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domingo, 30 de dezembro de 2018

A PALAVRA CANGAÇO


Por Antônio Corrêa Sobrinho

A palavra CANGAÇO, nos jornais que até agora tive acesso, é grafada pela primeira vez na edição do dia 04 DE MAIO DE 1843 do JORNAL DO COMÉRCIO (RJ), ou seja, uns 80 ANOS ANTES DE LAMPIÃO elevar o significado do termo CANGAÇO à sua expressão máxima. 

Trata-se, a matéria, da transcrição de uma votação que ocorrera na Câmara Federal do Império, de uma resolução referente ao financiamento de padres missionários para catequese e civilização dos índios brasileiros, onde o deputado Albuquerque, no seu voto, diz o seguinte: 


"Na minha província mesmo onde não há índios selvagens, onde o idioma indígena é até já absolutamente desconhecido por esses mesmos de pura raça indígena que existem: aí mesmo estou certo de que importantíssimos serviços farão os missionários; e é por igual convicção que a assembleia provincial na sessão do ano passado decretou certa soma para despesas de transporte de alguns missionários capuchinhos: TENHO FÉ DE QUE ELES PODERÃO OBTER POR SUAS PALAVRAS O QUE SE NÃO TEM CONSEGUIDO POR MEIO DAS AUTORIDADES ARMADAS DE TODO RIGOR DAS LEIS; tenho uma lisonjeira esperança de que muita GENTE QUE VIVE COMO ERRANTE, CARREGADA DO COMPETENTE “CANGAÇO” (PERMITA-ME A EXPRESSÃO, POR SER PRÓPRIA E MUITO USADA NO SERTÃO) DISPA SUA ARMADURA, CONHEÇA SEUS ERROS, SE ARREPENDA, E, FAZENDO UMA VERDADEIRA CONTRIÇÃO, SE TORNEM CIDADÃOS ÚTEIS. Enfim, senhor presidente, eu tenho um tal entusiasmo por esta medida, que voto pelo artigo tal qual, e até votaria ainda por mais amplitude, se lhe pudesse dar." 

Já a palavra CANGACEIRO, dos jornais que consegui acessar, o seu mais antigo registro está no JORNAL CEARENSE, de 10 de dezembro de 1850. (A caixa alta nas letras é nossa).
Xilogravura/internet/Escola Kids

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É EMOCIONANTE! - MÉDICA MORRE APÓS CÂNCER E DEIXA CARTA COM REFLEXÃO EMOCIONANTE

Por Rafaela Lima

O conteúdo foi publicado nas redes sociais e ganhou destaque, sendo compartilhado por centenas de pessoas.

A médica Larissa Andressa Medeiros uma catarinense de 40 anos, morreu no último dia 22, mas continua emocionando os familiares e internautas. Ela deixou uma carta com conselhos e reflexões enquanto lutava contra um câncer de mama.


REPRODUÇÃO/ NSC TV

Leia a carta na íntegra:

Querida família!

Ando mais reflexiva e ausente… tem sido dias difíceis. Pensei na morte, mas vi um documentário da minha incoerência, já que é a coisa mais certa. Pedi a Deus uma 2ª chance ou força para entender se ele tiver outro propósito.

Vou fazer um pedido aqui. Hoje minhas chances de cura são menores do que as de sucesso! Luto por 10% de cura. Sem drama, é um fato! Quero e vou vencer, com a ajuda de Deus e Nossa Senhora, sem as estatísticas dos homens. Mas queria, com muito carinho, que se lembrem das coisas que estou aprendendo.

Hoje, ter 1, 2, 5 ou 20 milhões num banco; ter um bilhete de viagem maravilhosa; um vestido lindo ou poder ir em restaurantes incríveis, um bom vinho, um doce delicioso… NADA, NADA disso eu poderia usufruir agora. Não mudaria minhas chances ou acessos à remédios, não teria pique e disposição para viajar (não posso me ausentar por mais de 15 dias pela quimioterapia, que tem dado muitas reações extras), não posso beber, comer muitos doces e não tenho ânimo físico para usar um lindo vestido com alegria.

A vaidade de crescer cientificamente, ganhar algo na profissão, prestígio? Nada fica… perdi tanto tempo com isso, fui tão tola em vários aspectos. Só o carinho dos amigos, colegas e pacientes que o trabalho trouxe.

Mas claro que não serei hipócrita: trabalhar, responsabilidades e ter economias são coisas importantes, mas NÃO são mais do que viver o hoje. Ter conforto, usufruir das boas coisas da vida valem a pena. Já viver sempre esperando um futuro que pode não chegar, isto é ir morrendo aos poucos.

Então, o que ficou e o que mais me alegra? As boas lembranças dos momentos e experiências que vivi… as risadas, os carinhos, a alegria das viagens que tanto gostava, da comida gostosa (fosse caseira ou de um bom restaurante), os sentimentos verdadeiros e o amor puro da família e tantos amigos queridos que redescobri.

Sei que nada será tão palpável como é para mim. Sei que precisei passar por isso para ter tanta clareza de pensamentos. Ouvia isso dos pacientes, mas não coloquei em prática. Gostaria que experimentassem sem ter que passar por algo ruim para mudar.

Brigas, reclamações, vaidades e conflitos acontecem, mas deixam o ar muito pesado, sugam nossa energia e não levam a nada. Transformam a reunião alegre em algo desagradável. Amor, perdão, paz e alegria renovam tudo!

Nós, sendo filhos, noras e genros, pais, irmãos, casais.. todos iremos errar. Escolher o caminho tem esse desfecho: de acertar ou errar. E errar tem o aprendizado, só o erro traz essa graça de aprender e mudar! Não aprendemos com os erros alheios. Infelizmente. Os acertos também não trazem esse conhecimento todo, por ironia. Ninguém sabe o que é certo; o certo para mim não é para os demais.

Vamos conviver em paz, respeitar a individualidade das pessoas, dos casais, mesmo não sendo nossa opinião. Vamos celebrar a vida, ter prazer nos encontros, evitar brigas ou assuntos pesados. Queria que todos que puderem começassem a passear, viajar, praticar a leveza no dia a dia. Quem quiser ir, voltar, sair, ficar, silenciar… siga seu coração. Decida por si. Não esperem permissão para serem felizes. Só quem pode nos autorizar somos nós mesmos.

Américo, meu amor, você tem me ensinado muito também. Foi um ano terrível para nós. Muitas concessões, ajustes… mas nosso amor tem aprendido a ser laço de fita, não e nunca NÓ. Nos respeitamos, apoiamos, nos incentivamos. Se você está estressado, volta da corrida leve, com o sorriso mais lindo no rosto e só traz boas energias para mim. Não fala nada pesado, não fala de ninguém, sempre positivo, o melhor companheiro que poderia ter… meu amor ! Muitas vezes discordamos, queremos coisas diferentes, mas aprendemos a respeitar a decisão do outro sem perder tempo tentando convencer. Acho que ganhamos mais amor e respeito! Amor não é posse ou prisão, é liberdade e respeito. Sei que ainda temos muito a aprender, mas acho que estamos no caminho, entre acertos e erros.

Tenho vontade de gritar para todos que quero bem: “Tomem as rédeas de suas vidas. Viajem, namorem, comprem com responsabilidade o que lhes dá prazer. A vida é HOJE! Só hoje! Viagem, comam num lugar gostoso, comprem a roupa bonita que querem. Não sabemos se viveremos até o futuro, se gozaremos da aposentadoria, se teremos saúde e ânimo para aproveita-lá!! Vivam. Vivam! Cada um é dono da sua trajetória e a vida dará em troca amor verdadeiro, grandes amigos que farão parte da família e muito boas memórias.”

https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/medica-morre-apos-cancer-e-deixa-carta-com-reflexao-emocionante?utm_source=push&utm_medium=push&utm_campaign=push

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PUBLICAÇÃO DO JORNAL O MALHO (RJ), ANO 1911.


Por Antônio Corrêa Sobrinho

Na "república", em Salvador, os acadêmicos de Medicina: Eronides de Carvalho (na extrema esquerda, o então futuro governador e interventor federal em Sergipe), Manoel Torres, Antonio Ferreira, Vitorino Bastos, Amphisio Ribeiro e Thalses de Souza. As mulheres: sinhá Henriqueta, jubilada em artes culinárias, e a pequena Bena (uma criança), copeira.


Disse Dr. Archimedes Marques:

Essa fotografia está na página 31 do primeiro volume do meu livro LAMPIÃO E O CANGAÇO NA HISTORIOGRAFIA DE SERGIPE. A original dela hoje se encontra no INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DA BAHIA. 

O terceiro dos homens, ANTONIO FERREIRA, é o ANTONIO CAIXEIRO, pai de Eronides Ferreira de Carvalho. Os outros são amigos da família Ferreira e NÃO ACADÊMICOS DE MEDICINA como diz a matéria. 

Possuo um livro da FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA com todos os FORMANDOS DESDE A SUA FUNDAÇÃO e NENHUM DESSES NOMES CONSTA NAS SUAS RESPECTIVAS RELAÇÕES... 

Ademais o menino ERONIDES FERREIRA DE CARVALHO era muito novo para já ser ACADÊMICO DE MEDICINA, ou seja, ele nasceu em 25/04/1897 e essa foto é de 1911, portanto, ele tinha 14 anos de idade.



Que bom, o seu esclarecimento, Archimedes. A informação dos nomes é que se tratam de acadêmicos é do próprio jornal.

Quanto à condição de Eronides de Carvalho nesta foto, Archimedes Marques, concordo com você, estamos aparentemente diante de um pré-adolescente, porém, vejo em jornal 1919 referências ao doutor Eronides de Carvalho clinicando em Sergipe.

Ainda Antônio Corrêa Sobrinho:

Seja esta informação do Dicionário histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930): CARVALHO, Eronides de

*militar; rev. 1930; gov. prov. SE 1930; gov. SE 1935-1937; interv. SE 1937-1941; juiz TSN 1942-1943.

*militar; rev. 1930; gov. prov. SE 1930; gov. SE 1935-1937; interv. SE 1937-1941; juiz TSN 1942-1943.

Eronides Ferreira de Carvalho nasceu em Canhoba, então povoado do município de Propriá (SE), no dia 25 de abril de 1895, filho de Antônio Ferreira de Carvalho e de Balbina Mendonça de Carvalho.

Realizou seus estudos básicos em Maceió, no Colégio 11 de Janeiro e no Liceu Alagoano, onde concluiu o secundário em 1910. No ano seguinte, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia e, pouco tempo depois, começou a trabalhar em atividades ligadas ao curso que frequentava. Foi auxiliar de laboratório da cadeira de terapêutica, estagiário do Hospício São João de Deus, diretor da Beneficência Acadêmica e auxiliar de clínica hospitalar do cirurgião Antônio Borja, seu professor. Diplomou-se em 1917, defendendo a tese intitulada Do ópio em terapêutica mental, aprovada com distinção, tornando-se assim membro da Sociedade Médica dos Hospitais da Bahia.

Em novembro de 1918 foi nomeado diretor-geral interino de Higiene e Saúde Pública de Sergipe, dirigindo os trabalhos de profilaxia da epidemia que ficou conhecida como “gripe espanhola”. Diretor interino do posto de assistência pública do estado durante o ano de 1919, Eronides exerceu as funções de inspetor médico do sistema escolar entre fevereiro e outubro do ano seguinte, quando foi comissionado para representar seu estado natal no Congresso de Proteção à Infância que seria realizado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Em virtude do adiamento desse conclave, Eronides recebeu a missão de estudar o funcionamento do Serviço de Inspeção Médica Escolar do estado de São Paulo.

Em agosto de 1921, foi nomeado para o corpo de veterinários do Serviço de Indústria Pastoril, ligado ao Ministério da Agricultura Indústria e Comércio, passando a exercer essas funções em seu estado natal. Aprovado em concurso para o Corpo de Saúde do Exército em fevereiro de 1923, foi classificado como segundo-tenente no 1º Regimento de Cavalaria Independente, localizado em Bela Vista (MT). Dois meses depois, foi transferido para o 28º Batalhão de Caçadores, em Aracaju, e, no ano seguinte, tornou-se primeiro-tenente. Nessa patente, acompanhou as tropas que, em 1926, perseguiram a Coluna Prestes em sua passagem pelo Nordeste.
Ingresso na política

A Revolução de 1930, no Nordeste, teve início na Paraíba, onde se encontrava o capitão Juarez Távora, seu principal articulador na região, e um importante grupo de oficiais ligados ao movimento tenentista. Depois da ocupação da capital paraibana, as colunas rebeldes marcharam para o sul, conseguindo adesões e depondo, sucessivamente, os governos de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. A unidade em que Erônides de Carvalho servia colocou-se ao lado dos revolucionários e, em 17 de outubro, com a deposição de Maurício Graco Cardoso, presidente de Sergipe, Erônides assumiu o governo estadual, entregando-o três dias depois ao general José de Calasans, conforme critério adotado por Juarez Távora.

No dia 24 de outubro, consolidou-se a vitória da revolução com a deposição, no Rio, do presidente Washington Luís, e em 16 de novembro Augusto Maynard Gomes — líder de duas sublevações militares em Sergipe na década de 1920 — foi nomeado interventor federal no estado.

Nos anos seguintes, descontente com a administração estadual, Erônides de Carvalho passou a fazer oposição ao interventor, consolidando essa opção quando, em fins de 1932, o Governo Provisório chefiado por Getúlio Vargas convocou eleições para a formação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Nessa época, Erônides, Gonçalo Rollemberg do Prado e Augusto César Leite foram os principais articuladores da União Republicana de Sergipe, fundada em 5 de março de 1933, enquanto Maynard Gomes apoiou a criação do Partido Republicano de Sergipe, que indicou candidatos à Constituinte pela lista “Liberdade e Civismo”. Nas eleições, realizadas em maio de 1933, Erônides de Carvalho, promovido a capitão no mês anterior, tornou-se suplente de Augusto César Leite, único deputado eleito na legenda de seu partido para a bancada sergipana na Constituinte, composta de oito membros.

Entretanto, em outubro de 1934 a União Republicana de Sergipe obteve a maioria das cadeiras da Assembléia Constituinte estadual que, em março do ano seguinte, encerrou seus trabalhos elegendo Erônides de Carvalho para governador. Inconformado com esse resultado, Maynard Gomes, a princípio, recusou-se a transmitir o cargo para seu sucessor, sem contudo conseguir impedir sua posse.

No governo do estado

No início de sua gestão, Erônides de Carvalho procurou saldar o débito do estado para com o Banco do Brasil, herdado da administração anterior, cujos atos foram sistematicamente desfeitos pelo novo governo. Baseado em pareceres do ex-presidente Epitácio Pessoa e dos juristas Heráclito Sobral Pinto e Mendes Pimentel, o governador anulou os decretos de criação do Tribunal de Contas e de alteração do funcionamento do Tribunal de Justiça, então chamado de Corte de Apelação do Estado, aumentando o número de desembargadores. Realizou também melhorias na Biblioteca Pública e reaparelhou a imprensa oficial, além de construir escolas, estradas, pontes, a cidade de menores “Getúlio Vargas” e o quartel do Corpo de Bombeiros. Vinculado profissionalmente à área de saúde pública, Erônides de Carvalho ampliou significativamente a capacidade da rede hospitalar do estado e realizou uma reforma geral no sistema de esgotos da capital. Conseguiu também uma verba de trezentos contos de réis da Câmara Federal para aumentar o combate ao banditismo que agia no interior do estado, especialmente o bando de Lampião.

Em novembro de 1935, ofereceu ao presidente da República tropas da Polícia Militar de Sergipe para colaborarem na repressão ao levante comunista deflagrado nesse mês em Natal, Recife e Rio de Janeiro. Rapidamente dominada, a rebelião deu lugar a uma das maiores ondas de repressão até então havidas no país submetido ao estado de sítio e, depois, ao estado de guerra até junho de 1937. Erônides determinou a realização de diligências policiais para descobrir possíveis ramificações da sublevação em Sergipe, concluindo que elementos ligados ao ex-interventor Maynard Gomes, seu adversário político, estavam envolvidos com os comunistas. Baseado nessas considerações, escreveu ao presidente Getúlio Vargas, solicitando a transferência de alguns oficiais que não gozavam de sua confiança. J. Pires Wynne, em seu livro História de Sergipe, nega a existência de qualquer vínculo entre Maynard Gomes e os comunistas, lembrando que, mais tarde, ele integrou o Tribunal de Segurança Nacional, encarregado de julgar os envolvidos no levante de 1935.

Em março de 1936, Erônides de Carvalho viajou para o Rio de Janeiro a fim de obter auxílio para o combate aos efeitos das secas e enchentes que assolavam regiões do estado, bem como para a realização de obras na barra de Aracaju, conseguindo a quantia de seiscentos contos para iniciar a dragagem. Em 1937, posicionou-se a favor da candidatura de José Américo de Almeida às eleições presidenciais previstas para o ano seguinte. Apesar de apoiar oficiosamente esse candidato, Vargas já articulava um golpe de Estado de caráter continuísta e, no início de outubro desse ano, conseguiu autorização do Congresso para decretar novamente o estado de guerra sob a alegação de que havia sido descoberto o chamado Plano Cohen, pretensamente elaborado pelos comunistas visando à tomada violenta do poder. Conforme comprovação posterior, tratava-se de um documento forjado, utilizado pelo governo e sua alta cúpula militar para favorecer a concretização do projeto golpista.

Erônides de Carvalho foi nomeado executor, em Sergipe, dos poderes excepcionais conferidos ao Executivo durante a vigência do estado de guerra, o mesmo acontecendo com todos os outros governadores estaduais, à exceção dos de São Paulo, Rio Grande do Sul e do prefeito do Distrito Federal. Em fins desse mês, o deputado Francisco Negrão de Lima, secretário-geral do comitê diretor da campanha eleitoral de José Américo, visitou vários estados do Norte e Nordeste, inclusive Sergipe, em missão secreta com o objetivo de arregimentar, em nome do governo federal, o apoio dos governadores ao golpe de Estado que, em 10 de novembro, implantou o Estado Novo, decretando a suspensão das eleições e o fechamento do Legislativo e dos partidos políticos.

Partidário do novo regime, Erônides foi confirmado no posto, convertido em interventor federal em Sergipe. Na nova fase de sua gestão, vários estudantes foram presos e condenados pelo Tribunal de Segurança Nacional, encarregado do julgamento dos opositores do Estado Novo.

Substituído pelo capitão Mílton Pereira de Azevedo em junho de 1941, Erônides de Carvalho declinou do convite para se tornar adido comercial brasileiro em um país africano, sendo então nomeado, em março de 1942, para a vaga de Maynard Gomes no Tribunal de Segurança Nacional, representando o Exército. Integrou o corpo de juízes desse tribunal até agosto de 1943, ano em que foi promovido a major médico, transferido para a reserva e nomeado tabelião do 14º Ofício de Notas da Justiça, no Rio de Janeiro.

Em 1945, com a reorganização da vida política nacional, tornou-se presidente do diretório regional de Sergipe e membro do diretório nacional do Partido Social Democrático (PSD).

Em fevereiro de 1952, foi promovido a tenente-coronel na reserva.

Faleceu no Rio de Janeiro em 19 de março de 1969.

Foi casado com Ivete de Melo Góis.

Publicou discursos e relatórios técnicos sobre saúde pública. Seu correligionário Augusto César Leite escreveu Em defesa do governador Erônides de Carvalho (1937).

Robert Pechman

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. MIN. EXÉRC.; ARQ. PÚBL. EST. SE; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; CABRAL, O. História; Correio da Manhã (15/6/39); Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; GUARANÁ, M. Dic.; INST. NAC. LIVRO. Índice; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; SILVA, H. 1937; WYNNE, J. História.

Continua Antônio Corrêa Sobrinho: 


Ainda a respeito da substanciosa intervenção do amigo Archimedes, fiquei intrigado quando comparei as imagens do Antonio Ferreira do O Malho (acima) com a considerada fotografia de Antonio Caixeiro, pai de Eronides de Carvalho (fotos que trago a seguir), na minha opinião as imagens não são da mesma pessoa.


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sábado, 29 de dezembro de 2018

“PAJEÚ EM CHAMAS: O CANGAÇO E OS PEREIRAS”


Recebi hoje do Francisco Pereira Lima (Professor Pereira) lá da cidade de Cajazeiras no Estado da Paraíba uma excelente obra com o título "PAJEÚ EM CHAMAS O CANGAÇO E OS PEREIRAS - Conversando com o Sinhô Pereira" de autoria do escritor Helvécio Neves Feitosa. Obrigado grande professor Pereira, estarei sempre a sua disposição.


O livro de sua autoria “Pajeú em Chamas: o Cangaço e os Pereiras”. A solenidade de lançamento aconteceu no Auditório da Escola Estadual de Educação profissional Joaquim Filomeno Noronha e contou com a participação de centenas de pessoas que ao final do evento adquiriram a publicação autografada. Na mesma ocasião, também foi lançado o livro “Sertões do Nordeste I”, obra de autoria do cratense Heitor Feitosa Macêdo, que é familiar de Helvécio Neves e tem profundas raízes com a família Feitosa de Parambu.

PAJEÚ EM CHAMAS 

Com 608 páginas, o trabalho literário conta a saga da família Pereira, cita importantes episódios da história do cangaço nordestino, desde as suas origens mais remotas, desvendando a vida de um mito deste mesmo cangaço, Sinhô Pereira e faz a genealogia de sua família a partir do seu avô, Crispim Pereira de Araújo ou Ioiô Maroto, primo e amigo do temível Sinhô Pereira.

A partir de uma encrenca surgida entre os Pereiras com uma outra família, os Carvalhos, foi então que o Pajeú entrou em chamas. Gerações sucessivas das duas famílias foram crescendo e pegando em armas.

Pajeú em Chamas: O Cangaço e os Pereiras põe a roda da história social do Nordeste brasileiro em movimento sobre homens rudes e valentes em meio às asperezas da caatinga, impondo uma justiça a seus modos, nos séculos XIX e XX.

Helvécio Neves Feitosa, autor dessa grande obra, nascido nos Inhamuns no Ceará, é médico, professor universitário e Doutor em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal), além de poeta, escritor e folclorista. É bisneto de Antônio Cassiano Pereira da Silva, prefeito de São José do Belmonte em 1893 e dono da fazenda Baixio.

Sertões do Nordeste I

É o primeiro volume de uma série que trata dos Sertões do Nordeste. Procura analisar fatos relacionados à sociedade alocada no espaço em que se desenvolveu o ciclo econômico do gado, a partir de novas fontes, na maioria, inéditas.

Não se trata da monumentalização da história de matutos e sertanejos, mas da utilização de uma ótica sustentada em elementos esclarecedores capaz de descontrair algumas das versões oficiais acerca de determinados episódios perpassados nos rincões nordestinos.
Tentando se afastar do maniqueísmo e do preconceito para com o regional, o autor inicia seus estudos a partir de dois desses sertões, os Inhmauns e os Cariris Novos, no estado do Ceará, sendo que, ao longo de nove artigos, reunidos à feição de uma miscelânea, desenvolve importantes temas, tentando esclarecer alguns pontos intrincados da história dessa gente interiorana.

É ressaltado a importância da visão do sertão pelo sertanejo, sem a superficialidade e generalidade com que esta parte do território vem sendo freqüentemente interpretada pelos olhares alheios, tanto de suas próprias capitais quanto dos grandes centros econômicos do País.

Após a apresentação das obras literárias, a palavra foi facultada aos presentes, em seguida, houve a sessão de autógrafos dos autores.

Quem interessar adquirir esta obra é só entrar em contato com o professor Pereira através deste e-mail: franpelima@bol.com.br
Tudo é muito rápido, e ele entregará em qualquer parte do Brasil.

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NOTA DE PESAR!!!

Por Relembrando Mossoró

É com imensa tristeza no coração que o Relembrando Mossoró comunica o falecimento da nossa amiga e integrante do nosso grupo, também minha grande amiga - Luciene Santos, que ocorreu agora a tarde, no bairro Presidente Costa e Silva, vítima de queda de moto. Nossa solidariedade aos familiares e amigos.

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FIQUE POR DENTRO - IDOSO DE 62 ANOS É RESGATADO APÓS DENÚNCIAS DE MAUS-TRATOS COMETIDOS PELA FILHA

Por Victor Cabral - victor.cabral@olivre.com.br

Homem foi resgatado em um quarto sem ventilação e com mau-cheiro

Um homem de 62 anos foi resgatado nesta sexta-feira (28), no município de Sinop (500 km de Cuiabá), após a Polícia Militar receber várias denúncias de que o idoso sofria maus-tratos cometidos pela filha.

Policiais militares e civis foram até a casa onde o homem morava e constataram que ele estava sozinho dentro de um quarto, sem nenhuma ventilação e com mau-cheiro. Conforme consta no boletim de ocorrência, o idoso não conseguia falar, por estar com a saúde debilitada.

Foto - Ilustração/Reprodução/Jornal Desafio

De acordo com testemunhas, o homem passava o dia todo no quarto sozinho, pois a filha dele aparecia no local apenas no horário do almoço. Ainda segundo o boletim de ocorrência, ela não dava os devidos cuidados ao pai, seja com alimentação, seja em tratamento de saúde.

Os policiais chamaram o Corpo de Bombeiros para atender o idoso. Ele precisou ser encaminhado para o Hospital Regional de Sinop.

O homem ficou internado na unidade hospitalar para receber os cuidados médicos. No boletim de ocorrência não consta a informação se a filha foi encontrada.

https://olivre.com.br/idoso-de-62-anos-e-resgatado-apos-denuncias-de-maus-tratos-cometidos-pela-filha/

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LIVRO SOBRE A VIDA POLÍTICA DE PADRE CÍCERO


A vida política de Padre Cícero é tão importante quanto a sua vida religiosa, pois ambas foram polêmicas. Como religioso ele esteve sempre às turras com as autoridades eclesiásticas, que o censuravam por causa da questão do milagre da hóstia; como político ele sempre procurou manter uma conduta de harmonia e paz, embora isso em alguns momentos não tenha sido possível.

Na verdade, ele nunca quis ser político, como explicou no seu Testamento. Sua opção pelo caminho sinuoso da política se deu de forma circunstancial e isso foi explorado de várias maneiras pelos seus biógrafos, não havendo ainda consenso. Diante do que foi publicado até hoje, dá para perceber que ninguém acredita na explicação dada por ele mesmo. E não poderia ser diferente, pois em se tratando do Padre Cícero tudo é controverso. Sua vida, tão cheia de ambiguidade, jamais deixará de ser dissecada pela caneta dos seus biógrafos, cujos trabalhos já renderam uma bibliografia com mais de 500 títulos.

Neste trabalho, minha análise da vida política do Padre Cícero está baseada em dois eventos significativos e polêmi-cos: a outorga da patente de Capitão a Lampião (1926) e o Pacto dos Coronéis (1911).

Segundo os pesquisadores, a vida política do Padre Cícero só foi tumultuada porque colada a ela, como uma espécie de alter ego, esteve a figura emblemática do médico baiano adotado pelo Juazeiro, Dr. Floro Bartholomeu da Costa.

Este estudo deixa evidente que a vida política de Padre Cícero está intrinsicamente ligada à de Floro, mas realmente era o médico baiano quem de fato articulava ou maquinava tudo com ou sem o consentimento do Padre Cícero. Foi ele, com habilidade e astúcia, quem colocou Padre Cícero no miolo da política cearense, despertando contra o ingênuo Padre novato em política todo o rancor dos adversários. E como Padre Cícero pagou caro por isso!

A vida política do Santo dos Nordestinos é o retrato mais fiel da sua transição de reverendo a lutador, fato notório que se repetiu em mais dois fenômenos igualmente polêmicos: sua participação no movimento de emancipação política de Juazeiro (1911) e na Sedição de 1914.

Daniel Walker
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E ainda: Coelhos Hotel. Rua do Cruzeiro/Praça Padre Cícero.
Banca  de Revistas de César. Praça Padre Cícero
Para quem reside fora de Juazeiro a compra pode ser feita no site abaixo:


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MESTRE CHIQUINHO: O BARBEIRO QUE FEZ LAMPIÃO BAIXAR A CABEÇA...


... mas para fazer o cabelo, é bom que se diga, pois de outra forma o famoso cangaceiro jamais baixaria a cabeça para alguém.

Quando Lampião esteve em Juazeiro, em 6 de março de 1926, para se alistar no Batalhão Patriótico e receber a patente de Capitão, prometida por Dr. Floro Bartholomeu da Costa, o barbeiro Mestre Chiquinho foi convidado para cortar o cabelo da tropa. Ele passou um dia todo trabalhando. Quando terminou, Lampião disse que não podia pagar, pois estava sem dinheiro. Acertou então mandar depois, e Mestre Chiquinho confiou. Lampião saiu de Juazeiro e poucos dias depois remeteu o valor acertado – dez mil réis – acrescido de uma gorjeta. 


Mestre Chiquinho cujo nome de batismo é Francisco Vicente da Silva Cavalcante foi barbeiro do Padre Cícero. Era imbatível jogador de damas e pessoa muito simpática e querida em Juazeiro do Norte. Sua barbearia era muito frequentada, tendo o tabuleiro do jogo de damas como grande atrativo. 

Era natural da cidade de Caruaru (PE) e ainda era jovem quando veio para Juazeiro. Mestre Chico, como também era chamado, foi sacristão da Capela de Nossa Senhora das Dores, ajudou Padre Cícero nas missas e novenas e tinha ainda a missão de acender os lampiões do pátio da referida Capela. 

Morreu com 76 anos de idade. Seus filhos até hoje guardam com muito carinho a cadeira de barbeiro com a qual o saudoso Mestre Chico tirou os recursos necessários para sustentar a família numerosa.

http://padrecicerocangacoecoronelismo.blogspot.com/2017/08/mestre-chiquinho-o-barbeiro-que-fez.html

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DO ACERVO DO PESQUISADOR DO CANGAÇO RUBENS ANTONIO



"Galope rasante"
Zé Ramalho 
.
A sombra que me movedo
Também me ilumina
Me leve nos cabelos
Me lave na piscina
De cada ponto claro
Cometa que cai no mar
De cada cor diferente
Que tente me clarear
.
É noite que vai chegar
É claro que é de manhã
É moça e anciã
.
O pêlo do cavalo
O vento pela crina
O hábito no olho
Veneno lamparina
Debaixo de sete quedas
Querendo me levantar
Debaixo de teu cabelo
A fonte de se banhar
É ouro que vai pingar
Na prata do camelô
É noite do meu amor
.
É noite que vai chegar
É claro que é de manhã
É moça e anciã".

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O SÍTIO DOS SOARES E OS CRISTAIS DE QUARTZO (o lugar onde eu nasci) e o FOGO DA MARANDUBA..!

Por Manoel Belarmino

Nascer envolvido na energia dos cristais de quartzo, e ainda na caatinga sertaneja, é um privilégio. Aquelas pedras transparentes e coloridas sob o solo era uma maravilha e um encantamento. Pedras brancas, transparentes, de cor violeta, azul, rosa. Pedras de quartzo cristalizadas. Era assim o lugar onde eu nasci. O Sítio dos Soares em Poço Redondo.

Bem no lugar onde foi construída a casa dos meus avós Zé Anicácio e Maria Rosa, ali no Sítio dos Soares, há um abundante sítio de cristais de quartzo no subsolo. Um veio de pedras cristalizadas de quartzo passa por ali.


Há uma energia incrível naquele lugar! Lá nos anos 70, quando eu nasci, tudo ali no Sítio dos Soares era caatinga. Tudo ali era terra de Maria do Rosário. O Sítio dos Soares é vizinho do Maranduba também lugar e terras dos Soares. Foi ali onde aconteceu um dos maiores combates de Lampião com as volantes, o Fogo do Maranduba, nos sete pés de umbuzeiros. Lugar de coiteiros, onde Lampião e seus cangaceiros eram protegidos, bem acoitados. Da família dos Soares do Sítio e do Maranduba saíram para o Cangaço as cangaceiras Rosinha, Adelaide e Áurea.

Sítio e Maranduba dos Soares das lendas e da história. Lendas, estória, encantamento. Magia. São tantas as lendas que surgiram depois do Fogo do Maranduba! A lenda da coruja gigante da meia noite, a lenda das pedras luminosas nas noites de Lua. Os mistérios do Fogo do Maranduba.

Os cristais de quartzo do Sítio dos Soares são os mesmos que para São Jerônimo, para os japoneses e para os chineses, são jóias perfeitas, o símbolo da pureza, a infinidade do espaço, da paciência e da perseverança.

Foi ali onde eu nasci. Na casa de meus avós naquele histórico dia 20 de fevereiro, no Sítio dos Soares. Nasci ali sobre os cristais de quartzo adormecidos no subsolo das terras de Maria do Rosário.

Pisar novamente sobre o chão do Sítio dos Soares, caminhar sobre o caminho dos cristais de quartzo, é reenergizar o corpo e a alma.

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FALECEU O REPENTISTA CRISTÓVÃO PINTO


Por José Di Rosa Maria

Morre agora à tarde no Vale do Jaguaribe-CE

O poeta repentista Cristóvão Pinto.


Segundo nosso irmão da viola, Jorge Macedo, o qual passou mal e veio a óbito. Que ano negativo para o repente e a viola, este 2018. 


Que Deus o tenha em seu sagrado reino! Nossos pêsames a toda família.

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FOTO DO VELHO GUERREIRO LAMPIÃO


Acervo do Wasterland Ferreira

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CANGACEIRA LÍDIA: AMOR, TRAIÇÃO, VALENTIA E MORTE


Esta foto é a irmã de Lídia.

Poucas pessoas de Poço Redondo sabem que ali nas Areias, perto do Riacho do Quatarvo, na antiga fazenda Paus Pretos de propriedade na época do coronel Antônio Cacheiro, perto de Poço Redondo, está enterrado o corpo da mais bela cangaceira do grupo de Lampião, a baiana Lídia.

No fim do ano de 1931, o cangaceiro Zé Baiano ficou doente de um tumor grande que impediu o bandoleiro de andar nas caatingas. Aí Lampião levou Zé Baiano para a casa de um antigo coiteiro chamado Luiz Pereira na localidade Salgadinho perto de Paulo Afonso. Ali o cangaceiro ficou 15 dias sendo cuidado por Luiz Pereira e dona Maria Rosa. Quando ficou curado, o cangaceiro foi embora, levando Lídia, a sua filha mais nova. Lídia era uma linda menina mocinha de apenas 15 anos de idade quando deixou seus pais para acompanhar o terrível e cruel cangaceiro Zé Baiano.

O cangaceiro Zé Baiano era loucamente apaixonado por Lídia. O cangaceiro mais apaixonado de todos. E Lídia a mais bela das cangaceiras. Zé Baiano era um dos cangaceiros mais cruéis do grupo de Lampião e muito carinhoso com a sua amada Lídia.

Dizem os pesquisadores e coiteiros que Zé Baiano tinha muita riqueza, era agiota, possuía muito dinheiro emprestado a comerciantes e possuía uma quantidade grande de jóias valiosas, inclusive escondidas ou enterradas na forma de botija.

Havia no grupo de cangaceiros um rapaz da mesma região de Lídia e que já se conheciam desde antes de os dois entrarem no cangaço. Era Demócrito e que no cangaço tinha o nome de guerra de Bem-te-vi. Os dois se gostavam e, às escondidas, tinham um relacionamento. Sempre que Zé Baiano viajava Lídia se encontrava com o Bem-te-vi.

O cangaceiro Coqueiro se apaixonou por Lídia. E sempre a seguia e presenciava a cangaceira mais linda transando sob as moitas de cipó de leite com o seu amado secreto Bem-te-vi quando das viagens de Zé Baiano.

Naquele mês de julho de 1934, nas Pias das Panelas, nas proximidades do Riacho do Cartavo, quando Zé Baiano retornou de uma viagem do Alagadiço que havia feito com Lampião, o cangaceiro Coqueiro resolveu contar tudo, exatamente na hora da janta, no coito, no momento em que todos estavam reunidos. Ao ouvir a delação de Coqueiro, Zé Baiano ficou parado, estarrecido. Olhou para Lampião esperando alguma ordem. Um silêncio tomou conta do coito. Lampião tirou o chapéu... coçou o quengo. Levantou-se do cepo. Não quis mais comer. E continuou calado.

Depois de um tempo em silêncio, Lampião disse que Zé Baiano tomaria as providências de Lídia e os cangaceiros resolveriam o caso de Bem-te-vi e Coqueiro. Depois da sentença de Lampião, Zé Baiano mandou que o cangaceiro Demudado amarrasse Lídia num pé de umburana ali mesmo próximo das Pias onde estava o coito. E Lampião ordenou que o cangaceiro Gato matasse o cangaceiro traidor Bem-te-vi e o delator Coqueiro. Rapidamente, Gato puxou a mauser e disparou contra Coqueiro que já caiu ali estirado, morto. Quando voltou-se para disparar contra o cangaceiro traidor, viu que este já havia fugido.

Zé Baiano baiano não conseguiu dormir naquela noite. Deitou-se separado dos outros cangaceiros, calado. Teria que matar a cangaceira mais linda já vista no mundo cangaceiro e a mulher que ele amava. Quando o dia amanheceu, antes de o Sol aparecer, Zé Baiano pegou um cacete de pau d'arco e com várias pauladas matou Lídia. E sem pedir ajuda a ninguém, ele mesmo cavou a cova e enterrou o corpo da cangaceira, ali mesmo embaixo do pé de umburana, nas proximidades das Pias das Panelas, no Riacho do Quartavo.

Uma observação: a fotografia que postamos junto a este texto não é de Lídia, mas de sua irmã Francelina. Segundo familiares de Lídia e alguns pesquisadores, esta foto é a que mais se aproxima dos traços fisionômicos do rosto de Lídia. A cangaceira Lídia nunca foi fotografada.

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