Seguidores

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O CASAMENTO DE CORISCO E DADÁ

Por: Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2013 - Crônica Nº 1033

O padre Bulhões, pai adotivo de Silvio, mandou recado para Corisco e Dadá aconselhando-os a se casarem. Alegava o padre, vigário da Paróquia de Senhora Santa Ana, em Santana do Ipanema, AL que se acontecesse alguma coisa grave aos pais de Silvio, mais tarde, quando o menino crescesse, ninguém o iria respeitar chamando-o filho de uma puta. É que só era considerada casada, a pessoa que tivesse o sacramento da Igreja.

Os cangaceiros Corisco e Dadá

Corisco e Dadá resolveram, então, mandar chamar o padre Bruno na cidade ribeirinha e sergipana de Gararu. Um rapaz foi encarregado de convidar o padre para realizar a extrema-unção na irmã enferma em uma fazenda à meia hora daquela cidade. O vigário preparou os objetos necessários mais o livro das orações e água benta. Saíram os dois a cavalo. 

O economista Sílvio Bulhões - filho de Dadá e Corisco

Depois de muito galoparem, o padre Bruno, já impaciente, indagava do rapaz que fazenda tão longe era aquela. O rapaz respondeu que faltavam apenas uns quinze minutos de galopada. Mais à frente, porém, freou o cavalo e resolveu contar a verdade. O padre se exasperou e quis voltar. O rapaz alegou que eles haviam passados por seis cangaceiros escondidos. Caso viessem soldados com eles, os bandidos teriam atirado. Aconselhou ao padre a não retornar sem ordem, para não ser morto. 

Corisco e Dadá - primeiros da esquerda

No mesmo momento saíram do mato Corisco e Dadá (bem novinha), alegres e educadamente, cumprimentaram o vigário, estendendo a mão. O padre Bruno tremia muito e foi preciso que Dadá catasse a sua mão para o aperto. Dadá se divertia brincalhona, e Corisco passava-lhe o rabo do olho recriminando as brincadeiras.

Após as devidas declarações e o casamento, o padre estava de alma nova. Confessou que pela fama de Corisco, preferia ver o cão à sua frente. E achando o casal cortês e educado, prometeu jamais tremer diante do desconhecido. Disse Dadá que ”chegara um homem tremendo e saíra um homem de verdade”. Era o dia dezesseis de fevereiro de 1940.

Extraído do livro “Lampião em Alagoas”, pág. 448-449.

Autobiografia

CLERISVALDO B. CHAGAS – AUTOBIOGRAFIA
ROMANCISTA – CRONISTA – HISTORIADOR - POETA

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei.

Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.

Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados).


Até setembro de 2009, o autor tentava publicar as seguintes obras inéditas: Ipanema, um Rio Macho (paradidático);Deuses de Mandacaru (romance); Fazenda Lajeado(romance); O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema (história); Colibris do Camoxinga - poesia selvagem (poesia).

Atualmente (2009), o escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas também escreve crônicas diariamente para o seu Blog no portal sertanejo Santana Oxente, onde estão detalhes biográficos e apresentações do seu trabalho.
  
(Clerisvaldo B. Chagas – Autobiografia)

 http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Novo livro na praça - Lampião, cangaço e cordel


Já está à venda o novo trabalho do escritor Rubervânio Rubinho Lima.


Este livro traz a representação do fenômeno do cangaço e de Lampião como elementos que caminham atrelados à história do cordel e da Xilogravura, em um paralelo ao processo de modernização da Literatura de Cordel, nos dias atuais, através do advento da internet, dos e-books e também dos sites de relacionamentos, sem perder a vitalidade das formas tradicionais de criação do cordel.

Além disso, há uma tentativa de apontar a xilogravura como um elemento que, desde o seu surgimento até os dias atuais, além de engradecer os folhetos de cordel, tem assumido um lugar significativo no painel artístico mundial. 

Serviço

Titulo: Lampião, Cangaço e Cordel (teoria) 
Autor: Rubervânio Rubinho Lima             
Editora: EGBA
Ano: 2013
Peso: 450g
120 páginas, ilustrado.
Quanto? R$ 20,00 
Frete: R$ 6,00
Total: R$ 26,00
Forma de pagamento: Depósito Bradesco
Peça pelo e-mail:rubinholim@hotmail.com  
ou ligue: (75) 8807 3930 / 9188 8181

http://lampiaoaceso.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Isaias Arruda chega ao Cariri Cangaço 2013!

Por: Bosco André
Bosco André e Manoel Severo

"Meu caro amigo Severo, é com muita alegria que confirmamos a presença de cerca de vinte familiares do Cel Isaías Arruda por ocasião do Cariri Cangaço 2013, em Setembro. Uma dessas presenças ilustres será de Dona Orlandina, filha de Isaías."

Bosco André

Isaías Arruda

O Cariri Cangaço 2013 acontecerá entre os dias 17 e 22 de Setembro, nos municípios de Crato, Juazeiro, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Porteiras e Barro. No dia 20 de Setembro, Missão Velha promove seu dia de Cariri Cangaço com uma programação vasta e significativa. 


Logo pela manhã estaremos visitando a Casa e os Porões de Isaías Arruda, além do prédio da prefeitura, construídos por ele, ainda na década de 20 do século passado, ali, o senhor prefeito municipal e convidados do Cariri Cangaço, juntamente com a família do Cel. Isaías Arruda iremos participar da aposição oficial da foto do Cel. Isaías no pavilhão de ex-prefeitos de Missão Velha.

Jagunços de Isaías Arruda sob o comando de Zé Gonçalves

Da prefeitura de Missão Velha, partiremos para as terras do Cel. Santana, nas cercanias da famosa Serra do Mato da Gameleira de São Sebastião, em Jamacaru, no alto da Chapada do Araripe teremos Conferências e Debates; é Missão Velha, a porta de entrada de nosso Cariri, brilhando mais uma vez no Cariri Cangaço.

http://cariricangaço.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Mensagem dedicada a José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

Por: Andréia Hirakawa

Meu amor, meu companheiro de todas as horas, tantas dificuldades passamos e superamos juntos! Nosso amor nasceu de uma grande e linda amizade, onde aprendemos o verdadeiro significado do sentimento AMOR! 


Hoje posso dizer que sou feliz e realizada, formamos uma família linda, temos nossa filhinha, fruto do nosso amor que só veio pra completar ainda mais nossa felicidade!

Muito obrigada por ser um marido maravilhoso, meu melhor amigo de todas as horas e o melhor Pai do mundo pra nossa filhinha!



Feliz Dia dos Namorados, você é meu eterno namorado e meu grande e verdadeiro amor!

TE AMO MUITO!!!

José Edilson Segundo é mossoroense e pesquisador do cangaço

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Lançamento de livro!

 
O professor, escritor, pesquisador e fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço lançará neste mês deste ano de 2013, o seu mais novo trabalho, com o título: 

SÍTIO DOS NUNES DE FLORES VIVE SAGA DO CANGAÇO

http//blogdomendesemendes.blogspot.com

A Origem da Festa Junina no Brasil - 03 de Junho de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento
Geraldo Maia e Vingt-un Rosado

É só chegar o mês de junho que as cidades, na extensão do Ceará à Bahia, se enfeitam de balões, bandeirolas de papel colorido, além de montar suas tradicionais fogueiras, para comemorar as chamadas “Festas Juninas”.

As Festas Juninas, historicamente, está relacionada com a festa pagã do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como \"festa de São João\" ou festa “Joanina”. O nome joanina teve origem, segundo alguns historiadores, nos países europeus católicos no século IV. Quando chegou ao Brasil foi modificado para junina.
               
Na Europa antiga, durante o solstício de verão - dia mais curto com noite mais longa do ano - era comemorado o início da colheita. Nessas festas eram oferecidas comidas, bebidas e animais ao deus Juno, da fertilidade, além da fogueira, para espantar os maus espíritos e as danças características da época. O costume vinha de datas imemoráveis e servia para celebrar o ponto alto do verão, até a festa ter ganhado caráter religioso. Então a igreja escolheu exatamente o dia 24 de junho em memória de São João Batista, para banir os velhos costumes pagãos praticados na mesma data. As primeiras referências às festas de São João no Brasil datam de 1603. As festas de Santo Antônio e de São Pedro só vieram mais tarde, mas como aconteciam no mesmo mês, foram incluídas nas chamadas festas juninas.


Essa tradição chegou ao Brasil através dos jesuítas portugueses. Mas antes, os índios já realizavam rituais também relacionados à agricultura, que aconteciam no mesmo período, para que a colheita fosse boa. Dessa mistura das comemorações dos índios com a dos jesuítas portugueses, as festas juninas foram ganhando forma e incorporando o famoso jeitinho brasileiro. E esse jeitinho pode ser percebido principalmente na alimentação, quando foram introduzidas as comidas de milho, o jenipapo, o leite de coco e também nos costumes como no forró e no bumba-meu-boi. A quadrilha, que era a dança da nobreza européia, foi adaptada aos festejos juninos. Já os fogos de artifício, que tanto embelezam a festa, foram trazidos pelos chineses. Os fogos eram utilizados na celebração para despertar São João e chamá-lo para a comemoração do seu aniversário. Outra finalidade dos fogos era que o barulho de bombas e rojões podia espantar os maus espíritos. O costume de soltar balões surgiu da idéia de que eles levariam os pedidos dos devotos aos céus e a São João. Essa prática foi proibida devido ao alto risco de os balões provocarem incêndios. A cerimônia de levantamento de mastro de São João é chamada de “puxada do mastro”. Além da bandeira de São João, o mastro pode ter a de Santo Antônio e São Pedro.
               
Para os católicos, a fogueira, que é maior símbolo das comemorações juninas, tem suas raízes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel acendeu uma fogueira sobre o monte.
                
No Nordeste, em épocas passadas, existia uma tradição que mandava que os festeiros visitassem em grupos todas as casas da comunidade, levando alegria. Os donos das casas, em contrapartida, mantinham sempre uma mesa farta de bebidas e comidas típicas para servir os grupos. Os festeiros acreditavam que o costume era uma maneira de integrar as pessoas da cidade. Essa tradição tem sido substituída por uma grande festa que reúne toda a comunidade em volta dos palcos onde prevalecem os estilos tradicionais e mecânicos do forró.
               
O Brasil é um país muito rico em acervo cultural, mas é de fundamental importância conhecê-lo, para que possamos compor a identidade de nosso povo. É através destas manifestações folclóricas, que mantêm vivas as tradições e costumes de um povo, preservando deste modo, sua identidade para futuras gerações.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:
http://www.blogdogemaia.com/#

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

terça-feira, 11 de junho de 2013

Historiador e escritor João de Sousa Lima Participará do " Parayba Cangaço"

Por: João de Sousa Lima

As cidades de Sousa e Nazarezinho na Paraíba realizarão o Parayba Cangaço e o historiador João de Sousa Lima será um dos palestrantes.


O escritor falará da importância da restauração do Museu Casa de Maria Bonita.
 Programação do Parayba Cangaço



Escritor, Pesquisador, autor de 09 livros. Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC - Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. Telefones para contato: 75-8807-4138 9101-2501 
email: joaoarquivo44@bol.com.br joao.sousalima@bol.com.br

http://www.joaodesousalima.com/2013/06/historiador-e-escritor-joao-de-sousa_10.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Breve Glossário do Cangaço

Por: Frederico Pernambucano de Mello

Bornal - bolsa conduzida a tiracolo, em tecido resistente, alça larga, divisões internas, dois, três ou quatro botões na tampa, profusamente enfeitada nas partes visíveis. Dependendo da viagem, os cangaceiros e policiais - o uso era comum - empregavam duas ou quatro destas, com o provisionamento de balas (suplementar), alimentos, remédios e muda de roupa Os bornais de bala ficavam por cima dos demais, com o que o seu peso não feria o corpo na caminhada. 


Ao ser morto, Lampião portava jogo de bornais em tecido verde-oliva claro, inteiramente bordado nas cores amarelo-ouro, rosa, azul-real e vinho. A palavra possui forma variante embornal.

Cabeceira, contra coice e coice - divisão tripartida do grupo de cangaço na marcha e que corresponde à organização militar da infantaria em vanguarda, corpo e retaguarda. São conceitos tomados de empréstimo ao  
ao linguajar do almocreve. Estas seções guardavam entre si curta distância com vistas a neutralizar emboscadas.

Cabra - é termo que, aqui, não tem que ver com o animal ou humano mestiço de negro. Trata-se de uma espécie de exército de reserva de coronéis ou cangaceiros, recrutável junto aos moradores do latifúndio. Representa braço armado eventual dos poderosos do sertão. Repita-se que seu engajamento guerreiro de dava de forma intermitente, alternando com períodos de serventia econômica normal, na agricultura ou na pecuária.

Cachimbo - Civis arvorados na função policial à falta de tropa regular. O conjunto destes, além da designação de tropa de cachimbo, era também conhecido como tropa de barra.

Cangaceiro - Versão regional brasileira, do Nordeste, da figura universal do salteador de estradas. É a expressão individual de uma realidade criminológica necessariamente coletiva e rural, cujo comando se define no âmbito  do próprio grupo.

Cangaço - O termo parece derivar da palavra canga, peça de madeira com que se sujeita o boi pelo pescoço, fazendo-o puxar carro ou uma forma de vida ou profissão, aplicava-se ao conjunto bastante volumoso de equipamentos que os bandidos sertanejos carregavam. Desde fins do século passado significa o modo de vida dos grupos autônomos de salteadores dessa área.

Capanga - Cabra, em sua expressão mais defensiva e íntima. É o que hoje se chama costumeiramente de guarda-costas.

Coiteiro - Protetor do cangaceiro. Primitivamente, só os reis tinham o direito de citar - coutar - terras, tornando invioláveis seus habitantes. A instituição chega ao Brasil através da velha legislação real portuguesa e, se considerarmos que os coronéis sertanejos se tinham na conta de reis, compreenderemos, porque se sentiam prestigiados em poder coitar seus latifúndios e moradores destes. Em sua expressão moderna, o exercício do coito transcendeu dos coronéis para poderosos em geral. No século atual, o termo abrangeria toda e qualquer pessoa que transacionasse com cangaceiros, favorecendo-os de algum modo.

Coronel - Chefe político sertanejo, titular no vazio primordial do poder público, do exercício de poderes absolutos, de cunho patriarcal, podendo seu protagonista ser civil, militar ou clérigo.

Desarvorar - Termo tomado de empréstimo à náutica primitiva portuguesa, onde correspondia à retirada dos símbolos do mastro principal do navio abandonado. No cangaço, correspondia à retirada, por companheiro, dos objetos, utensílios e valores de cangaceiro ferido em combate e já moribundo.

Jabiraca - Lenço de tecido de algodão ou seda, de cor berrante, que o cangaceiro usava ao pescoço, preso por anel. Na fase derradeira e mais rica do bando de Lampião, no final dos anos 30, assinalam-se casos de cangaceiros com mais de quinze alianças de ouro a afivelar a jabiraca.

Jacuba - Último recurso alimentar do cangaceiro circunstancialmente faminto; era a farinha misturada com açúcar.

Jagunço - Salteador rural integrante de grupo comandado por pessoa ou instituição situada fora deste, podendo assumir conotação política ou religiosa.

Macaco - Soldado de polícia na linguagem galhofeira do cangaceiro.

Moca - Tocaia armada pela polícia.

Navegar - Marcha, sem rumo ou limite, do grupo de cangaço pela caatinga. É termo náutico mumificado no sertão.

Paisano - Na visão do cangaceiro, havia três categorias de pessoas na sociedade: este próprio, os macacos e os paisanos, que eram os civis.

Pistoleiro - Assassino de aluguel, agindo isolado e de forma invariavelmente traiçoeira. Trata-se da expressão mais desprezível dos agentes da violência no sertão, opondo-se, por definição, ao cangaceiro, figura ostensiva e escancarada de tal galeria. Sem embargo, o pistoleiro era utilizado pelo chefe de cangaço para o cumprimento de missões em aglomerados urbanos mais desenvolvidos.

Rapaz - Termo pelo qual o chefe de grupo de cangaço chamava os seus subordinados. Nesse âmbito, a palavra cabra era considerada ofensiva.

Rastejador - Membro da volante ou do grupo de cangaço encarregado, graças a uma habilidade desenvolvida sobretudo na caça, de levantar rastros e indicar o roteiro do inimigo. Trata-se de figura militarmente, apreciada desde as guerras, contra os holandeses, sendo, ao tempo do cangaço, o principal fator de orientação dos grupos de combatentes.

Retaguarda - Movimento de contra-ataque ao inimigo feito pelas costas e por pequena fração do grupo de cangaço, poucos instantes após o grupo principal ter sido acometido. Com Lampião, ao longo do tempo, destacaram-se nessa função os cangaceiros Esperança, Sabino, Corisco e José Sereno.

Sertão - Porção semi-árida do Nordeste, representativa de 49% do território deste. Na Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, chega à beira do mar.

Valentão - Também conhecido como homem de questão, esta figura se arvoraria na instância única da justiça no sertão primitivo, considerando-se parte em qualquer disputa para a qual lhe invocassem a presença justiceira. Com apoio no bacamarte, resolveria questões de terra, de honra de donzela, de contrato quebrado, de inventário de acomodações, de débito não pago e outras tantas do velho mundo rural. Houve casos de limites de terras serem fixados pela simples mijada do valentão.

Volante - Força policial de composição numérica incerta e sem destacamento fixo. Na forma regular, é realidade tomada comum apenas no século presente, seu espaço sendo ocupado primordialmente pela tropa de cachimbo recrutada, em regra, pelas câmaras municipais ou juízes de paz. Com intenção pejorativa, Lampião dava o nome de volante às incursões exclusivamente de rapina que promovia.

Frederico Pernambucano de Mello

Fonte:

Diário Oficial
Estado de Pernambuco
Ano IX
Julho de 1995

Material cedido pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Roberto Rodrigues de Carvalho - o Robertão

Por: José Mendes Pereira

Roberto Rodrigues de Carvalho era natural de Mossoró, mas era conhecido por Robertão. Nasceu no dia 03 de Outubro de 1961, e faleceu no dia 02 de Janeiro de 2008. Filho do comerciante Francisco Rodrigues de Carvalho e de Antonia Rodrigues de Carvalho. Ele era primo legítimo do escritor 

David de Medeiros Leite

David de Medeiros Leite e sobrinho de segundo grau da primeira motorista de Mossoró, Francisca Rodrigues Duarte, conhecida por dona Chiquinha Duarte.

Dona Chiquinha Duarte

Roberto Rodrigues de Carvalho tinha duas personalidades. Uma delas era ser homem, homem do trabalho, homem da confiança de todos. Homem que respeitava homens e mulheres. Homem que andava na linha, bem vestido, cabelo cortado e barba feita. Homem que frequentava os amigos como qualquer outro. Homem que não decepcionava ninguém. Com estas características era o Roberto Rodrigues de Carvalho. 

A outra personalidade do Roberto Rodrigues de Carvalho era não querer ser homem de responsabilidade, nem para o trabalho, nem tão pouco, homem da confiança de todos. Homem que não respeitava homens e nem mulheres. Homem que não andava na linha, mal vestido, cabelo arrepiado e barbudo. Homem que não podia frequentar as casas dos amigos como qualquer outro. Homem que decepcionava as pessoas pelo seu jeito de ser. Com estas características quem era Roberto Rodrigues de Carvalho, agora era o Robertão, o grande homem das cavernas. 

Andava sujo, sem camisa, bêbado, drogado e sobre os ombros, uma pequena bolsa a tiracolo, como se ali fosse a sua mala, para guardar suas vestes, seus cigarros, seus chinelos, seus trocados.  

Ele não era valente, apenas se defendia com palavras duras e críticas. Poucas pessoas davam-lhe confiança; passavam e o via caído nas calçadas, no meio da rua, nas portas de bares, todo imundo, fedorento... No período em que ele era o Robertão algumas vezes fora preso, por desrespeito à polícia, por não querer obedecê-la. Mas por infelicidade, o Robertão adquiriu fama de estuprador, mas isso nunca ele praticou com mulher nenhuma. Apenas fizera alunas correrem com medo de si próprio, no intuito de fazer graça. E com isso, Robertão se tornou um homem temido pelas mulheres do grande Alto de São Manoel, em Mossoró.

Certa noite, enquanto ele caminhava pelas ruas do conjunto Walfredo Gurgel, no grande Alto de São Manoel, uma estudante pediu a sua ajuda, para chegar até em casa, porque um senhor chamado Robertão estava atormentando a vida das mulheres. E assim fez. Acompanhou-a até certo ponto, quando um sujeito que o conhecia, vendo ele ao lado daquela bonita jovem, enciumado, gritou:

- Que sorte hein, Robertão! Descolou uma linda garota!

A estudante que não esperava que ele fosse realmente o tão falado Robertão, fez carreira aos gritos, para que as pessoas a defendessem das garras do Robertão.  

Robertão querendo que a menina entendesse que ele não iria lhe fazer nenhum mal, saiu correndo, tentando alcançá-la. A sua fama cresceu mais ainda.

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:
http://minhassimpleshistorias.blogspot.com

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Escritor Rubervânio Rubinho Lima cativa o público em sua palestra no 11º SALIPI

Por: Rubinho Lima

Na manhã do último dia 07 (sexta-feira) o escritor Rubervânio Rubinho Lima realizou sua palestra intitulada "Cangaço e Nordeste", no 11º SALIPI - Salão do Livro de Piauí, ocasião em que lançou seu mais novo livro "Lampião, cangaço e cordel".


Nesse evento de proporções gigantescas, com standes de livrarias e livreiros de todo o país, e com uma programação diversificada de palestras de grandes nomes da Literatura, oficinas, apresentações musicais e Bate-papos literários acontecendo durante a semana de 02 a 09 de junho, houve espaço também para a cultura do cangaço, através das palestras dos escritores Rubervânio Rubinho Lima e João de Sousa Lima, da cidade de Paulo Afonso.


Com um público muito participativo, presenta em mais uma edição do 16º Seminário Língua Viva, que acompanhou um pouco da história do fenômeno do cangaço e suas ligações com a literatura popular, a manhã de sexta-feira foi bastante proveitosa para os participantes, que puderam conhecer um pouco mais da história desse fenômeno do Nordeste e tirarem suas dúvidas sobre o tema.


Já na tarde do mesmo dia, às 17:30, no espaço reservado para o "Bate-papo Literário", o escritor João de Sousa Lima envolveu os presentes com a palestra "As mulheres e o cangaço" e em um bate-papo regado de muita música, pelos escritores e músicos Dr° Leandro Cardoso e Jadilson Ferraz, que alternaram o momento com músicas e histórias de Luiz Gonzaga, além também de contar com intervenções do Professor Wilson Seraine, entusiasta e pesquisador da história e das músicas do "Rei do Baião".












Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço: 
Rubinho Lima

http://www.conversasdosertao.com/2013/06/escritor-rubervanio-rubinho-lima-cativa.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Lampião no Ceará em 1928

Pesquisador Kiko Monteiro

Olá, Mendes! 

O jornal é de 1928. O resumo incluso em meu comentário é de autoria de Cicinato, copiado por Raimundo Gomes, que me cedeu o jornal.

 O pesquisador Ivanildo Alves Silveira e o escritor Cicinato Neto

No começo de março 1928"o homem", Lampião encaminhou-se ao Ceará. Seu grupo ficou escondido na serra canabravinha, em Brejo Santo. No dia 10, esteve na fazenda Poço, no mesmo município. 

Segundo testemunhas, os cangaceiros nem pareciam os participantes de um grupo que, há dois anos, ao perambular pela mesma região do Cariri, comportara-se como uma legião de dominadores. 

Lampião

Ao chegar às terras cearenses, Lampião vinha em busca dos seus protetores, pois o grupo estava em sérias dificuldades, seguido de perto pelas forças adversárias, em destaque a dos “Nazarenos”. Perseguido na fazenda Poço fugiu para a Serra do Batoque, Barra do Cristóvão e Serra do Bom Nome. 

No dia 15 os cangaceiros chegaram na fazenda Piçarra, entre Brejo Santo e Jati. Lampião tinha excessiva confiança no dono da fazenda, Antonio Teixeira Leite, conhecido popularmente com 

Seu Antonio da Piçarra

Antonio  da Piçarra... e no dia 27 foi baleado um dos homens mais próximos a Lampião, o célebre Sabino Gomes, que participara do ataque a Mossoró.

O cangaceiro Sabino Gomes

Cincinato Ferreira Neto, A MISTERIOSA VIDA DE LAMPIÃO. Transcrito por Raimundo Gomes.

Material autorizado para publicação pelo pesquisador Kiko Monteiro, administrador do blog:
 http://lampiaoaceso.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com