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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sertão das Muié Séria e dos Home Trabaiadô

Contribuição: Zé Tavares

O grande Luiz Gonzaga fez alguns Shows na cidade de Pombal (PB), sempre em praça pública, sobre o patrocínio de uma importante empresa de comercialização de fumo, lá de Arapiraca (AL).

Pude presenciar alguns desses shows e viver as emoções do talento desse grande monstro de nossa cultura. Além de cantar, ele contava piadas, fazia críticas aos governos pelo descaso com os nordestinos, contava causos e passagens de sua vida artística. Era um show interativo, onde conversava e ouvia as pessoas que o assistiam.

Lembro que certa vez ele falou de sua emoção quando ouviu pela primeira vez uma música em que o compositor Benito de Paula o homenageou. 

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Neste mesmo show ele contou que logo que fez uma música para Frei Damião foi em Pombal que ele encontrou com o frade capuchinho para presenteá-lo com o disco, até então inédito.


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Pouca gente sabe, mas um dos causos que o velho Lula vivenciou e imortalizou em dos seus discos ocorreu aqui em Pombal. João Queiroga, mais conhecido como Joquinha, pertencia a uma família muito influente na cidade, era característica sua a irreverência e a presença de espírito, sempre fazendo gozações onde quer que estivesse.

Na oportunidade, o velho Lula cantava um dos seus clássicos “A volta da asa branca”, quando chegou na parte que diz “Sertão das muié séria, dos home trabaiadô”, Joquinha Queiroga gritou:

- Faz muito tempo que o senhor não anda por aqui. Isso não existe mais por aqui não, seu Lula.

Luiz Gonzaga deu aquela sua peculiar gargalhada e depois adicionou esta história no seu repertório de causos, inclusive registrando o fato em um dos seus discos.

Contribuição: Zé Tavares

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DAS INCONVENIÊNCIAS DO AMOR

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Inegavelmente que o amor é um dos mais belos sentimentos existentes no âmago do ser humano. O simples ato de amar já torna a pessoa mais meiga, branda, terna, ornada de contentamento e felicidade. Enquanto sentimento íntimo, o amor humaniza o ser, torna-o compreensivo e compartilhador; enquanto sentimento amoroso, a outro devotado de coração, torna a pessoa esperançosa e tomada de possibilidades boas na vida.

Desse modo, jamais há que se negar a importância do amor na vida de uma pessoa. Somente através deste sentimento afetuoso, somente por meio da sensação de revelar-se através de uma luz no coração, somente na certeza da felicidade existente, a pessoa se torna capaz de enfrentar os desafios e não se deixar abater por míseros problemas tão impeditivos de realizações.

Para muitos o amor é tudo; para outros o amor é a maior expressão que possa existir num ser; para outros, o ato de amar significa acobertar-se do bem contra todo mal e negatividade. Seja como for, verdade é que o amor, ou a busca de sua verdade, é o desejo mais almejado entre os racionais. Viver sem amor, muitos dizem, é conviver com a escuridão e o sofrimento.

Contudo, a primazia do amor não lhe afasta das críticas, das considerações negativas, das muitas inconveniências originadas em seu nome. Já que o amor é tudo, dizem, então seria também tudo aquilo que em seu nome é praticado. Daí ser o gume afiado de muitos males. E certamente muito se pratica com a pecha amorosa e mais tarde é revelado como graves problemas a ser resolvidos.


Pois o amor, segundo também afirmam, é sentimento envolto de tamanha força que tem o dom de cegar, de tirar completamente a razão da pessoa, de deixá-la à mercê das ilusões e das fantasias, até mesmo as mais absurdas. Em tal estágio, agindo assim perante o indivíduo, eis que o amor acaba se transformando numa verdadeira armadilha, num abismo por onde se caminha sem saber.

Não que se revele no amor uma infinidade de tragédias, mas não se pode deixar de reconhecer algumas reconhecidas inconveniências, ou mesmo absurdos praticados e vivenciados em seu nome. Ora, todos sabem que o amor desmedido, afetando a mente a ponto de fragilizá-la, é arma perigosa demais para ser carregada ou manejada. As consequências, pois, do amor doentio, são as mais devastadoras possíveis.

Até que se poderia afirmar que não se pode ter como amor a expressão doentia em seu nome. Não se deve esquecer, contudo, que tudo nasce exatamente da doce e maravilhosa inocência desse sentimento maior. É a forma como ele vai se exteriorizando, ganhando força e se apoderando do ser que poderá transformá-lo numa arma fria e cruel. E até mortal.

Não são poucas as notícias dando conta das atrocidades cometidas tendo o amor - ou a paixão desenfreada, como estágio amoroso irracional - como elemento ou força propulsora de desvarios e aberrações. O noticiário sensacionalista diz que alguém matou por amor; a manchete estampa que a paixão provocou mais uma tragédia; as delegacias estão repletas dando conta de ocorrências envolvendo ciúmes.

Mas não só de sangue vive tal inversão amorosa. Ora, mesmo em situações rotineiras, sem violências ou agressões, o amor é causador de males reconhecidamente profundos. O fato de ser abandonado por alguém que tanta ama se constitui num exemplo clássico de indescritível sofrimento. Até mesmo as brigas corriqueiras e as separações rotineiras acabam se tornando em instantes tortuosos. Sem falar na saudade, na tristeza da recordação, na dor da espera, na crueldade do pensamento martelando o nome e a feição.

Talvez seja pelo dom de açular intensamente os extremos, ou o amor amado e correspondido e também o amor doloroso e violento, é que tal sentimento se torna único e tão instigante. Contudo, mesmo que mais tarde desande e se revele em obsessão doentia, a verdade é que nasce sublime e esperançoso. E porque surge assim, tão doce e encantador, que toda pessoa quer amar.

Querer amar, eis o sonho maior; encontrar um amor, eis uma possível realidade. Daí em diante é que os campos floridos se estendem em meios a pedras e espinhos. Felizes aqueles que conseguem vencer os desafios e seguir cada vez mais distantes. E ainda de braços dados.
  
Poeta e cronista

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FUTEBOL DE SALÃO

POR: FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR

Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.
Pitágoras

É importante registrar de que a cidade de Santa Rita e seu povo, especialmente a juventude sempre sofreu com a falta de equipamentos comunitários do tipo quadra e ou ginásios de esportes desde sua emancipação política ocorrida em 9 (nove) de março de 1890, tal situação permanecendo até o final do ano de 1982, quando o então vice prefeito Aureliano Olegário da Trindade, no exercício do mandato de prefeito, concluiu a construção do Ginásio de Esportes Renato Ribeiro Coutinho, o “Renatão”, localizado no Bairro Nova Esperança. Ressaltamos que Santa Rita mesmo ficando a doze quilômetros de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, naquele tempo já tinha uma população acima de sessenta mil habitantes, inclusive era a terceira cidade da Paraíba em renda percapta e/ou seja, por pessoa aqui residente e além do mais já tinha mais de dez mil estudantes distribuídos ns redes oficiais (estaduais e municipais) e particulares. Naquele tempo funcionava a todo vapor os colégios: Estadual de Santa Rita (atual Enéas Carvalho), o Américo Falcão (pertencente à CNEC, foi extinto), o Augusto dos Anjos (pertecente a Fundação Padre Ibiapina, foi extinto), o COFRAG – Colégio Dr. Francisco Aguiar (particular e continua funcionando desde 05/01/1964 aos dias atuais, no mesmo endereço: Rua Eurico Dutra, nº 64 – Bairro Popular - Santa Rita/PB, com Educação Básica (Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Técnica Profissionalizante), inclusive em 1996, construiu o seu Ginásio de Esportes que continua incentivando a juventude as práticas esportivas internas e acolhendo a comunidade externa), a Escola Normal de Santa Rita (continua funcionando em Tibiri Fábrica no prédio do extinto grupo escolar da CTP), o Francisco de Assis ( particular e extinto há mais de dez anos), dentre outras escolas de ensino primário estadual, municipal e particular.
                      
Entendemos que o talento educa-se na calma, o caráter no tumulto da vida, assim sendo, a juventude atual, mais que ninguém precisa com urgência de acolhimento, inclusão social, educacional e esportiva em nossa cidade de Santa Rita, para ponte para tirar-lhe da ociosidade, caminho que leva ao nada em todos os sentidos da vida humana, ex-vi Sócrates, ao afirmar que “aquele a quem a palavra não educar, também o pau não educará”, cujo pensamento é auto-aplicável em qualquer lugar do mundo. Os presídios estão superlotados, os cemitérios também e as escolas estão ficando vazias de alunos, fisicamente falando e de ideias de futuro também, pois, sabemos que a Educação é um direito de todos, porém no tocante aos deveres, “[...] a família aparece em primeiro lugar, enquanto o Estado (Governos: Federal, Estadual e Municipal) está em segundo”, de modo que “muitos acreditam que seja um enfraquecimento, uma retirada das obrigações do Estado, colocando ênfase na responsabilidade da família e da sociedade” (LOCCO, 2009, p.36).
                     
A nossa cidade de Santa Rita tinha um futebol de salão respeitado em toda Paraíba e quiçá no Nordeste brasileiro, pois, o maior obstáculo que envolvia a nossa juventude que praticavam os esportes: futebol de salão, voleibol, dentre outras modalidades era justamente a falta de um ginásio de esportes, devido a falta de interesse das autoridades estaduais e municipais competentes no assunto. Isso era o pensamento dominante nas décadas de 40 a 80 do século XX em nossa cidade. Por analogia e segundo a visão de Paulo Freire “não há vida sem correção, sem retificação”. É preciso e urgente corrigir e retificar a vida da nossa juventude, o que casa muito bem com a o pensamento de Immanuel Kant ao afirmar que “é por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias”. De modo que cabe aos adultos e aos gestores de todos os níveis de governos, sic, essa obrigação constitucional, legal e ética, se não querem investir na construção mais cadeias, penitenciárias, etc., bem como aumentar as milhares e ou milhões de valas (sepulturas) comuns nos cemitérios do Brasil e do mundo, todos os anos da era da civilização da cibernética, maior império da ignorância humana que o mundo já viu, alimentado através das drogas que envolvem a juventude de todos níveis ou naipes sociais da face da terra.
                      
Enfocamos de que na década de 60 do século XX, Santa Rita teve um grupo de jovens, constituído por: José Pereira da Costa Filho (Pereira da SAELPA), Bebé, Oíldo Soares, Geraldo Lucindo, Reginaldo Pereira (atual Prefeito de Santa Rita), Dominguinhos, Napo e tantos outros igualmente valorosos na prática esportiva, todos foram motivados e encabeçados pelo professor João de Deus Diniz, então Diretor do Colégio Estadual de Santa Rita (atual Enéas Carvalho), que com luta e sacrifício conseguiu criar a quadra esportiva daquele colégio para dar maior motivação aos atletas e torcedores, pois, até então a única quadra de esportes que existia em nossa cidade era a quadra do Santa Rita Tênis Clube,  com péssimas condições para a prática de esportes, até porque fizeram várias promoções e conseguiram arrecadar o dinheiro que deu para fazer a construção da primitiva quadra do Colégio Estadual de Santa Rita, sem ajuda financeira por parte das autoridades estaduais e municipais. Assim sendo, o futebol de salão, por exemplo, entre nós conseguiu manter a tradição, com um local adequado para a prática de esportes em suas diversas modalidades. E foi assim que o nosso futebol de salão foi evoluindo e conseguiu ser o “Vice Campeão Nordestino” do ano de 1972 (foto 1), 

Foto

disputado com honradez pelo então Colégio Américo Falcão, via os jogos patrocinados naquele ano pela Companhia Nacional de Escolas da Comunidade, atual CNEC.
                   
E as vitórias do futebol de salão de Santa Rita foram grandes, de modo que o Barcelona, equipe constituída por Gena, Oíldo Soares, Pereira, Geraldo Lucindo, 

Foto

Napo (foto 2) dentre outros, conseguiram ser o Vice Campeão da Paraíba nesta modalidade.
                  
Atualmente, infelizmente o futebol de salão, dentre outras modalidades igualmente importantes, encontra-se acabada, tendo em vista a falta de um olhar motivador e incentivador das autoridades políticas e educacionais envolvidas com o processo de enriquecimento da juventude nos esportes, especialmente da juventude vinda do meio do povão e ou das classes menos favorecidas. É uma questão de inclusão educacional e social, até para livrar a juventude ociosa das drogas, dos assaltos, dos assassinatos, etc. Éramos felizes e não sabíamos, pois, Immanuel Kant menciona que “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, pensem nisso...

Referência:

A TRIBUNA – Jornal da Cidade – Santa Rita – Pb – março de 1977.

BRASIL – Estatuto da Criança e do Adolescente: Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Diário Oficial da União, Brasileira, 17/07/1990. Acessada em 15/02/2013: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm>
BRASIL – Lei de Diretrizes e Bases da Educação: Lei nº 9.94/96, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Brasília, 23/12/1996 – Acessada em 15/02/2013: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm.
LOCCO, Leila de Almeida. In.: Direito Aplicado à Educação. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2009.

https://mail.google.com/mail/u/0/images/cleardot.gif
http://www.recantodasletras.com.br/artigos/4482718
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Enviado pelo escritor Francisco de Paula Melo Aguiar

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1977, Na Estrada

Contribuição Arievaldo Viana Lima
Luiz Gonzaga e Dominguinhos

EM 1977, Luiz Gonzaga estava divulgando seu excelente LP "CAPIM NOVO" por todo o Nordeste, sem apoio de gravadora nem nada.

Passou num lugarejo, no interior de Canindé-CE, chamado VILA CAMPOS, no entroncamento que vai para Quixadá.

Sem chapéu, sem gibão, não foi reconhecido de imediato... Até que um curioso, meio tímido, aproximou-se e perguntou:

- O Senhor é Luiz Gonzaga???

- Seu criado...

Era um botequim desses de beira de estrada, que vende bolo, café e paçoca... Luiz passou a tarde todinha conversando com os matutos e ainda deu uns LP's para alguns fãs. Ô Cabra arretado, o Seu Luiz!!!
Contribuição Arievaldo Viana Lima


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domingo, 15 de setembro de 2013

O Cariri Cangaço volta ao município de Aurora neste DIA 20 de setembro.

Por: José Cícero

Marica Macedo do Tipi: Sertaneja de Aurora, matriarca do Cariri

Durante o Cariri Cangaço deste ano Aurora viverá mais um grande encontro com a sua história. Em 2010 o tema foi "Os 83 anos da passagem de Lampião por Aurora", cuja palestra foi feira pelo secretário de cultura do município o professor José Cícero. 


Na edição seguinte, 2011 - "A trama da Ipueiras com vistas à invasão de Mossoró" a cargo do memorialista missãovelhense João Bosco André. Este ano, o tema será um dos mais notórios e palpitante, ou seja, "Marica Macedo do Tipi: sertaneja d'Aurora, matriarca do Cariri", cuja explanação será feita pelo seu neto - o Dr. Vicente Landim de Macedo, residente em Brasília, autor de uma obra homônima. O mesmo é presidente de honra da Associação do Filhos e Amigos de Aurora, residentes na capital Federal.

COMITIVA DE FAMILIARES DO CEL. ISAÍAS ARRUDA:

Este ano, além de diverso pesquisadores e aficionados pela história do cangaço e dos sertões nordestinos(inclusive do exterior) Aurora contara ainda com a presença de mais de 20 familiares do célebre coronel filho da terra - Isaías Arruda, na sua grande maioria residentes no estado de São Paulo(ver fotos). A exemplo da filha do coronel Orlandina Arruda e demais membro do grande clã que tivera origem no solo aurorense. Os mesmos serão homenageados em Missão velha onde o decano coronel chegou a ocupar o posto de prefeito municipal.


A  curadoria do CC homenageará na oportunidade em Aurora, algumas personalidades locais; tais como: o prefeito Adaiton Macedo, o Dr. Vicente Landim de Macedo, D. Orlandina Arruda(filha do cel. Isaías Arruda) e o Dr. Marcolino Ferreira Lira.

O Cariri Cangaço agora na sua IV edição acontece  de 17 a 22 de setembro em  sete municípios caririenses. A saber: Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha(Jamacaru), Barro, Porteiras e AURORA.

Além de já ter ocorrido no começo do ano à guisa de  pré-lançamentos em Sousa e Nazarezinho na Paraíba, Lavras da Mangabeira(CE) e Piranhas e Canindé de Francisco(SE). 
Trata-se portanto, de um evento dos mais concorridos na região Sul cearense e, um dos mais gabaritados do Nordeste em se tratando da temática regionalista/sertaneja com seus temas afins.

Participantes e Convidados: 

Pouco mais de 150 pesquisadores de todo o país e até do exterior, conforme disse Manoel Severo - curador do evento, deverão está participando do acontecimento durante os 7 dias. 
Além dos seminários e dos debates propriamente ditos, os participantes do CC também participarão de visitas técnicas, ocasião em que conhecerão in loco importantes locais históricos dos municípios envolvidos. De forma que o CC é, por assim dizer, uma significativa vitrine em que mostraremos a rica história e a cultura dos nossos sertões  para o Brasil e para o mundo, disse o secretário de cultura de Aurora o professor José Cícero.

"Uma maneira viável e inteligente  de resgatarmos a nossa verdadeira história junto às gerações do presente e do futuro, além de projetarmos culturalmente estes rincões, no que se refere ao potencial turístico, histórico, ecológico  para o Nordeste  e o Brasil como um todo. Uma pena que muitos dos nossos vizinhos, malgrado o potencial não se deram conta ainda deste filão, que também é bastante educativo para a nossa população, enfatizou.

SERVIÇO:

O evento NA sua III Edição  será realizado no próximo dia 20 A PARTIR DA 19 no auditório da Escola Estadual de Ensino Profissional  Leopoldina Gonçalves Quezado(no Araçá).

A secretaria municipal de cultura e turismo (Secult) de Aurora está ultimando os preparativos da grande festa da história.
 
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A Oitava - A farinhada - Luiz Gonzaga

Contribuição: Régis
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Corria o ano de 1978, interior do Ceará, cidadezinha pequena, toda a população reunida, aos domingos, para a feira já tradicional...

Pois bem, a história que vou relatar aconteceu com um senhor, chamado Seu Doca, que morava no sertão mesmo, um distrito da cidade que ficava ha uns 15 km da sede, e que todo domingo vinha à feira, no seu jumento.

Ao chegar, sempre seu Doca fazia as compras da semana, depois ia ao bar, tomar sua pinguinha e, depois, voltava pra casa.

Só que ele tinha comprado uma radiola (para tocar vinil), então, foi a um vendedor de uma banca de vinil e K7 e, ao chegar, apeou do seu jumentinho e foi logo falando:

-Bom dia seu morço! Eu tô percurano de um Longuiprêi qui tem a musga da "oitava". Será que o cumpade num tinha ai?

-Tenho sim, mas todos esses discos aqui meu senhor tem a oitava música, disse o vendedor, mostrando dezenas de discos de vinil.

-Mas eu quero é o da musga qui chama Oitava, tem? Perguntou seu Doca.

-Então vamos testar alguns pra vê se a gente encontra, tá certo?

E foram testando os LPs. Já tinha ouvido a oitava música de quase trinta discos... e nada de encontrar a música de seu Doca.

Foi quando o vendedor falou:

- Será que o senhor não poderia cantar um pouco dessa música pra gente ouvir?... Aí, ficaria mais fácil da gente encontrar.

-Só qui eu num lembru agora, cumpade! Minha memória tá meia fraca, eu só sei que é a da "Oitava", disse seu Doca.

Testaram mas uns vinte, já se tinham passado mais de duas horas e nada de encontrar a música, quando o vendedor lembrou de uma música e disse:
- Ja sei, deve ser a Oitava Sinfonia de Beethoven, será que é essa seu Doca? É essa né? Até que enfim!!

- Nunca ovi falá nesse bitôvi, mas só sei que é a "Oitava".
O vendedor colocou a Oitava Sinfonia de Beethoven, e, para sua tristeza, não era a música desejada.

Depois de quase três horas, o vendedor desistiu e disse a Seu Doca que não tinha a música, e a menos que ele cantasse uma parte dela, seria muito difícil de encontrá-la.

Seu Doca disse:

-Pois bem seu môço, eu vô mimbora, ja que voismicê num teim a "Oitava".

Seu Doca montou em seu jumento, deu a volta, quando, de repente, lhe veio à lembrança a tal música! Desmontou rápido e disse ao vendedor com entusiasmo:

- Lembrei!! Lembrei!! Lembrei Seu Môço. Mi lembrei da "Oitava".

-Que maravilha seu Doca, agora cante um pedacinho, que com certeza eu terei o seu LP.

E Seu Doca, para o espanto e alegria de todos, disse, todo contente:

-A musga é assim, homi:

"OITAVA NA PENÊRA,
OITAVA PENERANO,
OITAVA NUM NAMÔRO,
OITAVA NAMORANO..."

Seu Doca era um grande fã de LUIZ GONZAGA, mas no seu linguajar do sertão, não sabia a letra correta da música, trocando a parte de: EU TAVA por OITAVA.

Essa estória é contada aqui por meus parentes mas antigos, passou-se na cidade de PENTECOSTE-CE.

Se é verdade não posso provar, mas só sei que foi assim!!

A Música é FARINHADA, foi gravada por Gonzaga, em 1982, no LP "Eterno Cantador"

Mas no interior, pela simplicidade do nosso matuto, ela ainda é conhecida até hoje como OITAVA, por causa do refrão!

E viva o Povo Brasileiro!!!
Contribuição: Régis


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AO MENOS TENTE...

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

AO MENOS TENTE... 

Situações, rotinas e acontecimentos são difíceis de ser mudados. Tudo vem com o estigma do destino, da predestinação, do terá de ser assim mesmo. Contudo, nunca é demais tentar reverter, dar outra feição ou mesmo modificar. Por isso tente...

Tente mudar, tente transformar, tente agir segundo aquilo que deseja, ou mesmo de modo que tudo permaneça inalterado. A continuidade de determinado estado também é difícil demais, principalmente pelo que se pressupõe como escrita da vida para repentinamente acontecer.

Mas tente assim mesmo. Nunca é demais tentar uma nova feição ao estado de espírito, ao ânimo da alma, à predisposição do corpo, ao jeito de ser. Uma casa parece renovada com uma simples pintura; a mesma casa ganha nova vida com um simples remanejamento de móveis. Por isso tente...

Tente uma moldura nova para o seu retrato. A sua feição corresponde à sua idade, as marcas do seu rosto não estão aquém ou além daquelas que deveriam estar, mas você insiste em não se agradar com a falta de brilho nos olhos, o tom os cabelos, esse jeito triste de ser. Saiba que o retrato continuará o mesmo ainda que maquiado, mas a moldura, que está no seu espírito, esta sim. Está poderá ser transformada a qualquer instante.

Por isso tente uma moldura nova para o seu espírito, para a sua alma, para a sua aura. A madeira de lei das grandes mudanças sempre cai bem em quem pretende reanimar-se para a vida e permanecer forte o suficiente para que não encontrem fragilidades diante do seu olhar. A cor do verniz das velhas e grandes lições sempre dá um toque de responsabilidade e respeito às ações e atitudes de quem busca a preservação interior e exterior.

Foto

Também tente mudar o local onde o seu retrato está pendurado. Você é sua casa e sua parede, seu retrato e sua moldura, sua luz e seu estado. Talvez não tenha percebido, mas sua casa pode estar maltratada, esquecida, empoeirada. Traças passeiam por sua parede e a poeira se acumula invisivelmente. Além de um ambiente sombrio e triste, tudo isso torna mais feia sua fotografia, seu retrato, e tudo que seja você.

Por isso tente dar nova vida à casa que existe em você, arejar suas paredes, dar ânimo e novos ares ao seu ambiente. Faça uma limpeza espiritual, expurgue as velhas mágoas e sofrimentos vãos, remova dos escondidos tudo o que for negativo e ruim, faça sumir de vez as velhas marcas daquilo que não vale mais a pena manter em baús, da mente e do coração.

Então abra a janela, deixe que a brisa traga aromas e perfumes novos, permita que seu olhar aviste uma borboleta e um colibri, uma flor à janela, uma doce melodia vinda da natureza. E suas manhãs nascerão com mais brilho e os dias serão percorridos sem que os espinhos tomem o lugar das flores.

Então tente, tente e tente mais, pois você é capaz. Mas antes de tentar as mudanças essenciais, reflita sobre o que é e o que pretende ser, acerca da necessidade de mudar e também como será ao se transformar e, acima de tudo, ter a ideia de rompimento como algo inevitável na vida. Ora, ao nascer teve rompido o cordão umbilical; cada etapa da vida vai rompendo fases da idade; tudo é rompido pra ser transformado. Saiba, pois, que nenhuma mudança é possível sem rompimentos.

Romper, cortar, destruir de vez, os laços e nós que insistem em atrelar amores que só deixaram angústias e sofrimentos, recordações que só trazem aflição e melancolia, falsas amizades que só trazem desgastes e desgostos, pequenas situações na vida que só continuam afligindo o ser porque a pessoa permite. Tudo isso deverá ser rompido, desfeito, destruído de modo que nem lembrança deixe.

Também reflita sobre o amanhã e como pretende sentir-se e ser visto perante aqueles que você admira. Nunca pense em agradar ao mundo, mas apenas a você mesmo e a quem você gosta. Somente quem lhe admira, realmente gosta ou mesmo ama, sentirá a boa nova da transformação. E é por estes, além do seu admirável retrato em si mesmo, que você deve oferecer a dádiva do renascimento.

Por isso tente. Olhe sua casa, aviste a parede, enxergue o retrato, olhe a moldura, encontre a si mesmo. Se tudo poderá ser melhor, então tente. Nunca é fácil a transformação desejada, mas ao menos tente...

Poeta e cronista
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Deoclides Vieira de Sá - um dos mais antigos comerciantes de Mossoró

Por: José Mendes Pereira

Pesquisando a vida de alguns mossoroenses, mas mesmo não sendo mossoense, encontrei no site www.azougue.org, a foto de um homem que muito colaborou com o desenvolvimento de Mossoró, o senhor Deoclides Vieira de Sá.

Lembro bem deste senhor, à esquerda, Deoclides Vieira de Sá, comerciante da Rua Coronel Gurgel, e segundo a jornalista Lúcia Rocha ele vendia de tudo.


http://www.azougue.org/conteudo/dobumba227.htm

Era um senhor tranquilo, paciente, sorridente, e pela manhã, sempre estava na porta do seu escritório, recebendo das pessoas que passavam em sua calçada, e o cumprimentavam com as seguintes palavras: 

- Bom dia, seu Deoclides! 

E outro:

- Como vai o senhor, seu Deoclides?!

- Está bem de saúde, seu Deoclides?

Ele ali, geralmente em pé, de braços cruzados, na entrada da porta do seu comércio, tinha o maior prazer de responder a quem isto lhe dizia:

- Bom dia, amigo! Tudo bem na graça de Deus!

Este é Deocleciano Vieira de Sá - 50 anos de comércio – 1966, irmão do Deoclides Vieira de Sá - http://www.azougue.org/conteudo/dobumba32.htm

LEIAM O QUE FALOU A JORNALISTA LÚCIA ROCHA SOBRE DEOCLIDES VIEIRA DE SÁ:


José Mendes Pereira, faz tempinho que li a biografia dele, lembro que é paraibano, nasceu bem na divisa com o RN, foi seminarista em Fortaleza, até contar ao pai que não tinha vocação para o sacerdote. Foi lecionar, veio para Mossoró, onde passou a trabalhar com comércio, montou seu negócio próprio na Cel. Gurgel, vendia de tudo e seu filho único homem, Antônio foi comercializar sal e faleceu jovem, antes dos 60. 

Seu Deoclides valorizava demais os estudos e encaminhou bem suas filhas, gostava de receber amigos em sua casa na mesma rua da loja, ao som de piano tocado pelas filhas, duas sobrevivem, moram na mesma casa e mantém o Instituto Alvorada. Estudei com um neto que tinha o nome do avô, faleceu muito jovem há uns três anos. 

Uma pessoa que admira bastante a figura do avô é Herbert Vieira, da Cimsal Indústria Salineira, quando a gente se encontra dois assuntos não faltam: seu Deoclides e o ex-prefeito de Mossoró, médico Paulo Fernandes, filho de Rodolfo Fernandes.

Lúcia Rocha - jornalista

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:
http://minhasimpleshistorias.blogspot.com

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Virgulino Ferreira da Silva - o famoso Lampião do nordeste brasileiro


Comparado a Robin Hood, Lampião roubava comerciantes e fazendeiros, sempre distribuindo parte do dinheiro com os mais pobres. No entanto, seus atos de crueldades lhe valeram a alcunha de "Rei do Cangaço".

Para matar os inimigos, enfiava longos punhais entre a clavícula e o pescoço. Seu bando sequestrava crianças, botava fogo nas fazendas, exterminava rebanhos de gado, estuprava coletivamente, torturava, marcava o rosto de mulheres com ferro quente.

Maria Marques e a marca ferrada - http://lampiaoaceso.blogspot.com

Assassinou um prisioneiro na frente da mulher, que implorava perdão. Lampião arrancou olhos, cortou orelhas e línguas, sem a menor piedade. Perseguido, viu três de seus irmãos morrerem em combate e foi ferido seis vezes.

Outra vítima de Lampião e Zé Baiano - http://lampiaoaceso.blogspot.com

Grande estrategista militar, Lampião sempre saía vencedor nas lutas com a polícia, pois atacava sempre de surpresa e fugia para esconderijos no meio da caatinga, onde acampavam por vários dias até o próximo ataque.

Apesar de perseguido, Lampião e seu bando foram convocados para combater a Coluna Prestes, marcha de militares rebelados. O governo se juntou ao cangaceiro em 1926, lhe forneceu fardas e fuzis automáticos.

http://www.eunapolis.ifba.edu.br

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Cariri Cangaço, onde o Brasil de Alma Nordestina se Encontra !

 Por: Manoel Severo
Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço

Uma grande festa. É com esse sentimento que estamos aguardando a todos os amigos, em nosso Cariri Cangaço 2013, a partir da próxima terça-feira, dia 17. Todos os preparativos estão sendo ultimados; equipes inteiras de profissionais qualificados dos municípios de; Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Barro e Porteiras; estão dando o melhor de si para receber você, que está vindo de todo o Brasil.

Foram horas intermináveis de planejamento, tudo foi pensado para oferecer a você, dentro das nossas limitações, o que de melhor temos em nosso Cariri do Ceará. Aqui não teremos apenas um conjunto de Conferências, Debates, Discussões, Aprofundamentos e Visitas Técnicas; aqui teremos um verdadeiro Encontro de Amigos, os vaqueiros da história, como costumava chamar, o velho e inesquecível Decano: Alcino Alves Costa, o Caipira de Poço Redondo, esse não estará conosco em corpo físico, mas certamente permanece entre nós em espírito e deverá vibrar a cada momento, a cada hora, a cada minuto...


O Cariri Cangaço é uma grande Construção Coletiva, a partir de sua Curadoria, seu Conselho Consultivo e o apoio da SBEC, do GECC e do GPEC, procura reunir a partir de uma programação plural e dinâmica, temas palpitantes e eternamente atuais. O zelo e o compromisso de todos os amigos é sem dúvida um ponto alto do evento, garantindo a qualidade e a credibilidade necessárias para sua consolidação como um dos maiores eventos do gênero, no Brasil.

O comprometimento e o trabalho sensacional dos municípios anfitriões, que não medem esforços para tornar o Cariri Cangaço inesquecível, merece um agradecimento especial. A todos os gestores que ao nosso lado acreditam que podemos realizar esse sonho, o nosso muito obrigado. As equipes dos amigos José Cícero, de Aurora; Sousa Neto, de Barro; George e Bosco André, de Missão Velha; Ticiano Linard, de Porteiras; Marli Bezerra, de Juazeiro do Norte; Sitõe Luna, de Barbalha; Dane de Jade, de Crato e Cristina Couto, de Lavras da Mangabeira, demonstraram mais uma vez força e um talento incomum, próprio do sertanejo nordestino que não se rende nunca! Parabéns!


Agora, enquanto estamos finalizando os últimos detalhes do Cariri Cangaço 2013, você de todo o lugar desse Brasil gigante e fantástico, arrume sua mala e venha correndo se unir a essa grande família Cariri Cangaço, pode até parecer difícil chegar até aqui, mas difícil mesmo será nos deixar e não se comprometer para o resto de suas vidas ! Click no link abaixo, se ainda não conhece a programação oficial e venha para cá, estamos esperando você!

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2013/09/programacao-cariri-cangaco-2013_6.html

Cariri Cangaço, onde o Brasil de Alma Nordestina se Encontra!

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sábado, 14 de setembro de 2013

Show... De Graça!

Contribuição: Compadre Luiz Lemos
www.vejajuazeiro.com.br

Esta, quem me contou foi o meu Compadre Jesuíno Barbeiro, lá de Vitória da Conquista - BA.

Diz ele que é verdade:

Em junho de 1.972 Luiz Gonzaga foi contratado ( verbalmente! ) por um tal Duda Mathias, dono de um grande forró, para animar, com sua sanfona e seu talento, uma festa junina, naquela cidade.

Festa grande, quadrilha, bares, barracas de comida e bebida, um som "estrondoso" para a época, um palco imenso! E a atração principal, claro, Luiz Gonzaga!

Pois bom...

Terminado o Show, sucesso total, o povo ao delírio... Gonzaga ficou esperando o promotor da festa, para receber o cachê, verbalmente combinado.

E não é que o homem sumiu com o dinheiro? Cadê o Seu Duda? Sei não... sumiu de novo!!!

Comentaram que ele tinha esse estranho costume.

Lua esperou, esperou, e... nada!

Lá pelas tantas, muita gente ainda na festa, o forró comendo solto, com a banda do meu Compadre Arnaldo Peron.

E Gonzaga, cansado de esperar, tomou uma súbita decisão:

- Quer saber? Vou resolver isso é agora! Do meu jeito!

Voltou ao palco, pegou o microfone, parou a banda e disse:

- Gente, eu fiz um cumbinado cum Seu Duda Mathias, o dono da festa. Não vou cobrar nada dele! Cantei de graça, pra vocês. E ele, pra compensar, disse que, de agora em diante, TUDO AQUI É DE GRAÇA!!! Nos bares, nas barracas, tudo. É de vocês. Pode invadi, môs fi!!! É DI GRÁTIS!!!

E viva São João!!!

Disse isso, desceu do palco, entrou no carro e foi embora, tranquilo e satisfeito!...

Foi uma confusão dos diabos. O povo invadiu e não sobrou nada!

Diz o meu Compadre Jesuíno Barbeiro que o tal "dono da festa" até hoje está trabalhando para pagar o prejuízo!!!

Eitha Gonzaga!!! Ô véi macho!!!

Se eu tenho provas? Sei não... Só sei que foi assim!!!
Contribuição: Compadre Luiz Lemos


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RETALHOS SERTANEJOS (AS PEQUENAS COISAS DE UM IMENSO MUNDO)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

RETALHOS SERTANEJOS (AS PEQUENAS COISAS DE UM IMENSO MUNDO)

A vida e o cotidiano do povo sertanejo possuem uma significação verdadeiramente difícil de ser explicada ao citadino. Dificilmente o sulista irá compreender porque ações tão simples, tão corriqueiras e desprovidas de intencionalidades outras, se tornam na essencialidade da existência de um povo.

Desde o anoitecer ao amanhecer, no percurso do dia e em quase tudo que se faça, o sertanejo vai juntando pedacinhos de coisas, juntando pequenas ações, costurando o simples com a simplicidade, até formar a grande colcha de sua existência. E bordada com as maiores significações. Seja na fé, no alimento, na religiosidade, no fazer cotidiano mais simples, em tudo um jeito diferenciado de graciosa realização.

O preparo de um simples café exige um percurso de adoração. Aprontar o pilão, despejar os grãos, bater demoradamente, ver tudo esfarelado e sentir o negrume do pó depois de peneirado. Ajeitar o fogão de lenha, providenciar o bule, despejar a quantidade certa de água, levar ao fogo por cima do braseiro em chamas. Derramar o pó, mexer, tampar e esperar a fervura. Não demora muito e a moradia e arredores já estão tomados pelo melado negro e aromatizado do saboroso café. E depois é só agradecer a Deus pela dádiva daquele incomparável saborear.

A gestação de um autêntico cuscuz de milho ralado se assemelha a um ato de fé. Primeiro escolher o milho, preferindo as espigas que estejam entre o verdor e a secura, de modo que os caroços não se transformem em papa. Depois colocar o ralo em cima do banquinho apropriado e então começar o vai e vem com a espiga, sentindo que o farelo amarelado vai se juntando abaixo do ralo. Quando o milho ralado já é suficiente para encher um cuscuzeiro grande, então tudo é cuidadosamente colocado no utensílio, coberto com pano limpo e colocado no fogão de lenha. Uns cinco minutos depois e uma névoa cheirosa desponta do pano, vai subindo pelos ares e toda a vizinhança fica sabendo que ali vai ser apreciada comida sem igual no sertão.


O cuscuz de milho ralado fica melhor ainda se for acompanhado de ovos de galinha de capoeira. Não há nada melhor no mundo, segundo afirmam meus conterrâneos. E tenho prova disso, pois várias vezes já repeti o prato e ainda fiquei com uma vontade danada. Gulodice sim, mas justificada, e pelas razões já expostas. Mas até o preparo dos ovos exige um procedimento todo especial. Ovos de galinha de quintal, de capoeira, dos terrenos pelos arredores. Logo cedinho dá-se o seu recolhimento e a colocação das preciosidades numa cesta acima da mesa da cozinha, e próximo às panelas, pois sempre mais fácil lançar mão de dois ou três quando na presença de cuscuz, de feijão de corda verde ou de macaxeira ou inhame.

Também não é raro o preparo de doces, cocadas e outras guloseimas deliciosas. Tudo parecendo abençoado pelos deuses sertanejos, pois inegável a festa dos olhos diante daquelas cores e sabores. Doce de leite com bola, deixando o leite açucarado, temperado com cravo da índia e cascas de limão, ferver à vontade. Pela quantidade de ovos é que se tem o tamanho das bolas. Quando as nuvens açucaradas tomam um amarelo mais forte e a calda engrossa, então já está no ponto, como se diz por lá. O doce de coco, talvez por ser muito trabalhoso, pois exige não só o coco ralado como também leite de vaca e até ovos, acaba valorizado e apreciado mais ainda.

Sem falar na verdadeira trabalheira que dá o preparo da cocada de frade, pois exige não só a retirada de todos aqueles espinhos, a remoção da casca grossa verdosa até a obtenção da polpa esbranquiçada, para somente depois proceder como uma cocada normal, inclusive com seus ingredientes. E ainda os bolos, o queijo de coalho, a coalhada, o melão do mato batido no garfo. E que Deus grandioso esse Deus sertanejo, que colocou a maestria no preparo dos melhores pratos naquelas mãos rudes e tão sábias.

Quem quiser comprovar o que digo faça o favor de ir até o sertão e procurar saber em qual cozinha está sendo preparado um sarapatel, uma buchada, uma feijoada matuta, uma carne assada, um cozido com verdura, uma galinha caipira, um capão de mulher parida. Infelizmente não há mais cozinheiras de feira como Jarde de João Lameu. Duvido alguém preparar uma panelada de fígado ou de carne de gado como ela fazia. Logo cedinho, com tudo fresquinho, e o seu pequeno ambiente já tomado de sertanejos se empanturrando com tantas fervuras encantadoras.

Contudo, não há rotina mais fascinante que aquela onde toda a fé sertaneja é demonstrada. O benzimento na chegada e na saída, o respeito pelos retratos santos logo à entrada da casa, o coração comovido e devotado diante do oratório, o pequeno livreto santo aberto em cima de um móvel, as fitas dos santos e imagens sacras guardando os ambientes. A fé e a religiosidade desde o primeiro instante do dia, as preces e orações, a divina gratidão por tudo que a vida oferece. Somente o sertanejo para ser assim, grato e devotado demais até mesmo no sofrimento, pois a crença que o dia seguinte será sempre melhor.

Poeta e cronista
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