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segunda-feira, 25 de abril de 2016

BENJAMIN ABRAÃO RESPONSÁVEL PELAS FOTOS DE lAMPIÃO


A maior parte das fotos de cangaceiros incluindo Lampião e Maria Bonita foi feita por Benjamin Abrahão Botto sírio/libanês migrou para o Brasil em 1915, fugindo da guerra.  

Aqui no Brasil tornou-se mascate de tecidos e miudezas, e posteriormente passou a ser secretário do Padre Cícero Romão Batista.

Em uma das viagens feitas por Virgulino Ferreira da Silva ao Ceará/Juazeiro do Norte, na finalidade de falar com o Padre Cícero Romão Batista, Benjamim Abraão conheceu o assecla em 1926. 

Depois da morte de Padre Cícero, Abrahão teve permissão para acompanhar o bando na caatinga e realizar as imagens que o imortalizaram. Para esta realização de fotos teve a parceria do cearense Ademar Bezerra de Albuquerque, que era proprietário da ABAFILM, que, além de emprestar os equipamentos, ensinou o fotógrafo seu uso.

Benjamin Abrahão teve o desprazer de ver os seus trabalhos apreendidos pela ditadura de Getúlio Vargas, que nele viu um opositor ao regime. 

Benjamin Abrão morreu em 1938 esfaqueado com um total de quarenta e duas facadas), crime nunca esclarecido. Acredita-se que tenha sido um crime político, possivelmente a mando de poderosos políticos.

Abaixo, o texto do próprio Lampião, valorizando a autenticidade das fotos feitas pelo Abrahão Botto (A grafia é original).

Illmo Sr. Benjamim Abrahão

Saudações

Venho lhi afirmar que foi a primeira peçoa que conceguiu filmar eu com todos os meus peçoal cangaceiros, filmando assim todos us muvimento da noça vida nas catingas dus sertões nordestinos.

Outra peçoa não conciguiu nem conciguirá nem mesmo eu consintirei mais.

Sem mais do amigo

Capm Virgulino Ferreira da Silva

Vulgo Capm Lampião

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CANUDOS: DUAS VEZES MORTO, DUAS RESSUSCITADO

Material do acervo do pesquisador Raul Meneleu

   A obra de Travessa no Alto Alegre: conjuntos de igreja, museu, salão, cruz e estátua do Conselheiro

Cigarro não ofende? Não, não ofende, e então Manuel Alves mais conhecido por "Manuel Travessa" de 57 anos mas aparentando mais, pele morena e estorricada de sertanejo, chapéu de couro, dentes ruins, acende o cigarrinho que é seu companheiro inseparável. Estamos no carro que conduz o autor desta reportagem e o fotógrafo de VEJA do lugar chamado Bendegó, dentro do município de Canudos, à beira da estrada, antes de chegar à cidade propriamente dita, ao lugar chamado Alto Alegre, uma elevação à margem do lago no fundo do qual se encontram as ruínas da antiga Canudos. 

Quem foi Antônio Conselheiro para Manuel Travessa? — No meu pensamento, ele era igualmente que um crente, hoje. Há 100 anos, não existia crente. Eu sempre penso que pode ter existido um ciúme da Igreja Católica pelo Antônio Conselheiro. Euclides da Cunha escreveu em Os Sertões que a cidade de Queimadas, para onde as tropas iam de trem, desde Salvador, antes de enfrentar os caminhos poeirentos do sertão, assinalava uma fronteira: "Salta-se do trem: transpõem-se poucas centenas de metros entre casas deprimidas: e topa-se para logo, à fímbria da praça — o sertão" Está-se no ponto de encontro de duas sociedades alheias uma à outra segundo Euclides, "O vaqueiro encourado emerge da caatinga, rompe entre a casaria desgraciosa e estaca o campeão junto aos trilhos, em que passam vertiginosamente os patrícios do litoral, que o não conhecem." Entre um e outro há uma "discordância absoluta", segundo o autor, o que acaba por desequilibrar "o ritmo de nosso desenvolvimento evolutivo" e "perturba deploravelmente a unidade nacional". Os soldados vindos de outras partes do país, chega a escrever Euclides, tinham a sensação de seguir para uma guerra externa. "Sentiam-se fora do Brasil." Há exagero nisso, certamente. Já havia exagero há 100  anos,  e haverá ainda mais hoje, em considerar o sertão um mundo à parte do resto do Brasil. Mas, por mais que hoje em dia se esteja familiarizado com a região, por mais romance regionalista que se tenha lido, filme do cinema novo que se tenha visto, por mais música e novela de TV que se tenha digerido, o forasteiro será tomado pela sensação de um mundo meio encantado, a começar pela língua que ali se pratica. Dá vontade de reproduzir, tal e qual, a fala de Manuel Travessa. — Ele não foi um destruidor (o Conselheiro). Não foi que nem Lampião. Ninguém diz que ele matou alguém. 

Vista do arraial primitivo

Era igual que Assembleia de Deus, Deus é Amor. Essas cresceram e agora está difícil acabar com essa... essa como se diz... essa religião. Manuel Travessa não é um qualquer. Pode ser qualificado como um empresário do sertão. Um empresário quase miserável, que vive numa casa que Antonio Ermírio de Moraes não imagina possa preencher as necessidades de um ser humano, come um tipo de comida que Abílio Diniz não comeu nem quando foi sequestrado e veste uma roupa que Moreira Ferreira estranharia muito num companheiro da Fiesp, mas um empresário — um farejador de oportunidades, campeão da iniciativa. Ele já tinha um bar naquele lugar chamado Bendegó e agora que o asfalto está chegando à região, antevendo uma ampliação do mercado, abriu outro.

Mais significativas são suas realizações no Alto Alegre um lugar batizado por ele próprio ao chegar à região em 1971, depois das muitas perambulações pelo sertão, a partir de sua Monte Santo natal. Só havia três casas no local, e a elas ele acrescentou a sua. Começou a notar então que frequentemente aparecia gente interessada em Canudos, querendo informações e em busca de vestígios da guerra. Para tentar satisfazer essa demanda, Manuel Travessa iniciou, em 1975 uma coleção de relíquias — espingardas, balas, capacetes de soldado. Objetos que achava pelas redondezas ou comprava dos vizinhos. Hoje essa coleção está reunida numa casinha que construiu para abrigá-la, composta de um só cômodo, de não mais que 2 por 2 metros, a que, de maneira sem dúvida pretensiosa, chama de "museu". Ao lado de uma tralha que realmente tem a ver com a guerra, o museu de Travessa exibe máquinas de costura velhas e até um buda de porcelana.

Ao lado do museu, Manuel Travessa levantou uma capela e ao lado da capela, um salão de dança. Assim, pode-se rezar pelo Conselheiro no local ou alternativamente, convocar um forró. O conjunto de museu-igreja-salão completa-se com uma escultura do Conselheiro em madeira e um canhão também em madeira, além de duas cruzes, para compor o que poderia ser chamado de praça monumental do Alto Alegre, se monumental fosse, ou mesmo se praça fosse — na verdade é um conjunto de toscas construções erigidas na terra dura de um descampado. De qualquer forma é o que se tem. Quem vai ao povoado que hoje ostenta o nome de Canudos não encontrará recordação do Conselheiro. O Alto Alegre, a 10 quilômetros de distância, por iniciativa do empresário sertanejo Manuel Travessa, preenche essa lacuna. 

Contam-se três Canudos, ao longo da História. A primeira, do Conselheiro, depois de arrasada, ficou no seguinte estado de acordo com o depoimento de um ex-conselheirista, Manuel Ciríaco, ao jornalista Odorico Tavares, em 1947, quando a guerra completava cinquenta anos: "Era de fazer medo. A podridão fedia a léguas de distância, os bichos a gente via correndo pelos cadáveres e urubus fazia nuvem. Tudo abandonado, ninguém ficou enterrado. Foi quando Ângelo dos Reis, por sua própria caridade, trouxe uns homens e enterrou ali mesmo a jagunçada morta Todas essas colinas que o senhor vê estão cheias de ossos de jagunços. Acabou-se Canudos, e durante uns dez anos, só se vinha aqui de passagem". O Ângelo dos Reis citado era um fazendeiro da região. Dez anos decorridos, durante os quais o simples nome de Canudos fazia medo na região — era sinônimo de atrocidade, perseguição, constrangimento —. o local começou a se repovoar.

Alguns eram antigos habitantes que voltavam. Nascia uma segunda Canudos, sobre os escombros da primeira. Na década de 50 foi projetado um açude que represando as águas do Rio Vaza-Barris, acabaria por inundar o povoado. Será que a represa precisaria ser justamente ali, fazendo submergir um lugar histórico como aquele? A pergunta foi feita pelo escritor Paulo Dantas, em 1958, ao engenheiro que chefiava as obras. José Femandes Peixoto. "Isso é conversa de poetas" respondeu o engenheiro. "O que esta região precisa é de água. A tradição é muito bonita, mas não mata a sede nem a fome de ninguém".

Em 1969, depois de sucessivos atrasos, a represa finalmente inundou Canudos. A população a essa altura já tinha sido transferida para o povoado chamado Cocorobó — mesmo nome do açude —, mais tarde rebatizado de Canudos. Esta é a Canudos atual, a terceira. Em junho último, foi inaugurado o Parque Estadual de Canudos. Estendendo-se ao sul do açude, compreende uma área de 18 km quadrados, em que se encontram sítios familiares a quem conhece a história da guerra: o Alto do Mário, o ponto mais elevado, de onde hoje se descortinam o açude e as montanhas ao redor, a Fazenda Velha — ruínas de uma antiga sede de fazenda na qual os conselheristas fixaram um posto avançado que resistiu até os dias finais; o Morro da Favela. Próximo ao Alto do Mário, situa-se uma grande vala comum, possivelmente vizinha do hospital de campanha dos militares, onde eram enterrados os soldados. É o chamado "Vale da Morte".

O Parque foi uma ideia do professor Renato Ferraz um dos mais ativos lutadores pela memória de Canudos — pesquisador, organizador de seminários e eventos sobre o assunto. Ferraz sabe tudo o que é possível saber de Canudos. Só falta escrever um livro a respeito, algo que promete vagamente para o futuro. 

A parte visível do Parque Estadual de Canudos que é administrado pelo Centro de Estudos Euclides da Cunha, da Universidade Estadual da Bahia, consiste, por enquanto, num portal de entrada e em placas de localização dos sítios históricos. No decreto de sua criação pelo governo do Estado, estatue-se que deverão funcionar no local "museu, laboratório de arqueologia, estação experimental de meteorologia, escolas experimentais e outras instituições".

Um trabalho de exploração arqueológica está em curso, a cargo do arqueólogo paulista Paulo Zanatini. Trata-se de uma arqueologia histórica basicamente — procuram-se trincheiras, barricadas, armas ou restos de armas, balas, objetos de uso cotidiano dos soldados ou sertanejos, ossadas, sepulcros. Uma das últimas descobertas de Zanatini foi que as ruínas até agora consideradas da Fazenda Velha são de uma casa mais recente, do início do século. A Fazenda Velha verdadeira, da época da guerra está soterrada embaixo dessas ruínas.

No Alto Alegre uma trinca de garotos de 11 ou 12 anos cerca-nos e se dispõe a levar-nos a um passeio de bote pelo lago. Um dos meninos, Gilmar, conta que o "painho" uma vez achou uma canela no chão. Ou seja, um osso da perna, ou o que ele supôs fosse um osso da perna. Não se pode ficar com esses achados, explica Gilmar. O pai então deu para um alemão. Um alemão? Não, ele não sabe direito se era alemão. Mas sabe que era uma pessoa que "não fala igual que a gente não". 

No bote, passeando pelo lago percebem-se quase à superfície, encobertos somente por um palmo de água, as guarnições laterais de uma antiga ponte. Essa ponte fazia parte da estrada que cortava a segunda Canudos. Há também uma ruína que aponta para fora do lago. Trata-se da parte superior do portal de um cemitério, também da segunda Canudos. Da Canudos do Conselheiro, a única construção que sobrou de pé, ao fim da guara, foi um cruzeiro que se erguia à frente da igreja velha. Às vésperas da inundação da área, o cruzeiro, de madeira, foi transportado para o povoado de Cocorobó, para onde estava sendo transferida a população. Ficou o pedestal de cimento em que ele se incrustava. No ano passado. o nível do açude baixou sensivelmente, e o pedestal, ou o que resta dele. emergiu das águas. Um pouco do Conselheiro voltava à tona. Ferraz, aquele que sabe tudo de Canudos e teve a ideia de instituir o parque, serviu de guia ao peruano Mario Vargas Llosa em 1979, quando este realizava as pesquisas para seu romance sobre a Guerra de Canudos, A Guerra do Fim do Mundo.

Um dia, Vargas Llosa e Renato Ferraz fizeram uma escala na cidade sergipana de Simão Dias. No hotel onde se hospedaram, rústico como todos na região, foram recebidos por um funcionário homossexual — sim, há disso também no sertão. Logo depois, invade o quarto uma senhora que sem dúvida guiada pelas informações do funcionário, queria conhecer o atraente estrangeiro. Ela se ouriça: "Argentino! argentino!", exclamava, como uma fã de galã de televisão. Era a dona do hotel, dona Raimunda. Quando se preparavam para partir da cidade dona Raimunda pediu uma carona até Lagarto. Atenderam-lhe ao pedido, e ela viajou no banco de trás. Quando chegaram a Lagarto dona Raimunda foi saindo devagar do carro, esgueirando-se, no difícil movimento de deixar o banco de trás de um Fusca... e então deu o bote. Numa manobra fulminante, prendeu-se ao pescoço de Vargas Llosa e sapegou-lhe um beijo na boca. 

Manoel Travessa entre as peças de seu museu; um homem de iniciativa

Manuel Travessa diz que ouviu uma vez do avô que Canudos seria destruída três vezes. — A primeira vez pelo fogo, a segunda pela água e a terceira pelo pó. Pelo fogo foi a guerra. Pela água, a represa. Só falta pelo pó. Esse avô de Travessa era o materno, de nome Mundu, um criador de cabras. Ele explica que a mãe teve treze filhos antes dele. Depois, "me conseguiu". E o pai? Do pai, Manuel Travessa não sabe: "Sou filho de mulher particular". Manuel Travessa subiu na vida e hoje, além de empresário, é político — elegeu-se vereador, em Canudos.

Como seria essa terceira destruição da cidade de que falava seu avó?

— O que espero é que a barragem estoure e essa lama se torre no pó. Aí ninguém vai escapar desse pó. Isso é o que eu penso.  

Fonte: Revista Veja de 3 de setembro de 1997
Reportagem Roberto Pompeu de Toledo

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As cangaceiras - A ILUSÃO DO CANGAÇO

Por Raul Meneleu

No rastro de Maria Bonita, dezenas de mulheres mudaram de vida ao integrar os famosos bandos do sertão - Ana Paula Saraiva de Freitas, historiadora e autora da dissertação “A presença feminina no cangaço: práticas e representações (1930-1940)”, (Unesp, 2005), nos traz essas considerações sobre o assunto na Revista de História de 1/6/2015. Embora os motivos fossem variados, a maioria daquelas que aderiram ao cangaço carregava a ilusão de que viveria em festa e teria liberdade, sensação alimentada pela vida nômade e errante daqueles homens.  Maria Bonita (Maria Gomes de Oliveira), famosa companheira de Lampião, foi a primeira figura feminina a ingressar no cangaço, em meados de 1930. A partir daí, mais de 30 mulheres participaram da vida nos bandos. A Bahia foi o estado que forneceu maior número de moças ao banditismo do sertão nordestino, seguida por Sergipe, Alagoas e Pernambuco. 

 Vale a pena ler.

ILUSTRAÇÃO JOÃO TEÓFILO

Ilustração João Teófilo

Criminosas. Quando se fala da participação das mulheres no cangaço, geralmente elas são reduzidas a esta palavra. Uma imagem que perde de vista os medos, os desejos e as frustrações que rondaram as cangaceiras nas décadas de 1930 e 1940, e que ignora as razões que as levaram para essa vida. Enquanto algumas ingressaram nos bandos voluntariamente, outras foram coagidas e privadas do convívio com seus familiares.

Embora os motivos fossem variados, a maioria daquelas que aderiram ao cangaço carregava a ilusão de que viveria em festa e teria liberdade, sensação alimentada pela vida nômade e errante daqueles homens. A realidade revelou um cotidiano bem mais complicado: além dos embates violentos contra forças policiais, muitas vezes os cangaceiros ficavam mal alimentados, sem água nem lugar para repousar, caminhando quilômetros sob sol e chuva. 

A faixa etária das cangaceiras variava de 14 a 26 anos, e suas origens socioeconômicas eram diversas, incluindo mulheres de famílias abastadas. Elas viam no cangaço uma oportunidade para romper com os padrões sociais: naquele grupo poderiam conquistar outros espaços além da esfera privada do lar e tinham a oportunidade de escolher seus parceiros sem a interferência dos acordos familiares. 

Uma vez integradas aos bandos, as jovens tinham que se adaptar à nova vida, sem chance para arrependimento: tentar fugir implicava retaliações tanto por parte de cangaceiros quanto por parte das volantes, como eram chamados os grupos de policiais que perseguiam os “bandidos do sertão”. Nesse espaço permeado pela violência, eram submetidas aos desejos sexuais de seu raptor, sem contato com a família, sentenciadas à morte em caso de adultério e envolvidas nos confrontos com forças policiais. Capturadas pelas volantes, apanhavam, eram estupradas e sofriam diversas humilhações. 

No cangaço os papéis sociais eram bem definidos: ao homem cabia zelar pela segurança e o sustento dos bandos. À mulher, ser esposa e companheira. Durante a gestação, muitas ficavam escondidas. Depois do nascimento do bebê, eram obrigadas a retornar ao cangaço e entregar a criança a amigos. 

A convivência entre elas não era totalmente pacífica. Testemunhos dão conta de que uma queria ser melhor do que a outra. O status da cangaceira era medido pelos bens que possuía: joias, vestidos, animais. As qualidades bélicas também estabeleciam diferenças entre elas. Sérgia Ribeiro da Silva, conhecida como Dadá, tornou-se emblemática por sua coragem e desempenho com armas nos embates com as volantes. Chegou a assumir o comando do grupo no momento em que o líder Corisco se encontrava ferido. Mas o prestígio feminino acabava sempre associado ao lugar ocupado pelo companheiro na hierarquia dos grupos.

Maria Bonita (Maria Gomes de Oliveira), famosa companheira de Lampião, foi a primeira figura feminina a ingressar no cangaço, em meados de 1930. A partir daí, mais de 30 mulheres participaram da vida nos bandos. A Bahia foi o estado que forneceu maior número de moças ao banditismo do sertão nordestino, seguida por Sergipe, Alagoas e Pernambuco. 

As andanças dos cangaceiros repercutiam na imprensa, e a presença feminina era mencionada de forma genérica e depreciativa. Nos jornais O Estado de São Paulo e Correio de Manhã, aquelas mulheres eram chamadas de bandoleiras, megeras e amantes. Eram estereotipadas como masculinizadas, belicosas e criminosas, além de serem tratadas como objetos de satisfação sexual. 

A imagem apresentada pelos jornais, porém, difere daquelas que o fotógrafo sírio-libanês Benjamin Abrahão Boto produziu na década de 1930. Suas fotografias mostram como as cangaceiras pretendiam ser lembradas: realçam sua feminilidade, evidenciam cuidados com o corpo, a aparência e a postura, destacam a beleza dos trajes e o apreço por joias. Algumas se faziam retratar com jornais e revistas da época, sinalizando o desejo de serem identificadas como mulheres letradas. Essas preocupações ficam explícitas nas fotos em que algumas – como Maria Bonita – reproduziram a postura e o gestual das mulheres da elite rural e urbana, como se estivessem posando em estúdios consagrados. 

A maioria dos folhetos de cordel reforça esse aspecto da participação feminina no cangaço. Os versos destacam a preocupação das cangaceiras com a beleza, o amor e a cumplicidade dedicados às relações afetivas, além da coragem nos embates. Nesse tipo de literatura o perfil feminino é recriado a partir de uma perspectiva mítica, envolvendo um misto de heroína e de bandida.

As práticas e as representações das mulheres naquele universo da caatinga foram variadas, e elas não tinham um perfil único. Quando o cangaço chegou ao fim, cada uma teve de reconstruir sua vida conforme os parâmetros sociais vigentes. Do cotidiano duro e arriscado das andanças pelo sertão, as ex-cangaceiras largaram as armas e a fama de criminosas para encarar outros papéis: mães, donas de casa e, em alguns casos, trabalhadoras fora do âmbito doméstico. 

Ana Paula Saraiva de Freitas 1/6/2015  - Ana Paula Saraiva de Freitas é historiadora e autora da dissertação “A presença feminina no cangaço: práticas e representações (1930-1940)”, (Unesp, 2005).

Saiba Mais
ARAÚJO, Antonio A. C. de. Lampião, as Mulheres e o Cangaço. São Paulo: Traço, 1985. 
BARROS, Luitgarde O. C. A derradeira gesta: Lampião e Nazarenos guerreando no Sertão. Rio de Janeiro: Faperj/Mauad, 2000.
QUEIROZ, Maria Isaura P. de. História do Cangaço. 2. ed. São Paulo: Global, 1986.
MELLO, Frederico P. de. Guerreiros do Sol. Violência e banditismo no Nordeste do Brasil. São Paulo: A Girafa Editora, 2004.

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CÁPSULA CAPITÃES DO FIM DO MUNDO

Por André Carneiro




Enviado pelo escritor André Carneiro Albuquerque

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BENJAMIM ABRAÃO EM 1935 e/ou 1936

Foto: Cortesia cel. Audálio Tenório/ Dr. Frederico Pernambucano.

Corria o ano de 1935 e/ou 1936. Benjamin Abrahão munido de uma câmara fotográfica, sai à procura de LAMPIÃO e seu bando para filmá-lo. Nessa época, ele já estava na cidade de Águas Belas-PE, tendo pego carona em um caminhão. Em 1936, finalmente, conseguiu filmá-lo, além de bater várias chapas fotográficas do chefe cangaceiro e de seu grupo.



Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta
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O SALVO CONDUTO DADO POR LAMPIÃO...!

Fonte: Foto Joaquim Rezende (Melchíades da Rocha)

Aos amigos, coiteiros e coronéis, LAMPIÃO se valia de bilhetes, tipo "SALVO CONDUTO ", a fim de possibilitar a garantia/ inviolabilidade dos mesmos perante qualquer grupo de cangaceiro que infestavam as caatingas em muitos Estados do Nordeste...

Assim, aconteceu com o Coronel. JOAQUIM REZENDE, da cidade de Pão de Açúcar-Alagoas.

Abaixo, documento T R A N S C R I T O:

"Ao exmo. JOAQUIM REZENDIS COMO PROVA DE AMIZADI E GARANTIA PERANTE OS CANGACERO."

C ( capitão). LAMPIÃO

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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domingo, 24 de abril de 2016

EZEQUIEL FERNANDES - 25 DE ABRIL DE 2016

Por Geraldo Maia do Nascimento

Nasceu a 9 de abril de 1892, na cidade de Pau dos Ferros/RN, sendo filho legítimo de Hipólito Cassiano de Souza e D. Francisca Fernandes de Souza. Fez os primeiros estudos em sua cidade natal, mas aprendeu apenas o necessário para realizar o seu grande sonho que era trabalhar no comércio, ao lado do seu pai e de um irmão, Francisco Fernandes de Souza, constituindo-se a firma Souza & Filhos.


Em 1913, com apenas 21 anos de idade, Ezequiel resolveu casar-se. Escolheu para esposa uma prima, Ester Fernandes, de cujo enlace resultou em três filhos: Laete Fernandes, Luís Fernandes e Aldo Fernandes.
               
Em 1923 recebeu um convite do seu primo Alfredo Fernandes, para trabalhar com ele em Mossoró, como sócio da firma Alfredo Fernandes & Cia. Aceitou de imediato o convite e assumiu, desde então, a gerência dos negócios. Era um homem trabalhador, já com experiência em comércio, gostava de madrugar e tinha, como se dizia na época, tino para o negócio. Com essas qualidades, deu aos negócios o desenvolvimento mais satisfatório, de modo que já em 1927, a firma Alfredo Fernandes & Cia. dominava toda a zona Oeste, atingindo até os estados da Paraíba e do Ceará. Nesse mesmo ano uma tragédia abalou a sua estrutura familiar, com a morte da sua esposa, Ester Fernandes, deixando-o profundamente abalado. E aquele ano de 1927 seria um ano terrível para Mossoró com a invasão da cidade pelo bando de cangaceiros chefiados por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, o que muito atrapalhou os negócios.
               
Em 1928 Ezequiel Fernandes casou-se novamente com sua prima, D. Guiomar Fernandes de Oliveira, mas não tiveram filhos.
               
Raimundo Fernandes, amigo e colaborador de Ezequiel na sua empresa, narrou um fato interessante que foi registrado por Walter Wanderley em seu livro “Gente da Gente – Memórias”, editado pela Pongetti. Disse que durante a grande seca de 1932, Ezequiel Fernandes criou na empresa que dirigia uma verba de socorro aos flagelados, distribuindo víveres, ajudando os necessitados. Como bom sertanejo e de coração aberto, sabia da necessidade daquela gente trabalhadora, obrigada a mendigar por uma situação alheia a sua vontade.
               
Com a saúde debilitada, viu-se obrigado a residir em Fortaleza, onde tinha uma melhor assistência médica. De lá orientava os negócios da firma através do seu substituto Pedro Fernandes Ribeiro, outro esteio da empresa. Homem ativo, era, Ezequiel, de uma memória sem limite. Tinha tudo na cabeça, inclusive dados referentes aos balanços, posição dos correntistas, de modo que, quando se aproximava a época do balanço geral, ele dizia o resultado dos negócios em números bem aproximados. Quando acontecia haver qualquer discordância entre o que ele dizia e a contabilidade da firma, afirmava cheio de convicção: - “Procurem que deve haver algum engano”, o que normalmente acontecia. 
               
Vítima de uma moléstia terrível, que desafiou todos os recursos médicos da época, Ezequiel Fernandes faleceu em 25 de janeiro de 1966, deixando saudades entre familiares e amigos e grande exemplo de trabalho, perseverança e honestidade. Deixou um herdeiro dentro do seu negócio, na pessoa de seu filho, Aldo Fernandes de Sousa, que com os sócios passou a dirigir a empresa.
               
A Cidade de Pau dos Ferros, sua cidade natal, o homenageou emprestando o seu nome a uma Praça local. Os seus sucessores e diretores da Cia. Alfredo Fernandes Indústria e Comércio mandou confeccionar, no Rio de Janeiro, um busto de seu chefe desaparecido, que foi colocado na referida Praça, na sua terra, para orgulho dos seus conterrâneos. Mossoró também lhe rendeu homenagem emprestando o seu nome a uma rua localizada no bairro Abolição.
               
Foi, Ezequiel Fernandes, um homem querido e admirado, tanto no lar como na sociedade, nas terras onde viveu, trabalhou e deixou grande exemplo. Mossoró guarda a sua memória. 

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:
http://www.blogdogemaia.com

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LIVROS DO ESCRITOR GILMAR TEIXEIRA


Dia 27 de julho de 2015, na cidade de Piranhas, no Estado de Alagoas, no "CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 2015", aconteceu o lançamento do mais novo livro do escritor e pesquisador do cangaço Gilmar Teixeira, com o título: "PIRANHAS NO TEMPO DO CANGAÇO". 

Para adquiri-lo entre em contato com o autor através deste e-mail: 
gilmar.ts@hotmail.com


SERVIÇO – Livro: Quem Matou Delmiro Gouveia?
Autor: Gilmar Teixeira
Edição do autor
152 págs.
Contato para aquisição

gilmar.ts@hotmail.com
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00

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UMA IMAGEM POUCO CONHECIDA DO TENENTE JOÃO BEZERRA COMANDANTE DA FORÇA POLICIAL VOLANTE ALAGOANA QUE DEU CABO DE LAMPIÃO E PARTE DE SEU BANDO.

Por Geraldo Júnior

UMA IMAGEM POUCO CONHECIDA DO TENENTE JOÃO BEZERRA COMANDANTE DA FORÇA POLICIAL VOLANTE ALAGOANA QUE DEU CABO DE LAMPIÃO E PARTE DE SEU BANDO.

Na época dos acontecimentos o Tenente João Bezerra foi ovacionado e aplaudido pelas populações e autoridades do Nordeste e do Brasil, por ter eliminado o mais temido e perigoso cangaceiro de todos os tempos, porém o tempo se encarregou de inverter os papéis e os valores.

O que eu sempre aconselho aos amigos (as) que sempre nos acompanham é que vejam essas pessoas apenas como história, sem fazer julgamentos ou expressar a quem quer que seja ofensas ou qualquer tipo de insulto. A história do cangaço continua sendo construída e muito ainda falta para ser analisado e pesquisado, portanto é preciso cautela.

Obs: Essa imagem é parte integrante de material que foi gentilmente fornecido à mim pelo amigo Luiz Ruben F. A. Bonfim (Paulo Afonso/BA). A matéria em que aparece a imagem abaixo está contida na publicação do Jornal A NOITE de 30 de julho de 1938.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior
Grupo: O Cangaço
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=576611119169455&set=gm.1211377765542006&type=3&theater

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AS PRINCIPAIS CACTÁCEAS ENCONTRADAS NO MUNICÍPIO DE LAGES-RN


As principais cactáceas encontradas no município de Lages-RN: Quipá, Mandacaru, Xique-xique, Facheiro e Coroa-de-frade. (Fotos tiradas por Benedito Vasconcelos Mendes em 20-4-2016, no município de Lajes-RN.)






Enviado pelo professor, escritor, fundador do Museu do Sertão de Mossoró e pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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JESUÍNO BRILHANTE, O HERÓI BANDIDO (2010)

https://www.youtube.com/watch?v=YWGMOOpJAtM&feature=youtu.be

Publicado em 26 de julho de 2013

Documentário realizado em 2010 pelos estudantes de jornalismo da UERN, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, sobre a vida do cangaceiro potiguar Jesuíno Brilhante.

Ficha Técnica - Roteiro, decupagem e finalização: Allan Erick; Entrevista: Rodolfo Paiva e Stênio Urbano; Imagens: Bruno Soares; Edição de imagens: Cícero Pascoal. Saiba mais sobre Jesuíno Brilhante e a produção deste curta em http://www.allanerick.blogspot.com.br/

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PLACA NA GROTA DO ANGICO (POÇO REDONDO/SE) QUE HOMENAGEIA O SOLDADO ADRIÃO PEDRO DE SOUZA, ÚNICA BAIXA ENTRE OS SOLDADOS DA FORÇA VOLANTE.


Adrião foi morto durante o ataque da Força Policial Volante de Alagoas comandada pelo então Tenente João Bezerra, ocorrido na manhã do dia 28 de julho de 1938, que resultou na morte de Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros.

UMA JUSTA HOMENAGEM PARA QUEM PERECEU NO CUMPRIMENTO DO SEU DEVER.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior 
Grupo: O Cangaço
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=576339945863239&set=gm.1210956735584109&type=3&theater

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CARIRI CANGAÇO FLORESTA 2016 E O PROJETO EDITORA CANGAÇO


Onde mora a memória do cangaço

Que fim levou esse projeto Projeto Memorial do Cangaço? Lendo a Revista de História de 28 de agosto de 2007, fiquei bastante curioso em saber. Acontece que alguns projetos não vão à frente, não por falta de iniciativa, que como o próprio termo indica, a palavra iniciativa é a "Ação de quem propõe ou faz primeiro algo: tomar a iniciativa de uma medida. 

Qualidade de quem é levado a agir espontaneamente: teve iniciativa. Ânimo ou disposição natural de quem faz alguma coisa antes dos demais: 

- teve inciativa e começou a discussão.

O sinônimo de Iniciativa é: diligência, atividade, liberdade, projeto, daí que depois da iniciativa, tem que haver isso.

Estaremos agora debatendo uma iniciativa de preposição de criarmos uma EDITORA DO CANGAÇO no grande encontro de escritores, pesquisadores, historiadores, e apreciadores da Saga Cangaço, na cidade pernambucana de Floresta sob a regência das sociedades que formam o CARIRI CANGAÇO e daqueles que são apreciadores do tema.

Essa discussão se dará no dia 29 de Maio (Domingo) no Floresta Hotel onde será lançado mais um grupo de estudos do cangaço, que se chamará Grupo Florestano de Estudos do Cangaço - GFEC pela batuta do amigo Marcos de Carmelita e logo após, a discussão sobre o Projeto da Editora Cangaço, tudo isso comandado pelo gestor do Cariri Cangaço, o amigo Manoel Severo, com nossa humilde participação e também dos digníssimos confrades Professor Francisco Pereira e Ângelo Osmiro, grandes pesquisadores do tema.

Esperamos que todos os participantes desse grande encontro, programem sua volta para seus lares após esse evento de domingo, onde teremos um CAFÉ DA MANHÃ COM SANFONA e prestigiarmos a conclusão do CARIRI CANGAÇO EM FLORESTA. 

Sim confrades, a diligência, as atividades, a liberdade que nossos autores terão, tanto na ordem financeira quanto na praticidade de acesso para lançamentos de seus livros, e o acesso para informações de livros raros e antigos, que não encontramos mais, se dará por meio desse projeto, que depois de debatido, passaremos à iniciativa, e queremos a colaboração de todos. 

FALTAM APENAS 32 DIAS PARA NOSSO EVENTO

http://meneleu.blogspot.com.br/2016/04/cariri-cangaco-floresta-2016-e-o.html

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NOTAS SOBRE AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 1968 NO RIO GRANDE DO NORTE

Por Andrea Linhares (*)

A eleição municipal de 15 de novembro de 1968 foi a segunda experiência eleitoral da ARENA e MDB no Brasil após as eleições gerais de 1966. Foi, portanto, o primeiro teste do novo sistema bipartidário implantado após 1965 na disputa pelo controle das estruturas políticas e partidárias municipais brasileiras.

Disputa talvez não seja o termo correto: a governista ARENA fora concebida para ser um partido majoritário e para isso a cúpula militar lançou mão, entre 1965 e 1979, de uma série de recursos jurídicos que imputaram ao novo sistema partidário o caráter de “artificial”.

Nas eleições de 1966 o governo atingira o propósito. Das 409 cadeiras em disputa na Câmara Federal, 277 foram preenchidas pelos quadros arenistas e 132 por emedebistas. Na renovação de 22 vagas ao Senado (1/3), apenas quatro foram conquistadas pelo MDB.

Em 1968 não foi diferente. Se as capitais e áreas mais urbanizadas mostravam-se propensas a votar nos quadros da oposição - e para resolver tal problema foram suspensas as eleições nas capitais - em grande parte da municipalidade, especialmente nos chamados grotões eleitorais, os quadros da ARENA, majoritariamente constituídos por ex-udenistas e pessedistas, (re)encontravam suas bases sagradas de legitimidade política sob a nova moldura institucional bipartidária.

Como em 1966, a acomodação dos conflitos e interesses divergentes no interior da legenda governista foi possível graças ao instituto das sublegendas partidárias introduzido pelo Ato Complementar nº 26, de 29 de novembro de 1966 e posteriormente regulamentado através da Lei nº 5.453, em 14 de Junho de 1968.

No Rio Grande do Norte, embora o MDB já estivesse fundado em 1968, somente a partir de 1969 o partido estruturaria de modo mais consistente suas bases municipais, com a ida dos herdeiros políticos de Aluízio Alves para a legenda.

Desse modo, se podemos falar em competição nas eleições municipais de 1968 para   preenchimento dos cargos de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores devemos frisar que tal competição se deu não entre ARENA e MDB mas sim entre as sublegendas da ARENA: ARENA 1 ou ARENA Vermelha, comandada pelo então senador Dinarte Mariz, oriundo da UDN, e ARENA 2 ou ARENA Verde, comandada pelo ex-pessedista Aluízio Alves.

A eleição municipal de 1968 representou, portanto, mais um capítulo da rivalidade política e pessoal entre Mariz e Alves estabelecida desde a eleição de 1960, quando Dinarte preteriu o nome de Aluízio Alves ao governo do Estado em favor do nome do advogado Djalma Marinho.

Aluízio Alves à frente da ARENA 2 embarcou na legenda governista por questões de sobrevivência e fez oposição à Dinarte no interior da ARENA até 1969, quando teve seus direitos políticos cassados por dez anos.

Entretanto, apesar de sua posição secundária na ARENA, Aluízio possuía consideráveis recursos políticos para enfrentar seu adversário: tinha no comando do executivo estadual o governador aliado Monsenhor Walfredo Gurgel. Tinha também como trunfo seu irmão, Agnelo Alves no comando do executivo da capital. Tinha também sob seu comando - e sua pena - a Tribuna do Norte, principal veículo de comunicação do estado.

Devido à grande irregularidade do calendário eleitoral desde a década de 1950, alguns municípios já haviam preenchido as vagas de prefeitos e noutros a Câmara também havia sido renovada desde 1965.

Considerando os 150 municípios então existentes no Rio Grande do Norte, em 1968 ocorreram disputas para o executivo e para o legislativo municipal, em 134 municípios, em 88 deles para escolha de prefeitos.

A ARENA, embora vitoriosa nos 88 municípios, fragmentou-se perigosamente com o pleito: a ARENA vermelha conquistou 33 prefeituras e a ARENA Verde, ligada a Aluízio obteve vitória em 55 municípios.

Em Mossoró, um capítulo à parte: na segunda cidade do Estado o governismo oficial, representado pelo candidato Vingt-un Rosado, apoiado por Dinarte, com 11.034 votos, perdeu para o candidato de Aluízio, o então deputado Antonio Rodrigues de Carvalho, com 11.132 votos.

Aluízio Alves, mobilizando mais uma vez a simbologia da “cruzada da esperança”, realizou vários comícios na praça do Codó com destaque para as famosas vigílias em cima do “caminhão da Esperança”.  Seu candidato, dentro do marketing verde, ficou conhecido como “capim” e o forte e corpulento adversário Vingt-un Rosado, como o “Touro” (outra explicação para a alcunha deriva do fato de que no jogo do bicho o número 21 corresponde ao touro).

A disputa foi intensa durante toda a campanha eleitoral entre “o Touro e o Capim”.  Aluízio Alves e sua verve impregnou na cidade a expressão: “é o capim comadre”, “é o capim compadre”, “é o capim meu filho”...  E ao final o capim venceu o touro, tirando da família Rosado, pela primeira vez, o controle da capital do Oeste. O novo prefeito comprometia-se também a “marchar com a cruzada da esperança em 1970”.

Em 1º de dezembro de 1968 a Tribuna do Norte publicava o balanço político-partidário no Estado, com os novos prefeitos eleitos e aqueles eleitos anteriormente e com mandato até 1970: 45 prefeituras sob influência da ARENA Vermelha e 104 sob influência da ARENA Verde.

Não é difícil entender porque Dinarte Mariz, com apoio de aliados, articulou junto aos militares a cassação dos direitos políticos de Aluízio Alves e Agnelo Alves em 1969. Para além dos ressentimentos o que parecia estar em jogo era o controle da ARENA e da liderança do governismo federal no Rio Grande do Norte.

· Professora do Depto de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – UERN.

Sob tal adjetivo não pode se esconder, entretanto, a intensa dinâmica de disputas, o progressivo controle do domínio do modus operandi de se mobilizar apoio eleitoral e o aprendizado sobre como lidar com as contradições da política por parte daqueles que participaram desses processos ve madeiradisputas eletivas 

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzagueano José Romero de Araújo Cardoso

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VÍDEO... MUSEU ESTÁCIO DE LIMA...Salvador...!

https://www.youtube.com/watch?v=63f41uaR9tY

- Exposição das cabeças dos cangaceiros;
- Armas brancas e de fogo;
- Peças bizarras...etc..etc..

Obs. Esse vídeo é antigo, mas mostra como era aquele famoso Museu...Pena que, atualmente, esteja fechado.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste
 Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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