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sábado, 27 de agosto de 2016

AS CARTAS DE JOÃO DANTAS E A MORTE DE JOÃO PESSOA

Por Manoel Severo

O que não se esperava é que um fato vindo da pequena Paraíba pudesse desaguar na grande revolução de 30... Dia 26 de julho, era assassinado o presidente do estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, renomado político e candidato à vice-presidência da chapa derrotada do gaúcho Getúlio Vargas.

João Pessoa

As esquinas das ruas Palma e Nova, no centro rico de Recife, foi o palco dos 3 tiros que viriam a tirar a vida de João Pessoa. Ali, na Confeitaria Glória, ponto de encontro da elite nordestina, em 26 de junho de 1930 morria uma das maiores lideranças políticas do nordeste e aliado do derrotado Getúlio Vargas.  O crime, apesar de ter sido o estopim para o movimento “revolucionário” não teve ligação com a campanha presidencial. 

Um conflito entre o advogado paraibano João Dantas, João Pessoa e o coronel José Pereira, chefe da cidade de Princesa teria sido o real motivo do assassinato. Senão vejamos: era presidente do estado da Paraíba, João Suassuna, que a revelia da oligarquia de Epitácio Pessoa, articulava a sua própria sucessão lançando a chamada chapa dos 3 Jotas: seu chefe de polícia Júlio Lyra e os coronéis José Pereira e José Queiroga para a presidência, e primeira e segunda vice-presidências do estado, consolidando sua força no estado. 

Epitácio Pessoa interveio e lança seu sobrinho João Pessoa que ganha a disputa e no discurso de posse em outubro de 1928 declara: “que desejava assegurar garantias a todos e que levaria a polícia a vasculhar propriedades à procura de armas que abasteciam o cangaço.” Frontalmente contra a política sertanista de Suassuna e Zé Pereira de complacência com o banditismo cangaceiro.  No conflito envolvendo as partes, que culminou com a chamada “Revolta de Princesa”, o advogado João Dantas, filho do coronel Franklin Dantas do município de Teixeira, havia tomado partido de Zé Pereira.
  
Anayde: Cartas de amor publicadas...

A oposição mantida a João Pessoa por João Dantas se efetivava violenta, um apartamento seu, localizado em um sobrado da então Rua Direita, 519, bem no centro da capital e próximo do palácio onde trabalhava João Pessoa, foi invadido pela polícia no dia 10 de julho, livros, documentos e móveis de João Dantas foram queimados na calçada fronteira. Ali também teriam sido recolhidas correspondência íntimas entre João Dantas e sua noiva Anayde Beiriz, ato contínuo O jornal A União, que já era então o órgão oficial do governo da Paraíba, publicou uma série de acusações gravíssimas a familiares de João Dantas, inclusive ao patriarca, Cel. Franklin Dantas, unido a isso fizeram publicar em jornal local, as cartas que João Dantas tinha escrito para sua amada, Anayde . 

Aqui abrimos um parêntese para citar declaração do historiador José Joffily sobre o escárnio sofrido por Dantas com relação à privacidade de sua relação com a amada: “Bem me lembro, quando, a caminho do Colégio Pio X onde estava concluindo o ginásio, entrei numa fila, com outros estudantes, para ler sonetos extravagantes e páginas confidenciais do diário do fogoso advogado, eram confidências amorosas entre o advogado João Dantas e Anayde Beiriz”.

As desavenças e ódio passaram a deixar cada vez as ácidas e perigosas as ligações entre Dantas e João Pessoa, culminando, diante da pressão de amigos, com a mudança de João Dantas da Paraíba para Olinda em Pernambuco.  
  
Jornal do Brasil e a manchete da morte de João Pessoa

João Dantas, que morava em Olinda, aproveitou uma visita do presidente do visinho estado paraibano à cidade do Recife; a despeito de visitar um amigo enfermo, o Juiz Francisco Tavares da Cunha Melo, internado no Hospital Centenário; mas que segundo afirmação de Ronildo Maia Leite, “provavelmente João Pessoa viera ao Recife encontrar-se com uma cantora com quem mantinha um romance secreto. ”Essa cantora seria a soprano Cristina Maristany. E quando o mesmo se encontrava na Confeitaria Glória, entra João Dantas, armado de um revólver, acompanhado do cunhado Moreira Caldas. Se aproximando de João Pessoa teria dito: 

”-  João Pessoa? Eu sou João Dantas”. 

Aqui saem os cangaceiros das caatingas e entram os cangaceiros da capital... Vários tiros foram disparados por João Dantas e por Moreira Caldas, não se sabendo ao certo, qual tenha sido a bala fatal que mataria o político. Ainda segundo Ronildo Maia “ele morreu com as joias que, minutos antes, havia comprado na joalharia Krauze para sua amante”. Em seguida ao assassinato do líder paraibano, o governo é assumido por seu vice-presidente Álvaro Pereira de Carvalho, que  muda o nome da capital da Paraíba para João Pessoa e o acrescenta o lema NEGO à bandeira do Estado, numa referência à resposta que João Pessoa teria dado via telegrama, ao presidente Washington Luís sobre a negação de seu apoio à candidatura vitoriosa de Júlio Prestes; o vermelho da flâmula representava o sangue da morte de seu líder e o preto, o luto.

João Dantas

Voltando à Confeitaria Glória; João Dantas ainda seria ferido pelo motorista de João Pessoa quando fugia, e depois acabaria sendo preso ao lado do cunhado Moreira Caldas e de novo a ironia do destino colaria cabeças decapitadas; como em Angico; no caminho do povo nordestino. 

Recolhidos à Casa de Detenção, do Recife, os dois foram degolados e tiveram suas cabeças enviadas para a Paraíba, era o dia 03 de outubro de 1930, o crime teria sido arquitetado pelo tenente da força policial Ascendino Feitosa, e seu auxiliar o soldado João da “Mancha”; ele tinha uma mancha escura no rosto, razão pela qual lhe foi dado esse apelido; como executor.  

Agora nos valemos de um trecho de entrevista prestada pelo Coronel Manuel Arruda de Assis, oficial da Policia Militar da Paraíba a José Romero Araujo em janeiro de 1989, “o indivíduo João da Mancha era considerado inclusive por seus antigos colegas de farda, como um psicótico, extravagante sangrador das forças volantes paraibanas. Naquele dia rompeu, com um bisturi pertencente ao médico Luiz de Góes, a carótida do advogado João Dantas, como também de seu cunhado, o engenheiro Moreira Caldas, ambos assassinados com a mesma “técnica”. O “serviço” fora feito por um profissional macabro que conhecia muito bem o seu “ofício”. O militar sabia milimetricamente onde iria romper a artéria, visto que a luta corporal travada entre o intrépido advogado João Dantas e os seus algozes impediu o seccionamento no ponto exato, como pretendia Dr. Luiz de Góes.” E continua o coronel Manuel Arruda, “só alguém que estava profundamente em contato com a “arte” de sangrar poderia ter feito um “trabalho” com tamanha perfeição”.
  

E continuando com as reflexões de Manuel Arruda, “quando as tropas comandadas por Juarez Távora, ativo integrante da coluna Prestes, chegaram ao Recife, o primeiro local visado pelos militares paraibanos foi a detenção onde se encontravam presos João Dantas e Moreira Caldas que se tornou alvo dos comandados por Ascendino Feitosa, estando entre estes João da “Mancha” e o médico Luiz de Góes.” Conforme o entrevistado, esse médico era capaz de tudo, regido por verdadeiro espírito sanguinário. E segue: “dominados os prisioneiros, Luiz de Góes apontou a Ascendino a carótida. João Dantas entrou em luta corporal com seus algozes, sendo atingido na sobrancelha. Com precisão invulgar, João da “mancha” recolheu o bisturi e aplicou certeiro golpe no local indicado, pondo fim à vida de João Dantas.” O entrevistado revelou que o corpo do advogado foi profanado de diversas maneiras, mesmo quando estertorava. Em seguida, o cunhado Moreira Caldas teve o mesmo fim, morrendo implorando para que o deixassem cuidar da família.

Segundo Manuel Arruda de Assis, era comum solicitar a presença de João da “Mancha” quando cangaceiros eram aprisionados. No combate de 1923, quando o sucessor de Sinhô Pereira fora ferido no tornozelo, no qual pereceram Lavandeira e Cícero Costa, ambos foram sangrados pelo frio soldado volante que se aperfeiçoou em matar usando o extremo da covardia e da perversidade.

Entretanto outra versão defende que João Dantas e Moreira Caldas se suicidaram com golpes de um mesmo bisturi, primeiro Dantas, depois Caldas, tese essa reforçada por supostos bilhetes deixados pelos mesmos em baixo de seus travesseiros. Segundo afirmações de José Joffily "como poderiam estes documentos de despedida, escritos em instante derradeiro, apresentar a correta redação, o talho das letras e a autenticidade das assinaturas, comprovadas em perícia, se tudo fosse escrito no tumulto de uma feroz degola e trucidamento?” e continua citando a confidência de João Dantas ao seu irmão Manoel, como prova do seu intuito de suicidar-se:

“- No caso de um movimento armado e vitorioso, 
eu não me entrego. Mato-me!” 

 “- E tens ao menos com que te matar?” 

 “- Ele abriu a gola do pijama e retirou dele um afiado bisturi.”.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

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O ACAUÃ

Por Geraldo Júnior

Muito se fala no acauã e no seu canto, mas tenho plena certeza que poucos (as) o conhecem. O canto desse pássaro tanto para o cangaceiro quanto para o sertanejo nordestino em geral significava agouro, mau presságio. 


O canto ou a simples presença dessa ave era o suficiente para que caminhos fossem alterados e viagens adiadas. Superstição ou sabedoria popular?

O Acauã (Herpetotheres cachinnans) é uma ave pertencente à ordem dos Falconiformes, da família Falconidae. É conhecida pelo seu canto característico e por se alimentar de serpentes.

Características

Os membros do gênero Herpetotheres são falcões de tamanho médio que têm as asas curtas, arredondadas, e uma cauda fortemente arredondada e longa. Seu corpo é bastante robusto. Os pés são curtos e com os dedos cobertos com escamas pequenas, ásperas, sextavadas — uma adaptação para suportar as mordidas de serpentes venenosas.

As penas da coroa são estreitas, duras e pontudas, dando forma a uma crista que é limitada por um colar. Este gênero tem algumas peculiaridades anatômicas e é colocado também em uma família própria.

No Acauã adulto, a cabeça é amarela pálida, variando de marrom a branco dependendo do indivíduo e do desgaste das penas. A máscara facial preta e larga estende-se em torno da parte traseira do pescoço com uma borda branca. As penas da coroa têm eixos escuros produzindo um efeito raiado. A parte superior das asas e da cauda é marrom muito escuro; o uropígio é também amarelo pálido ou branco; a cauda apresenta barras estreitas preto e branco, terminando com pontas brancas. A maioria da parte inferior é amarela pálida, salpicada de marrom escuro nas coxas, incluindo a base das penas primárias. O fim das penas primárias é barrado, com cinza mais pálido. Algumas manchas escuras sob as asas não são incomuns. Os olhos são marrom escuro. A íris é preta; os pés são cor-de-palha.

Em plumagem imatura, a ave é similar ao adulto, não sendo tão pronunciado o limite entre zonas escuras e claras; as penas são marginadas com marrom pálido. As áreas claras da plumagem são brancas, mais claras que nos adultos.

INFORMAÇÕES: WIKIPÉDIA
FOTO: ANDREAS TREPTE

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo O Cangaço)

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BELO MONTE POR MUCIO PROCÓPIO

Múcio Procópio

Não sei o autor dessa tela que compartilhei de Dally Rocha, através do facebook, e crio na minha imaginação esse cenário como uma representação da defesa do Belo Monte onde se retrata a inclemência do sol, que pela sua cor amarelada já se aproxima do ocaso, mas permite se observar a silhueta das plantas da caatinga como o cactos conhecido como palmatória e árvores sem folhas com a presença do Conselheiro protegido pelas tropas de defesa, talvez ali conduzida pelo grande estrategista Pajeú, que pode ser o primeiro de chapéu estilo cangaço que viria em 1917, vinte anos depois do fim da guerra em 1897.


Atrás do seu comandante Pajeú o corpo da tropa, tudo observado pelo mentor espiritual Antônio Conselheiro que na verdade não participava das incursões de ataques nem na ação defensiva, a sua rotina de orações nem na guerra foi interrompida, segundo relato dos irmãos Antônio e Honório Vila Nova que abandonaram O Belo Monte, a pedido do Conselheiro que não queria que a história do Belo Monte desaparecesse, como os que ali, estavam, sem que o mundo soubesse da possibilidade de uma conivência pacífica com base na religiosidade com ordem e trabalho como tinha vivido entre junho de 1893 a setembro de 1897. Graças a essa visão do Conselheiro hoje conhecemos um pouco mais daquela grande e ousada experiência comunitária.

Mucio Procopio, pesquisador
Conselheiro Cariri Cangaco
Natal RN

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O CANGAÇO NO CINEMA, NA TV E NA MUSICA


O cangaço foi foco de atenção em filmes como “Lampião, O Rei do Cangaço” de 1064 e “O Cangaceiro” de 1953, um dos maiores sucessos do cinema brasileiro, além de outros filmes e de séries de TV que deixam revelar resquícios do cangaço até os tempos atuais do nosso Cordel Encantado. Luiz Gonzaga na sua canção “Lampião Falou” traduz nas letras os tempos pós-cangaço quando diz: “O cangaço continua/De gravata e jaquetão/Sem usar chapéu de couro/Sem bacamarte na mão/E matando muito mais/Tá cheio de lampião/E matando muito mais/Tá assim de lampião/E matando muito mais”; fato irrefutável. Rematando, num devaneio rápido, em especial por parte de Virgulino, o Lampião; nota-se que para realizar sua missão cangaceira precisava contar com a participação afetiva e efetiva de Maria Bonita, sendo esta mulher seu suporte afeto-emocional por todos os anos de cangaço, até que juntos também ficassem de vez para a história, desde Angico. Então, todos nós, “Lampiões e Marias Bonitas” precisamos também de nossos parceiros afetivos para nos tornarem efetivos em nossas caminhadas pelo sertão ou não... Ou seja, no desejo romanesco que povoa “cabeças não decapitadas” da contemporaneidade. Adaptado de Tito: Psicólogo, professor e consultor. Formado na UMC. São Paulo, pós-graduação PUC-SP e UNICAMP.

https://www.facebook.com/groups/ocangaco/?fref=ts

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A FEIRA DE RUA DE POMBAL/PB

Por Verneck Abrantes

A Feira de Rua de Pombal, sempre aos sábados, até o começo dos anos 70 era uma das maiores do sertão. Comercializava-se de tudo, em meio a gritaria dos feirantes para chamar atenção dos fregueses: Fumo de rolo, raízes e ervas medicinais, tamborete e mesa de mulungú, galinha, guiné, pato, peru e ovos de capoeira, balaio, caneco de flandre, pote, quartinha e panela de barro, comida feita na hora, carne, feijão, arroz, farinha, queijo, manteiga e rapadura, frutas no chão, bicada de cana, caldo de cana, borracha de baladeira, alpargata de rabicho, literatura de cordel etc. etc. etc. Hoje, apesar dos supermercados, ainda vai resistindo…


Verneck Abrantes

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LANÇAMENTO TIBAU DE TODOS OS TEMPOS - VOLUME I

Por Lúcia Rocha
Arte da capa de Augusto Paiva

TIBAU DE TODOS OS TEMPOS - Volume I - é o primeiro de uma série de livros sobre Tibau, a praia do mossoroense, localizada na divisa do Rio Grande do Norte com o Ceará.
           
Lançamento na Feira do Livro de Mossoró aconteceu na noite do dia 19 de agosto de 2016, a partir das 19 horas, no Expocenter, bairro Costa e Silva.
           
No dia 20, sábado, houve manhã-tarde de autógrafos no Rust Café, na Praça Bento Praxedes, centro de Mossoró.
           
Lançamento em Tibau no dia 9 de setembro, no Viola Beach, na Rua Pirambu, por trás do Brisa, centro.
           
Lançamento em Natal, dia 31 de agosto, em evento fechado para a colônia mossoroense.
           
Lançamento em Natal, em evento aberto, dia 1º de setembro, local a confirmar.
           
Vendas com entrega via Correios para todo o país. 
Pedidos através do e-mail: emuribeka@uol.com.br 
ao preço de R$ 50,00 - cinquenta reais.
Contato para mais informações: 84 - 99668.4906     

http://www.luciarocha.com.br/2016/08/lancamento-tibau-de-todos-os-tempos.html

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LEIA A ENTREVISTA DE LAMPIÃO PUBLICADA NO JORNAL O POVO EM 1928


Confira a matéria acima publicada no "O POVO" no dia 4 de julho de 1928, com Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. "Não sou cangaceiro por maldade minha, mas pela maldade dos outros", afirmou.

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/
http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2015/07/25/noticiafortaleza,3474352/leia-a-entrevista-de-lampiao-publicada-no-jornal-o-povo-em-1928.shtml

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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

ENTRE POMBAL E MARINGÁ, O QUE HÁ?

Por Dermival Moreira dos Anjos


Mesmo lidando com operações burocráticas atendendo o público no labor diário de uma agência bancária, uma vez ou outra a conversa assume tons mais amenos. O serviço que faço não guarda qualquer afinidade com minha formação em Geografia mas quando o assunto descamba para essa área do conhecimento, o meu interesse é imediato e dou sempre um jeito de esticar o diálogo alguns minutos. Numa dessas, uma senhora paranaense que eu atendia, me falou que sua cidade, Maringá, no Paraná, teria sido fundada por paraibanos, ou que, na pior das hipóteses, sua construção estava ligada à presença de imigrantes do sertão nordestino no norte daquele estado, atraídos pela colheita do café. Fiquei interessado na conversa e ao mesmo tempo curioso, pois jamais ouvira alguém falar disso antes. Na verdade eu sempre quis investigar a ligação do nome daquela cidade paranaense à cidade de Pombal, conhecida no Nordeste como “a Terra de Maringá”. A afirmação daquela mulher acabou por atiçar minha curiosidade me fazendo crer que havia alguma conexão, por mínima que fosse. De um lado, Pombal, no sertão paraibano, com quase 200 anos de vida e história; do outro, Maringá, 350 mil habitantes, pouco mais de 70 anos de emancipação política e muita prosperidade. Entre as duas, muitas diferenças e 3.600 km separando-as.

Em minhas hipóteses sobre a questão nunca considerei uma música, gravada nos anos 30, como possível conexão. Eu partia do princípio de que uma coisa não teria nada a ver com a outra. Engano meu! A música a qual me refiro é “Maringá... maringá...”, composta por Joubert de Carvalho, que fez muito sucesso na voz de Carlos Galhardo, mas também gravada por dezenas de outros cantores em fim dos anos 30 e 40. Mas, e os imigrantes paraibanos? O que teriam a ver com a fundação de Maringá como afirmou a mulher na agência? Ou, ao menos, com o “batismo” da cidade?

A cidade de Maringá, no Paraná, é resultado de um projeto da colonizadora Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná, que fundou uma vila que desse suporte logístico à atividade cafeeira, e onde operários e agricultores (locais e imigrantes) que ali trabalhavam, pudessem ser instalados. Muitos daqueles homens eram nordestinos do interior da Paraíba. Por esse mesmo tempo a música de Joubert de Carvalho fazia muito sucesso e era entoada pelos trabalhadores saudosos de sua terra natal e de suas amadas, nos cafezais paranaenses.

Em 1947, Elizabeth Thomas, esposa do presidente da citada Companhia, sugeriu que a composição, tão presente no dia-a-dia daquele lugar, desse nome à vila recém construída pela empresa. Uma espécie de homenagem, muito mais dirigida às centenas de trabalhadores que não se cansavam de cantá-la, do que à música em si. E assim se fez! O mais comum no mundo inteiro, são as cidades emprestarem seus nomes a canções; difícil é uma canção inspirar o nome de um lugar. O título da música acabou emprestando o nome à futura cidade que logo se tornaria uma das mais prósperas de toda a Região Sul.

Relativamente à música, esta teria sido escrita na presença do Ministro de Viação e Obras Públicas, do governo Getúlio Vargas, José Américo de Almeida, e de seu Oficial de Gabinete, Ruy Carneiro. Joubert de Carvalho, que era médico, aspirava um cargo público no Rio de Janeiro e fora apresentado aos políticos paraibanos por um amigo comum. O compositor resolveu agradar o ministro compondo uma música retratando o flagelo da seca, associando-a também ao romantismo e à lenda envolvendo uma tal “Maria” - a mítica cabocla retirante que teria vivido em Pombal no início do século XX. Na busca de elementos para a composição, o autor perguntou aos ilustres paraibanos de onde eles eram. Como Areia e Pombal, terras natal do Ministro e de seu assessor, respectivamente, não soavam bem para a rima, os três “percorreram” vários nomes de cidades paraibanas, até que alguém falou “Ingá”. – Pronto! - Falou Joubert de Carvalho – a “Maria” vai ser do Ingá. E surgiu o título da música.

Quanto aos paraibanos, é razoável afirmar da participação destes na construção da vila que daria origem à cidade. Embora na história de Maringá, as palavras “nordestinos" e "paraibanos" não sejam citadas, não há como negar a influência e presença desses imigrantes por ocasião de sua construção. Dados afirmam que, no seu início, a população de Maringá era em sua maioria formada por nordestinos e paulistas que trabalhavam na colheita do café. Corroborando com essa ideia, a música de Joubert de Carvalho vem reforçar a hipótese da participação, direta ou não, dos nossos irmãos conterrâneos na fundação desta bela cidade paranaense.

Dermival Moreira dos Anjos é paraibano de Cajazeiras, bancário e licenciado em Geografia pela UFPE.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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GENTE DAS RUAS DE POMBAL JOSÉ BENIGNO DE SOUSA – SEU LELÉ

Por Jerdivan Nóbrega de Araujo

A nossa família, do ramo e da nossa avó paterna, como é comum em famílias judaicas, dispensava um respeito todo especial ao seu patriarca, que funcionava como uma espécie de líder conselheiro. Desta prática, a informação mais remota que tenho conhecimento, vem desde a chegada dos irmãos João Ignácio Cardoso D’Aarão e Francisco Ignácio à Cidade de Pombal, no começo do século XIX, originários do sítio Jacoca, hoje Conde, do engenho Forte Velho e do engenho Tibiri, localizado no município de Santa Rita.


Quando menino eu me acostumei a ouvir minha avó, e depois meu pai e meus tios, se referirem ao patriarca e líder “Pai D’ Airão”, e depois “Pai Benigno” que viveram no inicio e no final do XIX respectivamente. Acredito que eles, meus tios, não os tenham alcançados, mas de tanto ouvi-los falar, fortaleceu em mim a imagem homens rígidos que exerciam no seio famíliar as suas devidas autoridades, de forma que não se tomavam decisões sem antes ouvi-los.

Outros patriarcas e líderes surgiram no seio da nossa família e, do último, eu me lembro muito bem. Ouvi dele conselhos no meu tempo de adolescente e também ouvi, por diversas vezes, o meu pai dizer coisas como: não tomo nenhuma decisão sem antes ouvir Lelé; Falei com Lelé e ele não concordou etc, etc...


Pois bem, foi Lelé ou José Benigno de Sousa o último dos lideres da nossa família, e o único com quem convivi e aprendi algumas lições de vida, que ainda hoje carrego comigo. Não era homem de chamar atenção em público, mas, era destes que com um olhar já sabíamos que havíamos nos metidos em encrencas.

Na minha adolescência muitas vezes “cortei o caminho” para não cruzar com Lelé, pois sabia que ele veria nos meus olhos que algo de errado eu havia feito. Quantas vezes eu ouvi a frase: “Amanhã quero falar com você ás 09 horas lá na alfaiataria” . Ai de mim se não estivesse na alfaiataria, em dia e hora marcada, para o costumeiro sermão.

Certa vez, na “Outra banda” terra dos nossos avôs, ele pediu que eu plantasse um pé de manga, e disse: “em dez anos ela já vai botar os primeiros frutos”. Respondi que era muito tempo e que não valia a pena. Lelé me levou até a parte alta do sitio mostrou uma frondosa mangueira, ali existente e perguntou se eu sabia por que aquela mangueira era conhecida por todos da família como o “pé de manga de Lelé” . Respondi que meu pai havia dito era por que ele, Lelé, quem a plantou. Ele insistiu: “você já me viu colhendo manga ai?” Respondi que não, ai ele disse: quando eu plantei esta mangueira eu também pensei que ia morrer e não a via botar, mas sabia que alguém um dia ia colher aquelas mangas. Era o espírito socialista, de um homem que se doava para atender as necessidades dos outros. Um líder!

Tenho muitas outras boas lembranças de José Benigno de Sousa ou Seu Lelé, mesmo por que eu tive a satisfação de conviver com ele durante boa parte da minha infância, naquela alfaiataria, onde ele ensinou esta arte ao meu pai, o que nos deu o sustento por muitos anos.

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Nascido dia 22 de outubro de 1910, faleceu no dia 12 de janeiro de 1996 aos 86 anos. Era filho de Felemon Estevão de Sousa e Ana Benigno de Sousa, estes meus bisavós.

Lelé casou-se em 1948 com Elisa Abrantes de Sousa, nascendo da união: Eliezer Gandhi Abrantes de Sousa - Engenheiro civil (in memória), Elisane – Assistente Social, Verneck Abrantes de Sousa – Engenheiro Agrônomo, Eliene – Formada em Enfermagem, Maria do Socorro – Universitária em Psicóloga(in memória), José Filho - Economista, Francisco José – Ciências Contábeis, Economista e advogado, e Cândida Abrantes de Sousa.

Exerceu várias atividades: trabalhou na agricultura nas terras da sua mãe, foi “apontador de trabalhadores” na construção da linha do trem, manteve uma alfaiataria por muitos anos como profissão maior. Em 1955 foi eleito vereador e reeleito mais cinco vezes, vivendo a política pombalense por 29 anos de vereança, quando se deu a sua última legislatura, a de 1983 a 1988, já com a saúde precária.

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Lelé não fazia campanha ostensiva, limitando-se a conversas nas ruas e visitas a casa dos seus eleitores amigos. Seque fazia “santinhos” ou cartazes. A divulgação da sua imagem era feita pelos seus familiares e pelos que tinham por ele o respeito que se tem por um homem sério e pela própria história da família Benigno Cardoso.

Foi o vereador com mais tempo na Câmara Municipal de Pombal, o pombalense que por mais tempo presídio a S.A.O.B, Sociedade Artística e Operária Beneficente, mais conhecida como a SEDE a mais antiga sociedade beneficente do município, fundada no dia 8 de julho de 1934 pelo músico, Francisco Ribeiro. No final dos anos de 1940, José Benigno – Seu Lelé assumiu a Presidência da Sociedade e permaneceu na mesma por 43 anos.

Na década de 1950, com verbas do governo federal, intermediadas por Dr. Janduhy Carneiro, José Benigno construiu os dois prédios da sua sede própria, e que serviram por muitos anos como instituição de ensino fundamental. Ali funcionou o primeiro cinema da cidade, também, muito utilizada para reuniões da classe operária, encontros para as noites de mágicas do professor Guimarães, festas sociais, local da realização dos grandes carnavais de antigamente e primeira biblioteca pública da cidade de Pombal, com livros de autores brasileiros e da literatura universal. Além a Sede, Lelé construiu um patrimônio físico para Sociedade Artística e Operária Beneficente, a exemplo:

- Construção de unidades residenciais para seus associados.

- Criação e instalação a primeira Biblioteca Pública de Pombal.

- Construção de túmulo no Cemitério N.S. do Carmo para os associados.

- Construção da sede própria e anexo.

- Desenvolveu programas assistências que, até hoje, são inovadores, como o apoio à melhoria de renda dos associados, oferecendo cursos de capacitação e concessão de máquinas de costuras, em sistema de rodízio. Mantinha um serviço assistencial médico e odontológico permanente aos seus associados, bem como ajuda emergencial.

Lelé foi um homem de procedimentos exemplares. Uma lembrança de integridade moral, honestidade e de grandes amizades. Era comum parar os filhos de seus amigos na rua para saber sobre a família ou com intuito de aconselhar-los, a pedidos dos próprios pais desses adolescentes. Cumprimentava todos que encontrava pelo seu caminho, independente da classe social ou idade. Tinha um grande amor pela política, à cidade e ao povo pombalense. Lembrar é homenagear as qualidades íntegras deixadas por ele; é ressaltar os valores humanos da nossa Pombal.

Lelé foi o ultimo líder dos Benignos e Cardosos, responsável pela agregação da família e que nos dias de hoje faz a devida falta, quando em certos momentos da nossa vida se procura a sabedoria de líder, de um guardiã para um bom conselho.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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ESTAR FALTANDO

Por Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2016 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Para Jonas Pacífico - Crônica 1.568

Muito bem observada pelo conterrâneo Jonas Pacífico, o lugar de emprego do “Seu Basto”, o homem que virou mito futebolístico em Santana do Ipanema, Alagoas. Gostaria de pelo menos conhecê-lo através de foto.

Foto: (verdadealagoas).

Não foi somente uma vez em que me referi ao padre Bulhões, ao Departamento Nacional de Obras Contra a Seca – DNOCS – e ao Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – DNER, nos meus escritos. Foi apelos aos cultos ou quase isso que trabalharam nesses departamentos e aos que foram ligados ao vigário santanense.

As duas repartições têm história fecunda em Santana, ocasião em que eram os dois maiores centros de referência da cidade. Construções de açudes, rodagens, pontes, pontilhões, bueiros, futebol, professores, engenheiros e fontes infindáveis de empregos... Duas vigas mestras de desenvolvimento regional. Pedi sempre aos que trabalharam nessas repartições que escrevessem um livro sobre cada uma, pois eles sabiam de tudo. Ninguém, amigo, absolutamente ninguém se prontificou. Inúmeras dessas pessoas cultas partiram, outros se arrastam na idade e as repartições morreram sem literatura. Tudo que foi escrito está no geral do “Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema”.

O mesmo apelo fizemos em relação ao padre Bulhões, cuja vida daria um livrão bastante colorido. Nada! E Santana perdeu ainda fresquinho, um mundo de dados importantíssimos do seu acervo histórico, tanto pela apatia dos seus filhos, quanto pela indiferença e ignorância de seus gestores.

Sei não, deixe continuar para saber como é que fica. Gestor na minha terra sempre foi caso perdido. 



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AS PEDRAS DAS LAVADEIRAS

*Rangel Alves da Costa

Todo santo dia, logo cedinho, ela passava entoando a velha canção: Lá vai eu de novo, lá vai eu de novo, levando na cabeça trouxa de roupa do povo. Mas que roupa mais suja, que roupa encardida, não tem sabão que chegue pra essa coisa fedida. E sem jeito a dar, lá vai eu de novo, levando na cabeça a imundície do povo...

Já outra, com medo de perder clientela pela cantiga desaforada, cantarolava baixinho: Caminho que me leva à beira do rio, nessa mesma estrada o mesmo desafio. Molhar, ensaboar, esfregar, sacolejar, depois a roupa estender e logo secar. Caminho que me leva à beira do rio, nessa mesma estrada choro e não sorrio...

As lavadeiras seguiam assim, cantando, mas depois o canto era outro, cheio de saudosa plangência, emotivo demais e até lacrimoso. No bate-bate, no enxagua-enxagua, iam surgindo dolências de entristecer coração. E pelas beiradas e além a voz bonita: Minha mãe partiu e eu fiquei aqui, e minha filha sabe que um dia hei de ir. Enquanto não vou, a roupa eu lavo, assim lavo a alma desse viver escravo. Do tempo e de tudo, que viver mais escravo...

Silenciosas para o instante, de cabeças baixas, sentindo por dentro, as demais se afligiam. Depois também cantavam e em cada canção a poesia sofrida, desiludida, cheia de tormentos. Assim todo dia de difícil labuta. Ofício que sempre começava na noite anterior, quando iam de casa em casa recolhendo as roupas, se estendendo pela maior parte da manhã, até o retorno da beirada do riacho já com os panos lavados e arrumados em trouxas.

Aquilo que comumente chamavam de rio e para onde se dirigiam a cada manhã, não passava de um riacho cujas águas dependiam sempre das chuvas na nascente, ou cabeceiras, como preferiam chamar. Quanto mais chuvas mais enchentes, mais águas muitas, mais facilidades de lavar as roupas nas correntezas que se formavam. Mas quando as chuvas escasseava, então se valiam das águas represadas para o molhar, esfregar, ensaboar, dar a limpeza final. Em situações assim, um sacrifício ainda maior.

Leito de riacho entremeado de pedras grandes, pontudas, lisas, traiçoeiras, onde se formavam os poços fundos. Nas épocas de cheias, adultos e crianças se lançavam de suas alturas para mergulhar sem medo dos perigos lá debaixo, pois sempre existindo outras pedras miúdas e perigosas nas águas rasas. Muitas eram as vezes que as lavadeiras tinham de gritar para que não espanassem aguaceiro por cima dos panos já estendidos nas pedras.


As pedras das lavadeiras já haviam sido escolhidas de muitas outras gerações. As que agora utilizavam já vinham sendo usadas por suas mães, avôs, bisavós, numa linhagem de mesma luta debaixo do sol ou da chuva. Sim, pois se lavava até quando chovia, depois levando as roupas para serem colocadas nos varais estendidos nos quintais e arredores. Estendidas ficavam ao sabor do tempo, da ventania ou de quando o sol novamente despontasse.

As pedras já demarcadas pelos antepassados possuíam toda uma feição especial, além de uma simbologia que muitas das mais jovens sequer chegavam a compreender. Diziam os mais velhos que sobre aquelas pedras, entre a beirada e o leito do riacho, muitos já se ajoelharam rogando por chuva ante a secura do leito. E também que muita moça solteira abriu os braços em noite de lua grande para implorar casamento, prometendo até o impossível de realizar. E o mais instigante: no meio da noite, uma mulher descia da lua vestida de sol, tendo às mãos a flor e o espinho, e em cima da pedra permanecia mirando aqueles horizontes escurecidos, mas tão visíveis aos seus olhos doces. Logo disseram ser a visita, em pessoa de luz, da padroeira da luta e da esperança: Nossa Senhora Sertaneja.

Por isso mesmo que aquelas pedras iam muito além de simples locais onde as roupas eram lavadas, pois simbolizando outras presenças antigas e ainda tão acreditadas pelos mais novos. Daí que aquelas mulheres se ajoelhavam e a reverenciavam quando chegavam e quando partiam, e alguma ou outra não se esquecia de deixar um raminho de flor de catingueira por cima de sua tez molhada. E a flor, misteriosamente, sem que ninguém jamais pudesse avistar como acontecia, simplesmente iam sumindo nas entranhas da pedra. No seu lugar, formava-se uma pocinha de água a mais cheirosa do mundo. Um perfume santo na aridez sertaneja.

Hoje as lavadeiras ainda possuem caminho, mas não na quantidade de antigamente. As roupas sujas são lavadas em casa, na mais pura expressão da palavra. As máquinas de lavar, as pias e outras locais de lavagem, certamente afastaram os ofícios daquelas mulheres. Mas as pedras continuam por lá, com menos água pelos arredores, mas ainda continuam por lá. E os cantos também. Não é raro se ouvir, mesmo sem qualquer presença de lavadeira, cantigas de um tempo muito distante.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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MENSAGEM ENVIADA PELO PROFESSOR, ESCRITOR E PESQUISADOR DO CANGAÇO BENEDITO VASCONCELOS MENDES


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SERRA TALHADA SEDIARÁ I ENCONTRO DA FAMÍLIA PEREIRA

Por Junior Almeida

Agora no mês de setembro, durante a tradicional festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade, Serra Talhada sediará o I Encontro Nacional da Família Pereira do Pajeú, a ser realizado na Associação Atlética do Banco do Brasil – AABB, no dia 3 de setembro de 2016.

A ideia surgiu após membros da família se comunicarem pelas redes sociais, primeiro pelo Facebook e depois pelo WhatsApp, quando criaram um grupo apenas com pessoas da família Pereira.

Segundo um dos membros da família,  que mora em Salgueiro, o evento vai proporcionar o encontro das atuais gerações, vai ajudar a resgatar a história de lutas, glórias, dificuldades e superação desta tradicional família do Sertão pernambucano.

Nomes como o do Barão do Pajeú e os lendários Luiz Padre e Sinhô Pereira, sendo esse o primeiro e único chefe de Lampião, fizeram a história do Nordeste, foram alguns dos Pereiras mais conhecidos e terão seus familiares nesse encontro.

Do Estado de Goiás estão sendo esperados descendentes de Luiz Padre, que em 1922 junto com Sinhô Pereira, abandonou o Sertão do Pajeú, depois da sangrenta guerra com a família Carvalho, e foi em busca de paz naquelas terras.

Também devem comparecer ao encontro, na terra de Virgulino Ferreira e Agamenon Magalhães, familiares do alagoano Tenório Cavalcanti, deputado federal pelo Rio de Janeiro, de 1951 a 1964, que tinha um primo casado com uma Pereira. Tenório Cavalcanti, o “Homem da Capa Preta”, foi imortalizado no cinema pelo ator José Wilker.

Dentre as várias histórias de ações violentas do político, uma chama atenção pelos nomes envolvidos: Em 1962,  Tenório Cavalcanti fazia um duro discurso contra o presidente do Banco do Brasil na época, na tribuna do Congresso, quando o colega baiano, Antônio Carlos Magalhães, o interrompeu chamando-o de ladrão. Tenório explodiu em fúria e armado de revólver, partiu para matar ACM. Com o rebuliço no plenário, o Homem da Capa Preta percebeu que o colega da Bahia tinha se urinado de medo. Tenório Cavalcante apenas riu, e disse que só matava homem.

Para a festa os comes e bebes já estão sendo preparados para receber o clã dos Pereira. O evento será restrito aos membros da família e contará com inúmeras atrações musicais, artísticas e culturais como forma de apresentação dos diversos talentos da família. Uma exposição das pinturas de Clayton Valões também vai está na programação da festa, assim como o lançamento do livro “O Patriarca”, de Venício Feitosa Neves, neto de Ioiô Maroto, envolvido direto numa das ações mais conhecidas de Lampião, que foi em 1922, onde morreu o chefe político de São José do Belmonte, coronel Luiz Gonzaga Ferraz.

Os Pereiras da região Agreste de Pernambuco e de todo Brasil que quiserem participar deste encontro, podem entrar em contato com a Comissão Organizadora, através da página do evento no Facebook clicando aqui ou via WhatsApp 11 97335-8801 / 81 99645-6663 / 81 99146- 6859 / 87 99631-7333.

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QUEM DESEJAR ADQUIRIR ESTA OBRA, CONTACTAR COM O PROFESSOR Francisco Pereira Lima

E-mail: franpelima@bol.com.br!

Leiam o que disse o pesquisador Jose Irari:

"Este não é mais um livro sobre Lampião e o cangaço. Pode-se dizer "O Livro Sertanejo "Vejam esta bela citação "O sol crescia e se enchia de luz pra ver melhor. Nenhuma nuvem passava por essa visão de fogo. E o céu era tão feliz que não chorava mais. Nem uma gota d´água! Por causa desse namoro, as fontes foram secando, as árvores esfolhando-se, a terra estorricando..."da obra " a bagaceira", 185. E por aí vai este bom livro. Parabéns o escritor Luiz Serra". 

Hoje, (sexta-feira, 26 de agosto de 2016) o autor deste livro " O Sertão Anárquico de Lampião" estará em Brasília, na Casa do Cantador, maravilhoso reduto cultural e afetivo, do Nordeste no Cerrado, em noite de autógrafos do seu livro, em meio ao Festival de Repentes, evento tradicional. (Agenda Leidi Silveira). 

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HERMECILIA BRÁS SÃO MATEUS A "SILA"

Por Geraldo Júnior

Hermecilia Brás São Mateus a "Sila" que trilhou pelas veredas do cangaço ao lado do cangaceiro Zé Sereno, seu companheiro. Após o cangaço e já em tempos de paz adotou o nome de Ilda Ribeiro de Souza.

Sila é a segunda da esquerda lá atrás ao lado de Zé Sereno que é o terceiro 

Sila e Zé Sereno estavam presentes no coito de Angico e sobreviveram ao ataque da Força Volante alagoana no dia 28 de julho de 1938. Na ocasião foram mortos; Lampião, Maria Bonita, onze cangaceiros e um Soldado da Força.

Uma imagem pouco conhecida que foi publicada na Gazeta de Mossoró/RN no ano de 1997.

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