Seguidores

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Primeiro Código de Postura de Mossoró - 07 de Julho de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 15 de março de 1852, através da Lei Provincial de nº 246, o povoado de Santa Luzia de Mossoró passou a categoria de Vila. Essa medida estabeleceu a criação da Câmara, emancipando-se politicamente da cidade de Açu. O primeiro governante a assumir a Intendência da Vila de Mossoró foi o Pe. Antônio Freire de Carvalho, cargo esse equivalente ao de Prefeito, para o período de 1853 a 1856. Entre as realizações desse período, destacamos: a criação de um distrito de paz na povoação de São Sebastião, atual Gov. Dix-sept Rosado, uma cadeira de primeiras letras para o sexo masculino, também na mesma povoação, criação de uma mesa de rendas provincial e a fundação, a 2 de fevereiro de 1855, da irmandade de Santa Luzia. Foi também nesse período, que através da Resolução nº 305, de 18 de julho de 1855, foram aprovadas as primeiras posturas da Câmara Municipal da Vila de Mossoró. Era um documento bastante rígido, que disciplinava a convivência dos moradores da vila, prevendo multa e prisão para quem deixasse de observar os seus artigos. 
               
Com relação a edificação de novos prédios, previa:

Artigo 1º - Pessoa alguma poderá levantar casas, ou qualquer edifício dentro do quadro da vila sem licença da Câmara, e assistência do fiscal, obtendo bilhete de aforamento do terreno, afim de ser este alinhado; os contraventores sofrerão a multa de 6$ rs., ou 8 dias de prisão. 
                
Artigo 2º - As casas, que se erigirem, terão as portas com 10 palmos de altura e 5 de largo; a frente com 14 de altura, e as calçadas com 6 de largura, sendo umas e outras de pedra ou tijolo; os contraventores sofrerão a multa de 10$000 rs., ou 4 dias de prisão. 

Artigo 3º - As ruas terão entre si a distância de 60 palmos, os becos e ruas travessas 30, e os quintais, além de serem de tijolo ou madeira, terão de comprimento até 80 palmos; os contraventores sofrerão a multa de 8$000 rs., ou 4 dias de prisão. 
                
Artigo 4º - Os proprietários e inquilinos desta vila, serão obrigados todos os anos no mês de agosto a mandar limpar o terreno das frentes e dos fundos dos quintais de suas casas. No espaço de 3 braças, deixando nesta limpa o capim, sob pena de 2$ rs. De multa ou 4 dias de prisão. 
                
Com relação a assuntos de ordem geral: 
               
Artigo 11º - Igualmente proíbe-se cães e porcos soltos dentro da vila, ficando o fiscal incumbido de matá-los em correição. 
                
Artigo 13º - Toda a pessoa que consentir em sua casa jogos proibidos, entrando neles filhos, fâmulos ou escravos, será multada em 4$ rs., ou sofrerão 8 dias de prisão, e os jogadores recolhidos à cadeia por 24 horas. 
                
Artigo 18º - Os lojistas, taberneiros, donos de açougues e lavradores, são obrigados a ter pesos e medidas aferidas na forma do padrão da Câmara, e verificada a falsidade deles, pagarão os donos das medidas ou pesos 4 $ rs., de multa, ou 2 dias de prisão. 
                
Artigo 19º - São pesos e medidas da Câmara; 
                
§ 1º - vara e côvado, segundo o padrão geral 
               
§ 2º - Terça na razão de cinco tigelas ordinárias e proporcionalmente meia quarta, quarta, etc. 
               
§ 3º - Meio quartilho, metade e contra-metade, segundo o padrão geral. 
               
§ 4º - Meia libra na razão de $360 rs., em dobrões: uma libra, 2 libras, proporcionalmente. 
                
Artigo 23º - É proibido lançar-se animais mortos, ou outra qualquer cousa de natureza corruptível, nas ruas desta vila, alagoas, poços e cacimbas, sob pena de 4 $ rs., de multa, ou dois dias de prisão. 
                
                
Nem a igreja estava fora do Código, pois no mesmo previa: 
                
Artigo 5º - O administrador dos bens patrimoniais de Santa Luzia desta vila mandará, no mês de agosto, limpar no espaço de três braças, os matos que estiverem em roda da igreja, sob pena de ser multado em 4$ rs., todas as vezes que faltar a sua obrigação. 
                
Artigo 24º - É igualmente proibido dar-se ritos a qualquer hora dentro da vila e povoações do município, salvo nas festividades da igreja, devendo em um e outro caso proceder licença da autoridade respectiva. Os contraventores sofrerão 4$ rs., de multa ou 2 dias de prisão. 
               
Foi esse, em resumo, o primeiro Código de Postura sancionado por Bernardo de Passos, presidente da Província do Rio Grande do Norte, por S.M. o Imperador a quem Deus guarde, etc., no Palácio do Governo do Rio Grande do Norte na cidade do Natal, com data de 18 de julho de 1855, trigésimo quarto da Independência e do Império.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:
http://www.blogdogemaia.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Moção Sabino Bassetti

Por: Wescley Rodrigues
 

Caros(as),

Abaixo segue a moção de apoio do pesquisador Sabino Bassetti em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Cordialmente
Prof. Wescley Rodrigues

Sabino Bassetti

Salto – SP, 10 de julho de 2013.

 Exmo. Prefeito do Município de Nazarezinho - PB, Sr. Salvan Mendes Pedrosa,

Eu, José Sabino Bassetti, pesquisador sobre o cangaço e amante da história nordestina, em apoio ao Grudo de Estudos do Cangaço do Ceará - GECC, a outros pesquisadores e entidades, venho pedir as autoridades competentes deste município, o empenho na restauração da casa de Chico Pereira localizada na Fazenda Jacu.

O imóvel acima referido faz parte da rica história nordestina, sendo protagonista de tão importante movimento social, destacadamente na região.

A restauração do imóvel acima citado, seria um marco positivo na sua gestão, e muito ajudaria a manter viva uma história de tanto valor histórico cultural.

Peço encarecidamente sua máxima atenção ao referido assunto, e antecipadamente agradeço em nome de todos.

José Sabino Bassetti
Escritor e Pesquisador

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

ZÉ OLÍMPIO, ZÉ DE JULIÃO, A PRÉ-ESTREIA NO CINEMA DO CABRA DE LAMPIÃO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

ZÉ OLÍMPIO, ZÉ DE JULIÃO, A PRÉ-ESTREIA NO CINEMA DO CABRA DE LAMPIÃO 

Aracaju, 10 de julho de 2013. Noite fria, chuvisquenta, já passava das seis e meia da noite quando cheguei pelos arredores do Cine Vitória, na Rua do Turista, centro da capital sergipana, para assistir à pré-estreia nacional do filme “Aos ventos que virão”, do premiado cineasta Hermano Penna. Amanhã a exibição será na Praça de Eventos da cidade de Poço Redondo, a partir das oito da noite. E justo que seja assim. Mais adiante direi por quê.

Desde muito que eu esperava por esse momento, ansiava para ver na tela a história baseada na saga de José Francisco de Nascimento, ou Zé de Julião, ou ainda Cajazeira, alcunha recebida quando, ao lado de sua esposa Enedina, integrou o bando de Lampião. Sua amada acabou sendo uma das vítimas da Chacina de Angico, a 28 de julho de 38. Ele conseguiu e escapar, mas daí em diante viveria outros martírios.

O cangaceiro Zé de Julião
P
or diversas razões esperava a estreia do filme do Penna. Em primeiro lugar, porque abordando a vida de um ex-cangaceiro e seu reencontro com um mundo não menos injusto daquele vivenciado no bando do Capitão; em segundo lugar porque quase totalmente filmado nas terras de meu berço de nascimento, minha querida Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo, ou apenas Poço Redondo, como tantas vezes é citado na película. E contando com a participação de muitos conterrâneos.


Em terceiro lugar - e primordialmente - porque naquele filme e naquela trama estavam muito de meu pai Alcino Alves Costa. Ora, foi ele quem foi buscar nos escondidos da história a saga desse seu conterrâneo e a trouxe, nas letras de primorosa pesquisa, para o conhecimento da geração da desmemória e do esquecimento. Foi ele quem fez reviver Zé de Julião para o mundo e chegar ao conhecimento de Hermano Penna.

Ana Lúcia e Alcino Alves Costa

Com efeito, foi a partir de conversas entre Alcino e o cineasta que este tomou conhecimento da saga desse sertanejo de família abastada, sonhador, e que um dia resolveu entrar para a vida cangaceira como forma de mostrar sua insatisfação com as injustiças e perseguições policiais de então. Ao sobreviver à morte do líder cangaceiro, buscou na política dar voz aos seus anseios de transformação. E pagou com a própria vida o sonho de ser prefeito de seu recém criado município.

O cineasta, que em Poço Redondo filmou o documentário “A mulher no cangaço” (1976) e o premiadíssimo longa “Sargento Getúlio”, ouviu de Alcino aquela história e prometeu que se debruçaria num projeto para transformar em filme as desventuras desse jovem sertanejo. Assim surgia o renascimento, dessa vez cinematográfica, daquele que percorreu os caminhos do idealismo, da vida cangaceira e da política. Chegou a ser candidato a prefeito por duas vezes, e nas duas sendo perseguido e fraudado pelas forças políticas de então. Mas cuja persistência o levaria a ser covardemente assassinado.

Contudo, não é essa história, ao menos na sua inteireza e realidade, que é mostrada no filme “Aos ventos que virão”. É sabido que o cineasta encontrou diversos problemas para levar adiante seu projeto, e dificuldades criadas por alguns familiares do próprio Zé de Julião e também para evitar reacender rixas e suspeitas antigas, vez que as causas do assassinato ainda não foram totalmente reveladas. Todos conhecem a verdade, mas preferem não mexer em palheiro adormecido no silêncio das vinditas.

Os problemas encontrados para filmar fizeram com que Penna modificasse sensivelmente a história. Zé de Julião se transformou em Zé Olímpio; no filme, o seu casamento se dá após o fim do bando de Lampião, quando já estava acompanhado de sua esposa na vida cangaceira; o seu destino sulista é o Rio de Janeiro, mas a película opta por São Paulo; foi candidato a prefeito por duas vezes, quando apenas uma é considerada por Penna; não morreu assassinado na prisão, mas nas caatingas de Poço Redondo, enquanto retornava do sul do país para retomar sua vida política, vez que continuava sendo perseguido pela sua condição de ex-cangaceiro e, principalmente, como forte liderança partidária.

Os que se debruçam sobre a história na tela sem conhecer mais profundamente a verdadeira saga de Zé de Julião, certamente que encontram um filme perfeito, refletindo a maestria do cineasta. Contudo, quem já enveredou pela trama verdadeira sente um pouco de desapontamento. Principalmente porque a história verdadeira é mais bonita e intrigante.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

htt://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://mendespereira.blogspot.como
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Moção Honório de Medeiros

Por: Wescley Rodrigues
Kiko, Wescley, Juliana e Narciso

Caros(as),

Abaixo segue a moção de apoio do pesquisador Honório de Medeiros em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Cordialmente

Prof. Wescley Rodrigues


Natal – RN, 09 de julho de 2013.

Caros senhores,

Se torna desnecessário apresentar uma longa digressão acerca da necessidade da restauração e tombamento da Casa do Sítio Jacu, assim como da necessidade da criação do Museu do Cangaço em Nazarezinho.
            
O fundador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), disse, por mim, tudo quanto eu gostaria de expressar acerca desse assunto.
            
Acrescento, apenas, algo muito particular constatado por mim, na condição de quem passou pelo serviço público em cargos de ponta tanto em nível federal, quanto estadual ou municipal, se me é permitida essa imodéstia, qual seja que nada é tão relevante, no sentido de firmar o nome do gestor público para o presente e a posteridade, quanto seu compromisso com a cultura.
            
As obras passam e deixam no ocaso, em curto espação de tempo, aqueles que as empreenderam. A cultura, entretanto, é algo vivo, dinâmico, que se recicla e perpetua, sem deixar de expressar, em todos os seus instantes, os nomes dos que a ela se dedicaram.
            
Não por outra razão na Europa e nos Estados Unidos há grandes museus, galerias, festivais de arte e música com o nome de seus instituidores, permanentemente lembrados pelo ávidos consumidores de cultura - algo muito próprio dos dias atuais.
            
Então vamos nos dar as mãos e construir cultura para a história, construindo história para a cultura.

Prof. Me. Honório de Medeiros
Escritor e Advogado

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Wescley Rodrigues

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CANGAÇO - III (Artigo)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

  
Nesse passo, não há que se negar que a rebeldia cangaceira se manteve atuante por tanto tempo, com as vitórias e reveses próprios de toda luta, porque teve a colaboração de uma rede de poder então estabelecida. Eis que o cangaço foi amigo do coronel, do latifundiário, da autoridade política, de gente com grande influência no sistema dominante. E dizem que até mancomunado com o seu algoz perseguidor, que era a volante, através de seu comando. Daí o seu poder de continuidade de luta em situações tão adversas e em meio tão inóspito.

O cangaço, pois, principalmente o bando de Lampião, foi auxiliado por gente muito poderosa. Inegável que o Capitão possuía uma rede de influência de inestimável valia. O próprio Padre Cícero Romão, o Padim Ciço de Juazeiro, havia, em nome da Guarda Nacional e com a pretensão de combater a Coluna Prestes (o que jamais aconteceu), lhe outorgado a patente que ostentava. Mantinha contatos, através dos seus amigos coronéis, com as lideranças governamentais e políticas. Não se pode negar que o poder também agia com cumplicidade na questão cangaceira.


Logicamente que era uma relação das mais perigosas, entremeada de falsidades e delações, num verdadeiro jogo de proteção e espionagem. Mas nem todos agindo com traição, ainda que muitos fizessem o jogo duplo. Na verdade, Lampião possuía um pacto tão forte com a oligarquia que bastava enviar uma missiva por um dos coiteiros e tudo o que desejava era providenciado. Quando a coisa era pouca, logo chegava um carregamento de armas e munições, dinheiro vivo e tudo mais que o bando precisasse. Mas se a urgência era pra resolver problema maior, então o coronel passava a interceder perante as outras autoridades.

Não há como pensar diferente. O grupo comandado por Virgulino não era pequeno e nem vivia sempre escondido nas brenhas sertanejas, de modo que não pudesse ser encontrado e dizimado pelas forças policiais. Por mais que trilhassem veredas de difícil descoberta, certamente que os seus perseguidores conheciam seus coitos e esconderijos. Neste aspecto, também se diga que o sertanejo amedrontado também delatava o bando. Havia os amigos fiéis e as falsidades em cada canto.

Desse modo, se o bando de Lampião, por exemplo, não teve o seu fim antecipado, isto se deve à proteção que possuía das autoridades e poderosos. Ora, numa estrutura hierárquica de mando, bastava que um coronel dissesse que na sua região não admitia perseguição ao bando do Capitão que toda força policial freava o seu passo. Sem esquecer também da possível amizade havida entre o líder perseguidor e o líder dos perseguidos. Acho tal hipótese pouco provável, principalmente diante do ocorrido em Angico naquela madrugada sangrenta. Mas enfim.

No conceito do cangaço, entretanto, certamente seria descabido afirmar acerca do cotidiano da luta por entre veredas espinhentas, em meio às armadilhas da mataria, debaixo da lua bonita e do sol inclemente. A vida cangaceira em si era muito mais difícil do que se possa imaginar. É fantasioso pretender caracterizar um cotidiano de perseguições, ataques, defesas, contra-ataques, temores, absoluta vigilância e desconfiança de tudo, como algo romântico e atrativo. Muito pelo contrário, a realidade vivenciada era de extremo espanto, ainda que a vida de vez em quando encontrasse espaço para a cantiga matuta, a celebração da existência e os amores escondidos.

Mas até quando iria essa luta inglória? Até quando o bando de Lampião continuaria, ao modo do preá e do bicho afoito do mato, correndo de lado a outro, trilhando veredas catingueiras e fugindo das arapucas para sobreviver? Muitos estudiosos afirmam, e também vejo como verdade, que o Capitão já estava cansado disso tudo. Não desistido, não derramado o balaio de sonhos impossíveis, mas simplesmente compreendido que já estava na hora de descansar. Talvez de vez em quando olhasse para os seus, para os tantos meninos e meninas ainda na flor da idade, e pensado quanto era injusto e cruel continuar naquela vida de contínuo desassossego. Era demasiada inquietação em tudo que se fazia. Um sofrimento infindo.

Talvez também o Capitão soubesse que jamais sairia vivo da mata sertaneja, que jamais poderia ter outra vida senão de arma na mão, de olho atento à moita adiante, na desenfreada correria pela sobrevivência. E, se assim pensou, também percebeu que não adiantava mais sair de um refúgio a outro. Pressentindo que o seu fim estava próximo, vez que os céus sertanejos pressagiam as coisas da vida e da morte, ali na Gruta do Angico permaneceu esperando a vela ser acesa. Foi acesa, deu estampidos e se apagou. E também o Lampião.

Mas voltemos ao problema da justa e abrangente conceituação do cangaço. Foi dito que a conceituação deve envolver alguns aspectos essenciais para a compreensão do seu contexto. Apontei, dentre outros fatores, algumas premissas que devem ser observadas, e que foram o fato gerador ou o ponto de nascedouro do cangaço, as motivações para o seu surgimento e existência, e, por último, o seu significado no contexto histórico brasileiro.


Do mesmo modo, foi observado que o fato gerador foi a eclosão no sertanejo de sua força de indignação e revolta. Chegou ao ponto de insuportabilidade, e daí em diante se deu o início da luta armada. Contudo, foram as motivações que levaram à insuportabilidade. E tais motivações foram apontadas como sendo, dentro outras,  as perseguições, as injustiças sociais, rixas particulares e indignações contra o sistema estabelecido. Por último, na tentativa de estabelecer o seu significado, foi dito que o cangaço, diante das relações que manteve com o poder, alcançou a relevância histórica que mantém até hoje.

Mas se não foi nem movimento nem fenômeno, o que teria sido o cangaço? Se não deve ser caracterizado como banditismo nem como um reles covil de brutais assassinos, qual a melhor feição a lhe ser dada? Difícil asseverar com precisão, mas creio que uma insurgência armada levada adiante por rebeldes sertanejos contra o sistema estabelecido. Tanto diante do poder pessoal, gerador de disputas internas, como do poder governamental. Este injusto e escravizador.

Mas que não se tenha como conceito. Esta missão confiarei aos estudiosos e pesquisadores. Sou incapaz de fazê-lo com precisão. Sou apenas um matuto de Poço Redondo, filho de um caipira também de lá, de Alcino Alves Costa, o Caipira de Poço Redondo. Este sim, este soube refletir e analisar com maestria o mundo cangaceiro.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 
http://mendespereira.blogspot.como
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

MOÇÃO ANA PAULA

Por: wescley Rodrigues
Wescley Rodrigues

Caros amigos(as),

Segue em anexo a moção de apoio da pesquisadora Ana Paula, em prol do tombamento e criação do museu do cangaço na cidade de Nazarezinho.

Atenciosamente

Prof. Wescley Rodrigues

Juazeiro do Norte, Ceará, 09 de julho de 2013

Exmº. Sr. Prefeito Salvan Mendes e vereadores
Do município de Nazarezinho, Estado da Paraíba,

Na contemporaneidade mais do que nunca devemos fazer com que a história do cangaço seja difundida, haja vista, este foi um dos períodos mais conturbados da história do Nordeste brasileiro. Falar do cangaço é expressar nossa cultura, pois o legado cultural deixado por homens e mulheres dos sertões nordestinos é enorme. De modo algum o cangaço foi apenas violência. Do cangaço herdamos a indumentária do homem valente que enfrenta as adversidades dos sertões; herdamos a música e a dança; herdamos a medicina popular; herdamos uma culinária típica do nosso Nordeste; herdamos a ousadia de homens e mulheres que desafiaram as estruturas de uma sociedade patriarcal, coronelística, elitista, paternalista e acima de tudo desigual.


O cangaço faz parte de nossas vidas, representando nossa própria identid ade, sendo assim não podemos deixar à margem uma história de tamanha relevância. É imprescindível conhecermos cada vez mais o legado dos cangaceiros que a seu modo fizeram “justiça”. Mais do que nunca é fundamental nos debruçarmos sobre a história do cangaço que sem dúvida alguma ainda possui muito a ser desvendado. Nos quatros cantos do Nordeste o cangaço se fez presente e com bastante peculiaridade cada estado desta região tem um legado cultural e histórico a ser contado através das inúmeras temáticas abordadas pelos mais diferentes pesquisadores. Sejam historiadores, sejam antropólogos, sejam economistas, sejam sociólogos, sejam geógrafos, todos buscam trazer à tona a história intrigante do cangaço.


Desta maneira, o estado da Paraíba não pode ficar à margem e, por isso é crucial o tombamento da casa do cangaceiro Chico Pereira, localizado no Sítio Jacu, no município de Nazarezinho, no estado da Paraíba. Além do tombamento desta valiosa casa é necessária ainda a construção de um museu para tornar a história do cangaço ainda mais conhecida, admirada e, consequentemente levar um número maior de pesquisadores a escrever sobre esta dinâmica história, a qual mesmo de depois de tantos anos continua chamando nossa atenção. Com o tombamento e a construção do museu o município de Nazarezinho só tem a ganhar com o turismo-histórico-cultural que irá crescer significativamente, isto sem falar no maior e mais importante aspecto que é o conhecimento aprofundado da história do cangaço no estado da Paraíba, legando a nossos jovens o ingresso em cursos universitários tais como: história, geografia, sociologia, letras, artes, entre tantos outros. Portanto, pedimos aos Podres Executivo e Legislativo municipal de Nazarezinho, localizado no estado da Paraíba que se sensibilizem com esta causa que é mais do que justa!


Saudações,
Ana Paula Monteiro Martins
Graduada em História pela Universidade Regional do Cariri-URCA Especialista em História do Brasil/ URCA
Pesquisadora do Coronelismo nas cidades de Crato e Juazeiro do Norte, Ceará.


Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Wescley Rodrigues

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Iniciativa do professor Wescley Rodrigues

Por: Antonio José de Oliveira
Antonio José de Oliveira

Caro Mendes:

Como registrei anteriormente (e que você atenciosamente postou), a iniciativa do jovem professor 

Wescley Rodrigues, Paulo Gastão e a professora Ana Lúcia

Wescley Rodrigues com referência ao tombamento e reforma da velha casa de Chico Pereira, é de grande importância, não para fazer apologia à violência, como ele mesmo deixou claro, mas para não ficar no esquecimento os fatos ocorridos nas nossas terras sertanejas.

Veja que outros grandes pesquisadores estão dando apoio à iniciativa, e creio que o ilustre prefeito e a  câmara de vereadores da Cidade de 


Chico Pereira vão sensibilizarem-se e atender a solicitação desses estudiosos do cangaço. Cangaço esse, que não queríamos que acontecesse, mas como diz o escritor Rangel Costa, os fatores foram muitos para o surgimento do fenômeno - cangaço.

Grato,
Antonio José de Oliveira
Povoado Bela Vista - Serrinha - Ba.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Baseado na saga de Zé de Julião...

“Aos Ventos que Virão” será lançado hoje em Sergipe


Sinopse: Poço Redondo, 1938. A pequena cidade do interior de Sergipe entra inadvertidamente para a história como o palco da morte de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. Junto com ele, morrem também o Cangaço e toda uma era da História do Brasil. E inicia-se a perseguição dos cangaceiros remanescentes, agora sem líder, nem direção.

Zé Olímpio (Rui Ricardo Diaz) é um destes cangaceiros. Ele sabe que não terá um minuto de paz enquanto o Sargento Isidoro (Edlo Mendes) estiver em seu encalço. Para ele, a única saída é abandonar a fazenda de sua família e tentar vida nova em São Paulo. Ao lado da esposa Lucia (Emanuelle Araújo) , Zé Olímpio engrossa o coro dos milhões de nordestinos que migram para o sudeste brasileiro e conseguem umemprego na construção civil.

Agora, Zé Olímpio começa outras lutas. Contra o preconceito, o subemprego e a intolerância. E onde a construção de Brasília pode despontar como uma nova esperança.
Esperança que o leva a entrar na política e viver as consequências da fragilidade de nossas instituições que fazem da justiça um mero sonho voltado… aos ventos que virão.

Com duas datas já programadas para a pré-estreia e lançamento em Sergipe, “Aos Ventos que Virão” (direção e roteiro de Hermano Penna) será exibido em Aracaju e no município de Poço Redondo nos dias 10 e 11 de julho, respectivamente.  Em Aracaju – o lançamento acontecerá no Cine Vitória, às 19h e no município de Poço Redondo, será realizada na Praça de Eventos, às 20h.

Além da presença do diretor Hermano Penna, estão confirmados: o ator Rui Ricardo Diaz (que faz o papel de Zé Olimpio e também protagonizou o personagem principal em Lula, O Filho do Brasil ); a atriz Emanuelle Araújo (no papel de Lúcia, esposa de Zé Olímpio); Luiz Miranda (como Nêgo de Rosa); Orlando Vieira (como Zé de Antão) além de membros da equipe que ajudaram na realização do filme.

O filme que teve diversas cenas gravadas no sertão sergipano e trata da trajetória do ex-cangaceiro “Zé Olímpio”.  O diretor que tem intimidade com as paisagens e histórias dos sertões e interior Brasileiro – um dos seus clássicos “Sargento Getúlio” também foi filmado Sergipe adentro – considera importante lançar o filme não só em Aracaju como  no município de Poço Redondo, pois será um retorno a toda comunidade que participou do filme.  O personagem central da trama, Zé Olimpo, migra para São Paulo após sobreviver ao cangaço e depois de um tempo decide entrar para política. O contexto do filme nas décadas de 40 e 50 marca também a construção de Brasília e as esperanças que eram provocadas no imaginário popular. A película conta ainda entre elenco diverso como Edlo Mendes (no papel de Sargento Isidoro); Gideon Rosa (Filemon) e  atores sergipanos.

 
Rui Ricardo Dias na pele do cangaceiro "Cajazeira".

Um mosaico de memórias e histórias escutadas  em andanças pelo universo do sertão.  Essa é apenas uma das possíveis definições do diretor Hermano Penna para “Aos Ventos que Virão”. E um desses fragmentos tem no cerne na história do ex-cangaceiro Zé de Julião.

Trechos de uma entrevista com Hermano Penna:


Aquela primeira pergunta que todos fazem: Como surgiu a ideia do filme “Aos Ventos que Virão”?´

Hermano Penna – A primeira ideia de fazer este filme eu tive quando comecei a realizar “A Mulher no Cangaço”, em Poço Redondo, isso em 1976. Foi quando conheci o historiador Alcino Alves, que me contou a história de um certo Zé de Julião, que foi o cangaceiro Cajazeira, do bando de Lampião, subgrupo do bando de Zé Sereno.

Trata-se de uma história oral, que na época não constava em nenhuma literatura. Ele e Enedina, sua mulher, formaram o único casal legalmente casado da história do Cangaço. Zé de Julião era filho do maior fazendeiro da região e Poço Redondo, alto sertão sergipano, o que derrubou de uma vez por terra a tese que o Cangaço era apenas um fenômeno das camadas pobres e do pequeno lavrador revoltado. Hoje sabemos que tinha até neto de barão entre os cangaceiros.

Após a tragédia de Angicos (na qual morreram Lampião, Maria Bonita, e outros cangaceiros, inclusive Enedina) e o fim do cangaço, Zé de Julião sai do cangaço e vai retomar a vida. Mas por ódio, por vingança e pelo ouro que os cangaceiros haviam amealhado, ele passa a ser perseguido. Foge para o Rio de Janeiro, e mesmo sendo letrado – fato raríssimo em todo o Cangaço – vai trabalhar na construção civil. Primeiro como ajudante de pedreiro, depois como mestre de obras e por fim como um pequeno empreiteiro. Retorna ao sertão para assumir a herança deixada pelos pais. Com o tempo engessa na política e vive intensamente suas contradições.


O seu personagem, Zé Olímpio, é baseado neste Zé de Julião?

Hermano Penna – Num primeiro momento era, mas com o tempo foram feitos tantos tratamentos de roteiro que hoje, no máximo, podemos dizer que alguns episódios do filme são fatos reais, e apenas alguns deles vividos por Zé de Julião. “Aos Ventos que Virão” é um mosaico de lembranças pessoais e de muitas histórias escutadas em andanças e vivências. A do Zé de Julião é apenas uma destas histórias.

Só para dar uma ideia, o primeiro tratamento de roteiro foi aprovado pela Embrafilme em 1982. Fui fazendo vários tratamentos de roteiro, cada vez mais abandonando a história real de Zé de Julião, e cada vez mais incorporando as minhas próprias imagens, vivências e ideias do sertão. O filme é uma mistura de memórias… das minhas e das deste cidadão. Especificamente sobre o Zé de Julião, estou fazendo um documentário que vai se chamar “Muito Além do Cangaço”.

 

Mas o filme começa exatamente quando o Cangaço acaba. Não é um filme sobre Cangaço.

Hermano Penna – Exatamente, não é sobre o Cangaço nem sobre cangaceiros. Sempre evitei marcar o filme com símbolos visuais que o ligasse a um regionalismo tradicional, e principalmente ao Cangaço. O filme dialoga com o fracasso histórico de nossas instituições em construir uma ordem social que contemple, através da justiça para todos, a plena cidadania. Sei que só os mais atentos espectadores terão essa leitura do filme, mas creio também que é da opacidade da obra de arte que surgem as mais ricas e variadas leituras.

Os lançamentos contam com o apoio do Governo de Sergipe, secretarias de Estado da Comunicação e da Cultura e Banese.

Pesquei no: Portal Infonet
e no Blog do Filme

http://lampiaoaceso.blogspot.com

terça-feira, 9 de julho de 2013

CENTENÁRIO DE JOÃO GOMES DE LIRA: NAZARÉ COMEMORA E HOMENAGEIA UM GRANDE VULTO NORDESTINO

O historiador João de Sousa Lima e João Gomes de Lira

    Nazaré do Pico, Floresta, Pernambuco, comemora o centenário de João Gomes de Lira.


    João Gomes foi um dos grandes combatentes do cangaço, fez parte da volante dos famosos "Nazarenos".

O evento acontecerá dia 13 de julho de 2013.

Haverá uma mesa redonda no Clube Recreativo, as 14:00 hs com os palestrantes:

João de Sousa Lima (Paulo Afonso-Ba)
Antonio Vilela (Garanhuns-Pernambuco)
Paulo Moura (Recife-Pernambuco).

As 17:00 hs será inaugurado um busto em homenagem ao João Gomes.
as 19:00 hs acontecerá uma missa e as 22:00 hs o encerramento terá uma festa na praça.

 
João Gomes de Lira com sua farda que tanto a amou.

Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima

http://www.joaodesousalima.com/

Moção Narciso Dias

Por: Wescley Rodrigues

Caros(as),

Abaixo segue a moção de apoio do Presidente do Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, Narciso Dias, em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Cordialmente

Prof. Wescley Rodrigues


João Pessoa – PB, 09 de julho de 2013.

Venho através desta, solicitar o empenho das autoridades do executivo da prefeitura da cidade paraibana de Nazarezinho, no restauro da casa grande da fazenda Jacu, a qual é berço de nascimento de Francisco Pereira Dantas o "Chico Pereira," o qual lutou com todas as forças ansiando por justiça, até enveredando pelas hostes cangaceiras no intuito de preservar a honra da família, onde teve o pai assassinado nos idos dos anos 20. Chico Pereira tornou-se ícone de grande relevância na história nordestina e do Brasil. Como pesquisador e leitor assíduo da literatura cangaceira vemos que em diversos livros inerentes ao tema mencionam a trajetória desse sertanejo paraibano.

Portanto, em participação no Parahyba Cangaço em 16/06/2013, constatamos as atuais condições físicas das dependências da casa da fazenda Jacu, onde requer um restauro urgente naquela edificação.

Durante as palestras onde o prefeito de Nazarezinho o Sr. Salvan Mendes e o presidente da câmara de vereadores prestigiavam o evento demonstraram interesse em verificar as reais condições junto a pasta de infraestrutura do município em se empenharem na conservação desse patrimônio histórico,  e deixou os participantes confiantes e honrados ao verem os chefes do executivo local sensíveis com a elaboração desse projeto. A casa centenária da família Pereira Dantas merece ser restaurada para que sirva de estudos e conhecimentos históricos, com a criação de um museu e uma biblioteca inseridos na secretaria de educação e cultura, para que a juventude local e circunvizinhas bem como aos estudiosos de toda parte do Nordeste e do país possam acrescentar no roteiro de pesquisas a inserção do referido município. Acreditamos na sensibilidade das autoridades, pois, com esse feito deixarão para posteridade um marco histórico para o município de Nazarezinho.
Um cordial abraço!

Narciso Dias
Presidente do GPEC (Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço) e
Conselheiro do Cariri Cangaço.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Wescley Rodrigues

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

CANGAÇO - II (Artigo)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

 CANGAÇO - II (Artigo)

Na verdade, existem muitas obras que realmente procuram adentrar no cerne do fenômeno para compreendê-lo e explicá-lo. Mas há um porém nisso tudo. Por que, até o presente, não há um entendimento mais generalizado e mais coerente sobre o cangaço? Ora, não se trata de uma história que possa ser contada segundo o desejo ou a tendência do pesquisador. No cangaço, ou foi ou não foi, e está acabado. O problema todo reside no fato da desconstrução do conhecido para forjar o surgimento do duvidoso.

Mas devemos reconhecer que não é tarefa fácil empreender um estudo mais aprofundado sobre o cangaço. O próprio conceito, até hoje, ainda não foi delimitado, ainda não se chegou a um consenso sobre o que realmente foi, o que objetivou e qual o seu significado. Para se ter uma ideia, basta folhear alguns livros ou enciclopédias para encontrar conceitos ora afirmando ter sido o cangaço um movimento social, ora um tipo de reles banditismo, ou ainda um virulento grupo de homens armados, dentre outras acepções.

Um destes conceitos diz que o cangaço foi um fenômeno social ocorrido no Nordeste brasileiro, de fins do século XIX até 1940, motivado pelas condições político-sociais peculiares da região, tais como a estrutura feudal da propriedade agrária e o atraso econômico. Caracterizou-se pelo aparecimento de grupos de bandoleiros errantes, que percorriam o sertão saqueando fazendas e cidades e lutando contra bandos rivais e polícia. Assim está no verbete da Enciclopédia Universal Gamma.


Outra conceituação recorrente diz que o cangaço é fruto do cenário de seca, fome, concentração de terras e mandonismo instalados no Nordeste brasileiro. E cita que as lutas entre famílias poderosas motivo o uso de armas, fato que ficou conhecido como cangaço temporário. No passo seguinte, a violência deixa de ser gerada por guerras particulares para se transformar no que se tem por cangaço permanente. Contudo, não vejo com correção que se pretenda dividir o cangaço em temporário e permanente, ou mesmo noutras divisões. E também errôneo, vez que as rixas entre famílias poderosas não devem ser vistas como gestação cangaceira. A não ser pelo uso do jagunço sertanejo para resolver os problemas de sangue.

Já outra conceituação, esta voltada para a origem do termo cangaço, afirmando que este é o conjunto de armas que costumam conduzir os bandoleiros nordestinos. Sinônimo de banditismo, de celeramento, de atrocidade, o nome cangaço vem de canga, porque o bandoleiro antigo se enchia de armas, trazendo o bacamarte passado sobre os ombros como uma canga; e, assim, se dizia que andava debaixo do cangaço.

Há ainda definições colocando o cangaço como sendo um movimento social ocorrido no sertão nordestino durante o fim do século XIX e início do século XX; como um fenômeno nordestino integrado por nômades que usavam violência para cometer crimes na região; como um bando de homens armados conhecidos como cangaceiros; como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros, que andavam armados e espalhando o medo pelos sertões.

E, ainda, a concepção do cangaço como um tipo de luta armada ocorrida no sertão nordestino até os anos 40 do século passado, contando com grupos de homens armados que vagueavam pela região em busca de meios de sobrevivência e enfrentando poderosos com o uso de armas e desmedida ferocidade.  Por fim, como um tipo específico de banditismo que se desenvolveu no sertão nordestino, levado a efeito por cangaceiros - bandos de malfeitores, ladrões, assassinos, bem armados, conhecedores da região -, que assolavam e destruíam, impunemente, tudo por onde passavam.

Concepções desse tipo, aproximadas ou muito distantes da realidade, somente surgem pela falta de uma conceituação geral e consensualizada proporcionada pelos próprios pesquisadores e estudiosos. Mas não, o que se verifica são abordagens tão diferenciadas que acabam permitindo interpretações as mais contraditórias possíveis. E muitas, infelizmente, tratando o cangaço sob a ótica do puro banditismo ou da sangrenta marginalidade. Ora, há muito mais nessa teia que a aranha sedenta de sangue. Não se pode esquecer o casulo das injustiças alimentando a prática.

Creio que a conceituação do cangaço, pois, deve alcançar, em primeiro lugar, a sua visualização como um caso peculiar de força maior. Um inevitável acontecimento. Ou eclodia ou eclodia. Não foi movimento porque não nasceu organizado; não surgiu como fenômeno porque já estava enraizado. E também não foi uma reles expressão do banditismo, a não ser que se tenha como bandido comum o sertanejo que se embrenha nas caatingas para lutar, ainda que não saiba realmente contra quem ou o que.  É, pois, na sua raiz que o cangaço deve ter o seu conceito iniciado. Ora, não se encontra outra motivação para o seu surgimento senão como um inevitável acontecimento, e fruto de uma força maior.

A força maior que serviu como estopim já estava semeada no sertão nordestino. E com grãos diferenciados. Foi a junção desses grãos, então denominados perseguições, injustiças sociais, rixas particulares e indignações contra o sistema estabelecido, que acendeu a chama do pavio. E na mão de um condutor, um homem vitimado por tais mazelas, a chama logo se transformou em fogueira. E isto desde o seu início nos tempos de antanho, pois quando Lampião entrou na luta, lá pelos inícios da década de 20 do século passado, a estrada já havia sido percorrida por outros bandos. No caso do Capitão, à persistência daquelas mazelas se somaram rixas familiares e acusações crimonosas. Outro estopim, e o mais violento de todos.

Desse modo, tem-se até aqui o estopim ou a força maior diante da insuportabilidade frente às mazelas de então como fato gerador e suas motivações. E se daí em diante a vida dos rebeldes passou a ser no meio do mato, de vez em quando fazendo investidas nas povoações e propriedades, sendo perseguidos pela polícia, revidando e fugindo de novos ataques, tem-se então o terceiro ponto da conceituação: a vida errante em meio a perseguições e ataques.

Nesse entremeio, contudo, muitos outros fatores poderiam ser observados, tais como as características da liderança cangaceira, os pactos firmados entre os ditos bandoleiros das caatingas e poderosos, a arregimentação de novos elementos ao bando, as estratégias e planos, as influências na vida sertaneja, as ações cangaceiras em si. Mas não serviriam num conceito sintético, e sim num estudo mais aprofundado.
Tais entremeios devem dar lugar, pois, ao modo como se manifestou durante sua existência. E as consequências enfrentadas pelos rebeldes das caatingas todo mundo conhece. O que aconteceu em 38 na Gruta do Angico é o exemplo mais célebre do fim do ciclo cangaceiro. Os primeiros grupos cangaceiros, ou rebeldes primitivos, no dizer de Hobsbawn, também não suportaram a continuidade da luta e tiveram o seu inexorável fim.


O terceiro e último aspecto que não pode faltar numa conceituação diz respeito ao seu significado. O que a armada rebeldia sertaneja representou historicamente? Qual a contextualização do cangaço dentro da vida social e política brasileira? O cangaço refletiu, ao menos em parte, as veladas contestações sociais de então? A existência do cangaço foi importante ou não, e a que serviu? Por que a realidade cangaceira é tantas vezes transformada em substrato mítico?

Logicamente que tais respostas não caberiam numa síntese conceitual. Mas podem ser sintetizadas para possibilitar uma visão geral do seu significado. Então, sinteticamente, qual o significado do cangaço? Eis a questão. Com uma resposta, porém. E tal resposta no sentido de afirmar que o significado maior do cangaço foi ter se contraposto ao sistema vigente com o auxílio do próprio sistema, e este representado pelas autoridades e poderosos.

Continua...

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 
http://mendespereira.blogspot.com
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

Apoio à restauração na casa do cangaceiro Chico Pereira

Antonio José de Oliveira

Caro Wesley Dutra:

Nada mais justo que a ideia de você em restaurar e transformar a casa de Chico Pereira em um museu. 


É uma ideia que merece apoio nem só dos conterrâneos como de tantos outras pessoas que conhecem a história do cangaço, mesmo eu que resido tão distante.

Grato, 
Antonio José de Oliveira 
Povoado Bela Vista-Serrinha-Ba. 
email: antonioj.oliveira@yahoo.com.br
Comentário

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://sednemmendes.blogspot.com
http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Tenente Zé Rufino

Foto

Este é o tenente Zé Rufino. Segundo ele exterminador de vários cangaceiros.

Segundo o pesquisador do cangaço Guilherme Machado Zé Rufino morria de medo do seu amigo Lampião, e do comando militar da Bahia, com medo de perder o posto de tenente de volante, dado a ele por "fazendeiros coronéis" da região.

 O cangaceiro Corisco

Matou covardemente o cangaceiro Corisco que já estava doente e com os braços podres e já se encontrava fora do cangaço há 2 anos. 

Depois deste feito o oficial José Rufino tornara-se rico fazendeiro, com direito à patente de coronel de Jeremoabo, na  Bahia.

Fonte: página no facebook do pesquisador Guilherme Machado

http://blogdomendesemendes.blogspot.com