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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

O VAQUEIRO "SANTO" SAI DA FAZENDA EXU, E MUDA-SE PARA A FAZENDA MANDAÇAIA, E LÁ, SE DEU MAL COM O CANGACEIRO CORISCO.

Por José Mendes Pereira
Adquira-o através deste e-mail: franpelima@bol.com.br

Diz o escritor Alcino Alves Costa em seu livro “Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico", que em Poço Redondo, o maior criador de gado era um senhor de nome Manoel do Brejinho. Homem do trabalho, e com isso conseguiu amealhar grandes posses de terras, tornando-se um dos mais ricos da região daquela cidade. Mas o Manoel do Brejinho era filho de Porto da Folha, e todas as suas fazendas eram em terras de Poço Redondo, no Estado de Sergipe. Possuidor de grandes rebanhos de bovinos, caprinos e ovinos. O seu gado era em torno de 4 e 5 mil reses.

O velho caipira não tinha desejos de luxar ou demonstrar ser rico, e nunca desejou ser coronel ou ter outra patente semelhante. O seu desejo era somente permanecer entre as suas fazendas, e cuidando dos seus animais. Não costumava sair para frequentar feiras..., e quando saía a um lugar qualquer, era confundido com qualquer um catingueiro, ninguém o via como um senhor proprietário de grandes fazendas e animais. O portofolhense tinha a fala mansa e arrastada, e suas fazendas eram: Brejinho, Exu, Propriá, Emendadas, Caibreiras, Poço Dantas, São Joaquim, Logrador, Quiribas e Carnes.

Manoel do Brejinho tinha o maior prazer de andar pela caatinga para ver a sua bezerrada engordar, e, além do mais, acompanhar passo a passo o seu crescimento. E ainda andar no pino do meio-dia pastoreando o gado, que procurava uma sombra embaixo das árvores daquelas terras do rio São Francisco. Isto para ele era o mais importante para o seu viver, considerando um paraíso. Mesmo não gozando de certos confortos, para seu Manoel do Brejinho, nada melhor do que viver entre aquela caatinga que o viu nascer. Era um tanto sovino, mas atendia todos os pedidos que lhe faziam os exploradores.

Na sua fazenda “Exu” o vaqueiro era o Santo sendo este filho lá da cidade de Poço Redondo, grande e veterano pelejador de gado, este era casado com uma senhora carinhosamente chamada de Caçula, que era da família dos Santanas. O casal tinha uma numerosa família, os quais eram: Manoel, Daniel, Rosalvo (aqui abro um parêntese para informar ao leitor que o escritor Alcino Alves não diz se este Rosalvo era aquele que acoitou o ex-cangaceiro Juriti em sua casa, e por infelicidade, ele foi capturado em sua residência pelo sargento Deluz, e que o matou em uma fogueira em plena caatinga), Miguel, Pedro, Angelino, Celestina, Maria Mariquinha e Josefina. Angelino e Josefina uma febre que assolou aquele sertão foram vítimas e faleceram.

Diz o escritor Alcino Alves que no ano de 1932, a seca assolou aquela região. Sentindo dificuldade para tanger o barco, isto é, para sustentar a sua família, o “Santo” resolveu pedir aumento ao seu Manoel do Brejinho, alegando que o seu ordenado não estava dando para o sustento de casa. Mas o seu Manoel do Brejinho não cedeu o solicitado, alegando que se ele estava em dificuldade, ele também estava, e assim não poderia lhe ceder um possível aumento.

Santo desgostoso, deixa a fazenda Exu e vai morar na Fazenda Mandaçaia, na intenção de melhorar aquele sofrimento, isto é, talvez achava ele, que o seu ordenado não estava à altura dos seus trabalhos. 

Mas infelizmente, o Santo não se deu bem com a sua decisão, deixar a Fazenda Exu do seu Manoel do Brejinho para se  tornar morador da Fazenda Mandaçaia (Lamento, leitor, pois o escritor Alcino Alves não fala quem era o verdadeiro dono da Fazenda Mandaçaia).

Santo está ali, achando ele que estava tudo bem, mas, infelizmente, ele havia feito mal escolha. E meses depois, sem desejar, recebe a visita inesperada do cangaceiro Corisco. 

O bandido que o conhecia desde quando ele morava na Fazenda Exu, ordena que, vá até a casa do seu ex-patrão Manoel do Brejinho levando um bilhete, solicitando uma quantia de três contos de Reis. E sem muita demora, o Santo vai até a casa do ex-patrão com o bilhete. 

O seu Manoel não nega a solicitação, e diz ao seu ex-vaqueiro que diga ao cangaceiro Corisco, que no momento não tem, mas irá providenciar a quantia solicitada dentro de oito dias. O prometido não foi com oito dias, mas 10 dias, e que não fez tanta diferença, o cangaceiro Corisco iria receber o valor pedido ao fazendeiro, aliás, a exploração. Santo recebe o valor em sua nova residência, localizada na Fazenda Mandaçaia, e o guarda cuidadosamente, até que o Diabo Loiro apareça.

Na mesma semana, era um sábado, Lampião visita o vaqueiro, e como sabia da solicitação que fizera o Diabo Loiro ao Manoel do Brejinho faz-lhe a seguinte pergunta:

- Santo, o dinheiro que o compadre Corisco pediu ao fazendeiro Manoel do Brejinho já está com você?

Sem puder negar, Santo diz:

- Já, capitão! Estou aguardando a sua presença aqui para ele levá-lo.

Lampião muito esperto, e possivelmente estava precisando de alguns trocados, para comprar alimentos para os seus comandados, diz-lhe:

- Este dinheiro é para ser entregue a mim, Santo.

Sem outra solução, e também não iria desobedecer a ordem do capitão, vai lá dentro da casa e traz a quantia, entregando-a ao famoso Lampião.

O rei a recebe, guarda-a em seu embornal, e, em seguida, faz outro bilhete, endereçado ao Manoel do Brejinho, pedindo-lhe mais três contos de reis, porque o que era para o compadre Corisco ele precisara, e que o fazendeiro não se aborrecesse, que com certeza, um dia qualquer seria recompensado.

Mesmo aperreado e resmungando, e sem outra alternativa, o velho caipira vende mais alguns bois, e uma semana depois, a outra quantia, desta vez, solicitada pelo capitão Lampião, chega às mãos do vaqueiro Santo em sua residência Fazenda Mandaçaia. 

Mas o pobre vaqueiro não estava com sorte. Misteriosamente dois sargentos, o Ernani e Amintas que trabalhavam no destacamento de Poço Redondo, tomaram conhecimento do envio deste dinheiro para o Diabo Loiro, pelo o Manoel do Brejinho. E astuciosos, intimaram o vaqueiro para suas devidas explicações sobre este envio de dinheiro.

Santo que era um homem honesto e que nunca havia sido intimimado para nenhuma explicação na vida, sentira-se desonrado. Sem outro meio de escapar desta intimação, foi atender ao pedido dos espertos sargentos, e lá, foi logo trancafiado, e todas as perguntas que os patenteados lhe fizeram, não obtiveram respostas. A causa, vingança, por ter sido decepcionado, coisa que nunca havia lhe acontecido, ser chamado aos pés de uma autoridade. Santo foi solto no cair da tarde, mas numa condição, avisar ao destacamento quando os cangaceiros aparecessem em sua casa.

Santo ficou triste, como se estivesse depressivo, não queria mais se alimentar, o jantar que a dona Caçula preparara, não foi usado por ele. Deita-se e quer ficar sozinho, imaginando a grande desonra que ora ganhara. Não imaginava ele qual a verdadeira desgraça que o esperava.

O cantar do galo está próximo, e alguém o chama:

- Santo! Santo! Abra a janela! Sou eu, Corisco, vim apanhar o dinheiro, não precisa acender candeeiro não, estamos com pressa e já vamos.

O vaqueiro estranhou aquela voz, achando que não era a voz do Corisco, mas melhor entregar aquele maldito dinheiro, do que partir para uma discussão. Santo jamais poderia imaginar que aquela voz não fosse de cangaceiro algum, mas a do sargento Ernani que estava acompanhado do outro que juntos, queriam roubar o dinheiro do cangaceiro Corisco. Santo estava condenado, poderia ser justiçado injustamente por policiais ou cangaceiros.

Uma semana depois o cangaceiro Corisco visita a cidade de Poço Redondo, e de lá, sai bêbado, levando preso, sobre ordens, um jovem chamado “Airton” um rapaz filho de um senhor chamado “Horácio”. O destino do Diabo Loiro seria a Fazenda Mandaçaia, lugar onde está o vaqueiro Santo, e que é lá, que ele deveria receber o envio da quantia, mandada pelo Manoel do Brejinho, mas desta vez, solicitada pelo capitão Lampião.

O dia amanheceu claro, alegre e simpático. Santo já estava na roça cuidando das suas obrigações, acompanhado de alguns amigos. Lá da roça, ele ver os cangaceiros chegarem em sua casa, seu coração fica agitado, como se estivesse lhe avisando algo ruim. Estava com medo, mas o que fazer?

Santo diz aos amigos que temia algo que pudesse acontecer naquele momento. Os amigos o aconselharam para não ir até a sua casa. Mas ele pensava na sua família, pois os cangaceiros poderiam fazer algo contra ela. Jamais deixaria sua esposa e filhos sozinhos no meio daqueles delinquentes. Se algum deles morressem causados pelos cangaceiros, possivelmente ele queria ser vítima também. Afinal, era pai e esposo daquela gente.

Assim que chegou, deu bom dia a todos os cangaceiros que ali estavam.

Corisco respondeu o cumprimento e perguntou:

- Cadê o dinheiro? Vim buscá-lo!

Santo fica apavorado com o que estava ouvindo, dito pela boca do Diabo Loiro, respondendo-lhe:

- Ôxente! Eu lhe entreguei na semana passada? Naquela noite?

Na verdade, Santo enganadamente, havia entregue aos sargentos a quantia de dinheiro que o Manoel do Brejinho enviara para Corisco, mas desta vez, solicitada pelo então capitão Lampião, porque a primeira quantia, fora Lampião que ficara com ela. E a segunda, fora roubada pelos dois sargentos que se passaram por Corisco.

Ouvindo isso do Santo Corisco ainda bêbado, achou que o vaqueiro estava querendo lhe enganar.

Agora Santo irá morrer. 

O cangaceiro Diabo Loiro ficou louco, e logo apontou a sua arma para Santo, e não pensou duas vezes. Infelizmente, o Santo caiu morto, a bala estraçalhou a cabeça do coitado catingueiro.

Foi-se mais a vida de um um homem honrado por assassinato. Um bom pai, um bom marido, um bom trabalhador. Os filhos e a dona Caçula viram seu pai e esposo ser assassinado, por um delinquente que não tinha dó de ninguém.

Fonte de Pesquisas:
Livro: “Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico”.
Páginas: 145, 146, 147 e 148.
Autor: Alcino Alves Costa

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CASA DE LAMPIÃO EM NAZARÉ DO PICO - PE.


Documentário - casa de Lampião em Nazaré do Pico - PE.
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Fonte Youtube

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DEPOIMENTO DE UMA TESTEMUNHA SOBRE LAMPÃO.


Esse depoimento inédito, foi dado ao lado de uma lagoa feita na pedra pela própria natureza no sítio goiabeira na nas redondezas da Cidade de Itapetim-Pernambuco, por uma testemunha viva das historias de Lampião. Na época Itapetim era chamada de Umburana e ainda não era cidade. Somente, município da cidade de São José do Egito hoje, considerado o Berço Imortal da Poesia e Itapetim hoje cidade, O Vente Imortal da Poesia. Lá segundo o grande Jornalista Bernardo Ferreira, quem não é poeta, é Doido.

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ENTREVISTA CADIM MACHADO, ÚLTIMO COITEIRO DE CORISCO

Geziel Moura

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JOSÉ SATURNINO PARTE 3

Por Aderbal Nogueira


Filho do 1º inimigo de Lampião, Zé Saturnino, conta a o restante da história por ele narrada. Vídeo gravado em 2002.
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SEU GALDINO CUTUCA ONÇA COM VARA EM TREMPE DE ÁRVORE E QUASE SE DEU MAL.

Por José Mendes Pereira

Mais uma fantástica história do seu Galdino Borba(gato) de Mendoça Filho contada a seu amigo, compadre e vizinho de propriedade seu Leodoro Gusmão.

Seu Galdino contou ao seu compadre que há dez dias antes desta conversa tinha saído para ver se tirava mel de uma abelha italiana situada em um pé de umburana, e quando caminhava em direção à árvore, ainda um pouco distante dela, deparou-se com uma onça dormindo sobre um galho de uma aroeira. Não resistindo àquela cena, procurou uma vara e foi cutucá-la, porque a sua intenção era quando ela descesse da árvore, com medo dele, corresse, e nesse momento que ele correria atrás dela, pelo menos para tangê-la pra bem mais longe de sua propriedade, só assim ela não iria perseguir os seus animais em sua fazenda.

Feito isto, quando a cutucou com a vara ela teve um susto tão grande que saiu num grunhido danado e ele não deu chance, agarrou a calda do felino e se mandou voando com ela. Na carreira, cada pulo que ela dava ele ali subia e descia segurado na sua calda. A onça teve tanto medo dele que fez com que ela desaparecesse nos fundos das suas terras.

Mas seu Galdino não sabia que alguém viu o que se passou com ele. Assim contara o vaqueiro de Lili Duarte ao seu Leodoro, que nesse mesmo dia, que seu Galdino foi surpreendido pela onça, ele também estava nas matas, não no ofício de campear gado segundo ele, com uma espingarda passarinhando, e como ele estava com um binóculo, viu quase de perto o que fizera a onça contra seu Galdino. A história verdadeira foi a seguinte:

Seu Galdino estava olhando para dentro de um oco de umburana tentando ver se nele existia abelha situada para tirar o mel, já que uma porção delas estava voando ao redor da árvore. Foi quando uma onça negra, lentamente, foi se aproximando sem que seu Galdino a percebesse. A onça ficou estruturando a melhor maneira de agarrar o seu Galdino. Depois de bem posicionada ela pulou e o agarrou pelo fundo da calça. Seu Galdino fez carreira e ela ali agarrada em sua calça. 

Sabendo que a onça iria devorá-lo o vaqueiro armou a espingarda bate-bucha e disparou para cima, fazendo com que a onça abandonasse o seu plano de devorar seu Galdino e fizesse carreira. Assombrada, a onça entrou de mata adentro. Com medo seu Galdino enfiou-se também no matagal contrário.

Foi assim que se passou e não da maneira como contou seu Galdino ao compadre Leodoro Gusmão.

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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O LIVRO O FOGO DA JUREMA JÁ ESTÁ À VENDA COM O PROFESSOR PEREIRA


Se você está interessado no livro "O FOGO DA JUREMA" é só entrar em contato com o professor Pereira lá da cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba,  que ele tem e está disponível aos amigos. 

São 318 páginas, preço R$ 50,00 com frete incluso.
Pedidos: franpelima@bol.com.br e fplima156@gmail.com

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CAJUEIRO DE ÁGUA CRISTALINA, NO SEU LEITO AZUL UM OLHAR DE MENINA

*Rangel Alves da Costa

Também na geografia, Poço Redondo, município sergipano e sertanejo localizado no Alto Sertão do São Francisco, nasceu divinamente abençoado. São 26 km de rio e beirais, num São Francisco que corre entre montes, serras, pedras e mandacarus.
Poço Redondo tem Bonsucesso, tem Curralinho, tem Jacaré, tem Cajueiro, e tudo beira de rio, tudo às margens do Velho Chico. Poço Redondo tem a piscina de águas límpidas e azuladas do Rio São Francisco em Cajueiro.
E povoado Cajueiro de tanta história, de tanta memória, de famílias tradicionais que ainda povoam as raízes da povoação. Um nome que vem de doce fruta, de cajus e cajueiros que se avolumavam pelas beiradas úmidas e pelos quintais molhados nos tempos passados. Um verdadeiro pomar sertanejo.
Cajueiro de cangaceiros, de coiteiros, de políticos, de pescadores, de sertanejos acostumados ao redor das águas e das brenhas carrasquentas sertões adentro. Cajueiro do candeeiro antigo e da vela acesa aos pés do velho oratório. Beatas e beatos nos seus ofícios de fé perante a igrejinha.
Cajueiro da vida mansa e do burro sendo selado para chegar à cidade. Ou da embarcação aportada esperando seu viajante. O mesmo Cajueiro da Gruta do Angico e da Família Félix e de tantos outros troncos familiares. Lourival Félix, Mané Félix, Adauto Félix, Erasmo Félix, Messias Caduda, tudo vingado e enraizado nas suas entranhas. Félix, Azevedo, Cruz, Rodrigues, sobrenomes que são também sobrenomes de Cajueiro.


A pedra grande no meio do rio e as casinholas que foram levadas ao chão para dar lugar a suntuosas moradias de forasteiros. As canoas antigas que ainda adormecem às margens brandas e como em colcha macia das águas cristalinas do rio. Infelizmente, poucas raízes continuam fincadas daquele Cajueiro de passado tão suntuoso.
Grande parte de seus moradores - e também muitas famílias - simplesmente migrou para a sede municipal ou mesmo para as Alagoas, no outro lado do rio. Casas foram fechadas, portas foram trancadas, e apenas as sombras do passado continuando saudosamente presentes.
Hoje Cajueiro é mais do turista, do visitante, daquele que deu vintém numa moradia e a transformou em casa bonita de final de semana e veraneio. Mas a história não foi apagada e nem as raízes mais profundas deixaram de existir. Os que permanecem em seu berço de nascimento continuam regando as flores de amor pelo seu sertão beiradeiro.
De Cajueiro ainda vingam doces cajus, assim como Robertinha (Robertinha de Cajueiro) que cantarola ao sopro da brisa boa e perante o amarelo avermelhado da flor do cacto: “Do Velho Chico sou, no seu leito de história nasci, vivendo ao seu lado ainda estou, pois de suas águas um dia eu bebi...”.

Escritor
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E PARA FECHAR COM CHAVE DE OURO...


Por Geraldo Júnior

... a série de entrevistas que realizamos com o escritor e pesquisador Frederico Pernambucano de Melo, trarei nesse documentário a sua versão a respeito da autoria da morte de Lampião, onde ele falará sobre os motivos e as circunstâncias que o levou a ter uma nova visão sobre o assunto.

Amanhã (16 de outubro de 2019) estarei publicando no canal CANGAÇOLOGIA (YouTube) uma breve, porém, objetiva entrevista que consegui realizar, mesmo diante de tantas condições desfavoráveis proporcionadas pelo ambiente onde foram realizadas as gravações.

O que eu espero é que vocês ouçam o que o escritor tem a falar e analisem com cuidado para somente assim formarem suas opiniões, favoráveis ou contrárias, em relação ao assunto.

Desde já peço aos amigos que utilizem o respeito e a educação ao manifestarem seus comentários. Ninguém é obrigado a concordar com a versão apresentada, mas devemos manter a postura e educação.

Grato.

Adendo - http://blogodmendesemendes.blogspot.com

Parabéns pesquisador Geraldo Júnior, pela sua preocupação, e na verdade, ninguém é obrigado a concordar, mas se deve guaradr o respeito ao escritor. Parabéns!


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VIDA NO CANGAÇO, MORTE NO PERDÃO


(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/CE.)

Após a morte de Lampião, o governo concedeu perdão e anistia aos cangaceiros que se rendessem e com isso vários cangaceiros remanescentes se entregaram ao poder público, dentre estes o cangaceiro Português e seu bando. 

Certo dia de Fevereiro de 1939, Português estava sentado no pátio do quartel de Santana de Ipanema, onde estava preso, quando de repente adentra um jovem e franzino rapaz com arma em punho e acerta seis tiros na cabeça de Português, saindo em seguida sem nenhum importuno por parte dos soldados. Tratava-se do jovem Pedro Aquino Filho vigando a morte de seu pai comerciante, ocorrida três anos antes, em 1936, pelas mãos daquele cangaceiro que ele acabara de justiçar. 

Contra o rapaz não foi aberto nenhum inquérito sequer, pelo contrário lhe alistaram naquele mesmo dia na polícia alagoana. 


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JOSÉ SATURNINO PARTE 2

Por Aderbal Nogueira


José Alves Sobrinho, sobrinho de Zé Saturnino, complementa a história contada por João Saturnino, filho de Zé Saturnino, 1º inimigo de Lampião, narrada na PARTE 1.

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EU E MINHA VÓ DADÁ, NA CASA DO BARBALHO EM SALVADOR BAHIA. SAUDADE!!!

Por Ilana Borboleta


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DEMARCANDO MAIS UM SITIO HISTÓRICO

O combate das Caraíbas, 1926

Por Cristiano Ferraz

No último domingo, dia 09 de junho cumpri um compromisso assumido com o amigo Louro Teles em maio de 2017 quando visitamos o local do combate de Serra Grande em serra Talhada. O combinado era visitarmos juntos o local onde aconteceu o combate das Caraíbas em fevereiro de 1926 entre Floresta-PE e Betânia-PE.

Nos encontramos na manhã de domingo em Floresta, eu, Louro Teles que veio de Calumbi-PE com Sálvio Siqueira (vindo de São José do Egito-PE) e Richard Torres Pereira de Serra Talhada-PE.

Seguindo para o destino pouco depois onde chegamos por volta de dez horas da manhã na residência de seu Antônio Odilon dos Santos, 84 anos de idade e que há quatro anos atrás havia me mostrado o local quando o visitei com meu primo Manoel serafim durante os preparativos para o Cariri Cangaço em Floresta em 2016.

Aquela visita foi um dos fatos que motivaram a escrita do nosso livro As Cruzes do Cangaço – Os fatos e personagens de Floresta-PE, lançado durante na abertura do primeiro evento Cariri Cangaço em nossa cidade no dia 26/05/2016.
 


Após conversarmos um pouco com seu Antônio, sua esposa e alguns familiares (uma filha e uma neta), nos dirigimos ao local onde foram sepultados os volantes mortos no combate que fica a cerca de um e meio a dois quilômetros da casa. Não sem antes tomarmos um cafezinho com queijo de coalho, como é “de praxe” na casa de todo bom sertanejo.

Chegando ao local percebi a diferença de quatro anos atrás. O local havia sido desmatado e a cruz de madeira que não mais existia em 2016 havia sido refeita de forma improvisada e colocada no local. Rapidamente cavamos o solo e colocamos uma cruz de metal feita pelo amigo Louro Teles. Aproveitamos o momento para fazer alguns vídeos e fotografias registrando o fato.



Em seguida fomos ao serrote onde aconteceu o combate, que fica a dois quilômetros da sepultur junto ao leito do riacho da Maravilha. Hoje o local também está bastante modificado em relação à época do combate, pois antes não havia o açude que hoje forma uma represa no leito do riacho.

Seu Antônio, apesar da idade avançada nos acompanhou, tendo ficado numa sombra aguardando nosso retorno. O acesso ao local do combate no serrote, estava muito tomado pelo mato e ele preferiu ficar descansando. Com poucos minutos no local fizemos alguns vídeos e passamos a procurar vestígios do combate com o detector de metais manuseado por Louro Teles.

Rapidamente localizamos um projétil de rifle calibre .44 enterrado no solo por trás do serrote. Pouco tempo depois, foi encontrado um projétil de calibre .22 próximo ao local do primeiro. Com o rápido passar do tempo decidimos retornar para deixar seu Antônio em casa pois a hora do seu almoço já havia passado. Eram duas horas da tarde e acabamos demorando nos deslocamentos a pé indo e voltando para onde deixamos o carro.

Com os vestígios encontrados ficou a certeza de que aquele é mesmo o “palco” dos acontecimentos. Mesmo não tendo tempo para aprofundarmos as pesquisas no serrote e do lado oposto do riacho onde se encontravam as volantes, deduzimos que ainda ainda existem resquícios do acontecido e retornamos satisfeitos com o resultado. Firmamos assim o compromisso de retornarmos em breve para descobrir mais detalhes da dinâmica do combate.

O combate das Caraíbas, em Floresta foi travado entre Lampião e as forças volantes na quinta-feira dia 04 de fevereiro de 1926 às margens do riacho da maravilha, afluente do riacho do navio - nas divisas entre os municípios de Floresta e Betânia .

Participaram as volantes comandadas pelo Tenente Higino José Belarmino e Optato Gueiros contra o grupo de Lampião. Junto com Lampião encontrava-se entre outros o conhecido Manoel Pequeno (da fazenda Saco – na ribeira do riacho do navio) e seu grupo. Os cangaceiros se entrincheiraram no leito do riacho, em um serrote à margem deste e próximo a estrada por onde vieram os soldados, emboscando a força em campo aberto.

O confronto teve a participação da força de Nazaré composta por, Afonso de Sá Nogueira , Altino Gomes de Sá, Antônio Joaquim dos Santos (o famoso rastejador Batoque), Aureliano de Souza Nogueira (Lero), Aureliano Francisco de Souza (Lero Chico), Constantino Marcolino de Souza, David Gomes Jurubeba , Euclides de Souza Ferraz (Euclides Flor) , João Cavalcanti, João Domingos Ferraz, João Gomes Jurubeba, João Jurubeba de Sá Nogueira (João Gato), Joaquim Ferraz de Souza (Quinca Néo), Joaquim Francisco de Souza (Quinca Chico), Manoel de Souza Ferraz (Manoel Flor), Manoel Neto (Anspeçada), Pedro Gomes de Lira (irmão de João Gomes de Lira), Pedro Marcolino e Pedro Tomaz de Souza Nogueira.

O tiroteio durou até o final da tarde quando Lampião se retirou do local levando seus mortos (acredita-se que em número de cinco) sepultando-os na caatinga entre o local do combate e o poço do ferro (ou na fazenda São Brás, que fica a oeste do local) e deixando entre os volantes um saldo de pelo menos três baixas fatais, os soldados Aristides Panta da Silva (Este de Floresta), Benedito Bezerra de Vasconcelos e Antônio Benedito Mendes.

Os soldados mortos foram sepultados na margem esquerda do riacho da maravilha próximo ao local onde o riacho do Jacaré se une a este . O riacho da maravilha é a divisa entre os municípios de Floresta e Betânia.

No combate saíram feridos o Tenente Higino no braço, Manoel Neto no braço direito, Antônio Joaquim dos Santos (Batoque) na perna, João Cavalcanti, Altino Gomes de Sá (na “maçã” do rosto), João Pereira de Souza e João Pinheiro Costa.
 
 Tenente Higino Belarmino de Souza
Acervo Lampião Aceso

Na visita ao local tomamos conhecimento que durante o combate o fazendeiro/boiadeiro florestano Joaquim de Alencar Jardim (Quinca Jardim) retornava a Floresta após a venda de uma boiada. Antônio Ferreira, que brigava no serrote no momento, sabendo da passagem deste pelo local o esperou com mais dois cangaceiros na sombra de um umbuzeiro (conhecido como umbuzeiro do Marçá – ou Marçal) abordando-o para lhe pedir dinheiro.

Quinca Jardim naquele momento se acompanhava de Joaquim Serafim (conhecido como Joaquim Grande do Rancho dos Homens) e mais duas ou três pessoas. Joaquim Grande então disse a Antônio Ferreira que Quinca Jardim não tinha a quantia pedida pois vendera a boiada mas não recebera o pagamento. Antônio Ferreira se contentou com a resposta sem saber que o dinheiro do pagamento da boiada estava no bornal que Joaquim Grande carregava a tiracolo.

Dois dos outros acompanhantes de Quinca Jardim disseram a Antônio Ferreira que um dos cangaceiros que o acompanhava tomara o pouco dinheiro que estes carregavam. Antônio Ferreira então perguntou quem pegara o dinheiro e o mandou devolver. O cangaceiro o fez embora queixando-se do trabalho ingrato onde era obrigado a devolver o dinheiro ganho.

Menos de um ano após, no final do ano de 1926 Lampião mataria 129 reses de Quinca Jardim na Barra do Juá por não ter recebido dinheiro após um pedido (acredita-se que um bilhete). Isso, provavelmente aconteceu ao descobrir que fora enganado cerca de dez meses antes. Comenta-se que apenas uma rês escapou porque este fato se deu no dia da morte de Antônio Ferreira no Poço do Ferro. Na ocasião lampião se encontrava na região (Poço do Ferro – Pipocas – Rancho dos Homens) preparando-se para dar uma brigada com Ildefonso Ferraz do Curral Novo. Com a morte de Antônio Ferreira Lampião teve que ir às pressas ao Poço do Ferro para sepultar o irmão, morto pelo companheiro Luiz Pedro (do retiro) em um disparo acidental.

Há controvérsias quanto à quantidade exata de bois mortos por Lampião e seu grupo naquele dia. O certo é que no total a boiada era de 100 a 130 animais. Desses apenas uma rês escapou, sendo tratada por Pedro Ferreira, da fazenda Rancho dos Homens, tio de Antônio Odilon dos Santos, que nos mostrou o local do combate, a sepultura dos soldados e nos contou vários detalhes do que aconteceu ali naquela época.

Seu Antonio Odilon é neto de Antônio Pedro dos Santos, que foi inspetor de quarteirão na região onde poucos anos mais tarde viria a surgir a vila de Nazaré. Conta-se que por volta de 1910 em perseguição a Zé de Souza houve um tiroteio onde morreu uma criança. Os familiares da criança diziam que a morte deste só seria vingada com a morte de Pedro Ferreira, o filho primogênito de Antônio Pedro. Com isso Antônio Ferraz de Souza, padrinho de Pedro Ferreira o trouxe para Floresta na garupa de seu cavalo e procurou amenizar a questão tirando a família de Antônio Pedro para a região da Barra do Juá.

Estes então vieram para a Fazenda Rancho os Homens onde se estabeleceram e vivem até hoje, muitos dos seus descendentes morando na região entre Floresta, Betânia e Ibimirim. Entre os filhos de Antônio Pedro um deles se tornou muito conhecido por sua grande habilidade como vaqueiro. Chamava-se Joaquim Pedro dos Santos, o Quinca Pedro, da fazenda Urubu, vizinha ao Rancho dos Homens.

Maiores detalhes dessa história podem ser lidos em vários livros sobre o cangaço Lampiônico, entre os quais podemos indicar:

1) As Cruzes do Cangaço – Os fatos e personagens de Floresta-PE, de Cristiano Luiz Feitosa Ferraz e Marcos Antônio de Sá;

2) O Canto do Acauã, de Marilourdes Ferraz;

3) Lampião – Memórias de um soldado de volante, de João Gomes de Lira;

4) David Jurubeba Um herói nazareno, de José Malta de Sá Neto;


5) Lampião Seu Tempo e Seu Reinado, do padre Frederico Bezerra Maciel.


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LOCAL DA COVA DO CANGACEIRO EZEQUIEL FERREIRA DA SILVA



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MOMENTO HISTÓRICO: LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO, SERÁ LEVADO A JÚRI EM PETROLINA


Por Carlos Britto

O cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como ‘Lampião’, será réu no primeiro Júri Épico, que acontecerá no próximo dia 31 de outubro, no Centro Cultural Dom Bosco, das 8h às 19h, em Petrolina. Por ser uma figura lendária e polêmica, o ‘Capitão’ foi escolhido para a estreia do evento, que ocorrerá anualmente e é de cunho processual, no qual haverá o conselho de sentença, que dará o veredicto acerca das acusações que pesam contra o réu.

Lampião, sua companheira Maria Bonita, Padre Cícero, Corisco e as pessoas de maior relevância que foram contemporâneas ao cangaço ganharão vida com a participação de atores que encenarão os personagens principais do caso. Mas a acusação e a defesa do réu serão feitas por profissionais do Direito como o promotor de Justiça Criminal, Fernando Della Latta, e os advogados de defesa Marcílio Rubens, Wank Medrado, Henrique Márcula e o defensor público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Francisco Jairo Siqueira Coelho.

O Júri Histórico é um projeto idealizado pelo professor e advogado Anderson Wagner Araújo e pelo promotor Fernando Della Latta. O objetivo é promover uma interação entre o Direito e as demais ciências como a Sociologia, a História, a Filosofia e a Antropologia, além de possibilitar aos alunos do curso de Direito o contato com as chamadas metodologias ativas.

Didática

Para o professor Anderson Araújo, o Júri Épico é instrumento didático de grande valor, pois apresentará uma discussão interdisciplinar ilustrada por um tempo antigo. “Do ponto de vista da exatidão histórica, julgar um personagem do passado mostra-se impossível, mas sob a ótica da dinâmica acadêmica é potencialmente válido e capaz de produzir efeitos, pois trataremos de uma situação imaginária, perpassada por um contexto histórico real e um processo penal do tribunal do júri com todas as suas particularidades“, elucida Araújo.

Já confirmaram presença no julgamento de Lampião o Juiz da Vara da Infância e da Juventude, Marcos Bacelar, a juíza da Vara do Tribunal do júri, Elane Brandão Ribeiro, a promotora de Justiça no 1º Tribunal do Júri do Recife, Eliane Gaia, a promotora de Justiça do 2º Tribunal do Júri do Recife, Dalva Cabral Oliveira, o promotor de Justiça substituto do Recife, Rinaldo Jorge da Silva, a promotora de Justiça Cível de Petrolina, Cíntia Granja e os defensores públicos André Cerqueira (da Bahia) e William Micael (de Pernambuco).

O evento será realizado em parceria entre o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)/PE, Defensoria Pública de Pernambuco, TJPE, Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape) e a Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC).


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CONHEÇA A TRAJETÓRIA DE MAINHA O MAIOR PISTOLEIRO DA HISTÓRIA DO NORDESTE BRASILEIRO.



Considerado o diabo pelos seus adversários, a fama de Mainha se espalhou pelo Brasil e seus crimes, quando contados, chegam gelar a espinha.

“Todo o sertão nordestino/ Assim como as capitais/ Têm uma marca sangrenta/ De assassinatos brutais/ Que mesmo o tempo querendo/ Não acabará jamais. / Estes crimes foram feitos/ Pelo rei da pistolagem/ Conhecido por Mainha/ Homem de cruel bagagem/ Pois descrevo sua história/ No mundo da bandidagem”(Guaipuan Vieira).

O trecho acima foi retirado do cordel escrito por Guaipuan Vieira e é um dos muitos exemplos de cordéis que narram a história do famoso pistoleiro Mainha, considerado o maior pistoleiro do Nordeste.

Idelfonso Maia Cunha, conhecido como Mainha, nasceu em Alto Santo, Ceará, no dia 28 de outubro de 1955. Acusado de cerca de 100 mortes praticadas durante os anos 80, no Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, Mainha teve uma trajetória marcada por muito sangue e desafetos, mas também pela admiração de muita gente que o julgava um homem valente e destemido, que não aceitava desaforos.

Antes de se tornar pistoleiro, Mainha atuava como vaqueiro, chegando a ganhar até um carro em uma das vaquejadas das quais participou. O sonho de se tornar um vaqueiro famoso, porém, deu lugar a uma vida marcada pelo crime e pela violência. Antes mesmo de nascer, a morte já rondava a sua história. Seu pai foi golpeado com facadas por causa de conflitos de terras. Quando ele tinha seis meses, o pai levou seis tiros e sobreviveu. As armas, no entanto, passaram a fazer parte da rotina de sua família e se tornaram comuns entre seus dez irmãos.

Quando Mainha tinha 20 anos, Irene, sua irmã preferida, foi assassinada e, assim, ele deu início à sua trajetória como pistoleiro e o jovem Idelfonso, que sonhava em ser vaqueiro e conquistar mulheres e fama, transformou-se em um dos maiores matadores do Nordeste, temido e procurado em diferentes estados da região.

Embora ele tenha negado ao longo de toda a vida que matasse por dinheiro, o fato é que acumulou uma longa ficha de crimes e deixou um grande rastro de sangue por onde passou. Segundo Mainha, ele não era um pistoleiro, matava apenas por questões de honra e vingança.

Sua fama correu por todo o Nordeste e virou tema de vários cordéis e estudos sobre a pistolagem no Brasil. Por onde passou, Mainha despertou medo e admiração, sendo temido por muitos e perseguido por outros.

Segundo a justiça, seu primeiro crime aconteceu em 13 de fevereiro de 1977, quando matou o prefeito de Alto Santo, Expedito Leite. No entanto, ele não assumiu o assassinato e afirma que a primeira vida que tirou foi a de seu vizinho Orismide, pois ele o chamara de ladrão de cavalos, assim, precisava preservar sua honra e punir o ofensor. Protegido por fazendeiros do Pará e do Ceará, Mainha conseguiu escapar por diversas vezes das perseguições policiais e só foi preso em 6 de agosto de 1988 em Quiterianópolis (CE). Pego de surpresa, ele não teve tempo de reagir e acabou indo para a prisão.

Antes da prisão, porém, o pistoleiro acumulou uma longa lista de crimes, muitos dos quais negou durante toda a sua vida. Em 4 de fevereiro de 1982, matou os pistoleiros Altamiro e Altevir, sendo, no entanto, absolvido desse crime sob a alegação de legítima defesa, já que os pistoleiros haviam sido contratados para matá-lo.

Em 16 de abril de 1983, esteve envolvido em uma chacina, na qual matou o ex-prefeito de Pereiro (CE), sua esposa, seu motorista e um soldado a quem o ex-prefeito havia dado carona. Por esse crime, ele foi condenado a 64 anos de prisão, indo para o regime semiaberto após 12 anos de reclusão.

No presídio, Mainha teve destaque depois de defender o então arcebispo de Fortaleza, Dom Aloisio Lorscheider e mais diversas autoridades, durante uma rebelião em 1994. Ao levar cerca de 25 pessoas para a sua cela, o pistoleiro salvou as suas vidas, protegendo-os dos presos rebelados.

Em entrevista concedida ao professor Ricardo Arruda, da Universidade Federal do Ceará, Mainha afirmou que não tinha medo da morte, temia apenas ser desmoralizado e ter sua honra ofendida. Ele se identificava como um justiceiro e vingador, não como um pistoleiro e dizia que, apesar de viver “com a morte nos olhos” não queria esse destino para seus filhos e não era a figura perigosa em que o transformaram, ele dizia querer deixar o passado de crimes para trás e passar a viver como cidadão, embora soubesse o quanto seria difícil abandonar a vida do crime.

Em 2002, ele é preso novamente por trocar tiros com policiais durante uma festa de família e perde o direito ao semiaberto, conquistando-o novamente em setembro de 2003.

Em 4 de janeiro de 2011, enquanto passeava em um burro no município de Maranguape (CE), Mainha foi assassinado com 9 tiros de pistola. Seu velório foi acompanhado por uma multidão, pois além do medo que despertava, também conquistou muita admiração, já que muitos realmente acreditavam que ele matava em nome da justiça e da honra.

Texto - Adriana de Paula e Joel Paviotti
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