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sábado, 14 de fevereiro de 2015

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA: 125 ANOS

Por Maria Teresa Navarro de Britto Matos

No dia 16 de janeiro, o Arquivo Público do Estado da Bahia celebrou 125 anos de existência. Nesta trajetória, momentos importantes merecem destaque, como o gradativo crescimento, resultado da intensificação do recolhimento e da aquisição de acervos públicos e privados. O Arquivo sempre manteve o caráter singular de repositório dos documentos acumulados pelas atividades desenvolvidas pelo Estado. Mas, teve o sentido de sua missão reelaborado para dialogar com as mudanças do presente. De órgão exclusivamente administrativo enquanto “depósito da história” e mais tarde, difusor cultural e instrumento de democratização do Estado, o Arquivo vem sendo reconfigurado para as novas demandas do século XXI, fortalecido como um espaço legítimo de cidadania.

A ideia de modernizar a instituição remonta ao final da década de 1970. Com este propósito, o Governo do Estado da Bahia transferiu a sede da Rua Carlos Gomes para o Solar da Quinta do Tanque, na Baixa de Quintas, em 1980, possibilitando a instalação dos laboratórios de restauração e microfilmagem. O restauro do forro, assoalho e telhado do Solar, e a requalificação dos sistemas elétrico, lógico e telefônico, realizados entre 2013 e 2015, evidencia a retomada do processo de modernização com vistas à institucionalização da digitalização para fins de acesso e preservação.

Investimentos, também, foram direcionados ao tratamento técnico do acervo custodiado, notadamente de descrição multinível, restauro e digitalização. O objetivo se concentrou no interesse de qualificar o Arquivo Público do Estado como polo difusor de informações para apoiar as decisões governamentais de caráter político-administrativo, subsidiar o cidadão na defesa de seus direitos e incentivar a produção acadêmico-científica e cultural.

Os conjuntos documentais “Tribunal da Relação do Estado do Brasil e da Bahia: 1652-1822”; “Registros de Entrada de Passageiros no Porto de Salvador: 1855 a 1964” e “Cartas Régias 1648-1821” confirmam o valor excepcional do acervo do APEB ao serem nominados “Memória do Mundo” pelo Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da UNESCO, em 2008, 2010 e 2013 respectivamente.

Deve-se ressaltar ainda o empenho para disciplinar a gestão documental e o acesso à informação pública, com a oficialização da primeira Tabela de Temporalidade de Documentos da Administração Pública do Poder Executivo – Atividades Meio (2010), e do Plano de Classificação de Documentos.

A despeito de todas as realizações, o Arquivo Público deverá transpor inúmeros desafios: a expansão de bases de dados; o amplo acesso à informação integrando-o às redes virtuais; o restauro e a digitalização em larga escala; o tratamento arquivístico de documentos em formato digital; a orientação técnica a órgãos do Poder Executivo, às Prefeituras e Câmaras Municipais; além da oferta renovada de serviços educativos e culturais, com a finalidade de assegurar a aproximação com as instituições educacionais e o público em geral.

Um passo importante que contribuirá para superar parte dos desafios apontados se concretizou em dezembro de 2014, com a institucionalização no âmbito da Secretaria de Cultura, do Colegiado de Arquivos e Memória, representado pela sociedade civil e pelo poder público, com a finalidade de fortalecer o segmento.

Atento às demandas dos cidadãos e da administração pública, o Arquivo Público do Estado da Bahia, merece justas homenagens pela passagem dos 125 anos. O Arquivo Público reafirma o compromisso de aperfeiçoar e ampliar o acesso e a salvaguarda da memória da Bahia e do Brasil em benefício das gerações atuais e futuras.

Maria Teresa Navarro de Britto Matos

Postado por Urano Andrade

http://uranohistoria.blogspot.com.br/2015/01/arquivo-publico-do-estado-da-bahia-125.html

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INJUSTIÇA

Por Antonio Corrêa Sobrinho

Destaquei da edição do dia 17/11/1958, do jornal "O Globo", a imagem, segundo este, de Maria de Lurdes Dias dos Santos, uma das filhas do cangaceiro Corisco, e que, aos doze anos de idade, era a megera que se vê nesta foto, devido os maus tratos da família que a criou e achava justo vingar na inocente menina os crimes do pai.

o que o grupo tem a dizer a respeito?

ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

E se o cangaceiro Corisco ainda estivesse vivo, será que essa família que a criou, teria coragem de fazer o que fazia com ela sem o pai presente?. "A formiga sabe a folha que corta".

Clique neste link para saber mais sobre o casal de cangaceiros Corisco e Dadá

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2014_11_29_archive.html

Fonte: facebook

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QUADROS RECENTES

Por Manoel Perigo Neto






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SOBRINHA DO CANGACEIRO VOLTA SECA É ENCONTRADA POR ROBÉRIO SANTOS

Por Robério Santos

É com muito orgulho que apresento dona Ilza dos Santos, sobrinha direta do famoso cangaceiro Volta Seca. Gravei uma longa entrevista com ela onde me trouxe informações incríveis e inéditas sobre ele. Estive no povoado Saco Torto e ela tem 84 anos... 


Ela é uma dos 18 filhos de Dona Felismina dos Santos, parteira das boas era uma das 13 filhas de Manuel Antônio dos Santos e Arminda Maria dos Santos. Senhora lúcida, não lembra de muita coisa, pois Volta Seca quando foi preso ela tinha apenas 1 ano de idade e em 1953 os dois se encontraram no Saco Torto... 

Estou muito feliz em estar contando esta história. 

Abraço, depois público mais fotos que consegui e o vídeo.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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A REVOLTA DE PRINCESA


A guerra de Princesa, em 1930, foi um acontecimento que marcou e transformou a vida estadual e teve repercussão nacional. Tudo começou através de discórdias políticas e econômicas, envolvendo poderosos coronéis do interior do estado e o governador eleito da Paraíba em 1927, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. O principal deles era o chefe político de Princesa Isabel, o “coronel” José Pereira de Lima, detentor do maior prestígio na região, que se tornou o líder do movimento. Era a própria personificação do poder político. Homem de decisão e coragem pessoal, também era fazendeiro, comerciante, deputado e membro da Comissão Executiva do partido.

Coronel José Pereira de Lima

João Pessoa discordava da forma como grupos políticos que o elegera, conduziam a política paraibana, onde era valorizado o grande latifundiário de terras do interior, possuidores de grandes riquezas baseadas no cultivo do algodão e na pecuária. Estes “coronéis” atuavam através de uma estrutura política arcaica, que se valia entre outras coisas do mandonismo, da utilização de grupo de jagunços armados e outras ações as quais o novo governador não concordava. Nos seus redutos, eram eles que apontavam os candidatos a cargos executivos, além de nomearem delegados, promotores e juízes. Eles julgavam, mas não eram julgados. Verdadeiros senhores feudais, nada era feito ou deixava de ser feito em seus territórios que não tivesse a sua aprovação. Mas João Pessoa passou a não respeitar mais as indicações de mandatários para nomeações de cargos públicos.

Por esta época, esses coronéis exportavam seus produtos através do principal porto de Pernambuco, em Recife, provocando enormes perdas de divisas tributárias para a Paraíba. Procurando evitar esta sangria financeira e efetivamente cobrar os coronéis, João Pessoa implantou diversos postos de fiscalização nas fronteiras da Paraíba, irritando de tal forma estes caudilhos, que pejorativamente passaram a chamar o governador de “João Cancela”.

A gota d`água foi a escolha dos candidatos paraibanos à deputação federal. Como presidente do estado, João Pessoa dirigiu o conclave da comissão executiva do Partido Republicano da Paraíba que escolheu os nomes de tais pessoas. A ideia diretriz era a rotatividade. Quem já era deputado não entraria no rol de candidatos. Tal orientação objetivava afastar o Sr. João Suassuna, grande aliado de José Pereira que, como presidente do estado que antecedeu a João Pessoa, teria maltratado parentes de Epitácio na cidade natal de ambos, Umbuzeiro. No entanto, João Pessoa deixou na relação dos candidatos o nome de seu primo, Carlos Pessoa, que já era deputado. Isso valeu controvérsia na comissão executiva e apenas João Pessoa assinou o rol dos candidatos.

Com o apoio discreto, mas efetivo, do Presidente da República e dos governadores de Pernambuco, Estácio de Albuquerque Coimbra, e do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine de Faria, o coronel José Pereira decidiu resistir a essas investidas contra seus poderes. Com data de 22 de fevereiro de 1930, ele rompe oficialmente com o governo do Estado, através do seguinte telegrama:

"Dr. João Pessoa - Acabo de reunir amigos e correligionários aos quais informei do lançamento da chapa federal. Todos acordaram mesmo que V. Excia., escolhendo candidatos à revelia Comissão Executiva, caracteriza palpável desrespeito aos respectivos membros. A indisciplina partidária que ressumbra do ato de V. Excia, inspirador de desconfianças no seio do epitacismo, ameaça de esquecimento os mais relevantes serviços dos devotados à causa do partido. Semelhante conduta aberra dos princípios do partido, cuja orientação muito diferia da atual, adotada singularmente por V. Excia. Esse divórcio afasta os compromissos velhos baluartes da vitória de 1915 para com os princípios deste partido que V. Excia. acaba de falsear. Por isso tudo delibero adotar a chapa nacional, concedendo liberdade a meus amigos para usarem direito voto consoante lhes ditar opinião, comprometendo-me ainda defendê-los se qualquer ato de violência do governo atentar contra direito assegurado Constituição. Saudações (a) José Pereira".

Como resposta, João Pessoa mandou a polícia invadir o município de Teixeira, reduto dos Dantas, aliados de José Pereira, prendendo pessoas da família e impedindo que ocorresse votação naquela cidade. Determinou que acontecesse o mesmo em Princesa, mas lá, o coronel se armou, juntou um exército e reagiu.

José Pereira tinha armas em quantidade, recebidas do próprio governo estadual, em gestões anteriores, para enfrentar o bando de Lampião e mais tarde a Coluna Prestes. Seu exército particular era estimado em mais de 1.800 combatentes, onde diversos desses lutadores eram egressos do cangaço ou desertores da própria polícia paraibana. Com esse poderio bélico e seu prestígio político, começou a planejar o que ficou conhecido como “A Revolta de Princesa”. Partiu então para a arregimentação de aliados. Nessa tentativa, no dia 27 de fevereiro de 1930, dirigiu ao Sr. Odilon Nicolau a seguinte carta:

"Amigo Odilon Nicolau, o meu abraço. O governo tem feito grande pressão aos eleitores e sei agora que têm sido espancados vários correligionários da Causa Nacional. Como você já deve saber, rompi com o governo de João Pessoa e estou disposto a garantir os nossos amigos, para o que envio vários contingentes. 

O meu pessoal não tocará em ninguém, salve se for agredido. Havendo de provocar a intervenção, pois estou disposto a ocupar todos os municípios do Sul do Estado. O mesmo se fará no Norte com outra força comandada por pessoa em evidência no Estado. Penso ter direito e bem razão em lhe convidar para esta luta, porque as minhas relações com você e sua família, me animam a assim proceder. Não me engane porque a luta está amparada pelos próceres da política nacional. João Pessoa está ilegalmente no governo, logo depois da eleição, dado o movimento, o Governo Federal tomará conhecimento dos atos absurdos e inconstitucionais praticados por ele. Venha e não se receie. Do velho amigo, José Pereira Lima. Princesa, 27 de fevereiro de 1930".

O movimento declarou a independência provisória de Princesa Isabel do Estado da Paraíba. Em 28/02/1930 o Decreto nº 01 foi aclamado pela população, que declarou oficialmente a independência da cidade (República de Princesa), com hino,bandeira e leis próprias.

Essa rebelião atingiu também diversos municípios como Teixeira, Imaculada, Tavares e outros. A cidade, que já tinha visto passar diferentes grupos de cangaceiros, passou a ser reduto de valentia e independência. Foram travadas sangrentas batalhas e inúmeras vidas foram perdidas. Princesa se tornou uma fortaleza inexpugnável, resistindo palmo a palmo ao assédio das milícias leais ao governador João Pessoa.

Mas a luta perde sua razão de ser. O "coronel" queria afastar o presidente João Pessoa do governo, porém, o advogado João Duarte Dantas, por motivos pessoais/políticos, assassinou o presidente do Estado da Paraíba, na confeitaria Glória, no Recife, às 17 horas do dia 26 de julho de 1930. É que João Dantas teve a sua residência e escritório de advocacia na capital da Paraíba invadidos pela polícia do Estado, tendo parte de seus documentos apreendidos e divulgados pelo jornal A União, quase um diário oficial do estado. Vieram à luz detalhes de suas articulações políticas e de suas relações com a jovem Anayde Beiriz. Em uma época em que honra se lavava com sangue, Dantas sabendo que João Pessoa estava de visita ao Recife, saiu em sua procura para matá-lo.

Com sua morte, o movimento armado de Princesa, que pretendia a deposição do governo, tomou novo rumo. Os homens de José Pereira comemoraram, mas o coronel, pensativo, teria dito: “Perdemos...! Perdi o gosto da luta. Os ânimos agora vão se acirrar contra mim".

E conforme sua previsão, os paraibanos ficaram chocados com o assassinato (a partir daí criou-se todo um mito). O crime foi apresentado como obra dos perrepistas, o Partido Republicano Paulista. Seus partidários, em retaliação, foram perseguidos e tiveram suas casas incendiadas, além de sofrerem outros tipos de perseguição e violência.

O Presidente da República, Washington Luiz, decidiu então terminar com a Revolta de Princesa e o "coronel" José Pereira não ofereceu resistência, conforme acordo prévio, quando seiscentos soldados do 19º e 21º Batalhão de Caçadores do Exército, comandados pelo Capitão João Facó, ocuparam a cidade em 11 de agosto de 1930. José Pereira deixa a cidade no dia 5 de outubro de 1930.

No dia 29 de Outubro de 1930, a Polícia Estadual ocupa a cidade de Princesa com trezentos e sessenta soldados comandados pelo Capitão Emerson Benjamim, passando a perseguir os que lutaram para defender a cidade ameaçada, humilhando e torturando os que foram presos, sem direito a defesa. A luta teve um balanço final de, aproximadamente, seiscentos mortos.

Depois de anistiado, em 1934, José Pereira foi residir na fazenda "Abóboras" em Serra Talhada-PE.

Publicado em: 

http://culturapopular2.blogspot.com.br/2011/02/revolta-de-princesa.html

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TÁTICAS E TRUQUES DO CANGAÇO - O CONHECIMENTO DO AMBIENTE E O USO DE ALGUMAS TÁTICAS DAVAM VANTAGEM AO CANGACEIRO.


1 - Rastros

Uma forma de escondê-los era andar em fila indiana, todos pisando na mesma pegada. O último ia de costas, apagando-a com plantas, Mandavam também fazer alpercatas com o salto na frente e não atrás, como é normal. A pegada parecia apontar para o outro lado, de modo que os perseguidores não sabiam se o bando ia ou se vinha

2 - Comunicações

Quando entrava numa cidade, o bando cortava o fio do telégrafo e tomava o posto telefônico, impedindo pedidos de socorro

3- Estradas

Eram evitadas. Os bandoleiros iam por dentro da caatinga. Quando não tinham outra opção, sequestravam todas as pessoas que encontravam e levavam os reféns ao menos por um tempo

4 - Psicologia

Não deixavam a polícia avaliar o resultado dos combates. Levavam os mortos e, quando não dava, cortavam-lhes as cabeças, dificultando a identificação

5 - Apelidos

Quando um integrante do grupo morria, seu apelido era adotado por um novato. Essa é uma das razões que faziam os cangaceiros parecerem invencíveis, pois os nomes eram imortais

6 - Alarmes

Sempre havia cães acompanhando o bando, (já crianças pequenas não havia, as cangaceiras davam ou deixavam os filhos aos cuidados geralmente de padres ou de mulheres de coiteiros de muita confiança do capitão Virgulino, no entanto havia garotos ingressantes no bando), os cães funcionavam como sentinelas ( mas não latiam, exprimiam um rosnado gutural e abafado, como o da gia e que era entendido pelos cangaceiros), dizem que o cão do Capitão se chamava guarani.  Havia também um sistema banal de alarme, consistia em cercar o acampamento com fios ligados a chocalhos (sinos, guizos)

6 – Para não serem vistos pelos inimigos rezavam “orações fortes”, ensinadas por beatos ou curandeiros que havia no sertão, tal como: Se encobrindo por uma árvore ou mesmo a palma da mão empatando ver o inimigo, rezar o Credo em cruz pelo avesso

Surpresa, esperteza, covardia?

Para conseguir bons resultados, Lampião evitava ao máximo os confrontos e abusava de uma tática conhecida como dueto. Ao ataque da polícia, simulava uma fuga, esperando o inimigo em outro local, de surpresa. Havia quem dissesse que isso era covardia. Ele preferia chamar de esperteza.
SAIBA MAIS! Clique:



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“O GLOBO”- 20/11/1958 - PARTE XV

Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

COMO SE FORJA UM CANGACEIRO


UM “CABRA” COVARDE

O Cunhado de Lampião Era um Tipo Curioso – Há Muitos Elementos do Bando Ainda Vivos – O Irmão de Ferrugem Era o Bobo da Corte de Virgulino.

AINDA me lembro de vários outros cangaceiros, como Medalha, Chumbinho, Bom Divera... Mas, com exceção do último, os demais foram de “ferocidade normal”. Tinham a maldade rotineira dos cangaceiros... Já Bom Divera chamava a atenção porque era negro e alto. Caladão e valente, era de uma coragem sem alardes. Fumava sempre cachimbo, e não o tirava da boca nem para atirar. E como atirava bem! Quando fazia a pontaria, dizia com um sorriso alegre: 

- “Aquele ali já está cheirando mal...” 

Não errava nunca, e foi um dos que permaneceram mais tempo no bando. Nunca disse a ninguém porque ingressou no cangaço, mas eu suspeito que devia ter uma história bem curiosa, pois vivia sempre a meditar, afastado de todos. Foi morto em combate no Mulungu, em Pernambuco, numa séria refrega que o bando teve com soldados.

O ESTRANHO VIRGÍNIO

Nesta foto Virgínio é o nº 2, e está sentado ao lado direito de Lampião, seu ex-cunhado

UM tipo curioso, também, era o cunhado de Lampião, Virgínio, conhecido como Esperança. Era homem sisudo, alourado e simpático. Valente entre os mais valentes, tinha ideias esquisitas, sendo uma delas esta, de que sempre me recordo: 

“Não gosto de bater em ninguém, nem de xingar. Um homem não se maltrata, mata-se!” 

Nunca aprovou as crueldades do cunhado e dos demais, nem assistia à prática de perversidades. Só contassem com ele quando se tratasse de matar... Virgínio morreu na Bahia, em combate, e Lampião sentiu bastante sua morte, pois gostava muito dele.

OS “CABRAS” VIVOS

Foto do cangaceiro Balão

ÀS vezes perguntam-me se sou o único “cabra” de Lampião ainda vivo. Creio que não. Devem ainda estar vivos por esses sertões afora Balão, Nevoeiro, Relâmpago e talvez mais um ou dois. 

Foto do cangaceiro Relâmpago

Foram dos que entraram e saíram logo do cangaço, talvez por falta de vocação... E tanto não foram maus, que a punição que tiveram foi mínima. Eu é que aos quinze anos peguei 145 de cadeia, ou seja, a punição do bando todo... Que se há de fazer?

FALTA DE VOCAÇÃO

JÁ que falei em falta de vocação para o cangaço e estou tratando de “cabras” do bando de Virgulino, vale aqui mencionar dois bem interessantes. Trata-se de Coqueiro e Baliza.

Coqueiro era um caboclo alto, forte, que entrou no bando por se ver perseguido pela “força”, que insistia em tê-lo na conta de coiteiro. Esteve no máximo seis meses no bando, depois desapareceu, não se sabe para onde. Nunca brigou, pouco falou com os companheiros, e até hoje não sei se está vivo ou morto. Creio que desapareceu por chegar à conclusão de que não dava para o cangaço. Lampião dizia que ele era um “bobão”...

O PALHAÇO

JÁ o Baliza tem uma história diferente. Foi o palhaço do bando. Até hoje não sei como ele pôde pensar em entrar para o cangaço. Baliza era caboclo, muito alto, fortíssimo e corpulento, mais feio do que uma briga de foice. O que tinha no aspecto, tinha de covarde. Era frouxo até não poder mais, tão frouxo, que somente graças a isso era admitido em nosso convívio...

Baliza era irmão de Ferrugem, um cangaceiro valente. Entrou no bando de Lampião porque, como seu irmão estava no cangaço, os soldados não lhe davam folga e viviam a persegui-lo, sendo que, no final, queriam até matá-lo. Baliza era dos veteranos, pois entrou para o bando em 1929. Era um tipo engraçadíssimo, grandalhão, moleirão, brincalhão, mas sem sangue nas veias. Ele mesmo dizia que nunca brigara com ninguém, nem fizera mal ao mais nojento dos animais. E como comia! Era capaz de dar cabo das refeições de cinco homens, e ainda pedia sobremesa...

Sempre desconfiei de que Baliza fosse um débil mental, pois não é admissível que um homem passe onze anos num bando de cangaceiros sem sequer usar arma. Ele era incapaz de recorrer a elas. Aos primeiros tiros da volante, Baliza punha-se a correr, e nessa hora tinha a agilidade de um felino. Passado o combate, só muito longe dali é que íamos encontrá-lo. Lampião dizia-lhe, furioso: 

“- Mas tu, tão grande e tão covarde! Eu devia te matar!” 

E ele, todo maneiroso, se justificava: 

“Minha natureza não dá pra isso, seu Capitão... Faça de mim o que quiser, mas eu sou assim mesmo... Deixe ao menos eu me acostumar...”


E todos riam, inclusive Lampião, que não admitia covardia, mas suportou sempre a de Baliza. O que dava raiva a Lampião era quando Baliza fugia e amedrontava os que estavam ao seu lado, levando-os na sua fuga. Aí Lampião zangava-se: 

“- Miserável, corre, mas corre sozinho. Não leva os outros, porque eu te meto uma bala nos miolos!” 

E ele, imediatamente: 

“- Mas seu capitão, foi de surpresa que os “macacos” chegaram... Quando eu sei antes, não acontece nada disso, pois eu dou no pé devagarinho...” 

Novas gargalhadas, e Lampião acabava também rindo...

DESGOSTO DE FERRUGEM

De vez em quando, os “cabras”, para assustarem o palhaço, diziam: 

“- Chi! Aí vem a volante de Mané Neto...” 

E ele logo se levantava de um pulo e dizia: 

“- É... eu vou me esconder, porque essa gente é braba mesmo... Mané Neto não brinca...”

Ferrugem tinha desgosto de ter um irmão tão covarde. Um dia perguntou a Baliza: 

“- Me diga lá. Se você me vê caído no chão, num tiroteio, não me apanha?” 

A resposta de Baliza foi: 

“- Eu? Não! Em lugar de morrer dois, morre um só...” 

E o irmão olhava para os demais, que se riam a não mais poder, como quem diz: “- Pode-se com uma coisa dessas?”.

Baliza não era inteligente, nem sabia sequer cantar. Sua especialidade sempre foi comer muito e correr mal ouvisse um tiro. Dessa forma viveu onze anos, e, todas as vezes que Lampião entrava em Pernambuco, ele não ia, com medo da volante de Mané Neto.

Seu fim, segundo me contaram na cadeia, foi triste, pois numa refrega ele se entregou aos soldados, que o degolaram, julgando estarem fazendo uma grande coisa. Ele se degolaria sozinho, se eles pedissem...

Na certa, devido ao porte avantajado e à cara feia de Baliza, julgaram estar diante de um perigoso cangaceiro. E como se enganaram! Baliza não nasceu para o crime, nem para a maldade. Mesmo quando alguém do bando tinha que punir um “paisano”, Baliza não assistia, pois “não gostava de ver coisas que seu coração não pedia”... Pobre Baliza, tão grande e tão inofensivo! Tenho a impressão de que esse rapaz só entrou no cangaço para alegrar os cangaceiros e ajudar-nos a passar as horas amargas...
  
CONTINUA...

Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

RECADO DE CARLOS EDUARDO


Carlos Eduardo Gomes

Sobre a chegada do Cariri Cangaço a Princesa Isabel...
"Meu amigo Manoel Severo, acompanho aqui de longe a programação do Cariri Cangaço e tenho a intenção de comparecer a este encontro em Princesa. Meu abraço,
Carlos Eduardo

E em março...

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2015/02/recado-de-carlos-eduardo.html

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PALACETE DO PREFEITO DE MOSSORÓ RODOLFO FERNANDES DE OLIVEIRA MARTINS EM 1927


 Fonte: facebook
Página: José Romero De Araújo Cardoso

O ARTIGO ABAIXO FOI ESCRITO PELO JORNALISTA GERALDO MAIA DO NASCIMENTO

Rodolfo Fernandes o herói da resistência

Há pessoas que nascem em Mossoró mas não são mossoroenses; há pessoas que embora vindas de outros lugares, adotam Mossoró como sua terra e tratam de engrandecê-la, de torná-la cada vez melhor, e com ela crescem, prosperam e, por direito, tornam-se mossoroenses. Para aqueles, Mossoró foi a terra em que nasceram; para esses, Mossoró foi a terra que escolheram para morar. Rodolfo Fernandes pertence a última categoria.Nascido em Portalegre/RN a 24 de maio de 1872, começou sua vida de trabalho muito cedo, sendo ainda adolescente quando se iniciou no comércio na cidade de Pau dos Ferros/RN, emigrando depois para a Amazônia durante o primeiro ciclo da borracha, como tantos outros nordestinos. Regressou ao Rio Grande do Norte dois anos depois, indo morar na cidade de Macau, trabalhando na indústria salineira para a Companhia comércio, onde construiu salinas e implantou diversas modernidades. Atraído pelo desenvolvimento de Mossoró, veio aqui se estabelecer, casando-se em 1900 com Isaura Fernandes Pessoa, com quem teve quatro filhos: José, Julieta, Paulo e Raul. Já em Mossoró, trabalhou para a grande firma Tertuliano Fernandes & Cia., também construindo salinas e substituindo o tradicional cata-vento para puxar água por um motor a óleo, o que permitia maior aproveitamento das marés. Em 1918 estabeleceu-se por conta própria na indústria salineira.Elegeu-se prefeito de Mossoró em 1926. Teve sua memória perpetuada no coração dos mossoroenses por sua atitude decisiva em defesa de Mossoró. De todos os seus feitos, talvez o que tenha lhe dado maior projeção tenha sido a maneira como o mesmo enfrentou a horda de cangaceiros chefiados por Lampião, que na tarde de 13 de junho de 1927 invadiram Mossoró. 


Pretendiam, os facínoras, extorquir uma vultosa quantia para não atacar a cidade. O Cel. Rodolfo Fernandes reagiu negativamente e comandou a defesa da cidade como um grande general, mandando, inclusive, que qualquer pessoa que não fosse participar ativamente da defesa saísse da cidade como medida de precaução. Essa medida, certamente, evitou muitas mortes desnecessárias.Era homem de arrojadas iniciativas de caráter urbanístico. Em sua administração iniciou o calçamento de algumas ruas e da praça 6 de Janeiro, que posteriormente recebeu o seu nome. Construiu também o primeiro jardim público de Mossoró. Um fato curioso é que quando foi iniciado o calçamento em Mossoró, muitos habitantes ficaram insatisfeitos, achando que com o chão coberto de pedras, a temperatura da cidade, que já era em alguns momentos quase que insuportável, iria aumentar. Foi mais uma luta do prefeito para mudar a opinião dessas pessoas, na luta pelo progresso da cidade. O Cel. Rodolfo Fernandes de Oliveira Martins foi um lutador. Um sertanejo simples, mas de visão voltada para o futuro. Soube como poucos amar Mossoró. “Conseguiu realizar uma obra verdadeiramente notável, dentro dos estreitos limites das finanças do município”, como depõe Vingt-un em seu Mossoró. 


Mas não chegou a terminar o seu mandato. A 16 de setembro de 1927, com a sua saúde abalada, requer licença para tratamento médico no Rio de Janeiro, onde faleceu a 11 de outubro do mesmo ano. E Mossoró chora a sua morte. Várias homenagens foram prestadas em sua memória, tendo sido inclusive criado, em 1963, o município de Rodolfo Fernandes, desmembrado do de Portalegre. De Rodolfo Fernandes ficou o exemplo de homem de visão, pioneiro e libertador, digno das mais altas homenagens do povo mossoroense. E por sua bravura no episódio da defesa da cidade contra os cangaceiros de Lampião, ficou conhecido como “O herói da resistência”. ração".

(Transcrito na coluna GERALDO MAIA, no jornal O MOSSOROENSE, edição do dia seis de junho de 2001-quarta feira
http://oestenewsblog.blogspot.com.br/2009/04/rodolfo-fernandes.html


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Esquema Didático da Conferência do Prof. José Romero Araújo Cardoso em Princesa/PB e anexo (Território Livre de Princesa)

Por José Romero Araújo Cardoso

Caros amigos Emmanuel e Manoel Severo, boa noite:

Elaborei o esquema didático da conferência que realizarei em Princesa, com as graças de Deus, no dia 19 de março (Dedicado ao Sr. São José, padroeiro dos sertanejos).

Em anexo segue o esquema da conferencia.

Vou precisar que vocês façam xérox do esquema e do decreto do território livre para, se possível, serem distribuídos com os participantes quando da conferencia.

Forte abraço do amigo que muito lhes estima!
José Romero Araújo Cardoso

TERRITÓRIO LIVRE DE PRINCESA

"JORNAL DE PRINCEZA", Decreto n.º 01, proclama autonomia político-administrativa em relação ao governo Estadual:

"Decreta e proclama provisoriamente a independência do município de Princesa, separada do Estado da Paraíba, e estabelece a forma pela qual deve ele se reger. A administração provisória do Território de Princesa, instituída por aclamação popular, decreta e proclama a Resolução seguinte:

ART. I - Fica decretada e proclamada provisoriamente a independência do município de Princesa, deixando o mesmo de fazer parte do Estado da Paraíba, do qual está separado desde 28 de fevereiro do corrente ano.

ART. II - Passa o município de Princesa, constituir com seus limites atuais, um território livre que terá a denominação de Território de Princesa.

ART. III - O Território de Princesa assim constituído permanece subordinado politicamente ao poder público federal, conforme se acha estabelecido na Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil.
ART. IV - Enquanto pelos meios populares não se fizer a sua organização legal, será o Território regido pela administração provisória do mesmo território. Cidade de Princesa, em 09 de junho de 1930".

FONTE: http://entretenimento.r7.com/blogs/bemvindo-sequeira/2012/06/07/a-historia-que-o-brasil-nao-conhece-a-guerra-de-princesa/




Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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CRIME E VINGANÇA NA SERRA DO ARARIPE (Série grandes artigos)

Por Iderval Tenório

Era noite do dia 23 de junho de 1928, o estrategista desconhecido chegou sorrateiramente e sem nenhuma dúvida ou remorso metralhou toda uma família de dezoito componentes, do mais velho ao mais novo dos Pereiras e alguns serviçais, vasculhou todos os aposentos, conferiu cada um dos corpos, montou no seu alazão, arrumou a sua geringonça noutro animal e sumiu estrada afora...

No nascer do sol os caseiros da fazenda, que moravam nos recantos mais distantes da sede, jamais imaginariam , que aqueles estrondos de bombas de artifícios juninos fossem balas da mais afamada metralhadora nordestina, apelidada de costureira, dizimando toda a família patronal, o autor não deixou pistas, não deixou um único rastro da autoria do crime, em nada mexeu, a mesa continuo posta, cadeiras caídas no chão, sangue salpicados nas paredes, alguns corpos debruçados sobre a mesa, animais domésticos circulando pelo ambiente à procura de restos, panelas no fogão a lenha, algumas com os alimentos esturricados, todos os potes e barricas aos cacos, água ensopando os corpos e estes com vários orifícios transpassando os tórax na altura dos peitos, todos, todos sem vida.

Na Serra do Araripe, não ficou um só cristão que não tomasse conhecimento da fatídica tragédia, quem era aquele forasteiro, porque aniquilou toda uma família que até aqueles dias se mostrava pacata, trabalhadora e honesta, não se conheciam inimigos num raio de 50 quilômetros, os Pereiras eram respeitados naquela redondeza, era o ano de 1928, 


Lampião e o seu bando, já se encontravam pelos lados da Bahia, naquele arrebol já reinava a paz, muitos núcleos familiares se expandiam com os casamentos consanguíneos e moravam em casas equidistantes desde quando uma avistasse a frente, a lateral e a saída da outra, era uma maneira de um proteger o outro. A dúvida tomou conta da pequena população, quem foi o forasteiro que cometeu tão sanguinário crime.

Os familiares distantes apareceram, os corpos foram contados, muitos não possuíam documentos, os serviçais só tinham apelidos, todos foram sepultados em covas rasas enfileiradas nos aceiros da velha estrada, fincado uma cruz na cabeceira de cada monte de terra, primeiro o chefe, depois os outros por ordem de importância. A polícia foi informada, compareceu timidamente e pelo pequeno contingente três soldados, dois cabos, um sargento, pouca munição e seis mulas esquálidas foi a primeira a fugir com receio de ser atacada de surpresa pelo o assassino ou os assassinos dos Pereiras, nunca mais apareceu ou tomou conhecimento dos fatos.

A sede da Fazenda ficou abandonada por pouco tempo, os moradores mais antigos aos poucos foram se acostumando com o acontecido, os parentes mais distantes voltaram para os seus distritos, ficando apenas as indagações sobre o horrendo crime, quem teria motivos para tal desventura, roubo não foi, só poderia ter sido vingança, a melhor maneira de cobrar dos desafetos os males cometidos em datas anteriores, só poderia ser vingança, não haveria outra explicação, só poderia ser vingança.

O PASSADO...

Conta o velho Malaquias dos altos dos seus 90 anos, que tempos atrás, lá pelos meados de 1871, quando um jovem padre de 27 anos de idade assumiu a capela do povoado Tabuleiro Grande no Sul do Ceará, hoje Juazeiro do Norte, duas famílias de Alagoanos foram morar nesta região para ajudar este jovem missionário. Com as duas famílias completas, o jovem Padre aconselhou aos amiguinhos que fossem morar na Serra do Araripe plantar feijão de pau, conhecido como o serial ANDÚ muito apreciado naquele mundo. As famílias se deslocaram e começaram a habitar a mesma gleba de terra por manterem parentesco , viviam em paz até o dia em que, o governo de Pernambuco resolveu legalizar a posse e criar uma escritura, houve desentendimento entre os líderes de cada família e numa noite escura do dia 23 de junho de 1897, ano em nasceu Virgulino Ferreira Lampião, uma das famílias aniquilou todos os componentes adultos da outra família, todavia, cometeu um grande pecado, não vistoriou todos os aposentos da pequena casa e lá deixou vivo um criança de 09 meses que engatinhava por debaixo da cama do infeliz casal aniquilado.

A criança sem pais, sem parentes foi assumida por tropeiros, que cruzavam a velha serra Pernambucana com destino à mais nova vila Nordestina no sul do Ceará, a famosa vila do Juazeiro que crescia com muitos fanáticos religiosos devido o milagre da Beata Maria de Araújo em 1889, quando na comunhão, a hóstia saída das mãos do Padre Cícero se transformava em sangue e derramava-se pelos cantos da boca da jovem negra e beata de 28 anos de idade. A criança foi criada no mais diferente mundo que deveria ser criado, não tinha paradeiros, não tinha endereço fixo e à proporção que crescia tomava conhecimento da grande chacina que aniquilou uma determinada família, no topo da Serra do Araripe no idos de 1897, a criança cresceu, virou homem. Naquela redondeza não se conhecia o seu destino ou paradeiro. A família que cometera a esquecida e distante chacina se encontrava bem instalada e próspera no cume daquela abençoada Serra, o cangaço que reinava na região estava em baixa devido acordos feitos pelos governadores da época dando total poderes à polícia a entrar no território do outro à caça de qualquer desordeiro. Grassava no arrebol o sentimento de congraçamento e descontração devido o grande número de parentes casados entre si, existia calmaria.

A VINGANÇA...

O Jovem morava num pequeno sítio distrito da então e próspera cidade de Juazeiro do Norte, conhecia muito bem a grande Chapada do Araripe, divisa do Ceará com Pernambuco, celeiro fóssil das Américas, hoje fazendo parte do Geoparque do Araripe.

O jovem procurou se familiarizar com os moradores do distrito, aos poucos foi mapeando o fatídico acontecimento de 1897 e localizando os familiares que junto com os seus pais se mudaram para a velha serra a pedido do jovem padre em 1871, ficou claro e ciente de cada componente, colheu a história da época, como mercante compareceu à sede da fazenda e conheceu cada membro. Voltou aos seus afazeres de almocreve e numa noite de são João , quando os fogos de artifícios pipocavam nos ares da silenciosa serra, o jovem estrategista, na sorrelfa executou o seu vingativo e mirabolante plano, eliminando de uma só vez todos os descendentes dos criminosos da noite de São João do século passado , tomando o cuidado de vistoriar exaustivamente todos os aposentos, todos os ambientes e arredores para não cometer os mesmos erros dos autores da chacina de 1897, com esta atitude fechou o ciclo do grande ditado do povo nordestino: quem comete um mal um dia será vingado pela vítima, pelo filho da vítima, pelo neto ou bisneto da vítima, um dia o crime será vingado.

E foi assim que se desenrolou a grande chacina de 1897.

Vingança, pura vingança.
Iderval Reginaldo Tenório
Fonte: Blog Cariri-cangaço.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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GONZAGÃO DESFILANDO NO CARNAVAL DO RIO DE JANEIRO EM 1982




Gonzagão desfilando no carnaval do Rio de Janeiro em 1982, na Escola de Samba Unido de Lucas. Com enredo Lua Viajante.

Bom carnaval a todos, brinquem com responsabilidade.

Abraços Gonzaguianos.

Fonte: facebook
Página: Wilson Seraine Da Silva Filho

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