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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Propriedade Cacimba de Vaca


Aspecto atual da sede da propriedade Cacimba de Vaca, atacada por Lampião e seus homens, encontrava-se vazia e foi depredada.

Seguem depois para outras propriedades, mas Lampião tem a informação que o melhor está cerca de meia légua para frente e é uma fazenda denominada Cacimba de Vaca. 

O seu proprietário, Joaquim Dias da Cunha, tido como homem de dinheiro, soube do avanço da tropa de sicários e não perdeu tempo. Pegou seu povo e suas riquezas e tratou de fugir. 

Esta fuga enraiveceu Lampião e o bando descontou a desdita numa extensa lista de depredações, um incêndio criminoso ao paiol de cereais e de utensílios rurais.

Adendo: - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Grande pesquisador Sérgio Roberto:

As sua informações são valiosas para todos nós estudantes do cangaço, só que o pesquisador nesta não colocou o Estado em que está localizada esta casa. 

Nós estudantes do cangaço que moramos distante das regiões que mais sofreram depredações por Lampião, sem a informação do Estado, ficaremos no mato sem cachorro, já que não temos a mínima ideia onde isto ou outros fatos aconteceram. 

Tenho certeza que o pesquisador sabe muito bem que não se refere à críticas, e sim para que nós tenhamos ideias do local ou locais afetados pelos cangaceiros.

Parabéns pelas suas excelentes informações.

Fonte: facebook
Página: Sergio Roberto‎Lampião, Cangaço e Nordeste

O amigo Sálvio Siqueira disse em sua página no facebook o seguinte:

No época do ataque a casa sede da fazenda Cacimba de Vaca, município de Lucrécia-RN, no ano de 1927, aconteceram vários outros ataques em fazendas circunvizinhas e povoados. Como por exemplo: a Vila de Boa Esperança, fazenda Mombança cujo proprietário chamava- se Frutuoso Gomes, a qual estavam rezando uma novena, invadem a casa de José Gomes, Joaquim Dias, a sede da fazenda Castelo Branco, a casa de Raimundo Alves de Oliveira, por fim a fazenda Serrota ou Serrota dos Leites, cujo proprietário era Egídio Dias da Cunha, filho de Joaquim Dias. O qual Lampião sequestrou e pediu resgate. Fonte blog Tok de História por Rostand Medeiros

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O Baixo São Francisco recebe o Cariri Cangaço Piranhas 2014; entre os dias 24 a 27 de Julho.


Semana do Cangaço! O Baixo São Francisco receberá o Cariri Cangaço Piranhas 2014; entre os dias 24 a 27 de Julho. 

O Conselheiro Cariri Cangaço; Jairo Luiz Oliveira, o prefeito Dante Bezerra e Manoel Severo Barbosa, recebem a todos para mais uma festa nordestina. Programação Oficial na próxima semana. 

Os vaqueiros da história já começam a confirmar presença: Confirmados no Cariri Cangaço Piranhas 2014: Sousa Neto, Antonio Vilela, Archimedes Marques, Jadilson Ferraz, João Paulo, Wescley Rodrigues, Tomaz e Afranio Gomes e Jorge Remígio.


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MENINOS, EU VI

Por Clerisvaldo B. Chagas, 13 de junho de 2014 - Crônica Nº 1.209

Ontem, dia 12 de junho, pela primeira vez o Dia dos Namorados ficou escondido. Cadê condições de sair do esconderijo se as cores do Brasil  não permitiam. Os comerciantes e marqueteiros que promoviam Santo Antônio como chefe de compras para movimentar o comércio, deixaram o amigo protetor à parte. Não se falava em outra coisa nos quadrantes brasileiros, cobrindo-se essa nação de verde, amarelo, azul e branco.

Foto: g1.globo.com

Após a criativa festa de abertura, a bola rolou sob inúmeras vozes narradoras do mundo, entre elas a conversa chata de Galvão Bueno. No conforto da poltrona, pouco me importava conversa de homem da cobra, mas procurava perceber claramente como se comportaria a Seleção Brasileira de Futebol. Assisto jogo com meus próprios olhos e não com a opinião alheia, pois chega de “Maria vai com as outras". Televisão não é rádio onde você somente ouve sem oportunidade de apreciar.

Logicamente no início do jogo Brasil X Croácia, os brasileiros da Seleção estavam visivelmente nervosos, permitindo constantes ataques croatas. Todavia, todos estavam prevenidos sobre o que a Croácia iria fazer no início. Não tem justificativa, portanto, do Brasil em ficar encurralado tomando cascudos o tempo todo.

No geral, contudo, o time de Felipão firmou-se e deu um espetáculo de garra e determinação. Quanto  ao brilho, o próprio treinador já dizia que o time não estava 100%, mas na casa dos 80%, o que acabou sendo confirmadas as palavras prévias do técnico brasileiro.

Deu para empolgar, o jogo Brasil X Croácia, principalmente porque o Brasil conseguiu sair de uma situação adversa em relação ao placar. Se o pênalti apontado foi verdadeiro ou não, fez parte do jogo, cujo Brasil marcou um de quebra para que as línguas não amarrassem na questão do pênalti.

No que observei pessoalmente, todos jogaram com fibra, mas os destaques ficaram para o meia/atacante Neymar, naturalmente; David Luiz, extraordinariamente e Oscar, inspirado. Apesar dos gols de Neymar, tenho como o zagueiro David o gigante da partida. Venho acompanhando o zagueiro desde a sub-20, impressionado com a elegância do moço em campo, aliada à segurança.

Namorados e namoradas que me perdoem, mas ontem deu somente mesmo para a Seleção Brasileira e aquela onda amarela que tomou conta do estádio. MENINOS, EU VI.



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UMA FOGUEIRA SÓ!

Por Rangel Alves da Costa*

Este mês de junho promete, e promete muito. Se historicamente o mês junino é tido como um dos mais animados, festivos e barulhentos, agora as coisas prometem ficar mais aquecidas, muito mais crepitantes. Além dos acordes forrozeiros, bombas e chiados de chinelas, gritos, brados e palavras de ordem certamente serão ouvidos. E por algumas razões que ultrapassam os limites das festanças e das comidas típicas ao redor de fogueiras.

As ruas já estão sendo enfeitadas, bandeirolas coloridas já dançam ao sabor do vento, balões são pendurados em barbantes, os ingredientes dos pratos típicos logo estarão à disposição da panela e da fogueira. Já se sente o cheiro e o sabor do milho, das comidas com coco, do cheiro bom de canela e de cravo da índia. Tudo para dar mais sabor ao arroz doce, à canjica, ao mungunzá e logo mais ao quentão. É um mês de muitas iguarias e opções de divertimentos.

Aqui e ali já se ouve o barulho dos fogos sendo pipocados, os céus noturnos já começam a ser iluminados com brilhos faiscantes, as cantorias e os acordes forrozeiros avisam que logo mais as quadrilhas e os arrasta-pés darão a feição da festa. Sobressaindo-se em meio às cores juninas, o verde e amarelo vão pontuando em cada lugar, eis que também é mês de copa do mundo, de motivações ainda maiores para comemorações. E como o brasileiro vive procurando motivos para se divertir, não há período e motivos maiores que os atuais.

Mas, como dito, muito mais será ouvido além do barulho do foguete e do rojão, muito mais será saboreado além da comida junina, muito mais será erguido além das bandeirolas de enfeites e bandeiras com as cores da nação de chuteiras. Muitos começam a aquecer suas gargantas para os gritos, para os desabafos e cobranças desde muito guardadas. As ideologias vão reacendendo suas chamas, as vozes da indignação vão ganhando fôlego. Chega a hora também da prestação de contas.

Se é um período onde os cachorros ficam em tempo de endoidar, correndo para debaixo dos móveis toda vez que ouvem ribombo dos fogos, não será muito diferente para a classe política, principalmente para a presidente Dilma que tentará a reeleição e terá nesse mês junino um verdadeiro teste de fogo. Eis que as lascas da revolta e as toras da repulsa já estão sendo apinhadas para a grande fogueira. E esta, aliás, já foi acesa em muitas regiões do país.


Desde muito que os noticiários dão conta do preparo do povo para a festança. Aproveitando o período junino e principalmente os eventos e jogos da copa do mundo, os foliões que desejam um Brasil mais ético e justo, e os torcedores por uma nação com menos gastança para o agrado da Fifa e mais investimentos na saúde e educação, prometeram sair às ruas em profusão. Vai ser um misto de comemoração e de rebeldia, de erguimento da bandeira pela seleção e contra os políticos e a política, de fazer ecoar o grito de paixão e de aversão.

Até poderia ser festa de aniversário, pois também foi em junho que teve início a onda de manifestações por todo o país. Naquela oportunidade - e fato que fez tremer as bases palacianas e causou insônia na classe política -, os manifestantes abriam seus baús e reivindicavam desde diminuição no valor da passagem de ônibus a aprovação de leis. E foi um rebuliço danado, um corre-corre desenfreado dos políticos e governantes para apagar aquelas imensas fogueiras que já ameaçavam seus gabinetes.

Em pouco tempo poucas chamas ainda se mostravam vivas. E como sempre acontece nos meandros do poder e da governança, basta que as ameaças imediatas se dissipem para que tudo volte ao normal, eis que contam a seu favor com o esquecimento do brasileiro com o acontecido no instante atrás. Desse modo, as promessas foram esquecidas, as mudanças foram postergadas, e tudo a acontecer como antes no reino das espertezas, improbidades e corrupções. Mas a fogueira do povo não estava morta, apenas encoberta de cinzas. E agora renasce novamente assustando os donos do poder.

As ameaças de estrondosamente retornarem às ruas podem não ser confirmadas, mas nunca se sabe o que pode acontecer num povo que de vez em quando faz menção de levantar decidido do sono secular em berço esplêndido. Verdade é que prometeram voltar às ruas para buscar respostas de algumas questões omitidas pelo governo. Querem saber, por exemplo, por que a Fifa mudou a legislação brasileira a seu bel-prazer, por que as obras de interesse da população não foram concluídas no mesmo esforço que os estádios, por que muito do prometido jamais será realizado.

Estas são apenas algumas das muitas questões que estarão no bojo das velhas e nunca atendidas reivindicações. Contudo, o que causa medo aos políticos e governantes não são as manifestações nem as palavras de ordem. O que causa verdadeiro terror no poder é não saber ou não prever até onde e quais os rumos e forças que tomarão tais manifestações. É a perda do controle da situação que faz o milho do governo assar sem ao menos chegar perto da fogueira.

Mas quem viver verá. O mês promete, e muito. As fogueiras logo serão acesas e ninguém sabe ao certo os danos que um eventual descontrole das chamas poderá provocar.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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Vamos revê-lo? Os Labirintos de Lampião Parte II

Por Alcino Costa

Conforme prometi aqui estou para discorrer sobre alguns dos famosos mistérios e extraordinárias mentiras de Angico. Os mistérios e as mentiras que perduram até os dias atuais e que foram perpetuadas como verdades intocáveis, acreditadas e defendidas por muitos.
Eis alguns mistérios e famosas mentiras.

1 – O antigo cangaceiro Candeeiro, num seminário realizado na cidade de Canindé de São Francisco, em Sergipe, afirmou que quando Lampião estava no Estado de Alagoas, antes de atravessar para Sergipe e se homiziar em Angico, reuniu seu grupo e avisou que iria realizar uma longa viagem; dizendo que qualquer um de seus comandados ficasse à vontade para decidir se o acompanharia ou não.
Que viagem era essa? Para onde?

2 – No livro “Assim morreu Lampião”, página 101, o irmão de Pedro de Cândido – Durval – disse que na terça-feira à noite levou dois sacos de balas para Lampião que João Bezerra mandava, e ainda, afirmou categoricamente que Lampião ficou um longo tempo, afastado do bando, em uma conversa sigilosa com Pedro de Cândido. “Muito novo, com uns 18 anos, num conhecia nada disso i o Pedro palestrou muito com Lampião. Até de madrugada” – asseverou convicto Durval Rodrigues Rosa que prosseguiu em seu depoimento dizendo: “Os dois. Dentro do mato. Us cangaceiros tudo calmo”.

“Elis cunversaram, i dispois si dispidiram” – ainda testemunhou Durval.

Estas afirmações são verdadeiras? Se forem como é que fica a história? 

É inacreditável que um comandante militar cometesse a loucura de municiar um homem como Lampião para depois ir cercá-lo e com ele e seu bando ser travado um combate mortal.

O que é que você, meu querido estudioso e apaixonado pela saga cangaço e Lampião, tem a dizer sobre esta afirmativa? O que os historiadores têm a comentar sobre este depoimento de Durval?
 
3 – No livro de João Bezerra, páginas 204 e 207, quando da viagem da volante de Pedra (Delmiro) para Piranhas, na quarta-feira pela manhã, o famoso comandante diz que: “estávamos consertando os nossos planos quando me chegou um coiteiro que eu já esperava – atentem bem para este: “eu já esperava” – trazendo outras notícias das zonas suspeitas que coincidiam perfeitamente com o que sabíamos. Assim juntou-se a sopa no mel...”

...E finalmente, que ele lhe perguntara (a ele coiteiro que esteve pouco antes no meio do grupo)...

Ora, na minha visão estes testemunhos contidos nos livros de Amaury e de João Bezerra, estão envoltos num tremendo mistério. Se Pedro na terça-feira conversou por longas horas, dentro do mato, com Lampião, e na quarta-feira um coiteiro – “que eu já esperava”, diz o tenente – esteve com ele no trajeto Pedra/Piranhas, e que, ainda mais, o comandante afirma: “a ele coiteiro que esteve pouco antes no meio do grupo”, este coiteiro não há dúvida de que era o mesmo que na terça-feira à noite havia trocado confidências com o rei dos cangaceiros, ou seja, Pedro de Cândido.

E porque João Bezerra diz que “assim deu a sopa no mel”, se na terça-feira à noite ele havia enviado pelo próprio Pedro dois sacos com balas? Por que o tenente municiou Lampião para depois ir cercá-lo e atacá-lo?
Quem era na verdade este coiteiro?

4 - Se foi Pedro o coiteiro que teve o encontro com o tenente Bezerra entre Pedra e Piranhas, porque na noite da quarta-feira, quando a volante estava na fazenda Remanso, o tenente mandou que os soldados Bida e Elias fossem buscá-lo em sua casa em Entre Montes: E porque o famoso coiteiro desdenhou a intimação da famosa autoridade, num tempo em que todos os sertanejos morriam de pavor perante uma ordem de qualquer militar, em especial de um comandante de volante? E qual a ascendência que Pedro tinha sobre João Bezerra para não atender o seu chamado? E mais misterioso ainda é que na segunda tentativa dos dois soldados em levá-lo até onde o tenente estava, aconteceu um fato incrível e que os historiadores nunca atentaram para ele. É que em vez, como era de se esperar e não podia ser diferente, do intimado ser escoltado pelos militares, ele viajou por terra, acompanhado apenas por Bida, um veterano soldado, amigo da família Rosa, e que havia destacado por muito tempo ali mesmo em Entre Montes. É incompreensível que Elias tenha retornado na canoa, separado do colega, enquanto este e aquele caminhavam sozinhos, na calada da noite, conversando sigilosamente por uma estradinha. Conversando o quê? Qual o assunto entre um soldado e um coiteiro que o seu companheiro de farda e de missão não podia participar? E olhem que se comentava abertamente que Pedro de Cândido era a ponte segura e confiável que ligava Lampião ao tenente João Bezerra.

Se Pedro de Cândido esteve na terça à noite com Lampião; na quarta pela manhã com João Bezerra, com o tenente sabendo que ele estivera no coito, qual o imperioso motivo que João Bezerra tinha com aquele tão importante coiteiro para mandar buscá-lo altas horas da noite em sua residência em Entre Montes? E porque armar um escarcéu, uma farsa, fingindo obrigá-lo a dizer onde estava Lampião, se ele (Bezerra) sabia, pelo próprio coiteiro, que o grande cangaceiro estava no outro lado do rio?

Vamos lá, senhores historiadores, digam o que vocês pensam dessa história? Ela realmente aconteceu? Ela é mais uma das deslavadas mentiras que cercam a Grota de Angico?

5 - Se o mosquetão que foi mostrado ao Brasil e ao mundo como o de Lampião é falso, não era aquele que consta do inventário dos bens do rei dos cangaceiros, como é que fica a história? E olhem que esta afirmativa obedece ao criterioso estudo de um dos maiores estudiosos do cangaço, o famoso historiador Frederico Pernambucano de Melo.

Se esta arma apresentada como a de Lampião era falsa, como é que fica a história da Grota de Angico? Qual a prova que possa indicar o que foi feito do mosquetão verdadeiro? E porque um falso mosquetão foi apresentado no meio dos pertences do grande chefe cangaceiro? Aquilo de se dizer: “eu penso”, “eu acho”, não vale e não convence ninguém. Onde está o verdadeiro mosquetão de Lampião?

Eu sei! Aqueles que fazem questão de preservar – não se sabe o real motivo – as mentiras e mistérios de Angico irão arrumar qualquer desculpa. E essa desculpa será prazerosamente aceita. Você é um desses que irão aceitar qualquer desculpa?

E o chapéu de Lampião? Existe uma versão de que não é aquele que aparece nas fotos. Você quer detalhe sobre se este chapéu é o verdadeiro ou não entre em contato como o respeitabilíssimo Dr. Ivanildo Silveira, do Rio Grande do Norte.

6 – E o dinheiro de Lampião? Quem o achou? Quem ficou com ele? Quanto era? Nada de concreto existe. Não se conhece nenhuma prova convincente de que este ou aquele soldado achou ou ficou com o dinheiro de Lampião.

Sobre o cerco, o combate e os que morreram não é preciso nem se falar. Em meu livro “Lampião além da versão” eu já discorri tudo de estranho que ali aconteceu.Todavia, não posso deixar de registrar o meu aborrecimento em saber que muitos imaginam, e outros dizem para me chatear, que eu digo que Lampião não morreu em Angico. Eu não sou louco para dizer tal barbaridade. Se dissesse tal coisa era porque eu tinha condições absolutas para fazer tão séria afirmativa.No entanto, o que eu posso afirmar com total convicção é que a história da chacina de Angico, aquela registrada nos livros; bem como os testemunhos dos que ali estavam são tão conflitantes que se chega a terrível conclusão de que nem uma criança de oito anos tem o direito de acreditar em tantas contradições dos envolvidos na trama daquele riacho.É de se estranhar e de se lamentar que muitos pesquisadores sérios, cuidadosos, e de enorme responsabilidade, foram vencidos por um estranho sentimento de perpetuação de tais absurdos que maculam uma história tão fascinante; assim deixando que as mentiras e os mistérios de Angico se tornassem verdades absolutas e sem direito à correção do que ali realmente aconteceu.
É uma pena!

Alcino Alves Costa
Poço Redondo SE

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O Memorial da Resistência em Mossoró


Se você está querendo conhecer Mossoró no Rio Grande do Norte, não deixe de visitar  o Memorial da Resistência, patrimônio da Prefeitura Municipal de Mossoró.

Não é pintura, a foto foi gravada em cerâmica na parede do prédio

O Memorial da Resistência em Mossoró é um museu de exposições que destacam o tema do Cangaço e a resistência da cidade de Mossoró ao bando de Virgulino Ferreira da Silva - vulgo Lampião - que tentou invadir a cidade no ano de 1927.



Composto por três andares, que abrigam cinco módulos para destacar diferentes temas e aspectos do Cangaço, o memorial apresenta exposição de vários painéis.


Nesta imagem tem um senhor que no momento da foto estava visitando o memorial. Através dele calcule o tamanho das fotos dos cangaceiros.

O módulo (1) -  conta a história do movimento; O módulo (2) apresenta as biografias dos heróis da resistência mossoroense, ilustradas com fotografias. O módulo (3), denominado "A Cidade", exibe fotografias que revelam a evolução da fisionomia arquitetônica de Mossoró. O módulo quatro, chamado "Portal", tem um salão de exposição, salas de projeção de filmes e consultas virtuais sobre temas relativos ao Cangaço e café literário.

Nesta imagem tem uma senhora que no momento da foto estava visitando o memorial. Através dela calcule o tamanho das fotos dos cangaceiros.

Aqui começa o Memorial da Resistência de Mossoró

Mossoró é conhecida como a única cidade do Nordeste a expulsar Lampião e o seu bando sem a ajuda das forças militares e unicamente com a participação do povo da cidade que se armou e abateu um dos mais importantes membros do bando de Lampião, um cangaceiro chamado de Jararaca. Desde então, a cidade ficou conhecida como a terra da resistência.

Wikipedia

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Cangaceiros Cariri - Manoel Severo


Em 2013, o SESC Crato recepcionou grande debate sobre Angico; na foto:Antonio Vilela, Angelo Osmiro Barreto, Narciso Dias, Neli Conceição, Jorge Remígio, Ivanildo Silveira e Manoel Severo Barbosa. Em Julho: Piranhas !

Fonte: facebook
Página: Cangaceiros Cariri

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Grande Festa em Dores

Por João Paulo

João Paulo à direita, Vasko vasconcelos e confrades da ALAS, AGL, AEL, ALLE e ADL

A instalação da nossa Academia Dorense de Letras, dada ontem pela manhã, acabou se transformando num grande encontro acadêmico, pois, lá estavam representadas todas as arcádias sergipanas. Foi um bonito momento de unidade entre a Academia Sergipana de Letras e as arcádias municipais (Dorense - ADL, Lagartense - ALL, Laranjeirense - ALLE, Estanciana - AEL, Itabaianense - AIL, Gloriense - AGL, Tobiense - ATLAS) e também a regional (Academia de Letras do Amplo Sertão Sergipano - ALAS). Afinal, elas convergem para um mesmo objetivo: fomentar a arte literária entre as comunidades nas quais estão inseridas.

Ao final do evento, pude dialogar com alguns dos confrades e este objetivo comum foi o assunto mais comentado. O presidente da ALAS, professor Vasko, representou todas as arcádias interioranas na mesa de honra daquela solenidade e ministrou algumas palavras que, pela sua representatividade solicitei a permissão para compartilhá-las aqui. 
  



"Onde quer que esteja, Pero Novais de Sampaio que no início do século XVII fundou o lugarejo que seria denominado Enforcados, está muito feliz por este momento. Nem imaginava ele, naquela quarta-feira, 4 de outubro de 1606, que nas duas léguas de terras doadas pelo capitão-mor Nicolau Felipe de Vasconcelos, brotaria um polo de desenvolvimento não apenas comercial, mas sobretudo cultural. Graças à sabedoria de um missionário, Enforcados, no início do século XIX, passou a chamar-se Nossa Senhora das Dores, nome que conserva até hoje. Exatos 34.199 dias. Este foi o tempo transcorrido de 23 de outubro de 1920, elevação à categoria de cidade de Nossa Senhora das Dores; até hoje, 11 de junho de 2014, dia da glorificação literária do município. Tal como quem espera um Messias Prometido, a população desta comuna aguardou pacientemente todos esses dias, para presenciar a instalação da ADL – Academia Dorense de Letras.

Não. Não é a primeira. Também não será a última a ser implantada no interior de Sergipe; mas, por enquanto, é a nossa querida irmã caçula. Outras virão, porque, como vulgarmente se diz, a “fila tem que andar”. 

Em breves dias, esta província do Cacique Serigy assistirá ao despontar do primeiro sodalício literário de âmbito regional no Estado e quiçá no Brasil. Virá em missão de paz, com o escopo de colaborar com o trabalho já brilhantemente desenvolvido pelas coirmãs municipais e estadual. Refiro-me à ALAS – Academia Literária do Amplo Sertão Sergipano que engloba 12 (doze) municípios criteriosamente eleitos para comporem o mapa literário do Alto e Médio Sertão desta unidade federativa. Nós, alanos, Leunira Batista Santos Sousa, Edivan de Jesus Santos e este que lhes dirige a palavra, representando todos os outros confrades e confreiras do conglomerado acadêmico de Sergipe que, pelos mais diversos e justos motivos, não puderam comparecer a esta solenidade; prestamos as mais sinceras homenagens à vizinha coirmã, desejando-lhe, e aos seus membros, o mais retumbante sucesso. Obrigado." Palavras de Vasko Vasconcelos

João Paulo
Nossa Senhora das Dores
Sergipe

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Mossoró no Rio Grande do Norte, hoje se comemora 87 anos que Lampião tentou invadi-la


No dia 13 de Junho de 1927, num dia de segunda-feira, às 15;30, Lampião ataca a cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte, junto com seu numeroso bando (há dúvidas sobre a quantidade de facínoras), foi rechaçado por toda população mossoroense, resolvendo dar retirada, pois era bala para todo lado, seguindo para a região do Ceará, Limoeiro do Norte.

Fonte: facebook
Página: Paulo George

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quinta-feira, 12 de junho de 2014

DA HISTÓRIA AO MITO: 82 ANOS DE RESISTÊNCIA DE MOSSORÓ AO BANDO DE LAMPIÃO


Michaell Magnos Chaves de Oliveira. Graduado em Ciências Sociais e em Direito. Servidor UERN. E-mail: michaellmagnos@bol.com.br.

Resumo

A Resistência de Mossoró ao grupo do cangaceiro Lampião completou 82 anos neste dia 13 de junho. O cangaço foi um movimento predominantemente nordestino e sertanejo do final do século XIX e início do XX. Em parte, condicionado pelo meio social de miséria e opressão e, também, pelo banditismo e violência gratuitos, os cangaceiros foram homens que contrariaram a ordem vigente. Vivendo em uma sociedade paupérrima, caracterizada por um modelo agrícola produtivo baseado na concentração e no latifúndio, na qual os poderosos tinham um grande poder de retaliação, o banditismo era uma estratégia de sobrevivência. Este trabalho objetiva entender o fenômeno do cangaço e as causas do insucesso na invasão da cidade de Mossoró – RN que, na época, já despontava como um centro comercial promissor. Foi realizado um levantamento bibliográfico (CHIAVENATO 1990, FERNANDES 1985, NASCIMENTO 2002.) e documental acerca do tema. Procedemos com o levantamento histórico das informações, utilizamos uma análise de discurso. Os resultados obtidos revelam que a resistência ao grupo de Lampião à investida contra a cidade de Mossoró foi, sem dúvida, um marco para o estudo do fenômeno-cangaço e para a história do município. Essa resistência foi sobretudo o resultado da união de forças da municipalidade com os setores abastados do município. Como critério inovador, tratamos da defesa, enquanto fenômeno espacial, circunscrito ao centro da cidade, onde concentrava-se as casas comerciais e demais instituições de poder. A revisão da História “oficializada”, a desconstrução de mitos é fundamental para o estabelecimento da pesquisa histórica, podendo contribuir de forma significativa para as concepções adotadas para o ensino da História.

Palavras Chave: Lampião; Mossoró; Resistência.

Introdução

A Resistência de Mossoró ao bando do cangaceiro Lampião completa neste dia 13 de junho, oitenta anos, este fato tão marcante na memória dos mossoroenses constitui-se num elemento de investigação neste texto.

Objetiva-se entender o fenômeno do cangaço, e as causas do insucesso na invasão da cidade, que na época já despontava como um centro comercial promissor, que soube organizar-se e defender o seu patrimônio.

Este movimento de defesa concentrou-se no centro da cidade, onde a riqueza do município era concentrada e resultou de um esforço incansável do prefeito Rodolfo Fernandes e de sua população.
Mossoró da Época

Há exatos oitenta anos, a cidade de Mossoró travava uma luta armada em defesa de seu território, de seu povo. Uma luta de resistência à invasão do bando do destemido cangaceiro Lampião à cidade.

Nos anos vinte do século passado, a cidade de Mossoró vivia um período de desenvolvimento econômico invejável, mesmo estando situada no semi-árido nordestino, o comércio e a indústria viviam um expansionismo singular. Segundo Geraldo Maia do Nascimento, a cidade:

Possuía o maior parque salineiro do país, três firmas comprando, descaroçando e prensando algodão, casas compradoras de peles e cera de carnaúba, contando com um porto por onde exportava seus produtos e sendo, por assim dizer, um verdadeiro empório comercial, que atendia não só a região oeste do Estado, como também algumas cidades da Paraíba e até mesmo do Ceará. (NASCIMENTO, 2002, p.57).

As informações de Raul Fernandes (1985) e de Geraldo Maia do Nascimento (2002) indicam que a população do município de Mossoró girava em torno 20.300 pessoas, para se ter uma idéia, a capital do Rio Grande do Norte, Natal, na época contava com uma população de aproximadamente 30.600 habitantes, isso tudo alimentava ainda mais a rivalidade entre os dois municípios, já que no início do século XX, do ponto de vista econômico, a cidade de Mossoró desfrutava de maior destaque do que Natal.

Havia na cidade repartições públicas federais e estaduais, uma agência do Banco do Brasil. Contava ainda com estradas de rodagem, energia elétrica, uma estrada de ferro, que se estendia do povoado de São Sebastião, atual município de Governador Dix-Sept Rosado, até o litoral.
Três jornais circulavam na cidade: “O Correio do Povo”, “O Nordeste” e “O Mossoroense”, considerado o mais antigo, pois fora fundado em 1872, e funcionavam quatro estabelecimentos de ensino: a Escola Normal, a Escola do Comércio, o Colégio Diocesano Santa Luzia e o Colégio Sagrado Coração de Maria.

Por tudo isso, Mossoró despertava a cobiça de grupos de bandidos armados que aterrorizavam os rincões dos sertões nordestinos, os temidos grupos de cangaceiros.

Os Cangaceiros

Na busca de uma definição do que viria a ser cangaceiro, vale-mo-nos de uma conceituação de Júlio José Chiavenato.

O cangaceiro lutava pela mera sobrevivência. Era perigoso não só para suas vítimas como para a estrutura falida do Nordeste. Seus atos degeneravam em simples banditismo. Precisava usar de toda a astúcia para sobreviver, porque era caçado como elemento desestabilizador da ordem. (CHIAVENATO, 1990, p.17).

O autor nos dá uma definição de cangaceiro como vítima da ordem social da época, o cangaço sob essa ótica, aparece como uma forma de revolta espontânea ao controle social dos coronéis. Vivendo em uma sociedade paupérrima, na qual os poderosos tinham um grande poder de retaliação, o banditismo era uma estratégia de sobrevivência.

Dessa forma, não podemos conceber o cangaço sem levar em conta que esses homens, sertanejos, foram vítimas do desajustamento da sociedade da época, eram explorados de várias formas e sob vários aspectos pelo Estado, pelo mandonismo dos coronéis, enfim, por um modelo agrícola produtivo baseado na concentração e no grande latifúndio de terra.

Então, o cangaço originou-se a partir dessa desumana estrutura vigente, da época. A era do boi, do grande país do couro e do mundo do fanático, do jagunço e do cangaceiro, tudo e todos controlados pela soberania do coronel. Muitos sertanejos entraram para os bandos de cangaceiros por não mais se acharem capazes de trabalhar sob a grande submissão nas fazendas. Outros fatores foram relevantes como: o desemprego, a fome – em virtude das secas – e sem dúvida nenhuma, o ódio intenso às volantes que perseguiam, além dos cangaceiros, o pobre caatingueiro que, às vezes, dava abrigo aos bandos. (ADELINO, 2003, p.11).

Não queremos descartar aqui as atrocidades cometidas pelos cangaceiros, e não condicioná-los apenas como fruto de um meio social degradante, vários foram os fatores que originaram este movimento e também vários foram os motivos que levaram os sertanejos a pegarem as armas e abraçarem esta vida errante.

Elucidante é a classificação dada por Kydelmir Dantas, dos tipos de cangaceiros:

1 – Injustiçado – Entrou no cangaço para fazer justiça com as próprias mãos, à procura de vingança.(...)

2 – Aventureiro – Devido o fascínio que o cangaço exercia. Aqueles homens e meninos, acostumados com a seca, a força, a vingança e a ouvir os 'causos' e coisas daqueles bandoleiros errantes, que enchiam-lhes a imaginação, tornando-os com heróis.(...)

3 – Facínora – Entrou, em qualquer grupo apenas para se proteger da perseguição policial; era assassino ou ladrão, que continuou a cometer as suas tropelias, amparado pelos companheiros, mas, geralmente, não tinha a confiança de todos. (OLIVEIRA, 1997, p.15).

Por esta classificação e pelas notícias de atrocidades cometidas pelos cangaceiros, temos que ter em mente a banalização da violência, o espírito sanguinário e vingativo, a crueldade e a total insensibilidade à honra e a dignidade da vida humana, em muitas das ações cometidas por esses grupos.

Destacamos o massacre de três rapazes, ocorrido nas imediações da cidade de Martins, pelo bando de Lampião, quando dirigiam-se a Mossoró, narrado por Raul Fernandes.

Os bandidos liquidaram os feridos com selvageria, despojando-os de tudo. 'Capuxu' vendo Bartolomeu Dias da Costa, baleado, prostrado por terra, mandou o refém Manoel Barreto segurá-lo. Em seguida, apunhalou-o várias vezes. Barreto ficou apavorado.

Ao entardecer, os martinenses vêem entrar na cidade, as redes com os corpos dos inditosos rapazes. Assistem compungidos à triste cena. O laudo cadavérico revelou o modo cruel como foram assassinados. Bartolomeu teve os olhos arrancados, ventre dilacerado e várias mutilações. Sebastião Trajano e Francisco Camelo, além dos ferimentos à bala, foram esfaqueados. (FERNANDES, 1985, p. 106 e 107).

Sobre Lampião

Antes de liderar um dos maiores bandos de cangaceiros do Nordeste, Lampião atuou em três diferentes grupos. O primeiro foi no bando dos irmãos Porcino, mas não ficou por muito tempo. Por volta de 1920, Lampião perdeu os pais em virtude das constantes brigas com os 'cabras' de Nazaré, especialmente, Zé Saturnino e daí, passou a atuar em outro grupo, o de Antônio Matilde. É ainda neste mesmo período, que os irmãos mais velhos da família Ferreira, de fato, ingressam no cangaço. É no bando de Sebastião Pereira (Nhô Pereira) que Virgulino, Antonio e Livino são bem aceitos. (ADELINO, 2003, p.14).

Lampião passa a liderar o bando de Nhô Pereira por volta do ano de 1922, quando este deixa o cangaço. Virgulino observava de modo severo o cumprimento das regras por todos os componentes do bando. Suas ações ousadas e destemidas ganharam a admiração, o respeito, o temor e a fama nos sertões nordestinos. Estendendo os limites da fama além Nordeste, pois até hoje em dia, Lampião é o expoente do cangaço mais lembrado em todo o Brasil. “Havia vários anos lampião corria os sertões do Nordeste levando o medo à sua frente e deixando em seu rastro uma legenda de vinditas que crescia ininterrupta pelos pequenos povoados, vilas ou cidades”. (PEDROSA, 1997, p. 47).

As Primeiras Ações do Grupo de Lampião no Rio Grande do Norte

Nos primeiros meses de 1927, o Rio Grande do Norte é atacado pelo bando de Lampião.

Em 10 de maio de 1927, um grupo liderado por Massilon, vulgo Benevides, saqueia a cidade do Apodi, eles entram pelo Ceará e depois de ameaçarem, surrupiarem e depredarem prédios na pequena cidade oestana, na manhã do dia seguinte, roubam o vilarejo de Gavião, atual cidade de Umarizal. O Bando chefiado por Massilon passou ainda pelo vilarejo de Itaú e depois retornaram ao Ceará para o encontro marcado com Lampião.

No dia 10 de Junho, a marcha penetra no município potiguar de Luís Gomes, tendo sua primeira investida contra a Fazenda Nova, localizada no sopé da Serra de Luís Gomes. Adentram o município de Pau dos Ferros, próximo à vila de Vitória (atual Marcelino Vieira). No dia 11 de junho penetram no município de Martins, em Boa Esperança (atual cidade de Antonio Martins).

No dia 12 de junho, adentram o município de Umarizal, na época Gavião, depois a cavalgada far-se-ia na Chapada do Apodi. Folgam na Fazenda Santana.

A cidade de Mossoró, através do Prefeito e da classe abastada, começou a ficar inquieta, com insegurança perante as notícias vindas da Chapada do Apodi. O Intendente Cel. Rodolfo Fernandes, de imediato, reuniu essa classe em seu seu palacete, mediante preocupação com o número de contingentes que resguardava a cidade. O 'desassossego' foi geral, pois muitos tinham certeza do ataque do bando a essa cidade, especialmente, o prefeito. (ADELINO, 2003, p.33).

A Organização da Defesa

Após a reunião, o prefeito Rodolfo Fernandes e os demais comerciantes da cidade apuraram uma quantia de aproximadamente vinte e três contos de réis, com os quais, comprariam o armamento para defesa, segundo Raul Fernandes (1985), o cunhado do prefeito, o Sr. Alfredo Fernandes ficou encarregado pela compra.

A resistência se daria principalmente no centro da cidade, onde predominava as casas comerciais, industriais, os estabelecimentos de ensino, as igrejas, as repartições públicas, o Banco do Brasil e as casas dos senhores abastados da cidade.

A defensiva foi uma tarefa árdua, pois desde os primeiros rumores o prefeito não recebeu tantas adesões à organização das forças. A população na sua grande parte zombava da possibilidade de a cidade ser atacada pelo grupo de Lampião, em virtude de fatores como a localização geográfica e o porte da mesma. (PAIVA NETO, 2001, p. 161).

As Trincheiras

Construídas para garantir a defesa dos pontos estratégicos da cidade, as trincheiras espalharam-se pela cidade.

Nessa altura dos acontecimentos, os mossoroenses já convencidos do intento dos cangaceiros, tratavam de preparar a defesa da cidade. O tenente Laurentino era encarregado dos preparativos. E como tal, distribuía os voluntários pelos pontos estratégicos da cidade. Haviam homens instalados nas torres das igrejas matriz, Coração de Jesus e São Vicente, no mercado, nos correios e telégrafos, Companhia de Luz, Grande Hotel, estação ferroviária, ginásio Diocesano, na casa do Prefeito e demais pontos. (SCHULTZ, 2004, p.72).

Observamos a organização da classe mais privilegiada da população, que se organizou na defesa de seus negócios, seus bens, sua terra, recrutando seus empregados, serviçais e populares que ficariam nas trincheiras aguardando o comando de defesa.

As informações davam conta de que o bando se aproximava da cidade, no dia 12 de junho, o bando seqüestra o Coronel Antonio Gurgel do Amaral, o qual é quem escreve uma carta ao prefeito de Mossoró, informando da exigência de 400 contos de réis para a não invasão do bando à cidade.

O prefeito responde ao bilhete informando que a cidade não dispõe da quantia exigida e que encontra-se preparada para receber o bando.

No mesmo dia, o bando de Lampião chega durante à noite ao povoado de São Sebastião (atual Governador Dix-Sept Rosado) realizando verdadeiro estardalhaço no pequeno lugarejo, o jovem Aristides de Freitas Costa, que se encontrava na estação ferroviária liga para a cidade de Mossoró avisando que o bando já chegara a São Sebastião. 

Eram onze horas da noite.

O Alarme

O prefeito de Mossoró ordena que o alarme seja tocado.

Súbito, às onze da noite, os sinos de bronze da matriz, em carrilhonar contínuo, ressoaram em ritmo lento e grave, enquanto os das igrejas menores de São Vicente de Paulo e Coração de Jesus repicavam aceleradamente. O badalar, desordenado e macabro, despertou a população da letárgica descrença. Ninguém conciliou mais o sono, face à terrível certeza da tragédia, prestes a se desenrolar. Ao angustiante aviso, somavam-se os apitos das caldeiras a vapor da Usina Força e Luz e de outras empresas, retidos, a cada instante. (FERNANDES, 1985, p. 121).

A cena que se repetiu, segundo vários autores consultados foi de verdadeiro caos, a população inicia-se a deslocar-se pelas ruas na incerteza de conseguir transporte, desalinhados, deslocavam-se em disparada, em direção à costa, vagavam em busca de parentes e amigos. A ordem era de que quem estivesse desarmado, saísse da cidade.

A praça da Estação de ferro lotava, era o ponto de embarque para o comboio em direção á Areia Branca durante toda a noite e pela manhã do dia 13 de junho.

Nas ruas, o povo tentava deixar a cidade de qualquer maneira. Mulheres chorando, carregando crianças de colo ou puxadas pelos braços, levando trouxas de roupas, comidas e água para a viagem, vagando na multidão sem rumo. Era uma massa humana surpreendente que se deslocava pelas ruas da cidade na busca de transporte, qualquer que fosse o meio, para fugir antes da investida dos cangaceiros. (NASCIMENTO, 2002, p. 62).

O Confronto

O bando de Lampião deixa o vilarejo de São Sebastião por volta das cinco horas e trinta minutos da manhã do dia 13 de junho, chegando à comunidade chamada de “Saco”, situada a 2 quilômetros de Mossoró, apearam-se e trataram dos últimos ajustes para a invasão.

O bando atravessa a estrada de Ferro e penetra no Alto da Conceição pela Avenida Alberto Maranhão.

Somente à tarde ouviram-se os primeiros tiros. Dezenas de homens correndo em zigue-zague, atirando para o interior das casas de um lado e outro da rua, atravessaram o subúrbio do Alto da Conceição, aos gritos de 'Eita Mossorózinho de açúcar' e rumaram diretamente para a praça principal. (PEDROSA, 1997, p. 48)

Sabino liderava o bando na entrada da cidade, logo dirigiu-se ao patamar da Igreja São Vicente, vestido de militar, para confundir os homens das trincheiras, no entanto, minutos depois veio a ordem para atirar, a partir desse momento, ocorre a troca de tiros entre os cangaceiros e os defensores da cidade. “Tiros partiam de trincheiras localizadas em vários pontos do centro da cidade, o cerco estava fechando-se, o cangaceiro Colchete é alvejado e sucumbe pelas mãos do comerciante Manuel Duarte.” (ADELINO, 2003, p. 38).

O cangaceiro Jararaca tentando auxiliar Colchete, foi alvejado no tórax pelos resistentes da torre da igreja de São Vicente. Recebendo outro tiro na perna fica privado de correr e no dia seguinte é preso, ficando aquartelado na Cadeia Pública, sendo morto no dia 18 de junho do mesmo ano.

Sabino, atirando para o alto, convoca os integrantes para a retirada.

E com estas duas baixas
O bando foi recuando
E, aos poucos, da cidade
Estavam se retirando,
Sem daqui nada levar
Como estavam planejando.
Para o chefe dos bandidos,
Foi grande o prejuízo,
saiu daqui derrotado
Por não crer em nosso aviso
além de sair correndo
ainda saiu mais liso.
(HONORATO, 1977, p.17)

O combate durou cerca de uma hora e meia, por volta das cinco e meia da tarde, Lampião já havia fugido, deixando dois cangaceiros importantes para o bando. Estava consolidada a defesa da cidade empreendida pelo prefeito Rodolfo Fernandes e pelo povo de Mossoró.
Considerações Finais

O cangaço foi um movimento predominantemente nordestino e sertanejo que consistiu numa ação de resposta ao mandonismo dos coronéis e à concentração fundiária presentes no final do século XIX e início do XX.

Em parte, condicionado pelo meio social de miséria e opressão e também pelo banditismo e violência gratuitos, os cangaceiros foram homens que contrariaram a ordem vigente e impuseram medo e terror aos sertões.

A resistência ao bando de Lampião à investida contra a cidade de Mossoró foi sem dúvida um marco para o estudo do fenômeno-cangaço e para a história do município, essa resistência foi um resultado da união de forças da municipalidade, através do prefeito Rodolfo Fernandes com os setores abastados do município, como comerciantes e industriais, destacando-se também a participação de populares que estiveram na linha de frente, posicionando-se nas trincheiras espalhadas pelo centro da cidade.

O estudo e o conhecimento sobre o tema do cangaço e suas singularidades nunca esgota-se, é passível de revisões e de contribuições, com isso reforçamos o nosso intento nestas páginas. A revisão da História “oficializada”, a desconstrução de mitos é fundamental para o estabelecimento da pesquisa histórica, podendo contribuir de forma significativa para as concepções adotadas para o ensino da História.

Referências Bibliográficas:

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CHIAVENATO, Júlio J.. Cangaço: a força do coronel. São Paulo: Brasiliense, 1990.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio Século XXI Escolar: o minidicionário da língua portuguesa. 4. ed. Rev. Ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
FERNANDES, Raul. A marcha de Lampião: assalto a Mossoró. 3ª ed. Natal: Ed. Universitária da UFRN, 1985.
GASTÃO, Paulo de Medeiros. Quem é quem no cangaço: dicionário dos escritores da cangaço. [S.l.:s.n.], 2002. Volume XXX. (Coleção Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBSC).
HONORATO, Aldivan. 13 de junho: 1927-1977. [S.l.:s.n.], 1977. (Coleção Mossoroense. Série B – Folhetos, nº 264).
NASCIMENTO, Geraldo Maia. Fatos e Vultos de Mossoró: acontecimentos e personalidades – coletânea de artigos. Mossoró: Coleção Mossoroense – Série C. Número 1310, 2002
OLIVEIRA, Antonio Kydelmir Dantas de. Síntese Cronológica do cangaço. In.: ______, Mossoró e o Cangaço: coletânea de artigos. Mossoró: Fundação Vingt-Un Rosado – Coleção Mossoroense, Série C – Vol. 950, 1997. p. 14-18. (Coleção Sociedade Brasileira do Cangaço – volume V).
PAIVA NETO, Francisco Fagundes. Liturgias Políticas do “País de Mossoró”. In.: ROSADO & MAIA, Carlos Alberto de Souza & Isaura Amélia de Souza Rosado (Organizadores). Seminário Dix-sept Rosado: 5 meses de Governo 50 anos de História. Natal: Normalize: SerGraf, 2001 ( v. 2: il, Coleção Mossoroense, Série “C”, v. 1230). Conteúdo: v.2. - Os Rosado em tese.
PEDROSA, Milton. A invasão de Mossoró. In.: OLIVEIRA, Antonio Kydelmir Dantas de. Mossoró e o Cangaço: coletânea de artigos. Mossoró: Fundação Vingt-Un Rosado – Coleção Mossoroense, Série C – Vol. 950, 1997. p. 47-50. (Coleção Sociedade Brasileira do Cangaço – volume V).
SANTOS, Antonio Raimundo dos. Metodologia Científica: a construção do conhecimento. 6ª ed. Revisada. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
SCHULTZ, Rinaldo Difforene. O Tiro de Guerra de Mossoró: uma história de civismo. [S.l.:s.n.], 2004 (Projeto Rota Batida II).

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