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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Obras do artista plástico Demétrius Coelho


Com 25 anos de carreira, as obras de Demétrius estão em exposição permanente em sua galeria no bairro Petrópolis em Natal.

Em seu Instagram, contem o portifólio fazendo uma retrospectiva de seus 25 anos de carreira. 

Instagram: @DemetriusCoelho

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Continua...

Artista plástico Demétrius Coelho

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Moção Vanessa Campos

Por: Wescley Rofrigues

Caros(as),

Abaixo segue a moção de apoio da pesquisadora Wanessa Campos em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Cordialmente

Prof. Wescley Rodrigues

Recife - PE, 15 de julho de 2013.

Ilmo. Sr.
Prefeito Municipal de Nazarezinho – Paraíba
Salvan Mendes

Prezado Senhor,

O Cangaço foi um movimento que abalou o País nos anos 30, época em que Lampião esteve no auge da fama e tanto preocupou o governo Vargas. No momento, historiadores, pesquisadores, escritores e estudantes se voltam para esse fenômeno buscando explicações, principalmente os Estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte  e Ceará. A Paraíba tem a sua história envolvida com o Cangaço, através de Chico Pereira.

A casa dele,  localizada no Sítio Jacú, encontra-se carecendo de restauração, pois ela está inserida nessa história e deve até, ser transforma em museu visando o turismo para o município.

Sendo pesquisadora do Cangaço e com livro publicado sobre o tema, venho solicitar das autoridades de Nazarezinho o tombamento e a restauração dessa casa histórica.

Atenciosamente,

Wanessa  Campos

Jornalista, escritora e pesquisadora do Cangaço

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço 
Wescley Rodrigues

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Comunicado!

Por: Ângelo Osmiro

GECC (Grupo de estudos do cangaço do Ceará)

Aos sócios e amigos:

Comunicamos que as próximas reuniões do GECC acontecerão em novo local, no auditório da sede da ABO-CE (Associação Brasileira de Odontologia – Ceará) situada na Rua Gonçalves Ledo, 1630. Bairro Joaquim Távora, Fortaleza-CE.


Mediante parceria GECC e ABO-CE firmada no dia de ontem. Nossas reuniões continuarão acontecendo toda primeira terça-feira de cada mês, com início às 19h e termino às 21h.

Agradecemos a intermediação do sócio do GECC Jornalista Vicente Alencar que esteve conosco ontem junto à diretoria daquela Instituição nas pessoas do seu Presidente José Sampaio Menezes Junior e da diretora de Divulgação Rochelle Corrêa, aos quais agradecemos a forma cordial que nos receberam naquela instituição. Agradecemos ainda a colaboração decisiva na concretização do nosso intento do diretor de Biblioteca da ABO – CE o poeta e escritor Antônio Diogo Fontenele.

Aproveitamos a oportunidade para agradecermos a gerencia da Livraria Saraiva - Fortaleza (Iguatemy) pela sessão do Espaço Rachel de Queiros nos últimos anos, que foi decisivo para consolidação do nosso grupo de estudos.

Atenciosamente,

Ângelo Osmiro Barreto
Presidente do GECC

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Moção Ana Lúcia

Por: Wescley Rodrigues
Wescley Rodrigues e a professora e pesquisadora do cangaço Ana Lúcia

Caros(as),

Abaixo segue a moção de apoio da pesquisadora Ana Lúcia Granja em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Cordialmente
Prof. Wescley Rodrigues
                                                           
Petrolina-PE, 15 de Julho de 2013.
Saudações ao excelentíssimo prefeito, senhor Salvam Mendes!

Prefeito, como pesquisadora do Movimento Social do Cangaço, observo sempre em minhas andanças por este sertão, o quanto é importante e necessário a preservação, conservação e restauração dos sítios históricos.

É muito triste quando vemos um local histórico sendo destruído pela ação do tempo e não termos quem possa usar da sensibilidade e da força de vontade para não deixar que a História seja esquecida, seja desvalorizada.

http://nazarezinho.informecapital.com.br

A Fazenda Jacu, como muitos outros Sítios Históricos, precisa ser mais respeitada, ser sempre lembrada na memória do seu povo, pelo grande vulto que foi Chico Pereira para a História do Brasil.


O cangaceiro Chico Pereira

Por esta razão, senhor prefeito, precisamos da vossa sensibilidade, da vossa compreensão em  preservar a cultura da cidade de Nazarezinho- PB.
                                                                                       Ana Lúcia Granja
 Professora e pesquisadora do cangaço

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Wescley Rodrigues Dutra

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As Batalhas entre Clementino Quelé e Lampião em Santa Cruz da Baixa Verde - Parte 1

Por: Rostand Medeiros

“HOJE SÓ SE SALVA QUEM AVÔA”

Em um dia de agosto de 2006, uma sexta feira, na cidade pernambucana de Santa Cruz da Baixa Verde, em Pernambuco, na companhia do escritor e pesquisador Sérgio Dantas, tivemos a oportunidade de conhecer um homem, nascido em 1912, que pela sua lucidez e saúde, foi como encontrar um verdadeiro tesouro da história oral do cangaço.

Clementino José Furtado, o Clementino Quelé.
Clementino José Furtado, o Clementino Quelé.

Seu nome era Antônio Ramos Moura, sua residência uma casa ampla no sitio Conceição e o assunto foi os dois ataques perpetrados por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seus cangaceiros, contra a casa do seu antigo parceiro, Clementino José Furtado, o Clementino Quelé, que após estes embates se tornou um dos mais esforçados perseguidores do “Rei do Cangaço”.

Antônio Ramos Moura, então com doze anos, foi testemunha destes episódios e detalhou vários aspectos de sua vida na época e rememorou inúmeros fatos.

O atual município de Santa Cruz da Baixa Verde está localizado na região do Sertão do Alto Pajeú, na fronteira com a Paraíba. Fica distante 455 quilômetros de Recife, possui um agradável clima serrano e a cidade se caracteriza por concentrar na atualidade a maior quantidade de engenhos de rapadura de Pernambuco. Já as origens do local são oriundas do antigo “sítio Brocotó” e a atual denominação tem origem na ação de um missionário nordestino que possui uma história extraordinária.

Nascido em 5 de agosto de 1806, na Vila de Sobral, Ceará, José Antônio Pereira Ibiapina teve uma origem confortável. Mas devido a participação do seu pai Francisco Miguel Pereira na insurgência conhecida como Confederação do Equador, este foi fuzilado em 1825, e o irmão Alexandre seguiu preso para a ilha de Fernando de Noronha, onde morreu pouco tempo depois. Ibiapina teve que assumir e manter financeiramente a família.

Imagem mais conhecida do Padre Ibiapina - Fonte - http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=852&Itemid=1
Padre Ibiapina 

Algum tempo depois ingressou no Curso de Direito do Recife, concluindo em 1832. No ano seguinte exerce o cargo de professor substituto de Direito Natural na Faculdade de Olinda. Depois foi eleito Deputado Geral e nomeado, em dezembro, Juiz de Direito da Comarca de Campo Maior, no Ceará. Concluídos os trabalhos legislativos, em 1837, Ibiapina voltou para o Recife e resolve exercer a advocacia. No entanto, ele passa a trabalhar efetivamente na profissão no estado da Paraíba. Em 1840 volta ao Recife e continua sua luta junto aos tribunais.

A partir de 1850 Ibiapina resolve abandonar seus trabalhos forenses e inicia um período dedicado à meditação e exercícios de piedade. Após três anos de meditação e reflexão, Ibiapina decide-se pelo sacerdócio. Nesse sentido, em 12 de julho de 1853, aos 47 anos de idade, ele se torna o Padre Ibiapina. Logo após sua ordenação, o Bispo Dom João da Purificação o nomeia Vigário Geral e Provedor do Bispado, além de professor de Eloquência do Seminário de Olinda.

Mas contrariando seus superiores, opta pela vida missionária. Padre Ibiapina começou então seu trabalho missionário pelo interior do Nordeste. Em diversas vilas construiu casas de caridade, destinadas a moças pobres. Em cada lugar ele pregava, orientava, promovia reconciliações, construía açudes, igrejas, cemitérios, cacimbas e cruzeiros. Um destes cruzeiros foi erguido no sítio Brocotó e ficou conhecido como Santa Cruz, sendo esta a denominação na época do cangaço.

Região serrana de Santa Cruz da Baixa Verde, Pernambuco.
Região serrana de Santa Cruz da Baixa Verde, Pernambuco.

Com o passar do tempo, pelo fato da pequena urbe está no alto da Serra da Baixa Verde, o lugar passou a denominar-se Santa Cruz da Baixa Verde e pertencia administrativamente à bela cidade serrana de Triunfo.

O pai do nosso entrevistado chamava-se Miguel Moura, tinha uma pequena bodega, além de trabalhar como tropeiro, ou almocreve. Tinha uma tropa de animais e fazia a linha entre as cidades de Triunfo, Serra Talhada e Arcoverde, na época denominada Rio Branco, trazendo e levando cereais. Antônio Ramos comentou que seu pai viajava para vários locais, transportando rapaduras. Inclusive o Rio Grande do Norte foi um dos seus destinos, onde esteve em Mossoró para comprar sal e também em Caicó.

O autor e o memorioso Antônio Ramos Moura.
 O autor e o memorioso Antônio Ramos Moura.

Para nosso entrevistado Clementino Quelé, era chefe de sua família, tinha como irmãos Pedro, Quintino, Antônio, José e Manuel (nezinho), todos considerados homens dispostos, valentes e que “gostavam da espingarda”. Antônio Ramos comenta que na sua infância tinha um enorme respeito por aquele homem. Pouco falou com ele, mas obteve muitas informações sobre Quelé através de seu sogro Joaquim de Fonte, sobrinho do chefe da família Furtado.

Clementino é descrito como um homem forte, de tez acentuadamente branca, que realmente ficava com a pele vermelha quando tinha raiva e esta teria sido a razão de Lampião apelidá-lo pejorativamente como “Tamanduá Vermelho”.

praça principal da atual Santa Cruz da Baixa Verde, com a estátua do Padre Ibiapina em destaque.
Praça principal da atual Santa Cruz da Baixa Verde, com a estátua do Padre Ibiapina em destaque.

Já para o pesquisador Frederico Pernambucano de Mello (in “Guerreiros do Sol”, 2004, págs. 220 a 225), Quelé era natural da ribeira do Navio, onde seguiu jovem para Alagoas, afastando-se de Pernambuco por questões de disputa familiar. No retorno a sua família vem para Triunfo, no sítio Santa Luzia. O antigo membro de volante João Gomes de Lira (in “Lampião-Memórias de um soldado de volante”, 1990, págs. 123 e 124) comenta ser a Santa Luzia a morada do bravo pernambucano.

Fachada da igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em santa Cruz da Baixa Verde.
Fachada da igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em santa Cruz da Baixa Verde.

Para Antônio Ramos, na época das grandes “brigadas” de Quelé contra Lampião, ele morava no sítio Conceição.Independente desta questão consta para nosso entrevistado que Quelé e seus irmãos eram analfabetos “-De tudo”. Do tipo que “-Não assinavam nem o A” e nem faziam “-Garrancho” do nome. Dizia Quelé ao tio de Antônio Ramos que ele era “careta”, outra denominação para seu analfabetismo. Pois quando olhava para qualquer texto escrito, franzia a testa, mostrava o rosto carregado, com uma careta, por não saber ler.

Mas se Quelé e seus irmãos não sabiam ler, sabiam atirar e muito bem.

CONTINUA...

Escrito pelo historiógrafo e pesquisador do cangaço:
Rostand Medeiros 
http://tokdehistoria.wordpress.com

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domingo, 21 de julho de 2013

O velho poeta amante d'Aurora... Luis Dantas Quezado: Poeta ilustre


Em 1923, quando se preparava para lançar o seu Cantadores, Leonardo Mota recebeu em sua casa a visita do poeta Luiz Dantas Quezado (nascido em 1850  em São João do Rio do Peixe-PB - hoje Antenor Navarro), que vivia no Cariri cearense desde a juventude. O velho poeta encontrava-se em Fortaleza acompanhando a publicação do seu opúsculoGlosas Sertanejas, do qual obtivemos uma cópia fac-similar da 4ª edição "correcta e muito augmentada pelo auctor", impressa na Tipografia Commercial  em 1925. Na oportunidade, Luiz Dantas  apresentou à Leota o poema A bicharia, que figura na primeira edição de Cantadores, publicado pela Livraria Castilho, do Rio de Janeiro, em 1921. A poesia de Luiz Dantas Quezado inspirou o compositor Zé Dantas (Siri jogando bola, música gravada por Luiz Gonzaga) e, mais recentemente, o cantor e multi-instrumentista pernambucano Antônio Nóbrega (Coco da Bicharada, incluído no CD O marco do meio-dia). Excelente para ser lido e trabalhado nas escolas. Segue um trecho abaixo:

(Trecho da poesia) - Poesia completa em
http://acordacordel.blogspot.com/2011/05/caranguejo-de-gravata.html


A BICHARIA 

Autor: Luiz Dantas Quezado

Vi um Tií escrevendo,
UmCamaleão cantando,
Uma Raposa bordando,
Um Ticaca tecendo,
Um Macaco velho lendo,
Cururu batendo telhas,
Um bando de Rãs vermelhas,

Trabalhando n'um tissume,
Vi um Tatu num curtume,
Curtindo couro de abelhas.

Vi mosca batendo sola,
Mucuim tocando flauta,
Caranguejo de gravata,
E cabra jogando bola,
Vi pulga tocar viola,
Tamanduá engenheiro,
Guariba tocar pandeiro,
Vi um mosquito tossindo,
Uma formiga parindo,
Procotó era o parteiro.

In Glosas Sertanejas, de Luiz Dantas Quezado, 4ª edição "correcta e mui argumentada pelo auctor", Typ. Commercial - Fortaleza-CE; 1925. O referido poema figura também na primeira edição de Cantadores, de Leonardo Mota, publicado pela Livraria Castilho, do Rio de Janeiro, em 1921.

Extraído do blog do professor, poeta, Secretário de Cultua de Aurora e pesquisador do cangaço: 
José Cícero

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Sílvio Policiano de Miranda - 21 de Julho de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Nasceu em Cajazeiras/PB a 21 de abril de 1860. Instalou-se em Mossoró, onde exerceu atividades comerciais no ramo ferragens, miudezas e molhados. Possuía também propriedades onde exercia atividades agrícolas. 

               
Foi Vice-Presidente da Câmara Municipal de Mossoró no triênio 1887-1890. Ocupou a Presidência no triênio 1896-1898.
               
No seu primeiro ano a frente da municipalidade, iniciou a iluminação pública de Mossoró, instalando lampiões a gás pelas ruas da cidade. No orçamento daquele ano fez constar uma verba de 600$ para a iluminação pública. Na sessão da Câmara de 14 de fevereiro de 1896 criou-se o cargo Zelador da Iluminação e autorizou-se a compra dos lampiões, fatura dos postes de madeira, etc. “A 7 de março foram instalados sessenta e três lampiões e a Câmara tem a elegância de mandar pagar os abajus para os mesmos”, como nos informa o historiador Câmara Cascudo em seu “Notas e Documentos para a História de Mossoró”.
               
Raimundo Soares de Brito, no seu “Legislativo e Executivo de Mossoró – uma viagem mais que centenária”, comenta que “com essa medida a vida noturna ganhou novas dimensões, e a cidade se apresentava mais alegre e o seu povo mais feliz”. Raibrito informa ainda que um conceito de economia foi preservado pela municipalidade, já que nas noites enluaradas os lampiões não eram acesos, pois as ruas já estavam iluminadas pela luz natural da lua...
              
A 3 de dezembro de 1896, “em casa do professor Manuel Antônio de Albuquerque, ficou deliberada a construção da capela do então bairro dos Macacos, bem como a mudança deste nome para o de Alto da Conceição. A sete de novembro do ano seguinte, em ato solene procedido pelo Pe. João Urbano, foi dada a bênção da pedra fundamental do novo templo”. Nascia, assim, um novo bairro na cidade.
               
1898, o último ano do seu período administrativo, foi marcado por uma grande seca que assolou todo Sertão nordestino. E Mossoró, por sua posição geográfica, entre duas capitais e ao mesmo tempo entre o mar e o Sertão, sempre que acontecia uma grande seca, era invadida por retirantes, não só do Rio Grande do Norte, como da Paraíba e do Ceará. Mesmo sem a vinda de gente de outros municípios, já era grande o número de desabrigados do próprio município de Mossoró. A 20 de agoste desse ano o Presidente da Intendência, em telegrama dirigido ao Ministro da Justiça e Interior, solicitava auxílio e pintava o quadro desalentador: ...”cerca de seis mil de nossos patrícios, que em tanto é calculado o número dos habitantes pobres deste município, os quais sofrem... (...) grupos andrajosos e de uma magreza extrema já percorrem as ruas desta cidade, implorando da caridade pública e migalha de uma esmola.”
              
Foi marcado também por uma forte agitação política em toda a Província do Rio Grande do Norte, com reflexos acentuados em Mossoró, onde o Coronél Gurgel, então Deputado Geral, rompido com Pedro Velho, contava com as simpatias da Câmara Municipal de Mossoró. Acentuadas as divergências entre os dois grupos, o Presidente Sílvio Policiano de Miranda requereu licença, assumindo o cargo em caráter interino o intendente (vereador) Francisco Isódio de Souza, que permaneceu pelo resto do período.
               
Apesar do modo como terminou o seu período como Presidente da Intendência, podemos avaliar como proveitoso. Foi nesse período que a cidade ganhou sua primeira iluminação e que um novo bairro surgiu, o bairro da Conceição.
               
Sílvio Policiano fazia parte do quadro da Loja Maçônica “24 de Junho” e foi um dos líderes da campanha abolicionista de 1883.
               
Faleceu a 26 de fevereiro de 1901.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte:
http://www.blogdogemaia.com/

Autor:
Geraldo Maia do Nascimento
 
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sábado, 20 de julho de 2013

AS SOMBRAS DO CASARÃO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

AS SOMBRAS DO CASARÃO

O velho casarão ainda está de pé, majestoso, imponente, com paredes brancas amareladas pelo tempo, defronte às águas do Velho Chico. Tal qual antigo farol sinalizando a distância das águas, ele permanece flamejando o passado em meio a uma realidade tão diferente.

O casarão fica situado numa povoação ribeirinha, chamada Bonsucesso, no município de Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo, sertão sergipano, onde felizmente nasci. Povoação pobre, com gente humilde vivendo do que o rio possa oferecer ou em subempregos num faz de tudo, nem parece se dar conta da maravilha arquitetônica ali presente.

Não sei ao certo a época de sua construção, minha costumeira curiosidade esqueceu de ir atrás desse calendário. Mas garanto que remonta aos tempos da escravidão. A prova está por todo lugar, ainda que praticamente ninguém saiba mais dizer a mando de quem foi construída nem a mão de obra responsável por aquela verdadeira fortaleza sertaneja.


Mas direi sim, sobre a mão escrava naquela construção. As evidências são muitas, bastando que se considere como ela foi erguida e qual o material utilizado para tal. O imenso casarão possui um interior com amplos espaços, muitas dependências, porém sem luminosidade adequada. E deveria ser diferente, pois fica numa elevação aberta e bem defronte ao São Francisco.

Mas tudo pode ser explicado pelo esmero na obra. A sua arquitetura colonial, apenas com parte térrea, comporta paredes que chegam a mais de um metro de espessura, e em todas as dependências. Tudo parece tão fortalecido, fechado, recluso, que sua ambientação, ainda que com amplos espaços, perde a luminosidade e se afeiçoa ao interior de um velho mosteiro. Aquele aspecto fechado, misterioso, indagador.

E algo interessantíssimo: tudo na pedra, na pedra negra lavada, lisa, sempre lembrando ferro. As paredes foram erguidas na junção de pedra sobre pedra e depois recebendo acabamento exterior para parecer divisória comum. E certamente não foram trabalhadores ribeirinhos que cavaram aqueles profundos alicerces, trabalharam as pedras e deram aquela feição de fortaleza que ainda hoje pode ser avistada.

Contudo, a prova maior de que foram escravos os construtores está mais na parte exterior do casarão do que mesmo nas suas gordas paredes. Eis que nos fundos da construção havia uma espécie de muro cercando uma considerável área de terra, bem maior que um quintal comum. E este muro todo feito de pedra, e pedras soltas, apenas umas sobre as outras, numa engenharia de desafiar a imaginação.

Com relação ao muro de pedras, todo morador da povoação informa que foi obra de mãos escravas, dos negros que ali trabalhavam sob o chicote e o mando do velho senhor. Certamente um poderoso que enriqueceu engordando gado e depois transportando pelas águas do rio. Mas também com o cultivo de arroz nas baixadas molhadas formadas pelas enchentes do Velho Chico. E tudo através do escravo.

Há alguns anos, na última vez que estive por lá, ainda avistei partes desse muro. Em alguns lugares as pedras se mantinham sobrepostas, firmes; mas derrubadas em outras ou simplesmente desaparecidas. As pessoas simplesmente chegavam ali e começavam a retirá-las ao acaso ou para utilizar em outras construções. E assim tão importante registro histórico foi desaparecendo.

Certamente não encontrarei mais nenhuma pedra ao voltar por lá. E logo voltarei pelo encantamento que possui aquele lugar, aquela paisagem, aquele casarão. Depois de muitos donos, soube que o mais recente proprietário cuidou de preservá-lo sem alterar em nada suas estruturas. Contudo, o que mais preciso fazer por lá é ouvir a voz daquelas paredes, sentir as mãos negras erguendo as pedras, infelizmente reencontrar com os tristes labores de um dia. Mas terá que ser assim, vez que dizem que o casarão permanece em eterna construção e ainda se ouve o barulho de pedra sendo colocada sobre pedra.

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Mas contam também outra história. Dizem que um jovem padre, passando de visita na região, foi convidado pelo dono do casarão para um almoço e repouso defronte o leito do rio. Ao chegar por lá, já na hora da comida ser servida, o religioso se negou veementemente a colocar seus pés porta adentro. Não quis dizer os motivos, mas a imaginação popular depois concluiu que ele avistou os negros lanhados cimentando as pedras das paredes com o próprio sangue.

Diante da porta, esbugalhou os olhos, fez voltar um grito, e recuou. E repentinamente enlouqueceu. Desceu num pulo a calçada com mais de dois metros de altura, alcançou a margem do rio e adentrou nas águas. E desapareceu para sempre. Nas noites de lua triste ele é avistado rezando missa na pedra grande. E diante dele os negros ajoelhados.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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[Cangaço na Bahia] 6 de outubro de 1928, no “Diario da Bahia”:

Por: Rubens Antonio

Lampeão atravez dos sertões bahianos
A policia pernambucana commette depredações
O grupo do bandoleiro está reduzido a seus homens de confiança

Desde que o famoso bandoleiro Lampeão atravessou as nossas fronteiras,  penetrante em territorio bahiano vivem ao seu encalço fortes contingentes, não só da nossa milicia, como da pernambucana, occupando villas, cidades e arraiaes, sem pôr a mão no celebre bandido, constantemente illudindo–lhes a rigorosa vigilancia.


No entanto a prisão de Virgolino está dependendo apenas de uma acção conjuncta entre as duas forças perseguidoras, o que não tem sido possivel realizar–se até hoje, devido á balburdia estabelecida entre os commandos das policias dos dous estados.

A força pernambucana, segundo informações prestadas por pessoa fidedigna, recentemente chegada da zona infestada pelos bandoleiros, não quer sujeitar–se ao commando de officiaes da policia bahiana, d’ali a desorientação que se verifica na perseguição aos criminosos, hoje reduzidos apenas a seis homens, todos cunhados, irmãos e primos de Lampeão, os quaes fizeram um pacto de, onde um morrer, morrem todos.

Em consequencia desta divergencia e falta de disciplinas, a policia pernambucana tem commetido depredações por onde passa, arrancando pela violencia aos pacatos moradores do sertão, informações a respeito da marcha dos bandoleiros.

Segundo ainda o nosso informante, Lampeão esteve a meio kilometro de Rancharia, povoado do municipio de Joazeiro, e por traz das pedras ali existentes, observou que os soldados das policias não só da Bahia, como de Pernambuco, fazendo farra dentro do arraial.

O bandoleiro e seu grupo até hoje, não praticaram nada de anormal em nosso territorio, ao contrario, teem procurado agradar o povo dos logares onde passam, dizendo não pretender fazer mal aos bahianos e, quanto á policia do nosso Estado, apenas deseja causal–a pela alpercata.

As forças perseguidoras, em numero superior a quinhentos homens, se acham distribuidas nos municipios de Monte Santo, Santo Antonio da Gloria, Uáuá, Joazeiro, Curaçá e arraia de Barro Vermelho.
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O sargento Manoel Netto, da policia de Pernambuco, tem–se tornado o terrôr de toda a zona, commettendo desatinos de toda especie.
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Emquanto isto acontece, o famoso bandido mantem–se em territorio bahiano, á vontade e fazendo uma estação de repouso, conforme tem declarado por onde passa distribuindo dinheiro ao povo, bebendo e completamente despreocupado das perseguições da soldadesca da policia.

Ainda n’um desses ultimos dias, disse o nosso informante um facto interessante: um grande destacamento de força policial marchava pela estrada de Santo Antonio da Gloria, a fim de dr caça a Lampeão, que constava achar–se nas proximidades d’aquella villa.

O bandoleiro de dentro da matta observou a passagem da tropa e depois de meia hora, seguiu–lhe na retaguarda, desviando–se, mais adeante e, do caminho seguido.

As populações sertanejas, a semelhança do que aconteceu por occasião da marcha revolucionaria de Luiz Prestes, ficando apavoradas com a approximação das legiões patrioticas, temem do mesmo modo, agora, a presença da força publica, principalmente pernambucana, que é o terrôr d’aquella zona, sob a ameaça de saques e violencias.

Tudo isso nos foi informado por pessoas insuspeitas e que regressaram d’aquella região affirmando–nos mais que Lampeão não será preso porque as forças perseguidoras apenas fazem fita, sem resultados praticos.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio

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O COBRA PRETA - 28 de outubro de 1927, no “A Tarde”:

Por: Rubens Antonio

Mortalmente ferido!

Tiroteio com um destacamento de policia bahiana

A policia bahiana continua activamente em perseguição ao bando do famigerado Lampeão.

Hontem, fomos informados de que havia sido morto o celebre bandido “Cobra Preta”.

Ao passar pela localidade denominada Orocó, em Pernambuco, foi visto pelo destacamento da policia bahiana que marchou logo em sua perseguição.


Travado forte tiroteio, o cangaceiro caiu baleado mortalmente.

Acervo do professor e pesquisador:
Rubens Antonio

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Lavrenses Ilustres: Centenário !

Por: Cristino Couto

Nesta sexta, dia 19 de julho de 2013, às 15 horas, na Câmara Municipal de Lavras da Mangabeira, a Prefeitura Municipal, a Secretaria de Educação e a Secretaria de Cultura farão uma homenagem a quatro lavrenses de projeção nacional e internacional: Almir Pinto, João Clímaco Bezerra, João Gonçalves de Souza e Prisco Bezerra.

Você é nosso convidado!

Cristina Couto
Secretaria de Cultura de Lavras da Mangabeira

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6 de outubro de 1928, no “Diario da Bahia”:

Por: Rubens Antonio

Lampeão atravez dos sertões bahianos
A policia pernambucana commette depredações

O grupo do bandoleiro está reduzido a seus homens de confiança

Desde que o famoso bandoleiro Lampeão atravessou as nossas fronteiras,  penetrante em territorio bahiano vivem ao seu encalço fortes contingentes, não só da nossa milicia, como da pernambucana, occupando villas, cidades e arraiaes, sem pôr a mão no celebre bandido, constantemente illudindo–lhes a rigorosa vigilancia.


No entanto a prisão de Virgolino está dependendo apenas de uma acção conjuncta entre as duas forças perseguidoras, o que não tem sido possivel realizar–se até hoje, devido á balburdia estabelecida entre os commandos das policias dos dous estados.

A força pernambucana, segundo informações prestadas por pessoa fidedigna, recentemente chegada da zona infestada pelos bandoleiros, não quer sujeitar–se ao commando de officiaes da policia bahiana, d’ali a desorientação que se verifica na perseguição aos criminosos, hoje reduzidos apenas a seis homens, todos cunhados, irmãos e primos de Lampeão, os quaes fizeram um pacto de, onde um morrer, morrem todos.

Em consequencia desta divergencia e falta de disciplinas, a policia pernambucana tem commetido depredações por onde passa, arrancando pela violencia aos pacatos moradores do sertão, informações a respeito da marcha dos bandoleiros.

Segundo ainda o nosso informante, Lampeão esteve a meio kilometro de Rancharia, povoado do municipio de Joazeiro, e por traz das pedras ali existentes, observou que os soldados das policias não só da Bahia, como de Pernambuco, fazendo farra dentro do arraial.

O bandoleiro e seu grupo até hoje, não praticaram nada de anormal em nosso territorio, ao contrario, teem procurado agradar o povo dos logares onde passam, dizendo não pretender fazer mal aos bahianos e, quanto á policia do nosso Estado, apenas deseja causal–a pela alpercata.

As forças perseguidoras, em numero superior a quinhentos homens, se acham distribuidas nos municipios de Monte Santo, Santo Antonio da Gloria, Uáuá, Joazeiro, Curaçá e arraia de Barro Vermelho.
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O sargento Manoel Netto, da policia de Pernambuco, tem–se tornado o terrôr de toda a zona, commettendo desatinos de toda especie.
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Emquanto isto acontece, o famoso bandido mantem–se em territorio bahiano, á vontade e fazendo uma estação de repouso, conforme tem declarado por onde passa distribuindo dinheiro ao povo, bebendo e completamente despreocupado das perseguições da soldadesca da policia.

Ainda n’um desses ultimos dias, disse o nosso informante um facto interessante: um grande destacamento de força policial marchava pela estrada de Santo Antonio da Gloria, a fim de dr caça a Lampeão, que constava achar–se nas proximidades d’aquella villa.

O bandoleiro de dentro da matta observou a passagem da tropa e depois de meia hora, seguiu–lhe na retaguarda, desviando–se, mais adeante e, do caminho seguido.

As populações sertanejas, a semelhança do que aconteceu por occasião da marcha revolucionaria de Luiz Prestes, ficando apavoradas com a approximação das legiões patrioticas, temem do mesmo modo, agora, a presença da força publica, principalmente pernambucana, que é o terrôr d’aquella zona, sob a ameaça de saques e violencias.

Tudo isso nos foi informado por pessoas insuspeitas e que regressaram d’aquella região affirmando–nos mais que Lampeão não será preso porque as forças perseguidoras apenas fazem fita, sem resultados praticos.

Acervo do professor e pesquisador: 
Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com
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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Oficina de Elaboração de Projetos Culturais Ênfase no Funcultura –

Colaboração do escritor Adriano Marcena

Amplie suas chances de fazer um projeto mais competitivo.

Com a política pública de cultura centrada nos editais, poucos são os que dominam conceitos, métodos e escrita de um projeto cultural. Diante da complexa teia que envolve Antropologia cultural, contabilidade básica, noções de planejamento e uma burocracia que parece não ter fim, muitos preferem pagar a alguém para fazer seus projetos e se livrar dos embaraços.

Mediante tal realidade, a  IDEIA - Empreendimentos Culturais, empresa recifense, contratou os oficineiros Adriano Marcena e Rogério Generoso que, além de produtores culturais, foram membros titulares da Comissão Deliberativa do Funcultura-CD, para facilitarem a Oficina de Elaboração de Projetos Culturais com ênfase no Funcultura.

As inscrições estão abertas por e-mail, telefone ou presencialmente.

Local: Centro Vital Corrêa de Araújo.
Endereço: Rua da Glória, 472 - Boa Vista - Recife –PE - (nas proximidades do Mercado da Boa Vista)
Quantidade de vagas: 10 vagas
Dias: segunda a sexta-feira
Horário: 18h às 22h
Período: 05 a 09 de agosto de 2013
Carga horária: 20 H/A.
Investimento: R$ 180,00

Assista a entrevista com Adriano Marcena no Parlatório sobre projetos culturais.

Acesse 
http://parlatorio.com/como-elaborar-projetos-culturais/#comment-22


Atenciosamente,

IDEIA EMPREENDIMENTOS CULTURAIS LTDA.
RUA DA GLÓRIA 472, BOA VISTA, RECIFE, PE - CEP: 50060-280
CNPJ: 15.756.800/0001-04 –   
Insc. Municipal nº 475.267-8
Insc. Estadual nº 050699989

ideiaempreendimentosculturais@gmail.com
Fones: 
(81) 87632504 (oi) 92923526 (Claro) 96573832 (tim) 86299891(oi)

Enviado pelo escritor Adriano Marcena

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Zé do Telhado - o cangaceiro de Portugal


José do Telhado ou Zé do Telhado, alcunha de José Teixeira da Silva CvTE (Lugar do Telhado, Castelões de Recesinhos, Penafiel, nasceu no dia 22 de junho de 1818 — Mucari, Malanje, Angola, e morreu em 1875). Foi um militar e famoso salteador português.

Chefe da quadrilha mais famosa do Marão, Zé do Telhado é conhecido por "roubar aos ricos para dar aos pobres" e, por isso, muitos o consideram o Robin dos Bosques português.

Robin Hood - pipocamoderna.com.br

De origens rurais humildes, aos 14 anos foi viver com um seu tio, no lugar de Sobreira, freguesia de Caíde de Rei, para aprender com ele o ofício de castrador e tratador de animais. No dia 3 de Fevereiro de1845 casou-se com a sua prima Ana Lentina de Campos e da qual teve cinco filhos.

Tinha vasta experiência militar começada no quartel de Cavalaria 2, os Lanceiros da Rainha, e toma parte contra o partido dos setembristas e pela restauração da Carta Constitucional, no mês de julho de 1837. Derrotado, refugia-se em Espanha.

Ao regressar, grassava no país uma revolta larvar contra o governo anticlerical de Costa Cabral e quando estala a Revolução da Maria da Fonte, a 23 de março de 1846, vê-se envolvido como um dos líderes da insurreição. Coloca-se às ordens do General Sá da Bandeira, que também tinha aderido. Assume o posto de sargento e distingue-se de tal forma na bravura e qualidades militares que, na expedição a Valpaços, recebe a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração que ainda hoje vigora em Portugal. No entanto, o seu «partido» entra em desgraça, amontoa dívidas de impostos que não consegue pagar e é expulso das forças armadas.

Já como "Zé do Telhado", chefe bandoleiro, realiza um grande número de assaltos por todo o Norte de Portugal, durante um período muito conturbado que coincidiu com o pedido de maior resistência de D. Miguel, no exílio com seu governo, aos seus partidários miguelistas que tentaram formar grupos de guerrilha em todo o país.

O bandoleiro mais conhecido do país acaba por ser apanhado pelas autoridades em 31 de março de 1859 quando tentava fugir para o Brasil. Esteve preso na Cadeia da Relação, onde conheceu Camilo Castelo Branco que se lhe refere nas Memórias do Cárcere.

Camiko Castelo Branco e o bandoleiro Zé do Telhado

Em 9 de dezembro de 1859 foi julgado e condenado ao degredo perpétuo na África Ocidental Portuguesa. Foi-lhe comutada a pena aplicada de 15 anos de degredo, em 28 de setembro de 1863. Viveu em Malanje, negociando em borracha, cera e marfim. Casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos. Conhecido entre os locais como o kimuezo – homem de barbas grandes, viveu desafogadamente.

Mausoléu de Zé do Telhado

Zé do Telhado faleceu aos 57 anos, vítima de varíola, sendo sepultado na aldeia de Xissa, município de Mucari, a meia centena de quilômetros de Malanje, sendo-lhe erguido um mausoléu, objeto de romagens.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_do_Telhado

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