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terça-feira, 11 de outubro de 2016

A CANGACEIRA CATARINA


Nos tempos que se foram a vida não era nada promissora para os jovens sertanejos nos vários Estados que compõem o Nordeste do País. A coisa não era fácil para os homens, imaginem para as mulheres, naquela época?

A mulher sertaneja sempre era criada para trabalhar, servir ao marido em tudo. Nunca que podia ter seu próprio querer e viver sua vida. Até para estudar, como relatos nos mostra eram ‘proibido’ pelos pais para que não “ficassem sabidas”.

Toda proibição faz com que acometa, em um lado oculto da mente, no ser humano, de liberdade e sonhos... Assim ocorreu com várias mocinhas sertanejas. 

Viram elas, a liberdade, o direito de fazerem o que queriam tão cobiçadas na maneira dos cangaceiros viverem. Nômades, não prestando satisfações para quem quer que fosse. Esse sonho foi o motivo de várias delas seguirem na trilha sangrenta do cangaço.


Havia uma jovem chamada Catarina Maria da Conceição, filha do Sr. Arsênio José da Silva e dona Maria da Conceição, que foge do aconchego do lar de seus pais, para seguir uma paixão alucinante pelo jovem João Francisco da Silva, de alcunha, nas hastes cangaceiras, “Nevoeiro”.

Nevoeiro, quando ainda João Francisco da Silva, juntos com seus irmãos nasceram e viviam na fazenda Baixa Funda, hoje região do município de Paulo Afonso, BA. Quando, mais tarde, ele e os irmãos, Silvino e Martins, entram para o cangaço e passam a serem chamados pelas alcunhas de “Jurema” e “Pó-Corante”, respectivamente.

Talvez por que ‘lá’ já estavam suas primas Inacinha e Rosa, Catarina tenha tido coragem de seguir por esta ‘vereda’, do crime, do banditismo... do cangaço. Mas, para ela, do amor, da paixão e da liberdade.

Catarina se faz companheira do cangaceiro Nevoeiro e vivem, segundo relato de historiadores, um amor intenso.

“(...)Catarina e Nevoeiro viveram intensamente o amor que juraram um ao outro, foram bastante apaixonados (...).” (LAMPIÃO EM PAULO AFONSO” – LIMA, João De Sousa.)

Acreditamos que a cada parada, os casais cangaceiros se entregavam ardentes, pois tinham apenas instantes para isso, entre uma carreira e outra por dentro da caatinga.

Da esquerda para direita Jurema, Jureminha e Nevoeiro - Cortesia do amigo Sergio Dantas

Em uma dessas paradas, deu-se um tiroteio contra uma volante e o cangaceiro Nevoeiro é abatido. Deixando sua amada sozinha, sem seu amor, porém, um fruto estava a gerar-se em seu útero. Fruto de tão alucinada paixão.

Havia uma determinação nos grupos cangaceiros de que mulher não podia viver sem companheiro. Aquela que teimasse em seguir sozinha, após perder seu companheiro, era condenada a morte. Essa determinação era para que, se fossem pegas elas não revelassem aos perseguidores as localidades onde faziam seus acampamentos, coiteiros e fornecedores.

A barriga de Catarina começa a crescer, dificultando sua locomoção dentro do mato, nas inúmeras fugas que tinham que fazer. Pensando na criança em seu ventre, e na sentença de morte que poderia a qualquer momento ocorrer, ela dá uma escapada e entrega-se as autoridades.

“(...) A entrega aconteceu na fazenda Patamuté, em Macuraré, ao tenente Zé Soares (...)”.(Ob. Ct.)

Com toda certeza ela sabia que tiraria cadeia, após se entregar. Mas, estava pensando naquele ser que já se mexia bastante dentro dela. Porém, ao ver o avançado estado de gravidez, o oficial não permite que a mesma seja encarcerada. Aluga uma casa e a coloca para morar.

No meado de 1937 ela dá a luz a uma menina, a qual recebe o nome de Alzira Maria da Conceição.

Ao passarem sete dias de ‘resguardo’, Catarina é transferida para a cidade de Água Branca, nas Alagoas. Naquele Estado, na cidade de Água Branca, o tenente Zé Soares não tem poder. Ela, perdendo essa proteção é presa e perde a guarda da sua pequena filha. Alzira ficou aos cuidados da avó Libânia e de algumas irmãs de Catarina que tinham ido acompanhando-a até aquele novo Estado. Uma das irmãs, levava a pequenina Alzira para que sua mãe a alimentasse com o leite de seus seios.

“(...) Sabina era a irmã de Catarina, responsável de levar a criança todos os dias para ser alimentada através das grades da cadeia, um grande martírio para aquela mãe que pagava o preço de ter pertencido ao grupo que seguia o famigerado Lampião (...).” (Ob. Ct.)

Passa o restante do ano de 1937. Já em meados do ano de 1938, Lampião é abatido na grota do riacho Angico, em terras sergipanas. Segundo pesquisadores, mesmo estando ainda presa, a notícia entristece, mais ainda, a cangaceira Catarina, que outrora fora companheira do cangaceiro Nevoeiro.

Depois de alguns meses, após a morte do “Rei dos Cangaceiros”, Catarina é colocada em liberdade. Tendo sua filha, sua mãe e suas irmãs ao seu lado, a ex-cangaceira retorna à sua terra natal.

As perseguições aos cangaceiros continuam com muito afinco. Catarina tem notícias de que, mesmo aqueles que cumpriram pena por terem pertencido ao cangaço, estavam sendo mortos. Então toma os devidos cuidados, e um deles é alterar a data de seu nascimento.

“(...) Catarina fugiu para Paulo Afonso(BA), ocultando o seu passado e tentando ser esquecida. Para recomeçar uma nova vida, ela alterou em dez anos sua data de nascimento, passando de 10 de agosto de 1915 para 05 de julho de 1925 (...).” ( Ob. Ct.)

Depois de longos e árduos anos, Catarina recomeçou sua vida com outro companheiro. Casa-se com o Sr. Manoel Medrado da Silva, em 1º de julho de 1972. Casamento oficializado pelo Juíz de Direito Dr° Kleber Vaz Sampaio.


Catarina Maria da Conceição faleceu às 13:30 horas do dia 24 de fevereiro de 1993. Em sua residência, na avenida Joana Angélica, na cidade de Paulo Afonso, BA.

Fonte/foto LAMPIÂO EM PAULO AFONSO” – LIMA, João De Sousa. 


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ENTRE CABRAS UMA FLAUTA DOCE NO SERTÃO DO MENINO

Por Camilo Lemos
A Cidade de Lajes no centro do Rio Grande do Norte estava em festa, todos envolvidos no FLILAJES, Festival literário de Lajes, realizado de 08 a 10 de setembro de 2016, o homenageado foi Antônio Cruz. Fui acompanhando Professor Múcio Procópio, chamo-o de Prof. Múcio desde que o conheci, a palavra professor se incorporou ao seu nome. Não consigo chamá-lo simplesmente de Múcio, mesmo depois de algum tempo de amizade.
Na quarta-feira à noite do dia 07 de setembro, prof. Múcio me convoca: “Camilo, vamos a Lajes!”, com o tom de voz de satisfação característico de quando ele fala que vai a Lajes. Respondi de bate pronto: “Tudo bem Professor”.  Além de poder aprender com mais uma viajem, ter o privilégio de ir com um filho de Lajes que tem forte amor pelo berço, eu também iria rever “DUDU”.
Dudu tem 09 anos de idade e é filho de Tonhinho, primo de Prof. Múcio. Na primeira vez que estive nas Caraúbas, localidade onde foi construído o primeiro açude de LAJES-RN, conheci Dudu que me apresentou, com muito entusiasmo, as cabras e dois cabritos, os quais ele estava dando um reforço alimentar com a mamadeira. Tocou-me a maneira como ele lidava com os animais! Um exemplo de grandeza humana.
A época era muito difícil. Muito dura. Já eram quatro anos que a seca castigava a região e estávamos entrando no quinto ano, era dezembro de 2015. Os animais sofriam. Tudo seco na região, os galhos dos “pés de pião” contorcidos davam a impressão de que estava tudo invertido, ali as raízes nasciam para cima e as folhas e tudo que era verde nasciam para baixo do chão fugindo do sol.
Querendo retribuir a gentileza à Dudu, perguntei se ele gostava de música, então fomos para as primeiras lições de leitura rítmica, trata-se do reconhecimento dos valores na música, duração dos sons e das pausas, noções básicas. Dudu é muito inteligente, gosta de matemática, portanto a tarefa não seria difícil para ele e mesmo assim ele me surpreendeu. Prometi a Dudu uma flauta doce para iniciar os estudos do instrumento e uma camisa do Vasco. Pois bem, era hora de rever Dudu e levar os presentes.
Viagem boa, prof. Múcio guarda todo o mapa e a paisagem antiga na cabeça, então vem remontando o caminho, estradas, trilhas, plantações, propriedades numa verdadeira aula de campo. Chegamos antes do horário previsto e fomos andar pela região. Depois da reunião onde foram definidos alguns detalhes da participação de prof. Múcio na FLILAJES, seguimos para as Caraúbas. Tonhinho nos recebeu e fui logo perguntando: “Cadê Dudu?”. Respondeu Tonhinho: “Dudu está bem, está na casa da Mãe dele, está se arrumando para ver uma apresentação lá no centro”. Era a FLILAJES, o envolvimento do povo de Lajes com o evento é de se admirar. Eu disse: “tudo bem, vou me encontrar com ele lá.”
Depois do almoço, uma rede para descansar e um vento morno para embalar. Quando Tonhinho estava saindo para o evento, falei com Dudu, disse da flauta e que gostaria de dar uma aula para ele se quisesse. Não vou tentar descrever a cara que Dudu fez, pois não conseguiria. O mais próximo que posso chegar é de uma grande mistura de surpresa, alegria e ansiedade. Dudu seguiu com sua família, pai, mãe e irmã para o centro de Lajes, fomos logo depois.
Ruas enfeitadas, alunos e professores terminando os últimos detalhes. Cangaceiros e cangaceiras, sacis pousavam para fotografias junto a mula sem cabeça, o maior tinha menos que um metro e meio de altura. O centro das atenções eram as crianças, aquele momento era delas, das crianças.  Netos, avós, pais, vizinhos, amigos e conterrâneos estavam ali, todos. É muito gratificante ver a cidade daquele jeito, todos envolvidos com a sua cultura, a esperança chegava com um vento frio.
Fomos procurar um lugar afastado do local do evento, para apresentar a flauta doce a Dudu. Encontramos um banco de uma praça, que era também praça de alimentação perto do ginásio no centro de Lajes. Começamos, Dudu foi indo, o cabra é daqueles seres humanos que querem aprender e aprendem fácil. Ele é sereno e puro, simples e forte, menino bom do sertão.
Dudu
Começou a escurecer e fomos para uma mesa de uma lanchonete onde havia luz. Continuamos, Dudu começava a ficar intimo das semínimas e colcheias e suas respectivas pausas, chegamos ás notas Sol, Lá e Si, na flauta e na pauta. A tarde havia se despedido e a noite veio. O vento continuou frio só que agora mais forte. Chegou a hora de nos despedir , os familiares já nos esperavam.
Sugeri então: -Dudu, era bom nos encontrarmos amanhã para eu ver como ficou a lição, tirar suas dúvidas, praticar mais um pouco… Dudu com a mesma cara que não sei descrever perguntou:-E vocês vão de que horas amanhã? Respondi:–Vamos voltar amanhã pela manhã, lá pelas 10 horas, apareça na casa de seu pai um pouco mais sedo que podemos adiantar tudo bem?-Tudo bem. Tudo bem…E com a mesma rapidez que respondeu, perguntou:-Às 05:00h tá bom? Olhei para Dudu e o tranqüilizei:– Hômi, não precisa ser tão cedo… E ri.
A programação do FLILAJES foi noite adentro poesia, música, leitura dramática, troca de livros, mesa redonda e dança. Lajes estava dando um grande exemplo de como a cultura pode aproximar as pessoas, como disse antes, várias gerações estavam ali prestigiado sua arte e sua história.
A noite passou, a madrugada chegou e o vento gelado deixou a ponta dos meus dedos dormentes, “nessas alturas” já havia desistido de dormir no alpendre da casa de Tonhinho. Na volta contei ao prof. Múcio sobre o horário que Dudu propôs para a aula – Cinco horas ta bom? – Rimos muito e fomos dormir.
Acordei com o som dos animais logo cedo por volta das 4h e 30min, o som foi aumentando, eram os animais chegando perto da casa, pensei, são os bichos vindo pedir comida de manhã. Fiquei na rede, estava muito frio ainda.
Ouvi Tonhinho se levantar e abrir a porta: “O que é que você esta fazendo uma hora dessa aqui Dudu? Você tem aula hoje na escola rapaz! E eles estão dormindo ainda!” PENSEI: “EITA PIÚLA!” Dudu tão novo carrega consigo uma das coisas mais preciosas do sertanejo, a palavra. Dudu falou: “Vai ter aula hoje não. É feriado”. Tonhinho incrédulo resolve tirar a prova: “Vai ter aula hoje não? Vou perguntar essa história a sua mãe! Vamos lá.” PENSEI NOVAMENTE: “EITA PIÚLA”. Só que dessa vez mais alto.
Os chocalhos foram se afastando, me levantei, lavei o rosto e prof. Múcio dormia na rede na sala. Voltei pra minha rede e fiquei pensando no que iria dizer a Dudu para que ele não faltasse a escola por minha causa, pois voltaria e continuaríamos as aulas. Olhei as horas: 5h.
O som dos animais foi chegando perto da casa, chegaram. A porta abriu e eles entraram. Quando Dudu me viu acordado olhou para o pai com os olhos arregalados como quem dissesse – Ó ele está acordado! – Abriu um sorriso puro de felicidade. Todos os problemas de Dudu naquele momento tinham se acabado. Primeiro ele não teria aula na escola, de fato era feriado e segundo, eu estava acordado. Ganhei o meu dia naquele momento, estava fazendo parte da felicidade de alguém e ele merece.
Dudu e seus pequenos cabritos
Dudu então disparou com toda a energia: “Você lembra daqueles cabritos? Eles estão grandes e nasceram mais, são muitos, já viu? Venha ver! Vem!” Eu disse: “espere um pouco Dudu, deixe eu vestir uma camisa”. Antes de eu terminar a frase, ele já estava lá fora chamando os cabritos, tive que ir. Lá fora, um frio de cortar e de acordar qualquer um. Interrompi as apresentações no quinto cabrito: “Dudu, só um minuto, meu amigo! Vou vestir uma camisa, estou morrendo de frio”. Para minha sorte, Dudu concordou. Agradeci, corri para a casa e Tonhinho já estava com um café pra mim.
Prof. Múcio já estava acordado, todos conversamos um pouco, menos Dudu que ficava para lá e para cá, só observando. Quando dei a última mordida no pão e o último gole no leite, recebi “a ordem”: “venha aqui, venha ver a cachorrinha, temos uma cachorrinha agora aqui”. Agora sim, o dia havia começado, os primeiros raios de sol apontaram no horizonte, o ar matinal do sertão e, uma paisagem que faz o olhar se perder na imensidão. Contemplei a Serra do Feiticeiro e tudo que estava em minha volta.
Lá estava Dudu me apresentando a cadelinha, quando a vi, perguntei: “Dudu ela tem algum problema?”.  Ela estava toda “mole”, com “pés de mola”, depois se esparramou no chão. Pensei que ela tivesse algum problema nas patas. Tonhinho apareceu e disse: “Não, ela tem nada não, é boazinha, danada que só!” E assobiou para ela que saiu correndo em disparada dando voltas a toda velocidade, mostrando a agilidade dos cães sertanejos. Depois complementou: “Ela fica assim quando está perto dele”. Eu ri. Já estava acostumado com esse tipo de reação vindo dos cães, mas não esperava o que estava por vir.
Saímos em busca do tal cabrito que ele mencionou que já estava grande, fui percebendo que todos os bichos vinham cumprimentar Dudu, passou a primeira turma de cabras e cabritos, todos se dirigiram a ele, segunda turma, a mesma coisa, terceira também. Chamou-me a atenção tamanha naturalidade da relação de Dudu com o ambiente em que vive.
Do outro lado do terreno foi a vez dos saguins, fomos chegando perto de umas algarobas altas, o primeiro apareceu, Dudu foi me explicando que eles são uma família grande e que moram ali: “tem até uma com um filhotinho nas costas, ela aparece já”. Chegamos-nos mais perto, Dudu começou a se comunicar com eles e os saguins foram aparecendo e se aproximando. Quem conhece um saguim sabe que eles são muito ariscos, desconfiados, mas eu estava vendo outra coisa ali naquele momento, eu via uma família de saguins vindo cumprimentá-lo, dar bom dia a Dudu, inclusive a mamãe saguim e seu filhote nas costas. Dudu chamou e ela veio, nesse momento senti que o elo de confiança, de amizade entre eles, era muito grande, mas não comigo. É que a “guarda pessoal” da mamãe saguim estava muito bem posicionada a menos de dois metros da minha cabeça, percebi quando olhei para trás e achei melhor me afastar, pois a presença da fêmea com o filhotinho alterou o comportamento deles que antes estavam apenas curiosos, agora em alerta. Mantive a mesma sintonia de antes, “sou amigo de Dudu, eles não vão fazer nada comigo”. Estava certo e veio outro pensamento: “Será que eles estavam protegendo também Dudu?”
Na volta para casa, achamos o tal cabrito que fomos procurar, estava nessa última turma. Junto também estavam três cabritinhos que ao avistarem Dudu, vieram correndo balançando o rabo e ficaram brincando com ele e comigo.  Dudu contava a vida deles: “Este aqui é ceguinho, um carcará pegou ele quando era bem novinho e deu uma bicada, ele ficou assim”. Os outros dois estavam brincando comigo, eu não conheço a língua das cabras, mas uma cabra grande com seu par de chifre de 20 cm estava deixando bem claro o que queria dizer da forma que me olhava e se movimentava: “quem é esse humano com os meus filhotes?”
Camilo Lemos e Múcio Procópio
Ora, se eu notei, imagine Dudu. Ele veio para perto e tentou me tranqüilizar: “Ela é assim mesmo, é a mais braba que tem aqui, esta assim por que você esta perto dos filhotes dela”, disse-me com a sinceridade, inocência e a pureza das crianças. Mas ouvir isso às seis da manhã foi uma boa dose de adrenalina. No mesmo instante ele se aproximou dela, alisou e balançou sua cabeça pelo chifre, disse qualquer coisa e ela deu as costas e saiu tranquila.
Quando minhas pernas reagiram, achei melhor lembrá-lo da aula e disse: “E aí Dudu, e nossa aula? Vamos lá? Vai ou não vai?”. O local escolhido foi embaixo de uma velha algaroba, onde tem um banco grande e uma comprida mesa de refeição. Começamos a revisão e a nova aula, no final daquela manhã Dudu chegou à nota “dó” e “ré aguda”, agora ele tocava cinco notas na flauta: ré, dó, si, lá e sol.
Deixei Dudu entre pausas e notas. Saí de lá com a certeza que Dudu tem de sobra o que falta ao mundo. Saí também com a paisagem, a natureza, a criança, os animais, com a pureza do sertão. Foi uma manhã inesquecível, aprendi sobre as plantas de lá, o que os bichos comem e não comem. Foi uma aula sobre a vida e sobre um menino que tem uma intimidade com as animais que pouquíssimos veterinários que conheci têm. Dudu não sabe, mas a verdadeira aula quem deu foi ele.
Despedi-me dizendo:– Dudu que privilégio você têm, toda manhã você tem isso! Ele riu encabulado e falou: “Só não deu para ver os preás, eles são muito ligeiros”. “Tem nada não Dudu, fica para próxima.” No tempo da indelicadeza, Dudu é uma riqueza.
Camilo Lemos, Natal RN
Fonte:https://camilolemosartecultura.wordpress.com/2016/10/09/entre-cabras-uma-flauta-doce-no-sertao-do-menino/
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O Sertão Anárquico de Lampião - autor: Luiz Serra;

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LAMPIÃO E OS COMPRIMIDOS da BAYER (Alemã )...!

Por Voltaseca

O árabe Benjamin Abrahão conseguiu a famosa proeza em 1936, em plena caatinga nordestina, transformar Lampião em GAROTO PROPAGANDA da multinacional BAYER.

Para tanto, o árabe Abrahão Benjamin filmou o rei dos cangaceiros fazendo uma encenação, entregando COMPRIMIDOS DE CAFIASPIRINA DA BAYER (servia para dor de cabeça, resfriados etc) aos cangaceiros do seu grupo.

Confira acima uma fotograma retirada do filme de Abrahão em que mostra Lampião entregando os famosos comprimidos.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

FEITICEIROS NA ILHÉUS SETECENTISTA

Por Rostand Medeiros

O amigo Urano Andrade, de Salvador, Bahia, publicou uma interessante história ocorrida em junho de 1761, na bela cidade baiana de Ilhéus, onde dois homens negros foram presos como “feiticeiros”, resistiram a prisão e na sequência do processo do processo houve algo bem diferenciado. 


Além das informações contidas no texto, é interessante ver a forma como estes documentos oficiais eram elaborados há 255 anos, os termos utilizados na época, mas preocupações dos membros da justiça. Vale frisar que os documentos produzidos em terras potiguares no período setecentista não diferem em nada da forma aqui apresentado.


Dou parte a Vossa Majestade em como a esta Villa vieram conduzidos por Ignácio Fernandes de Souza, morador nesta Villa, dois pretos feiticeiros, os quais entraram a curar publicamente de feitiços a várias pessoas, usando de arte diabólica com alguidares de água em que faziam aparecer figuras, e para isso se punham a falar com galos pretos, sapos e outras visagens semelhantes, em que diziam adivinhar, pondo preços exorbitantes dinheiro para a paga das ditas curas, que mais parecia furtos que curas, levando vinte mil réis, e dali para cima a cada pessoa sem que tivessem estas vigor, antes alguns pioraram, e morreram e era tudo uma confusão nesta Villa com estas artes diabólicas, e vendo o Reverendo Vigário da Vara estas feitiçarias de que usavam os ditos pretos, os mandou prender valendo-se para isso do socorro da justiça secular pedindo-me ajuda, e foi o que logo fiz mandando pelos oficiais [diante de] mim prendessem os ditos pretos, e indo se executar a dita prisão em o dia 25 do mês de março, achando-me eu também presente, se puseram estes em resistência puxando por facas de pontas, armas proibidas pela Lei por andarem estes para esse efeito preparados, e com elas feriram perigosamente a um dos oficiais, e a outro que ia em socorro a mesma justiça, sendo seu maior empenho o maltratarem-me que se não fora o defender-me o fariam; e sendo com efeito presos prossegui a devassa pela resistência feita a Justiça a armas por editais fazendo-lhe prontamente sequestro em uma caixinha pequena com duas fechaduras em que se lhe achou sessenta e tantos mil réis em dinheiro, roupas e algumas peças de ouro que se lhe havia dado em penhor de algumas curas, e muito por praticas de feitiçarias em que entravam algumas coisas sagradas das quais tomou entrega o mesmo Reverendo Vigário da Vara, que presente se achava, e também procedeu a devassa e sequestro, cujos pretos os fiz remeter com a devassa, seguros com ferros a cadeia dessa cidade ao Doutor Ouvidor Geral do Crime, por José Luiz Pinto, mestre e dono de uma lancha, morador este na Villa do Camamu por levar também em sua companhia os escravos que foram dos Padres da Companhia cujos ia a entregar ao Desembargador Chanceler, e Juiz Comissário da Inconfidência, e por ser público e notório nesta Villa que o dito José Luiz Pinto não entregara os ditos presos nem a devassa pelos haver postos em liberdade por dadivas de dinheiro que lhe haviam dado, mandou prender o Doutor Corregedor da Comarca na Villa do Camamu, onde se acha por causa do dito José Luiz lhe não apresentar recibo de uns e outros presos por correr naquela Villa a mesma fama de que os havia soltados, nem menos mandou entregar em esta Villa os ferros em que foram seguros os ditos presos uns e outros, e como o Juiz Ordinário desta Villa dou conta a Majestade para a nenhum tempo me prejudicar. Villa dos Ilhéus, e de Junho 10 de 1761. Vossa Majestade. 

Vassalo o mais obediente;
Antonio José Martins.           
Correções: J.J.R.
Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia, seção colonial, maço: 201. 

Urano Andrade é Graduado em História, Pós Graduado em História Social e Econômica do Brasil Colônia, mas para mim é um caçador de histórias interessantes da Bahia colonial. Histórias que ele disponibiliza, em um interessante trabalho de democratização da informação histórica e do seu trabalho como pesquisador no blog “Pesquisando a História” ( https://uranohistoria.blogspot.com.br/ ), onde vale a pena a visita.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

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NOVO LIVRO NA PRAÇA - A ARTE DE ISAC DE OLIVEIRA


 UMA LEITURA INDISPENSÁVEL:
PARA ADQUIRIR, FAVOR ENTRAR EM CONTATO COM O AUTOR:

ISAC DE OLIVEIRA

Travessa da Liberdade 76
Centro - Paulo Afonso-BA
CEP 48.602-480
Telefones:
(75) 3281-3182 
(75) 98843-6819 (Isac de Oliveira)
(75) 98843-6791 (secretária: Maide Silva)
E.mail: oliveiraadvassociados@outlook.com

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OS VALENTES HOMENS DE NAZARE DO PICO, " OS FLOR"


Campo da Ema, terra pertencente à antiga fazenda Algodões - arrendada em 1819 por Manoel de Souza Ferraz, nasceu em 1870, João de Souza Nogueira, futuro líder de uma família que teria sua importância na história da região e no combate ao cangaço: os Flor.

João de Souza Nogueira, ou João Flor, como tornou-se conhecido, era filho de Florência Filismina de Sá (Flor) e de Manoel de Souza Ferraz (JSF, Tn 18). Estimado e respeitado pela gente da terra, casou-se com Angélica Teodora de Souza e, por solicitação dos habitantes da região, assumiu em 1907 o cargo de subdelegado na fazenda Ema. Sempre procurando cooperar na manutenção da ordem, assumiu posteriormente cargos semelhantes. Era um homem ponderado em sua função de conselheiro e apaziguador de conflitos. Afável, levava, à sua maneira, vida social intensa, a despeito da violência que por vezes grassava na região.

Dotado de boa voz, tornou-se seresteiro requisitado, cantando muitas vezes ao lado do irmão Francisco e da negra Rita Grande. Na noite de 23 de junho de 1918, tornou-se padrinho de São João de Virgulino Ferreira da Silva, o futuro Lampião. Mais tarde se empenharia na luta contra o bandido até que, ao retornar de uma peleja, foi acometido de um acidente vascular cerebral que o deixou semi-paralítico. A sua luta iniciada contra o banditismo teria continuidade através dos seus filhos Euclides de Souza Ferraz (01.03.1897 - 07.01.1968), Odilon de Souza Nogueira, Luís de Souza Nogueira, Américo, Hildebrando, Ildefonso e Manoel de Souza Ferraz. Também eram seus filhos: Valdemar de Souza Ferraz, Ana Angélica (Donana) e Emília Angélica de Souza Ferraz.

https://www.facebook.com/virgulinoferreira.ferreira.5?fref=hovercard

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O TEMÍVEL LAMPIÃO ESTÁ MORTO!

Por José Mendes Pereira
Foto do site tokdehistoria.com.br do historiógrafo Rostand Medeiros

Amigos leitores deste blog, infelizmente, Virgolino Ferreira da Silva o sanguinário e perturbador da tranquilidade do nordeste brasileiro, o capitão ou o rei do cangaço o Lampião, está morto. Foi morto a tiros e depois degolado pelas tropas do tenente João Bezerra da Silva.


Usei a palavra "infelizmente", não para defender fora-da-lei, mas para mostrar que se foi, a vida de um "sertanejo", que antes era do bem, trabalhador, cumpridor dos seus deveres, cuidador dos seus queridos pais, irmãs e irmãos, familiares de modo geral, que talvez desejava ser um fazendeiro, um médico ou outra coisa semelhante, com tranquilidade, junto com aqueles da sua idade que os viu crescer e, atufarem-se nas águas barrentas dos rios, e em outros momentos, cristalinas, e de repente, sem menos pensar e desejar, o destino desviou o seu caminho, caminho este que jamais colocaria os seus pés por espontânea vontade; as coisas mudaram, e mudaram para desgraçar a vida de quem tinha bons planos para o futuro.

Agora, as famílias do sertão do nordeste brasileiro podem respirar fundo. O capitão Virgolino não tirará mais a tranquilidade destes sertanejos, infelizmente, ele está morto. Finalmente, Lampião está sobre os pedregulhos da Grota de Angico, no Estado de Sergipe. Uma data que, por ser múltiplo do número 7, segundo a cigana de Pariconha nas suas previsões, o número 7, não seria nada bom para Lampião, e assim foi. 

Clique no link e leia as semelhanças referentes ao número 7.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2012/10/para-voce-que-ainda-nao-o-leu-cigana-de.html

Mesmo ele tendo sido um homem perverso e sanguinário, nenhum de nós tem o direito de julgá-lo. O que ele passou diante de todos os seus familiares, vizinhos e amigos, ver a mãe enfartar e não resistindo, veio a óbito; posteriormente a morte do seu pai sem que ele tinha nada com os seus problemas; desrespeitado, humilhado, proibido de frequentar festas decentes, perseguido pela polícia, e por uma boa parte de pessoas civil, não é para qualquer um suportar sem retaliação. 

Vamos calar a nossa boca para não fazermos injustiças com Lampião. Lógico que santo ele não foi, mas de nós, quem será santo?

Disse Lampião quando foi entrevistado pelo jornalista José Alves Feitosa do Jornal “A NOITE”, de Recife-PE. Essa entrevista foi publicada pelo Jornal Cearense “O POVO”, no dia 04 de junho de 1928. Lá se vão 88 anos. 

“Não sou cangaceiro por maldade minha, mas pela maldade dos outros”. "... é por isso que de rifle às costas, cruzando as estradas do sertão, deixo um rastro sangrento na procura dos assassinos de meus pais”. Publicação do Jornal "O POVO” / Ceará - 04/ junho/ 1928.

Os pais de Lampião José Ferreira da Silva e dona Maria Sulena da Purificação.

Dona Maria Sulena da Purificação a mãe de Lampião não foi assassinada, faleceu em consequência da pouca consideração do seu vizinho Zé Saturnino a seus filhos (mas mesmo eles não querendo que isso acontecesse, eles também colaboraram por continuar com as suas perseguições contra o Zé Saturnino); e principalmente, o desrespeito deste contra o patriarca José Ferreira da Silva. 

José Saturnino

Mas o que Lampião diz que os pais foram assassinados é justamente para ganhar apoio da população que não conhece como aconteceu o falecimento da sua mãe. Isso faz parte de quem quer ser aplaudido pela população.

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BLITZ NA ROTATÓRIA AMANHÃ (11/10)


A ADUERN realiza amanhã (11), a partir das 16h, uma blitz educativa na rotatória da Avenida Francisco Mota, no bairro Costa e Silva em Mossoró.

Na oportunidade, vamos distribuir panfletos e conversar com motoristas, motociclistas, ciclistas e toda a comunidade sobre o processo de sucateamento das universidades públicas e os recorrentes atrasos no pagamento dos salários dos servidores estaduais.

CONVIDAMOS todos os professores e professoras a se unir à blitz e fortalecer a luta contra os atrasos salariais e os desmandos do Governo de Robinson Faria.

ATIVIDADE: blitz educativa

LOCAL: Rotatória da Avenida Francisco Mota, no bairro Costa e Silva em Mossoró.

DATA E HORA: Amanhã (11/10) a partir das 16h.

QUEM PODE IR? Professores, professoras, estudantes e toda a comunidade mossoroense que deseje lutar contra a retirada de direitos.

Para mais informações:


Jornalista
Cláudio Palheta Jr.
Telefones Pessoais :
(84) 88703982 (preferencial)

Telefones da ADUERN:

ADUERN
Av. Prof. Antonio Campos, 06 - Costa e Silva
Fone: (84) 3312 2324 / Fax: (84) 3312 2324
E-mail: aduern@uol.com.br / aduern@gmail.com
Site: http://www.aduern.org.br
Cep: 59.625-620
Mossoró / RN
Seção Sindical do Andes-SN
Presidente da ADUERN
Lemuel Rodrigues

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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AS ENCHENTES DO RIO MOSSORÓ - 09 DE OUTUBRO DE 2016

Por Geraldo Maia do Nascimento

Quem olha hoje para o Rio Mossoró, de águas mortas e cobertas de vegetação, preso em suas barragens, cortado por pontes e dividido em três braços, dificilmente pode imaginar o que foi esse rio no passado, correndo livre em seu leito, calmo e navegável durante o nas secas, mas extremamente violento nas enchentes, arrancando árvores e arrastando-as perigosamente ao longo do seu curso, ilhando comunidades, causando transtorno a população, fenômeno esse observado pelos índios que habitaram primitivamente a sua ribeira, e que por isso o chamaram de Mossoró, que em Tupi significa “rio furioso, que rompe e rasga o terreno”.


Tive acesso a um depoimento do Dr. Raul Fernandes, médico, filho do ex-prefeito Rodolfo Fernandes, que retrata bem essa época.
               
A família do Dr. Raul morava, estava no Sítio Boa Vista, vizinho ao dos Pintos, a meia légua de Mossoró. A casa ficava no centro da propriedade, a um quilômetro do rio, situada numa pequena elevação e cercada de carnaubais.
               
Certa manhã de 1917, despertaram assustados. Estavam ilhados. A água subira no piso do alpendre, em frente à casa e espalhava-se numa grande extensão para todos os lados. Quase metade da cidade amanhecera inundada. A correnteza passava vários palmos por cima da barragem, a grande velocidade, produzindo estrondos. Choupanas cobertas de palha de carnaúba eram arrastadas pela enxurrada, assim também como animais, aves domésticas, árvores, malas, baús e objetos caseiros boiavam rio abaixo.
               
Notícias alarmantes chegavam do interior, relatando que as fortes chuvas que tinham caído na altura da nascente do rio, tinham deixados habitantes desabrigados, que vários barreiros tinham transbordado e que açudes e represas estavam arrombando. A consequência é que as águas corriam formando ondas e se espalhavam nas partes planas do solo.
               
Rodolfo Fernandes tinha dormido na cidade e pela manhã, quando viu o estrago que o rio estava fazendo, mandou uma lancha a motor buscar a família que tinha ficado no sítio, em número de seis pessoas: o Dr. Raul, que na época estava com nove anos de idade, sua irmã Isaura Fernandes, sua mãe, uma tia e um tio, além da empregada. Segundo as lembranças do Dr. Raul o batel, que era equipado com um pequeno motor, chegou cedo ao sítio, pilotada por Seu Aristides e um ajudante, portando vara e dois remos pequenos. Lembrou que a todo instante se ouvia o soar agudo dos búzios, num triste lamento, pedindo socorro. Com toda a família a bordo, navegaram entre o carnaubal, na direção da margem, quando uma forte correnteza arrastou a lancha de encontro a uma carnaubeira, enchendo-a de água e logo depois esbarrou nos galhos de uma árvore que vinha sendo arrastada pela enchente. Com o impacto o jovem Raul caiu na água, sendo resgatado por Seu Aristides, que conseguiu nadar com o garoto até uma outra carnaubeira ficando ali agarrado, enquanto o restante da família, na mesma situação, agarrava-se as carnaubeiras. O ajudante saltou da embarcação levando a ponta da grande corda presa à proa. Nadou um pouco e andou em direção a terra. Amarrou-a numa árvore e passou a puxar o barco auxiliado pelos moradores da região. Assim o batel alcançou a margem e começaram, então, a esvaziá-lo. Em pouco tempo voltava a flutuar. Foi puxado mais para cima, contra a correnteza e a corda amarrada em terra. O rapaz com a vara empurrava a lancha para fora, seguindo o curso das águas até alcançar as pessoas. Assim foram resgatadas todas. Mas ainda estavam longe da cidade. Foi preciso mandar um portador, que saiu a pé margeando o rio até Mossoró, com um recado para Rodolfo Fernandes, que enviou um barco maior, com motor mais potente e foi nesse barco que conseguiram chegar a cidade, depois de muito sacrifício e risco de morte. No outro dia as águas começaram a baixar com rapidez.
               
Essa narrativa ilustra bem a força do rio quando cortava livre a cidade. Hoje praticamente não se vê mais as suas águas, apenas um verde campo florido, de uma vegetação que cobre o seu leito, sufocando-o, tornando-o sem vida e mau cheiroso. Sua força permanece apenas no nome “Mossoró – rio furioso, que rompe e rasga o terreno”. E nada mais. 

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:

http://www.blogdogemaia.com

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