia Legislativa da Bahia.
[10] Apud. VILELLA, Jorge |Mattar. Ob. cit.
[11] Idem
[12] VILELLA Jorge matar. Passim. Sugerimos a leitura entre outros de Lampião na Bahia, de Oleone Coelho Fontes, onde o autor relata outras iniciativas de particulares sequiosos de notoriedade ou portadores de uma coragem suicida, que se ofereciam para capturar Lampião por meios de estratagemas os mais diversos e inusitados.
[13] Porr esta alcunha muitos oficiais, soldados, rastejadores e contratados das volantes se referiam a lampião, em razão do seu olho afetado por acidente que causou-lhe a peda parcial da visão.

[14]MACHADO MATA, Cristina da. As Táticas de Guerra dos Cangaceiros. Laemmert, rio de Janeiro, 1969,223 p.

Continua...

Manoel Neto
Centro de Estudos Euclides da Cunha
UNEB - Salvador - BA

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sexta-feira, 8 de março de 2013

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Acredito que faltam ainda muitas coisas a descobrir...


Por: Jack de Witte
Jack de Witte em visita a Fazenda Piçarra
  


Caríssimo amigo Manoel Severo,

Bom dia. O tempo passa rápido e logo teremos a próxima edição do Cariri Cangaço. Eu te agradeço imensamente pelo convite que muito me honrou. Farei tudo que for possível para participar, como um simples humilde pesquisador e escritor do tema. Manter-te-ei informado o mais rápido possível. Tu sabes que o meu português, por falta de pratica esta cada dia pior. Posso ler em português e compreendo a grande maioria das coisas, mas eu não posso falar em publico, pois requer falar corretamente.

Não conheço ainda a agenda desta quarta edição do congresso, mas como pesquisador, acredito que faltam ainda muitas coisas a descobrir a respeito, digo:  a) da forma como Lampião se protegia b) como funcionava a rede de aprovisionamento em armas e munições de Lampião? Quem lhe fornecia as armas e as munições? Como eram encaminhadas? Como se faziam as negociações? c) bem como a meu modo de ver sua morte ainda tem uma parte a ser explicada.

 Paulo Gastão e Jack de Witte

Uma vez mais obrigado pelo honroso convite. Um grande abraço a Bosco André. Eu não consegui ainda encontrar seu «blason» na França. Continuo a procurar.
Minhas saudações cangaceiras,

Jack de Witte
França

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