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quarta-feira, 27 de abril de 2016

BEBEZÃO, O JAGUNÇO CHORÃO

Por Rangel Alves da Costa*

Bebezão, esta era sua alcunha, seu apelido forjado no inimaginável. Um codinome, aliás, que ninguém tinha coragem de citá-lo em voz alta, de modo que o próprio apelidado pudesse ouvir. Acaso ouvisse como o chamavam, certamente a bala comia solta por todos os lados.

Seu verdadeiro nome? Acreditava-se que nem ele mesmo sabia. E ninguém perguntava por que todo mundo tinha medo de lhe dirigir a palavra. Mas o coronel seu patrão, assim que gritava para dar ordem, sempre repetia Coivara. Coivara vem cá, Coivara faça isso, Coivara vá queimar mais um! Mas o restante da população, sempre falando baixinho, simplesmente o conhecia por Bebezão.

Mas por que Bebezão? Porque chorava feito menino depois de cada maldade feita. Não era um chorinho não, mas um choro aberto mesmo, de soluçar. E em qualquer lugar que chegasse depois de ter feito a tocaia e derrubado mais um. Emboscava o cabra, esperava o tempo que fosse preciso, dava o tiro certeiro, mas depois, já despistado da cena mortal e na presença de estranhos, então se danava a chorar.

Foi o fofoqueiro do Toniquinho quem descobriu a razão do chororô. Adepto de um pé de balcão, de um proseado em torno de uma cachaça com raiz de pau, o fofoqueiro começou a perceber que toda vez que o jagunço do Coronel Targino chegava por ali para tomar pinga e em seguida começar com a choradeira, não demorava muito e alguma morte era anunciada.

Toniquinho foi juntando os fatos, morte após morte, até ter a certeza de que o jagunço era o responsável por tantas desgraças na região. E mais: a cada choro no pé de balcão correspondia uma vida a menos. E fez o desfecho do pensamento: o jagunço chorava pelas mortes que causava. Mas por que, se todo matador de aluguel ou de mando é mais frio que moringa d´água ao amanhecer à janela?

Como ninguém sabia ainda das conclusões do fofoqueiro - que já estava ávido para espalhar a descoberta -, de ouvido a ouvido foi-se firmando o nome de Bebezão. Ninguém era besta de comentar qualquer coisa na sua presença, mas todo mundo ficava encafifado querendo saber o porquê de um jagunço desalmado beber e chorar e quando mais bebia mais chorava. Até que o fofoqueiro chamou os amigos de bar a um lugar seguro e revelou a descoberta.


Todos ficaram espantados com a revelação, principalmente porque demonstrava ainda maior frieza daquele desalmado matador. Ao retornarem ao botequim, logicamente ainda arrebatados pela notícia, eis que à porta logo avistam o Bebezão. Alguns quiseram correr, mas por medo de acontecer o pior ante a fuga, foram forçados a entrar. E quando entraram logo se depararam com o Bebezão que mais parecia uma criança de doce roubado ou pé furado de espinho. O jagunço estava num choro que quase esperneava, alto sofrido, lamentoso.

Então Toniquinho, impensadamente, se viu de boca aberta e perguntando ao chorão o que havia sucedido para estar assim tão aflito. Todo mundo tinha certeza que aquelas seriam as últimas palavras do amigo fofoqueiro, vez que certamente iria tomar chumbo nas fuças. Com efeito, quase se despede mesmo da vida, pois ao ouvir a pergunta o jagunço colocou a arma diante de sua testa e disse. Não disse nada, pois chorava tão alto que deu as costas, saiu apressado, montou no cavalo e se lançou em disparada.

Certificando-se de que estava vivo, e coisa que o fez depois de virar copo cheio, Toniquinho causou mais uma surpresa ao afirmar: “Vocês vão ter logo notícia, mas tenho certeza que Bebezão dessa vez passou dos limites. Aquele choro todo não era à toa não, dessa vez ele matou foi mais de um, quem sabe uns dois ou três. Infelizmente, disso eu tenho certeza”. Mal fechou a boca e chegou gente em correria gritando que o Coronel Targino e mais dois capangas haviam sido encontrados mortos.

Todos os olhos se voltaram, estupefatos, para Toniquinho. Este apenas disse: “Menos mal. O jagunço Bebezão dessa vez acertou. Matou um coronel assassino e mais dois da mesma laia. Mas aquele choro todo era de remorso. Quem é ruim sofre demais quando derrama o próprio veneno. E vai morrer soluçando, tenho certeza”.

Poeta e cronista
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CANUDOS: O FIM DO TREME-TERRA


Temos a continuação da reportagem O Legado do Conselheiro, e na segunda reportagem Duas Vezes Morto, Duas Vezes Ressuscitado, e agora a terceira parte O FIM DO TREME-TERRA, de uma série de cinco episódios, feitas pelo Jornalista Roberto Pompeu de Toledo na revista Veja 3 de setembro de 1997. 

Uma onda de temor varreu o sertão. Lá vinha ele: o Anticristo, o Corta-Cabeças, o Treme-Terra. Muito tempo depois da guerra, ele ainda serviria de inspiração para os cantadores. Como nesta quadra, recolhida por José Calazans: 

Moreira César foi ao céu 
Com Tamarindo ao seu lado 
Sdo Pedro falou assim: 
A que cara de malvado! 

Antônio Moreira César era o seu nome,  coronel a sua patente. O oficial talvez mais celebrado do Exército, a quem se atribuía bravura sem igual. Era considerado o herdeiro do marechal Floriano Peixoto, falecido havia dois anos, ídolo dos militares e patrono-mor dos "jacobinos", como eram chamados os defensores mais intransigentes do regime republicano. 

Euclides da Cunha o descreve: 

"O aspecto reduzia-lhe a fama. De figura diminuta — um tórax desfibrado sobre pernas arcadas em parênteses —, era organicamente inapto para a carreira que abraçara. (...) Apertado na farda, que raro deixava o dólmã feito para ombros de adolescente frágil agravava-lhe a postura. A fisionomia inexpressiva e mórbida completava lhe o porte desgracioso e exíguo". E no entanto, quanto respeito — e quanto medo — impunha à sua volta. Consideravam-no um herói por sua atuação na repressão aos dois movimentos que haviam desafiado o regime florianista — a Revolta da Armada, no Rio de Janeiro, e a Revolução Federalista, no Sul. 

Em Santa Catarina para onde foi enviado com plenos poderes, para apagar os últimos fogos da Revolução Federalista distinguiu-se pela ferocidade. Quando não fuzilava, decapitava os adversários. Agora ia entrar na legenda do sertão. 

"Na Guerra de Canudos, depois de Antônio Conselheiro e Euclides da Cunha, Moreira César é o principal personagem", diz Oleone Coelho Fontes, outro dos canudistas baianos, autor de um livro sobre Moreira César, o Treme-Terra." 

O elenco da epopeia do sertão pode ser prolongado ao infinito: coronel Tamarindo, o segundo de Moreira César, cabo Roque, herói efêmero de uma bravura que não houve; marechal Bittencourt, o ministro da Guerra. Do lado dos conselheiristas, a turma dos jagunços valentes, alguns formados na escola do cangaço antes de se juntar ao Conselheiro e se tomar os cabeças de seu Exército improvisado: João Abade, o "comandante da rua", como era conhecido — "rua" no sentido de "arraial", de "cidade", de "área urbana" e comandante porque era o chefe militar supremo: Pajeú, o temível guerrilheiro das estocadas ardilosas, "forma retardatária de troglodita sanhudo", segundo Euclides; Pedrão, que veio a morrer só em 1958, com tanto gosto de lutar que dizia a José Calazans, quando já nonagenário, e entrevado: "Faz pena um homem como eu morrer sentado". O mesmo Pedrão, que mais de trinta anos depois de Canudos seria contratado pelo interventor Juraci Magalhães para combater Lampião, justificava-se: "O coração pedia para brigar". 

A estes, acrescentem-se os acólitos religiosos do Conselheiro: Antônio Beatinho, José Beatinho, Paulo José da Rosa. José Beatinho, com sua bela voz, fazia as rezas mais bonitas e mais pungentes. Havia o sineiro Timotinho. Até o fim, não importava o vareio de balas, o troar de canhões e o mar de cadáveres que se interpunham em seu caminho, nas ruas estreitas do arraial. Timotinho cumpria a obrigação de tocar o sino. Morreram juntos, ele e o sino, um arremessado para cada lado, quando uma bala de canhão atingiu a torre da igreja velha. 

A Guerra de Canudos é tão rica de personagens quanto a — releve-se a insistência na comparação — de Troia e de personagens que igualmente foram se credenciando à mitologia, tal a maneira como os descrevem, e tais as façanhas que lhes atribuem. 

Se o Brasil fosse os Estados Unidos, e produzisse filmes como Hollywood, haveria aqui mais filmes com Moreira César e Pajeú, Tamarindo e João Abade, do que há nos Estados Unidos com o general Custer e Touro Sentado. 

Canudos, entre outras coisas, é uma esplêndida história, com uma trama de emoções e imprevistos. A guerra começou com um equívoco. Correram rumores em Juazeiro, à margem do Rio São Francisco a noroeste de Canudos, de que por causa do atraso na entrega de uma encomenda de madeira para a construção da nova igreja do arraial, os conselheiristas preparavam uma invasão da cidade. A população assustou-se com o boato, o juiz local notificou o governador do Estado, Luís Viana, e este resolveu enviar a Canudos — estamos em novembro de 1896 — uma expedição punitiva. 

Tinha 104 homens, era comandada por um tenente, Pires Ferreira, e estava destinada ao primeiro dos sucessivos vexames que seriam impostos aos militares. Quando os soldados estavam estacionados no povoado de Uauá, já perto de Canudos, sentiram a aproximação de um estranho cortejo — uma fila de gente que rezava e entoava cânticos religiosos, tendo à frente uma grande cruz e um estandarte do Divino. "Parecia uma procissão de penitência", escreve Euclides. Era um batalhão do Conselheiro, armado com o que foi possível juntar na circunstância — velhos trabucos, facões, paus, pedras, foices. Depois de quatro horas de combate, embora com muito mais perdas do que o inimigo, puseram-no a correr.

Terminava aquela que passou para a História como a primeira expedição. 

A segunda expedição, comandada pelo major Febrônio de Brito, quintuplicou de tamanho — 550 homens — e pela primeira vez usou Monte Santo como base de apoio e ponto de partida da ofensiva, algo que se repetiria nas expedições seguintes.

Monte Santo, 100 quilômetros ao sul de Canudos, é, hoje como há 100 anos, o lugar mais interessante da região. O Monte Santo que lhe empresta o nome é a Sena de Piquaraçá, que se eleva atrás da cidadezinha. Na verdade, a cidadezinha é como outras do sertão. O que há de interessante no lugar é o monte, que lhe serve de majestoso pano de fundo — um monte sulcado por um caminho que o vai galgando, sinuosamente, subindo sempre, subindo até quase perder de vista e todo salpicado de capelinhas, como se fosse, como escreveu Euclides da Cunha, "uma escada para os céus". 

Lá no alto, no fim do caminho, há uma igreja maior, a Igreja de Santa Cruz. Trata-se de uma via-sacra, em que as capelinhas representam os passos da Paixão. Foi construída no século XVIII. 100 anos antes de Canudos, por um capuchinho italiano, frei Apolônio de Todi. A subida até Santa Cruz, longa de 3 km, é penosa. O caminho é não só íngreme, quase a desafiar alpinistas, como composto de chão rude de pedras, cortantes algumas, escorregadias outras. No alto, bate um vento forte e descortina-se um panorama deslumbrante da região.

O Monte Santo de frei Apolônio, reprodução do que ele imaginava fosse o Calvário de Jesus — na verdade muito mais alto, mais íngreme e mais penoso de subir do que o Calvário ao qual se é apresentado em Jerusalém —, é o mais eloquente símbolo material do catolicismo do sertão: um catolicismo feito de penitência de severidade, de purgação atormentada e permanente dos pecados.

Hoje, ao chegar a Monte Santo, depara-se com uma placa: "Benvindo Welcome. Bienvenido. Monte Santo. Altar do Sertão". Como se a cidadezinha perdida nos fundões do Brasil fosse visitada por estrangeiros. Não é, mas os sertanejos continuam a procurá-la. Na Semana Santa, costuma atrair milhares de devotos. Mas mesmo no resto do ano, e especialmente nas sextas-feiras, o dia da feira na cidade, o movimento é grande. É o dia preferido pelos pagadores de promessa. 

O caminho de pedras que sobe morro acima registra então um contínuo vaivém. Hoje são raros, mas ainda há os que sobem de joelhos ou carregando pedras. Fica-se a perguntar que tanto se peca, no sertão, que tanto se precisa de penitência? Monte Santo evoca tanto a religião como cidade santuário, quanto a Guerra de Canudos. 

No tempo de suas peregrinações pelo sertão, antes de estabelecer-se no arraial. Antônio Conselheiro visitou-a várias vezes. Um ano antes de estabelecer-se em Canudos, encetou com seus seguidores, trabalhos de restauração em algumas das capelinhas da montanha. 

Quando os soldados se reuniram em Monte Santo, segundo Euclides, a cidade tomou ares de festa. Barracas militares, centenas de forasteiros: "Tudo aquilo era uma novidade estupenda". A segunda expedição demorou quinze dias na cidade antes de se pôr a caminho. E então, tudo foi muito rápido. Bastaram dois dias, ao se aproximar de Canudos, para que ela também, fosse desarticulada e posta a correr, depois de ter sido surpreendida pelo inimigo emboscado nos morros próximos do arraial insurreto.

A humilhação era demasiada. O irredentismo dos fanáticos" sertanejos, como começavam a ser qualificados, virava questão nacional. O histerismo que tão frequentemente caracteriza a vida política brasileira, materializado ora em denúncias arrasadoras, ora em invectivas que desqualificam o adversário num dia como um "comunista" no outro como "neoliberal", consolidava uma fantasia: a de que Canudos era a ponta-de-lança de uma reação monarquista. 

Lembre-se de que o regime republicano fora inaugurado havia apenas sete anos. O novo regime já enfrentara o desafio da Revolta da Armada e da Revolução Federalista. Agora, sob o disfarce do fundamentalismo religioso, vinha dos sertões uma revolta que sem dúvida se ramificava pais afora, nos arraiais monarquistas, e quem sabe tinha até apoio do exterior. 

Para debelá-la, só um bravo como Moreira César. Paulista de Pindamonhangaba, então com 47 anos, o coronel foi convocado para chefiar os 1.300 homens que formariam na terceira expedição. Da lenda de Moreira César faz parte uma coleção de marcos na região. Na cidade de Euclides da Cunha, a antiga Cumbe, apontarão ao visitante a casa em que ele ficou, quando por lá passou, a caminho de Canudos — um sobrado hoje vazio e fechado, atrás da igreja. 

Em Queimadas, Monte Santo, em cada cidade se mostram os lugares de alguma forma ligados à sua memória. No lugar chamado Umburanas, em Canudos, por onde corre o riacho do mesmo nome há uma cruz, no meio do mato. Uma lápide explica, embaixo: "Neste lugar foi abandonado, no dia 4 de março de 1897, o cadáver do coronel Moreira César..."

Marco edificado por Oleone Coelho

O marco, mandado edificar por Oleone Coelho Fontes, José Calazans, Renato Ferraz e outros estudiosos de Canudos, foi inaugurado no dia 4 de março último, centésimo aniversário do evento que rememora. Como pôde o coronel acabar desse jeito? Ele vinha tão confiante... Ao se aproximar de Canudos, ordenou que se disparassem dois tiros de um de seus quatro canhões Krupp. "Lá vão dois cartões de visita ao Conselheiro", disse. Ao longo da marcha, sua preocupação maior era que os conselheiristas abandonassem o arraial, privando-o da glória de derrotá-las. 

À medida que se aproximava, o otimismo aumentara: "Vamos tomar o arraial sem disparar mais um tiro, a baioneta". Ocorre que Moreira César rinha outro adversário, tão difícil de vencer quanto o Conselheiro — ele próprio. Era epilético, num tempo em que não se tinha como conter a doença. Sofreu dois ataques durante a campanha de Canudos. Além disso, apresentava um temperamento instável e impulsivo. 

Certa vez, navegando para o Rio de volta da campanha de Santa Catarina, com seus soldados, mandou prender o capitão do navio, por suspeitar de uma traição para a qual não havia evidência alguma. 

Conselheirista preso entre seus captores

Em Canudos, da mesma forma como lhe sobrava confiança, faltou-lhe previdência. Mandou seus homens ao ataque depois de longo dia de marcha penosa, sem descanso. Fê-los avançar até para dentro do arraial e entrar numa luta corpo-a-corpo com os conselheiristas — o que, além de facilitar a movimentação do adversário familiarizado com o labirinto de ruelas, inutilizou a artilharia que não podia disparar sob pena de atingir os próprias companheiros.

A situação se complicava. Moreira César ordenou um ataque de cavalaria mais desastroso ainda em se tratando não de uma planície aberta, mas de um inimigo entrincheirado num reduto cheio de barreiras. Com a situação cada vez mais feia o coronel deixou seu posto de comando, endireitou o cavalo em direção ao arraial e avançou, dizendo: "Vou dar brio àquela gente". Não foi muito além.

Atingido no ventre por uma bala, vergou-se, largando as rédeas. Os companheiros cercaram-no. "Não foi nada, um ferimento leve", disse. Morreu naquela noite. Os infortúnios de Moreira César e sua expedição estão magistralmente descritos em "Os Sertões".

Morto o comandante, a desarticulação da tropa foi geral. O coronel Pedro Nunes Tamarindo, que deveria sucedê-lo no comando — um homem "simples, bom e jovial", segundo Euclides, que já chegara aos 60 anos e não aspirava senão a uma reforma tranquila — proferiu então sua frase famosa, um clássico de todos os tempos das debandadas militares: "É tempo de murici, cada um cuide de si".

Tamarindo seria por seu turno abatido horas depois, quando transpunha o Córrego do Angico. Seu corpo foi recolhido pelos conselheiristas, empalado e erguido num galho, para assustar os imprudentes que porventura ainda viessem a ousar uma nova expedição contra o arraial sagrado. Os soldados não tinham como salvar os cadáveres ilustres.

No atropelo da fuga, com os sertanejos ao seu encalço, fustigando-os e roubando-lhes as armas e as munições, abandonaram o corpo de Moreira César nas Umburanas. A morte do cultuado coronel elevou à potência máxima o clima nacional de histeria. As turbas invadiram as ruas do Rio de Janeiro. "A correria do sertão entrava arrebatadamente pela civilização adentro", escreveu Euclides. "Vingança" e "morte aos monarquistas" eram as palavras de ordem.

Jornais monarquistas foram empastelados. Um monarquia o coronel Gentil de Castro, fiel escudeiro do último primeiro-ministro do Império, o visconde de Ouro Preto, foi assassinado. Criavam-se fantasias. Correram rumores de que um certo cabo Roque, ordenança de Moreira César, heroicamente, tinha permanecido ao lado do corpo do chefe e resistira até o último cartucho, preferindo a morte a permitir que o inimigo profanasse a sagrada relíquia.

Uma rua no Rio e outra em São Paulo foram batizadas com o nome do cabo Roque. Eis então que Roque aparece são e salvo, entre os últimos fujões retardatários e destrói o Roque da fantasia. O cabo Roque de verdade, desprovido de qualquer glória veio a morrer prosaicamente em 1900, de peste bubônica, no Rio. Quanto a seu malogrado chefe, ficava agora entregue aos cantos do sertão, mesmo que equivocados, confundindo o local em que foi abandonado o corpo com o da morte: 

Coronel Moreira César 
Olho de cana caiana. 
Tomou chumbo em Canudos 
Foi morrer nas Umburanas. 

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terça-feira, 26 de abril de 2016

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PAULO GASTÃO.


Paulo de Medeiros Gastão nasceu na cidade de Triunfo da Baixa Verde, Estado de Pernambuco, no dia 14 de novembro de 1938; é filho de Manoel Gastão Cardoso e Maria José Torquato.

Paulo Gastão está entre as maiores personalidades célebres da cultura local. Formado em Farmácia, tem especialização em Bioquímica. Como empresário e homem culto tem contribuído bastante para o desenvolvimento econômico, social e cultural do povo mossoroense. 


Possui várias obras publicadas, tais como: “Viagem a Triunfo da Baixa Verde”, “Contribuição a Uma Bibliografia do Cangaço”, entre outros. Foi fundador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, Secretário de Comunicação da SBEC. 


Atualmente é membro de várias instituições culturais: Instituto Cultural do Oeste Potiguar, Academia Mossoroense de Letras, dentre outras; foi professor da então Escola Superior de Agricultura de Mossoró, atual Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN); Colégio Diocesano Santa Luzia, entre outras instituições de ensino. Mas, este ilustre cidadão da terra de Santa Luzia (Mossoró), não parou por aí. 

Foi diretor administrativo do Hospital de Caridade de Mossoró, atual Hospital Duarte Filho; precursor das ideias de assessorias do turismo mossoroense. Entre tantos serviços prestados a Mossoró, ao nordeste e ao país, ele honra a cadeira que ocupa, de número dezesseis, deixada pelo saudoso poeta Cosme Corsino Lemos. Em síntese e em particular, sua contribuição cultural engrandece a historiografia mossoroense e a esta cidade que é carinhosamente conhecida como terra do sol, do sal, do petróleo e da liberdade (Mossoró).

Fonte: facebook
Págima: Lindomarcos Faustino
Grupo: Relembrando Mossoró
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=884608708331602&set=gm.964837233599707&type=3&theater

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A MORTE DE CIRILO DE INGRÁCIA (ENGRÁCIA)

Material do acervo do pesquisador Geraldo Júnior

A morte desse cangaceiro aconteceu em 5 de agosto de 1935, devido a fatos totalmente imponderáveis.

Resumindo, o que aconteceu foi o seguinte: O grupo de Cirilo certa vez estava acoitado em uma fazenda no Salgadinho, povoado do município de Paulo Afonso, e trouxeram uma bacia para uso geral. O chefe fez uma viagem rápida, e na sua ausência, Moça (companheira de Cirilo), disse a Zé Sereno:

- Zé, apanhe água, bote no fogo pra morná, e lave meus pés;

Sereno recusou-se a obedecer, o que causou discussão com a mulher de seu tio que terminou com a seguinte ameaça:

- Quando Cirilo voltar você vai ver se lava ou não lava.

No dia seguinte, ao retornar, ele foi colocado ao par do ocorrido, e para demonstrar seu poder, apanhou uma vara e ordenou ao sobrinho:

- Ou vai lavar ou vai apanhar!.

Zé Sereno manobrou o fuzil e disse:

- Se me bater não conto os buracos, e não fico mais junto.

Manoel. Moreno e Jararaca, parentes de Cirilo e também de Sereno se equiparam e acompanharam o jovem, deixando só o casal. Pouco tempo depois “Moça” deu a luz e os únicos que receberam o casal foram Corisco e Dadá.

CIRILO E MOÇA

Era tempo de inverno, chovia muito e Moça ficou na chuva. O marido queria que ela ficasse dentro de casa por dois motivos: proteção contra a chuva e evitar ser descoberta pelas volantes que sempre passavam por ali. Houve discussão e o cangaceiro acabou dando uns safanões na mulher que era muito teimosa. 

Corisco ordenou que Limoeiro fosse no dia seguinte buscar o enxoval de seu filho que estava para nascer, e o Cirilo resolveu acompanhar o jovem a fim de esfriar a cabeça.

Viajaram logo cedo. Quando chegaram na serra da Mata Grande viram uma casa, e foram até lá pedir comida. Estavam conversando com os moradores quando foram avistados e atacados pelo subdelegado Agripino Feitosa e seus cinco acompanhantes armados.

Os cangaceiros fugiram, cada um indo para um lado. Limoeiro por ser moço e forte escapou ileso. Cirilo foi ferido, e para esconder o rastro, desceu para dentro do riacho e seguiu andando por dentro d'água, despistando os perseguidores. Mas a hemorragia do ferimento minou-lhe a resistência, e ao tentar subir pela margem do riacho, desmaiou pela perda de sangue e acabou morrendo. Ao ser encontrado ainda estava ereto apoiado no barranco, com as mãos crispadas.

CIRILO MORTO AO LADO DE SEUS ALGOZES

Limoeiro ao retornar ao grupo de Corisco contou o que acontecera. Não sabia ainda da morte do companheiro, mas logo a notícia espalhou-se pelo sertão, e até foto com os matadores ladeando o cadáver, que se vê em pé e amarrado em uma tábua, foi exibida por coiteiros ao grupo.

Moça ficou muito abalada com a morte do marido. Chorou. Lastimou-se, julgando-se culpada pela morte dele. Quando lhe foi sugerido que procurasse um novo companheiro, entre os componentes dos outros grupos e não entre os "meninos" de Corisco, a Joana Conceição dos Santos (este, seu nome real) recusou terminantemente essa possibilidade.

MOÇA

Dadá costurou-lhe algumas roupas e num vestido escuro colocou na bainha do mesmo o dinheiro que era do finado. e também uma certa importância arrecadada entre os componentes do grupo de Corisco. 

Após permanecer algum tempo na casa dos familiares, Moça foi denunciada e presa. Teve sorte. Não foi judiada na cadeia onde permaneceu por pouco tempo, sendo logo libertada.

Fonte: Livro LAMPIÃO E AS CABEÇAS CORTADAS de Antônio Amaury Corrêa de Araújo

2ª. Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior
Link: https://www.facebook.com/groups/ocangaco/permalink/1212617922084657/

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IV SEMINÁRIO NACIONAL DO ENSINO MÉDIO - SENACEM


Para maiores informações acesse o link  http://uern.br/eventos/senacem/default.asp?item=senacem-inicio

Atenciosamente,

Sara Couto
Secretária da FE/UERN
   
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN
Faculdade de Educação - FE

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte


Maria Viviane M. de Farias - Mat. 011265-8
Técnica de Nível Superior
Departamento de Geografia

Lázaro Emerson Soares - Mat. 08944-3
Agente Técnico Administrativo
Departamento de Geografia

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

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O TRISTE FIM DOS CANGACEIROS ZÉ BAIANO, ACELINO, CHICO PESTE E DEMUDADO.

Por Geraldo Júnior

Corpos em avançado estado de putrefação dos cangaceiros Zé Baiano, Acelino, Demudado e Chico Peste, mortos por grupo de civis liderado pelo Coiteiro Antônio de Chiquinho, nas proximidades do povoado Alagadiço que fica localizado no atual município de Frei Paulo/SE.


Foto: Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

Fonte: facebook
Link: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=577126395784594&set=gm.1212233625456420&type=3&theater

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

O BRAVO TENENTE LUIZ MARIANO E O SEU SEPULTAMENTO!


De origem pernambucana, foi um aguerrido policial na caça a LAMPIÃO e seu bando. Inicialmente, perseguiu-o no seu torrão natal, após, junto como o nazareno e lendário Tenente MANÉ NETO, se embrenhou nas caatingas baianas e Raso da Catarina, onde teve dezenas de combates, tendo saído ferido em alguns, inclusive, tendo que se submeter a tratamento na cidade de Salvador, em face da periculosidade dos ferimentos sofridos.


Morreu, talvez de causas naturais (não sei bem ao certo), e, foi enterrado na cidade de São José de Belmonte, no Estado de Pernambuco.

Acima, veja-se foto dele em plena campanha contra o cangaceirismo, bem como, o LOCAL em que jazem os seus restos mortais.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta
 Grupo: Voltaseca Volta 
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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CRUELDADES VARREM O SERTÃO


Não dá para enumerar as atrocidades cometidas por Lampião. Sob o escudo da vingança, ele tornou-se um “expert” em “sangrar” pessoas, enfiando-lhes longos punhais corpo adentro entre a clavícula e o pescoço. E consentiu que marcassem rostos de mulheres com ferro quente. Arrancou olhos, cortou orelhas e línguas. Castrou um homem dizendo que ele precisava engordar.


Não há nada que justifique práticas assim. Mas muitos pesquisadores tentam explicá-las. “Lampião é um produto do seu meio”, arrisca Paulo Medeiros Gastão, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, com sede em Mossoró (RN). “Ele foi levado por fatores ligados à vida no sertão, como ignorância, secas, ausência de governo e de Justiça”, diz Gastão. Mas argumentos assim, alegados por muitos estudiosos, não são suficientes para entender Lampião. É o que garante o historiador americano Billy Jaynes Chandler, especialista do assunto: “Sua história, com todas as suas excentricidades, é toda dele”.

O ambiente em que o bandido cresceu, porém, tem seu peso. De acordo com Vera Lúcia F. C. Rocha, da Universidade Estadual do Ceará, “o código de honra do sertão não culpabiliza os homens que matam por vingança, mas enaltece sua coragem”. Vera, que acaba de lançar o livro Cangaço: Um Certo Modo de Ver, lembra que aquela sociedade repete para os meninos: “Seja homem”. Será que era a essa expectativa que Virgulino Ferreira tentava atender?

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OS TRÊS PILARES DA MÚSICA NORDESTINA

Por Maciel Gonzaga*

O Filme “Luiz Gonzaga: De Pai para Filho” fez renascer na elite da mídia nacional o gosto pelo nosso forró, música criada por Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Particularmente, eu gosto de afirmar nas conversas com amigos sobre o tema, que o nosso forró tem uma espécie de “Santíssima Trindade”: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e João do Vale, os três pilares da Música Popular Nordestina.

Jackson do Pandeiro e Luiz Gnzaga

Durante parte da minha vida morando em Campina Grande, tive oportunidade de me aprofundar no gosto pela Música Popular Nordestina. Trabalhando em rádio e “empresariando” cantores musicais eu me aproximei ainda mais com a música e com suas estrelas. Pude conviver muito próximo com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Fiz do forró a minha música predileta e passei a integrar um grupo de pessoas da cidade “Rainha da Borborema” que se auto intitulava “Os Forrozeiros” e radicalmente defendia esse gênero musical. Não tenho modéstia em dizer que participei ativamente, trabalhando na administração do prefeito Ronaldo Cunha Lima, da criação do “Maior São João do Mundo” nos meados da década de 80.

Uma foto com Luiz Gonzaga e um grupo de jornalistas em Campina Grande, no início da década de 80... Na foto estão pela ordem: Hermano José, Olga Barros - LUIZ GONZAGA - Graziela Emerenciano, Josildo Albuquerque, o publicitário Fernando Vasconcelos, e Maciel Gonzaga de Luna (eu como empresário de Luiz Gonzaga na região de Campina Grande). Foi um almoço com a imprensa no restaurante Manuel da Carne de Sol.

Sou um fã incondicional de Luiz Gonzaga. Mas, acho que a melhor definição sobre o “Velho Lua”, quem deu foi o mestre Câmara Cascudo: “Ele próprio, Gonzaga, é a fonte, cabeceira e nascente de suas criações. O sertão é ele, a paisagem pernambucana, águas, matas, caminhos, silêncio, gente viva e morta. Tempos idos nas povoações sentimentais, voltam a viver, cantar e sofrer, quando ele põe os dedos nos teclados de sua sanfona. Luiz Gonzaga é a colaboração sem preço de uma informação viva, pessoal e humana”. Para mim, falar de Luiz Gonzaga é também lembrar dos grandes mitos nordestinos: Padre Cícero, Antônio Conselheiro, Lampião, Leandro Gomes de Barros, Frei Damião, Luiz da Câmara Cascudo, etc.

Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro - capa-bode.blogspot.com

A minha simpatia por Jackson do Pandeiro vem dos tempos – início da década de 60 – das apresentações do boneco “Terezão”, na Festa do Rosário, em Pombal. Ainda hoje não me sai da lembrança as músicas “Baile da Gabriela” (o verdadeiro nome é “Na Base da Chinela”) e “Como Tem Zé na Paraíba”. O meu pai José Firmino de Luna – o “Alegria”, da Brasil Oiticica - era um fã incondicional de Jackson do Pandeiro e de Zito Borborema. Tudo por conta da sua estreita ligação com Campina Grande onde havia residido antes de ir morar em Pombal. Contava ele que viu muitas vezes Jackson do Pandeiro cantando nos forrós do bairro de José Pinheiro. Faço minhas as palavras do mestre Rolando Boldrin: “Se Luiz Gonzaga era uma espécie de Pelé na música, então Jackson do Pandeiro só pode ser comparado a Mané Garrincha”. Jackson deu uma grande colaboração para popularizar o forró.

Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga - www.forroemvinil.com

Destarte, que a primeira música gravada com o nome forró foi “Forró do Mané Vito” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), em 1949: “Seu delegado / Sem encrenca eu não brigo / Se ninguém bulir comigo / Num sou homem pra brigar / Mas nessa festa / Seu dotô, perdi a carma / Tive que pegá nas arma / Pois num gosto de apanhar”. Posteriormente, vieram: “Forró em Limoeiro”, Forró em Caruaru”, “Forró em Campina” ... Todas narram uma confusão no baile. A valentia, assim como a sensualidade, sempre esteve no ambiente da festa.

João Batista do Vale - João do Vale nordestino da cidade de Pedreiras-MA

O servente de pedreiro João Batista do Vale, simplesmente João do Vale, um nordestino da cidade de Pedreiras-MA, se projetou musicalmente no Rio de Janeiro e se tornou conhecido pelas suas poesias, composições que foram musicadas e cantadas por muitos artistas e que lançou a divina Maria Betânia para os palcos da vida, no Show Opinião, em 1964, com a música “Carcará”. Neto de escravos, aos 8 anos João do Vale já fazia versos e era o “amo” do Bumba-meu-Boi. Muitas composições suas ficaram conhecidas como sendo do intérprete, o que no Brasil é muito comum, como foi o caso de “Peba na Pimenta” e “Pisa na Fulo”, com Ivon Cury e, posteriormente, Marinês; “O Canto da Ema”, com Jackson do Pandeiro; “Coroné Antônio Bento”, com Tim Maia; “Uricurí”, com Nara Leão; e “Carcará” com Maria Betânia.

Luiz Gonzaga e seus músicos - blogs.artinfo.com

Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro representam o que há de mais importante na Música Nordestina. Gonzaga tinha um traço mais rural, enquanto Jackson representava o Nordeste urbano. Já João do Vale conseguia fazer a alquimia que misturava o samba ao baião. Assim os três são os grandes pilares da Música Popular Nordestina!

*Jornalista, Advogado e Professor – Natal RN.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisado do cangaço e gonzagueano José Romero de Araújo Cardoso.

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