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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A IMPONENTE BORDA DA MATA E SEU COMANDANTE, ANTÔNIO CAIXEIRO

Por Manoel Severo
Fazenda Borda da Mata em Canhoba, Sergipe

Todas as andanças por entre os territórios pisados e vividos pelos reis das caatingas são preciosos. Cada cenário e; uns mais que outros; dependendo de seu peso e sua memória e o quanto contribuiu para o momento histórico se tornam emblemáticos. Chegamos em Sergipe, uma das "capitanias hereditárias" do rei do cangaço, Virgulino Ferreira da Silva em seu segundo reinado.

Era o dia 20 de janeiro de 2018, um sábado ensolarado e quente, partimos de Aracaju ainda pela manha, ao lado dos pesquisadores Archimedes e Elane Marques rumo ao município de Canhoba, a 125 km da capital sergipana, terra do enigmático e poderoso coronel Antônio Ferreira de Carvalho, ou: Antônio Caixeiro.

 Sob as bençãos do Cruzeiro da Borda da Mata, a imensidão das terras que um dia foram o feudo de Antônio Caixeiro
Manoel Severo e Archimedes Marques na Borda da Mata

Quem estuda cangaço e se debruça sobre a historiografia desse fenômeno no estado de Sergipe, terá em Antônio Caixeiro e seu filho Eronildes Carvalho, dois de seus mais destacados personagens. A partir de 1929 quando Lampião atravessou o rio São Francisco iniciando um novo ciclo em sua vida fora da lei, os contatos com a família e o poder dos Carvalho, de Canhoba, tendo a frente o patriarca Antônio Caixeiro vieram a ser determinantes para os novos rumos tomados pelo rei cego.

Não raramente vamos encontrar episódios marcantes acontecidos em terras abençoadas pelo potentado sergipano de Canhoba. Suas propriedades, notadamente as famosas fazendas, “Borda da Mata” e "Jaramataia" eram pouso comum dos vários grupos cangaceiros comandados por Virgulino Ferreira da Silva. Eram perto das 10 da manha quando enfim chegamos ao centro do município de Canhoba, dali mais quinze minutos em estrada de terra batida, aportaríamos na lendária e imponente fazenda Borda da Mata.

Coronel sergipano Antônio Caixeiro em foto do acervo de Lauro Rocha
No vilarejo defronte a fazenda Borda da Mata, a praia fluvial no São Francisco
 Ingrid Rebouças e a vista do rio São Francisco a partir de um dos cômodos da fazenda Borda da Mata

Vamos recorrer ao Mestre Alcino Alves Costa para entender a ligação de Virgulino Ferreira com Sergipe e seus coronéis: " Foi em Sergipe que Lampião alcançou o maior apogeu de sua vida bandoleira. Foi o coronel dos coronéis; foi soberano, temido, respeitado por todas as autoridades; amigo dos homens mais influentes do Estado. Poderosos senhores, tais como os coronéis Hercílio Britto; Antônio Caixeiro, que era o pai de governador de Sergipe, Eronildes de Carvalho; era amigo dos famosos fazendeiros da Serra Negra, Pinduca e João Maria, ambos eram irmãos do temido tenente Liberato de Carvalho, famoso militar do exército brasileiro que caçava tenazmente os grupos bandoleiros e fez parte do histórico “Fogo da Maranduba”, em janeiro de 1932; e muitos outros homens de enorme importância e influência na terra sergipana."

E continua Alcino:"O poder de Lampião era tão grande que ele teve a ousadia de dividir partes do Estado de Sergipe nos moldes das antigas sesmarias, colocando seus principais homens, como se fossem sesmeiros, à frente de vastas glebas de terras, por exemplo: na região que compreende os municípios de Frei Paulo, Carira, em Sergipe, e Paripiranga, na Bahia, o domínio de Zé Baiano; em Porto da Folha, Gararu e N. S. da Glória, o senhor daquelas terras era o cangaceiro Mariano, em Poço Redondo e Monte Alegre de Sergipe, o domínio era de Zé Sereno e em Canindé, o poder estava nas mãos de Juriti."

A imensidão das terras da Borda da Mata em Canhoba
 Nos detalhe da Borda da Mata o registro de uma época e sua gente...

Logo que se chega ao vilarejo do distrito, sendo acompanhado pelas margens do São Francisco se avista de longe a imponente "Borda da Mata" que se agiganta sobre uma pequena e estratégica elevação, de onde certamente seu mandatário mantinha as terras e os homens sob sua vigilância inconteste. A atmosfera do lugar é simplesmente espetacular, sob o testemunho do grande rio e a brisa forte típica da caatinga, estávamos pisando um solo sagrado da historia nordestina.

A edificação hoje em ruínas ainda mantém seu glamour e sua força. A Casa Grande reflete o poderio econômico dos Carvalho, os cômodos se sucedem cheios de detalhes de decoração nas antigas paredes, arcos e fachadas principais, permitindo-nos viajar no tempo e voltar aos idos dos anos 20 e 30 quando de Canhoba a dinastia Carvalho, de Antônio Caixeiro e seu filho, Capitão de Exercito, médico e depois interventor do estado, Eronildes de Carvalho, mandavam em Sergipe.  

Eronildes Ferreira de Carvalho é um dos filhos mais de ilustres de Canhoba.Nasceu na Borda da Mata em abril de 1897. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 20 de dezembro de 1917, filho de Antônio Caixeiro e interventor de Sergipe.


De pé: Ezequiel, irmão de Lampião, Calais, Fortaleza, Mourão e o menino Volta Seca. Sentados : Lampião, Moderno, Zé Baiano e Arvoredo.

O pesquisador Kiko Monteiro nos auxilia e traz o escritor cearense Nertan Macedo que entrevistou o interventor Eronildes de Carvalho justamente quando da primeira passagem de Virgulino ainda em 1929 na Borda da Mata ao lado de 20 homens e foram "anfitrionados" pelo poderoso coronel. "Lampião conhecia “os Carvalho” desde a sua juventude. Quando percorreu a maioria dos caminhos que viria a fazer mais tarde como bandoleiro. Revendendo nas fronteiras de Alagoas e Sergipe, como simples almocreve conheceu a família. E agora já como poderoso chefe cangaceiro, aproveitou para visitar o Coronel. Sabendo do poder do grande comerciante Lampião pediu abrigo e comida, sendo prontamente atendido, onde lhe foi autorizado o abate de rezes etc, mas que seus moradores e contratados não fossem molestados por seus homens."
E continua Kiko Monteiro "Eronildes foi apresentado a Lampião em agosto de 1929, durante os dias em que se restabelecia de uma enfermidade na fazenda Jaramataia propriedade de seu pai no município de Gararu. Algumas biografias dão conta de que esse encontro se deu “antes” de ele estar com Caixeiro. Outras que foi numa visita do interventor até a Borda da Mata. A ordem dos fatores… Em ambas há um mesmo parágrafo: Trocam cumprimentos e o Dr. faz a Lampião uma indagação que entrou para galeria das “máximas cangaceiras: – “Então, como devo chamá-lo, capitão ou coronel? Porque eu também sou capitão e deve haver aqui uma hierarquia – como oficial do exército não posso ser comandado pelo senhor”. Lampião compreendeu a malícia e replicou– “Pois desde já o senhor está promovido a coronel”.
Uma das fotos clássica do Rei dos Cangaceiros, usada muitas vezes como "salvo conduto" foi feita na fazenda Jaramataia pelas lentes de Eronildes Carvalho.
 Neste chão pisaram os poderosos de Sergipe e suas sombras...cangaceiros 
Imagens de uma das partes internas da Casa
A visita à fazenda Borda da Mata ciceronizado por uma das maiores autoridades sobre a historiografia do cangaço em Sergipe; o pesquisador e escritor Archimedes Marques; foi um grande presente para mim, havia muito tempo que desejava conhecer as famosas terras de Antônio Caixeiro e seu filho Capitão Eronildes, fato me proporcionado pelo querido casal Archimedes e Elane. 
Sem dúvidas quando somos privilegiados com momentos como esse não se pode negar o tamanho da emoção e de todas as sensações que nos invadem. Sergipe o menor estados do Brasil em território foi sem dúvidas um dos territórios onde o Rei do Cangaço mais se sentia em casa, perpetuando a partir dali mais 9 anos de vida cangaceira. Para entender melhor a presença do cangaço em Sergipe, teremos no próximo Cariri Cangaço a se realizar em Fortaleza no mês de abril, o lançamento do segundo volume da obra de Archimedes Marques, o magistral "Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe". 

Manoel Severo, 20 de Janeiro de 2018 Canhoba-SE
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SUPOSTA COVA DO CANGACEIRO SABINO

Por Cangaço Nordestino


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O SERTÃO COMO PATRIMÔNIO CULTURAL E AFETIVO NOS GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO

 Por Manoel Severo

Alemberg Quindins e Fabiano Piúba

Nesta próxima sexta-feira, dia 21 de agosto de 2020, pontualmente as 8 da noite teremos mais um espetacular encontro com a verdadeira alma nordestina. O Cariri Cangaço convida a todos para junto com os convidados especiais, Fabiano Piúba; Secretário de Estado da Cultura-Ceara e Alemberg Quindins, fundador da Casa Grande de Nova Olinda -Memorial do Homem Cariri, desbravar os segredos e os encantos do Sertão !!!

"Para mim em particular é uma grande alegria poder receber; ao lado da imensa familia Cariri Cangaço ; estes brasileiros espetaculares, pessoas mais que especiais que ao longo de suas vidas estão dando o melhor de si na construção do que temos de mais digno; a preservação de nossa memória, nossa historia, a valorização da arte, da cultura, e principalmente das pessoas. Meus particulares amigos, os gigantes; Fabiano Piúba e Alemberg Quindins; dois apaixonados pelo dom da vida, dois extraordinários entusiastas da Verdadeira Alma Nordestina." Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço.

Conheça nossos convidados...
  


Fabiano dos Santos Piúba; Doutor em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mestre em História pela PUC/SP e historiador graduado pela UFC. Gestor Cultural, Professor, escritor e poeta do grupo Os internos do Pátio. Secretário da Cultura do Estado do Ceará desde fevereiro de 2016. Foi presidente do Fórum Nacional de Dirigentes Estaduais de Cultura no biênio 2017-2018. Foi Diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura (MinC) entre 2009 e 2011 e no ano de 2014.

No Ministério da Cultura também assumiu a função de Secretário Substituto da Secretaria de Articulação Institucional entre 2008 a 2010 e de Coordenador de Articulação Federativa do Programa Mais Cultura no ano de 2008. No Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe (CERLALC/UNESCO), organismo internacional ibero-americano e intergovernamental, assumiu no período de 2012 a 2013 a Direção de Leitura, Escrita e Bibliotecas. Foi Coordenador de Políticas de Livros e Acervos da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará entre 2005 e 2006, ocasião em que concebeu o projeto Agentes de Leitura e coordenou a Bienal Internacional do Livro do Ceará.
  


Alemberg Quindins; pesquisador, músico, empreendedor social, escritor e artista plástico autodidata. Criador da Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri em 1992 na cidade de Nova Olinda, Ceará. Recebeu comendas de Cavaleiro na Ordem do Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura do Brasil (2004), Medalha do Mérito da Farroupilha pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul – (2007), Comenda João Luiz Ramalho de Oliveira pelo Sistema Fecomércio Ceará (2014), Medalha da Abolição pelo Governo do Estado do Ceará (2017), Título de Dr. Honoris Causa em Ciências Sociais pela Universidade Regional do Cariri – URCA (2018) e Títúlo de Notório Saber em Cultura Popular pela Universidade Federal do Ceará (2019).

Como consultor da Unicef criou os programas de rádio de criança para criança em Angola e Moçambique. Foi gerente de cultura do SESC Rio de Janeiro (2018) e atualmente é assessor de relações institucionais do SESC Ceará. Foi professor do Curso de Pós-graduação em Gestão Cultural Contemporânea do Itaú Cultural e Instituto Singularidades (2017 – 2019) e é professor do Curso de Pós-graduação Latu Sensu em Arqueologia Social Inclusiva pela Universidade Regional do Cariri - URCA e Investigador do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Patrimônio – CEAACP da Universidade de Coimbra – Portugal.


Alemberg Quindins, Manoel Severo e Fabiano Piúba

"Grandes Encontros Cariri Cangaço" 
O Sertão como Patrimônio Cultural e Afetivo". 
Toda a magia do chão de nosso coração.

Fabiano Dos Santos Piúba, Alemberg Quindins e Manoel Severo Barbosa no Canal do YouTube do Cariri Cangaço!
SEXTA DIA 21 AS 20 HORAS.

Faça sua Inscrição, ative as Notificações 

https://cariricangaco.blogspot.com/2020/08/o-sertao-como-patrimonio-cultural-e.html?fbclid=IwAR1DcMN3KZ7zZgNIrbV0NvTQMOhIby54AavPi3BRGLKSmgUNyNuDH7p3C4g

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UM NOVO LIVRO NA PRAÇA

Por José Mendes Pereira

O profesor, escritor e pesquisador do cangaço Honório de Medeiros apresenta a todos os escritores, pesquisadores e estudantes do cangaço que apreciam os estudos cangaceiros,  a sua mais nova obra, com o título "JESUÍNO BRILHANTE O PRIMEIRO DOS GRANDES CANGACEIROS". Fazia alguns anos que não era lançado livro sobre o cangaceiro Jesuíno Brilhante nascido na cidade de Patu, no Estado do Rio Grande do Norte. 

Se você leitor, ainda não conhece as aventuras de Jesuíno Brilhante, o cangaceiro "romântico" (assim o classificou o historiador Câmara Cascudo), não deixa de adquiri esta maravilhosa obra. 

E para este fim, basta entrar em contato com mariasenna1958@gmail.com

O livro custa R$ 50,00 + frete.

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O ARRANCAMENTO DOS OLHOS DO GUIA.



Em 1921 as volantes policiais de Pernambuco e Alagoas estavam no encalço dos cangaceiros liderados por Antônio Porcino. Não os encontrando, resolveram barbarizar o povoado de Mariana em Buíque/Pe, sob o pretexto de este povoado ter dado guarida aos cangaceiros. 

Lá, invadiram casas, roubaram, pilharam, queimaram, torturaram e espancaram, e como não bastasse toda esta violência, arrancaram os olhos de um pobre sertanejo chamado Manoel Garoncio, numa injustificável barbárie, sob a acusação deste ter servido de guia aos cangaceiros, deixando a pequena comunidade em grande pavor, que logo após este fato, fugiu, em sua grande maioria, para Buíque ou para a caatinga, traumatizada com tamanha barbaridade. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 18/02/2020.


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PRIMEIRO COMBATE PELA EMANCIPAÇÃO DE SERRA TALHADA


Acervo do José João Souza

As disputas e lutas políticas, em todos os níveis e em boa parte das províncias, continuavam acirradas, no final dos anos quarenta do século XIX, entre os partidos liberal e conservador. Em Flores PE, velhos ódios acumulados entre liberais e conservadores agitavam a Vila e o Sertão do Pajeú. Ali, de um lado, estava o tenente-coronel Francisco Barbosa Nogueira Paz, liberal intransigente e convicto, dirigindo o destino da comarca. Do outro lado, o Coronel Manuel Pereira da Silva, chefe da numerosa e valente família Pereira do Pajeú. A demissão, pelo governo provincial, do delegado de polícia, com a nomeação do Coronel Manuel Pereira da Silva, chefe do partido conservador em Serra Talhada, para a delegacia de Flores, causou consternação entre os liberais daquela localidade. Pelas ordens governamentais que recebera, Manuel Pereira deveria assumir, além da delegacia, a câmara e a Comarca.

Manuel Pereira teria mandado avisar a Nogueira Paz de sua nomeação e das ordens recebidas do governo. Nogueira, num assomo, teria respondido que somente à força das armas entregaria a Câmara e que, só mediante uma luta armada dever-se-ia transferir o domínio local. É de crer que "o Coronel Manuel Pereira da Silva não esperou por um segundo recado e tomou o caminho de Flores, acompanhado dos irmãos e de homens de sua confiança". Por outro lado, Nogueira Paz, prevenido e preparado como estava, pretenderia jogar uma cartada sobre o comando político local, mesmo que ela lhe custasse a vida, o que, de fato veio a ocorrer posteriormente.

Os dias 16 e 17 de novembro de 1848, se reservados às conversações, melhor serviram às tomadas de posição para luta iminente. Flores regurgitava de bacamarte e da fina flor do cangaceirismo do Pajeú e do Navio.

No dia 18, Flores era um paiol de pólvora prestes a explodir. Os integrantes das duas facções, enrolados em suas cartucheiras, exibiam espingardas e bacamartes carregados. Faltava apenas a fagulha. Esta veio, quando às 2 horas da tarde, o jovem Lúcio de Siqueira Campos disparou sua arma, no pátio da matriz, contra a fachada da igreja, por simples provocação. Começava o tiroteio, que duraria até às 7 horas da noite, mas sem que a fortuna pendesse para nenhum dos lados. Pela manhã do dia 19, José Antônio de Souza Paz, correligionário de Barbosa, que guarnecia a cadeia pública com sua tropa, reinicia o combate, detonando sua famosa granadeira, contra um grupo chefiado por José Francisco Cavalcanti, que chegava em auxílio dos conservadores, derribando, se não o cavaleiro, o primeiro cavalo daquela tropa. Às 4 horas da tarde, a vitória parecia pender para Barbosa. A essa altura, o valoroso chefe, fortemente influenciado pelos acontecimentos da Rebelião Praieira, deveria estar pensando, um tanto envaidecido, na repercussão que sua rebelião iria forçosamente tomar. Mas os víveres e as munições, dos dois lados, estavam se esgotando. As duas facções se mantinham em seus postos, como que empatadas.

O Coronel Manuel Pereira tinha a vantagem de maior predomínio de campo e controlava as vias de comunicação com o exterior. Nogueira Paz, permanecia no interior de sua casa, com a mulher, os filhos e rodeado de amigos.

No dia 20, que assinalaria o final da luta, pelas 11 horas, José Rodrigues de Morais , leal partidário de Nogueira Paz, dispara sua arma, da janela da residência deste, contra a casa onde se abrigava o Cel. Pereira, abatendo, com certeira pontaria o "cabra" Tonico Leite. A luta prosseguia e os beligerantes queimava os últimos cartuchos. Pelas 4 horas da tarde, porém, entra pela Vila, de inopino o Capitão Simplício Pereira da Silva, irmão do Cel. Manuel Pereira, acompanhado de uma tropa de 200 homens bem armados e municiados. Vinha desfechar o "golpe de misericórdia" contra Nogueira Paz, que se rende às 6 horas da tarde. Vencidos e presos em Flores, o Ten. Cel. Nogueira Paz, juntamente com quinze correligionários foram levados, por ordem do Cel. Manuel Pereira, para povoação de Serra Talhada, onde foram colocados em lugar seguro.

O cartório da cidade foi queimado e o incêndio alastrou-se por toda rua, favorecido pelo fato de serem as edificações quase todas pegadas umas nas outras (parede-meia). O Juiz de Direito e outras autoridades, por absoluta falta de segurança, tiveram que fugir e só regressaram depois de cessados os combates, com a rendição dos liberais.

No dia 06 de maio de 1851, o Presidente da província de Pernambuco, assinou a lei n° 280, que transferia a sede do município de Flores, bem como a da comarca, para povoação da Serra Talhada, que ficava elevada à categoria de Vila, com a denominação de Villa Bella.

Do livro: Flores do Pajeú
De: Belarmino de Souza Neto
Foto do Coronel Manuel Pereira da Silva.


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POR QUE BENJAMIN ABRAÃO ENCONTRA VA LAMPIÃO FÁCIL E AS VOLANTES NÃO?


Por Sizinho Júnior

Existe um questionamento a cerca da história de Benjamin Abrahão, essa pergunta paira até hoje no rol da história Lampionica. Será que as volantes não encontravam o bando com facilidade, propositalmente? Assistam nossos vídeos narrativos sobre o cangaço.




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SOLDADO ADRIAÕ PEDRO DE SOUZA


O soldado Adrião Pedro de Souza, lamentavelmente, tombou no combate de Angicos, um herói que lutou bravamente para cumprir com o sagrado dever da ordem cívica. Deixe a sua homenagem.

Conheça o canal NA ROTA DO CANGAÇO.
https://bit.ly/Na-rota-do-Cangaço


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100 ANOS DE DURVAL RODRIGUES ROSA: DO ANGICO À PREFEITURA DE POÇO REDONDO


Por Manoel Belarmino

A história do homem Durval Rodrigues Rosa começa no tempo do Cangaço. Nasceu naquele dia 18 de agosto de 1920, há exatamente 100 anos. Antes de completar a maior idade, ainda menino como tantos sertanejos na época, Durval "viu-se acercado" de cangaceiros e volantes. Era assim este sertão caatingueiro, e o sertão de caatinga e água das beiradas do São Francisco. O sertão do Angico. No "Fogo do Angico", naquele histórico 28 de julho, Durval estava presente; fora levado à força pelas volantes alagoanas de João Bezerra para mostrar o coito de Lampião. Esteve presente naquele grande combate que encerrou o Cangaço de Lampião, marcando a história do Nordeste e do Brasil.

Mais tarde, naquela primeira eleição, em 3 de outubro de 1954, e na segunda eleição, em 4 de outubro de 1958, depois da Emancipação Política de Poço Redondo ocorrida em 25 de novembro de 1953, Durval Rodrigues Rosa já estava presente na política no grupo político liberado por Zé de Julião (José Francisco do Nascimento), o ex-cangaceiro Cajazeira, e tantos outros poço-redondenses, como Abdias, Manoel Soares, João Torquato, Salu, João Emídio, Lourival Felix...

Naquela histórica eleição de 4 de outubro de 1958, quando as urnas eleitorais foram recolhidas por Zé de Julião, em protesto contra as "safadeza" de um juiz eleitoral, Durval Rodrigues Rosa estava presente e fazia parte daquele grande grupo político composto pelos filhos de Poço Redondo. Naqueles primeiros 8 anos, depois do 25 de novembro de 1953, Poço Redondo estava emancipado por direito, mas de fato e politicamente estava ainda dependente dos políticos de Porto da Folha. E Zé de Julião liderava essa luta para que os filhos de Poço Redondo tivessem, de fato e de direito, o domínio político e administrativo do Município de Poço Redondo.

Depois do assassinato do líder político Zé de Julião, Durval assume a liderança política e, na terceira eleição, ocorrida em 03 de outubro de 1962, foi eleito prefeito de Poço Redondo. O primeiro filho de Poço Redondo a ser eleito prefeito da jovem cidade depois de duas eleições, depois de muita luta.

Outro acontecimento marcante marcou a história política de Poço Redondo. Durval governava Poço Redondo tranquilamente, mas, de repente, um reboliço acontece em todo o Brasil. É a tomada do poder do país pelas Forças Militares em 31 de março e 1° de abril. O Exército derruba o presidente da republica João Goulart e assume o poder. E no dia 9 de abril de 1964 é instituído o Ato Institucional n° 1 (AI-1). A força bruta dos miliatres submete os prefeitos eleitos pelo povo às vontades das forças armadas. Quem não obedecesse ou se submetesse às vontades das Forças seria cassado. Durval preferiu não se submeter, preferiu ficar do lado do povo que democraticamente o elegeu e renunciou antes de ser arbitrariamente cassado.

Na eleição de 1970, indica o seu filho mais velho, João Rodrigues Sobrinho, como candidato a prefeito, e este é eleito.

Na eleição de 1976, Durval é novamente eleito prefeito.

Em 1992, Ivan Rodrigues Rosa, também filho de Durval, é eleito. É o quarto mandato de prefeito comandado pelos Rosa, liderados pelo grande lider político Durval Rodrigues Rosa.

E neste 18 de agosto, dia do Centenário de Durval Rodrigues Rosa, ficam aqui as minhas homengens ao senhor Durval Rodrigues Rosa e a todos os seus familiares, nessas poucas linhas sobre a história de Durval e que também é um pouco da história de Poço Redondo.


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terça-feira, 18 de agosto de 2020

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

franpelima@bol.com.br

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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"LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE", POR SÉRGIO DANTAS

Por Honório de Medeiros

“Lampião e o Rio Grande do Norte”, cujo subtítulo é “A história da grande jornada”, de Sérgio Augusto de Souza Dantas, Gráfica Editora, é uma obra seminal. Não é possível mais, a partir do lançamento, tratar do Cangaço, seja no Rio Grande do Norte, seja de uma forma geral, sem uma consulta à obra.


Mossoró é assunto importante, no livro. Não pode ser diferente. Mesmo tratando da incursão do bando de Lampião ao Rio Grande do Norte, desde sua entrada pela Tromba do Elefante, margeando Luis Gomes, até sua saída, no rumo de Limoeiro do Norte, Ceará, a ida a Mossoró é onipresente, por que o quixó preparado por Massilon e o Cel. Izaias Arruda, de Aurora, Ceará, no qual Virgolino – assim mesmo, com “o”, como nos previne o Autor – é parte fundamental do trabalho.

As informações colhidas durante quatro anos de pesquisa, perambulações, visitas, entrevistas, cruzamento de informações, consulta à literatura hoje vastíssima sobre o cangaço estabelece um contraponto interessante com o estilo do Autor. Para coroar, um valioso acervo fotográfico é colocado à disposição de quem adquiriu o livro.

Em relação a Massilon, acerca do qual mantenho permanente interesse, Sérgio Dantas, jovem juiz norteriograndense agrega informações valiosíssimas, dentre elas o “raid” que esse personagem singular empreendeu nos costados do Jaguaribe e Cariri logo após o episódio de Mossoró. Isso significa dizer que a lenda segundo a qual Massilon, mesmo antes da célebre foto de Limoeiro, Ceará, já se separara de Lampião e teria ido embora para o Norte, não é verdadeira. Alguns, inclusive, diziam que o cangaceiro que aparece na foto tirada em Limoeiro não seria, na realidade, Massilon.

Detalhada, a história da marcha espanta pela riqueza de detalhes. Assim, ficamos sabendo da passagem de Lampião por todo o território do Rio Grande do Norte cidade por cidade, povoado por povoado, sítio por sítio, fazenda por fazenda. Os acontecidos nas cercanias de Martins e Umarizal, antiga “Gavião”, são relatados com precisão. E tudo quanto aconteceu em Apodi, antes da chegada de Lampião, protagonizado por Massilon, recebe tratamento de pesquisador sério e interessado.

A descrição geográfica e sociológica dos lugares pelos quais passou o bando de cangaceiros merece respeito. Através dela é possível perceber o dia-a-dia daquelas comunidades existentes no início do século XX. E a descrição dos mal-tratos, arruaças, bebedeiras, torturas físicas e psicológicas comove e revela a sensibilidade do Autor.

Agora resta esperar que a obra semeie críticas e informações outras, alguma correção de rumo – se for o caso – para retornar ainda mais rica para o acervo dos historiadores e sociólogos do Brasil. É assim que ocorre quando uma obra deixa de pertencer ao Autor, por sua importância, e passa a fazer parte do referencial bibliográfico ao qual pertence.

* Republicação

Adquira-o com Francisco Pereira Lima através deste e-mail: 

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