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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Dix-sept Rosado e a Biblioteca Pública Municipal de Mossoró - 01 de Abril de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Jerônimo Dix-sept Rosado Maia foi eleito a 21 de março de 1948 como terceiro prefeito constitucional de Mossoró, tomando posse do cargo no dia 31 do mesmo mês e ano. Não era um homem culto; era um homem trabalhador. Contava no seu currículo escolar apenas com o curso ginasial, concluído por muita insistência da família. Mas foi esse homem que cinco dias após a sua posse, através da criação da “Biblioteca Pública Municipal”, deflagrou o maior movimento cultural de todos os tempos de uma administração municipal em Mossoró, movimento esse que passou a ser conhecido como a “Batalha da Cultura”.

A Biblioteca Pública Municipal de Mossoró foi oficialmente criada no dia 05 de abril de 1948, como cumprimento de promessa de campanha. A ideia foi do seu irmão Vingt-un Rosado. 

Jerônimo Dix-sept Rosado Maia

Mas Dix-sept era bastante sensível para entender as necessidades do município. É o próprio Vingt-un quem confessa: “Convenci Dix-sept a prometer a criação de uma Biblioteca Pública Municipal, que seria oficializada através do Decreto Executivo n.º 04, apenas cinco dias depois da sua posse na Prefeitura”.
               
Para que o projeto fosse concretizado, Dix-sept nomeou uma comissão organizadora, formada por: João Damasceno da Silva Oliveira, José Romualdo de Souza, José Ferreira da Silva, Rafael Bruno de Medeiros e Vingt-un Rosado Maia, todos cidadãos comprometidos com a cultura mossoroense.

 Jornalista Geraldo Maia e Dr. vingt-un Rosado Maia
               
Os ofícios de comunicação da criação da Biblioteca e o pedido de registro no Instituto Nacional do Livro foram redigidos por João Damasceno. O espaço físico foi conseguido pela Prefeitura no pavilhão térreo do Clube Ipiranga. Em depoimento, Vingt-un fala das dificuldades iniciais para que o sonho se tornasse realidade: “ Nenhum de nós, eu, Ferreira, América Rosado, tinha curso de biblioteconomia. Lemos alguns livros especializados e começamos a tarefa. Dix-sept visitava o trabalho quase diariamente. Mandou fazer as estantes e o mobiliário necessário”.
               
Para a formação do acervo da Biblioteca, contou-se com a colaboração dos mossoroenses. O padre Mota, ex-prefeito e vigário de Mossoró, fez doação de 300 volumes de sua biblioteca particular. Augusto da Escóssia na época era o presidente do Ipiranga. Por solicitação da comissão, permitiu que a Biblioteca Hemetério Queiroz fosse incorporada à Biblioteca Pública. De Natal, Dix-huit Rosado mandou várias caixas de livros arrecadados entre os amigos, de forma que na sua inauguração, a Biblioteca já contava com um acervo de 1.888 obras em 2.131 volumes. Visando criar nos jovens o hábito da leitura, o prefeito Dix-sept Rosado inseriu na Biblioteca uma seção de estados infantis. A ideia era inédita, pelo menos no Rio Grande do Norte. E isso era só o começo. Com a Biblioteca, veio o Museu, veio o Boletim Bibliográfico e a Coleção Mossoroense, tudo como desdobramento da ideia inicial da Biblioteca.
               
Dix-sept não concluiu seu mandato como prefeito de Mossoró. Foi eleito governador do Estado a 6 de junho de 1950, quando já se encontrava licenciado, assumindo o governo em 31 de janeiro de 1951. E como Governador do Estado do Rio Grande do Norte, não teve tempo de fazer mais pela cultura mossoroense. Morreu num desastre aviatório no dia 12 de junho de 1951, nas proximidades do campo de pouso de Aracaju, em Sergipe, cinco meses após a sua posse. Não quis o destino que ele permanecesse mais tempo entre nós. Deixou no entanto, como legado, a semente de um movimento cultural que permanece até os dias atuais, tendo na pessoa do professor Vingt-un Rosado, seu irmão casula, um eterno guardião, comandante-em-chefe do que se passou a chamar de \"Batalha da Cultura\".

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Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

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Noite Cariri Cangaço - GECC traz pérolas da poesia, casos e causos matutos

GECC e Cariri Cangaço em noite de Causos e Casos

Aconteceu na noite desta terça-feira, dia 03, mais uma Noite Cariri Cangaço - GECC no Espaço Raquel de Queiroz da Livraria Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi, em Fortaleza. Com a temática: Causos e Casos do Sertão e a participação maciça de todos os confrades presentes a noite acabou se transformação em uma grande festa quando habitaram a poesia, contos, causos e casos pitorescos sobre as coisas do sertão e as coisas do universo do cangaço.

O encontro iniciou com os comunicados da Presidência do GECC, através do escritor Ângelo Osmiro, logo após passando a palavra para o Curador do Cariri Cangaço que anunciou as novidades do evento para 2013, com mais uma avant premier confirmada para o estado da Paraíba; para Severo "depois da maravilha que foi a confirmação de Lavras da Mangabeira para Maio, a chegada do Cariri Cangaço na Paraíba  através dos municípios de Sousa e Nazarezinho no mês de Junho, consolidam uma ação forte na direção de fortalecer a memória e a história de nosso nordeste no que diz respeito a temática cangaço, dentro de mais alguns dias teremos a Programação Completa de Lavras e também de Sousa e Nazarezinho, onde temos como grande timoneiro o confrade Wescley Rodrigues".

Ângelo Osmiro e Lívio Ferraz

Jonas Luis de Icapuí e Ezequias

Aderbal Nogueira

Comendador Mariano

Vicente Alencar

A noite seguiu com as apresentações do talento de muitos "iluminados do sertão" com destaque para Patativa do Assaré dentre outros, através dos confrades Edílson Cláudio, Pitonho, Vicente Alencar; o mundo do cordel com o trovador e cordelista, Cel. Gutemberg Andrade além de passagens marcantes e hilárias, de inúmeras viagens de pesquisa capitaneadas por Ângelo Osmiro, Aderbal Nogueira, Comendador Mariano e Manoel Severo.

Ao final ainda tivemos as novidades do mais novo empreendimento da Icapuí Filmes, FGF TV e Laser Vídeo, com o apoio do GECC e Cariri Cangaço: A Série "Os 7 Cangaceiros" , com Jonas Luis da Silva de Icapuí, que adiantou que o roteiro para os dois primeiros capítulos; sobre Cabeleira e Lucas da Feira, já estão prontos, devendo apenas aguardar o crivo dos "companheiros pesquisadores".

Cel Gutemberg Andrade, Lapa Carabajal e Edílson Cláudio

Pitonho e Edilson Cláudio

Dra. Maria Amélia e Angela Tavares

Afrânio Cisne

Ainda durante o encontro ficou acertada a Caravana do GECC que estará participando da Avant Premier do Cariri Cangaço em Lavras da Mangabeira nos próximos dias 18 e 19 de Maio.

Cariri Cangaço - GECC

http://cariricangaco.blogspot.com

O 5º Bispo de Mossoró - 25 de Março de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

A Diocese de Mossoró foi instalada em 18 de novembro de 1934, sendo o seu primeiro bispo Dom Jaime de Barros Câmara. Veio na sequência Dom João Batista Portocarrero, Dom Elizeu Simões Mendes, Dom Gentil Diniz Barreto e em 01 de abril de 1984 assumiu a Diocese Dom José Freire de Oliveira Neto, o seu 5º Bispo. 


Nascido na cidade de Apodi/RN em 09 de março de 1928 era filho de José Freire de Oliveira Filho e de Francisca Celsa de Oliveira. Seus estudos primários foram em sua terra natal, Apodi/RN. Iniciou seus estudos de padre no Seminário de Santa Teresinha, em Mossoró, deu andamento no Seminário de São Leopoldo (RS) e concluiu com o mestrado em Ciências da Educação, com especialização em Catequese, pela Pontifícia Universidade Salesiana, em Roma.
                
Aos 22 de setembro de 1956 foi ordenado presbítero por Dom Luigi Traglia, em Roma. Em 03 de novembro de 1973, o Papa Paulo VI o nomeou bispo-titular de Illici e auxiliar de Mossoró, recebendo sagração episcopal aos 02 de junho de 1974, na Capela do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em Roma; Sendo Dom Gentil Dinis Barreto, o bispo consagrante. No dia 18 de julho 1975 foi apresentado ao povo da Diocese de Mossoró, em solenidade na Catedral de Santa Luzia. Em 1979 foi nomeado bispo coadjutor. Assumiu interinamente o governo diocesano a 14 de março de 1984, por ocasião da renúncia de Dom Gentil Diniz Barreto.
               
Pertencente à geração dos militantes da Igreja Pós-Conciliar, tinha opções eclesiais claras e dedicava seu trabalho a causas nobres, ao lado de grandes religiosos do Nordeste, como Aloísio Lorscheider, José Maria Pires, Hélder Câmara, Paulo Evaristo, Eugênio Sales e Luciano Mendes.
               
Na época em que assumiu o comando da Igreja na Diocese de Mossoró, Dom José Freire foi responsável pelo desenvolvimento de um importante trabalho num período de transição sociopolítico do país. Pertencia à safra dos bispos de grandes ideais, que marcou a era de ouro da Igreja no Brasil.
               
Naquela época, 1984, ainda vivendo sob a ditadura militar, havia no episcopado brasileiro uma natural divisão entre os bispos. Mesmo diante da instabilidade Dom José optou ficar do lado do povo, lutando pelo resgate da democracia, justiça social e pela liberdade de expressão. Na diocese, ele foi o bispo que abriu as portas da Igreja para os leigos, criou as assembleias de pastoral, aplicou o planejamento participativo e reacendeu as pastorais sociais.
               
Segundo bispo com origens fixadas na região, Dom José governou a diocese durante 20 anos. Renunciou em 2004, ao atingir a idade de 75 anos, tornando-se então bispo emérito. Seu lema episcopal era Configuratus Morti Ejus. Foi substituído pelo atual bispo, Dom Mariano Monzana.
               
Dom José Freire de Oliveira Neto faleceu na madrugada do dia 10 de Janeiro de 2012, na UTI do hospital Wilson Rosado em Mossoró, aos 83 anos de idade, vítima de uma parada cardíaca. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital desde o dia 31 de dezembro de 2011, em função de um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico.
               
O corpo de Dom José Freire foi conduzido para Apodi (RN), sua cidade natal, onde foi velado. No dia 11 o corpo retornou à Mossoró, sendo velado na Catedral de Santa Luzia onde aconteceu a missa de corpo presente sendo, em seguida, realizado o sepultamento na própria Catedral.
               
Com o falecimento do Bispo Emérito, a Prefeitura Municipal de Mossoró decretou luto oficial na cidade por três dias, o mesmo acontecendo no município de Apodi, sua terra natal. Sua memória permanece viva no coração da comunidade católica de Mossoró.

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Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

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CASA VELHA (COM UMA FLOR À JANELA) (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*

CASA VELHA (COM UMA FLOR À JANELA) 

Uma casa velha no sertão. Não na cidade nem nos povoados, mas na beira da estrada de chão batido, lá nas distâncias de tudo.

Uma casa velha e empobrecida, de barro batido e cipó, telhado de pouca telha e muita palha ressequida, em cujas brechas davam para se avistar uma lua imensa, bonita. E também por onde entravam raios de sol escaldante.

Na casa velha uma pequena família. O marido e a esposa e dois filhos. Ele sem ter o que plantar nem colher, desempregado de tudo, aperreado de enlouquecer. Ela também sem ter o que fazer. Sem barro no barreiro não havia como moldar nem pote nem panela.

Os dois filhos vivendo o sofrimento da inocência esquecida pela sorte e pelos poderes públicos. Sem escola nas redondezas, não tinham como estudar. Sem comida na panela, com apenas uma pedacinho disso ou daquilo, também quase não tinham o que comer.

Casa de barro e a família também, não seria engano dizer. E barro prestes a despedaçar, estilhaçar a qualquer momento. Ele com uma dor escondida. Ela com uma dor remoendo. Os filhos na dor chorada. A fome. A fome também causa dor na barriga, no estômago, no pensamento.

Nem precisava falar da fome. Ela estava em todo lugar, nua, gritando, impossível de ser suportada. Mas tinha de ser. Gente grande suporta essa dor, mas os pequeninos não. Dor danada de acontecer. Fome terrível por todo lugar.
Duas panelas de barro, porém emborcadas, em cima de uma mesa velha. Também duas de alumínio penduradas numa trempe de canto de canto de parede. Pratos de alumínio arrumados um sobre o outro e as colheres por cima. Tudo empoeirado. Quase sem uso.


Dois potes e uma moringa. Em apenas um pote se avistava o barro do fundo molhado. Sinal que ainda tinha água, mas bem pouquinha mesmo. Como costumeiro acontecer, não havia cobra enrodilhada por trás do fundo do pote. Diante da situação, certamente que havia preferido morrer debaixo do sol.

A moringa estava fazia, mas colocada no umbral da janela. Segundo a crendice daquele povo, mesmo vazia ele tinha de ser mantida ali. A boca vazia, virada pra cima, acabava gemendo de sede. E tal gemido era ouvido pelas forças da natureza. E somente assim a chuva poderia cair mais depressa.

Desse modo, dia e noite e noite e dia e a moringa ali de boca aberta, sedenta, no umbral da janela. Só que os dias passavam, também os meses, e nada de seus rogos serem atendidos. Nenhuma nuvem de chuva, nenhuma gota d’água caindo.

Preocupados apenas em olhar a moringa de vez em quando e lançar os olhos sem brilhos para o céu azulado e o sol escaldante, jamais atentaram para o que acontecia logo ao lado da moringa, num cantinho do umbral.

Ali, calma e silenciosamente, foi crescendo uma plantinha. Mesmo sem gota d’água derramada por cima, mesmo sem jamais qualquer adubo, verdejou a ponto de fazer surgir uma florzinha vermelha. Apenas uma.

Os dias passavam, a preocupação aumentava com a seca, a fome e a sede se alastrando cada vez mais. E quando olhavam em direção à janela procuravam enxergar apenas a moringa como salvação. Mas a florzinha estava ali.

Mas o que fez com que aquela flor vermelha brotasse daquela plantinha estranhamente nascida ali, sem qualquer grão ter sido jogado por cima do barro duro? Sim, como uma planta poderia ter surgido das raízes do barro petrificado, como o existente naquela janela?

Se a fé do povo ainda não havia surtido efeito com relação aos rogos saídos da boca da moringa, outra coisa aconteceu. Tanto o pai como a mãe, fugindo do olhar das crianças, corria para chorar na janela. No cantinho da janela.

Não chorava do lado que estava a moringa, mas do outro. E neste lado, cada lágrima caída foi sendo acolhida pelo barro como semente. Até vingar, brotar e virar flor. Uma flor vermelha na janela.

E a natureza, tão encantada com a florzinha ficou que passou a temer pelo seu futuro naquele mundo de sequidão. E por isso fez a chuva cair por todo lugar. Um mundo de benção caída do céu para alimentar o jardim do lugar: o povo, a terra, a vida...


(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com


Cariri Cangaço Opinião

Por: José Cícero
Festa de abertura do Cariri Cangaço em Aurora

Quão lisonjeiro e gratificante é a doce experiência de se viver toda a emoção de, literalmente termos mergulhados no fundo da história destes sertões do mundo. Principalmente em meio a uma sensação de alegria e contentamento quase descomunal, numa sinergia coletiva entre aqueles que procuram o tempo todo viver e sentir os fatos históricos na sua compleição mais forte e verdadeira, quase como uma profissão de fé.

Na sua grande maioria, pesquisadores, escritores e historiadores deveras apaixonados que são pela temática dos sertões e, em particular, do fenômeno do cangaço desde a sua gênese. Tendo como pano de fundo, o papel exercido pela ínclita figura de Virgulino Ferreira da Silva - O Lampião, rei do cangaço e os seus comandados, além de coronéis, beatos, jagunços, coiteiros e volantes.

Uma grande multidão de aficionados, dos mais diversos e distantes rincões do Nordeste (quando de outras partes do Brasil e do mundo) reunidos em torno de um tema no mais das vezes, recorrente e por demais palpitante. Movidos todos eles, pelo combustível incontrolável da curiosidade, da leitura e da pesquisa como um farol sempre a serviço da verdade e da ciência social. Uma multidão de abnegados pesquisadores, cuja paixão pela história lampiônica é quase uma marca indelével, notadamente na visão dos que desejam sempre quere aprender um pouco mais.

José Cícero recepcionando o Conselho do Cariri Cangaço em Aurora

Um considerável ingrediente que há muito tem fomentado a produção de conhecimento, chamando a sociedade (em especial a acadêmica) a pensar e se debruçar sobre toda uma série de questões a partir do enfoque do cangaço e seus desdobramentos. E, é bom que se diga, o Cariri Cangaço tem jogado um papel de destaque neste processo. Assim como outros eventos do mesmo naipe, que ora acontecem em outras paragens do Nordeste e pelo País afora.

Quem sabe, como uma profunda cicatriz deixada na própria pele (destes sertanejos curiosos), por espinhos de antigos mandacarus durante as inumeráveis andanças e incursões pelas inóspitas caatingas nordestinas.

Uma declaração de guerra em favor do bem. O bom combate anunciado como que por meio de medievais trombetas sertanejas, sobre os chapadões destes grotões caririenses. Uma sensação de alegria sem tamanho, estampada nos olhos, bem como no peito de todos estes verdadeiros vaqueiros visionários de uma saga sem fim, chamada cangaço.

Cariri Cangaço visita o Caldeirão do Beato Zé Lourenço

Pulsão de quase morte a nos impulsionar às andanças e à pesquisa, buscando conhecer um pouco mais daquilo que, de fato, aconteceu um dia neste sagrado chão e pelas bibocas desconhecidas de uma elite ainda hoje preconceituosa.

Sem dúvidas, num gesto da mais evidente ousadia dos que, ainda não se deram por satisfeito diante da mentira de uma história descrita e escrita pelos vencedores. E assim, decidem por si mesmos, ir além. Muito além da versão daquilo que há muito se convencionou a chamar de história oficial.

Diante de todo este incomensurável contentamento e disposição para este mergulho profundo e perigoso na história, ficamos a nos perguntar: Que força e que energia (talvez sobrenatural) nos impulsionam a esta grandiosa empreitada? Que motivação será tão forte, a ponto de fazer com que homens e mulheres das mais diferentes classes, profissões, idades, concepções, crenças e lócus geográficos; desconhecendo distâncias venham se compor como num verdadeiro exército de desbravadores pós-modernos ansiando ver de perto os nossos sertões hodiernos? A face cruel da história. Os resquícios do passado que sobreviveu a toda escuridão tenebrosa dos anos idos...

Que argamassa inquebrantável possui a fantástico história do cangaço ainda hoje, ao ponto de mexer o mais profundamente possível com todos nós pesquisadores e entusiastas desta temática?

Será que, como dizem os opositores, estamos implicitamente a enaltecer bandidos? Não. Isso não.


O que estamos na verdade, ao meu juízo, é lançando um novo olhar justo, preciso e necessário sobre a fenomenologia dos acontecimentos que, por mais de cem anos, impregnou os sertões e a sua gente de grandes percalços, marcados pela miséria e pela injustiça de toda sorte.

Independentemente, portanto, de enxergarmos (por exemplo) Lampião, quer seja como herói ou como bandido - o cangaço por seu turno, como um fenômeno eminentemente social e político, deixou sua marca na historiografia de todo o interior nordestino. E Virgulino Ferreira, o Lampião, quer queira ou quer não, foi o seu protagonista maior. De tal maneira que não poderá passar despercebido neste estudo de casos e acontecimentos. É fundamental que conheçamos nossa verdadeira história...

Como de resto, é mister que se diga que, só após as estripulias de Lampião com seu bando, foi que o sertão ´passou´ a ser visto de uma outra maneira pelos poderes do litoral. Contudo, parte daquela antiga realidade ainda persiste, vez que a ótica dos poderosos também permanece tal qual como no passado: míope, excludente, injusta, massacrante, discriminante e mentirosa.

José Cícero
Professor e pesquisador do cangaço
Fonte:http://diariodonordeste.globo.com

http://cariricangaco.blogspot.com

Temas do evento A chegada de Sinhô Pereira ao Cariri Cangaço

Por: Jorge Remigio


Quando setembro vier, teremos o prazer de desfrutar a convivência por quase uma semana, com grandes personalidades do meio cangaceirístico, como também, de muitos amigos e amigas formados no seio desse encontro grandioso e singular, que é o CARIRI CANGAÇO. Este prima por dar um caráter cultural, didático e educativo ao evento, como também, tem a força de interagir plateias e pesquisadores nos seminários que sucedem nas cidades acolhedoras que fazem parte do circuito. A notícia da inclusão e discussão em seminário do personagem Sinhô Pereira, foi muito acertada. 

Continue lendo clicando no link abaixo:

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2013/04/temas-do-evento.html

O rei do baião e Dominguinhos


O rei do baião Luiz Gonzaga, apresenta o mestre Dominguinhos! Viva a cultura nordestina! Quem tem talento é assim mesmo.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

"Fidalgo", mas nem tanto. Lampião comia... também com as mãos!

Por: Ivanildo Silveira(*)

Na foto abaixo, vê-se o Rei do cangaço comendo utilizando as mãos, enquanto dois cangaceiros se servem com prato e colher.


Compulsando a literatura cangaceira, vamos encontrar que os hábitos cangaceiros, no tocante à alimentação, eram os mais variados. Cada cangaceiro possuía seu copo/caneco, sua colher, o prato e a cabaça/ cantil para depósito dágua.


Entre os alimentos destacavam-se: Farinha, carne de sol, rapadura, café, sal, leite, coalhada, galinha, bode, caças em geral etc... Some-se a isso, também, as frutas silvestres que eram consumidas, inclusive cactos (xique-xique, coroa de frade..etc..), quando havia muita falta dágua.

As carcaças dos animais (peles e ossos) eram enterrados, a fim de que a podridão dos mesmos, vista pelos urubus que rondavam o local, não os denunciassem á policia. Quando desarmavam as barracas/tordas e abandonavam o "coito", deixavam um odor de ciganos.


(*)Ivanildo Alves Silveira é Colecionador do cangaço Membro da SBEC

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2010/06/lampiao-comia-tambem-com-as-maos.html

terça-feira, 2 de abril de 2013

Aldenor Nogueira-familia camboa

Por: Grismarim

É a segunda postagem que escrevo neste blog  a respeito de Aldenor.


Conheci Aldedor muito bem durante os anos que vivi em Mossoró. Era primo do meu pai, Manuel Nogueira de Lucena. Foi radialista, professor primário, vendedor de jornal e vereador. Um dos seus mais brilhantes programas na rádio Difusora de Mossoró era: Crepúsculo  Sertanejo às seis horas da manhã.

Foram  estes os antepassas de Aldenor Evangelista Nogueira, em linhagem familiar:

1 - Alferes Manuel Nogueira de Lucena, comandante da ribeira de Mossoró, casado com Firmiana Rosa dos prazeres.

2 - José de Góis Nogueira, casado com Quitéria Francisca de Oliveira, comandante das praias da ribeira de Mossoró. 

3 - Jerônimo da Rocha Nogueira, casado com Joaquina Guilherme de Melo.

4 - Francisco de Góis Nogueira, casado com Maria Querubina da Soledade. 

5 - João Evangelista Nogueira (caneca+-), casado com Martinha Evangelista, de quem nasceu Aldenor Nogueira, que se casou em primeiro matrimônio com Luzia Filgueira do Couto, e em segundo matrimônio com Luitgard Pereira, nascendo dos dois matrimonio vários filhos de ambos os sexos. Alguns dos quais com grandes destocas em meio da sociedade Mossoroense, no campo militar e magistratura.., -.  ;

Extraído do blog: Família Camboa, do pesquisador Grismarim.

http://familiacamboa.blogspot.com.br/2013/04/aldenor-nogueira-família-camboa.html

Evento Cangaço Sousa

Por: Wescley Rodrigues

Nobres amigos(as),

Saudações cangaceiras!

É com enorme alegria que comunicamos a todos(as) que estamos articulando uma versão do Cariri Cangaço na cidade de Sousa – PB e Nazarezinho – PB, a realizar-se no mês de junho. O evento, que intitulamos “Parahyba Cangaço”, é uma parceria que estamos travando entre o Cariri Cangaço e o Centro Cultural Banco do Nordeste, localizado na cidade de Sousa – PB.

Dessa feita, convidamos todos(as) para participar de mais um evento cultural que, antes de tudo, além de promover um debate profícuo sobre o nosso Nordeste e sertão, possibilita um reforço das nossas raízes e tradições culturais.

Por questões práticas estamos pensando em dois dias, um sábado e domingo, sendo que o evento iniciaria na tarde do sábado e se estenderia até o domingo pela manhã. Ainda não temos a data fixa, só confirmamos o mês de junho.

O evento envolverá duas cidades, a cidade de Sousa – PB e Nazarezinho – PB, terra do cangaceiro Chico Pereira. Na oportunidade, além de voltarmos os debates para o cangaço na Paraíba, é pretensão encabeçarmos um manifesto na cidade de Nazarezinho, para o restauro e preservação pelo poder público, da casa de Chico Pereira, que está deteriorando-se devido à ação do tempo. Sendo que, assim como foi feito em Paulo Afonso e Serra Talhada com a criação do museu na casa que pertenceu a família de 


Maria Bonita e Lampião, tal seria feito também na antiga propriedade da família de Chico Pereira. 


Isso é uma forma de protegermos o patrimônio material e cultural do cangaço, haja vista que um povo sem história e sem símbolos ou monumentos que sinalizem para o seu passado, é uma povo com identidade fluída.

Além do mais, o encontro possibilitará um aprofundamento sobre a emblemática figura de Chico Pereira, cangaceiro de grande relevância para o cangaço na Paraíba e tão pouco conhecido e explorado pelos estudiosos do cangaço.

A priori gostaríamos de agradecer ao Centro Cultural Banco do Nordeste por acolher a iniciativa, a direção e funcionários, e de forma especial aos Srs. César Nóbrega, Sérgio Silveira e Irís que juntamente conosco estão encabeçando o evento.

Esperamos entusiasmados a presença de todos(as), e em junho nos encontramos em Sousa.

Abraço fraterno.

Prof. Wescley Rodrigues
Sousa - PB

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço Wescley Rodrigues

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Pais e irmãos de Manoel Duarte Ferriera

Por: José Mendes Pereira

Manoel Duarte Ferreira era filho de Francisco Duarte  e de Maria Vicência Duarte.

Francisco Duarte e Maria Vicência Duarte

Seus irmão eram:

Emanuel Duarte Ferreira,
José Duarte Ferreira,
Francisco Duarte Filho,
Luzia Duarte Ferreira,
Cristina Duarte Ferreira,
Maria Duarte Ferreira, 
Raimunda Duarte Ferreira,
Luiz Duarte Ferreira,]
Casimiro Duarte Ferreira, Raimundo Duarte Ferreira e
Tentora Duarte Ferreira.

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Pau-de-Arara, A Música.

Por: Kydelmir Dantas (*)

Pesquisando a obra fantástica de Luiz Gonzaga, o nosso eterno Rei do Baião, encontramos a música título deste artigo. 


Costumeiramente encontramos na internet e até em revistas de âmbito nacional, com publicações direcionadas a um público específico, - que as pessoas confundem com o título de outra composição - que não foi gravada pelo Gonzagão: “Último Pau-de-Arara”. Esta “Pau-de-Arara”, autoria do Luiz Gonzaga e Guio de Moraes, disco de 78 RPM gravado no ano de 1952 (www.luizluagonzaga.com.br), cuja letra é a seguinte:

Quando eu vim do sertão,
seu môço, do meu Bodocó
A malota era um saco
e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara
Viajando num pau-de-arara
Eu penei, mas aqui cheguei (bis)
Trouxe um triângulo, no matolão
Trouxe um gonguê, no matolão
Trouxe um zabumba dentro do matolão
Xóte, maracatu e baião
Tudo isso eu trouxe no meu matolão.

Porém, gostaria de informar que a canção “Último Pau-de-Arara” não é do grande mestre da sanfona e rei do Baião Luiz Gonzaga. 


A composição dessa música é de Venâncio, Corumbá (dois dos mais conhecidos compositores e cantores da tradicional música sertaneja) e José Palmeira Guimarães, este último mais conhecido por seus amigos por Palmeirinha e, ainda hoje, desconhecido do grande público. Foi gravada no LP do Fagner em 1973.

Parte da poesia foi censurada, à época e, posteriormente gravada num CD do Coral da Petrobrás, no ano 1996, sob a regência do Padre Pedro Ferreira da Costa, em Natal (RN). Nesta versão, foi colocada a parte censurada, conforme abaixo:

ÚLTIMO PAU-DE-ARARA - Composição: Venâncio/Corumbá/J. Guimarães.
Intérprete: Coral da PETROBRÁS – Natal – RN - CD VOZ & ALMA – 1996.
“NÃO ADIANTA IR EMBORA,
PRA SÃO PAULO OU GUANABARA,
O PATRÃO QUE AQUI ME EXPLORA
ME ARRANCA OS OLHOS DA CARA
É O MESMO PATRÃO DE LÁ
E O DEUS DE LÁ É O DAQUI
SÓ DEIXO MEU CARIRI
NO ÚLTIMO PAU-DE-ARARA.”

Outra gravação, apresentando outra versão, segundo o poeta, cantor e compositor paraibano, um legítimo seguidor de Jacson do Pandeiro, Biliu de Campina; a música de Venâncio e Corumbá e letra original de JOSÉ PALMEIRA GUIMARÃES, foi gravada no CD - Forró Pé & Cabeça de Serra – 2005, do próprio Biliu de Campina, cuja capa encabeça este artigo.


(*) Escritor, cordelista, escritor, pesquisador e sócio da  
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

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JOHN, UM NEGRO DA TERRA

José Ribamar Bessa Freire - 31/03/2013 - Diário do Amazonas


Ele nasceu, em 1956, nos Estados Unidos. Era americano. Portanto tinha, inapelavelmente, que se chamar William ou John. Ficou John. Mas por ser filho de português, seu destino era ser registrado como Manuel ou Joaquim. Acabou herdando o Manuel do pai. E foi com esse nome composto - John Manuel - que veio de mala, cuia e Machado para o Brasil, onde criou raízes, filhos, livros e deixou marcas.

Aqui deu aulas, palestras e conferências, organizou eventos, iniciou estudantes na pesquisa, formou mestres e doutores, fez discípulos, vasculhou arquivos, pesquisou, escreveu, publicou, amou e foi amado, apaixonou-se pela história indígena e abrasileirou-se tanto que se transfigurou em negro da terra, termo consagrado em um de seus livros sobre índios e bandeirantes.

Foi ironicamente na Rodovia Bandeirantes, em Campinas, na terça-feira, que um táxi desgovernado chocou o carro dirigido por John, eliminando um dos expoentes da história indígena. Ele morreu no local, aos 56 anos, no auge de sua vida intelectual, vítima da guerra absurda do trânsito, que no Brasil mata anualmente mais do que qualquer guerra civil. Na última quinta-feira, 28 de março, depois de velado no salão da biblioteca, na Unicamp, foi levado para o Crematório na Vila Alpina, em São Paulo.

Índios e bandeirantes

O historiador John Manuel Monteiro era paulista, mas paulista de Saint Paul, Minnesota, onde nasceu. Lá, muitos moradores descendem de alemães e escandinavos, que migraram para os Estados Unidos no final do século XIX, encurralando a população nativa em reservas indígenas, que hoje sediam cassinos. Quando os portugueses e hispânicos chegaram, os índios já eram minoria discreta, mas capazes ainda de despertar o interesse de um pesquisador sensível e generoso como John, um paulistano de coração.

Desde a graduação em história, no Colorado College (1974-78), ele vinha buscando entender o processo de colonização portuguesa nos trópicos, inicialmente em Goa, na Índia, e depois no Brasil. No mestrado (1979-1980), focou seu interesse sobre o Brasil Império, no século XIX, e finalmente no Doutorado (1980-1985) na mesma Universidade de Chicago, debruçou-se sobre a escravidão indígena, os bandeirantes e os guarani de São Paulo.

Quando o conheci, em 1992, apresentado por Manuela Carneiro da Cunha, ele trabalhava com ela num grande projeto interdisciplinar, de âmbito nacional, que procurava localizar, mapear e avaliar a documentação manuscrita sobre índios existente nos arquivos de todo o Brasil. Fui convocado para coordenar a equipe do Rio de Janeiro. Com John, entramos em cada um dos 25 grandes arquivos sediados no Rio. No final, ele organizou a publicação do Guia de Fontes para a História Indígena e do Indigenismo em Arquivos Brasileiros.

O objetivo do projeto era criar uma ferramenta para combater a cumplicidade da historiografia brasileira que "erradicou os índios da narrativa histórica" ou tentou "torná-los invisíveis". O Guia foi elaborado por equipes que reuniu mais de cem pesquisadores em todas as capitais do país, coordenados por John Monteiro. Localizou muitos documentos desconhecidos e até então inexplorados, criando as condições para "repensar, de forma crítica, tanto o passado quanto o futuro dos povos indígenas neste país".

John Monteiro trazia considerável experiência em pesquisa documental nos arquivos das Américas, da Europa e da Índia. Publicou, em 1994, o livro seminal Negros da Terra: Índios e Bandeirantes nas Origens de São Paulo. Lá, apoiado em farta documentação, redimensiona o papel dos índios na história de São Paulo e desconstrói a baboseira de que o bandeirante paulista contribuiu para alargar e povoar o território brasileiro. Recoloca na história do Brasil, como sujeito, o negro da terra ou gentio da terra, expressão usada para designar o índio escravizado.

ACESSE O TEXTO NA ÍNTEGRA: 
http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1026

Extraído do blog Pesquisando a História do pesquisador Urano Andrade

http://uranohistoria.blogspot.com.br