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quarta-feira, 6 de março de 2013

LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


À venda nos seguintes locais
Mossoró - RN:
Praça da Convivência - Corredor cultural - Centro
CAFÉ E ARTESANATO
Natal - RN:
LIVRARIA NOBEL - Avenida Senador Salgado Filho, 1782. fone: (0xx) - 84 - 3613-2007
Campina Grande - PB:
Vila do Artesão
FURLÃO ARTE EM COURO - Biagio Grisi


R$ 35,00

OBS: Para encomendas externas, há o acréscimo da taxa dos correios.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

1º Encontro de Gonzagueanos em Fortaleza

Por: Kydelmir Dantas

1º ENCONTRO DE GONZAGUEANOS DO MEMORIAL GONZAGÃO
FORTALEZA - CE

DATA: 09/03/2013 (sábado) 
HORÁRIO: 16 h 
LOCAL: Rua Abelardo Marinho, 109 (esquina com a Rua Jorge Acúrcio) - Bairro Vila União  - 

PROGRAMAÇÃO
- Visita às dependências do Memorial; 
- Exibição do DVD “Gonzagão 100 anos”;
- Inauguração da “Feirinha de Caruaru”;
- Homenagens às mulheres pelo transcurso do
“Dia Internacional da Mulher”;
1ª Reunião para a criação da
Associação de Gonzagueanos do Estado do Ceará (AGONZECE);
- Entrega do Troféu Luiz Gonzaga:
“O Pernambucano do Século XX”,
“Comis e bebis”;
- Forrobodó Gonzagueano;

CONTATO:
Marcelo Leal (85)9951-7435
Nair Lima (85)9928-1015

http://cariricangaco.blogspot.com

A chegada de Sinhô Pereira ao Cariri Cangaço Parte I

Por: Jorge Remigio
Napoleão Tavares Neves e Jorge Remigio

Quando setembro vier, teremos o prazer de desfrutar a convivência por quase uma semana, com grandes personalidades do meio cangaceirístico, como também, de muitos amigos e amigas formados no seio desse encontro grandioso e singular, que é o CARIRI CANGAÇO. Este prima por dar um caráter cultural, didático e educativo ao evento, como também, tem a força de interagir plateias e pesquisadores nos seminários que sucedem nas cidades acolhedoras que fazem parte do circuito. A notícia da inclusão e discussão em seminário do personagem Sinhô Pereira, foi muito acertada. Parabenizo a organização do evento, pela escolha, sabemos o valor que tem o estudo desse que é considerado o maior expoente de um cangaço típico e não comum, que foi o cangaço de vingança. Mais acertado ainda foi o convite ao brilhante pesquisador, Dr. Leandro Cardoso Fernandes, que por afinidade é um Pereira, para proferir a palestra sobre o cangaceiro Sebastião Pereira da Silva. O Sinhô Pereira. 

O brilho do mito Lampião ofuscou a história de muitos cangaceiros de destaque que o antecederam. Personagem exaustivamente estudado e decantado ao longo da história, o qual se confunde até mesmo com o próprio cangaço. Cabe agora aos pesquisadores contemporâneos a tarefa de suprir essa extensa lacuna. O CARIRI CANGAÇO sai na frente e põe em discussão: Sinhô Pereira. Seu Rodrigues para os seus cabras. Uma de suas bisavós chamava-se Quitéria Rodrigues do Nascimento, mãe de Ana Sá, sua avó e irmã de Jacinta Rodrigues que se casou com o português José Pereira da Silva que migrou do sertão dos Inhamuns cearense, sendo os pioneiros da família Pereira na região do médio Pajeú. Os quais eram donos de extensa área territorial e constituíram uma numerosa prole.

Leandro Cardoso Fernandes

A fixação dos Pereira no Vale do Pajeú, mais precisamente em uma região que compreende hoje os Municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, seu Distrito Bom Nome e parte do Município de Flores, marca uma época de desbravamento dos ermos sertões, a luta com o gentio na disputa do espaço e da criação do gado em currais. Foi mesmo uma autêntica epopeia esse período, conhecido por ciclo do couro ou ciclo do gado. Sinhô Pereira tem sua gênese aí. Nasceu dessa cultura, dessa formação social, mesmo que um século depois, as vicissitudes do tempo não mudaram radicalmente a atmosfera cultural do ambiente.  Na primeira geração, os filhos do patriarca José Pereira e da sua esposa Jacinta Quitéria, vão ser muito importante para dar sequência ao domínio territorial já conquistado. Consolidando de vez os seus currais naquela região. Todos os filhos do patriarca vão ser tio avós de Sinhô Pereira, exceto Francisco e Ana que eram seus avós. 

O primeiro filho foi Simplício Pereira da Silva, casado com Ana Joaquina Nunes, essa, filha do sesmeiro Aniceto Nunes da Silva e de Antônia Lourenço de Aragão. Chegou ao título de Coronel da Guarda Nacional e foi o maior desbravador daquela mata virgem. Tornou-se uma lenda em sua época, os seus feitos são extensos, participou ativamente no sertão de várias convulsões políticas que se sucederam após a abdicação de D. Pedro I. Sua história carece de muitas páginas. O segundo: João Pereira da Silva casou-se com Antônia de Sá e era dono da Fazenda São Cristóvão em Belmonte. Terceira: Josefa Pereira da Silva, que se casou com Joaquim Nunes da Silva, irmão das esposas de Simplício e Manoel. Quarto: Antônio Pereira da Silva, casado com Constância Pereira da Silva, dono da Fazenda Campo Alegre. Quinto: Francisco Pereira da Silva, casado com Ana de Sá, fundador da Vila de São Francisco, avós de Sinhô Pereira e Luiz Padre. O grande industrial João Pereira Santos, vem desse ramo. Sexto: Manoel Pereira da Silva, casado com Francisca Nunes, irmã da esposa de Simplício. Foi a maior figura do clã dos Pereira, chefe político da família, liderava o partido Conservador no Brasil Imperial naquela região, era Comendador, Comandante Superior das Ordenanças de Flores, Ingazeira e de Vila Bela e Coronel da Guarda Nacional. Faleceu em 1862. Foi o pai de Andrelino Pereira da Silva, o Barão do Pajeú, o qual herdou a chefia política do pai. Andrelino foi o primeiro prefeito de Vila Bela (1892-1895) Sétimo: Vitorino Pereira da Silva. Foi presidente da Câmara Municipal de Vila Bela. Oitavo: Joaquim Pereira da Silva. Casou com Severina Pereira Aguiar e em segundas núpcias, com Constância Pereira de Sá. Ficou estabelecido no berço da família, ou seja, na Fazenda Carnaúba e era o pai de Manoel Pereira Lins, o Né da Carnaúba. Esse ramo deu vários prefeitos de Serra Talhada. Né Pereira era padrinho de Sinhô e primo legítimo do seu pai Manoel Pereira da Silva, o “Manoelzinho da Passagem do Meio”. Nono: Sebastião Pereira da Silva casado com a sobrinha, Januária Pereira da Silva, Irmã do Barão do Pajeú, filha do seu irmão Manuel Pereira. Foi Capitão da Guarda Nacional e em segundo casamento, desposou Maria Febrônea de Sá, que era filha da sua sobrinha Manuela Pereira, filha do seu irmão Francisco. Teve 32 filhos. Décimo: Alexandre Pereira da Silva, fazendeiro, o qual casou com Joana de Sá. Foi morto pelos fanáticos do Reino Encantado ou Pedra Bonita em 1838. Onze: Cipriano Pereira da Silva, solteiro, foi morto pelos fanáticos do Reino Encantado ou Pedra Bonita em 1838. Local atualmente pertencente a São José do Belmonte. Doze: Ana Pereira, se casou com Francisco Mariano de Sá. Treze: Mariana Pereira da Silva (interdita).


Como se observa, na primeira geração casou-se quase todos com as filhas e filho do casal José Mariano de Sá e Quitéria Rodrigues do Nascimento. No caso, já eram primos pela linhagem materna. A evolução da árvore genealógica desenvolveu-se principalmente nos casamentos próximos, consanguíneos de primos com primas basicamente. Porém, identifiquei cinco casamentos entre tio e sobrinha. Quais sejam: Os dois casamentos do Capitão Sebastião Pereira da Silva, já citados acima, o de Januária, filha do Barão do Pajeú, que casou com um irmão deste, José Pereira da Silva, são os pais de José Simplício Pereira Sá (Pereirão), que casou com a filha do Major José Inácio do Barro-CE, Virgínia Amélia Pereira de Souza. A filha de Andrelino, (Barão) Francisca Pereira da Silva (Dona Chiquinha), casou com o tio Manoel Pereira da Silva Jacobina, conhecido por Padre Pereira, pais de Luis Padre. Ele era irmão da mãe dela, Maria Pereira da Silva. Dos cinco filhos que tiveram, dois nasceram com problemas mentais. O Filho do Barão do Pajeú, o Coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva, casou com Maria Pereira da Silva, conhecida por Marica, filha de sua irmã Generosa Pereira da Silva. Essa consangüinidade facilitava o aparecimento de patologias na geração seguinte, como: Doença mental, bócio, surdez e mudez.

Quero ressaltar aqui, que vários membros da família Pereira, tiveram união matrimonial com Carvalho. Família também clânica e que se fixou naquela região nos mesmos moldes dos vizinhos. Pereira e Carvalho no decorrer das décadas seguintes desenvolveram-se como oligarquias fortes e com interesses comuns, ou seja, a disputa pela hegemonia do poder político naquela região. Portanto, o choque seria inevitável.  Em novembro do ano de 1848 na Comarca de Flores do Pajeú, eclode o primeiro conflito, dessa que seria uma duradoura contenda. Em espaços alternados, vingou até o ano de 1922. Encerrando-se quando o cangaceiro Sinhô Pereira abandona definitivamente a luta armada no Pajeú das Flores, e “navega” para as longínquas terras de Goiás.


No alvorecer do século XX chega à Vila Bela, monsenhor Afonso Antero Pequeno. De família influente politicamente no Cariri Cearense, que naquele momento ardia em conflitos coronelísticos, trazendo na bagagem o germe da discórdia e o espírito beligerante. Envolvido na luta do primo, Coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, que tentava depor o Coronel José Belém de Figueiredo, vice-presidente do Estado do Ceará (1904), requisitou junto às lideranças políticas dos dois clãs, Pereira e Carvalho, armas, munição e um contingente considerável de jagunços para reforçar a facção do seu parente. A negação do Coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva ao pedido do padre caudilho e consequentemente a concordância em tudo pela liderança dos Carvalho, Coronel Antônio Alves do Exu, fez com que o pároco passasse a interferir e interceder favoravelmente junto aos Carvalho, na luta e interesses políticos das duas famílias. Nas eleições municipais de 1907, foi eleito prefeito de Vila Bela com o apoio da família Carvalho, empurrando os Pereira para oposição. Abrindo um parêntese e voltando dois anos, 1905 é uma data de sangue. No centro de Vila Bela, dia da feira livre, é ferido gravemente à bala, falecendo dias depois, Manoel Pereira Maranhão, conhecido por Né Delegado, recentemente deposto do cargo, era primo legítimo do pai de Sinhô, sendo o autor do crime: Antônio Clementino de Carvalho (Quelé), o qual se refugia na residência do Monsenhor Afonso Pequeno, próximo ao local do fato. Após muito tumulto, o padre negociou a entrega e prisão do amigo, sendo este, posteriormente desaforado para comarca de Flores. O padre fez questão de atuar como um segundo advogado de defesa do réu na tribuna do júri, onde fora este absolvido. 

Né Delegado quando convalescia, pediu para os parentes não executarem vingança, reconhecendo ele, que fora intempestivo e inconsequente, quando investiu contra Quelé. Aquele ano de 1905 foi precursor do acirramento e de vários desentendimentos entre membros das duas famílias, expondo mais ainda o Coronel Antônio Andrelino, já bastante desgastado politicamente junto à oligarquia Rosista. O Comendador Rosa e Silva dominou a política pernambucana por quase duas décadas, sendo o clã dos Pereira seus correligionários fies. O setuagenário Manoel Pereira da Silva Jacobina, pai de Luis Padre e tio de Sinhô, ganhou o apelido de Padre Pereira por ter sido seminarista. Sendo uma pessoa sensata e de índole conciliatória, passou a ser requisitado com frequência para apaziguar as rusgas familiares. Ele tinha sido o segundo prefeito de Vila Bela (1895-1898). 

O final do ano de 1907 se aproximava e mais precisamente no dia 15 de outubro, é morto de emboscada o Padre Pereira, pessoa muito amada e respeitada pela família e por quase toda população de Vila Bela. O crime de emboscada na cultura sertaneja é conceituado como um ato covarde, traiçoeiro, desprezível. O chamam pejorativamente de crime de pé de pau. Para as pessoas daquela região, esse tipo de crime é uma atitude infamante, digna de repúdio. O crime de homicídio “a peito” é até justificado naquela cultura braba. Existem versões para os motivos que deram causa a esse atentado contra Padre Pereira. O mais plausível, entendo que tenha sido um acerto de conta entre João Nogueira, que era casado com Benvenuta Pereira, conhecida por Benuta, sobrinha da vítima e meia irmã de Sinhô Pereira. A sucessão de casamentos ao longo dos anos entre Nogueira e Carvalho, resultou em uma só família.

Museu do Cangaço em Serra Talhada

João Nogueira insistia em requisitar a parte de terras na herança da esposa, uma vez que a mãe desta, Úrsula Alves de Barros, já havia falecido. O sogro, Manoel Pereira da Silva, o “Manoelzinho da Passagem do Meio”, foi consultar o irmão, no caso Padre Pereira, e esse opinou que não seria oportuno vender e partilhar suas terras naquele momento. Resultou então, em uma inimizade e um ódio cego por parte de João Nogueira contra Padre Pereira. O qual contratou os cabras: Luis de França, Manoel Tomé e Mariano Mendes, para eliminar o seu desafeto. A comoção foi grande no seio da família Pereira, principalmente por parte da viúva, Francisca Pereira da Silva (Dona Chiquinha), que era esposa, sobrinha e prima segunda da vítima. Esta, de temperamento forte e no calor da hora, convoca alguns sobrinhos do esposo e primos: Manoel Pereira da Silva Filho, conhecido por Né Dadu, era o mais afoito, Pedro Pereira Valões, Manoel Pereira Valões, o cabra Pedro de Santa Fé e outros mais, para executarem a vingança imediata. Nessa ocasião, Sebastião Pereira contava com onze anos e Luis Padre, filho da vítima com quinze anos.

O sobrenome Valões, foi uma criação de Aureliano Pereira da Silva, irmão do Barão do Pajeú e avô de Sinhô. Ele registrou três filhos, dos nove que teve com Maria Pereira da Silva, com sobrenome Pereira Valões. Conta-se que este lia uns livros sobre França e Bélgica e achava bonito o sobrenome Valões. O grupo formado na emoção parte para vingança. Executam Joaquim, irmão de João Nogueira, e em seguida, cometem um assassinato torpe. Matam Eustáquio Carvalho, que era um velho bondoso, sem envolvimento naquela guerra dos clãs. A alegação era que tinha que morrer alguém dos Carvalho com índole boa, parecida com a do Padre Pereira. ”Os Carvalho tinham que sentir a mesma dor que os Pereira sentiam naquele momento”. São atitudes medievais, herdadas de um Portugal arcaico e por anos isolado de uma Europa revolucionária, política e industrialmente. Tem início agora, a fase mais crucial da beligerância familiar. Né Dadu assume a chefia da luta, é agora o braço armado da família, reagindo e investindo contra os inimigos.

Continua...

Jorge Remígio

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terça-feira, 5 de março de 2013

Alcides Dias Fernandes e o ensino comercial em Mossoró - 03 de Março de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 27 de agosto de 1911 era fundada em Mossoró a Sociedade União Caixeiral, num dos salões do antigo Colégio dos Padres. Entre outros auxiliares do comércio, foram seus sócios fundadores: Alcides Galvão de Miranda, Afonso Freire de Andrade, Raimundo Nonato de Souza, Sebastião Fernandes Gurgel, Antônio Filgueira Secundes, Luiz Bom, Francisco Isódio de Souza e Manoel Marques, que foi o seu primeiro presidente. 


Alcides Dias Fernandes, embora muito jovem, cedo se enfileirou nas atividades desse grupo associativo, onde alcançou posição de liderança na sociedade, sendo eleito presidente da mesma, mandato que exerceu durante mais de 20 anos, realizando uma administração extraordinária. Seu trabalho na presidência da União Caixeiral tinha sempre uma tarefa nova para começar. Mal terminava um plano e já estava com outro em elaboração, pensando como executá-lo.
           
O primeiro dos grandes movimentos que encabeçou foi à construção do prédio da União Caixeiral, na Praça da Redenção nº 17, no local onde foi à casa de Gaudêncio Noronha. Foi uma obra de coragem, de confiança no próprio esforço, de constante trabalho do homem que não se intimidava com empecilhos. A obra era tão grande e arrojada para a época, que muitos duvidavam que ele conseguisse concluí-la, já que os recursos eram escassos.
               
Para levantar fundos, organizou um plano de pequenas ações de dez mil réis cada uma, que eram subscritas, muitas delas, à revelia dos próprios portadores, que seriam amortizadas por sorteios, conforme o tempo da emissão. E quando se procediam alguns desses sorteios, que era dirigido pelo grupo constituído Poe ele próprio e mais João Almino de Souza, Raimundo Nonato Fernandes e Raimundo Firmino de Oliveira, alguns dos beneficiados, como era o caso de Vicente Fernandes, ele dizia: “João Almino, faça uma carta para eu assinar, pedindo para a importância ser revertida em benefício da própria União, pois não há, na verdade, dinheiro para pagar o resgate.”
              
Assim foi construído o prédio da União Caixeiral.
               
Em 1936 o Estado do Rio Grande do Norte passava por um momento conturbado com a deflagração do movimento que ficou conhecido como Intentona Comunista. Esse movimento modificou totalmente o ritmo da vida e das atividades, até da segurança pública. Mas mesmo nesse período Alcides Fernandes continuou com seus sonhos e iniciou outro empreendimento muito arrojado para a época que era a criação de uma escola de comércio, que viesse a funcionar no regime de inspeção do Ministério da Educação. Então, contando com o apoio de outro sonhador, que foi o acadêmico Thiers Rocha, criou a escola de ensino que seria a pioneira do ensino profissional de contabilidade no interior do Estado e que foi realmente instalada naquele ano de 1936.
               
Para a organização da Escola, teve de recorrer a experiência da Escola de Comércio de Natal, do professor Ulisses de Góis, que vinha de 1919 quando foi fundada por D. Adauto, Arcebispo da Paraíba. E de lá chegaram, com muito boa vontade, as instruções indispensáveis para a organização do processo do pedido de verificação prévia ao Ministério da Educação. Em 1937 um inspetor federal, chegado do Recife, visitou a Escola, dizendo trazer a melhor recomendação que podia para Mossoró, credenciado pela amizade do professor Tércio Rosado.
               
A bem da verdade, a Escola só possuía, em ótimas condições, o prédio. Não havia nada além das salas de aula e do sonho de fazer-la sobreviver. As recomendações de Tércio Rosado ajudaram muito, pois o inspetor federal se mostrou muito compreensivo e sem falta do cumprimento de sua missão, orientou, ajudou, incentivou aquele trabalho. Assim, debaixo de fiscalização oficial, inicia o funcionamento do primeiro ano do curso preparatório, tendo no seu corpo docente os professores Sólon Moura, Raimundo Gurgel, Antônio Francisco, Raimundo Andrade Araújo, Carlos Borges de Medeiros e Guiomar de Oliveira.
               
Há homens que plantam couves. Há homens que plantam carvalhos. Disse isso Rui Barbosa. Alcides Fernandes pertencia a este último grupo. Plantou árvores seculares, que desafiavam o próprio tempo. (continua na próxima semana).

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte:
http://www.blogdogemaia.com

Autor:
Geraldo Maia do Nascimento

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III Congresso Nacional do Cangaço

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O novo Papa

Por: Rogério Mota
Rogério Mota

Os católicos do mundo inteiro esperam com muita ansiedade pela eleição e nomeação do novo Papa. Este processo já começou na cidade do Vaticano e os preparativos para a reunião entre todos os Cardeais, o Conclave, é de muito respeito e tradição pela Constituição da Igreja Católica. Soubemos de muitos motivos da renúncia do papa Bento XVI e entre os motivos maiores, foram os estragos causados por encobrimentos de vários Cardeais nas suas paróquias tais como: pedofilia, roubalheira e outras gatunagens. Esse é um procedimento que recentemente nós brasileiros assistimos e ficou por isso mesmo, dois fichas sujas foram eleitos os presidentes do Senado e da Câmara Federal. Rezemos e pedimos ao Espírito Santo que isso não ocorra em Roma. Torcemos para que o nosso Santo Papa seja digno e merecedor em todos os sentidos do trono de São Pedro e o representante maior da Igreja Católica.

Rogério Mota

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A espera é de todo lugar...Cariri Cangaço 2013 !

Manoel Severo, Aderbal Nogueira e Wilton Dedê

Manoel Severo, tô todo "arrupiado" com as noticias do Cariri Cangaço 2013. Acho que na sua viagem pra falar com Vicente Macedo eu também vou. Tenho que tratar de outro assunto com ele.Ele quer fazer um documentário sobre Aurora. Se a ideia vingar quero fazer com Aderbal Nogueira.  Quero te propor uma coisa: Nonato Luiz tem um show só com músicas de Luiz Gonzaga, que tal um show na abertura do evento? Conte comigo novamente...

Wilton Dedê


Severo, Conte comigo em todo Cariri Cangaço e inclusive para pensarmos como será a atividade; debates, visitas e
homenagem póstuma ao Alcino.

Vilela, Alcino e Rubinho

Aguardo você!!!

Felipe Caixeta
Rio de Janeiro - RJ


Caríssimo Manoel Severo. Estou entusiasmado com esse IV encontro do Cariri Cangaço. Desde já, dentro das minhas possibilidades, estou à disposição do amigo e toda sua equipe. Em tempo, se Deus permitir estaremos juntos no Cariri Cangaço 2013.

Estou contando os dias, quando setembro vier.
Saudações cangaceiras e Grande abraço,

Luiz Ruben
Paulo Afonso - Bahia


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Cariri Cangaço é apresentado a Conselheiros em Natal


O Cariri Cangaço esteve em Natal neste último final de semana  reunindo alguns de seus Conselheiros em terras norte riograndense. Ao encontro estiveram presentes o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, os Conselheiros Honório de Medeiros, Múcio Procópio e Ivanildo Silveira, e ainda os confrades Cel. João Marinho, pesquisador Carlos Alberto e Bárbara de Medeiros.

Na oportunidade Manoel Severo fez uma breve apresentação do que se está construindo para a quarta edição do evento, as modificações, as novidades , os novos parceiros, as temáticas e a grande expectativa quanto ao encontro de 2013.


Para Múcio Procópio "É sempre uma grande honra estarmos juntos no Cariri Cangaço, um evento de qualidade e credibilidade inegáveis", Ivanildo Silveira destacou "a grande construção coletiva, unindo o talento de todos para termos um espetacular evento"; já Honório de Medeiros reafirmou o incondicional "apoio de todos os Conselheiros ao Cariri Cangaço 2013".

Manoel Severo destacou as principais modificações para a edição 2013, como "as Avant Premier, duas delas já confirmadas para Lavras da Mangabeira e Piranhas; o novo formato de Conferências e de Mesa de Debates e ainda momentos específicos para Discussões Técnicas , sem falar nos mais de vinte lançamentos de novos livros sobre a temática e dez novas produções em vídeo". Ao final ficou confirmado um novo encontro com os confrades do Rio Grande do Norte, desta vez na capital do oeste potiguar: Mossoró.

Cariri Cangaço

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segunda-feira, 4 de março de 2013

Convite com programação do 1º EGOMEGO - Fortaleza-CE


DATA: 09/03/2013 (sábado)
HORÁRIO: 16 h 

LOCAL: Rua Abelardo Marinho, 109 (esquina com a Rua Jorge Acúrcio) - Bairro Vila União  -

PROGRAMAÇÃO

- Visita às dependências do Memorial;
- Exibição do DVD “Gonzagão 100 anos”;
- Inauguração da “Feirinha de Caruaru”;
- Homenagens às mulheres pelo transcurso do “Dia Internacional da Mulher”;
- 1ª Reunião para a criação da Associação de Gonzagueanos do Estado do Ceará (AGONZECE);
- Entrega do Troféu Luiz Gonzaga: “O Pernambucano do Século XX”, com os respectivos diplomas;
- “Comis e bebis”;
- Forrobodó gonzagueano;
- Encerramento

TELEFONES PARA CONTATO: Marcelo Leal (85)9951-7435 ou Nair Lima (85)9928-1015

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço: 
Kydelmir Dantas

Foto inédita na literatura

Esta foto vocês já conhecem...
Os cangaceiros Jurema, Jureminha e Nevoeiro

E a dos seus "três matadores"?

Otacílio, José Calixto e Alfredão

Os três deram cabo dos cangaceiros na fazenda Cabeçuda, próxima de Uauá-BA. Esses cadáveres não foram exumados como Corisco e haviam sido levados do local das mortes, direto para a cidade de Uauá, onde foi batida a foto.

Detalhes mórbidos: Aquela coisa branca na boca do "Jureminha", dizem ser coalhada que o bandido comeu em excesso no coito antes de serem surpreendidos pelos matadores. Apesar da foto P&B é nítida a saponificação dos cadáveres, um processo de mumificação natural, os lipídios se transformam em sabão, dando origem a uma substancia conhecida como "adipocera". (Substância cerosa ou untuosa, acastanhada, que consiste principalmente em ácidos graxos e sabões de cálcio e é produzida por alterações químicas que afetam a gordura e músculos e que precisa de muita umidade para acontecer).

Ainda na mesma foto vemos claramente as cordas nas pernas dos cangaceiros e que foram utilizadas para amarrar os corpos nos cavalos que os transportaram da fazenda até a cidade. Otacílio, José Calixto e Alfredão eram civis.

Fotos: Rubens Antônio
Texto: Marcelo Toledo

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2013/03/foto-inedita-na-literatura.html

domingo, 3 de março de 2013

Nota de falecimento


Aos sócios e amigos da SBEC.

Comunicamos o falecimento do Prof. Gonzaga Chimbinho ocorridoneste sábado, 2 de março. Gonzaga era Ex- reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e proprietário da Livraria Independência, na cidade de Mossoró.

O Prof. Gonzaga Chimbinho através de sua empresa sempre esteve ao lado de nossa entidade em todos os eventos organizados.

Neste momento de luto queremos enviar à família nossas condolências.

* O velório ocorre neste domingo, dia 03 de março, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, em atendimento ao pedido do professor Gonzaga Chimbinho. O horário do sepultamento não foi informado.

Descanse em paz colega professor Gonzaga.

Att. Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC

* Informações do site da UERN

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sábado, 2 de março de 2013

Caraibeiras

Por: João de Sousa Lima

Aguardem as fotos das
Caraibeiras!

João de Sousa Lima



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Humberto de Campos

Por: Manoel Neto

Três vezes Lampião

Popularíssimo nas primeiras décadas do século passado com uma legião incontável de leitores espalhados por esse país continental, Humberto de Campos Veras, maranhense, nascido no ano de 1886, em Miritiba – cidade que hoje carrega o seu nome – morreu prematuramente no ano de 1934, aos 48 anos, no Rio de Janeiro, para onde se transferira em busca de melhores condições de trabalho e de vida, tendo com ele desaparecido sua popularidade, sendo hoje absolutamente ignorado pela grande maioria dos brasileiros, mesmo àqueles menos desinformados.

Garoto pobre, órfão de pai nos primeiros anos da sua breve existência, Humberto cedo conheceu a obrigação cotidiana do trabalho, transformado que foi com o passamento do seu genitor, em arrimo de família. As tarefas cotidianas se dificultaram sua ida à escola não o afastou, porém, dos livros e das leituras, amor que carregaria por todo tempo.

Autor prodigioso, dono de uma prosa fluente e erudita, porém, saborosamente coloquial, o escritor maranhense que também viveu no Pará, estreou na literatura com o volume de poemas “Poeira” entregue ao público em 1910, quando contava 24 anos de idade. Capítulo em separado dos seus escritos são os “Diários Secretos”, narrativa em dois volumes que postumamente lançadas provocou escândalo entre os intelectuais e a sociedade como um todo, em razão das inconfidências e comentários desairosos sobre figuras de destaque na vida pública da Capital Federal, o  provocando constrangimentos generalizados.


Desembarcado no Rio de Janeiro em 1912, procedente de Belém do Pará, onde já se fizera notório como cronista escrevendo para os jornais “Folha do Norte” e “Província do Pará”, galga prestígio rapidamente e já em 1919 é eleito para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira número 29, sucedendo ao seu amigo Emílio de Menezes, láurea que vai lhe acrescer em fama e respeito junto aos seus leitores e pares.

Prosador e poeta, crítico, jornalista e político, Campos nos legou uma obra que relida nos dias que correm demonstram o seu talento singular, em que pese fortemente marcada pela temporalidade, o que por outro lado nos permite também revisitar o país que Humberto viveu e reportou com a assiduidade de um militante da palavra que ele incontestavelmente o foi, Diria mesmo que os seus textos são fontes documentais valiosas para o historiador que deseje estudar o Brasil daqueles dias tumultuados.

Pois foi relendo um dos seus muitos trabalhos, conjunto de crônicas  reunidas e que originaram os volumes “Notas de Um Diarista”, publicados em duas séries, nos anos de 1935 e 1936, após o falecimento do escritor, que surpreso constatei não ter passado despercebido ao cronista, as façanhas do Capitão Virgolino Ferreira nas caatingas da Bahia e outros estados nordestinos. Ao contrário, mais de uma vez ele fez do cangaço o seu tema, o que ratifica ter sido o assunto recorrente na imprensa “brasilis” do Oiapoque ao Chuí.

 

A primeira destas crônicas – “A Última Proeza de Lampião” – estende-se da página 27 a pagina 30, em frente e verso. Logo de saída o articulista anuncia a sua fonte de informação:

“Um telegrama da Bahia, publicado ontem no Rio de Janeiro, descreve mais um feito sanguinário do maior e mais terrível sanguinário que tem imperado nos sertões do Brasil: a frente de 60 apaniguados ferozes e bestiais, “Lampião” invadiu a vila de Curuçá [1] (sic), estuprou, roubou, depredou, matou, afixou, enfim, em cada rua e em cada casa, o selo fatídico e vermelho  que assinala sempre a sua passagem. Quinze homens válidos e pacíficos tombaram sangrados pela suas mãos. E o coração de um deles, arrancado pela garganta, foi levado em troféu entre gritos de animação, de entusiasmo e de vitória”. (CAMPOS. Notas De Um Diarista, p. 27).

O forte apelo dramático do texto não é casual. Ao apresentar para seu leitor homens ferozes e bestiais, violentos e capazes de ações que nos remetem a barbárie, Humberto de Campos não foge a regra vigente, era assim que a mídia retratava os cangaceiros. Demonizá-los era imprescindível para justificar a violência do braço aramado do Estado. Não há dúvida que os bandos que infestavam o Nordeste, usavam o terror como instrumento de coação e controle sobre as populações, notadamente os grupos sociais mais vulneráveis, geralmente trabalhadores rurais e pequenos proprietários. Para aqueles que não aderiam direta ou indiretamente ao cangaço, integrando os bandos ou servindo como coiteiros e informantes, a existência era perturbada pela atribulação, pela violência que partia tanto dos grupos marginais, quanto do próprio Estado, através das volantes que agiam de forma arbitrária e discricionária.

Curaça em dias atuais - In: www.geraldojosé.com.br

Quanto à notícia propriamente dita ela merece muitos outros reparos. Que a  região e a cidade eram local de passagem contumaz dos malfeitores e das forças de repressão é fato incontestável. Duvidosa é a informação de que Virgolino se fizera acompanhar de “60 apaniguados”, quando nesta fase da luta o Rei do Cangaço já procedera à subdivisão do seu pessoal dispersando-os em pequenos ajuntamentos, visando maior mobilidade e, por consequência, mais segurança. Por outro lado ataque de tal monta, com tantos mortos, mutilados e violência sexual repercutiria muito mais amplamente. Na Bahia mesmo temos como exemplo a chacina em  Queimadas, no ano de 1929, incidente até hoje fartamente documentado e referenciado por escritores, jornalistas e pesquisadores.

Compulsando documentos Curaçá e sua história, recolhemos algumas informações bastante úteis e esclarecedoras que nos ajudam a dissecar os acontecimentos mencionados pelo cronista. Vejamos:

1) Em 1933 – a crônica foi escrita após 1930 e não pode ultrapassar 1934, ano do falecimento do autor – o município de Curaçá além da sede englobava os distritos de Ibó, Chorrochó, Patamuté e Barro Vermelho – todos com registros de ocorrências que relatam a passagem de cangaceiros. Várzea da Ema ponto de visitação repetido dos cangaceiros e que até 1911 pertencia a Curaçá, em 1933 já não integra o município sanfranciscano.

2)  “Documento publicado em 2004, noticiando história do município, no capitulo referente ao “Processo de Urbanização de Curaçá”, anota: “ [...]
3) Recordam-se os mais velhos que no início da década de 1930,  inúmeras casas foram construídas nos limites da cidade pelos produtores rurais. Estes abandonaram suas roças do interior do município por sentirem-se vulneráveis diante do conflito existente na região provocado por Virgolino Ferreira da Silva, conhecido por Lampião, o Rei do Cangaço, Lampião chegou a liderar 200 cangaceiros e a milícia destacada pelo Governo para matá-los era conhecida como volante. “A população rural amedrontada temia tanto os cangaceiros pela sua violência, como as volantes pela sua maldade e perversidade (grifo nosso)”.(AGENDA 21. Distrital, p. 8)

Recorremos ainda a estudiosos que se mostraram surpresos não só com a existência das crônicas, mas, sobretudo, a menção de um ataque de tamanha virulência naquela cidadezinha sertaneja.

Antonio Amaury e Kiko Monteiro

O mestre Antônio Amaury Correa de Araújo, nome que dispensa apresentação pela credibilidade e conhecimentos sobre cangaço e cangaceiros, nos informou que Lampião realmente esteve em Curaçá na década de 1930, sendo que na ocasião duas mortes ocorreram, até porque, os membros da família Engrácia, de cujo seio saiu 23 cangaceiros – dentre eles Antônio e Cirilo de Engrácia – eram naturais da região, sendo, pois, bastante conhecidos naqueles lugarejos, o que assegurava relativa tranqulidade aos salteadores, que se mostravam sempre bem informados e municiados pelos amigos que mantinham naquelas paragens. Deu-nos ciência Amaury que estes dados lhe foram transmitidos por certo Sr. Cândido, mais conhecido como Candinho, nascido e criado em Curaçá e testemunha presencial do acontecido. Sobre o assombroso número de 15 mortos, uma delas tendo o coração de “tirado pela boca” o coração, o renomado pesquisador não tem notícia, classificando-a como a muitas outras, de informações fantasiosas da imprensa da época.

Não pretendemos em absoluto negar os crimes, alguns bastante cruéis, cometidos pela gente do cangaço, ao contrário, como já mencionamos neste texto o uso do terror como forma de intimidação foi uma estratégia largamente utilizada pelos cangaceiros. Como sempre ressalta o escritor Frederico Pernambucano de Melo, este é um procedimento que dificultava, sobremaneira, a ação coibidora do Estado, porquanto, inibe o aparelho policial e judiciário, em decorrência da inexistência de testemunhas que se dispusessem a depor, temerosas das represálias que certamente ocorreriam advindas dos denunciados. Voltando ao documento produzido pela AGENDA 21, parcialmente reproduzido acima, é importante a menção às fontes orais ouvidas pelos pesquisadores, confirmadoras da “maldade e perversidade” das volantes. Sempre é bom lembrar que trajados de maneira muito assemelhada aos cangaceiros, composta em esmagadora maioria por homens nascidos e criados nos sertões nordestinos, as guarnições militares que percorriam as caatingas em perseguição aos bandoleiros, cometiam seguidas arbitrariedades, não poupando, inclusive, idosos e inocentes, não sendo incomuns queixas de abusos sexuais cometidos pelos soldados e, até mesmo, alguns graduados.

Dando curso as suas reflexões Humberto prossegue alertando que o prolongamento do fenômeno e a inconcebível, para ele, impunidade dos transgressores, começa a gerar indiferença entre os brasileiros, Escreve observando que [...]

“A princípio, ao ler a comunicação de uma destas façanhas o país se comovia e indignava, reclamando dos poderes públicos o ponto final para o feio poema de sangue e lama. As vozes que se erguiam, foram, porém, caladas nos peitos que as emitiram. È hoje com indiferença quase criminosa que se tem conhecimento dessas selvagerias do bandoleiro. E Lampião de pavio aceso, continua desafiando o Brasil (CAMPOS, p. 27).

Atribui essa indiferença da opinião pública antes tão sensível ao noticiário sobre o assunto a incapacidade das autoridades no Governo Federal e nos Governos estaduais diretamente afetados pela insidiosa atividade do cangaço, para enfrentar e dar cabo de lampião e seus seguidores. Para ele falta vontade política, determinação administrativa e investimento financeiro para derrotar os bandidos, embora reconhecendo que “O Governo da República tem uma infinidade de problemas a resolver” (Cf. ob.cit. p. 28). Indaga se “ os Estados nordestinos não possam reunir um contingente de 200 homens, escolhidos entre os melhores elementos das suas milícias policiais?”(idem).Repara que os governos quando desejam perseguir adversários políticos são ágeis e eficientes, inferindo:

“A sofreguidão com que se organizam forças para a politicagem dos governos, e a impossibilidade, que se encontra em mobilizá-las para a defesa do povo e da dignidade nacional, não constituirão um índice triste e amargo da capacidade ou da incapacidade dos homens públicos do nosso tempo? (ibidem).

Não quer ou não consegue perceber que o cangaço é decorrência das mazelas históricas da sociedade brasileira, no caso, em particular, da vida rural no Nordeste. Insulados nos latifúndios imensos, submetidos com suas famílias a tutela dos coronéis poderosos, os camponeses, vítimas desvalidas dos potentados, fazem-se descrentes do juiz e do delegado, do organismo judiciário e policial, “lavando com sangue” em alguns casos a honra de  uma filha molestada sexualmente ou uma desfeita que lhe humilhou e ofendeu de forma profunda. Feita a desgraça não há mais retorno Muda de hábitos e de vida. Caminha lado a lado com outros homens induzidos por diferentes ou pelas mesmas razões àquele caminho. Não compreende Humberto de Campos, talvez antolhado pelo espírito da época, que a subsistência do cangaço somente ocorre por interesses das classes dominantes e das autoridades. O fornecimento de armas, munições e alimentos, a venda de informações estratégicas e o uso dos grupos armados para intimidar e eliminar adversários políticos e concorrentes comerciais sabemos hoje, proporcionou lucros e prolongou o poder de muita gente boa. Sem coiteiro o cangaço não teria duração tão prolongada. Lampião, Corisco, Zé Baiano, Ângelo Roque, Gato e tantos outros, tornaram-se profissionais numa atividade altamente compensadora, arriscada, periculosa, desconfortável quase todo o tempo, entretanto, com lucros materiais nada desprezíveis.

Ângelo Roque, vulgo "Labareda"

A produção do próprio espaço em que operava foi tarefa que o gênio de Lampião empreendeu com absoluta competência. Teceu com paciência e habilidade de negociador político arguto, diversificada rede de colaboradores, que foram decisivos para o funcionamento e a dinâmica do cangaceirismo. Mesmo nos momentos mais duros, como nas grandes estiagens, essa rede logística podia claudicar, entretanto, não deixava de prover as necessidades das “tropas cangaceiras”. Assim o dinheiro circulava, corria solto, cevando os bornais de muito graúdo. Se múltiplos fatores podem explicar o cangaço, não menos complexas são as causas da sua extinção. Quando a roda inexorável da história gira, cumprindo a sua dialética irreversível, a realidade se altera carregando de roldão mais cedo ou mais tarde, de uma ou de outra forma, todos que não compreendem este processo ou contra ele se colocam por convicção política e ideológica.

Voltando ao texto de Campos, nos parágrafos seguintes ele imerge em duas considerações capitais para o entendimento do seu modo de pensar. Ao final da página 28 e no começo da seguinte, ele retoma a idéia de que o banditismo rural, tomando aqui o conceito de Hobsbaw [3], apresenta-se já como uma “calamidade comum, ordinária, como a lepra, como a tuberculose, como as epidemias que, pela persistência e continuidade, se tornaram familiares” (CAMPOS, PP. 28. 29.

Usa ainda um exemplo que foi buscar no historiador paraense Ignácio Moura [4], que segundo Humberto, informa em um dos seus estudos “que no Alto Araguaia há quarenta anos, o bócio [5]era tão vulgar, e se achava tão generalizado, que as pessoas sem papo eram olhadas, quase, como defeituosas” (Cf. CAMPOS, p. 29).

O texto na sua continuidade ingressa em etapa propositiva e a panacéia é objetivamente indicada, remédio ortodoxo e prontamente erradicador do mal: “Já é tempo, entretanto, de os homens que têm uma pena apelarem para os homens que têm uma espada, em lugar de se dirigirem, apenas, àqueles que têm o mando” [...] Há no Exército, e nas milícias dos Estados do Sul, numerosos oficiais briosos e valentes, nascidos nas regiões que Lampião castiga com a sua ferocidade e humilha com a sua depravação São baianos, alagoanos, sergipanos, pernambucanos, cearenses, rio-grandenses-do-norte”  (ob.cit. p. 29).

Fica evidente que a proposição é federalizar o problema, solução que na cabeça não só do escritor maranhense, mas de muita gente, equacionaria o impasse da falta de recursos humanos e armamentos. Nada de novo no front.  Inevitável evocarmos aqui a história e colhermos no fundo do baú os exemplos de Canudos, Contestado, Caldeirão Grande e Pau de Colher [6], sublevações camponesas com fortes conotações religiosas, que tratadas como assuntos meramente policiais produziram resultados sangrentos.

Profundamente apegados as suas crenças e crendices, os cangaceiros de um modo geral não se apartavam dos seus santos, rezas e escapulários, para não falar das correntes com medalhas e relicários, objetos pelos quais tinham predileção estética e devoção contrita. Todavia, se oriundos da mesma matriz social e física e perlustrando o mesmo espaço geográfico, cangaceiros e beatos seguiram rumos diferentes. Os beatos eram pastores de almas e obcecados realizadores de obras civis e religiosas, como demonstram os apostolados operosos do Padre Mestre Ibiapina, de Antonio Conselheiro e do Beato José Lourenço [7]. Lampião seus companheiros e seguidores não se propunham a reformar o mundo ou a uma prática social profilática junto à pobreza, agiam exclusivamente para sobreviver e garantir o amealhamento de valores em dinheiro e metais preciosos. Vez por outra, mormente, quando precisavam de ajuda ou informação, sabiam ser generosos e pródigos na distribuição de favores e numerários. Cultivavam também seus afetos e cuidavam para que os seus amigos e familiares tivessem existência menos atribulada, na mediada do possível. Ao concluir sua crônica Humberto de Campos, ressalva:

“Bato, neste momento, pela primeira vez, com a minha mão de paisano, à porta dos quartéis. E tenho quase a certeza de que meus olhos não verão em nenhuma delas o dístico da porta do Inferno, o qual ordenava aos que entravam, que deixassem, ali, toda a esperança.... “. (CAMPOS, ob.cit. p.30).

Finaliza como iniciou, repercutindo a notícia telegráfica que lhe ordena à consciência por cobro ao cangaço, infrene e desinteressado sobre as causas e sobre os homens que de pacatos camponeses transformaram-se em salteadores de estradas e cidades, latrocidas e sequestradores, como se tal forma de vida não os castigassem severamente. Afinal quase todos tiveram vida breve, morreram jovens e os que sobreviveram jamais voltaram a delinqüir. Mas o notável escritor a isso não pode ver, porquanto, ele também partiu prematuramente.

[1] Curuçá, como grafou Humberto de Campos é uma cidade do Pará, como também, um distrito  com topônimo semelhante, pertencente à cidade de São Paulo.  Na Bahia existe o município de Curaçá, cuja existência como tal remonta ao final do século XIX, mais precisamente 1890, quando o local foi elevado a categoria de cidade, estando inserido até hoje me zona onde transitaram e de onde saíram muitos cangaceiro zona do semiárido baiano.

[2] Ouvimos também os escritores e pesquisadores Oleone Coelho Fontes e Luiz Rubem Bonfim, autoridades reconhecidas na matéria, que desconheciam o fato mencionado no telegrama que Campos tomou como fonte para o seu comentário.
[3] Hobsbaw. Eric.Bandidos. Editora Forense Universitária. Rio de Janeiro, 1976. 148 p.il:.

[4] Ignácio Moura (1857-1929), nascido em Cametá, município paraense, era jornalista, escritor, professor, poeta.

[5] Bócio- Moléstia que ataca a tireóide, sendo popularmente conhecida como “papo”.

[6] Canudos e Pau de Colher na Bahia. Caldeirão Grande no Ceará e o Contesto entre os Estados de Santa Catarina e Paraná. O rescaldo final da repressão soma milhares de mortos, inclusive, velhos, mulheres e crianças.

[7] Ibiapina fundou as Casas de Caridade que assistiu e educou centenas de mulheres pobres. Antonio Conselheiro ao longo de sua caminhada ergueu e reparou templos e cemitérios, além de providenciar aguadas e pequenos açudes para saciar as populações esquecidas dos sertões. Quanto ao beato José Lourenço transformou em fértil e produtiva propriedade as terras do Caldeirão.

Manoel Neto
Centro de Estudos Euclydes da Cunha – CEEC                             
E-mail: ceec@listas.uneb.br – TELEFAX (71) 33215081
Portal: www.uneb.br/ceec

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sexta-feira, 1 de março de 2013

Pausas no trabalho são mais importantes do que exercícios para prevenir diabetes tipo 2 Evitar ficar muito tempo sentado reduz o risco de desenvolver a doença, diz estudo

Por Minha Vida - publicado em 01/03/2013

Levantar da mesa do trabalho por cinco minutos a cada meia hora pode ser mais importante do que frequentar a academia quando se fala em prevenção do diabetes tipo 2. Isso é o que mostra um estudo publicado quarta-feira (27) no periódico Diabetologia. A descoberta foi feita por acadêmicos da Leicester University, no Reino Unido.

Para chegar a essa conclusão, foram observados os níveis de atividade física e sedentarismo de quase 900 pacientes. Os pesquisadores avaliaram o tempo que os participantes passavam sentados, com que frequência se levantavam de suas mesas no trabalho e se praticavam atividades físicas. Em seguida, eles relacionaram os dados colhidos com os níveis de açúcar no sangue e o bom colesterol (HDL).

Embora aqueles que praticavam exercícios moderados ou intensos tivessem menor chance de desenvolver diabetes, os resultados mostraram que permanecer muito tempo sentado tinha impacto ainda maior sobre o risco de ter a doença. Reduzir em 90 minutos o tempo que um indivíduo fica em sua mesa de trabalho apontou importantes benefícios à saúde.


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A Beleza e Simplicidade dos Canfundó!

Por: Manoel Severo

Ainda por ocasião de nossa visita às terras do Coronel Santana, no distrito de Jamacaru, no alto da Chapada, solo sagrado de Missão Velha, acabamos passando por um desses lugares mágicos perdidos no tempo e no espaço: Cafundó. Não é o "Cafundó do Judas", mas o Cafundó dos Furtado e fica exatamente na estrada viscinal que liga a via principal que vem de Missão Velha em direção à Jamacaru. Antes da sede do distrito pegamos essa estrada à direita rumo a lendária Gameleira de São Sebastião, onde se localiza a famosa "Serra do Mato" e a não menos famosa "Fonte da Pendência", redutos do Coronel Santana e pouso certo de Virgulino Lampião.

Estávamos acompanhados dos confrades, Pedro Luiz e o casal José Cícero e dona Cláudia. O lugar é simplesmente maravilhoso, a natureza pródiga nos permite "viajar" e por alguns instantes nos desligarmo-nos do mundo real.


Manoel Severo, Pedro Luis, Dona Terezinha e José Cícero


José Cícero e o banco de cem anos


Na casa de dona Terezinha Furtado Cruz, bem à beira do caminho, residência secular, pode-se perceber o zelo e esmero a começar pelo madeiramento de seu telhado, "delicadamente curvado" como se estivesse reverenciando os visitantes; Dona Terezinha, proprietária do lugar não perde tempo e nos convida a sentar no banco de estimação, "esse banco também tem mais de cem anos" confirma dona Terezinha.

Dali podem ter uma espetacular vista do vasto vale do cariri, logo abaixo, Missão Velha e Juazeiro do Norte se destacam sob nossos olhos, a tarde ainda cai mansa, tão mansa que dá vontade de experimentar a o lazer preguiçoso dos moradores do lugar: Com direito a  rede armada sob a proteção da Chapada e abençoada pelo sol e a brisa de nosso amado cariri...




Manoel Severo

Missão Velha, Jamacaru, Gameleira de São Sebastião, Cafundó...
Esse é o Cariri Cangaço 2013.
Vem com a gente!



 http://cariricangaco.blogspot.com