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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

OS BRINCOS DE BELA (E TUDO QUE AINDA HOJE CHORA, AINDA HOJE CHORA...)

*Rangel Alves da Costa

Quando mais novo, ainda num tempo que Noélia (de Chico de Celina) estava entre nós e mantinha um bar na atual praça do Banese, nos dias de feira a vaqueirama se reunia a tomar pinga e cerveja e aboiar. Cada toada e todo o sertão abria suas porteiras. Sentia-se o cheiro de gado, do cavalo corredor, da pele de sol lanhada de espinho, de um tempo já muito ido e de saudade.

O Bar de Noélia era famoso demais. A própria Noélia uma sertaneja digna das melhores e mais profundas recordações. Mulher digna, trabalhadora, bonita na feição e no coração. Depois do comprido balcão, o freezer, os copos e as bebidas. Mais adentro, na cozinha, o preparo de verdadeiras delícias sertanejas. Carne nova, muita, cheirosa, abrindo o apetite de quem ali adentrasse em busca de uma dose ou de uma geladinha. Num canto de balcão aquilo que mais fama trazia à dona do bar: os doces deliciosos, principalmente o de leite com bolas.

Noélia partiu repentinamente. Meu pai Alcino era prefeito à época e estava em Aracaju quando soube da notícia. Ao lado dele eu estava e senti o peso da comoção. Era muito amiga, fiel confidente, pessoa que ele confiava e gostava demais. Mesmo rapazote, eu mesmo passei a nutrir admiração especial por aquela mulher que não largava de um sorriso perante um amigo ou aquele que chegasse na sua venda. Saudades ainda, Noélia. Saudades.

Pois bem. Naquela época onde o aboio e a toada ecoaram com mais força em Poço Redondo depois da chegada de pessoas como Seu Zé Ferreira e também pela presença constante de Seu Adauto e outros endinheirados alagoanos e pernambucanos, fazendeiros que não desapartavam da presença de vaqueiros e aboiadores. Por todos os lugares se ouvia a canção plangente da vida de gado. Mas era no Bar de Noélia que mais se reuniam em cantorias.


E foi no Bar de Noélia que um dia tive o prazer de ouvir a mais famosa dupla de aboiadores de então: Vavá Machado e Marcolino, trazidos das distâncias pernambucanas por aqueles fazendeiros fincados nas terras poço-redondenses. A dupla de aboiadores era exímia em traduzir em canções matutas os sentimentos vaqueiros, os amores sertanejos e a vida simples e grandiosa do homem do campo. Naquela época, não havia rádio de pilha que não fosse aumentado o volume ao ecoar da famosa dupla.

Algumas canções são inesquecíveis, como Trovoada: “A chuva chove molhando a face da terra, a neve subindo a serra vai dar outra trovoada...”. Ou ainda Meu Beija-flor: “Meu beija-flor, meu beija-flor, nos ares se peneirou e as asas mudou de cor, e voou pra lá e pra cá...”.

Mas eu me encantava mesmo era com Os Brincos de Bela: “Ô Bela cadê seus brincos, cadê os brincos de Bela, pois Bela não tinha brinco, dei uma tiza de brinca, comprei brinco e dei a Bela. A minha namorada ainda hoje chora, ainda hoje chora, ainda hoje chora. A noite é de prata e o dia é de latão, que saudade da mulata que eu deixei no meu sertão. A minha namorada ainda hoje chora, ainda hoje chora, ainda hoje chora. Eu vi Bela chorando, fui lhe dar consolação, findei chorando mais Bela na noite de São João. A minha namorada, ainda hoje chora, ainda hoje chora, ainda hoje chora”.

E hoje, a minha namorada, que é a idade, que é o tempo, que é a vida, ainda hoje chora. E ainda chora com saudade daqueles vaqueiros, daqueles fazendeiros, daquela gente que fazia o sertão ser mais sertão. Ainda chora com saudade de Noélia, de sua panelada de carne em dia de feira, de sua cocada, de seu doce de leite com bola grande.

Deixe-me chorar, então. Tenho, sinto saudade. Por isso que ainda hoje choro, ainda hoje choro.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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LIVRO “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”

Por Antonio Corrêa Sobrinho

O que dizer de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”, livro do amigo Ruberval de Souza Silva, obra recém-lançada, que acabo de ler, senão que é trabalho respeitável, pois fruto de muito esforço, dedicação; que é texto bom, valoroso, lavra de professor, um dizer eminentemente didático da história do banditismo cangaceiro na sua querida Paraíba. É livro de linguagem simples, sucinto e objetivo, acessível a todos; bem intitulado, pontuado, bem apresentado. E que capa bonita, rica, onde nela vejo outro amigo, o Rubens Antonio, mestre baiano, dos primeiros a colorizar fotos do cangaço! A leitura de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO” me fez entender de outra forma o que eu antes imaginava: o cangaço na terra tabajara como apenas de passagem. Parabéns e sucesso, Ruberval!

Adendo: José Mendes Pereira

Eu também recomendo aos leitores do nosso blog para lerem esta excelente obra, e veja se alguns dos leitores  possam ser parentes de alguns cangaceiros registrados no livro do Ruberval Souza.

ADENDO -  http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Entre em contato com o professor Pereira através deste 
e-mail: 
franpelima@bol.com.br

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PARA REFLEXÃO

Por Chagas Nascimento
 Lampião e Manoel Pereira de Azevedo, que no cangaço ficou conhecido como Jurity.
Foto Benjamin Abrahão/Aba-Film,1936,ou 1937.

Em 1927, após o ataque de Lampião a Mossoró, o gerente do Banco do Brasil, na época, escreve a Matriz um relatório minucioso sobre os fatos aqui ocorridos. Em um dos trechos ele diz.

"...O cangaceiro é, em geral, um tipo normal; degenera-se pelo consórcio permanente de duas calamidades: a falta de polícia e a falta de justiça, resumidas em uma outra maior do que estas -- a falta de governos."...

Será que o nosso País continua na mesma?

Fonte: facebook
Página: Chagas Nascimento
Link: https://www.facebook.com/profile.php?id=100004521105829&fref=pb&hc_location=profile_browser

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DERRAMAMENTO DE SANGUE EM MAGIA NEGRA NA SAGA DE ANÉSIA


Pesquei no Jequié Repórter e no Luz de Fifó

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O LIVRO O FOGO DA JUREMA JÁ ESTÁ À VENDA COM O PROFESSOR PEREIRA


Se você está interessado no livro "O FOGO DA JUREMA" é só entrar em contato com o professor Pereira lá da cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba,  que ele tem e está disponível aos amigos. 

São 318 páginas, preço R$ 50,00 com frete incluso.
Pedidos: franpelima@bol.com.br e fplima156@gmail.com

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2016/08/novo-livro-na-praca_31.html

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AONDE OS CAMINHOS ME LEVARAM BUSCANDO AS HISTÓRIAS DO CANGAÇO

Por João de Sousa Lima
Ao centro estão os escritores João de Sousa Lima e Ângelo Ormiro

Há muitos anos venho vasculhando os caminhos e veredas em busca das histórias do cangaço, ouvindo cangaceiros, soldados, coiteiros e testemunhas das histórias.

Tanto chão percorrido para se chegar a uma pesquisa centrada e responsável. Tantas estradas vencidas, tantas rotas traçadas e atravessadas.

No meio de tantos trajetos encontrei nosso povo, o nosso povo com seus sentimentos, suas façanhas, momentos vividos, capítulos registrados.

Feito águia que se eleva na amplidão do infinito, de olhar aguçado, procurando o que lhe sacia a fome, eu trilhei os sertões para saciar-me dos marcantes fatos vividos por homens e mulheres que viveram e viram passar em suas vidas os episódios do cangaço.

Vi em tantos corações as marcas dado. Em tantas almas as cicatrizes eternas de um tempo que parece nunca passar. Vi sorrisos escondidos em prantos e prantos que se aliviaram em risos. Vivi seus tormentos, entendi suas ações, sofri com suas histórias e seus lamentos. Mais também compreendi seus amores vividos, amores bandidos, amores roubados, sofridos e tantos outros nunca esquecidos, amores eternos, em cujas faces desaguam as lembranças desses amores amados entre dores, risos, prantos e encantos.

Esquadrinhei corações, muitos quase de pedras, outros apesar das idades ainda juvenis em suas recordações de que o amor havia sido eternizado. Aprendi em alguns momentos que o coração é terra que ninguém pisa e ao mesmo tempo é caminho que o homem anda. Vai entender as coisas do amor. Vai ouvir as histórias dos que viveram tão intimamente o cangaço, que viram suas vidas envolvidas nas diversas tramas desse mundo tão controverso.

Nunca julguei os atos do meu povo, apenas ouvi, considerei, me encantei, controlei as emoções quando elas pediam lágrimas para entender aqueles mundos tão diferenciados do meu. Um mundo tão distante de minha realidade e tão perto do meu entendimento. Quase um CHAMADO, como disse minha amiga, a índia Pankararé Alzira. 

Eu ouvi tantas histórias, muitas tristes, sombrias, desumanas e apesar de tudo elas me tornaram mais humano.

Não há que se ter um olhar que julgue as façanhas vividas por nossos povos. Não há que se ter preconceitos sobre os que eles viveram em suas trajetórias de vidas. Ao homem não cabe julgar os fatos.

Dentre tantas histórias duras e inesquecíveis houveram recomeços, muitos que andaram à margem da lei se tornaram justos, fieis, honestos, amorosos.

Os Homens e Mulheres que tantas agruras viveram durante o cangaço, transformaram seus sofrimentos em  caminhos coloridos e floridos.

Nessas estradas eu percorri muitas veredas, conheci muitas pessoas, descobri quão importante nosso povo é para a compreensão das atitudes tomadas em momentos da vida que marcam nossas histórias.

Percorri muitos caminhos, veredas, estradas. Conheci histórias, vasculhei memórias, entendi meu povo.

Cansado dos longos trajetos, me recolho para um descanso. As histórias, essas permanecerão eternamente dentro de mim, pois elas são como chamas que nunca apagam de nossas memórias.

A história segue seu rumo natural, creio ter deixado para a posteridade um relevante trabalho de pesquisa histórica. Meus escritos servirão para entender o que foi esse capitulo vivido em solo nordestino.

Clique no link abaixo e veja todas as fotos:

http://joaodesousalima.blogspot.com.br/2016/12/aonde-os-caminhos-me-levaram-buscando.html

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DAVID JURUBEBA O LENDÁRIO NAZARENO


O LENDÁRIO NAZARENO DAVID JURUBEBA, caminhando tranquilamente em seu torrão querido ( Nazaré do Pico-PE ), em 1978. Veja, que ele não largava seu revólver, mesmo em idade, já avançada.

Segundo a bibliografia cangaceira, em um combate, ele desafiou LAMPIÃO a brigar, só os dois "NO PUNHAL"... Tendo o rei do cangaço dito o seguinte: "VOCÊ É DOIDO, David..."!

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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HECATOMBE DE GARANHUNS


Grande Palestra do Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor Geraldo Ferraz 
Centenário da Hecatombe de Garanhuns
13 de Janeiro de 2017. Câmara Municipal de Garanhuns, Pernambuco 19h 30min

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2017/01/hecatombe-de-garanhuns.html

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PERSONAGENS DA HISTÓRIA E FATO CURIOSO

Material do acervo do pesquisador Pedro R. Silva

José Alves de Barros conhecido por Saturnino da Pedreira (Já octogenário), "primeiro inimigo de Lampião". 

Fato curioso foi que quando se preparava para tirar essa foto o sertanejo das ribeiras do Pajeú notou que sua velha sandália de rabicho estava com a correia quebrada, fazendo questão de consertá-la antes de bater a foto, mesmo sendo advertido que a sandália não apareceria na foto, ele insistiu e fincou pé, só tiraria a fotografia depois de consertasse a sandália.

Fonte: Livro - Assim era Lampião e outras histórias - Autor - Ângelo Osmiro Barreto.

Foto: Arquivo do autor, cedida por João de Dande e Ilma de Barros.

Acesse e solicite a sua participação na nossa página de estudos do cangaço. Já participa, compartilhe!!

Pedro Ralph Silva Melo (administrador)
https://www.facebook.com/photo.php fbid=1771079103215548&set=gm.1652991698334317&type=3&theater

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DE CABELEIRA A LAMPIÃO

 
O historiador Jovenildo de Souza, autor de Sertão Sangrento – Luta e Resistência, afirma que a origem do Cangaço remota à colonização. “A exclusão dos povos promovida pelos portugueses foi o fermento do qual surgiu a rebeldia popular." Graciliano Ramos, em Viventes das Alagoas, dizia que “Lampião nasceu há muitos anos, em todos os Estados do Nordeste.” 

Diversos cangaceiros participaram de antigos bandos de jagunços, que deixaram de ‘trabalhar’ para os coronéis, passando a atuar por conta própria. 

Eram dois os tipos de cangaceiros: o itinerante, que andava em grupo, e os ‘mansos’, que viviam em fazendas para defender e atacar os inimigos do proprietário, do qual recebiam guarida.

Cabeleira:

O cangaceiro Cabeleira - Desenho artístico

É um dos primeiros cangaceiros de que se tem notícia. Foi enforcado em 1775, no Largo das Cinco Pontas, no Recife.

Jesuíno Brilhante:

O cangaceiro romântico Jesuíno Brilhante

Na seca que assolou o Sertão em 1877, assaltou comboios e distribuiu os alimentos entre os pobres.

Antônio Silvino:

O cangaceiro Antonio Silvino

Um dos mais famosos cangaceiros, foi preso na Casa de Detenção do Recife (atual prédio da Casa da Cultura), em 1914. Cumpriu pena, foi solto em 1937.

Sinhô Pereira:


O primeiro e o único chefe de Lampião e, por fim, Virgolino Ferreira da Silva que entraria para sempre na História como Lampião.

Lampião: 


Foi uma das figuras marcantes da região nordestina, em rebeldia contra a ordem estabelecida, os poetas populares transformaram-no, imediatamente, num herói, sua biografias foi exaltada e cantada nas feiras das cidades sertanejas, com o aplauso das multidões.

Fonte: facebook
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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SERTÃO DAS MUIÉ SÉRIA E DOS HOME TRABAIADÔ

Por Zé Tavares

O grande Luiz Gonzaga fez alguns Shows na cidade de Pombal (PB), sempre em praça pública, sobre o patrocínio de uma importante empresa de comercialização de fumo, lá de Arapiraca (AL). 

Pude presenciar alguns desses shows e viver as emoções do talento desse grande monstro de nossa cultura. Além de cantar, ele contava piadas, fazia críticas aos governos pelo descaso com os nordestinos, contava causos e passagens de sua vida artística. Era um show interativo, onde conversava e ouvia as pessoas que o assistiam. 

Benito Di Paula

Lembro que certa vez ele falou de sua emoção quando ouviu pela primeira vez uma música em que o compositor Benito de Paula o homenageou. Neste mesmo show ele contou que logo que fez uma música para Frei Damião foi em Pombal que ele encontrou com o frade capuchinho para presenteá-lo com o disco, até então inédito.

Frei Damião 

Pouca gente sabe, mas um dos causos que o velho Lula vivenciou e imortalizou em dos seus discos ocorreu aqui em Pombal. João Queiroga, mais conhecido como Joquinha, pertencia a uma família muito influente na cidade, era característica sua a irreverência e a presença de espírito, sempre fazendo gozações onde quer que estivesse.


https://www.youtube.com/watch?v=bbYtjfmafGs

Na oportunidade, o velho Lula cantava um dos seus clássicos “A volta da asa branca”, quando chegou na parte que diz “Sertão das muié séria, dos home trabaiadô”, Joquinha Queiroga gritou:

- Faz muito tempo que o senhor não anda por aqui. Isso não existe mais por aqui não, seu Lula.

Luiz Gonzaga deu aquela sua peculiar gargalhada e depois adicionou esta história no seu repertório de causos, inclusive registrando o fato em um dos seus discos


Contribuição: Zé Tavares
Ilustrado por José Mendes Pereira

http://www.luizluagonzaga.mus.br/000/index.php?option=com_content&task=view&id=14&Itemid=32

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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.
franpelima@bol.com.br

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SINCERAMENTE, É UMA PENA A IMAGEM ABAIXO ESTAR EM PÉSSIMA QUALIDADE.

Por Geraldo Júnior

Na fotografia/imagem abaixo que foi publicada no Jornal "Diário da Noite" (1952) aparece Antônio dos Santos "Volta Seca" (Direita) ex-cangaceiro do bando de Lampião, sua companheira (Centro) e uma de suas filhas chamada Rosemary.

Apesar dos pesares fica o registro para o conhecimento geral.


Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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VOVÓ NO QUINTAL

*Rangel Alves da Costa

Depois da porta do fundo, um mundo. E o mundo mais verdadeiro que podia existir. Cheio de presente e passado, de pensamentos e relembranças, de tempo e seus varais. Por isso mesmo que vovó gostava tanto do seu quintal. Quase ainda na ferrugem da madrugada, após o galo se empertigar e abrir suas asas para anunciar o alvorecer, a velha porta lentamente começava a ranger. Era vovó forçando o ferrolho e arrastando a madeira para depois colocar o primeiro pé no seu chão tão sagrado.

Um quintal de verdade, de feição antiga, como os que raramente são encontrados hoje em dia nas lonjuras interioranas. Com pouco cercado ao redor, tendo o fundo já adentrando na mataria que se alonga adiante, mas delimitado na sua existência própria: ali o cercadinho de planta medicinal, o velho pilão tão usado noutros idos, o poleiro, o tronco grosso deitado e que servia de assento, o varal fazendo curva de lado a lado, uma goiabeira, uma mangueira, um mamoeiro bonito. E muito mais.

E muito mais por que quintal habitado pelo que a mente, já um tanto caduca da vovó, queria trazer à realidade. Daí que qualquer um estranharia quando ela, após ultrapassar a soleira, dava um bom dia como se estivesse falando com alguém. Não falava com o galo, a galinha ou os calangos, nem com que as plantas ou as frutas acaso penduradas nos galhos, mas com pessoas. E não só falava como, durante quase o dia inteiro, presenciava fatos e situações somente possíveis na boca do povo ou nos livros de história.

“Bom dia, meu santo Padim Pade Ciço. Desculpe não poder me ajoelhar pra beijar sua mão, é que ando cheia de dor por todo lugar. Foi bom que tivesse vindo hoje mesmo, atendendo meu pedido no oratório. Meu Padim sabe que o povo do sertão confia muito no senhor, que tudo faz pela sua proteção, então chegou a hora de perguntar a esse mesmo povo o porquê de agora viver tão distanciado da igreja, da missa, da reza, da novena, da procissão. Aquele sertanejo de fé parece ter amiudado de devoção. Até mesmo ao seu pedestal no Juazeiro, a maioria que vai é pra passear e fazer comércio, e depois não traz sequer uma fitinha santa ou uma rapadura abençoada. Depois reclama que a vida tá ruim, que tá tudo difícil. E não podia ser diferente, meu santo Padim. Um povo sem fé é povo que não acredita sequer na força que tem”.


Dizia isso enquanto enchia cuia de água para molhar a cidreira, a hortelã, o boldo. Todo santo dia no mesmo ofício, no cuidado de sua farmácia de canto de quintal, na recolha dos ovos de umas poucas galinhas, na sorte de encontrar fruta caída sem estar imprestável ao uso. Sorte quando a meninada não se adiantava e levava tudo, ainda de cima do pé. Não se importava não, pois sabia do sabor sem igual daquelas goiabas, mangas e mamões. Só ficava em tempo de endoidar quando dava por falta de galinha. E mais ainda quando mais tarde sentia o cheiro da penosa nas panelas da vizinhança. Mais de vez dormiu do lado de fora, à espreita de quem chegasse para jogar milho e depois afaná-la, mas logo sentia falta da presença do falecido ao lado do colchão da cama. Altas horas da noite ele aparecia e ali se deitava.

Também conversava com Lampião, e muito, num proseado que mais parecia uma ex-cangaceira retomando as lidas nas caatingas e carrascais. “Pois é Capitão, bem sei que não são poucos os que sentem sua falta nos dias de agora. Outro dia, compadre Clemente disse que não podia haver um presidente melhor que o senhor. Homem de coragem, de palavra, que botava pra correr no mosquetão essa bandidagem da política. Já Torquato diz e repete que sente sua falta como prefeito, como delegado, como autoridade de tudo. E tem razão, pois tudo aqui seria diferente tendo de frente o nome de Lampião. Bastava o nome Virgulino Lampião e tudo mudava de jeito. O que era torto se ajeitava, o que era ladroeira virava carniça. Eu mesma ia ser sua defensora, como ainda sou. Não de arma na mão, mas de rosário de conta no dedo, dia e noite rezando pra que não lhe acontecesse qualquer mal”.

Conversava e mais conversava enquanto ajeitava uma coisa e outra. Levantava um pau caído num canto de cerca, passava a vassoura debaixo do poleiro, entupia de terra o formigueiro. De vez em quanto dizia: “Eu sei que tá aí Conselheiro, com seu cajado, seu chinelo de pé e sua barba de fim de mundo. O purrão tá cheio e é pra tomar banho. Quem já se viu um homem santo não gostar de tomar banho? Desse jeito, parecendo um bicho, não vai ter ninguém que se anime a ir até Canudos”. Ou ainda: “Leocádio, meu defunto esposo, agora não. Não adianta me chamar que não vou pra onde você tá. Só vou quando Deus quiser”.

O dia passava assim, com vovô ali no quintal, com seus devaneios e suas conversas sem pé nem cabeça. Mas quando já perto da noite era diferente. Somente as saudades nos olhos apertados, molhados de lágrimas. E quando a lua descia, então chorava, chorava.
  
Escritor
Membro da Academia de Letras de Aracaju
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LAMPIÃO: A RAPOSA DAS CAATINGAS – UMA OBRA IMPRESCINDÍVEL E INDISPENSÁVEL PARA QUEM ESTUDA O NORDESTE BRASILEIRO

Por José Romero Araújo Cardoso


Finalmente atrevi-me terminar de ler o extraordinário livro de autoria do renomado escritor e pesquisador José Bezerra Lima Irmão, intitulado Lampião: A Raposa das Caatingas, pois denso, riquíssimo em informações e bem estruturado em suas abordagens sobre o personagem principal e sobre o nordeste de uma época, perfazendo mais de setecentas páginas bem escritas,  setecentas e trinta e seis, para ser mais preciso, consiste-se em verdadeiro desafio concluir sua leitura, tendo em vista a forma envolvente como prende o leitor às minúcias de uma pesquisa séria e compenetrada que levou onze anos para ser concluída, a qual, utilizando metodologia eclética e bem selecionada, tem garantido lugar de destaque entre os grandes clássicos escritos sobre o Lampião, o cangaço e o Nordeste em todos os tempos.
          
Concordo, em parte, com o autor quando este defende que a história do nordeste brasileiro resume-se basicamente às figuras de Lampião, Padre Cícero e Antônio Conselheiro. Na minha humilde opinião, creio que faltou inserir o nome do grande evangelizador dos sertões nordestinos – “Coronel” Delmiro Augusto Gouveia Farias da Cruz, para quem trabalharam, exercendo o ofício de almocreve, Lampião e familiares, transportando, assim como diversos anônimos, algodão e outros produtos regionais a fim de contribuir para movimentar a produção da sofisticada fábrica de linhas Estrela da Villa da Pedra, em Alagoas.

          
Esses personagens destacaram-se, no espaço e no tempo, fomentando expressivos momentos da história nacional nos quais suas atuações notabilizaram-se pela atenção despertada além divisas regionais e fronteiras pátrias.
          
A objetividade que embasa o trabalho de fôlego de José Bezerra Lima Irmão é um dos pontos altos da imensa contribuição efetivada pelo responsável escritor e pesquisador, pois conclama que os leitores tirem suas conclusões sobre os assuntos abordados, tornando-os figuras de destaque na leitura da obra.
          
A estrutura didática sobre a qual ergue-se Lampião: A Raposa das Caatingas, em segunda edição, publicada em Salvador (Estado da Bahia) pela JM Gráfica & Editora, no ano de 2014, destaca duzentos e quarenta capítulos, iniciando com A figura de Lampião emoldurada no contexto histórico e no ambiente em que viveu, sendo concluída com importante abordagem sobre a sombra de Lampião, por título Corisco, o último cangaceiro.
          
O autor faz questão de frisar que o Lampião enfocado em sua obra não seja visualizado nem como herói e nem como bandido e sim como produto de sua época, um cangaceiro, pois “O Nordeste até quase o meado do século XX era uma terra de cangaceiro. Ser cangaceiro era moda” (LIMA IRMÃO, 2014, p. 17).
          
Um dos grandes momentos da obra, conforme constatei, é a própria valorização do nordeste em seus fundamentos humanos, pois o autor conseguiu compreender a região em seus aspectos mais incisivos, a exemplo da defesa referente à ortopéia popular, ou seja, o linguajar rude do matuto, o qual assinala a forma de falar do povo do sertão, tendo em vista que Lampião e seus cangaceiros falavam e se expressavam como a gente simples da qual faziam parte.
          
Mesmo tendo se passado mais de setenta anos de sua possível morte na grota de Angico, ao lado de dez cangaceiros e um praça volante, Lampião suscita polêmicas, dúvidas e incertezas, as quais são analisadas de forma inteligente e bem articuladas por José Bezerra Lima Irmão.
           
Virgulino Ferrreira da Silva integrou um nordeste marcado pela violência, pelo desejo de vingança, tornando-se arquétipo de uma raça altiva e forte, vem sendo estudado há décadas por autores nacionais e por brasilianistas, mas a forma ímpar como foi inserido como personagem principal na pesquisa metódica e compenetrada de José Bezerra Lima Irmão destaca sua importância incontestável na história regional.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP).

Peça logo o seu atrantés deste e-mail: franpelima@bol.com.br

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SEMANA SANTA SANGRENTA - O Combate dos Sete Dias


O cangaço seguia sua ‘estrada’ pelo Sertão nordestino, quando, em certa ocasião ocasiona-se um grande combate entre grupos cangaceiros. No Pajeú pernambucano.

Na região do Navio, existia um chefe cangaceiro, Cassimiro Honório, que, segundo os pesquisadores/escritores, agiu de maneira ‘diferente’ daquela que os cangaceiros fizeram, principalmente, na época tida como ‘segunda fase do cangaço’, pós o ataque à cidade de Mossoró, RN.

Naquele tempo, não só Honório, como muitos outros catingueiros não viviam exclusivamente da ‘espingarda’, apesar de serem cangaceiros. Eram homens rudes, valentes e corajosos, mas, acima de tudo, tinham palavra.

Alguns cangaceiros que viveram antes do período lampiônico tinham alcunhas, apelidos, diferente daquelas que estamos acostumados a ver como “Bigode de Arame”, “Canela Suja”, “Zé Boi”, "Rajado" e etc.. No entanto, também já usavam algumas que foram ‘herdadas’ por diversos outros, como exemplo “Criança”.


Cassimiro Honório tinha uma filha, Melânia, e um catingueiro de sangue no olho, José de Souza, por quem tinha se apaixonado, e vice-versa, resolveu “roubá-la”, já que seu pai não permitira o namoro. Marcaram a data e fugiram. José de Souza era um desses cidadãos que se envergonham de certos atos. Mesmo tendo fugido com a moça, a deixa em casa de um amigo a não tem relação sexual com ela. Isso ficaria para depois que casassem. Mostrando respeito com ela e família.

Esse tipo de atitudes, roubar uma moça, quando ocorrida nas quebradas do Sertão, não foram raras, davam uma encrenca da peste. O pai da moça, fugida com José de Souza, chama seus ‘cabras’ e partem em busca de resgatar sua filha. Entre o ‘ladrão’ e ele deram-se brigadas, tiroteadas, que ficaram na história. Honório consegue eliminar familiares de José de Souza, mas, não conseguiu abate-lo. Pelo contrário, segundo alguns autores, ele referiu que se soubesse que José de Souza era um homem sem medo e de uma valentia tão grande, o tinha aceitado como genro. Porém, termina por encontrar sua filha e a leva de volta para casa.

O cangaceiro “Bigode de Arame”, que, na verdade era Antônio Matilde, irmão bastardo de José Ferreira, pai de Virgolino, e seu companheiro “Canela Suja”, Antônio Pedro, certa ocasião, sendo o primeiro a ser nomeado Inspetor de Quarteirão, e o segundo subdelegado, nomeados pelo Juiz que trabalhava, exercia sua função, na Comarca de Floresta, PE, tem a missão de irem prender três cangaceiros perigosos de nomes Generino, “Zé Boi” e Joaquim Gabriel.

Esses três ‘cabras’ prestavam seus serviços para José de Souza. O mesmo não achou nada engraçado essa ordem das autoridades, e o ‘clima’ escurece para aquelas bandas. O mundo se fecha e as espingardas 'falam' no lugar dos homens.Tirotearam por diversas ocasiões ficando uma intriga muito grande. Mais tarde, tanto Matilde quanto Pedro, largam aquele ‘serviço’, formam seus bandos e, como chefes independentes, vão assolando o sertão. Após isso, os homens dos bandos, de Matilde, de Pedro e de José de Souza, começam uma disputa entre eles. A partir daí, orientado por um tio, José de Souza parte para agressão contra seus rivais... e seus rivais tramam contra ele uma emboscada na sede da sua fazenda.

Bigode de Arame e Canela Suja sabedores do que ocorreu entre José de Souza e Cassimiro Honório, vão tentar a adesão desse na briga contra Souza. O que conseguem. Então, em pouco tempo, tem-se um embate que durou uma semana inteira. Sete dias de cercadores e cercados lutando, trocando tiros, sem arredarem o pé.

“(...) Essa associação de combatentes atuou nos anos de 1909 e 1910 e quase acabou com José de Souza no combate mais famoso da região (...).’ (“O CANTO DO ACAUÃ – Das memórias do cel. Manoel de Souza Ferraz (coronel Manoel Flor)” – FERRAZ, Marilourdes. 4ª Edição Revisada e Atualizada. Edições Bagaço. Recife. 2012).

Essa ‘brigada’ realizou-se na fazenda São Gonçalo, de propriedade de José de Souza. Ela perdurou por uma semana inteira. Sete dias ininterruptos de sitiados e sitiantes com únicos objetivos, acabar uns com os outros.

Em toda batalha, combate, conflito e luta entre os seres humanos, por mais banais que sejam, ocorre, quase sempre, algum fato que retira a razão, a crueldade e serve como exemplo por estarem praticando atos desnecessários. Principalmente ferindo-se mutuamente...


Havia, dentre os sitiantes, um cangaceiro que prestava seus ‘serviços’ para Cassimiro Honório, alcunhado de “Rajado”, que na verdade era José Davi, que, não sabe-se o porque, pratica um ato que, acreditamos, seja esse o motivo da famosidade desse embate ser perpetua.

A palavra Cangaceiro, ainda hoje, para muitos, ou em muitos, já causa revolta, raiva, menosprezo e outros adjetivos. Naquele tempo, além destes, havia o pior de todos, o medo. Porém, já no amanhecer do terceiro dia de luta, onde, tanto aqueles que estavam dentro da casa, quanto aqueles que a cercavam, não mostravam nenhuma intenção de desistirem, Rajado escuta um choro vindo de dentro da casa. Uma criança se despedaçava em gritos sem parar. O cangaceiro sentiu necessidade de fazer uma coisa a mais para calar aquela inocente. Ergue os braços, começa a falar para pararem de atirarem todos. A atitude do cangaceiro Rajado causa espanto em todos, tanto em seus companheiros como em seus inimigos. Todos cessam o fogo, dão uma trégua para escutarem o que teria a dizer aquele homem rude, valente e bruto...

Fora feito ali próximo do local da luta um curral, e nesse, algumas criações. Aos gritos, o cangaceiro Rajado pede garantia aos de dentro da casa para ir ordenhar algumas cabras a fim de retirar e trazer o alimento para a criança. Os de dentro da casa aceitam, José de Souza dá a garantia pedida. Rajado encontra uma vasilha, entra no cercado retira o leite das cabras, volta e coloca no pé da porta, no batente da casa, o recipiente com o leite para o bebê. Todos, cercados e cercadores, assistem aquela ação, aquele ato sem entenderem direito o que ocorre para fazer o cangaceiro tomar aquela atitude. E após alguém recolher a vasilha com o leite, em pouco instante ninguém escuta mais a criança chorar. Então o tiroteio recomeça tão intenso como estava antes do “intervalo”.

José de Souza a tudo assistiu através da ‘torneira’ em que se encontrava. Rajado ao passar pelo terreiro da casa com a vasilha com o leite, Souza o observava detalhadamente, nota que suas vestes estão em farrapos, e quando chega o momento de retirar-se, após sete dias de batalha, deixa, em agradecimento, no buraco da torneira em que se encontrava seu paletó, novo e inteiro, em um gesto de agradecimento ao cangaceiro “Rajado”.

“(...) Na ocasião, José de Souza constatou que o paletó de “Rajado” estava surrado e rasgado em muitos pontos... (...).” (Ob. Ct.).

Após muitas tentativas de ajudar, dos vizinhos socorrem, a fim de furarem o cerco colocado na residência de José de Souza, chega à ocasião em que se consegue uma “brecha”, entram e salvam o pessoal sitiado. Esse cerco ocorreu durante a Semana Santa e ficou conhecido na História como: “O Combate dos Sete Dias”... Nas quebradas do Sertão do Pajeú das Flores.

PS// FOTO DE UM CANGACEIRO COM AS VESTE QUE USAVAM ANTES DA ERA LAMPIÔNICA - "Um típico cangaceiro nordestino na década de 1920" (Bog Ct.)

Fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira

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