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segunda-feira, 4 de março de 2019

FALECEU NA MADRUGADA DE HOJE, O VAQUEIRO DA HISTÓRIA PAULO GASTÃO. QUE DEUS O TENHA NOS BRAÇOS.

Por Orildes Holanda

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HOMENAGEM AO MESTRE PAULO GASTÃO


Por Jairo Luiz Oliveira
Foto : Raniere Deivisson

Homenagem que fizemos em 2017 ao querido mestre Paulo Medeiros Gastão. Era a última , mas para nós era mais uma. Grande mestre, grande amigo vá em paz. 

Na foto eu, Prefeita Maristela Sena Dias e o grande mestre. 

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SOBRE AMIZADES E FALSAS AMIZADES


*Rangel Alves da Costa


Muita gente há que proclama a amizade no mais elevado do mais elevado pedestal. E diz que quem tem um amigo tem tudo. De certa forma sim. Mas também não. A amizade é faca de dois gumes que pode servir ao bem e igualmente ferir de sangrar. Que ninguém imagine ser a amizade a certeza de ser para o outro aquilo que imaginaria que fosse.
Ora, quem deveria ser mais amigo que aqueles do seio familiar, da parentela, dos laços afetivos mais aproximados. Mas os exemplos demonstram que as falsidades e as traições começam onde deveria haver harmonia. Então, se não pode sequer ter um familiar como verdadeiro amigo, mais a quem terá de devotar fidelidade?
Não é questão fácil de ser entendida, há que se reconhecer. Contudo, inegável que muita gente prostrou-se ao sofrimento exatamente pela deslealdade de um suposto amigo. Ademais, se a própria pessoa nem sempre é amiga de si mesmo, pois uma parte sua age contrariamente ao que a outra parte pede que não faça, então confiar no outro que é sempre um desconhecido?
A amizade se mantém, não se detém. Mas só se consegue manter amizade quem também sabe manter uma necessária distância do amigo. Amizade em demasia acaba provocando expectativas que nenhum amigo poderá sempre retribuir. E na falta da sempre esperada retribuição, logo o desgaste e o distanciamento.
Erroneamente, pessoas confundem amizade com cumplicidade, com confessionário, com revelações de toda a sua vida e todo o seu viver. Nem sempre confiam em familiares ou em pessoas de mais idade que estejam aptas a ouvir e aconselhar, mas tudo revelam às amizades, principalmente àquelas mais recentes. Ora, as recentes amizades mais parecem descidas do céu. Um erro. Um grande erro.
Amizade não se contenta em apenas fofocar, em revelar segredos amorosos, em dar as mãos para farras, bebidas, noitadas. Pessoas assim até se tornam íntimas, mas não amigas. Isso ocorre muito nas novas amizades. E amizades novas geralmente surgem entre pessoas que não tinham proximidade, pouco se falavam, pouco se conheciam. E por que, de repente, essa pessoa se torna a pessoa mais acreditada no mundo?
Logicamente que mais um erro no que se tem por amizade. Na verdade, determinadas amizades surgem como entrega absoluta entre pessoas praticamente desconhecidas. E se já conhecia, por que não nutriu amizade? É algo surgido como fantasia, como encantamento, como verdadeira magia. E logo será dito que Deus no céu e a amiga na terra. Uma pessoa conhecida de poucos dias e já tornada a mais importante do mundo. E não raro que logo vem o coice e a queda.
Toda amizade vai sendo construída no tempo e mantida na confiança. Não existe amizade de momento. O amigo sempre é, sempre está, sempre permanece. Por isso mesmo que é fácil perceber o que motiva uma amizade duradoura. As pessoas não se traem por que se confiam, as pessoas não se usam por que se respeitam, as pessoas já se conhecem de tal modo que cada uma conhece muito bem os limites.
Não é necessário que a todo instante a amizade vá sendo demonstrada. Ótimas amizades existem que até pouco se encontram, pouco se falam, mas cuja força é percebida em determinados e difíceis momentos da vida. O bom amigo chega na hora da necessidade, da precisão. Mas a amizade nutrida na intimidade não tem esse compromisso. A intimidade apenas busca um proveito pessoal, de segredos e revelações, mas não de estender a mão e até fazer sacrifícios quando o outro necessitar.
A amizade nutrida apenas na intimidade é de fragilidade tamanha que amanhã poderá se tornar em inimizade de fogo a sangue. Por quê? Ora, pelas fofocas, pelas conversinhas, pelas revelações, pelas traições. E bem feito que assim aconteça. Há gente que prefere acreditar no desconhecido a ter confiança naquele que sempre esteve ao lado, que já conhece seus atributos de caráter e honra.
Tudo pode acontecer. Pessoas existem que não são amigas nem de si mesmas. E estas não servem para fazer amizade com absolutamente ninguém. Contudo, não é fácil perceber. Resta ler as muitas ou poucas páginas de sua história e observar se prefere andar com lobos ou cordeiros.

Escritor
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POR ANA LUCIA PROFESSORA

Antonio Vilela, Paulo Gastão e Ana Lúcia

Eu geralmente sou uma pessoa muito discreta no sentido de postagens, mas dessa vez não me contive em mostrar um momento em que participamos de um Cariri cangaço. 

Nesta foto está Vilela, eu e meu querido e saudoso Paulo Gastão, que como meu amado Alcino, está deixando muitas saudades. 

Vá em paz, meu amigo! Deus está te esperando de braços abertos juntamente com Alcino.

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BLOGDOMENDESEMENDES - 
AMIGOS DE PAULO MEDEIROS GASTÃO












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O ADEUS AO ESCRITOR E PESQUISADOR DO CANGAÇO, PAULO MEDEIROS GASTÃO.

Por Geraldo Antônio de Souza Júnior


É com enorme pesar que trago a triste notícia sobre o falecimento do escritor e pesquisador do cangaço, Paulo Medeiros Gastão.

Obstinado pela cultura nordestina e especialmente pela história do cangaço, Paulo Gastão durante anos vasculhou os sertões do Nordeste resgatando e documentando parte da história da saga cangaceira. No decorrer de sua vida escreveu vários livros sobre o assunto e foi um dos principais incentivadores e divulgadores do fenômeno cangaço e suas raízes.

Foi um dos fundadores da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e a meu ver um dos maiores representantes da referida entidade.

Paulo Gastão nos deixou nessa madrugada (04/03/2019) na cidade de Mossoró no estado do Rio Grande do Norte e aproveito para agradecer ao pela dedicação e pelo serviço prestado no decorrer de sua vida em torno do resgate e preservação de grande parte da história cangaceira. Deixa seu exemplo e seu legado as futuras gerações.

O velório acontecerá a partir das onze horas na Capela de Santa Terezinha (Praça dos Hospitais) e o sepultamento ocorrerá hoje (04/03/2019) as 16:00 horas no Cemitério São Sebastião na cidade de Mossoró/RN, onde residia.

Segue em paz.
Aos familiares minhas sinceras condolências.

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NOTA DE PESAR!


Por Benedito Vasconcelos Mendes
Paulo Medeiros gastão era bioquímico, professor, escritor, fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.  

A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço-SBEC, consternada com a morte do seu idealizador e fundador, Paulo Medeiros Gastão, vem a público externar, aos familiares, confrades e confreiras deste sodalício e ao público em geral, sua profunda tristeza pela irreparável perda de seu maior benfeitor. 


Mossoró e o Nordeste perderam hoje um dos maiores incentivadores da cultura regional, tendo sido o pioneiro na divulgação do tema Cangaço, pois, além de ter sido o idealizador e fundador da SBEC, ele foi o primeiro brasileiro a divulgar a importância cultural dos estudos sobre o Cangaço. 

Visando incentivar os brasileiros, especialmente os nordestinos, da importância histórica do Cangaço para a região semiárida nordestina, Paulo Gastão percorreu por diversas vezes os sertões, que foram palcos da ação cangaceira, levando sua palavra incentivadora sobre a necessidade de se estudar, de maneira mais profunda, este tema da cultura regional.

Benedito Vasconcelos Mendes 
Presidente

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ACABOU O SILÊNCIO NO CÉU QUANDO CHEGOU PAULO GASTÃO POR LÁ!


Por Juliana Pereira
Paulo Gastão e Juliana Pereira pesquisadora do cangaço

Acabou o silêncio no céu!!! Acabou de chegar por lá o cabra mais falante do mundo. Nessa hora "merminha" já deve está enchendo São Pedro de perguntas e explicando detalhadamente os ocorridos aqui da terra. 

Paulo gastão e Juliana Pereira

Mestre Paulo, mande vê por aí! Continue no caminho da luz, da curiosidade, do crescimento, da evolução e d

Juliana Pereira, Alcino Alves e Paulo Gastão

Deixastes um importante legado para cultura e para história, sobretudo, nordestina. Ah! Dê um abraço bem apertado em Alcino por mim, tenho certeza que logo vc o encontrará. 

Um abraço fraterno mestre! Vá em paz!

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A PASSAGEM DE PAULO GASTÃO


Por Archimedes Marques
Dr. Archimedes é o 3º da esquerda para a direita e é escritor e pesquisador do cangaço.

Querido amigo Paulo Medeiros Gastão:

A sua terrena morada que nesse triste dia de 04 de março de 2019 finda, foi singela, pura e por demais proveitosa, pois deixou alimento para o espírito, amizade, carinho, afeto e amor em todas as pessoas que o conheceram. 

Dr. Paulo Gastão e a escritora Elane Marques.

Os olhos daqueles que o cercaram, os nossos olhos são testemunhas oculares dessa visão. Nossos corações são testemunhas pulsativas dessa arritmia. Nossos cérebros são testemunhas conscientes dessa razão. Nossos sentimentos são testemunhas intelectivas dessa sensação. Nossos juízos são capazes de decretar essa sentença em plena e absoluta justiça. 

Ingrid Rebouças, Paulo gastão e Elane Marques.

Nossas palavras apenas tentam comprovar que não morre aquela pessoa que nas outras vive. O que é bom é eterno e ao invés de apenas passar termina ficando imortalizado. 

Da amizade sempre bem regada e adubada você plantou e colheu uma legião de amigos que para sempre guardarão a sua memória, pois sendo uma pessoa abençoada pelo Criador continuará na saudade irradiando luz, irradiando satisfação, irradiando paz, irradiando harmonia, irradiando amor...

Rogando que o seu exemplo e legado de vida ensinem os bons a ser melhores.

Seus amigos Conselheiros do Cariri Cangaço, Archimedes e Elane Marques.

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A PARTIDA DE GASTÃO


Por Sálvio Siqueira


NOTA DE PESAR PELA MORTE DO PESQUISADOR PAULO GASTÃO.

É COM BASTANTE PESAR QUE RETRANSMITIMOS A NOTÍCIA DO FALECIMENTO DO PESQUISADOR PAULO GASTÃO.

Gatão fez sua “viagem” hoje, nessa manhã nublada do dia 4 de março de 2019.

Em nome de todos aqueles que fazem o grupo “Oficio das Espingardas”, deixamos nossas mais sinceras condolências à família e amigos por esta inestimável perda.

Grupo de Estudos Ofício das Espingardas 

administradores

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DR. PAULO MEDEIROS GASTÃO FOI AO ENCONTRO DO SENHOR HOJE PELA MADRUGADA.

Por José Mendes Pereira
Cineasta Aderbal Nogueira, Paulo Gastão e José Mendes Pereira. A foto foi feita por Maristela Mafuz esposa do Aderbal Nogueira no Hotel Thermas de Mossoró em maio de 2011.

Recebi informação não muito agradável que o professor, escritor, pesquisador do cangaço e fundador da "SBEC" - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Dr. Paulo Medeiros Gastão viajou para a casa do Senhor hoje pela madrugada.

Aqui vai o meu abraço 
de conforto e solidariedade aos seus familiares e amigos que durante muitos anos mantiveram boas amizades.


Conheci-o pela primeira vez em seu apartamento em frente à Estação das Artes em Mossoró, momento em que à noite eu fui lhe entregar um livro que eu havia trazido de Natal de autoria do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros, para ser entregue a ele em mãos. 


E a partir dessa noite ficamos amigos e sempre ele me ligava para conversarmos um pouco sobre cangaço em sua residência. Só que não deu tempo a gente ir conhecer Canudos na estrada de Governador Dix-sept Rosado. Sempre falávamos, mas não deu tempo para que isso acontecesse.

Algumas vezes fui convidado por ele para conhecer Canudos do Antonio Concelheiros no Estado da Bahia, e eu o dizia que não estava com condições. Ele me falava: "Dinheiro ninguém leva quando partir. Tem que gastá-lo com estas viagens, isto é o que aproveitamos na vida". https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Conselheiro

Dr Paulo Medeiros Gastão deixou um belo trabalho sobre vários temas para as gerações de hoje e para as futuras gerações.

Vá com Deus professor e escritor Paulo Medeiros Gastão, porque ele lá está te esperando de braços abertos.

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FALECE DR. PAULO GASTÃO DE MEDEIROS

Por Manoel Severo
Dr. Paulo Gastão

O Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço cumpre o doloroso dever de informar o falecimento do grande pesquisador e escritor Paulo Medeiros Gastão, acontecido na madrugada de hoje. Paulo foi um dos grandes incentivadores e entusiastas de nosso empreendimento; um obstinado, cheio de entusiasmo em tudo o que fazia, hoje nos deixa com um legado digno de ser reverenciado e celebrado. 

Vá em paz Vaqueiro da História, ainda haverá muitas missões aguardando por você. 

Avante!

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GÊNERO


Por FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR


É o que identifica e diferencia
O ser homem do ser mulher
Masculino do feminino, evidencia
Gênero não é sexo, tolher.

É usado como sinônimo de sexo
Próprio da mulher e do homem
Definição tradicional, sem nexo
Genealogia da espécie, cromem.

Ah! Socialmente em ambos os sexos
É aquilo que diferenciam pessoas
Ex-vi padrões históricos-culturais, nexos
Axiologia de homens e mulheres, assoas.

As Ciências Sociais e a Psicologia
Assim entendem a diferença de gênero
Tem papel social em qualquer ideologia
Algo construído e desconstruído, transgênero.

Ah! Assim o gênero é mutável
Em Ciências Biológicas é limitado
É a classificação geral, controlável
Agrupamento de seres vivos, delimitado.

É conjunto de espécies em Biologia
Tem características morfológicas
Funcionais e existenciais, analogia
Provas ancestrais comuns, fisiológicas.

A identidade de gênero é sentimento
O “homo sapiens” é a espécie humana
Base original do gênero “homo”, fundamento
Ausentes fatores biológicos, emana.


Enviado pelo autor através de e-mail para ser postado em nosso blog.

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domingo, 3 de março de 2019

TESOUROS NO FUNDO DO MAR

Salvamento da nau Vasco da Gama, em 6 de agosto de 1850, em óleo sobre tela de Eduardo de Martino

Misturadas às exuberantes flora e fauna subaquáticas do litoral brasileiro estão embarcações antigas e suas preciosas cargas;muitas já foram resgatadas, outras ainda permanecem como mistério a desvendar.

TEXTO – Armando S. Bittencourt

Quando o grande navio encalhou, já quase chegando a Salvador, ao bater no banco de Santo Antônio, aproximadamente às 18 horas daquela noite escura e tempestuosa de 5 de maio de 1668, todos a bordo sabiam que havia poucas chances de sobrevivência. Logo depois, o galeão português Sacramento (também conhecido apenas por Sacramento) se soltou e começou a afundar. Às 23 horas, só restavam destroços na superfície do mar. A bordo estavam cerca de 600 pessoas, entre tripulantes e passageiros que vinham de Portugal, inclusive o general Francisco Correia da Silva, designado para o cargo de governador do Brasil.
(...)

Clique no link abaixo e leia toda reportagem escrita por Armando S. Bittencourt

https://tokdehistoria.com.br/2011/11/05/tesouros-no-fundo-do-mar/

FILHOS, SEMPRE FILHOS

*Rangel Alves da Costa

Filhos sempre serão filhos. Ainda no ventre, ou mesmo no sonho da concepção, até a mais elevada idade, sempre continuará sendo filho, o mesmo menino como se a idade adulta jamais pudesse alcançá-lo. Neste sentido, o reconhecimento popular e aquele nascido da mais alta sabedoria.
Certa feita, após descer do alto de uma montanha, um sábio se viu perante uma pergunta intrigante de seu discípulo. “Senhor, por que os filhos nunca envelhecem para os pais?”. Reflexivo por alguns instantes, mas logo o sábio respondeu:
“Qualquer entendimento sobre isso, deverá sempre partir da certeza de que o filho nunca desaparta do seu ventre paterno e nem se afasta completamente do cordão umbilical. O ventre é a junção materna. O cordão umbilical é a junção paterna. Por isso mesmo, por mais que os filhos cresçam, tornem-se adultos ou mesmo envelheçam, sempre continuarão como raízes fincadas no solo de seus pais. Se minha mãe ainda estivesse entre nós, mesmo na minha velhice eu ainda seria o seu menino. Do mesmo modo seria com meu pai. E com você é igual. Jamais deixará de ser o menino, senão a criança, dos seus”.
E acrescentou: “Eu fui, sou e sempre serei, o menino dos meus pais. Aqueles eles já não estão, mas ainda assim, no local aonde estiverem, seus olhares ainda recairão sobre mim como aquele folho criança, aquele filho menino, aquele filho que nunca cresceu, e que, mesmo adulto e já envelhecido demais, continua sob eterna vigília. Perante os pais, o filho nunca cresce nem nunca morre. Perante os pais, o filho ainda se alimenta do seio materno, ainda repousa aos braços do pai, e jamais estará completamente apto a viver sozinho sua vida, a escolher seu próprio destino. Mesmo distante, os pais continuarão dizendo: meu filho logo vai voltar. Este filho, outro não é que o seu menino”.
De pleno sentido as palavras do sábio. Os filhos, por mais idade que alcancem, jamais estarão completamente emancipados perante os pais. É como tivessem de viver sempre sob a proteção dos seus. É como se os pais não confiassem ao mundo ser dono daquilo que procriaram e gestaram como filho eterno, e não como pessoa que possa mudar com a idade.


De vez em quando eu ouço pais já envelhecidos tratando seus filhos como se fossem meninos. Não no cuidado em si, mas na forma de expressar um sentimento de apossamento daquele ser como eternamente seu. Perguntados onde os filhos estão, dizem que seus meninos estão viajando, trabalhando ou coisa parecida.
As mães possuem uma abnegação ainda mais forte. Mesmo que os filhos já tenham casado ou saído do lar familiar desde muito, mas basta uma visita de reencontro para que a mãe comece a trata-los como verdadeiras crianças. E pergunta se está bem, se está se alimento direito, se está sentindo alguma enfermidade, se está se cuidando.
Passa a fazer sentido a expressão segundo a qual o amor dos pais é eterno. Faz mais sentido ainda pela constatação de que os filhos nunca são vistos como pessoas adultas, emancipadas, já donas de seu próprios destinos, mas apenas como filhos. Aquele mesmo menino cuidado no passado será o mesmo menino em qualquer idade que tiver.
A verdade é que os pais simplesmente não aceitam abdicar de sua cria, muito menos para o mundo. Situações existem onde as esposas ou esposos dos filhos casados se tornam verdadeiros estorvos aos pais. Cria-se uma espécie de ciúme ou de proteção que acaba interferindo na relação entre os casais.
Neste sentido, os pais sempre imaginam que nada do que o mundo lá fora ofereça será melhor do que o encontrado em casa. A mãe prepara uma comidinha especial por que o seu filho vai chegar. O pai caça antigos brinquedos para trazer relembranças. O filho, já na idade adulta, sempre fica meio sem jeito, ou mesmo sem entender. Mas não pode fugir dessa proteção especial que lhe é dedicada.
Do mesmo modo que os pais toda hora saem à porta quando suas crianças estão brincando na rua, logo adiante da casa, assim também quando seus adolescentes ou de mais idade saem para a rua ao anoitecer. Os pais até que deitam, até que tentam dormir, mas não há jeito. Sempre cheios de preocupação, só conseguem dormir com a certeza de que já houve retorno.
Talvez até que os pais sintam vontade de que seus filhos jamais saiam de casa, jamais se afastem de suas presenças, jamais tenham um próprio destino. Parece absurdo, mas não é. Perante as ameaças do mundo e a fragilidade do ser, os pais se acham no dever de ser escudo e proteção. Daí tanto cuidarem de seus meninos, de suas meninas, de suas ternas crias.
Também um gesto de amor, de eterno e infinito amor.

Escritor
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A HISTÓRIA DE LUIZ GONZAGA


O INÍCIO

Gonzaga nasceu em 13 de Dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, em Exu, distante 603 Km da Capital Pernambucana. Segundo dos nove filhos da união do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus(Santana), veio ao mundo dividido entre a enxada e a sanfona. Foi observando seu pai animando bailes e consertando velhas sanfonas, que lhe desperta a curiosidade por tal instrumento. Certa vez seu pai encontrava-se na roça e sua mãe na beira do rio, o mesmo pegou uma velha sanfona e começou a tocar. Santana, que não queria que o filho trilhasse o mesmo caminho do pai, dava-lhe puxões de orelha que nada adiantavam. Luiz seguia em frente, acompanhando seu pai em diversos forrós, revezando-se com ele na sanfona e ganhando seus primeiros trocados. Um belo dia Januário foi pego de surpresa quando o Srº Miguelzinho, dono de um forró, pediu para que Gonzaga tocasse, este havia acordado com um outro tocador que não apareceu. A salvação foi convidar o então menino Gonzaga que já mostrara suas habilidades no mesmo terreiro, sem a anuência de seus pais. Fez muito sucesso. E por aquelas "bandas" era conhecido por Luiz de Januário. 

Santana e seu Januário

Assim o Forró rolou solto ao longo da noite, Gonzaga sentia-se feliz, empolgado, era a primeira vez que tocava com o consentimento da mãe. Com o passar da noite, começou a sentir seus olhos arderem, a cabeça pesar, foi então que pediu para deitar na rede e de tão menino que era, ainda fez xixi enquanto dormia. Daí então passou a acompanhar Januário em festas de mais responsabilidades, revezavam-se entre toques e cochilos. Santana a princípio relutava, mas deixou-se levar pelos dois mil réis que o principiante tocador ganhava em suas "empreitadas". Assim cresceu Gonzaga: ajudando o pai na roça e na sanfona, acompanhando Santana às feiras do Exu, fazendo pequenos serviços para os fazendeiros da região, sendo protegido pelo Cel. Manuel Aires de Alencar, homem bondoso e respeitado até por seus inimigos. Gonzaga era bem tratado pelos Aires de Alencar, tanto que suas primeiras escritas e leituras foram ensinamentos das filhas do Coronel.

A PRIMEIRA SANFONA

Januário e Gonzagão

Foi o próprio Coronel Aires quem realizou o grande sonho de Gonzaga: possuir sua primeira sanfona. Tal instrumento custava a importância de cento e vinte mil réis, Gonzaga tinha só a metade, a outra o próprio Coronel adiantou, quantia esta paga mais tarde com o fruto do seu trabalho de sanfoneiro. O primeiro dinheiro ganho com a nova sanfona foi no casamento de Seu Dezinho, na Ipueira, onde ganhou vinte mil réis. Tal convite viera aumentar sua fama, começa ali a ser um respeitado sanfoneiro na região.

O PRIMEIRO AMOR

Casamento? Gonzaga só pensava nisso. Comprou até aliança. Queria casar com Nazinha, filha do Seu Raimundo Milfont, um importante da cidade. O pai da moça ao tomar conhecimento das intenções do aprendiz de sanfoneiro, não permitiu o namoro. "Um diabo que não trabalha, não tem roça, não tem nada, só vive puxando fole". Gonzaga não hesitou, indignado, comprou uma peixeira, tomou umas truacas (cachaça), quis brigar, quis matar, mas acabou levando outra surra de Santana. Dessa vez fugiu triste para o mato, mas com uma idéia fixa na cabeça: entrar para o Exército.

GONZAGÃO GANHA O MUNDO


Dizendo que ia a uma festa deixou a terra natal rumo ao Crato, no Ceará, cidade maior e mais próspera, onde vendeu a sanfona e pegou o trem para Fortaleza, alistando-se em seguida. Com a Revolução de 1930, o batalhão de Gonzaga percorreu muitos Estados até chegar à cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ali, conheceu outro sanfoneiro, Domingos Ambrósio, o grande amigo que lhe ensinara os ritmos mais populares do Sul: valsas, fados, tangos, sambas. Gonzaga tirou de letra. Em 1939 deu baixa no Exército e seguiu para São Paulo e em seguida para o Rio de Janeiro. Passou então, a apresentar-se em bares da zona do meretrício carioca, nos cabarés da Lapa e em programas de calouros, sempre tocando músicas estrangeiras. Em uma dessas apresentações, um grupo de estudantes cearenses chamou-lhe a atenção para o erro que estava cometendo: por que não tocava músicas de sua terra, as que Januário lhe ensinara? Luiz seguiu o conselho e passou a tocar e compor músicas do Sertão Nordestino. Foi no programa do Ary Barroso que Gonzaga recebera calorosos aplausos pela execução do Vira e Mexe, música de sua autoria, proporcionando ao até então desconhecido Gonzaga o seu primeiro contrato pela Rádio Nacional, no Rio de Janeiro.

SEUS AMORES


Na solidão da cidade grande, distante de sua família e do seu pé-de-serra, Gonzaga não dispunha de ninguém que dele cuidasse. Apesar de estar morando com seu irmão Zé, demonstrava vontade em construir seu próprio lugar, sua própria família. Teve diversos amores o mais conhecido foi com a corista carioca Odaléia Guedes, em meados do ano de 1945, tendo-a conhecida já grávida, assumindo e registrando como seu filho Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior - Gonzaguinha. Apesar de ser bastante exigente Gonzaga finalmente encontra o que procurava, Em 1948 conhece a pernambucana Helena Cavalcanti, tornando-a sua secretária particular e mais tarde sua companheira. Tal união estendeu-se até perto de sua morte. Não tiveram filhos, pois era estéril.

O SUCESSO

O apogeu do Baião perpassou a segunda metade da década de 40 até a primeira metade da década de 50, época na qual Gonzaga consolida-se como um dos artistas mais populares em todo território nacional. Tal sucesso é devido principalmente à genialidade musical da "Asa Branca" (composição dele com Humberto Teixeira), um hino que narra toda trajetória do sofrido imigrante nordestino.

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação.
Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira

A partir de 1953 Gonzaga passou a apresentar-se trajado com roupas típicas do Sertão Nordestino: chapéu (inspirado no famoso cangaceiro Virgulino Ferreira, O Lampião, de quem era admirador), gibão e outras peças características da indumentária do vaqueiro nordestino. Alia-se a esta imagem a presença de sua inconfundível Sanfona Branca - A Sanfona do Povo. Com o surgimento de novos padrões na música popular brasileira, o apogeu do Baião começa a apresentar sinais de declínio, apesar disso, Gonzaga não cai no esquecimento, pelo menos para o público do interior, principalmente no Nordeste. Todavia, foi o próprio movimento musical juvenil da Década de 60 - notadamente Gilberto Gil e Caetano Veloso, este último e depois Gonzaguinha regravando ambos o sucesso Asa Branca, responsáveis pelo ressurgimento do nome Gonzaga no cenário musical do país. Em março de 1972 em show realizado no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, marca o reaparecimento de Gonzaga para as plateias urbanas. Nessa época retorna às paradas de sucesso como "Ovo de Codorna" cuja autoria é do nordestino Severino Ramos.

A VOLTA PRA CASA


Após longo período de atividade profissional, cerca de 35 anos, é chegada a hora de retornar a sua terra natal. Em Exu dá início à construção do tão sonhado Museu do Gonzagão, localizado às margens da BR-122, dentro do Parque Aza Branca (escrevia desta forma por pura superstição, embora soubesse do erro ortográfico). 


Lá se encontra o maior acervo de peças pertencentes ao Rei do Baião: suas principais sanfonas, inclusive a que tocou para o Papa em Fortaleza; suas vestimentas; seus discos de ouro; troféus; diplomas; títulos; fotos e presentes a ele ofertados ao longo de sua brilhante carreira. Além do Museu, o Parque abriga também o Mausoléu da família, lanchonete, grande palco de shows, várias suítes para acolhimento de visitantes, a casa de Vovô Januário, lojinha de souvenir e a casa grande de onde Gonzaga observava a sua pequena Exu.

http://www.gonzagao.com/historia_de_luiz_gonzaga.php

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