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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

MEMÓRIAS SANGRADAS - VIDA E MORTE NOS TEMPOS DO CANGAÇO

 Por Ricardo Beliel

https://www.youtube.com/watch?v=Sasjc_nLXpk&t=6s&ab_channel=RicardoBeliel

Um livro de autoria do fotógrafo e jornalista Ricardo Beliel com 125 fotografias em preto e branco e em cores, contendo um texto principal com depoimentos e histórias contadas por personagens que vivenciaram o cangaço entre os anos 20 e 40, um movimento que dominou o interior de sete Estados do nordeste brasileiro. 

No texto, depoimentos diversos e a experiência pessoal do autor em busca de seus personagens em seus próprios ambientes originais são apresentados através de uma narrativa em que se misturam elementos das linguagens da reportagem, da crônica histórica e, em parte, como um diário de viagem. 

Foram realizadas nove viagens no período de 2007 a 2019 nas regiões dos sertões de Alagoas, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará, São Paulo e Minas Gerais para a coleta de materiais narrativos e imagéticos de míticos cangaceiros, coiteiros e volantes e alguns de seus descendentes. 

Onze mil quilômetros foram percorridos, em grande parte em precárias estradas do interior sertanejo, resultando no encontro com quarenta e três personagens contemporâneos ao cangaço. São eles que guardam relatos importantes relacionados à história do cangaço - ocorridos na primeira metade do século XX - em quarenta e nove localidades – palco de lutas, amizades, emboscadas, amores e massacres entre cangaceiros, volantes, jagunços, coronéis e camponeses; um mundo sertanejo que está se extinguindo nas suas tradições orais. 

Em cada personagem testemunha-se esse fluxo da memória e do esquecimento, onde os encontros nas pesquisas de campo revelaram uma potente e épica narrativa das memórias pessoais que envolvem tradições e lugares. Os personagens entrevistados, em sua grande maioria pessoas quase centenárias, possuem uma riqueza assemelhada ao mistério da terra. 

São descendentes da época do cangaço, personagens de um ciclo da história do Brasil que aqui resgatamos para que não fiquem no esquecimento, como pedras silenciosas no meio do caminho. Editora Olhares e apoio do Rumos/Itaú Cultural.

https://www.youtube.com/watch?v=Sasjc_nLXpk&t=6s&ab_channel=RicardoBeliel

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SATURNINO, LAMPIÃO E A INTRIGA.

 Por Aderbal Nogueira

José Alves Sobrinho, pesquisador, filho de Luiz Cazuza, conta nesse vídeo o início da desavença entre Virgulino e José Saturnino. Vídeo gravado em 2005 nos escombros da casa da mãe de José Saturnino. Esse vídeo é dos acervos da SBEC e está em meus arquivos.

https://youtu.be/HsJlsqEJjkY

 https://www.facebook.com/photo/?fbid=10226476328041115&set=gm.1677317789143825

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A POLÍCIA DA ÉPOCA DE LAMPIÃO FAZIA AS SUAS ATROCIDADES E CONDENAVA LAMPIÃO E SEUS COMPARSAS.

 Por Erick Bap


https://www.facebook.com/photo?fbid=882649132646628&set=gm.1297121970758976

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PARABÉNS, POETA ANTONIO FRANCISCO!

 Por José Mendes Pereira

Não menosprezando os poetas de Mossoró, do Brasil e do mundo, mas segundo os conhecedores da literatura de cordel, pricipalmente, Mossoró e os nossos poetas, afirmam que, um dos maiores poetas populares do mundo é do nosso Brasil, nascido em solo potiguar. Mossoroense da gema o Antonio Francisco.

Parabéns pelo seu aniversário, poeta Antonio Francisco, mais um ano de vida completará mais tarde.

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SANTANA HISTÓRICA

 Clerisvaldo B. Chagas, 20/21 de outubro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.598




Foi em 1938, mesmo ano em que mataram Lampião, que o prefeito Joaquim Ferreira, originário de outro estado, construiu o Grupo Escolar Padre Francisco Correia, no Bairro Monumento, em Santana do Ipanema. A obra foi em conjunto com o governo estadual. Surgia assim em Santana do Ipanema uma escola oficial de grande porte. Havia certa resistência de mão de obra para o Magistério, sobretudo de senhorinhas de Maceió, por causa da fama de barbaridades praticadas no Sertão. Mesmo assim o grande passo na Educação da terra fora realizado e o quadro completo da unidade se formou. Professoras de Santana do Ipanema e de outros lugares, preencheram todos os cargos para o início de um futuro de prosperidade no semiárido.

Com esse grupo sendo a grande atração estudantil do Médio Sertão, o sucesso da educação santanense esteve sempre em evidência numa fase chamada “Época de Ouro”. A minha mãe, Professora Helena Braga, não estava presente, não fez parte da turma de inauguração do Grupo. Proveniente de Viçosa, chegou de Maceió para se engajar na luta em 1944. Aqui aconteceu o seu casamento, sua aposentadoria e o seu falecimento. Um novo brilho veio a acontecer na Educação da cidade quando foi inaugurado o Ginásio Santana, em torno de 12 anos após. Iniciava assim uma nova fase educacional da quinta à oitava série numa escola da Rede Cenecista de Alagoas, uma das primeiras do interior.

Não está com tanto tempo assim, o antigo grupo ganhou uma reforma e ficou mais belo ainda. Sua arquitetura e seu histórico fazem parte do Patrimônio Cultural e Arquitetônico de Santana do Ipanema, justamente ao lado do Tênis Clube Santanense, do Ginásio Santana e da Igrejinha de Nossa Senhora da Assunção. É o grande quarteto que enobrece à cidade. Quem passa pela sua calçada como simples transeunte jamais imagina que dentro daquele enorme e bem conservado muro tem tanta história de progresso e amor em seus anais. Motivo de honra em ter estudado naquele casarão que até o presente momento envaidece Santana.

(FOTO: AUTOR DESCONHECIDO).


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O TRIBUNAL DO JÚRI DE VILLA BELLA , PE JULGA O CORONEL CHICO CHICOTE - 1913 – ANÁLISE DE AUTOS DE PROCESSO-CRIME

 

Herlon Fernandes


Há alguns anos venho desbravando as fontes históricas, sejam na bibliografia conhecida ou nos documentos dos arquivos, acerca do personagem central de um romance, já em adiantada fase. Trata-se da pessoa do coronel Chico Chicote, brejo-santense radicado em Porteiras, na famosa localidade Guaribas, atacada em 1927, por quatro forças policiais e pelo consórcio de seus inimigos. Ele foi símbolo de poder naquela época, típico líder da era do bacamarte.

Um neto do próprio Chico Chicote, o advogado Djalma Inácio de Lucena, ao narrar o que sabia sobre as histórias do avô, contou-me sobre um júri à que fora submetido o coronel, na comarca de Belmonte, sem data certa. Não sabia maiores detalhes a respeito. Com tais informações, em pesquisas na hemeroteca da Biblioteca Nacional, acabei por descobrir a notícia de um jornal, revelando a prisão de Chico Chicote, no ano de 1913, em Belmonte, Pernambuco. 

Com esse fio, conversando com Valdir Nogueira, amigo que a família Cariri Cangaço me agregou, residente naquele local, conversamos sobre a minha sonhada vontade de poder encontrar os autos daquele processo-crime, certamente uma fonte de informações preciosas, considerando a oficiosidade dos atos judiciais. Conversamos sobre muitos fatos curiosos da antiga Villa Bella; Valdir me disse que, por coincidência, seguiria até Recife, no dia seguinte, e daria um pulo no departamento histórico do Tribunal de Justiça do Estado do Pernambuco, onde o processo talvez estivesse arquivado.


Qual não é minha surpresa quando recebi os preciosos documentos: o processo de primeiro grau e a respectiva apelação.
Ao folhear as velhas páginas destes autos, senti-me como talvez se sentiram os arqueólogos que abriram a tumba de Tutancámon; ao transcrever os rebuscados manuscritos, senti-me como um Sherlock Holmes. Foi o mais próximo que consegui chegar do famigerado coronel.

Conforme CALEIRO, et al, os processos “são testemunhos dos costumes e da constituição do universo físico e mental do período analisado, bem como da ação da justiça institucionalizada. As imagens que se depreendem da leitura destes documentos descortinam relações de poder, amor, ódio, violência e solidariedade.”

O processo, presidido por uma autoridade de Estado, um juiz togado, respeitado o Contraditório e Ampla Defesa, é documento valiosíssimo para a pesquisa, porque seu conteúdo reflete “aspectos da vida cotidiana, uma vez que, interessada a justiça em reconstruir o evento criminoso, penetra no dia-a-dia dos implicados, desvenda a sua vida íntima, investiga seus laços familiares e afetivos registrando o corriqueiro de suas existências” (MACHADO, 1987, p. 23). Compartilho, pois, com todos vocês da análise de transcrições relevantes de peças do dito processo. Certamente, minha intimidade com o processo penal facilitou-me a tarefa. É um precioso mergulho no tempo.



A DENÚNCIA

Por libelo crime em cartório diz a justiça pública, como autora, por seu promotor, contra os réus Francisco Pereira de Lucena, vulgo Chico Chicote; Antônio de Lira; José Luiz e Laurentino de Tal, por esta ou na melhor forma de direito.

E.L.C.

1. Provará que no dia 12 de Agosto de mil novecentos e seis, de 3 para 4 horas da tarde, no lugar Mameluco, deste município, os réus desfecharam diversos tiros de rifles em Félix de Tal, dos quais um o atingiu produzindo-lhe o ferimento descrito no presente sumário.
2. Provará que este ferimento por sua natureza e sede foi causa eficiente da morte do ofendido.
3. Provará que os réus cometeram o crime impelidos por motivo frívolo.
4. Provará que os réus cometeram o crime com superioridade em armas de modo que o ofendido não pudesse defender-se com probabilidade de repelir a ofensa.
5. Provará que os réus cometeram o crime com premeditação mediando entre a deliberação criminosa e a execução o espaço pelo menos de 24 horas.
6. Provará que os réus cometeram o crime com surpresa.

Nestes termos, pede-se a condenação dos réus nos graus máximos do art. 294, §1º, do Código Penal, por se dar nas circunstâncias agravantes do 39, §§2,º, 4º, 5ª e 13º do mesmo Código Penal. E para que o crime se julgue, se oferece o presente libelo que se espera seja recebido e afinal julgado provado.

E. Custas

Requeiro a bem da acusação que tenham lugar as diligências legais e especialmente que sejam notificadas as testemunhas abaixo arroladas para comparecerem às sessões do julgamento a fim de afirmarem o que souberem e perguntado lhes for acerca do presente crime.

Rol de Testemunhas:

1. José Feijó de Medeiros
2. [?] Ribeiro de Melo
3. Antônio Feijó de Medeiros
4. José Pinho Celestino
5. Amaro Pereira de Araújo
6. Alexandre B [?] de Araújo
Umas residentes no Ceará, outras neste município
Villa Bella, 13 de Junho de 1913.
O Promotor Público
Januário Batista do Amaral


A INSTRUÇÃO PROBATÓRIA: MOTIVAÇÃO DO CRIME E INTERROGATÓRIO DO RÉU

O juiz presidente do Tribunal do Júri foi do Dr. Felisberto dos Santos Pereira, natural de Rio Formoso, zona da Mata de Pernambuco. Nascido em 1882 e formado em 1907, pela Faculdade de Direito do Recife, sendo colega do poeta paraibano Augusto dos Anjos. 

Destaco trechos relevantes a oitiva das testemunhas.

a) 1ª TESTEMUNHA
José Feijó de Medeiros

Que achava-se no campo, na qualidade de vaqueiro que era, no dia doze de agosto de mil novecentos e seis, data em que se deu o fato delituoso de que se trata, (…) quando ela testemunha vinha saindo de uma vereda que desemboca na estrada de Canabravinha deste termo, aí encontrou-se inesperadamente com o denunciado Francisco Pereira de Lucena, vulgo Chico Chicote, e mais três indivíduos aos quais ela testemunha não conheceu; que aí todos lhe disseram - boa tarde - e um deles dirigindo-se a ela testemunha disse-lhe que desse lembrança a Félix de Tal que agora iria levar carta no inferno; que logo após os citados indivíduos, todos armados de rifle, continuaram o seu caminho pela referida estrada e ela testemunha surpresa com o que acabava de ouvir, dirigiu-se imediatamente a sua casa, onde deixou a roupa de couro, digo de campo, logo se encaminhando para um açude próximo em que o citado Félix trabalhava; que em ali chegando encontrou ele à margem do açude referido, de pé e recostado a um pau, o aludido Félix, que apresentava um ferimento mortal na região lombar, produzido por bala, ferimento este que atravessando todos os tecidos da região, veio terminar do outro lado na região abdominal correspondente; que ela testemunha indagando de Félix o motivo de semelhante desgraça, este lhe respondeu que há poucas horas apenas fôra surpreendido no seu trabalho pelos denunciados Chico Chicote, José Luiz, Antônio de Lyra e Laurentino de Tal, os quais se aproximando dele ofendido, descarregaram-lhe cerrada carga de tiros, ouvindo antes Chicote dizer para seus companheiros: - O homem é este - que o próprio Félix disse a ela testemunha ter contado onze tiros na ocasião dos disparos e que não obstante estar armado de garrucha, tão atarantado ficou que dela não fez uso; que ela testemunha verificou na vítima além do ferimento descrito uma espécie de queimadura no braço direito, sendo de presumir que tivesse sido feita por alguma bala mal alvejada; que Chico Chicote e seus companheiros se aproximaram da vítima sem que esta pressentisse, tanto que ao passarem pelo rancho que Félix ali fizera para descanso nas horas mais quentes do dia, apanharam o rifle do mesmo Félix que ali estava, carregando-o depois do fato; que a opinião corrente e mais segura é a de que o motivo do crime foi determinado pelo fato de Félix ter dito ao seu patrão e compadre Manuel Chicote, irmão do primeiro denunciado, que este havia pegado dolosamente uns bois de propriedade do referido Manuel Chicote; que dias depois José Chicote, também irmão do referido denunciado, fez público que o fato fora levado ao conhecimento de Manoel Chicote, por Félix; que inconformado [?] com a denúncia de Félix, Chico Chicote prometeu que tomaria uma vingança, seria logo que se encontrasse com o mesmo Félix; que este sendo avisado do sinistro que contra si se tramava, resolveu mudar-se para Mameluco deste termo (...)


b) 2ª TESTEMUNHA
De...do Ribeiro de Melo:

(…) Que estava em sua casa no lugar Mameluco deste termo, por volta de quatro horas da tarde do dia doze de agosto de mil novecentos e seis, quando aí chegou José Feijó de Medeiros, e lhe disse que a curta distância dali e num açude em que estavam trabalhando Félix de Tal e outros trabalhadores, com uma garruncha, dela não se serviu, que além desta arma Félix tinha no rancho em que costumava descansar, e ali também situado, um rifle que os criminosos após o delito carregaram; que o motivo do fato delituoso referido é público e notório, foi ter Félix, quando morava no Cariri, denunciado de Chico Chicote ao patrão dele Félix, Manuel Chicote, irmão do denunciado, por ter este pegado uns bois do irmão com dolo; que sabedor desta denúncia Chico Chicote ficou seriamente [ilegível] com Félix, prometendo que desforraria do seu atrevimento na primeira ocasião em que o encontrasse. Que devido a este incidente, Félix deixou a companhia de seu patrão e veio para Mameluco, onde há apenas um mês se achava trabalhando no aludido açude; que Chicote e os seus companheiros sabendo o paradeiro de Félix vieram a seu encontro (...); que incontinente ela testemunha saiu de casa em demanda do açude ali encontrando Félix banhado de sangue e apresentando um ferimento produzido por bala de rifle, a qual penetrando na região lombar esquerda e atravessando os intestinos veio sair na região abdominal correspondente próximo ao umbigo; que dirigindo-se a Félix perguntou-lhe como se dera aquele fato, ao que este respondeu que estando no seu trabalho foi de surpresa acometido por Chico Chicote e mais três indivíduos (...) que sobre a conduta do primeiro denunciado, ela testemunha tem ouvido dizer ser muito irregular por se ele homem perverso e dado ao cangaço; que dos outros denunciados nada sabe por não ouvir dizer, nem conhece-os; que o morto era homem trabalhador e de bons costumes. E por mais não dizer nem lhe ser perguntado, deu-se por findo este depoimento, que lido e conforme assina a rogo da testemunha.

c) 3ª Testemunha
Antônio Feijó de Medeiros

(...) que conhece desde menino Chico Chicote, e faz do mesmo péssimo juízo, pois sempre o conheceu como turbulento e dado ao cangaço, sabendo igualmente que ele é autor de outros crimes além deste, no Estado do Ceará, embora lhe conste não estar sujeito a processo naquele Estado; que o seus corréus, segundo consta, são cangaceiros de profissão, mas ela testemunha nada sabe de positivo a respeito da conduta dos mesmos; que relativamente a Félix o conhecia de pouco tempo, mas sempre o viu proceder com correção, mostrando-se trabalhador e honesto.

) 4ª Testemunha
José Pedro Celestino, conhecido por José Dutra, com cinquenta e oito ano de idade, casado, agricultor, natural do Estado da Paraíba, residente em Porteiras, Estado do Ceará, não sabe ler nem escrever, aos costumes disse nada, testemunha jurada na forma legal, prometeu dizer a verdade do que soubesse e lhe fosse perguntado.

E sendo inquirida a denúncia de folhas, que lhe foi lida, respondeu: que no dia em que se passou o fato criminoso, ela testemunha achava-se no lugar, digo, no local em que o mesmo fato se passou, num açude em que com Félix estava trabalhando; que ela testemunha achava-se em cima da barreira do açude e Félix embaixo marcando a parede do mesmo açude, quando de repente ouviram o estampido de sucessivos tiros e a voz do denunciado Chico Chicote chamar - "Morreste, negro', que Félix, implorando em gritos a proteção divina procurou fugir à sanha dos seus agressores, correndo de riacho acima, ao passo que o tiroteio continuava; que ao saltar uma cerca recebeu uma bala, que penetrando na região lombar direita, perfurou os intestinos vindo sair na região umbilical produzindo grande derramamento de sangue acompanhado da expulsão de uma parte do tecido adiposo da aludida região; que do grupo criminoso ela testemunha conheceu bem aos denunciados Francisco Pereira de Lucena, vulgo Chico Chicote, e José Luiz, vindo a saber depois de fonte insuspeita que os outros eram Antônio de Lyra e Laurentino e de Tal; que Félix estava na ocasião armado de uma pistola pequena, mas dela não se serviu, tendo a fora dessa arma e num rancho ali também situado um rifle que os criminosos carregaram; que depois de praticado o crime o denunciado José Luiz quis obrigar a ela testemunha a entregar o aludido rifle que depois eles encontraram no aludido rancho; que o denunciado Chico Chicote disse a ela testemunha tempos depois que não tinha dado esse conhecimento no dia em que atiraram em Félix, porque então não estava ainda bem informado dos precedentes dela testemunha a respeito dele denunciado, aludindo assim a informações caluniosas que pessoas suas desafetas haviam dado a seu respeito ao mesmo Chicote; que o fato criminoso originou-se de uma denúncia que dizem Félix ter dado contra Chico Chicote aos irmãos deste, denúncia que se baseava no fato de ter Chico Chicote ilicitamente pegado uns bois de seus irmão; que divulgado esse fato, Chicote entrou a perseguir Félix, de modo tão tenaz que obrigou este a retirar-se da companhia de seu patrão no Cariri para vir trabalhar no Mameluco, deste município; que aí chegando não suspeitava sequer dos planos criminosos do seu desafeto por estar longe de suas vistas quando de chofre foi atacado pelo mesmo do modo já referido, o qual teve como companheiros os demais denunciados

INTERROGATÓRIO

Interrogatório do réu Francisco Pereira de Lucena, vulgo Chico Chicote.
Perguntado qual o seu nome, naturalidade, estado, idade e residência?
Respondeu chamar-se Francisco Pereira de Lucena, conhecido por Chico Chicote, natural do Estado do Ceará, com trinta e quatro anos de idade, casado, residente no município de Porteiras, do Estado do Ceará.
Perguntado qual o tempo de sua residência no lugar declinado?
Respondeu que há cerca de cinco anos.
Perguntado quais seus meios de vida e profissão?
Respondeu que agricultor e criador.
Perguntado se sabia ler e escrever?
Respondeu que sim.
Perguntado se sabia o motivo pelo qual era acusado e se precisava de algum esclarecimento a esse respeito?
Respondeu que sabe por ter recebido cópia do libelo.
Perguntado se conhece as testemunhas que juraram neste processo e se tinha alguma causa a opôr contra elas?
Respondeu que conhece a(ilegível) a de nome José Dutra, que é parente do morto, sendo as demais suas desafetas.
Perguntado se tinha algum motivo particular a que atribua a acusação?
Respondeu que não.
Perguntado se tinha fatos ou provas que justificassem ou mostrassem sua inocência?
Respondeu que tem e o seu advogado oportunamente dirá.
Perguntado se tinha mais alguma causa a declarar ou esclarecer?
Respondeu que não.


O júri depois de haver nomeado dentre si por escrutínio secreto e por maioria absoluta de votos, o seu presidente e secretário da leitura recomendada pela lei e mais formalidades desta, respondeu aos quesitos pela maneira seguinte:

Ao 1º quesito:
Não, por nove votos
O réu Francisco Pereira de Lucena, vulgo Chico Chicote, de 3 para as 4 horas da tarde, do dia 12 de Agosto de 1906, no lugar Mameluco deste Município de Belmonte não desfechou tiros de rifle em Félix de Tal produzindo-lhe o ferimento descrito no corpo de delito [ilegível] deste sumário.

O júri deixa de responder aos demais quesitos por se achar prejudicado com a resposta do primeiro.

Sala secreta do Júri de Belmonte, 26 de Novembro de 1913.

Hérlon Fernandes Gomes, Munganga Cultural
Porto Velho, Rondônia, 11 de Outubro de 2021
Fonte:https://amunganga.blogspot.com/2021/10/o-tribunal-do-juri-de-villa-bella.html?fbclid=IwAR3--YAFDYKtY7lQg7vOq8OnD37GcEfKHOSRQfoelidiLfQmxqPSkuCzkBY

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/10/o-tribunal-do-juri-de-villa-bella-pe.html

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CANGACEIRA ANÉSIA CAUAÇU.


Foto restaurada pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio.

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ENTRE REZAS E BACAMARTES

 (Publicação do Centro de Estudos de História Municipal – CEHM/Agência Condepe/Fidem).

O CEHM comunicou nessa segunda-feira 11 de outubro a publicação do já esperado livro de seu associado Valdir Nogueira, cujo título: ENTRE REZAS E BACAMARTES, possui prefácio do historiador e membro da Academia Pernambucana de Letras Frederico Pernambucano de Mello, e integra a Coleção Tempo Municipal do referido Centro de Estudos de História Municipal – CEHM/Agência Condepe/Fidem.

A obra traz um recorte sobre a atuação do Monsenhor Afonso Pequeno e a tradicional desavença entre as famílias Pereira e Carvalho sob a ótica da alternância de poder na lendária região do Pajeú do sertão pernambucano.  Numa terra em que imperava a lei do punhal e do bacamarte, essas duas famílias espargiram sangue em ódios feudais, numa luta que esbarrou num famigerado banditismo.

O polêmico Monsenhor Afonso Pequeno, pároco das freguesias de Vila Bela e Belmonte em princípios do século passado.

Sobre o livro de Valdir Nogueira comentou o professor Yony Sampaio, professor da Universidade Federal de Pernambuco e Consultor do Banco Mundial:

“Muitos livros tem tratado da lendária briga entre os Pereira e os Carvalho. De modo geral exploram os confrontos armados, as sucessivas emboscadas e ataques, culminando com o período de Sebastião Pereira e Luís Padre. Este fantástico relato de Valdir Nogueira, Entre Rezas e Bacamartes, no entanto, é o primeiro a analisar em detalhe as intrigas politicas, a alternância de poder local, que vem a se constituir no cenário onde a questão se desenvolve.

Geograficamente, amplia o centro da questão para os municípios de Belmonte e Vila Bela, de onde se irradia pelo Pajeú e pelo sul do Ceará, relacionando movimentos do Cariri a incidentes no Pajeú. Indo aos fundamentos da questão, antepõe o Monsenhor Afonso Pequeno ao coronel Antônio Andrelino Pereira da Silva, filho do Barão do Pajeú.

Na vila de Belmonte se estendeu o conflito entre as duas tradicionais famílias do Pajeú.

De um lado, um padre guerreiro, politico, mas defensor da religião, a exemplo de muitos, como o Monsenhor Arruda Câmara, na revolução de trinta. De outro, um coronel tentando manter a estatura e autoridade do pai, porém sem possuir as mesmas qualidades de sobriedade e equilíbrio. Os novos perfis que traça, revelam faces escondidas da questão. Para iluminar tantas questões, Valdir divulga correspondências inéditas, comunicações em jornais da época, e corrige interpretações equivocadas. O livro de Valdir já nasce um clássico, essencial para melhor entendimento da história e da formação social daquele sertão.

A antiga Vila Vila Bela, cenário da luta de Carvalho e Pereira.

O autor nasceu e foi criado em Belmonte e já nos brindou com um belo livro sobre São José do Belmonte. Conhece quase cada palmo de terra, discorre sobre as fazendas, locais de emboscada e convive com descendentes das famílias envolvidas, hoje bastante entrelaçadas, como sempre ocorre na sociedade sertaneja. Assim, possui a autoridade necessária para tal empreitada. Simples, de fala mansa, em outras épocas poderia ter tomado o bacamarte e entrado catinga adentro. Porém tem sido mais afeito aos estudos e ao conhecimento e preservação do passado da região. Excelente pesquisador, minucioso, reverencia nosso passado e tem sido o esteio da hoje famosa cavalhada do Belmonte que homenageia e relembra os incidentes da Pedra Bonita, então Serra Talhada e hoje Belmonte, que incendiou a imaginação de Ariano Suassuna no Romance da Pedra do Reino.

Ao leitor, tenho certeza que embarca em aventura prazerosa e educativa. Do autor, espero que continue a perscrutar nosso passado e revelar aspectos pouco conhecidos da nossa formação histórica e social”.

Extraído do blog https://tokdehistoria.com.br/2021/10/13/entre-rezas-e-bacamartes/do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

LAMPIÃO E ZÉ RUFINO - TIROTEIO E MORTE DO CANGACEIRO BARRA NOVA

 Por No Rastro do Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=RR9qL9qqnh8&ab_channel=NoRastroDoCanga%C3%A7o

O tiroteio foi breve. Quando Lampião, o rei do cangaço, deu o tiro de Parabellum, ordenando a retirada, alguns cangaceiros continuaram sustentando fogo apenas afim de dar cobertura a fuga de Maria Bonita, Sila e Dulce, as únicas mulheres que se encontravam no coito. Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações. #NoRastroDoCangaço Vejam também: https://youtu.be/sqhWYPAy2uE https://youtu.be/ZEE32oCF7oA https://youtu.be/HH4xN9FOiQg https://youtu.be/cRvkUIonWEc https://youtu.be/3wuCmkQyaII https://youtu.be/Y1kh7Js_lhA https://youtu.be/rl0RucODGec https://youtu.be/pmPvnN9JRL8 https://youtu.be/cPMXW02sFGs https://youtu.be/wfIuVfZnS54 UM FORTE ABRAÇO!

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PORQUE LAMPIÃO DEU FIM AO CANGACEIRO BALIZA

 Por Histórias da Vida Real

https://www.youtube.com/watch?v=BB4Xh5DHKkw&ab_channel=Hist%C3%B3riasdaVidaReal

PORQUE LAMPIÃO DEU FIM AO CANGACEIRO BALIZA, Saiba porque lampião deu fim ao cangaceiro Baliza, o motivo foi grande, no bando que estava se iniciando com a chefia de lampião... já não cabia o chefe do Bando e o veterano, o cangaceiro mais velho do Sinhô pereira que abandonou o cangaço. Ou era um... ou era o outro, veja os motivos... do fim do Baliza. SEJA MEMBRO, AJUDE O CANAL: APENAS 5 REAIS POR MÊS: https://www.youtube.com/channel/UCD8q... #historiasdavidareal #historiasdelampião

Contato: artehoraciomoura@gmail.com

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CANGAÇO - LAURO DA ESCÓSSIA, O HOMEM QUE ENTREVISTOU JARARACA

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=pMMKFtfJ3rk&t=300s&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Esse vídeo tem uma grande importância histórica pelo fato de ser uma entrevista com Lauro da Escóssia, único jornalista que entrevistou o cangaceiro Jararaca no ano de 1927, quando o mesmo estava preso em Mossoró-RN. Gravação feita pela TV Universitária-RN em 1982. Essa fita VHS estava com o saudoso Paulo Gastão. Consegui recuperar uma parte dela e estou tentando digitalizar o restante, pois são 90 minutos de entrevista. A fita está em preto e branco. Link desse vídeo: https://youtu.be/pMMKFtfJ3rk

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O CORAJOSO PREGADOR QUE PREGOU A BÍBLIA PARA LAMPIÃO E SEUS CANGACEIROS!

Por Teolo Guia 

https://www.youtube.com/watch?v=Z4DXwaOU2VE&ab_channel=Teolo-Guia

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MAIS PERVERSO QUE CORISCO, LAMPIÃO E ZÉ RUFINO

 Por Kinko Peregrine

https://www.youtube.com/watch?v=j0AzatU9TgA&ab_channel=KinkoPelegrine

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OS CASARÕES ANTIGOS DE SALVADOR

Por Conrado Matos


Artigo publicado numa Quinta-Feira, 06.09.2018 – Jornal A TARDE/Opinião.

Foto do Cine Jandaia tirada do meu celular. Este cinema foi inaugurado em 1911. Proprietário inicial: João Oliveira – Proprietário atual: Governo do Estado da Bahia.

Sempre eu vou todo final do ano ao Taboão consertar a minha mochila com o artesão Seu Valter. Seu Valter me contara que faz até sapato de elefante. Disse-me que Beto Carrero, quando vinha com seu circo para Salvador, encomendava dele algumas botas de elefante.

Certa feita, eu vi Seu Valter fazendo sapato de cachorrinho. Geralmente, quando vou ao Taboão eu deixo o meu veículo no bairro da Saúde, próximo da Ladeira do Alvo. Desço a ladeira em direção da Baixa dos Sapateiros e sigo para o Taboão. No final da Ladeira do Alvo, na sua esquina com a Baixa dos Sapateiros fica o famoso Cine Jandaia. Aproveito para tirar uma foto do cinema, que se encontra esquecido e sem algumas janelas, possivelmente cheio de morcegos. No mínimo, a chuva deve ter encharcado os pisos, podendo com tempo o prédio desabar. No Jandaia, no passado, se apresentaram diversos artistas importantes, inclusive, a cantora Carmen Miranda.

O Brasil, infelizmente, não prioriza cultura e não preserva seus patrimônios históricos. Gostam de curtir cultura do mostra bum-bum.

Na época de Antônio Carlos Magalhães, alguns imóveis históricos de Salvador foram alvo de manutenção. Depois desses governos era ACM pra cá, isso ficou zero. Vários antigos imóveis vivem à mercê da agressão do relento.

Eu sei que os governantes baianos têm muito com o que se preocupar, com a pobreza. Acho que deve primeiro diminuir a miséria, o caos da educação, melhorar o falido sistema de saúde e a fracassada segurança pública. Porém não podem deixar no abandono os nossos antigos imóveis, como vem ocorrendo na Soledade, a ponto até de cair.

A casa da família do poeta Castro Alves ali no Engenho Velho, onde o poeta morou, está largada às traças, precisando de cuidados e manutenção geral. Esse imóvel do poeta do condor já foi um setor da prefeitura e um hospital psiquiátrico. Eu espero que os bondosos governantes deem atenção a estes valiosos patrimônios históricos. Não assassinem a nossa cultura. Lembrem que precisamos do turismo.

Conrado Matos – Psicanalista, Poeta e Escritor sergipano, radicado em Salvador há 40 anos. Autor dos livros, A RECEITA da FELICIDADE Vem de VOCÊ e de O SERtão em versos.

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SÓ COMO ARQUIVO - morre Aída Ramalho Cortêz Periera

Reprodução/Instagram - Aída Cortez Pereira, à direita, ao lado da filhaPublicado: 07:31:00 - 23/08/2021Atualizado: 07:58:33 - 23/08/2021

Morreu a ex-primeira-dama do Rio Grande do Norte, Aída Ramalho Cortez Pereira, aos 85 anos. O anúncio foi feito pela filha dela, que não confirmou as causas da morte. Aída Cortez foi casada com José Cortez Pereira de Araújo, político que governou o Estado entre 1971 e 1975. 

 CORTEZ PEREIRA DE ARAÚJO Patrono da cadeira nº 12 - Filho de Vivaldo Pereira de Araújo e Olindina Cortez Pereira, José Cortez Pereira de Araújo nasceu em 16 de outubro de 1924, em Currais Novos-RN. Formou-se em filosofia e a seguir em Direito pela Universidade de Pernambuco. Eleito primeiro suplente do senador Dinarte Mariz Mariz pela UDN em 1962. Filiado depois à ARENA foi escolhido governador do Rio Grande do Norte pelo presidente Emílio Garrastazu Médici em 1970, tendo sido, assim, o primeiro governador “biônico” do estado em substituição ao então governador Walfredo Gurgel, inaugurando a nova fase política do RN. Faleceu no dia 21 de fevereiro  de  2004meu ip. - http://jotamaria-alejurn.blogspot.com/2011/09/12-cortez-pereira-de-araujo.html

"Ainda sem acreditar! Minha mãe , amiga , companheira de todas as horas partiu. Tudo muito rápido. A vida é um sopro. Não sei o que vai ser agora da minha vida sem você, espero ter forças para resistir. Minha vida perdeu o sentido. Você se foi e me deixou sozinha", escreveu a filha da ex-primeira-dama, Aida Cortez, em publicação no Instagram.

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