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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

31 DE OUTUBRO DE 1984: A PRIMEIRA-MINISTRA INDIANA, INDIRA GANDHI, É ASSASSINADA, EM NOVA DELI.


Indira Gandhi em 1966

Indira Priyadarshini Gandhi, filha de Jawaharlal Nehru, nasceu a 19 de novembro de 1917, em Allahabad, na Índia. Formou-se na escola de Visva-Bharati e, posteriormente, na Universidade de Cambridge. Em 1929, com 12 anos, Indira fundou o Vanar Sena, organização das crianças no Congresso Indiano. Após a morte da sua mãe, em 1936, Indira estreitou a sua ligação com o pai, tendo em 1938 ingressado como deputada no Congresso.Em 1955, Indira foi eleita para o Comité de Trabalho Nacional e tornouse presidente do Partido do Congresso entre 1959 e 1960. Durante este período, ela superintendeu o colapso do governo comunista, sob a orientação de Kerala. Em 1964, foi eleita para o parlamento e veio a assumir, mais tarde, o cargo de ministra da Informação e das Comunicações sob presidência do sucessor de Nehru - Lal Bahadur Shastri.

Após a morte de Shastri, em 1966, Indira Gandhi foi eleita primeira-ministra pelo Partido do Congresso e conduziu o seu partido a quatro vitórias consecutivas nas eleições gerais, embora sem uma maioria absoluta. Em 1969, reafirmando a orientação socialista do seu partido, Indira conseguiu o apoio do eleitorado popular no golpe de força contra a tendência conservadora do Congresso por ocasião da eleição presidencial de V. V. Giri (candidato de Gandhi). A cisão entre as várias alas do Congresso, originou uma volta radical na política interna que incluiu a nacionalização dos bancos e das companhias seguradoras.

A Família Nehru (Indira é a quarta a contar da esquerda para a direita, na fila superior)

Em 1971, tendo como temática para a campanha das eleições nacionais o slogan "Erradicar a pobreza", Indira, dado o extremo subdesenvolvimento da Índia, viu a sua imagem projetada a líder nacional e o esbatimento da oposição conservadora dentro do seu próprio partido. 

O desejo de reforçar a coesão nacional, consolidando ao mesmo tempo a autoridade internacional indiana, afirmou-se através do apoio vitorioso que Indira deu à insurreição do Bengala Paquistanês em dezembro de 1971, dando origem ao Estado de Bangladesh. 

O tratado de amizade assinado em agosto desse ano com a U. R. S. S. não a impediu de se posicionar como figura dominante da política de não alinhamento dos países do Terceiro Mundo.Internamente, depois dos êxitos nacionais, Indira teve grandes dificuldades em prosseguir a modernização do país. Em 1973, após a descida global nos preços do petróleo e a consequente crise económica, os partidos da oposição geraram uma vaga nacional de contestação contra a inflacção galopante e a corrupção. Em 12 de junho de 1975, Indira Gandhi foi considerada culpada de práticas fraudulentas nas eleições pelo Supremo Tribunal de Allabahad. No dia 25 do mesmo mês, fundamentando-se na constituição indiana, Indira decretou o estado de emergência. Como consequência, a constituição e os direitos vigentes foram suspensos, os líderes da oposição presos, os meios de comunicação censurados, o poder judicial reduzido e 110 mil ativistas políticos detidos. Um programa de reformas económicas e sociais foi estabelecido pela primeira-ministra durante este período. O filho de Indira, Sanjay Gandhi estabeleceu o Congresso da Juventude que instituiu o programa de esterilização forçada, com o objetivo de combater o excesso de demografia no país. O estado de emergência foi levantado em março de 1977 e as eleições para a Assembleia Nacional foram marcadas.

Gandhi jejuando, foto da década de 1920, a criança ao lado é Indira Gandhi

Após a derrota nas eleições de 1977, Indira Gandhi regressou ao poder em 1980 com o seu novo partido: O Congresso I (Indira). Nesse ano, o seu filho Sanjay, o preferido de Indira para a sucessão, morreu num acidente de aviação.

Indira Gandhi continuou a combater vigorosamente as múltiplas reinvindicações nacionalistas dos povos da União Indiana, especialmente as dos Sikhs do Penjabe. No último período (1980-1984) o exercício do poder como primeira-ministra foi marcado pela centralização e pela personalização. Em 1980, Indira desmantelou Akali Dal, o partido Sikh e sediou o governo em Penjabe. Esta medida originou uma escalada de violência tal que a 4 de junho de 1984 Indira ordenou ao exército indiano que erradicasse a resistência militar Sikh, sediada no Templo Dourado. Esta operação designada pelo nome de código "Estrela Azul" resultou na morte de um grande número de pessoas e na alienação permanente da comunidade Sikh. Apesar da operação "Estrela Azul" ter consolidado a popularidade de Indira entre a comunidade Hindu, alguns militares revoltaram-se contra o massacre dos civis Sikhs.

Indira Gandhi com Jacqueline Kennedy , em Nova Delhi, 1962

O ressentimento da etnia Sikh culminou com o assassinato de Indira Gandhi, a 31 de outubro de 1984, em Nova Deli, por um elemento Sikh da sua guarda pessoal.Após a morte de Gandhi, sucedeu-lhe de imediato o seu outro filho Rajiv no lugar de primeiro-ministro.

Indira Gandhi. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

wikipédia (Imagens)


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ZÉ DO TELHADO, O ROBIN DOS BOSQUES PORTUGUÊS



Segundo a "lenda" tirava aos ricos para dar aos pobres.

José Teixeira da Silva nasceu em 1816, no lugar do Telhado, freguesia de Castelões de Recesinhos em Penafiel e morreu em 1875 em Angola.

Alistou-se no exército, em Lisboa, tendo-se destacado pelo seu comportamento militar e pela sua postura destemida ao serviço dos designados "Lanceiros da Rainha". A nível militar ele teve uma carreira de enorme sucesso. Participou na Revolta dos Marechais em 1837 e seguiu o Duque de Saldanha nos combates de Ruivães.

Com o fim da guerra civil, em 1837, e a caminho do exílio, recebeu autorização do seu tio para casar com a sua prima Ana. Regressa então a Recesinhos, onde constitui família.

Com a Revolução da Maria da Fonte, em 1846, José do Telhado integra a revolta popular. Durante os confrontos, chega mesmo a salvar a vida ao general Sá da Bandeira, sendo por este feito, posteriormente condecorado por ele, com a medalha de Cavaleiro de Torre e Espada. 

Após a Convenção de Gramido, que ocorreu em Junho de 1847, termina a "Revolta de Maria da Fonte". Por esta altura, a sua família debatia-se já com sérias dificuldades financeiras. É a partir daí que lhe é atribuída a lenda de "roubar aos ricos para dar aos pobres". O tempo que estivera a cumprir serviço militar trouxe-lhe por um lado muito orgulho mas por outro também lhe trouxe muitas dívidas. Assim quando chegou a Lousada (localidade em que vivia) os credores começaram a persegui-lo e naquela hora de nada lhe valeu o seu empenho, coragem e destreza no cumprimento do  dever militar, pois ninguém o ajudou neste momento tão complicado da sua vida. Foi neste momento que por desespero tornou-se bandido.

No ano de 1852 José Teixeira da silva já era bem conhecido pelas autoridades durienses devido aos seus famosos roubos e assaltos a casas de cidadãos abastados. Desta forma a sua fama chegava a todos os lavradores da região do Douro.

O bandoleiro mais conhecido do país acaba por ser apanhado pelas autoridades em 31 de Março de 1859 quando tentava fugir para o Brasil. Esteve preso na Cadeia da Relação, onde conheceu Camilo Castelo Branco que se lhe refere nas Memórias do Cárcere.

Em 9 de Dezembro de 1859 foi julgado e condenado ao degredo perpétuo na África Ocidental Portuguesa. Foi-lhe comutada a pena aplicada na de 15 anos de degredo, em 28 de Setembro de 1863. Viveu em Malanje, negociando em borracha, cera e marfim. Casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos. Conhecido entre os locais como o kimuezo – homem de barbas grandes –, viveu desafogadamente. Faleceu em 1875, vítima de varíola, sendo sepultado na aldeia de Xissa, município de Mucari, a meia centena de quilómetros de Malanje, sendo-lhe erguido um mausoléu, objecto de romagens.

Fontes: Câmara Municipal de Penafiel
wikipédia


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SESSÃO SOLENE DA ACADEMIA LAVRENSE DE LETRAS ACONTECE EM FORTALEZA

Cristina Couto e Manoel Severo: Conselho do Cariri Cangaço na Festa da Academia Lavrense de Letras

Aconteceu na noite desta ultima quinta-feira, 31 de outubro de 2019, no bairro Meireles na cidade de Fortaleza mais uma Sessão Solene da Academia Lavrense de Letras. Presidida pela escritora Cristina Couto, a Arcádia empossou um novel acadêmico que tomou assento na cadeira de número 30. Assumiu como mais novo membro efetivo da ALL o escritor e poeta Jesus Alves Pereira.

O mais novo acadêmico da ALL, escritor Jesus Alves Pereira
Cristina Couto, Benedito Vasconcelos e Fátima Lemos
Ingrid Rebouças, Manoel Severo, Cristina Couto e Susana Goreti

Em noite concorrida que contou com a presença; além de membros efetivos e correspondentes da Academia Lavrense de Letras; representantes de várias outras instituições literárias, familiares e convidados que participaram da Sessão Solene que contou ainda com a entrega oficial da Estola de Conselheira do Cariri Cangaço, pelo curador Manoel Severo, à presidente da Academia e também Conselheira do Cariri Cangaço, Cristina Couto.

Manoel Severo na Sessão Solene da ALL
Cristina Couto recebe a Estola do Conselho do Cariri Cangaço
Manoel Severo e Rômulo Alexandre

A solenidade ainda marcaria a Conferência "Martin Soares Moreno: A fundação do Ceará e a Jornada do Maranhão" pelo advogado e representante da Câmara Brasil-Portugal, Dr Rômulo Alexandre Soares; como também de forma solene houve o lançamento da edição de número 03 da Revista da Academia Lavrense de Letras, com artigos de vários colaboradores, dentre esses: Cristina Couto, Manoel Severo, Calixto Junior, Rômulo Alexandre, Ângelo Osmiro, dentre outros.

3ª Edição da Revista da Academia Lavrense de Letras
Linda Lemos, presidente da ALJUG, Benedito Vasconcelos, presidente da SBEC
 e Manoel Severo, presidente do Cariri Cangaço
Ingrid Rebouças, Manoel Severo,Cristina Couto, Benedito Vasconcelos e Susana Goreti

Ainda dentro da solenidade da Academia Lavrense de Letras-ALL, foi lançado o livro “ Vivências de um Menino em uma Fazenda Sertaneja”, de autoria do Prof. Benedito Vasconcelos Mendes, presidente da SBEC. A Presidente da ALL, Cristina Couto solicitou  à escritora Linda Lemos, Presidente da Academia de Letras Juvenal Galeno-ALJUG para fazer a apresentação protocolar do livro do Professor Benedito. Após o discurso de apresentação da citada obra, o Prof. Benedito Mendes agradeceu à escritora  Linda Lemos e à Presidente Cristina Couto pelos elogios que fizeram ao livro recém-lançado.

Manoel Severo, Cristina Couto e Rômulo Alexandre
Susana Goreti, Benedito Vasconcelos, Cristina Couto, 
Manoel Severo, Ingrid Rebouças e Ruy Gabriel
Fátima Lemos
Marcelo Leal


Sessão Solene da Academia Lavrense de Letras
Fortaleza, 31 de Outubro de 2019.


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A HISTÓRIA DA VIDA DE PADRE CÍCERO NARRADA POR CHICO ANÍSIO

A História da Vida de Padre Cícero narrada por Chico Anísio
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Fonte: Youtube

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A HISTÓRIA DO PADRE CÍCERO...


Fonte: Youtube

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A HISTÓRIA DE PADRE CÍCERO EM JUAZEIRO DO NORTE - VIDA MELHOR - 09/10/2017



Artistas de todas as áreas, especialistas em saúde, técnicos de diversos segmentos estão em quadros diferenciados, abordando assuntos de saúde, esporte, alimentação e cultura. O público participa enviando perguntas aos entrevistados e aprende também com as receitas diárias e passo a passo de artesanato. "Vida Melhor" é ao vivo, de segunda à sexta-feira, das 12h30 às 14h30, para todo o país com entrevistas relevantes que focam a sua qualidade de vida. 

www.redevida.com.br/vidamelhor

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HISTÓRIA DE PADRE CÍCERO

Padre Cícero

Padre Cícero nasceu em Crato,  uma cidadezinha no estado do Ceará. A data de nascimento foi dia 24 de março de 1844. Filho de Joaquim Batista e Joaquina Romana, que era conhecida por todos como “Dona Quinô”. Em seu sexto aniversário, Cícero começou a estudar. Já com 12 anos, fez voto de castidade, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales.

Em 1860, aos 16 anos, Cícero foi estudar em Cajazeiras, Paraíba, onde ficou apenas dois anos, pois seu pai faleceu em 1862. Isso o obrigou a parar de estudar e voltar para ajudar sua mãe e suas duas irmãs solteiras. A perda do pai trouxe graves problemas financeiros à família. Em 1865, aos 21 anos, entrou no seminário em Fortaleza.

Padre Cícero foi ordenado no dia 30 de novembro de 1870, com 26 anos. Voltou para Crato, à espera de uma paróquia para liderar. Nesse tempo, lecionou Latim no Colégio local.

A mudança de Padre Cícero para Juazeiro

No Natal de 1871, aos 28 anos, Padre Cícero conheceu o povoado de Juazeiro. Ele gostou tanto do povo de lá que dali a alguns meses, em 11 de abril de 1872, ele voltou para ficar, acompanhado de sua família.

Vários biógrafos afirmam que Padre Cícero mudou-se para Juazeiro por causa de um sonho onde viu Jesus Cristo e os doze apóstolos. De repente, uma multidão de pessoas carregando seus pobres pertences invadiu o local. Então, Jesus virou-se e disse: “E você, Padre Cícero, tome conta deles!”  Pe. Cícero obedeceu sem pestanejar.

Apostolado

O lugarejo tinha umas poucas casas de taipa e uma capelinha de Nossa Senhora das Dores, Padroeira de Juazeiro. Padre Cícero reformou a capela e depois, começou um intenso e trabalho pastoral através da pregação, do aconselhamento, das confissões e das visitas domiciliares. Por isso, ele logo ganhou a simpatia do povo, tornando-se uma grande liderança na comunidade.

Padre Cícero moralizou os costumes do povo, acabou com os excessos de bebedeira e a prostituição que havia em Juazeiro. O trabalho cresceu. Por isso, Cícero recrutou mulheres solteiras e viúvas e organizou uma irmandade leiga, formada por beatas, sob sua inteira autoridade, para auxiliá-lo no trabalho pastoral.

Padre Cícero milagreiro

No dia 1 de março de 1889, um fato mudaria a vida de Padre Cícero para sempre, bem como a rotina de Juazeiro. Naquele dia, quando a beata Maria de Araújo recebeu a comunhão das mãos do Padre Cícero, a hóstia consagrada se transformou em sangue na boca da beata. O fenômeno aconteceu outras vezes. Por isso, o povo entendeu que se tratava de um novo derramamento do sangue de Jesus Cristo.

Diferentes visões Igreja

Prudente, Padre Cícero pediu que dois médicos e um farmacêutico estudassem o caso.  Estes acompanharam o fenômeno, estudaram, analisaram e assinaram atestados afirmando que o fato era inexplicável à luz da ciência.

O atestado reforçou a fé no milagre. Começaram, então, as peregrinações para Juazeiro. O povo queria ver a beata e adorar os panos manchados de sangue. O bispo de Fortaleza chamou Padre Cícero para esclarecimentos. Depois mandou que os fatos fossem investigados oficialmente.

A Comissão nomeada pelo bispo foi a Juazeiro, assistiu às transformações, examinou a beata, ouviu testemunhas e concluiu que o fato era realmente de origem divina. Mas o bispo, influenciado por clérigos que rejeitavam a ideia de milagre, nomeou outra Comissão, que foi a Juazeiro, convocou a beata, deu a comunhão a ela e nada de extraordinário aconteceu. Então, foi concluído que não houve milagre.

O Padre Cícero, o povo e todos os padres que acreditavam no milagre protestaram. Isso foi visto como desobediência ao bispo. O bispo enviou um relatório à Santa Sé e esta confirmou a decisão do bispo contrária ao milagre. Os padres foram obrigados a se retratarem e Padre Cícero foi suspenso de ordem, acusado de manipulação da fé.

Durante toda a vida Padre Cícero tentou revogar essa pena, mas não conseguiu. Ele até conseguiu uma vitória em Roma, quando lá esteve em 1898. Mas, o bispo não voltou atrás.

A vida política de Padre Cícero

Proibido de celebrar Missas, Padre Cícero entrou na vida política atender aos apelos dos amigos, quando Juazeiro começou a lutar por emancipação política, o que ocorreu em 22 de julho de 1911. Padre Cícero foi nomeado Prefeito do novo município. Além de Prefeito, também foi nomeado Vice-Governador do Ceará, mas nunca ocupou o cargo.

Era muito grande o volume de correspondências que Padre Cícero recebia e mandava. Não deixava nenhuma carta, mesmo pequenos bilhetes, sem resposta, e de tudo guardava cópia.

Encontro com Lampião

Padre Cícero encontrou-se com Lampião em 1926. Aconselhou-o a deixar o cangaço, e nunca lhe deu a patente de Capitão, como foi dito em alguns livros.

Importância de Padre Cícero para a fé de Juazeiro

Padre Cícero é o maior benfeitor e a figura mais importante de Juazeiro. Ele a fez crescer transformando-a na mais importante do interior do Ceará. Os bens que ele recebeu em vida foram doados para a Igreja, principalmente para os salesianos que ele próprio levou para Juazeiro.

Devoção a Padre Cícero

Padre Cícero faleceu no dia 20 de julho de 1934, aos 90 anos. Depois disso, Juazeiro prosperou e a devoção a ele só cresceu. Até hoje, todo ano, no Dia de Finados, uma grande multidão de romeiros, vinda dos mais distantes lugares do Nordeste, vai a Juazeiro para uma visita ao seu túmulo, na Capela do Socorro.

Padre Cícero é uma das figuras mais biografadas do mundo. Sobre ele, existem mais de duzentos livros. Ultimamente sua vida vem sendo estudada por cientistas sociais do Brasil e do Exterior. Não foi canonizado pela Igreja, porém é tido como santo por sua imensa legião de fiéis espalhados pelo Brasil.

O binômio, oração e trabalho era o seu lema. E Juazeiro é o seu grande e incontestável milagre. Em março de 2001, Padre Cícero foi escolhido O CEARENSE DO SÉCULO.


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UMA IMAGEM RARA DE SE VER.

Por Geraldo Antônio De Souza Júnior

Nela aparece o jovem Antônio Ignácio da Silva que anos mais tarde viria a se tornar o cangaceiro Moreno, integrante do bando de Lampião.

A imagem que foi a mim recentemente enviada pelo nosso confrade Bruno Yacub (Brejo Santo/CE), foi registrada no ano de 1926, quando Moreno, que na imagem se encontra apontado por uma seta, fazia parte do Grupo de Escoteiros da cidade de Brejo Santo. Na fila acima identificado com o número seis vemos o jovem Floro, irmão de Moreno.


Moreno que foi no fim do cangaço lampiônico um dos homens responsáveis pelos "serviços pesados" à mando de Lampião, segundo palavras do escritor e pesquisador Frederico Pernambucano de Melo.


A primeira imagem que ilustra essa matéria é parte integrante do Livro "Euclides Inácio Basílio - A trajetória de um lider" de Francisco Mirancleide Basílio Cavalcante (2004). Página 231. A segunda foi registrada no ano de 2005, quando Moreno e sua companheira Durvinha (Durvalina Gomes de Sá), estiveram em visita à cidade de Brejo Santo no estado do Ceará, ao que consta, terra natal de Moreno.


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HOMENAGEM!

Por Kydelmir Dantas

Ser homenageado por alunos da Escola onde você estudou o Curso Primário, não tem preço... Aconteceu hoje comigo no velho Grupo Escolar Dep. José Pereira (atual EEEF DJP), em Nova Floresta, minha querida terra natal. Agradeço a tod@s envolvidas, desde a direção, funcionári@s e alun@s, principalmente as Professoras Maricélia, Alcicléia e Ângela. Mas, principalmente aos queridos alunos e alunas que fizeram as leituras dos cordéis NADSON LEVY e ANA BEATRIZ... 






Ainda os que fizeram caricaturas, mensagens e distribuíram carinho com este filho da Professora Angelita e do agricultor seu Né. Emocionei-me, chorei e agradeci a tod@s. Que Deus continue iluminando-os e abençoando-os. 

Fotos: 1 - formação da mesa (ao meu lado esquerdo a 'filha do coração' Catarina Moura Teixeira; 2 - Bia e Levy, lendo cordéis com desenvoltura; Professora Maricelia Diniz, a incentivadora; 4 - Victor, o caricaturista; 5 - Sofia, Hillary e a lembrança; 6 - A Turma do 1º Ano, com Heloísa me encarando;

Fonte facebook.com

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ANÉSIA CAUAÇU “NÃO ERA CANGACEIRA E SIM UMA FAZENDEIRA DESTEMIDA”, DIZ ESCRITOR WILSON MIDLEJ

Escritor Wilson Midlej autografa seu novo livro no dia do lançamento. Foto: Arquivo do autor

Alma inquieta de jornalista e escritor, WILSON MIDLEJ brindou o público da cidade de Jequié com o lançamento do livro “Anésia Cauaçu – Lenda e História no Sertão de Jequié”,  no último dia 28 de outubro, no Centro de Cultura, às 19h, com a presença de integrantes da Academia de Letras e pessoas de diversos segmentos sociais.

Soteropolitano de nascimento e jequieense de coração, Wilson – que milita no jornalismo desde o ano de 1969 -, já publicou outros livros de sua autoria, um deles, o “Crônicas da Bahia sob o Olhar de Jequié”, demonstra claramente, numa prosa poética, sua identidade com o município. Desta vez, com “Anésia Cauaçu”, ele envereda pela história de uma mulher da época Cangaço que aos poucos se transforma em uma lenda do município.

Para se conhecer aspectos desta nova obra e um pouco mais sobre a história da personagem, o blog GICULT entrevistou o escritor WILSON MIDLEJ.

GICULT: Professores e pesquisadores de Jequié e outras regiões publicaram livros e trabalhos acadêmicos sobre Anésia Cauaçu. O que seu livro também ressalta?

WILSON MIDLEJ: Vamos por partes: o professor Emerson Pinto, publicou um livro, que depois foi revisto, ampliado e reeditado sobre o tema. Ele foi uma das fontes da dissertação de mestrado da professora Márcia Auad e do roteiro de cinema de Lula Martins, este último contando com a minha ajuda. Este roteiro está registrado e seus direitos autorais estão devidamente assegurados. Depois, o Domingos Ailton abordou também o assunto em livro. A minha iniciativa de transformar em livro, o roteiro do filme que não aconteceu, atendeu à sugestão de Lula Martins, no sentido de ampliar as pesquisas e transformá-lo num texto literário. Debrucei-me nesta tarefa, ampliando as pesquisas bibliográficas nas citadas obras e outras, adotando maior rigor histórico e acadêmico. Este livro, recém-lançado, reúne elementos ficcionais e recortes históricos com base em pesquisas feitas por mim e o referido cineasta nas obras citadas e ressalta justamente os conflitos entre antigos coronéis da região.

GICULT: A luta da mulher por emancipação e por respeito na sociedade é constante. Em que o conhecimento da história de Anésia contribui para a conquista da igualdade de gênero?

WILSON MIDLEJ: Em minha visão, apesar do empoderamento feminino ocorrido pelas ações de Anésia, é preciso salientar que ao despontar como líder, Anésia Cauaçu não tinha como foco a sua posição diante do grupo. Ademais, ela não era cangaceira e sim uma fazendeira destemida que atirava bem e que incorporou-se na ânsia de vingança da sua família, diante do frio assassinato de Augusto Cauaçu, seu sobrinho. A condição de  mulher, mãe, guerreira, estimulou o nascimento de uma fêmea feroz, um ser humano forte e valente sem, no entanto, abdicar da doçura e feminilidade que a condição de mulher traduz. Na verdade, Anésia Cauaçu não tinha a percepção de que por ser mulher naquele fim de século XIX ela não tinha que ser submissa ou passiva. Tanto que a pesquisadora Marcia Auad, como eu e Lula, não conseguimos nos jornais da época nenhuma foto sequer com Anésia vestida de vaqueiro ou jagunço. Os jornais apresentam ela sempre com vestidos longos, chale nos ombros, revelando o gênero feminino tal como era culturalmente os costumes da época.  Portanto, a história de Anésia Cauaçu em nada contribui para as questões que só vieram a ser levantadas a partir dos anos sessenta com movimentos como Woodstock. Nada impede, entretanto, que venhamos a supor que uma Anésia contemporânea estaria lutando pelos direitos das mulheres, tais como direito à sua autonomia, à integridade de seu corpo, direitos reprodutivos, direito a amar a quem o seu coração palpita... etc.

GICULT: Apesar dos estudos e livros publicados, a vida de Anésia não se popularizou no município e também ainda não foi tratada com relevância pelos poderes institucionais da cidade, como Câmara de Vereadores e Prefeitura, e até nas escolas. Qual sua opinião a esse respeito? O que poderia ser feito?

WILSON MIDLEJ: Olha, meu prezado editor de Gicult, Anésia não se popularizou no município assim como Lindolfo Rocha, Nestor Ribeiro, Alves Pereira, Urbano Gondim, também pouco representam para a população de Jequié que não tem memória pela transição da sua comunidade. Além dos italianos, os ribeiro, os silva, os gondim, etc. Resta muito pouco dos pioneiros por aqui. A maioria dos habitantes de Jequié é oriunda dos anos 40, 50 e 60. Portanto, sem contato com a história do município agora contada através de Anésia Cauaçu. Que venham outros livros, outros autores, quem sabe mais talentosos para fazer vibrar uma história tão vibrante quanto a do sertão de Jequié.


Muitas pessoas prestigiaram o lançamento do livro de W. Midlej sobre Anésia Cauaçu. Foto: Arquivo do autor.


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100 ANOS DA ENTREVISTA DA CANGACEIRA ANÉSIA CAUAÇU AO JORNAL A TARDE


Por Domingos Ailton

Há exatos 100 anos, dia 25 de outubro de 1916, coincidentemente data do aniversário de Emancipação Política de Jequié, o Jornal A TARDE trazia como manchete JEQUIÉ, Cauassus, Marcionilio e Zezinho dos Laços. A empreitada dos crimes. Narrativa de uma Cauassu ao nosso repórter, com uma foto da cangaceira Anésia Cauaçu ao lado de uma criança. Na primeira página e nas páginas internas do jornal, Anésia narra a trajetória da família Cauaçu cuja grafia da época se escrevia Cauassu, dando conta de que seus familiares eram simples agricultores e comerciantes e que se tornaram cangaceiros por conta de uma vingança.

Em Ituaçu, antigo Brejo Grande, na Chapada Diamantina, duas famílias disputavam o poder local: os Silvas, chamados de "rabudos", e os Gondins, denominados de "mocós”. O major Zezinho dos Laços (um dos líderes dos “rabudos”) exige que Augusto Cauaçu acompanhe seu grupo de jagunços em uma emboscada contra a família Gondim. Por conta da recusa de Augusto, este é assassinado a mando de Zezinho dos Laços. Então, a família Cauaçu se reúne e resolve vingar a morte, assassinando Zezinho dos Laços seis anos depois em uma tocaia na Fazenda Rochedo. Chefes dos “rabudos”, a exemplo do coronel Marcionílio de Souza e de Casseano do Areão passam a perseguir e matar membros da família Cauaçu e de seus aliados, comandados por Anésia e seu irmão José Cauaçu. Pressionado pelos coronéis, o então governador da Bahia, Antônio Muniz, denomina o movimento armado dos Cauaçus de "conflagração sertaneja” e envia para Jequié mais de 240 soldados em três expedições da polícia militar da Bahia, com participação inclusive de oficiais que combateram na Guerra de Canudos, a exemplo do tenente-coronel Paulo Bispo. Ocorre então a Guerra do Sertão de Jequié, conflito envolvendo os cangaceiros Cauaçus, policiais militares e jagunços dos coronéis. A força policial pratica uma série de atos violentos não só contra os cangaceiros, mas também contra a população inocente de Jequié e região. O alferes Francisco Gomes – Pisa Macio obriga um homem a comer lama no povoado do Baixão, crucifica outro nas margens do Rio das Contas e lança crianças para o ar,que são amparadas com a ponta das baionetas e levava suspeitos para um pequeno morro no Curral Novo onde eram sangrados com requintes de perversidade. O local ficou conhecido como Morrinho da Matança.

O genocídio é denunciado pelo Jornal A TARDE, que envia um repórter para fazer a cobertura das expedições policiais em Jequié e na ocasião entrevista Anésia Cauçu, dando destaque a sua narrativa a respeito da história do bando e do histórico conflito daquele ano de 1916.

Anésia Cauaçu foi uma mulher que esteve à frente do seu tempo. Foi a primeira mulher nordestina a ingressar no cangaço, uma vez que em 1911, ano do nascimento de Maria Bonita, Anésia já lidera um bando de mais de 100 bandoleiros. Ela também foi a primeira no sertão de Jequié a praticar montaria de frente, já que as mulheres de sua época montavam de lado em uma sela denominada silhão, e a pioneira das terras jequieenses a vestir calças compridas (as mulheres do período em ela viveu apenas usavam vestidos e saias), para facilitar o combate em cima do cavalo. O historiador Emerson Pinto de Araújo, que registou a história da cangaceira assim a descreve: “era uma mulher branca, de olhos azuis, bons dentes, alta e delgada, que tomava suas pingas, sem que ninguém ousasse faltar-lhe com respeito. Numa época em que não existiam academias de defesa pessoal, ela tinha ginga de corpo, conhecia- ninguém sabe com quem aprendeu - os ´rabos-de-arraia da capoeira, batendo forte nas fuças de muitos valentões que tentavam avançar o sinal. Manejando armas de fogo com uma pontaria invejável, jogava pra escanteio os melhores atiradores. Certa feita, bafejada pelo acaso, numa distância de trezentos metros, cortou o dedo do sargento Etelvino, quando este indicava aos seus comandados a direção em que deveria atacar”. Com base na memória coletiva de tradição oral, em documentos escritos e no meu imaginário, escrevi um romance histórico que tem como protagonista Anésia Cauaçu. Inspirado neste texto ficcional, o poeta e cordelista José Walter Pires produziu um livro de cordel e o compositor e cantor Jonas Carvalho compôs uma música sobre a saga de Anésia Cauaçu. Diversos estudos acadêmicos foram e estão sendo desenvolvidos sobre essa guerreira do sertão de Jequié. A entrevista publicada em 25 de outubro de 1916 e as matérias publicadas pelo Jornal A TARDE há 100 anos sobre os conflitos na região de Jequié constituem relevantes documentos da história do coronelismo e do cangaço na Bahia.


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