"Existem,
na Bahia, algumas peças de ouro maciço que pertenceram aos cangaceiros. Muitas
delas, não todas, fruto de comércio ou saque.
Nesta imagem, um diamante de mais
de 2 quilates, peça do cangaço de uso feminino, que a tradição aponta ter
pertencido a Maria Bonita, tendo sido recolhido em Angicos.
O numero é pequeno
Aro 14, o que indica dedo pequeno. Atualmente, estimado em 8 mil reais. Está à
venda." Orlins Santana.
Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio
No que se
refere à história da abolição da escravidão em Mossoró, a abordagem histórica
predominante tenta omitir os fatos que refletem as causas do processo
abolicionista em Mossoró, e assim, não faz referências ao período imediatamente
anterior à abolição dos escravos nesta cidade. Esta deficiência de abordagem
revela uma produção historiográfica que não prioriza a contextualização do
acontecimento em seus aspectos econômico, social e político, e isto dificulta a
compreensão real daquele período histórico.
A propagação
do movimento abolicionista não encontrou proprietários de escravos receosos de
perderem seu patrimônio, ou exigindo indenização para libertar seus escravos.
Não há registros de depoimentos de políticos no âmbito local que fossem
contrários ao abolicionismo. Documentou-se, no entanto, como uma das primeiras
adesões à causa abolicionista a do presidente da Câmara Municipal de Mossoró
Romualdo Lopes Galvão, fiel participante da campanha (NONATO,1983,228). Constatações
que são reforçadas em parte pela condição econômica da cidade que às vésperas
da abolição vivia fundamentalmente do comércio. A base dos seus negócios como
peles, carne seca, algodão, couro, sal entre outros.
Mossoró havia
conquistado a condição de empório comercial; até mesmos as secas na região
contribuíram para a expansão das atividades do comércio local desde que os
socorros da parte do governo para a população flagelada eram concentrados para
a distribuição em Mossoró, e a presença dessa população faminta serviu de opção
aos comerciantes de Mossoró como força de trabalho barata (FELIPE,1982,52-60).
Considerando
que o comércio desenvolvido em Mossoró mantinha uma relação com a produção
regional, e que a burguesia comercial sediada em Mossoró mantinha negócios no
setor rural, chegamos a presumir que as atividades desenvolvidas no campo
estivessem mais relacionadas ao trabalho escravo. Neste sentido, procuramos
observar o desenvolvimento da cotonicultura que, no período bem recente ao da
abolição da escravidão, aparece como uma das principais fontes de riqueza na
província do Rio Grande do Norte. Cultivado principalmente nas terras do Sertão
e Agreste, foi neste período o principal produto comercializado em Mossoró para
várias ouras regiões do Brasil, e até mesmo para o exterior. Ao analisar o
algodão no quadro da economia do Rio Grande do Norte, Takeya focaliza as
relações de trabalho que mais corresponderam às circunstâncias da região e da
produção. Segundo a autora, o algodão se incluía entre as culturas de ciclo
vegetativo curto, e por seu plantio incidir em regiões onde a seca era uma
constante, se tornou inviável o uso do trabalho escravo.
Estas
condições não permitiram que a utilização da mão-de-obra escrava proliferasse,
o que ocorreu também na economia criatória que deu origem ao povoamento e à
evolução de Mossoró. Mesmo se confirmando a presença do escravo nas fazendas de
gado, esta presença não veio a tornar-se indispensável para o desenvolvimento
das atividades daquelas unidades de produção. Além da criação de gado, teve
lugar nas fazendas outras atividades que dependiam desta principal, tais como:
a indústria da carne seca e o ciclo do couro. Todas contribuíram direta ou
indiretamente com vultosos lucros para os seus proprietários, os quais, por
esta época, em sua maioria, eram também comerciantes em Mossoró. Estas e outras
atividades do cotidiano da fazenda eram assumidas por trabalhadores livres com
presença sempre mais numerosa que a dos escravos.
Por estas
condições os habitantes das fazendas mantiveram uma convivência neste espaço de
moradia e trabalho que fez desaparecer a fiscalização rígida e a utilização dos
castigos tão comuns, os quais eram aplicados aos escravos rebeldes dos
canaviais ou cafezais.
Na realidade,
o Rio Grande do Norte não chegou a possuir grande número de escravos. Até mesmo
no período de ascensão da produção açucareira que ocorreu entre as décadas de
quarenta e sessenta, não há registros que comprovem ter o trabalho compulsório
predominado nos engenhos de açúcar dos vales do Ceará-Mirim, São José de
Mipibu, Canguaretama e São Gonçalo. Assim sendo, a mão-de-obra escrava não foi
uma determinante na vida econômica das fazendas criatórias. Estando longe de se
tornar a principal nos engenhos de açúcar ficou ainda mais marginalizada
durante o período em que o algodão tomou conta das terras do Rio Grande do
Norte. Estas constatações encontram respaldo nos estudos de Câmara Cascudo,
quando ao referir-se à população escrava do Rio Grande do Norte durante a
década de sessenta, enumerou a quantidade de escravos retidos nas cidades de
Natal, Extremoz, Goianinha, Angicos, Príncipe, São José de Mipibu, Mossoró e
Touros. O referido autor afirmou ainda que eles eram em menor número comparados
ao restante da população livre, e mesmo em São José de Mipibu, local de maior
produção de açúcar, o escravo não foi o principal trabalhador naqueles
engenhos. Ainda mais, ao comparar a população escrava da cidade de Mossoró com
a dos demais locais, constatou que os escravos concentrados em Mossoró nesta
época era o menor grupo em toda a província, depois tinha apenas Touros
(CASCUDO,1952,168).
É de se
presumir que os proprietários de escravos da província do Rio Grande do Norte,
como talvez tenha ocorrido em toda a região Norte, insistiram em permanecer com
seus escravos até quando as condições ambientais e materiais favoreceram.
Quando as secas constantes impossibilitaram a criação e a plantação, o escravo
tornou-se um peso, um gasto a mais. Nesta situação, e diante dos preços que os
cafeicultores passaram a oferecer na compra dos escravos durante as décadas de
sessenta e setenta, a diminuição da população escrava principalmente na região
Norte foi drástica. O escravo que já não era a força motriz da economia desta
região foi valorizado na forma de mercadoria, resgatando ao senhor o valor do
investimento pela sua compra. Dessa forma, o tráfico inter-regional serviu de
alguma maneira, para que os proprietários de escravos do Norte emancipassem
seus escravos sem prejuízos, aproveitando-se da vigência deste comércio e da
cotação por escravos que esteve sempre favorável.
Todas essas
circunstâncias justificam porque na cidade de Mossoró o movimento abolicionista
que foi iniciado em janeiro de 1883 conseguiu, em menos de um ano, em 30 de
setembro de 1883 decretar o fim da escravidão. Os abolicionistas foram
favorecidos pelas condições locais, onde praticamente não houve reação à
realização dos seus objetivos. A abolição dos escravos sendo efetivada antes da
Lei Áurea, trouxe de volta a atenção da nação para o Norte, com seus
personagens e cidades antecipando-se aos centros mais importantes do país,
colocando estes abolicionistas na vanguarda da libertação de uma população
oprimida e injustiçada.
Outra condição
que favoreceu ao surgimento dos chamados abolicionistas de última hora, foi o
fim do tráfico interno dos escravos. Enquanto o porto de Fortaleza controlou a
exportação de escravos para a região do café, traficantes como Joaquim
Filgueira Secundes e João Cordeiro, entre outros, contribuíram e lucraram com o
comércio de escravos. E quando ocorreu a interdição do referido porto, entre
outros fatores, como conseqüência do aumento do imposto sobre os escravos
comercializados nas províncias cafeeiras, estes tornaram-se abolicionistas,
ganhando na historiografia local a condição de heróis por lutarem e
consolidarem a abolição dos escravos em Mossoró.
(Texto
extraído da obra: A Abolição da Escravidão em Mossoró - Pioneirismo ou
Manipulação do Fato/Emanuel Pereira Braz. -Mossoró, RN: Fundação Vingt-un
Rosado, 1999. Páginas 53-58)
Vou ao cemitério visitar o túmulo de minha mãe. Estou em Maceió
e sou adulto. Na saída pergunto para um funcionário: – Aquele é o túmulo do
coronel Lucena? Ele me diz que não sabe, que trabalha ali faz pouco tempo. Fico
a me lembrar de que o coronel foi prefeito de Maceió. E de que o seu túmulo foi
uma homenagem da Prefeitura, ao tempo do prefeito Sandoval Caju. E mais: que
morrera humilde e sem riquezas. E logo um frio percorre o meu corpo. E os
ventos - tais os da infância - me transportam aos anos quarenta. Estou em
Santana do Ipanema. A cidade se confunde com as minhas lembranças. O velho
Quartel da Polícia Militar enche o meu olhar. Nele funcionava o "Comando
de Caça a Lampião", que tinha como comandante o coronel Lucena. Tipo
forte, cabelos ondulados, boca pequena, nariz fino, corado e sempre alegre, ele
encarnava o mito da coragem. Fora disso, era o homem venerado e de quem jamais
se colocou em dúvida a honestidade de princípios. E de súbito, vejo-me na
formatura do curso primário tendo o coronel como nosso padrinho, fato sobre o
qual até bem pouco eu ainda tinha uma fotografia. Depois o coronel está
abraçado com "Seu" Carola, dono da maior farmácia da cidade, brincando
o carnaval acompanhado por uma multidão de foliões, entrando em todas as casas
da cidade e recebido como um rei. Um rei para o qual as famílias preparavam
comidas e bebidas. Mas os dois foliões não bebiam. Os seus acompanhantes,
pessoas simples do povo, é que se fartavam. O que valia era a alegria de
receber o coronel e o seu inseparável amigo de carnaval. Percorrendo ruas e
ruas o coronel a todos prestigiava tornando os carnavais tranqüilos. Mas o
coronel Lucena não era o único mito da cidade. Ele dividia o privilégio com o
padre Bulhões.
Padre
Bulhões - Pai adotivo de Sílvio Bulhões - filho dos cangaceiros Dadá e Corisco
Um era o poder material e outro o poder espiritual. Coronel
Lucena, no Monumento – parte alta da cidade. E padre Bulhões, no Camoxinga –
parte baixa da cidade. Assim, eles estendiam um arco de proteção sobre toda
cidade. Um dia o tenente Porfírio, homem valente, tornara-se suspeito de que se
preparava para formar um bando de cangaceiros. Já houvera morto uma esposa,
segundo suspeitas. A desculpa fora simples: encontro casual com grupos de
cangaceiros, tiroteio e etc. Saíra-se bem com a justiça. Mas haveria de matar
outra esposa de nome Durvalina, refugiando-se no Camoxinga. Todos sabiam que
cangaceiros não agiam nas terras de Senhora Santana. E o coronel Lucena
mandou-lhe ordem para comparecer ao quartel, através de seus dois soldados de
confiança, Artur e Zé Pereira. Mas tenente Porfírio debochou: – Digam ao
coronel que a distância é a mesma. Ele que venha aqui. Acabrunhados, os
soldados comunicaram o fato ao coronel. E ouviram: – Muito bem: voltem e tragam
Porfírio de qualquer jeito! Quando os dois se aproximaram da casa de Porfírio
ele já saltou de revólver em punho, na varanda. Mas tombou (numa fração de
segundos) mortalmente ferido, sem ter tido tempo para algum tiro certeiro.
Colocado numa rede foi levado para o quartel e depois sepultado com uma sava de
tiros a que tinha direito. Abriu-se inquérito policial para apuração da
ocorrência. Motivo: desacato a autoridade. Desperto-me. Estou outra vez em
Maceió. Olho para a presumível sepultura. Não consigo ir vê-la de perto. E deixo
o cemitério.
Fonte: Luiz Nogueira Barros Fonte de pesquisa: Jornal Gazeta de Alagoa.
Adquiri no blog Família Camboa do pesquisador Grismarim
Ao saber da morte do seu mais respeitado cangaceiro, Zé Baiano, morto em
emboscada ardilosamente planejada pelo coiteiro Antônio de Chiquinho, na Lagoa
Nova em Alagadiço.
Tendo o corpo do cangaceiro sido jogado em um formigueiro, o
seu líder, Virgulino Ferreira da Silva, reuniu seu bando e partiu com destino a
Frei Paulo para por em prática um sórdido plano de vingança. Ele planejara uma
sangrenta invasão de nossa cidade. Isso ocorreu nos anos 30, durante a famosa
seca que assolou o sertão sergipano. Além das aflições causadas pela longa
estiagem, a população vivia apreensiva com a eminência desse ataque.
Eronildes Ferreira de Carvalho
O
interventor federal Eronildes Ferreira de Carvalho, proprietários da Fazenda Jaramataia determinou a criação de uma “Força Volante” que permaneceu acampada
por meses na antiga praça do mercado, atualmente Praça Capitão João Tavares. O
grupo dormia em dezenas de redes armadas e os mantimentos eram cozinhados em
panelões.
O povo de Frei Paulo ainda hoje acredita que foi a espada do padroeiro São
Paulo que impediu a entrada do bando de Lampião. Segundo uma lenda contada em
prosa e versos pelos mais antigos, toda vez que o cangaceiro tentava entrar em
Frei Paulo, era acometido de uma terrível dor nos olhos e nos ouvidos e uma
caganeira que o deixava muito debilitado. O Padre Madeira mandou virar para
cima a espada da imagem de São Paulo, que era voltada para baixo. Foram tempos
difíceis e o medo imperava.
Meu pai relata que viu
Lampião e seu bando na feira de Ribeirópolis no anos de 1927, como ele era uma
criança, passou por baixo das pernas dos adultos que se aglomeravam para ver de
perto o rei do cangaço, imponente, com suas indumentárias, olhar de mau,
taciturno e sério. Armado de punhais, parabelo nos quartos, ostensivas
cartucheiras em forma de xis e em uma das mãos um rifle papo amarelo. Era a
lenda viva dos sertões bem ali na sua frente, cercado de outros cangaceiros e
sua mulher Maria Bonita.
Mas em Frei Paulo ele jamais pisou os pés, graça a bravura de seus habitantes
que voluntariamente se juntavam à "Força Volante" para enfrentar os
cangaceiros. Logo os rumores de atrocidades praticadas pelo bandoleiro
começaram a chegar. Ele já teria invadido fazendas em Carira, Cipó de Leite e
Mocambo, sua chegada a Frei Paulo seria uma questão de tempo. Lampião mandou um
bilhete para o intendente Maurício Ettinger com o seguinte teor: “Quando menos
isperá nois invade sua cidade; num vai iscapá nem menino de 9 mês, a cabeça do
delegado Germino vai rolar”
Germino Góes era o pai de Antônio de Germino, dono do Alambique da Imbira, que
fabricava a Ibiracema, a melhor cachaça da região. Ele teve que fugir para o
sul da Bahia para não ser morto, pois sua fazenda fora diversas vezes saqueada
pelos bandos de Lampião e Zé Baiano. Fez isso porque se recusava a ser coiteiro
de Lampião. O seu neto, Germino Neto é casado com minha irmã Selma. A morte de
Zé Baiano, planejada por Antônio de Chiquinho não trouxe paz, pelo contrario,
deu início a uma guerra que por pouco não se consumou.
Lampião e seu bando ainda ficaram alguns dias acampados às portas de Frei
Paulo, o local onde ele se preparava para a invasão era ali, onde fica hoje o
Curral do Açougue, no pé da ladeira que dá acesso à cidade. Felizmente o
bandido bateu em retirada, ao saber que teria uma resistência à altura. Rumou
para a Bahia e tempos depois foi morto numa troca de tiros com a volante na
gruta de Angicos, próximo de Propriá.
O evento Trupé
Cultural, acontecido em Petrolândia, Pernambuco, foi um sucesso. O idealizador
do evento, o músico e empresário Jadilson Ferraz, conseguiu reunir os diversos
seguimentos da arte e reunir uma grande multidão que lotou a orla da cidade e o
Museu Restaurante Trupé cultural. O Museu foi também palco de várias apresentações.
O grande poeta Chico Pedrosa e as palestras de João de Sousa Lima lotaram o
espaço do Museu.Várias bandas regionais, grupos de bacamarteiros, xaxados e
danças abrilhantaram o palco principal. Destaque para o grupo Art Cênics de
Paulo Afonso.
Jadilson
Ferraz e João de Sousa Lima na grande Festa que foi o Trupé Cultura 2013 !
O empresário e
músico Jadilson Ferraz promoveu em Petrolândia, Pernambuco, o grande evento
Trupé Cultural.Durante os dias 03 e 04 de agosto a cidade foi palco de grandes
apresentações artísticas e culturais, com destaque para as peças de teatro,
bandas de músicas, grupos de danças e xaxados, concursos de poesias, mostras
culturais e lançamentos de livros . Na oportunidade o escritor e
historiador João de Sousa Lima fez palestras e realizou duas mostras sobre o
Cangaço e Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, ao tempo que aconteceram as exposições
foram também lançados os livros do escritor.
O cangaço foi sem sombra de dúvida um fenômeno
nordestino que teve as diversas motivações para sua origem, sendo, portanto, um
conjunto de fatores que conduziram os nossos jovens sertanejos às perigosas
aventuras.
E, por certo é um fenômeno ocorrido,
praticamente em uma única região do nosso vasto país: o Nordeste. Procurei
pesquisar nas outras quatro regiões, se encontrava vestígios do cangaço e,
apenas encontrei um episódio – que o tenho por isolado -, de um cidadão de nome
www.em.com.br
Januário Garcia Leal, de uma família renomada, que, revoltado com o assassinato
trágico de seu irmão, por sete indivíduos, que o ataram a uma árvore e lhe
arrancaram a pele até a morte, ingressou na vida do crime, juntamente a outros
familiares, e não deu trégua até matar todos os assassinos de seu irmão.
Informa a Wikipédia em data de
21.03.2013, que Januário, antes do crime havia sido nomeado Capitão de
Ordenança do Distrito de São José de Nossa Senhora das Dores, hoje Alfenas-MG.
Portanto, cidadão de uma família de posição social elevada.
orgedesiqueira.blogspot.com
“A Justiça colonial não tomou
providências, deixando impunes os sete irmãos que havia perpetrado a revoltante
barbárie” – informação da supramencionada fonte.
As centenas de cangaceiros dos relatos da
história do cangaço são filhos dos sofridos sertões nordestinos, especialmente
nos idos anos VINTE e TRINTA do século passado.
Vídeo com Lampião
Mesmo assim, há mais de cento e quarenta anos antes do ingresso de Virgolino na senda do cangaço, morria na forca em Recife,
o
oglobo.globo.com
Cangaceiro José Gomes - O Cabeleira,
que tinha como companheiros de infortúnio, seu próprio pai Joaquim Gomes (que o
ensinou a ser cruel) e Teodósio. Informa o escritor Franklin Távora em seu
romance O CABELIRA.
Lucas da Feira - blogdomendesemendes.blogspot.com
“Em 25 de setembro de 1849, Lucas da Feira,
o mais célebre bandido de seu tempo, foi enforcado num patíbulo erguido no
Campo do Gado de Feira de Santana” – Informa o escritor Nelson Cadena em
Memórias da Bahia.
Assim entendemos que, setenta anos, antes de
Virgolino entrar no cangaço, morria na forca, um indivíduo que era tratado como
cangaceiro. Lucas era tão perverso que a tradição relata que o
Dom Pedro II - www.diariodorio.com
Imperador D.
Pedro II, solicitou que o mesmo fosse conduzido a sua presença para que ele
conhecesse a fisionomia de alguém que era tão cruel.
Antes de Virgolino virar Lampião, existia o
cangaceiro romântico, Jesuíno Alves de Melo Calado, ou simplesmente Jesuíno
Brilhante.
Mais tarde, comandou um grupo de cangaceiros,
Manoel Batista de Morais, que passou a se chamar Antonio Silvino, apelidado de
O Rifle de Ouro.
cgretalhos.blogspot.com
Silvino
foi preso em 1914 quando Virgolino ainda era um adolescente de 16 anos e, pensava apenas no trabalho de almocreve
junto ao pai. Informa Semira Adler
Vainsencher da Fundação Joaquim Nabuco.
Sinhô Pereira -blogdomendesemendes.blogspot.com
Sebastião Pereira da Silva – o Sinhô Pereira,
foi o chefe de cangaço que, em 1922, abandonou o cangaço e entregou o grupo a um dos seus componentes – Virgolino
Ferreira da Silva, vindo a falecer em 1972.
Muitos foram os fatores que levaram os jovens
nordestinos a ingressarem no cangaço, começando pela própria aridez de um
sertão que, se com os recursos de hoje não propicia melhores dias para seus
habitantes, diga você, há oitenta e cem anos passados!
Porém,
conforme os escritos que acompanhamos, a maioria entrou no cangaço por algum
tipo de vingança, principalmente vingança contra aqueles que praticaram atos
violentos contra seus familiares, como foi o caso de Januário Garcia Leal, que
viu seu irmão João Garcia ser assassinado sem que houvesse providência. Antonio
Silvino, que teve o pai assassinado e nada aconteceu com quem cometeu o
assassinato. Sinhô Pereira, que passou pela mesma situação quando assassinaram
seu irmão Né Pereira. E, Virgolino, que embora já tivesse as suas desavenças
com a família vizinha, mas poderia ter sido evitado o pior, que foi a morte do
velho pai – José Ferreira.
Um renomado pesquisador do cangaço, cujo
nome não me recordo, afirmou que “entre os sertanejos, o filho que soubesse
quem assassinou o pai e nada fizesse como vingança, seria desprezado pela
sociedade do seu tempo. Era tido como um covarde”.
Tantos outros cangaceiros têm a sua história
de vingança.
E com essa coragem tão extremada dos nossos
jovens sertanejos, as conseqüências foram as mais desastrosas possíveis. Foram
mortes, sequestros, furtos para a sobrevivência de uma vida errante por entre
as caatingas, sem falar na grande quantidade de jovens que deixaram seus
familiares e ingressaram na Polícia e saíram a caçar, muitas vezes os próprios
conterrâneos, como aconteceu com o
Tenente Zé Rufino, que conhecia Virgolino, e ingressou na Força Policial, chegando a matar mais de vinte jovens-cangaceiros, conforme ele mesmo relatou em entrevista.
Assim foi o cangaço! Repleto de lutas,
vinganças e sofrimento. Só uma coisa eu digo: “Ninguém nasce cangaceiro”!
Ah, se os
tempos voltassem para vivermos novamente aquelas façanhas, que de vez por outra
nós as aprontávamos! Principalmente você, que não deixava ninguém quieto.
Sentirmos o cheiro do leite que bebíamos todas as manhãs fornecido pelo
programa do governo “Aliança para o Progresso”. Comermos aquele queijo de
cor alaranjada; não tenho plena certeza, mas me parece que o seu nome era
queijo do reino.
arranjodecraviola.blogspot.com
Almoçarmos
belas comidas feitas pela cozinheira Beatriz Melo, que em matéria de cozinhar,
era a melhor daquela instituição. Mas em contra partida, tínhamos um
jantar muito fraco, sopa feita de caldo de feijão, sem nenhum gosto de
carne, que até hoje, quando eu vejo sopa, não me sai da lembrança daqueles
tempos.
À noite, ao
chegarmos das nossas escolas, cada um recebia um pão com um taco de rapadura.
Alguns deles não queriam, porque já haviam merendado fora. Mas aquele que
merendava fora, era patrocinado pelos pais ou pelos parentes.
www.facebook.com
Fugirmos da
presença da vice-diretora, em busca de um lugar seguro para fumarmos. Vício que
ela mesma era dependente, e até hoje, tenho notícias que ainda fuma. Mesmo ela
sendo fumante, combatia fortemente aos internos que também eram viciados.
sindicacau.blogspot.com
Permanecermos
nas calçadas da escola, após o jantar, vendo as lindas meninas passeando pelas
ruas dos antigos igapós, nas imediações dos Pereiros. Também para recebermos
ligações de várias mocinhas que viviam nos rodeando, como se nós fôssemos
artistas. Coisas de meninas novas.
Lembro que
duas vezes por semana, nós dois, saíamos em uma bicicleta cargueira, até a
Ilha de Santa Luzia, à Rua General Péricles, na Mercearia do Zé Maia
(cunhado da vice-diretora), para apanharmos uma porção de bananas para a escola,
e ao retornarmos, em vez de seguirmos para a instituição, ficávamos
sobre
telescope.blog.uol.com.br
a barragens
Jerônimo Rosado, e ali, nós comíamos bananas em abundância, e jogávamos as
cascas sobre a água, só para vermos elas passando de um lado para outro através do deslizar das águas.
www.comereaprender.info
O nosso medo
era que ao chegarmos à escola, as bananas fossem contadas pelas empregadas ou
pela vice-diretora. Mas felizmente isto nunca foi feito, apenas nós temíamos. E
os assaltos às bananas continuavam. Mas tudo que nós fazíamos jamais nos
ridicularizou, apenas praticávamos coisas de adolescentes.
Nos dias de
hoje, tudo é diferente. Ninguém confia em ninguém. São poucos que praticam
certas desordens, e abandonam ao se tornarem adultos.
Aquela escola era nossa, e que todos os internos de qualquer instituição educacional praticam as mesmas desordens. Mas o bom é que não as leve para sua vida adulta.
Minhas Simples
Histórias
Se você não
gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.
Paulo Afonso e
Piranhas desenvolveram Os Roteiros Integrados do Cangaço e estão realizando
seminários e palestras, consolidando as rotas e incentivando o turismo,
despertando pesquisadores, escritores, estudantes e curiosos para os fatos
históricos acontecidos nas duas cidades.
Em julho houve um grande encontro cultural em Piranhas e contou com a
participação de estudiosos do cangaço de várias partes do país.
Em Paulo Afonso as visitações ao Museu casa de Maria Bonita tem crescido a cada
dia.
Estive falando com o nobre pesquisador RANGEL COSTA, através o BLOG-RANGEL, que
o coiteiro Pedro de Cândido não merece ser chamado de traidor como às vezes
alguns pesquisadores (creio que poucos), o chamam.
Segundo o escritor João de Sousa Lima o Pedro é o da esquerda
Isto porque as
circunstâncias devem tê-lo conduzido a tal situação - a indicação do coito de
Angico. Estive gravando uma entrevista com um cidadão de Serra Talhada que
conhece familiares do povo de José Ferreira, e afirma que o coiteiro Pedro de
Cândido era homem de confiança de Lampião, e que foi forçado a levar a polícia
até o coito.
Lampião
Segundo meu entrevistado, "de boa vontade ele não o
faria". Não sei qual é sua opinião e do Professor RANGEL quanto ao
assunto.