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terça-feira, 30 de maio de 2017

ANTONIO GOMES NOGUEIRA (FALECIDO RECENTEMENTE), FILHO DO BRAVO HERCÍLIO NOGUEIRA

Por Virgolino Ferreira da Silva

Antonio Gomes Nogueira (falecido recentemente), filho do bravo Hercílio Nogueira, morto no fogo da fazenda Maranduba-SE, no dia 09 de janeiro de 1932. Sua mãe Melânia Gomes, filha do bravo Gomes Jurubeba. Família Nazarena do distrito de Nazaré do Pico, em Floresta-PE. Localidade de onde saiu homens valentes na persiga ao bandido Lampião.

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IGREJA DE GOV DIX-SEPT ROSADO


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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I CONCURSO “APOLOGIA AO JUMENTO”; REGULAMENTO


I – Do Evento e seus Objetivos

Art. 1º – O Primeiro Concurso APOLOGIA AO JUMENTO, em homenagem ao famoso animal, descrito por Luiz Gonzaga como “nosso irmão”, é uma realização do Parque Cultural “O Rei do Baião”, da Fazenda São Francisco, município de São João do Rio do Peixe-PB, no dia 20 de agosto de 2017, na programação do X FESMUZA – Festival de Músicas Gonzagueanas.

Art. 2º – O Patrono do Concurso é o Dr. Antônio Pereira do Anjos.

Art. 3º – Poderão inscrever-se no Concurso APOLOGIA AO JUMENTO todos os admiradores desse tema e da vida e obra do Gonzagão, de todas as regiões de qualquer país, que concorrerão em absoluta igualdade de condições.

Art. 4º – Os textos devem ser exclusivos no idioma português, inéditos e originais.

Art. 5º – O Concurso APOLOGIA AO JUMENTO tem como objetivos:

a) – Homenagear o jumento, um animal muito defendido por Luiz Gonzaga, principalmente na música “O Jumento é Nosso Irmão”;

b) – Os textos terão obrigatoriamente que versar sobre o jumento, importante animal de montaria e carga, utilizado no Nordeste brasileiro e em várias outras regiões do Brasil e do mundo;

II – Das Inscrições

Art. 6º – As inscrições deverão ser feitas na Fazenda São Francisco, zona rural de São João do Rio do Peixe (PB), ou ainda no endereço: Rua Dr. José Guimarães Braga, 70, Vila do Bispo, Cajazeiras (PB), CEP – 58.900-000, pelos telefones: (83) 99615-7942 / (83) 99379-1893, pelos 
e-mails: 


a) Maiores informações no site: www.caldeiraodochico.com.br e no programa “Caldeirão Político”, na Rádio Oeste da Paraíba.

§ 1º – Serão aceitas inscrições por e-mail, pessoalmente ou via correio.

§ 2º – O período de inscrições será de 07 de março a 31 de julho de 2017.

Art. 7º – A formalização das inscrições se processará mediante a entrega dos textos digitados em espaço simples (Office Word), fonte Times New Roman 12 ou Arial 11, acompanhados da identificação do autor (nome, uma fotografia recente para fazer parte do mural dos inscritos, telefone de contato, endereço residencial completo, endereço eletrônico e breve currículo).

§ 1º – Na cópia do texto não deverá constar o nome do autor, apenas o nome da obra. A identificação completa deverá ser feita em folha à parte e anexada.

§ 2º – Cada escritor só poderá inscrever um texto, e o mesmo não poderá conter mais do que uma página.

Art. 8º – A Comissão Organizadora do Concurso não se obriga a devolver o material utilizado para as inscrições, ficando o mesmo na guarda da referida Comissão.

Art. 9º – O ato da inscrição implica, automaticamente, na aceitação integral por parte dos concorrentes dos termos deste Regulamento.

III – Do Julgamento

Art. 10º – O Julgamento dos textos será feito por uma comissão formada por três jurados de reconhecida experiência na cultura regional, no prazo de 15 (quinze) dias após o término das inscrições, sendo sua decisão soberana, não cabendo qualquer manifestação contrária.

Parágrafo Único – Em caso de empate entre os primeiros colocados o desempate se dará por decisão de três jurados, convocados extraordinariamente para esse fim.

IV – Da Premiação

Art. 11º – A premiação do Concurso APOLOGIA AO JUMENTO acontecerá no dia 20 de agosto de 2017, dentro da programação do X FESMUZA, na Fazenda São Francisco, São João do Rio do Peixe-PB – Parque Cultural “O Rei do Baião”.

Art. 12º – O Campeão receberá o Troféu “O JUMENTO É NOSSO IRMÃO” e Certificado Digital de Participação.

Art. 13º – Os demais inscritos receberão Certificado Digital de Participação.

Art. 14º – Os casos omissos a este regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora.

Fazenda São Francisco, março de 2017.
Francisco Alves Cardoso
Presidente do Parque Cultural “O Rei do Baião”
Luiz Claudino de Oliveira Florêncio
Coordenador de Planejamento
Francisco Álisson de Oliveira
Produtor Cultural


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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NOS RASTROS DO CANGAÇO – PERSEGUINDO A CANGACEIRA DULCE


Dulce Menezes é a última cangaceira viva. Dos que seguiram os caminhos incertos do cangaço, só ela sobreviveu.


Em recente visita a suas filhas Luci (em Vitória da Conquista) e Martha Ruas e seu marido Tião Ruas (em Jordânia) e ainda o filho Jacozinho, tive o privilégio de conhecer a fazenda Jacobina, de João Anastácio Filho “Jacó”.


Nessa fazenda chegaram fugindo do nordeste, os cangaceiros Marinheiro (irmão de Sila), Sila, Zé Sereno, Criança e Dulce.


Dulce acabou ficando na fazenda e teve 18 filhos com Jacó, dos quais sobreviveram 10.


Em breve o Tião Ruas e a Martha lançarão um livro contando toda essa história.


Por enquanto estamos aqui tendo a honra de conhecer os escombros da fazenda, na companhia dos filhos Jacozinho e Martha, lugar nunca explorado por nenhum outro historiador e pesquisador.


http://www.caldeiraodochico.com.br/nos-rastros-do-cangaco-perseguindo-a-cangaceira-dulce/

Informação: O site não diz de quem é este texto, mas me parece ser do escritor João de Sousa Lima

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JÓIA DE MARIA BONITA! IN "MULHERES CANGACEIRAS" DE JOÃO DE SOUSA LIMA, ED. OXENTE. LANÇAMENTO.


Fonte: facebook

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MULHERES CANGACEIRAS

Por Wilma Maria Ferreira Leite

Quando se fala em mulheres cangaceiras, muitos pensam que elas existiram desde a chegada de Lampião. Ou seja, em 1922, quando ele assumiu o comando do seu grupo. Entretanto, a presença delas só aconteceu no início de 1930, após a presença de Maria Bonita, a rainha, quando Virgolino atravessou o Rio São Francisco e ficou na Bahia em 1938. Daí se justifica a origem das cangaceiras ser na maioria sergipana ou baiana. Outro engano é imaginar (e até dizer) que elas andavam pelos sete Estados nordestinos, tal quais os homens. Mas o caminhar da ala feminina ficou restrito aos Estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco e Alagoas.

Outro engano, sobretudo nas histórias da oralidade é dizer que as cangaceiras participam dos combates, atiravam e andavam “armadas até os dentes”, com chapéus de couro e fuzil na mão. Imagem totalmente deturpada que os filmes e a TV insistem em mostrar. Por ocasião dos combates, todas ficavam distantes e sob proteção de dois ou mais cangaceiros.

A história mostra que a Bahia foi o Estado que mais “rendeu” mulheres cangaceiras, a começar por Maria Bonita. Em seguida veio Sergipe. Eis algumas cujos nomes a história cangaceira registra: As baianas: Mariquinha, mulher de Labareda; Naninha, mulher de Gavião; Nenê, mulher de Luis Pedro; Noca, mulher de Mormaço; Osana, mulher de Labareda (segunda); Lídia, mulher de Zé Baiano; Verônica, mulher de Bala Seca; Zefinha, mulher de Besouro.

Sergipanas: Maria Fernandes, mulher de Juriti; Rosalina, mulher de Mariano; Sebastiana, mulher de Moita Brava. De Pernambuco, apenas Dadá, mulher de Corisco.

Um detalhe que deve ser destacado- todas eram da zona rural, jovens e bonitas.

Fonte: facebook
Página: Wilma Maria Ferreira Leite
Grupo: O Cangaço
Link: https://www.facebook.com/groups/ocangaco/?multi_permalinks=1581913078488471&notif_t=like&notif_id=1496082073453284

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FORMAÇÃO DO BAIRRO DOS PEREIROS, EM POMBAL/PB.

Por Jerdivan Nóbrega de Araújo

A formação do "Bairro dos Pereiros" se deu com a expulsão dos excluídos das ruas centrais de Pombal, após a homologação do "Plano de Postura da Cidade", aprovado pela Câmara Municipal de Pombal" em 1936.

O Bairro começou com um arruado e deve ter recebido o nome de "Rua dos Perdidos" por conta da abundância dessa árvore na região.


Os moradores eram, em sua maioria, artífices, mulheres que serviam nas cozinhas dos moradores das ruas centrais da cidade, agricultores e desempregados.

Haviam ainda ali alguns bares e postibulos que se deslocaram do centro para a localidade em consequência da implantação do Plano de Postura.
Com a chegada da indústria "Brasil Oiticica" e da Ferrovia, a rua cresceu até chegar a ser chamado de "Bairro dos Pereiros".


A "Brasil Oiticica" contratava as mulheres do entorno para trabalhar na costura e recuperação dos sacos de estopas, e a noite elas vendiam mangai na "pedra da estação". Com essas atividades o dinheiro permitiu a melhoria das casas, que sempre eram muito bem cuidadas por seus moradores.

A igreja de São Pedro, no Bairro, é de 1957 e foi iniciativa da comunidade com apoio decisivo do Padre Vicente Freitas, que organizou as Quermesses para arrecadar fundos, prática que acontece até os dias atuais, sempre no mês de junho: FESTA DE SÃO PEDRO.

Tradicional Festa de São Pedro no Bairro Pereiros em Pombal/PB

Um dos párocos mais controvertidos da paróquia foi o Padre Levi. 

A igreja serviu para acolher as mulheres que, por suas práticas e forma de vida repudiada pela saciedade á época, não circulavam nas ruas centrais de Pombal, e não eram, portanto, aceitas nas igrejas do centro.

Até o final da década de 1970 era o último bairro a Sul da cidade. 


A mudança do nome do bairro, que já tem 82 anos, não acrescenta em nada à comunidade, ao tempo que é uma agressão a história dos que por ali chegaram e, mesmo cultivando São Pedro como patrono da localidade, sempre se orgulharam do nome do Bairro.

Jerdivan Nóbrega de Araújo

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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OS CANGACEIROS ERAM TEMIDOS DEPOIS DE MORTOS?

Por Francisco Carlos Jorge de Oliveira

Os cangaceiros eram temidos de tal forma, que depois de abatidos tinham as suas cabeças decepadas por seus algozes, mas será que eles eram uma ameaça até mesmo depois de mortos? 


Existe no mundo todo lendas sobre bruxas, vampiros, lobisomens, zumbis e outros monstros que mesmo após estarem mortos e sepultados, ainda voltavam saindo de suas tumbas para molestar e causar terror no mundo dos vivos. 


Nos lugares mais remotos da terra, ainda há povos que têm costumes bem estranho, pois vejam nesta postagem alguns túmulos protegidos com grades de aço. Os mais sensatos dizem que a tal proteção é para evitar que ladrões violem os jazigos para roubar jóias e demais objetos de valor, mas também há aqueles que afirmam que as supracitadas grades de aço que estão sobre o sarcófago, são para impedir a saída de possíveis monstros que ali estão aprisionados, mas que ainda poderão um dia vir a se libertar. 


Tudo faz sentido, depende o modo do leitor interpretar. Quanto aos cangaceiros, já há algumas contradições em relação às suas degolas, podemos descartar então, tais hipóteses absurdas.


Na realidade os registros mostram que muitos cangaceiros que morreram em combates, foram sepultados sem terem suas cabeças seccionadas pelos militares volantes ou voluntários das milícias civis, e seus túmulos não tem proteção alguma. 

Agora eu pergunto a todos do grupo: Citem alguns cangaceiros que mortos em combate não teve suas cabeças decepadas? 

Abraços a todos!

https://www.facebook.com/groups/ocangaco/

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

LIVROS DO GERALDO MAIA DO NASCIMENTO


ATENÇÃO: Novo livro do cangaço publicado: 

AMANTES GUERREIRAS: A Presença da Mulher no Cangaço, de Geraldo Maia do Nascimento, Natal-RN: Editora do Sebo Vermelho, 2015, 132 páginas. O pesquisador do cangaço, Geraldo Maia do Nascimento, também conhecido por GMaia, nascido em Natal e radicado em Mossoró, relança o Livro: AMANTES GUERREIRAS:..., agora em 2ª Edição, com o conteúdo ampliado, ou seja, com 132 páginas. O Autor faz uma compilação de quase 100 nomes de cangaceiras. O livro pode ser adquirido com o Professor Francisco Pereira Lima, em Cajazeiras-PB ou no Sebo Vermelho, em Natal-RN. - Carlos Alberto

No dia 17 de Agosto o professor Pereira estará  com esse excelente livro à disposição dos amigos, ao preço de R$35,00 com frete incluso. 

Pedido: franpelima@bol.com.br


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MOSSORÓ NA TRILHA DA HISTÓRIA

ANOTAÇÕES


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TESTAMENTO JOSE TAVARES DE ARAÚJO. TESTAMENTO DO TRISAVÔ MATERNO DE JOSÉ ROMERO DE ARAÚJO CARDOSO

Por José Tavares de Araujo

CARTÓRIO “CEL. JOÃO QUEIROGA”
Cel. José Fernandes, 529 – Centro
CNPJ 09.205.816/0001-26

EU, FRANCISCO NOBREGA QUEIROGA, Tabelião e Oficial do Registro de Imóveis desta Comarca de Pombal, Estado da Paraíba, na forma da lei, etc…

CERTIFICO que a requerimento verbal de pessoa interessada e para que produza os seus jurídicos e legais efeitos de que revendo os livros de Notas a cargos deste Cartório deles constam no Ano de 1894 – fls. 33 – O Testamento Público que é do teor seguinte: “Testamento publico feito pelo cidadão José Tavares de Araujo, como abaixo se declara. Saibam quantos este publico testamento virem que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e noventa e quatro, aos dez dias do mez de Maio do dito anno, nesta cidade de Pombal, Estado da Parahyba do Norte em caza de residência do mesmo cidadão José Tavares de Araujo, a rua dos Prazeres, antiga do commercio desta mesma cidade de Pombal, onde eu José Gonçalo Trigueiro da Costa Tabelião Publico a chamado vim; sendo ahi presente o dito José Tavares de Araujo, pessoa de mim conhecida pelo próprio do que dou fé; e, achando-se doente mas em seu perfeito juízo e no gozo perfeito de suas faculdades intelectuais, segundo o meu parecer e oppinião unânimes das testemunhas prezentes e adiante nomeadas e no fim assignadas, por elle cidadão José Tavares Araujo, diante de todos foi dicto que de sua própria e livre vontade e sem menor constrangimento faz este testamento de modo seguinte: Primeiramente disse: que como Christão Catolico Apostolico Romano que seu corpo tanto que fallecer seja envolto em habito preto e sepultado no cimeterio desta cidade no xão ou catacumba de acordo com a oppinião dos de sua família, tendo missa de corpo prezente pelos Reverendissimos Parochos que existirem no lugar, no dia de seu fallecimento, não queria officio solene e somente interro simples, conforme o uso da terra e pessoa de sua qualidade. Disse: mais que queria que depois de sua morte fosse distribuidos cinqüenta mil réis de esmolas entre pessoas pobres; a saber: orphãos, viúvas, alejados e cegos. Disse mais que foi cazado em primeira nupicias no anno de mil oitocentos e setenta e sete na Povoação de Salgado Comarca de Tabayanna, deste Estado de cujo consórcios teve sete filhos, sendo que destes morrerão inteira idade, dois e cinco criarão-se e que são: Bellarmino Tavares de Araujo, Francisca Delfina de Araujo, Félix Tavares de Araujo, Francisco Tavares de Araujo e Tertuliano Tavares de Araujo, sendo que deste falleceu ultimamente o anno passado de nome Francisco Tavares de Araujo; Disse ainda que depois da morte de sua primeira mulher partilhou seus bens pelos meios judiciais no foro de Ingá, com seus cinco filhos sobreviventes acima declarados, sendo que nesse tempo só possuindo bens de raiz, coube a cada um filhos como legitima materna seos quinhões no sitio terra vermelha, conhecido por Maria Mello. Disse ainda que cazou-se em segunda nupicias com Dona Illuminata Maria da Conceição de cujo consorcio tem tido oito filhos, a saber: Umelinda, Cecilia, Alfredina, José Laurientino, Bellermina, Florentino e uma ultima ainda não batizada de nome Maria. Disse ainda que tem doado nas terças de sua terça os bens abaixo descriptos a todos os seus filhos quer do primeiro quer do segundo matrimônio, como passa a expor: a seo filho mais velho Bellarmino Tavares de Araujo uma vaca parida no ano anno de mil oitocentos e oitenta e um que com a produção da mesma possui hoje doze vacas paridas, reis e garrotes e um novilho, sendo dito gado permanesse já em seu poder, e divizado com sua própria marca; a sua filha Francisca Delfina de Araujo, cazada com Feliz Lucas da Silva, doou uma vaca parida e hoje possui cinco vacas paridas uma solteira, quatro garrotas, uma egoa parida de mulo e um poltro, permanecendo também dito gado em seu poder e divizado com sua própria marca; a seu filho Felix Tavares de Araujo pelo mesmo tempo doou uma vaca parida e uma egoa e hoje possui quatro vacas paridas, uma novilha e trez garrotes, dois cavalos e uma egoa parida de mulo. A seu filho Tertuliano Tavares de Araujo doou pelo mesmo tempo duas vacas paridas possui hoje, seis vacas paridas, trez solteiras, trez garrotes, uma novilhota, um burro-mulo e uma egoa parida de poltro. Disse ainda que seos primeiros dois filhos doados cada doou também, por sua vez uma egoa a cada um delles. Disse ainda que achando-se seos primeiros filhos doados todos de maior idade devizou com suas próprias marcas os bens acima descriptos e cada um delles está no uso e gozo e posse dos ditos bens. Disse ainda que dezejando estabelecer entre todos os seos filhos os princípios de boa justiça no direito de igualdade é seu dezêjo doar como de facto doa também nas forças de sua terça a seos filhos do segundo matrimonio e filhos de Dona Illuminatta Maria da Conceição uma vaca parida e uma egoa a cada delles e no cazo de não haver o números de egoas suficientes para prehencher o quinhão da cada um dos doados poderá ser substituida a egoa por uma vaca parida. Disse ainda que dos ditos seos filhos menores, filho do segundo matrimonio tem dádivas de padrinho, no poder dos mesmos padrinhos excepção feita somente a Laurentino que possui dois bois e uma garrota conhecidos pelos nomes próprios meo filho como dádiva de seu padrinho, mais no instante permanesse ditos bens com minha marca sem deviza alguma. Disse ainda que sendo commerciante e tendo compromissos a rezolver na praça de Pernambuco e se achando gravimente doente para prevenir letigios e fucturos, gastos com inventários complicados e mesmo das união dos membros de sua propria família, rezolveu vender seu estabelecimento comercial sita a rua do Giro, antiga Estreita desta cidade, como de facto vendido tem a seu filho Bellarmino Tavares de Araujo, que como o mais habilitado para o comercio e sempre filho obediente e fiel cumpridor de seos deveres, espera e confia sobre a todos os seos compromissos e desempenhará tão dificílima missão com aquella probidade e honradeis de que me tem dado subjas provas no decurso de todo tempo que tem gerido e administrado sito estabelecimento. Disse ainda que é devedor na Praça de Pernambuco da quantia de novecentos, setecentos e sete mil trezentos e cinqüenta réis a diversas firmas comerciais sendo aos Senhores Machado e Pereira; quatrocentos oitocentos e setenta e um mil cento e cinqüenta réis; aos Senhores Andrade Lopes de Companhia – dois contos; Quinhentos e seis mil e quinhentos réis; ao Senhores Manoel Collaço de Companhia oitocentos e sessenta e seis mil e quinhentos réis aos Senhores José Joaquim Alves de Companhia – quinhentos e vinte e trez mil quinhentos e oitenta réis ao Senhor Jose de José de Macêdo – cento e noventa mil réis, aos Senhores Lopes de Irmão – Trezentos e noventa e dois mil quatrocentos e oitenta réis aos Senhores Vianna Castro e Companhia – trezentos e cinquenta e sete mil, cento e quarenta réis, cujas parcellas todas sommão aquella quantia acima descripta. Disse ainda que tendo mandado dar balanço no seo estabelecimento e verificando se haver em mercadorias alli existentes a quantia de quatro contos quatrocentos e oitenta e seis mil e duzentos réis, inclusive trinta e seis arrobas de farinhas de trigo que permanesse em caza de minha residência; em dividas activas recebíveis a quantia de dois contos quinhentos noventa e quatro mil réis, cujas duas parcellas, sommando a quantia de sete contos e duzentos réis, entregarei ao dito meu filho a quantia de dois contos setecentos e oitenta e sete mil conto e cincoenta réis em oeda legal para saldo de meu debito da Praça acima expecificada ou na falta de dinheiro em algodão que se acha armazenado em minha caza para dito fim. Disse ainda que feito e com feito das mercadorias, devidas e da quantia que obrigo-me a entregar ao dito meu filho da quantia já referida e verificada sem mais tudo a quantia de novecentos, setecentos e sete mil trezentos e concoenta réis, da qual sou devedor a Praça de Pernambuco as firmas já especificadas, é minha vontade como de facto fica vendido o meu dito estabelecimento comercial já referido com todo activo a passivo já mencionado e descriptos, aos referido meu filho Bellarmino Tavares de Araujo que será obrigado a saldar e indenizar nos tempos pelo comercio convencionado e conforme istillo todas as contas da Praça acima descriptas. Disse ainda que pedia a todos os membros de sua família que de forma alguma isternasse ou procurasse deficultar a venda que por este fazia de seu estabelecimento comercial, ao dito seu filho – Bellarmino . Disse ainda que pedia ao mesmo seu filho Bellarmino que como filho mais velho e portanto chefe da família mantivesse para com todos seos irmãos a união e armonia tão necessárias as famílias e se acçociasse aquella que o seu juízo mais digno fosse de seus serviços e auxílios. Disse finalmente que rogava ao mesmo seu filho Bellarmino Tavares de Araujo ao Cidadão Menandro José da Cruz e Tenente Antonio Justino de Oliveira Filho, queiram, fazer a olsadia de serem seus testamenteiros e de sustentar em Juizo ou fosse della este seu testamento tal qual nelle se contem. E por este modo disse elle testador havia por feito sua ultima disposição que queria que vallessse como testamento ou codicillo, revogando por este testamento outro anteriormente feito. E depois de lhe ser lido por mim Tabelião Publico e por elle testador confirmado, assinou com as testemunhas, João Alves Feitosa. Silvestre Honório Rodrigues de Souza. Tenente Antonio da Silva Pereira e Antonio Carneiro de Mello e Jeronimo Francisco dos Santos que todos assignarão de que tudo dou fé. Eu, Gonçalo Trigueiro da Costa . Tabelião Público o escrevi e assinei em publico e razo do que uso e são as seguintes: Em testemunho o (sinal) da verdade. Gonçalo Trigueiro da Costa. José Tavares de Araujo. João Alves Feitoza. Silvestre Honório Rodrigues de Sousa. Antonio Silva Pereira. Antonio Carneiro de Mello. Jeronimo Francisco dos Santos”. Confere com o original; dou fé. Pombal (PB), 23 de Janeiro de 2012. O Oficial,


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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JUREMINHA, O CANGACEIRO QUE NUNCA EXISTIU

*Rangel Alves da Costa

Ainda hoje muito se conta sobre Jureminha, o cangaceiro que nunca existiu. Nunca existiu por acasos da vida, pois vivente naqueles sertões cangaceiros dos idos de 1920 em diante, quando os homens das caatingas já tomavam espaços pelos carrascais nordestinos. Ademais, vivendo numa região onde outra coisa não se falava senão da presença tanto do bando de Virgulino Ferreira, o Capitão Lampião, como das volantes, que eram as forças policiais nas suas investidas contra os cangaceiros.
A povoação onde Jureminha havia nascido era, por assim dizer, caminho de cangaceiros e volantes por excelência. Mata fechada por todos os lados, veredas quase impenetráveis, tufos de mato que davam para um bando inteiro se amoitar em repouso ou de tocaia para esperar inimigos. Além de ser um lugar onde qualquer cangaceiro era mais respeitado e querido que qualquer comandante de volante. Ante as atrocidades cometidas pela soldadesca, criava-se até ódio pela sua presença. Bastava a simples passagem da volante para algum mal ser cometido contra inocentes.
Já com a aproximação do bando cangaceiro era diferente. Ainda que muitos temessem perder a vida pela chegada daqueles homens surgidos do nada, assim num segundo, e por isso mesmo arribassem até de ceroulas pelas portas do mundo, a maioria até acolhia com agrados a Lampião e seus rebeldes matutos. Tanto assim que nenhum outro lugar deu tanto coiteiro ao bando como aquele em que vivia Jureminha. Mas coiteiro o cabra nunca quis ser, pois seu negócio mesmo era ser o mais valente do bando. Mas como, se Jureminha era o mais medroso de todos?
Mas pelo que dizia e espalhava aos quatro cantos, Jureminha tudo tinha para enveredar no cangaço, pois sempre se alardeando injustiçado, perseguido pelos poderosos, carregando nas costas a sina das desvalias. E também nascido numa povoação onde muitos de seus conhecidos já haviam partido rumo às lutas debaixo da lua e do sol. Mas como já dito, e a verdade seja repetida, um cabra medroso igual a Jureminha não levantava na mão sequer um estilingue ou uma baleadeira de acertar rabo de calango, muito menos um rifle ou qualquer arma potente.

O homem era tão medroso que bastava ouvir falar que o bando se aproximava que se metia debaixo da cama ou saía correndo pela mata adentro de bater o pé na bunda. Ainda assim se dizia valentão, o mais destemido dos sertanejos, e por isso mesmo nascido para não só ser cangaceiro como para tomar o lugar de Lampião quando este se cansasse da luta. E fazia planos e mais planos, de vez em quando até dizendo que ao se tornar líder do bando a primeira coisa a fazer era contratar uma cozinheira que soubesse fazer guisado de palma e de cabeça-de-frade.
O tempo foi passando e o futuro cangaceiro Jureminha nada de enveredar no cangaço. Quando o bando riscava por ali e sumia de vez, alguns imaginavam que daquela vez o amigo já havia se decidido. Mas não. Jureminha estava mesmo era escondido, tremendo feito vara verde, todo mijado na loca onde estivesse entocado. Depois aparecia dizendo que já havia acertado tudo, conversado com o próprio Lampião e que da próxima vez daria seu adeus ao lugar. Depois disso somente sua fama chegaria naqueles recantos.
Mas um dia, enquanto lorotava debaixo de pé de pau sobre suas estratégias logo que se tornasse cangaceiro, eis que Jureminha ouviu uma inesperada notícia: Lampião e parte de seu bando haviam morrido. Alentado por dentro, mas esbravejante por fora, o homem levantou a voz raivoso, parecendo que queria acabar com o mundo. E dizia: Mai num pode ser verdade. Noutro dia eu mermo dixe a Lampião que num fosse se acoitar no Angico. Avisei a ele que ali era perigoso demais pra cangaceirada se esconder. E agora, se for mermo verdade a nutiça, entonce só me resta me ajuntá aos que num morrero e vingá o capitão. E é o que eu vou fazê agorinha mermo”.
Depois disso sumiu durante três dias, mas não estava noutro lugar senão num terreno de seu sogro. Ao retornar, logo começou a espalhar que Corisco já havia aceitado ele, o próprio Jureminha, ser o líder dos vingadores, e por isso mesmo não tinha dia nem hora pra que o restante do bando aparecesse por ali para seguirem no encalço dos matadores. E dar o troco bem dado.
Desacreditado, mas não menos mentiroso, até muitos anos depois ainda lhe caçoavam perguntando: Cangaceiro Jureminha, cadê Corisco que nunca chega? E ele ainda respondia, com a maior seriedade do mundo: “Mataro tomem. Agora só resta eu pra vingar os dois. Só tô esperano uns armamento que encomendei”.
Um dia, quando bateu as botas, fizeram-lhe uma homenagem. Um chapéu cangaceiro foi colocado sobre o caixão. E no epitáfio que dizia: Aqui jaz Jureminha, o cangaceiro sem nunca ter sido.

Escritor
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LIVRO “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”

Por Antonio Corrêa Sobrinho

O que dizer de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”, livro do amigo Ruberval de Souza Silva, obra recém-lançada, que acabo de ler, senão que é trabalho respeitável, pois fruto de muito esforço, dedicação; que é texto bom, valoroso, lavra de professor, um dizer eminentemente didático da história do banditismo cangaceiro na sua querida Paraíba. É livro de linguagem simples, sucinto e objetivo, acessível a todos; bem intitulado, pontuado, bem apresentado. E que capa bonita, rica, onde nela vejo outro amigo, o Rubens Antonio, mestre baiano, dos primeiros a colorizar fotos do cangaço! A leitura de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO” me fez entender de outra forma o que eu antes imaginava: o cangaço na terra tabajara como apenas de passagem. Parabéns e sucesso, Ruberval!

Adendo: José Mendes Pereira

Eu também recomendo aos leitores do nosso blog para lerem esta excelente obra, e veja se alguns dos leitores  possam ser parentes de alguns cangaceiros registrados no livro do Ruberval Souza.

ADENDO -  http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Entre em contato com o professor Pereira através deste 
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A REVOLTA DO QUEBRA QUILOS NA VILLA DO ACARY EM 1873.

Por Cicero Jose de Araújo Silva

A revolta ou sedição do Quebra Quilos foi um movimento de conotação popular que aconteceu nas Províncias do Norte, atual região Nordeste na segunda metade do século XIX.

Na Província do Rio Grande do Norte vilas inteiras revoltaram-se contra a implantação de um novo sistema métrico, saqueando feiras e destruindo pesos e medidas do comércio.

Os pesos e medidas eram alugados ou comprados à Câmara Municipal, que cobrava ainda por sua aferição. Um dos impostos que provocaram a ira dos revoltosos foi o chamado "imposto do chão", cobrado àqueles que expunham suas mercadorias no chão da feira. (MACEDO, 1998)

Das 13 vilas que estiveram envolvidas no levante do quebra quilos 5 eram do Seridó: Acary, Príncipe (Caicó), Flores (Florânia) Jardim (Jardim do Seridó) e Currais Novos. A população estava insatisfeita com os novos impostos sobre as mercadorias e sobretudo com o recrutamento obrigatório para a Guerra do Paraguay. (MACEDO, 1998)

No Acary os principais líderes do movimento foram Manoel Bezerra de Araújo Galvão, (falecido em 1922), Joaquim José de Carvalho Pinto e Benjamin Manuel de Figueiredo Cavalcanti. Juntaram-se a revolta comerciantes, elementos da camada proprietária, pequenos agricultores que vendiam sua produção semanalmente na feira e consumidores atingidos com a elevação de preços dos produtos.

Tudo começou em uma manhã de domingo de julho de 1873. Os sediciosos caminharam em número considerável até a feira e o Mercado Público de Acary. Uma discussão acalorada se deu, terminando em uma pequena luta corporal entre os participantes da revolta e a pequena força policial composta por três soldados que se encontrava na feira. Sem ter como fazer frente a situação os agentes da força pública bateram em retirada após um dos soldados sofrer uma tremenda cacetada na cabeça. Solicitaram reforços, mas não conseguiram impedir que vários pesos e medidas fossem tomados e lançados no Rio Acauã.

Sob a tutela de Manoel Bezerra de Araújo Galvão os revoltosos do Quebra-Quilos organizaram o próximo passo, invadir a Câmara Municipal e colocar fogo no arquivo, afim de dar cabo as leis que estabeleciam os novos pesos e medidas. Porém de alguma forma o Coletor geral de imposto do Acary, Joaquim Teotônio Pereira de Araújo soube de tais planos e no silêncio madrugada, com a ajuda de seu escrivão Manoel Dantas transferiu vários documentos da Câmara Municipal para sua própria residência. Sem saber de tal ocorrido, no raiar do dia, os sediciosos foram até as dependências da Câmara Municipal da Villa do Acary e adentraram no recinto. Insatisfeitos por não encontrarem as leis “maléficas” que desejavam dar fim, rasgaram documentos e livros, e depois tomaram o rumo da feira. O Objetivo lá era impedir que o cobrador de impostos recolhesse o injusto e caro "imposto de chão".

Sabendo disso o comandante policial do Acary o tenente Joaquim do Rêgo Barros mandou para a feira um destacamento. O encontro entre a polícia e o séquito liderado por Manoel Bezerra de Araújo Galvão foi inevitável. Os ânimos se exaltaram tudo caminhava para um combate corpo a corpo entre a força policial e os partidários do Quebra Quilos. Foi então que Manoel Maria Dantas e Joaquim Paulino de Medeiros (Quincó da Ramada) interviram e apaziguaram evitando que o conflito chegasse as vias de fato.

O documento que nos possibilitou essa viagem de quase cento e cinquenta anos se encerra aqui nesse ponto. As páginas ilegíveis corroídas pelas traças e pelo impiedoso tempo não me permitem​ continuar essa crônica histórica sobre esse fato no Acary antigo. Entretanto foi possível ficar durante quase uma semana no ano de 1873, passeando pelas asseadas ruas e visualizando mentalmente como se deu A Revolta do Quebra Quilos na Villa do Acary

Cicero Jose de Araújo Silva. Historiador

REFERÊNCIAS E FONTES:

MACÊDO, M. K. de (1998). Revoltas populares na Província do Rio Grande: o "Quebra-Quilos" e o "Motim das Mulheres". História do RN n@ WEB [On-line]. Available from World Wide Web: www.seol.com.br/rnnaweno
Diário de Natal (1870-1879)

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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