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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

O OURO DOS CANGACEIROS PARA YOLANDA

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Antônio Gurgel do Amaral – Fonte – http://www.blogdogemaia.com/detalhes.php?not=1032

Rostand Medeiros – Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN

Já faz algum tempo que uma manchete publicada no extinto jornal “A República”, na sua edição de 8 de outubro de 1933, um domingo, me chamou a atenção pelo destacado título “A História de um Cangaceiro”.

O artigo foi assinado pelo respeitado advogado Otto de Brito Guerra, sobrinho do coronel Antônio Gurgel do Amaral, o mesmo que foi capturado por membros do bando de Lampião quando este seguia comandando, em junho de 1927, um numeroso grupo de cangaceiros para o famoso ataque a Mossoró.

Diante desta privilegiada aproximação através do parentesco, o autor relata em seu artigo as diversas agruras que seu tio passou. Ali é descrito como o seu parente foi capturado, do valor exigido pela sua libertação, do ataque fracassado do bando a Mossoró, do carteado que utilizava munição de fuzil como fichas e outros pontos.

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O mossoroense Otto de Brito Guerra – Foto – http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/celebracao-destaca-o-jornalismo-de-otto-de-brito-guerra/224977

Muito do que Otto Guerra comenta neste artigo, foi fartamente pesquisado e divulgado ao longo dos anos, por diversos pesquisadores que se debruçaram na tentativa de conhecer mais em relação ao famoso combate na terra de Santa Luzia e a controversa presença da figura de Virgulino Ferreira da Silva em terras potiguares.

Conforme seguia lendo, não encontrava nenhuma informação nova sobre a permanência do coronel Gurgel em meio aos cangaceiros. Mas aí o autor passou a comentar sobre um “cabra” chamado Luís.

Um Cangaceiro Diferente

Era um jovem cangaceiro paraibano, um tipo alto, magro e moreno, que se apresentou como afilhado do famoso e famigerado Sabino, o violento braço direito de Lampião e por esta razão era conhecido como “Luiz Sabino”. Dizia este guerreiro encourado que havia entrado no cangaço no dia que seu padrinho realizou um “trabalho” para um potentado do sertão da Paraíba e daí não parou mais.

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A Republica, na sua edição de 8 de outubro de 1933.

Em um dia quente, ainda prisioneiro no Ceará, em meio às muitas cogitações sobre o seu destino, o coronel Gurgel percebeu o jovem Luís Sabino andando um pouco mais afastado do resto dos companheiros, de cabeça baixa e pensativo. Entretanto, ao procurar dialogar sobre o seu passado, o coronel Gurgel percebeu que não parecia haver uma boa receptividade por parte do jovem cangaceiro e logo ele buscou desviar o assunto. Em meio à conversa Luís perguntou.

– O coronel tem família?

– Tenho sim, pai, mãe, filhos… E até uma netinha…

– Já têm netos?

– Tenho.

Otto Guerra escreve que Luís Sabino fitou o prisioneiro uns instantes, daí abriu uma bolsa, “dessas arredondadas, cheias de compartimentos, o couro artisticamente bordado, que o sertanejo nordestino conduz a tiracolo”. Dela tirou um papel amarelado e entregou ao espantado coronel Gurgel uma reluzente moeda de ouro, da época do império brasileiro.

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– Tome coronel, quando se livrar daqui dê a sua netinha.

– Ora Luís, isso vale muito. Guarde.

– É… Já me falaram em sessenta mil réis. Porém eu sei que coisa de bandido não vale nada não… Tome.

Daí o jovem cangaceiro saiu cabisbaixo.

O coronel Gurgel relatou ao autor do artigo que o jovem cangaceiro, apesar de viver entre homens que tinham como característica comum à violência, a brutalidade e, além de tudo, ser afilhado logo de Sabino, era um membro do bando que estava sempre próximo aos prisioneiros levados, era extremamente atencioso e muitas vezes buscou de alguma forma amenizar as agruras dos cativos.

Bando de Lampião com prisioneiros em Limoeiro do Norte, junho 1927 - Copia
Este seria o cangaceiro Luís Sabino.

Na famosa foto que registra o bando de cangaceiros de Lampião e os prisioneiros em Limoeiro do Norte, Ceará, obtida no dia 16 de junho, entre os membros listados pelo famigerado Jararaca, o cangaceiro que aparece com o número “31” grifado acima do chapéu de aba quebrada, foi apontado como sendo “L. Sabino”. Na época que listou os companheiros na famosa foto, Jararaca era então prisioneiro na cadeia de Mossoró e pouco tempo depois foi morto de maneira cruel e covarde pela polícia local.

Esta pequena história, simples, sem sangue nem disparos de fuzis, mostra um outro lado de um dos bandoleiros que vagavam pelos sertões, em meio a um grupo que vivia do saque e do roubo. Mas que em certo momento teve o total desprendimento pelo vil metal e mostrou um aspecto diferente do que normalmente é apresentado em relação e estes homens, que Frederico Pernambucano de Mello chamou de “Guerreiros do Sol”. E todo este fato contado através de uma reportagem escrita a oitenta e quatro anos atrás por um dos mais respeitados juristas potiguares.

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Entretanto…..

Mais Moedas de Ouro!!!

Sabemos pela descrição feita pelo próprio Antônio Gurgel do Amaral, em seu famoso diário, onde ele narra os vários dias de sofrimento junto a Lampião e seus homens, que o mesmo criou certos laços de amizade com um outro cangaceiro conhecido como “Pinga Fogo”. Gurgel descreve-o como um “rapaz de 24 anos, alvo, muito simpático, maneiroso”.

Terminantemente não se encontra nenhuma linha sobre Luís Sabino.

Bando de Lampião com prisioneiros em Limoeiro do Norte, junho 1927

Sabemos igualmente que no livro do conceituado médico Raul Fernandes, “A marcha de Lampião – Assalto a Mossoró”, na página 264, da 3ª edição, através de um relato da senhora Yolanda Guedes, a dita neta do coronel Gurgel, que informou ter o seu avô recebido do próprio Lampião não uma, mas duas moedas de ouro de libra esterlina e lhes deu as moedas de presente.

Foi uma suprema deferência, feita não por um cangaceiro qualquer, mas pelo próprio chefe caolho, que gentilmente regalou a netinha do seu sofrido sequestrado com estas duas reluzentes lembranças. Ademais as duas brilhantes peças metálicas nem eram da extinta realeza tupiniquim, mas da suntuosa Casa Real Britânica.

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A jovem Yolanda.

Raul Fernandes afirma que Yolanda Guedes lhe concedeu estas informações em uma entrevista ocorrida no Rio de Janeiro, em 1971.

Mas daí vem outra questão… E agora, em quem acreditar?

Dificuldades em Pesquisar

Raul Fernandes e Otto de Brito Guerra, já falecidos, eram naturais de Mossoró, oriundos de famílias tradicionais, foram consagrados professores nas suas respectivas áreas na UFRN, pesquisadores, escritores e durante suas vidas desenvolveram muitas outras atividades interessantes.

Se para estes dois iluminares das letras potiguares, homens consagrados no meio intelectual da terra de Felipe Camarão, contemporâneos ao ataque de Lampião a Mossoró, existe uma pequena divergência ao contarem sobre a história da “visita” do “Rei do Cangaço” ao nosso estado, imaginemos então os que buscam conhecer mais deste assunto noventa anos depois dos fatos.

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Na verdade, tudo que envolve este tema, que sempre foi tão calcado em referências orais, onde em determinados momentos vítimas e perseguidores, apaixonadamente se engalfinharam para fazer prevalecer suas versões dos acontecimentos, escrever sobre o cangaço é sempre um terreno escorregadio e perigoso para quem o adentra.

E ainda temos a figura dos ditos “intelectuais” tão desejosos dos holofotes, das adulações baratas, das bajulações desmedidas, que escrevem livros que foram produzidos praticamente sem nenhuma pesquisa de campo.

Ou ainda dos autores que se digladiam em querelas bobas e estéreis, sobre temas tão pequenos e inúteis, como o que acabei de aqui relatar, em um afã de superioridade desnecessária.

MOSSORO DO PASSADO
Combatentes de Mossoró.

Eu tenho a minha hipótese para o caso das moedas; o coronel Gurgel era uma pessoa tão especial, tão interessante, que não recebeu nem uma e nem duas moedas de ouro dos cangaceiros, mas três. Uma de Luís Sabino e duas de Lampião, uma brasileira e duas inglesas.

Daí, se esta hipótese for correta, talvez o coronel Gurgel seja o primeiro caso de um sequestrado neste mundo que, apesar de passar vários dias com seus algozes, voltou para casa ganhando presentes dos seus algozes na forma de três moedas de ouro tilintando no bolso.

Mas aí, de repente, cada um pode criar a sua versão…

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O PRISIONEIRO DE LAMPIÃO

Por Beto Rueda


Coronel Antônio Gurgel do Amaral, nasceu a 12 de dezembro de 1872. Filho de Tibúrcio Valeriano Gurgel e Caetana Jesumira de Oliveira. Foi casado duas vezes: com Maria Amélia de Oliveira e Adélia da Silva Gurgel.

Figura de destaque no cenário econômico e político do Rio Grande do Norte, foi deputado à junta comercial do Estado e presidente da intendência, no governo de Alberto Maranhão.

Foi sequestrado pelo grupo de Lampião, durante o percurso no caminho do ataque a cidade de Mossoró, em junho de 1927. Escreveu um diário contanto os detalhes e a vida no convívio com os cangaceiros. A história descrita por Antônio Gurgel em seu diário detalha com precisão um momento ímpar na vida desse nordestino. Este documento tornou-se público a partir de 1930, publicado no jornal carioca "A Notícia", permitindo que a sociedade tivesse acesso a informações valiosas sobre os 13 dias em que ele passou com o bando, oferecendo detalhes fundamentais sobre os acontecimentos.

Ele foi solto sem sofrer ferimentos.

Antônio Gurgel faleceu no dia 05 de fevereiro de 1950, aos 77 anos de idade.

REFERÊNCIAS:

GURGEL, Antônio; BRITO, Raimundo Soares de. Nas garras de Lampião. 2. ed. Mossoró: Coleção Mossoroense, 2006.

VALE, Caio. Documentário 'De Dentro do Bando' narra sequestro de Antônio Gurgel pelo bando de Lampião. < https://mossoronoticias.com.br/.../documentario-de-dentro... >. Acesso em 12jun. 2024.

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FOTOS DE CANGACEIROS.

 Por Adelsomota

Foto original das cabeças dos cangaceiros mortos na Fazenda Lagoa do Lino, Maracujá Serrolândia Bahia, em 14/10/1933. Esta foto estava guardada na casa do subdelegado Antônio Carneiro da Silva. 

Carneirinho sequestrado pelos cangaceiros em sua fazenda Queimada de Baixo, Itapeipu Jacobina, em 03/10/1933. Hoje a foto encontra-se com seu neto Ezequiel Maia Carneiro, que nos enviou gentilmente, a quem ficam nossos agradecimentos. 

A foto foi revitalizada pelo professor e historiador Rubens Antonio.


https://www.facebook.com/groups/179438349192720/?multi_permalinks=2110435052759697%2C2108526659617203%2C2109315132871689&notif_id=1731172748444515&notif_t=group_highlights&ref=notif
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LAMPIÃO VER FILME EM CAPELA

 Por Robério Santos

Sabiam que Lampião assistiu filme neste cinema em Capela-SE? Quer ver o novo programa com informações novas? Diga SIM

https://www.facebook.com/photo/?fbid=10161824009417840&set=a.486697157839

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domingo, 10 de novembro de 2024

FAZENDA ONDE LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO, TIROU SUA PRIMEIRA FOTO COMO CHEFE DE BANDO CANGACEIRO.

Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=NFC8Vl5kJLs

Visitamos a histórica Fazenda Pedra, atualmente localizada no município paraibano de São José de Princesa (Antes Princesa, Paraíba), onde Lampião e seus companheiros de cangaço frequentaram durante a década de 1920 e onde aquele que viria a se tornar o Rei do Cangaço, tirou as suas primeiras fotografias já na qualidade de chefe de bando, pouco tempo após assumir o bando deixado por seu antigo chefe, Sinhô Pereira. Um dos mais seguros coitos de Lampião no estado da Paraíba. Todos os detalhes da fazenda foram gravados e coletamos os depoimentos de dois grandes conhecedores do assunto, para trazer a história contada diretamente do cenário dos acontecimento.
Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. Colaborem com o crescimento e com as melhorias do canal. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações e publicações. Forte abraço! Atenciosamente: Geraldo Antônio de S. Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia e Arquivo Nordeste.

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LIVROS

 Por Wilma Ferreira Leite

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=2584355931773335&notif_id=1731234989402602&notif_t=group_activity&ref=notif

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FOTO DO DIA

 Por Bicho Extraordinário


https://www.facebook.com/photo/?fbid=880932520886539&set=a.497290865917375

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sábado, 9 de novembro de 2024

AS CINZAS DE ANTÔNIO AMAURY FORAM LANÇADAS NO VELHO CHICO

Por Cangaço em Foco 

https://www.youtube.com/watch?v=Mp5YfcwgYSw

Foram lançadas no velho Chico as cinzas do pesquisador Antônio Amaury. Evento: Cariri Cangaço - Piranhas/AL. Contribuição: João de Sousa Lima. #historia #cariri #sertão #cangaceiro #ceará #lampião #mariabonita #nordeste #shorts #cangaço

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LIVRO DISPONÍVEL - 1⁰ LANÇAMENTO DA ABRAES - EU FAÇO PARTE!

 Por Luma Hollanda


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CONHEÇA OS DESCENDENTES DO BANDO DE MARIA BONITA. - Material publicado em 2008.

 Material publicado 02 de maio de 2008


Em Junho de 1999, o jornalista Aníbal Nunes, editor chefe da Gazeta da Bahia de Paulo Afonso, fez uma série de reportagens sobre a vida de Maria Bonita, nascida em 1908 na Malhada da Caiçara, município de Paulo Afonso. A filha de José Felipe e dona Maria de Oliveira ´´Déa´´. Teve mais 11 irmãos: José, Ozeas, Isaías, Ananias, Arlindo, Benedita, Antônia, Olindina, Francisca, Joana e Amália.

Da prole ainda 3 vivem 3 irmãos: Isaías e Arlindo em São Paulo-SP, e Ozeas na Malhada da Caiçara, com a esposa Albelizia. O casal tem 9 filhos: Messias, Jussara, Jaqueline, Maria, Luiz Carlos, Ayrton, Hélio, Jocélio, Fátima [falecida] e Cristina.

Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

"Não existem mais irmãos vivos de Maria Gomes de Oliveira a Maria Bonita". 

A infância e adolescência de Maria Bonita transcorreu normalmente como a de qualquer menina sertaneja de sua época.

Casou-se com José Neném, sapateiro de Santa Brígida-Ba, mas com o passar do tempo o relacionamento do casal tornou-se estranho. Maria, sempre nervosa, briguenta, enciumada, vez por outra deixava o sapateiro sozinho e fugia para a companhia dos pais José Felipe e Dona Déa.

Numa dessas fugas, afirmou que não mais voltaria para Zé de Neném.

Um certo dia do ano de 1929, Lampião passava pela Malhada da Caiçara e conheceu Maria Bonita.

Cabocla brejeira, olhos grandes de cor azulada, rosto arredondado, nariz bem feito, pernas grossas, lábios cheios de dentes perfeitos. Uma mulher tímida, de semblante ameaçador, valente e destemida. Ajusta guerreira que Lampião tanto sonhara encontrar um dia.

A rainha das cangaceiras que o bando chamava de Maria de Lampião ou Bazé, seguiu o seu cruel destino, em companhia de Virgulino Ferreira, o Lampião.

Duas irmãs casadas com dois irmãos de profissões semelhantes, enfrentaram destinos diferentes.

Amália Gomes de Oliveira irmã de Maria Bonita -  Acervo: Fotos Gilmar Teixeira

Amália irmã de Maria Bonita casou-se com o sapateiro Messias, irmão do Zé Neném sapateiro. Maria deixou o sapateiro Neném e acompanhou Lampião.

Amália e Messias viveram unidos até os últimos dias de vida.

José Gomes de Oliveira irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira

José de Déa, irmão de Maria Bonita, diante de tanta perseguição das volantes na fazenda dos pais, na Malhada da Caiçara, decidiu acompanhar o bando de Lampião, mas foi impedido por Maria que disse:

- Volte e vá tomar conta das coisas de nosso pai. Na desgraça dessa vida, basta eu!

Lampião concordou plenamente com Maria e pediu a Zé que retomasse para Malhada da Caiçara.

HERDEIROS DA FAMA.

Em visita à Malhada da Caiçara a Gazeta da Bahia de Paulo Afonso, em companhia de Jussara e Jaqueline, filhas do Sr. Ozeas, realizou importante documentário em vídeo para televisão e revista.
A equipe foi recebida pelo Sr. Ozeas Gomes de Oliveira e pelo filho Messias. 

O objetivo da reportagem é levantar dados sobre a vida de Maria Bonita, seus familiares e descendentes, apontar necessidades para manutenção da história viva do cangaço, resgatar fatos e acontecimentos, bem como contribuir para que a casa onde nasceu Maria Bonita seja preservada pelo poder público, antes que desabe de vez e apague parte importante de Maria Bonita.

O Sr. Ozeas, sempre comunicativo, hospitaleiro, contou-nos parte da vida de Maria Bonita, sua fuga com Lampião, o início do conflito, as perseguições das volantes, o temor da família.

Ele ainda não havia nascido quando Maria acompanhou Lampião, mas conta com precisão parte do raio de ação entre a Caiçara, Jeremoabo e Paulo Afonso.


Dona Abelízia não chegou a conhecer nenhum integrante do bando de Lampião e pouco sabe da sua história.

Comentou: 

- Quando eu casei com Ozeas, Maria já tinha ido embora dessa região há muito tempo. O que sei da vida dela é o mesmo que Ozeas.


A sobrinha Jussara citou a importância que teve sua tia Maria Bonita para a família. Disse ela: 

- Sinto muito orgulho de ser sua sobrinha. Ela foi destemida e valente. Acompanhou Lampião porque gostou dele. Ele completou o vazio que havia dentro dela. Nunca lhe culpei por isto. Se foi guerreira junto com ele, tiveram motivos de sobra para ser. Quando Lampião procurou vingar seus pais, não foi por acaso. Hoje, com certeza ele faria tudo outra vez.


Jaqueline a filha mais nova do casal, calma, bonita como era a tia, tem a mesma opinião de Jussara. Não conhece a história da tia, mas luta pela preservação da casa onde ela nasceu.

- Acho que a prefeitura de Paulo Afonso poderia manter esta casa em pé e aqui implantar um pequeno museu do cangaço para que a história fosse preservada. Muitos dos nossos familiares poderiam tomar conta e zelar por esse patrimônio histórico como é feito em outras cidades como em Piranhas, por exemplo.

O documentário em vídeo foi realizado pelo cinegrafista José Carlos e as fotos registradas pelo jornalistas Aníbal Nunes da Gazeta da Bahia de Paulo Afonso.

Os demais trabalhos da segunda parte em diante das gravações deste documentário foram feitas no restante do referido ano deste primeiro trabalho em comum acordo com os familiares de Maria Bonita e outros descendentes da época. 

O vídeo foi editado por Izael Jardel da TV Fonte Viva de Paulo Afonso.


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sexta-feira, 8 de novembro de 2024

EU NÃO ENTENDIA

 Clerisvaldo B. Chagas, 8 de novembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.144.


Acho que eu poderia dizer que a barragem iinaugurada no rio Ipanema, em 1951, não teve muita utilidade, apesar do grande esforço do DNOCS, seu construtor. Sim, que foi um aproveitamento da construção da ponte (que até hoje serve), entretanto a alegação de que seria a barragem para abastecer d’água a cidade de Santana, não se mostrou eficiente na prática. Na época, Santana do Ipanema ainda não possuía água encanada e toda ela vinha das cacimbas do rio seco. Porém, vimos poucos caminhões pegando água na barragem. Quase uma raridade. A barragem servia mesmo para a pesca sem nenhum critério e, principalmente de farristas que saíam a pé do Centro da cidade, venciam os dois quilômetros até ali e iam beber debaixo da ponte.

Mas também não entendia sobre o açude do Bode, também construído pelo DNOCS, nos anos 50 com a mesma finalidade. Muito pequeno o número de caminhões que às vezes chegava para pegar água no açude. Contudo a cidade continuava, com mais de cem jumentos com ancoretas, abastecendo as residências com o líquido salobro das cacimbas do rio. Onde estava o erro? Como disse acima, não entendia o porquê? Praticamente ociosas essas duas importantes fontes de água, continuaram assim até a chegada da água encanada em 1966. A barragem foi assoreada pela chegada de areia grossa das constantes cheia do rio Ipanema. O açude do bode, nunca recebeu dragagem, pelo menos com alguma divulgação nunca teve.

Quanto a ponte sobre a barragem do rio Ipanema, continua com a mesma firmeza de quando foi construída. Acontece que nunca foi modificada em nenhum aspecto e a sua estreiteza não é compatível mais com o intenso tráfego Sertão – Alto-Sertão, bairros Clima Bom, Barragem – Centro. Uma loucura para carretas e pedestres. A quem apelar? A quem gritar? A lentidão com que o progresso chega ao interior é irritante. Há muito a ponte de rodagem de Dois Riachos foi substituída por uma nova. E por que continuamos com a ponte década do carro de boi? Olhe que estamos falando sobre uma das rodovias mais importantes de Brasil, a BR-316.

Continuo sem entender.

PONTE SOBRE O RIO IPANEMA (FOTO: LIVRO 230).

 


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RABO A NAMBU

 Clerisvaldo B. Chagas 7 de novembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.144.

Não senhor, meu amigo, não havia entrega de papel impresso para fazer prova. Não existia isso, ainda. Quando era tempo de prestar exame, nós, alunos do Ginásio Santana, tínhamos que comprar uma folha de papel pautado com duas páginas compridas, verticais.  Muitos professores faziam dessas folhas um verdadeiro jornal. Já o professor Alberto Nepomuceno Agra – meu maior mestre da Geografia – era comedido. Apesar de dois meses de aula para a época de exame, tinha o costume de fazer apenas cinco perguntas nas suas provas. E todas às vezes nos dava uma lição de economia, cortando ao meio a folha dupla e dizendo que guardasse a outra metade que não precisaria agora. E se quer saber, comprávamos o papel pautado no Comércio central ou em algumas bodegas.

Perto do Ginásio Santana, havia a bodega de “Seu Oseas” onde comprávamos o papel de provas, mas que também vendia outras coisas como “puxa”, um troço doce, comprido igual macarrão, enrolada em papel manteiga. Grudava nos dentes, mas a gente comia. Seu Oseas, tinha a marca de uma lua em quarto-crescente, na face. Para nós, garotos da época era muito gente boa! Quanto à   folha dupla do papel de prova, tinha a vantagem de durante os apertos de matérias difíceis, usarmos “filas” ou “pescas” no meio das duas bandas. Mas...  Aqui acolá, um colega era flagrado tentando burlar o professor. E aqui, amigo, paro para soltar uma gargalhada: Seu Oseas nada tinha a ver com isso. Somente sentimos essa situação mudar, a partir do Instituto Sagrada Família com o sistema de estêncil.

Apesar da situação da época, a folha de papel pautado incentivava você a estudar visando preenchê-la toda com seu conhecimento e, consequentemente ser bem recompensado. Entretanto, a facilidade que a prova impressa atual oferece, como perda de tempo, clareza e limpeza no papel, não traz vantagem alguma para quem não estuda, pois este se vê de repente com uma cuca” limpa diante de uma prova limpa. E voltando ao caso de “pescar, “filar” ou outro termo mais atualizado, teríamos alguns casos interessantes a relatar como comédia no flagra, porém, personagens mais velhos rancorosos gratuitos podem não gostar em estrilos belicosos. É melhor não dá rabo a nambu.

GINÁSIO SANTANA em 1950. (FOTO: FOMÍNIO PÚBLICO/ ARQUIVO DO AUTOR/LIVRO 230).



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LAMPIÃO ENGANADO NO JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO.

 Por Kinko Peregrine

https://www.youtube.com/watch?v=6ygmpOA_hP8

Virgulino consegue realizar seu maior sonho, com a intermediação do Padre Cícero Romão Batista: adquirir a patente de capitão, no Batalhão Patriótico do deputado Floro Bartolomeu, o batalhão das forças legais. 

Além de alimentar sua vaidade pessoal, a patente funcionaria como uma espécie de salvo-conduto, permitindo o bando circular pelas divisas dos estados do Nordeste. Aproveitando aquela oportunidade, Virgulino solicita, também, para os companheiros Antônio Ferreira e Sabino Barbosa de Melo, os postos de 1o. e 2o. Tenentes. 

Acatada a solicitação, os membros do bando abandonam as roupas costumeiras, vestem a farda de soldado e, como autoridades constituídas, passam a ter o dever - por mais irônico que isto possa soar -, de defender a legalidade e proteger a população nordestina. 

Tudo isso foi redigido pelo Padre Cícero e assinado, a pedido deste, no dia 12 de abril de 1926, pelo engenheiro-agrônomo do Ministério da Agricultura, Dr. Pedro de Albuquerque Uchoa. Feliz da vida aos 28 anos de idade, o jovem Capitão Virgulino reúne a família para tirar fotografias.

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PADRE CÍCERO ENGOLIU LAMPIÃO COMO UM PURGANTE

 Por Cangaço em Foco

https://www.youtube.com/watch?v=swTnFrqDIFQ

Relatos do Médico e Escritor Dr. Napoleão Tavares Neves. Fonte: Documentário os Marcelinos. Autor: Rafael Souza.

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MOÇÃO AO PEDRINHO DO CORDEL E DO BAIÃO.

 Por Pedro Motta Popoff

Vocês são nota mil Jornal da Cidade.
Muito obrigado mesmo@
#vereadorsegalla #camaramunicipaldebauru #moçãodeaplauso #homenagem #imprensa #amor #bauru

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