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domingo, 17 de novembro de 2019

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO CANGACEIRO GALO BRANCO


Por Gilva Martins de Arruda Melo - Bisneta do Galo Branco

"Quero aqui abrir um espaço para escrever algo que fez parte da minha história, e que considero importante escrever."

João Martins de Souza conhecido como GALO BRANCO, não se sabe o porquê, mas, pelo fato de já ter chegado à ilha de Fernando de Noronha com este apelido, assim era chamado, onde foi preso aos 30 anos de idade no ano de 1921. Foi à ilha pra cumprir pena à justiça por fazer parte do cangaço, e que segundo ele teria derrubado 34 macacos como costumavam falar na época. Em sua prisão tinha liberdade de andar a vontade e trabalhar cuidando do gado e das plantações que pertenciam à ilha. Natural da Paraíba teve por sua mulher Flora Maria da Conceição que também chegou à ilha logo após sua prisão, vindo a falecer ainda muito jovem deixando seus 03 filhos ainda pequenos. Sendo o mais velho Manoel Martins de Souza, Severina e como caçula José Martins de Souza o “meu avô”. Muitos historiadores confundem-se quando se fala no bando do cangaço do qual ele fazia parte, pois na maioria das vezes se relata que ele teria passado 17 anos ao lado de Lampião quando na verdade nesta época este bando ainda não existia. Se realmente fez parte do cangaço como ele falava e, segundo a justiça, ele foi preso por grupo que buscava exterminar o cangaço, possivelmente deveria ter participado do grupo do cangaço de Antônio Silvino o famoso “Rifle de Ouro” que por sua vez também de Campina Grande – PB e deu início ao cangaço em 1896 juntamente com seu irmão Zeferino logo após a morte do pai. Galo Branco, mesmo não sendo citado por nenhum historiador, contava que entrou para o cangaço aos 13 anos também para se vingar da morte de seu pai, e assim como esta dentre outras, várias histórias foram contadas pelo cangaceiro de pele clara, olhos azuis e de longas barbas brancas. Ele tinha uma maneira estranha de viver, nunca residiu em casas como nós, morava em uma caverna de barro montanhosa, uma espécie de "Bunker" da época da guerra, usado como paiol, próxima ao único aeroporto da ilha e gostava muito de trabalhar na agricultura em enormes plantações de milhos. Andava a ilha toda a pés quando não encontrava caronas, era sagrado uma pinga(cachaça), uma lapada por dia, dizia que era seu remédio o famoso “Pá Bufi”. Andava com um enorme punhal inseparável que dizia ser "O SANTO JESUS VAI COMIGO"... Usava seu costumeiro chapéu de cangaceiro mesmo quando trabalhava na agricultura. Em suas histórias ele contava:

“Eu estava em uma igreja na cerimônia de um casamento quando a polícia em uma emboscada me prendeu e outros também. Foi assim que vim parar neste lugar, fui preso.”


Não se sabe como ele teve novamente a posse de uma caixinha de ferro onde guardava orelhas que dizia ser de gente e que em suas matanças costumava guardar e mostrava ao contar suas histórias. Tornou-se um mito de Fernando de Noronha e todos os moradores e visitantes da ilha conheceram sua história. A história do Galo Branco o famoso João Pá Bufi. Se a justiça diz ter capturado do grupo do cangaço não se sabe ao certo de que grupo ele veio?... Qual crime cometera?... Mas... Foi assim que morou na ilha por 65 anos, vindo a falecer em 01 de maio de 1986 no Recife-PE após ter sido internado por três dias entrou em óbito na residência de seu filho José Martins de Souza, o meu avô, foi enterrado no cemitério da Muribeca – Jaboatão dos Guararapes-PE. Deixou ainda por descendência seu filho José Martins de Souza com sua esposa Dulce Bezerra de Souza, 08 filhos sendo 07 mulheres e 01 homem, netos e bisnetos.

Gilva Martins de Arruda Melo - Bisneta Primogênita do Galo Branco - Natural de Fernando de Noronha graduada em Pedagogia pela FJN/PE - Faculdade Joaquim Nabuco- Recife, com habilitações em Magistério, Orientação Educacional e Pós Graduada em DGaloocência no Ensino Superior. Atualmente trabalho na Educação.



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JARARACAS NO CANGAÇO

Por: Francisco Pereira Lima

A História do Cangaço está recheada de mistérios, segredos, injustiças, violências, equívocos e tantos outros adjetivos que representam esse fenômeno.
          
Uma família, no município de Cajazeiras (PB), vivenciou um equívoco, que durou 66 anos, envolvendo o atroz cangaceiro Jararaca. Vamos aos fatos:

Nas minhas andanças e entrevistas atrás de novidades sobre o Cangaço, fui informado que aqui em Cajazeiras (PB) existia uma família, parenta próxima do cangaceiro Jararaca. Procurei localizá-la e cheguei, em dezembro de 2005, à Dona Maria Pedro da Silva, 81 anos, viúva, residente no Bairro Vila Nova em Cajazeiras.

Depois dos cumprimentos de praxe, perguntei a mesma sobre o seu parentesco com Jararaca e ela me respondeu: "Sou neta de Jararaca, que ficou ferido e depois morreu em Mossoró, quando Lampião tentou invadir aquela cidade". Em seguida, perguntei à Dona Maria, o que ela sabia sobre a pessoa e a história do seu avô Jararaca e a mesma, com uma lucidez impressionante, foi relatando:

- "O meu avô se chamava Patrício Pedro da Silva, era natural de São José de Lagoa Tapada (PB). A minha avó dizia que o mesmo era moreno, de cabelo bom e muito corajoso. Pai de cinco filhos: José, Hanorina que era a minha mãe, Antônia, Severino e Raimundo".

Procurei saber de Dona Maria o motivo do seu avô ter entrado no cangaço e ela me respondeu:

- "Meu avô largou minha avó e se juntou com outra mulher chamada Maria José, no ano de 1921. Com essa teve um filho e como moravam todos próximos na Beira do Rio, no município de Cajazeiras, a minha avó aproveitou que Maria José foi tomar banho frio, do final do resguardo, e lavar os panos do neném recém-nascido no rio e lhe aplicou uma grande surra. O meu avô ficou muito revoltado com a esposa e mandou lhe dizer que vinha acertar as contas com ela. Um irmão dele, chamado Manuel Pedro da Silva, tomou as dores da cunhada e mandou avisar ao irmão Patrício, que se fizesse algum mal a minha avó, morreria na hora. A família da mulher, vítima da surra, queria uma providência, então o meu avô ficou sem saída. Foi na casa da minha avó e disse a ela que ia para o Cangaço de Lampião, ia se chamar Jararaca e não voltaria nunca mais. Foi embora e até hoje".

Quis saber quando e como a família ficou sabendo da morte de Jararaca, em junho de 1927, na cidade de Mossoró, ela respondeu:

- "Os meus pais moravam no distrito de Boqueirão município de Cajazeiras em 1939, eu tinha 13 anos. Vizinho da gente morava seu Nezim Guarda, o qual tinha um irmão chamado Quinco que morava em Mossoró. O mesmo vindo passear em Boqueirão falou para minha mãe Hanorina, filha de Jararaca, que o mesmo tinha morrido em Mossoró, quando Lampião tentou invadir aquela cidade. Daí em diante, nós todos da família, passamos a acreditar na história contada por seu Quinco, como sendo a verdade sobre o fim de Patrício Pedro da Silva, o Jararaca".

Ouvi tudo atentamente e no final da conversa disse a Dona Maria que, com absoluta certeza, o Jararaca de Mossoró não era o seu avô Patrício Pedro da Silva e que se tratava de um equívoco, pois o cangaceiro com esse nome que morreu em Mossoró, foi José Leite de Santana, nascido em 1901, natural de Buíque (PE) e que entrou no Bando de Lampião em 1926. Dona Maria me agradeceu as informações, mas lamentou ter ficado tanto tempo acreditando numa história que não representava a verdade sobre seu avô.

Em 2006, Kydelmir Dantas e Paulo Gastão o último já falecido, Diretores da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço), fizeram uma visita a Dona Maria, aqui em Cajazeiras e ouviram essa história. A pergunta que fazemos e não temos a resposta exata, é a seguinte: seria Patrício Pedro da Silva, o Jararaca I, que foi morto em combate, entre abril e maio de 1922, na localidade Açude velho, Vila Bela, hoje Serra Talhada, pelas volantes comandadas pelos tenentes Manuel Benício, paraibano e Optado Gueiros, pernambucano?

Érico de Almeida, no seu livro "Lampião, sua história" (1998, p.27), faz referência a esse fato afirmando que foram mortos, nesse combate, os cangaceiros "... Coruja, Jararaca e Vereda...".

O pesquisador e escritor paraibano Bismarck Martins de Oliveira, no seu livro "O Cangaceirismo no Nordeste" (2002, p. 232-233), menciona a existência de três cangaceiros do Bando de Lampião com o nome Jararaca, em épocas diferentes. Sobre o Jararaca I, o autor não tem dados biográficos, apenas que foi morto em 1922, em Vila Bela; sobre o segundo, José Leite de Santana, o Jararaca de Mossoró, a sua história é contada em verso e prosa. Sobre o terceiro, era baiano e entrou no bando de Lampião, quando o mesmo passou a agir naquele Estado a partir de 1928. Com essas, linhas fica registrada mais uma das milhares de "Histórias do Cangaço".

O autor é Professor de Historia, Pesquisador do Cangaço, 
membro da União Nacional de Estudos Históricos e Sociais (UNEHS)
e sócio da SBEC.

Autor:   Francisco Pereira Lima - lentescangaceiras.blogspot.com


"O FERRO DE ZÉ BAIANO"

Vídeo do Aderbal Nogueira

A origem do ferro, ferro de ferrar animais marcando-os com as letras iniciais do nome de seus donos, que o cangaceiro Zé Baiano usava para ferrar suas vítimas.

Dois ex-cangaceiros, os senhores José Alves de Matos e Manoel Dantas Loyola, "Vinte e Cinco" e "Candeeiro", respectivamente, contam sobre o objeto de torturas que o 'pantera negra' usou.

Mais uma produção Aderbal Nogueira


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O CHAPÉU DE CANDEEIRO


Por Junior Almeida

Manuel Dantas Loiola nasceu no Sítio Lagoa do Curral, nas imediações da Vila São Domingos, município de Buíque, Pernambuco, em 6 de outubro de 1914. Filho de José Bezerra Sampaio e de Eliza Dantas Badega, entrou no cangaço quase por acaso, no que poderíamos chamar de “acidente de trabalho”. Foi assim: Manoel saiu de sua terra para a cidade de Mata Grande em Alagoas, onde foi trabalhar na fazenda de um sujeito de nome Capitão Sinhô. Como empregado existia um vaqueiro, que depois Manoel soube, era coiteiro de cangaceiros.

Em 1936 o cangaceiro Moderno com seu bando foi à Mata Grande com a intenção de passar uns dias escondido por lá, só que foram descobertos por uma volante, precisando fugir pela caatinga. Por pura falta de sorte, o vaqueiro tinha apresentado o jovem Manoel a Virgínio e seus cabras, no seu primeiro contato com o cangaço, só que por estar junto com o bando de Moderno no momento da chegada da força, Manoel foi obrigado a fugir junto com os bandoleiros.

Na fuga encontrou seu patrão e, lhe disse que precisava ir até a fazenda para apanhar sua mala de roupas e ir embora, mas, o homem lhe informou que a casa estava cheia de volantes à sua procura. Manoel Dantas percebeu que naquele momento tinha caído em desgraça junto com mais quatro homens, dois coiteiros e seus dois irmãos, que para não apanharem da polícia, resolveram entrar no cangaço.

Já no mato, longe das volantes, Virgínio disse que Manoel parecia muito com o primeiro cangaceiro que usava o nome de guerra “Candeeiro”, e que por esse motivo, seu nome a partir daquele momento seria também CANDEEIRO. Pronto. Manoel havia sido “batizado” com um novo nome. Moderno entregou-lhe uma velha arma, que segundo ele não tinha nem vaqueta, e com tom de ironia recomendou que o recruta não fizesse como o primeiro cangaceiro com esse nome, que tinha morrido em pé. O novo Candeeiro pensou:

- Eu não tenho perna nem pra correr, que dirá morrer em pé.

No primeiro encontro com o Rei do Cangaço, nas barrancas do São Francisco, em Sergipe, Lampião perguntou a Candeeiro qual o seu lugar de origem tendo ele respondido ser de Pernambuco. Virgulino então lhe indagou de que lugar de Pernambuco, e Candeeiro disse ser de Buíque. Lampião disse a ele que Buíque já tinha lhe dado um cabra valente, tão valente que tinha morrido à míngua, o cangaceiro Jararaca.

No outro dia após o encontro, Candeeiro viajou para Pernambuco com o chefe. Com o passar do tempo Lampião se afeiçoou ao novo comandado e, chegou a lhe presentear com uma alpercata nova, munição e um novo fuzil, em substituição ao seu velho rifle. Na volta de Pernambuco, Lampião disse na frente dos cabras que daria a Candeeiro um novo jogo de bornais, e isso despertou inveja de Jararaca, que foi mandado

Candeeiro disse em entrevista que recordava ter participado de pelo menos dez combates com a força, sendo que logo no primeiro foi baleado na perna. Sobre esse batismo de fogo ex-cangaceiro disse que: Estava no mato, ferido, por volta do meio dia, uma hora, Jararaca, que tinha saído na madrugada anterior para buscar ajuda voltou pra onde eu tava, acompanhado de Português e mais três cabras. Eles trouxeram carne de bode, fizeram o fogo, e eu comi a carne assada. Português trouxe também uma xícara de pimenta, daquelas bem vermelhas, fumo de Arapiraca (de rolo) e farinha. Ele picou o fumo bem fininho, peneirou a farinha e botou água pra cozinhar com umas cascas de pau dentro, que é melhor do que água oxigenada. Português disse pra eu comer que era pra eu ficar forte.

Pra cuidar do meu ferimento, fizeram uma pince de marmeleiro e com ela tiraram o sangue da minha perna.

A bala entrou e saiu, deixando só o buraco. À medida que o sangue ia saindo, o ferimento era lavado com a água com os paus. Depois de limpo, no buraco da bala foi colocada uma mistura de farinha, pimenta malagueta e fumo. Essa mistura era empurrada pra dentro com o dedo. Depois do buraco cheio, amararam um pano e Português me disse que eu ia passar uns dois dias com aquele curativo. Pensei:

- Meu Deus, aonde eu vim cair?

Passou o tempo e Candeeiro passou por muitos lugares no Brasil. Bahia, Alagoas, Ceará e até pro Norte do país ele foi, ser soldado da borracha, voltando a Pernambuco, pra seu torrão natal, sua vila São Domingos, depois de pagar sua dívida com a sociedade. Em sua terra, longe das tropelias cangaceiras, Seu Né constituiu família e amizades. Aquele tempo desgraçado, como mesmo dizia, tinha ficado para trás. Eram apenas lembranças, que vez por outra eram compartilhadas com os amigos, repórteres e pesquisadores de cangaço.

Muitos do que o visitavam, davam-lhe lembranças, como livros de histórias, das quais fez parte, e fotografias. Em uma das fotos mais conhecidas de Candeeiro no tempo em que era cangaceiro, ou pelo menos recém saído do cangaço, ele usava um chapéu de couro diferente dos que se está acostumado a ver na cabeça dos guerreiros do sol. Geralmente os chapéus eram cheios de adereços como estrelas, símbolos de Salomão e moedas. O de Candeeiro não. Este, numa foto tirada na Bahia na época das entregas, era bem simples, adornado apenas com uma cruz, semelhante a que existe na bandeira de Pernambuco. Por muitos anos nunca se soube o motivo desse emblemático símbolo no chapéu de Candeeiro. Especulou-se, até, ser a cruz em seu chapéu uma demonstração de sua fé, mas nada de concreto.

Em abril de 2019, estivemos em São Domingos, terra de “Seu” Né, cidadão respeitado do lugar, falecido havia cinco anos, onde aproveitamos para conhecer a família do lendário Candeeiro. Muito bem recebido por uma de suas filhas, Elisabete, a Bete, e também pelo seu neto Fernando, que nos ciceroneou, fomos até o Sítio Lagoa do Curral, nas imediações da vila, conhecer a casa onde Seu Né tinha nascido e também ao campo santo do lugar, onde repousa o corpo do guerreiro que foi protagonista de uma importante parte da História do Brasil.

Conhecemos também (por fora) uma casa, ao lado do posto policial, que pertenceu a Vigário Dantas, o irmão de Seu Né, que o delatou, fazendo com que ele fosse preso ao chegar a São Domingos em 1943. Na residência de Candeeiro, conversando, evidentemente, sobre cangaço, tivemos a curiosidade de saber por que ele usava um chapéu de aba quebrada enfeitado com uma simples cruz, diferente dos demais cangaceiros e seus chapéus estrelados, e a resposta de seus familiares foi demasiadamente simples, porém, esclarecedora. Disse-nos sua filha:
-Nem o chapéu nem a roupa era dele, arrumaram lá, apenas pra ele tirar foto.

*Fotos de Candeeiro jovem, na época das entregas e já idoso em sua terra, e da casa onde nasceu, no Sítio Lagoa do curral, São Domingos, Buíque, Pernambuco.


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sábado, 16 de novembro de 2019

LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SER...

Autor Luiz Serra

Serviço

“O Sertão Anárquico de Lampião” (de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016)

Valor do livro: R$ 50,00 (Frete fixo: R$ 5,00)
Através do e-mail anarquicolampiao@gmail.com

Informações: Luiz Serra – (61) 99995-8402 luizserra@yahoo.com.br

Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com 

Um dos pontos de venda avançados no sertão histórico de Cajazeiras, é do professor Francisco Pereira, que envia para todos os lugares. 

O e-mail de base de vendas: 
"franpelima@bol.com.br" 

Peça logo o seu para não ficar sem ele: Livros sobre cangaço se demorar adquiri-los ficará sem eles, porque são arrebatados pelos colecionadores.

Fontes:



https://tokdehistoria.com.br/2016/08/17/na-capital-federal-lancamento-do-livro-o-sertao-anarquico-de-lampiao-de-luiz-serra/

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TIROTEIO DA FAZENDA FAVELA, FLORESTA-PE:


(Volta Seca, Lampião, Cangaço e Nordeste)

(11-NOVEMBRO-1926, hoje 93 anos).


Lampião foi ferido gravemente na fazenda Tigre, em Floresta, retirando-se para o município de Tacaratu para ali se tratar, restabelecendo-se por fim em uma das fazendas de Ângelo da Jia. Com força total, voltou três meses depois a espalhar o medo. Apareceu na região do riacho São Domingos, seguindo para os povoados de São Francisco e Santa Maria. Entrou no município de Floresta e passou pelas fazendas Campos Bons, Cachoeira, Exu e Arapuá, dormindo no dia 10 de novembro (1926) na fazenda Favela, a cerca de 12 quilômetros da cidade. Cerca de 90 homens sob o comando do sargento José Saturnino e anspeçada Manuel Neto seguiam-lhe a pista.

Diz Marilourdes Ferraz (O Canto do Acauã, 1 ed., p. 245) que a força “encontrou Emiliano Novais, certamente indo ao encontro de Virgulino Ferreira. Interrogado, não forneceu quaisquer informações; apenas por considerar seus parentes, Manuel Neto o libertou”. “Emiliano foi imediatamente ao encontro de Lampião avisar que Manuel Neto tomava aquele rumo.”

E quando, na madrugada do dia 11 (alguns autores, erradamente, dão esse fato como acontecido em agosto), a força chegou à Favela, já encontrou uma grande emboscada. Sem desconfiar, Manuel Neto bateu à porta da fazenda. Perguntaram quem era.

- É Manuel Neto.

Pediram para aguardar. De repente, a parte superior da porta se abriu e uma tremenda descarga foi dada para o lado de fora da casa, tombando mortos dois soldados, sendo outros feridos.

João Gomes de Lira (obra citada, p. 339) diz que, assim que os bandidos recolheram as armas, Manuel Neto, que se encostara ao pé da parede, ao lado da porta, “sem perda de tempo, botou a boca do mosquetão para o lado de dentro, fazendo fogo.”

De outra casa partiam tiros, levando pânico aos soldados em campo raso. Da parede do açude diversos cangaceiros alvejavam os homens de José Saturnino que recuou com vários feridos e mortos em seu grupo. Cerca de duzentas armas vomitavam fogo e “o mundo” encobriu-se de fumaça. Os bandidos viam Manuel Neto lutar como poucos. Provavelmente nesse combate o nazareno ganhou dos companheiros o apelido de Manuel Fumaça. Lampião preferia chamá-lo de Cachorro Azedo, face a sua disposição em persegui-lo.

A frágil posição das forças, com as violentas retaguardas dos cangaceiros, entretanto, não permitiram uma maior resistência. Depois de 3 a 4 horas de fogo, os soldados começaram a se retirar, resistindo bravamente Manuel Neto até o último momento. Vendo ao seu lado um punhado de combatentes e com inúmeras perdas, resolveu o anspeçada recuar, levando os feridos para Floresta.

Na cidade, somente depois que deixou de ouvir o tiroteio é que o capitão Muniz de Farias se dispôs a socorrer os companheiros, para ali seguindo com 70 a 80 praças. Segundo João Gomes de Lira (obra citada, p. 341), Muniz encontrou o anspeçada no caminho. Vinha “dando esturros de todo tamanho. Vinha mesmo faiscando de todo jeito por ter Lampião ficado na cava”. Pediu ao capitão a sua força, disposto a, no mesmo momento, perseguir os bandidos. O capitão negou.

“Indignado” - conta Lira -, “disse coisas pesadas ao superior.” Muniz ainda foi até à Favela, nada encontrando. Ainda segundo Lira, o capitão, “por não gostar da família Novaes, incendiou as casas da grande fazenda. Foi bem elevado o prejuízo que o proprietário, Sr. Antônio Novaes, sofreu.” Marilourdes Ferraz esclarece que o capitão mandou “atear fogo aos cercados da Favela.”

A 15 de novembro de 1926, o Comandante das Forças Volantes, major Theóphanes Ferraz Torres, passou ao Comandante Geral da Força Pública o seguinte telegrama:

“Sindicando sobre tiroteio fazenda Favela, tenho satisfação de dizer que tal acontecimento foi um dos feitos de maior valor praticado no interior do Estado, pela nossa heróica Força Pública. Bandidos em número superior sabiam que José Saturnino e Manuel Neto marchavam em perseguição, de modo que, ao chegarem em lugar apropriado e absolutamente favorável a eles, esperaram força em campo raso, de surpresa receberam as primeiras descargas, travando-se luta verdadeiramente encarniçada, durante algumas horas.

Após o tiroteio grupo foi encontrado rumando direção serra Umã conduzindo cinco bandidos feridos. Foi também encontrado um bandido morto no local do tiroteio, afora os que de certo o grupo pôde ocultar. 

Saudações.”

Em reconhecimento ao esforço de Manuel Neto o capitão Muniz, chegando a Floresta, “pediu por ato de bravura a promoção de cabo para o anspeçada”, sendo imediatamente atendido.


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LAMPIÃO EM OLHO DÁGUA DAS FLORES


Por Fabio Campos

A noite do dia 10 de setembro deste ano, tivemos a oportunidade de assistir no auditório da prefeitura daqui de Santana, palestra sobre o cangaço. Proferida pelo renomado Inácio Loyola, ex-prefeito de Piranhas. A meu ver, uma das pessoas que mais entende deste tema por estas paragens. Quando nos foi dada, tivemos a oportunidade de tirar algumas dúvidas e desmistificar alguns conceitos arraigados sobre o cangaço. Foi esclarecido, por exemplo, que aquela famosa foto das cabeças dos cangaceiros decapitadas e expostas nos degraus de uma pequena escadaria, não se trata da igrejinha de Nossa Senhora Assunção na praça da Bandeira, como muitos supunham.E sim, o registro ocorreu numa igreja lá de Piranhas. Quando expostas aqui em Santana, como publicou a revista "O Cruzeiro" à época, as cabeças estavam dentro de latas de querosene.

Conta minha mãe que lá pelos idos de 1932, quando ela contava apenas com seis anos de idade, seu pai, Tomaz Doroteu, meu avô, foi sequestrado por Lampião e seu bando. Embora tenha conseguido escapar deles, nas proximidades de Olho D'agua das Flores mesmo, num lugar pelo nome de Gavião. Em outra investida dos cangaceiros àquela localidade, saquearam a casa de um senhor chamado Esaú, no povoado Pedrão. Ali fizeram miséria.

Na então vila de Olho D'agua, incendiaram a casa de uma senhora chamada Engrácia. O bando já sabia quem tinha o que lhes interessava: armas e dinheiro. Dona Engrácia coitada, ficou tão nervosa quando se viu diante de Lampião que gaguejou um pedido de clemência, errando patente e apelido do chefe do cangaço:

- Valei-me tenente Lampiscão!

E ele. Apenas arrancou-lhe os brincos e corrigiu-lhe dizendo que era capitão Virgulino Ferreira o Lampião. E pra que ela nunca mais esquecesse mandou dar-lhe uma pisa de urtiga. Depois foram embora dali.

Fabio Campos 11/11/2009


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CANGACEIROS MORTOS NO RIO GRANDE DO NORTE


Por Francisco das Chagas Nascimento

Na época, o governo do Rio Grande do Norte não poupava a vida de cangaceiros. Dos que aqui foram presos, o único que escapou de ser justiçado, foi o Asa Branca. 

Aqui, no RN; além de Jararaca, foram mortos Bronzeado, Mormaço, Cordeiro, Casca Grossa e Chico Pereira. Este último, morto em um acidente, quando transportado para depor na região do Seridó.


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APENAS UMA CASINHA

*Rangel Alves da Costa

Em local distante, à beira de estrada, entre os tufos de mato, depois da malhada, em local singelo e sublime: uma casinha.
Casinha humilde, simples, de barro, do visgo antigo, da argila lançada aos tufos sobre as ripas. Sua aparência não nega, pois uma casinha de barro mesmo.
Mas será que apenas uma casinha de barro, ripa de pau, cipó da mata, terra e visgo, tudo juntado para ser um lar no passado?
Aparentemente, apenas uma casinha, mas será que sua feição nada representa além de sua velha idade, de seu barro e portas sumindo, de sua sensação de desalento e abandono?
Ao seguir pela estrada, ao passar adiante, certamente se avistará apenas a casinha ao relento dos dias e dias noites, num tanto faz de continuar existindo.
Mas será que é sempre assim ou o olhar deve procurar a vida, seja do passado ou presente, quem dali jamais saiu em sua memória?
A verdade é que seja casarão ou casinha, em suas paredes, dependências e fachadas, sempre haverá uma história que precisa ser conhecida.
Por que foi ali construída, quem morou na casinha, por que foram abrindo a porta e saindo e saindo, deixando tudo à voracidade do tempo que a tudo vence, destrói e sepulta?


Apenas uma casinha, mas talvez uma história grandiosa na sua existência, talvez de tamanha importância no passado que até o tempo se acabrunha em ir derrubando o seu barro.
Por isso, nada existe que não possua alguma importância, significado e história. Tudo tem algo a ser contado sobre sua existência.
E assim com a casinha e com as pessoas. Muitos imaginam que pessoas humildes são como casinhas abandonadas e que, por isso mesmo, sequer merecem atenção, mas não é assim não.
Eis que somos casinha de barro. E muitas vezes, até mesmo depois de no passado termos sidos casa de paredes suntuosas e endereços conhecidos.
O tempo transforma o belo, definha o que se mostra imponente, leva ao chão o que se sentia como duradouro demais.
Somos casinha e seremos casinha de barro acaso desejemos o prolongamento no tempo, viver muitos anos. Mais tarde virá a certeza que o barro está despencando, caindo.
Não adianta querer que tudo permaneça irretocável. Também não adianta fugir da casinha já envelhecida porque a nova é mais confortável.
Tudo é importante demais, tudo deve ser respeitado, admirado e valorizado: na casinha e nas pessoas.

Escritor
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MEMÓRIAS DO CANGAÇO: ENTREVISTA COM O TENENTE POMPEU, VOLANTE PERNAMBUCANO QUE COMBATEU O CANGAÇO. CIDADE DE ARCO VERDE-PE (1999).



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IGREJA DE SÃO VICENTE EM MOSSORÓ


Por Paulo Queiroz

Fundada no ano de 1915 pelos migrantes e retirantes que fugiam da terrível seca de 15. Fui cenário de uma das maiores batalhas contra o bando de Lampião. Fui também daqui das torres da igreja que partiram os tiroteios que feriu mortalmente o cangaceiro Colchete do bando e baleou o Jararaca. 

Sou considerada como monumento símbolo da resistência do meu Estado. Onde estou localizada?


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A RIQUEZA ARQUEOLÓGICA DE BONSUCESSO E AS GRANDES SURPRESAS


Por Manoel Belarmino

Na tarde de hoje, minha amiga Erionesia, mandou no Zap, no meu privado, algumas fotografias de uma moeda antiga encontrada por Henrique, no dia de hoje, nos arredores do povoado Bonsucesso, aqui em Poço Redondo. Quando vi as fotografias da moeda, fiquei, deveras, surpreso. Aquela relíquia é uma moeda antiga do ano de 1811, do tempo do Brasil Colônia, e cunhada na Casa da Moeda da Bahia . Mais uma surpreendente notícia sobre as riquezas arqueológicas do Bonsucesso.


Do lado principal da moeda, no anverso, podemos ver uma coroa sobre colar de pérolas circundando o valor e o ano que a moeda foi cunhada. E, orlando o colar, os dizeres: "JOANNES. D. G. P. ET. BRAS. P. REGENS", que significa: João, por graça de Deus, príncipe regente de Portugal e do Brasil.

Do outro lado da moeda, no reverso, está escrito: "PECUNIA. TOTUM. CIRCUMIT. ORBEM", que significa: o dinheiro circula pelo mundo.

Essa moeda é o RÉIS que foi originada no período Colonial por influência do monetário português, não se tratava de uma moeda genuínamente brasileira, mas foi aproveitada no Brasil do padrão português.

Essa moeda vem do período do Brasil Colônia, do tempo de Dom João, Príncipe Regente (1799-1816).

D. João foi oficialmente regente em nome da mãe rainha D. Maria I, por demência desta, a partir de 1799. Auxiliou a Espanha na Campanha do Rossilhão. Não aderiu ao bloqueio continental napoleônico, na qualidade de aliado do Reino Unido, o que custou a invasão do reino e mudança da corte para o Brasil. Regressou com a revolução liberal do Porto, onde jurou a constituição. Nesse período, o Brasil produziu moedas para circulação em Angola, Moçambique e São Tomé & Príncipe.
Outras moedas antigas já foram encontradas no povoado Bonsucesso, inclusive eu já fiz outra postagem aqui de um texto de minha autoria com o título "BONSUCESSO E AS MOEDAS IMPERIAIS".

Bonsucesso é realmente uma comunidade que tem um valor histórico, arqueológico e cultural imenso.

Fotografias: Erionesia.


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A ENTRADA DE LAMPIÃO NA SERRINHA DO CATIMBAU.

Do acervo do Aderbal Nogueira


Dona Josefa nos conta como foi a entrada de Lampião em Serrinha do Catimbau, local onde Maria Bonita foi baleada.
Categoria


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VAMOS CONHECER A SERRA GRANDE PALCO DA MAIOR BRIGADA DE LAMPIÃO COM AS VOLANTES


Material do acervo do pesquisador Volta Seca

COMBATE DA Serra Grande no município de Calumbi... Pernambuco, onde aconteceu a maior brigada de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, no dia 26 de novembro de 1926...

OBS:Só retificando os dados. Nesse Combate, morreram 10 policiais volantes e, mais 14 saíram feridos. Não morreu nenhum cangaceiro. As defesas feitas ( restos de muros de pedras, confirmam que Lampião armou o cenário de guerra, tendo em torno de 90 homens distribuídos em toda a Serra, enquanto a polícia compunha de 300 policiais, inclusive, com o uso de metralhadora. (adendo por Voltaseca Volta).


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GOOD GOLLY MISS MOLLY

Good golly miss Molly
Sure like to ball
Good golly miss Molly
Sure like to ball
When you're rocking and rolling
I can hear your mama call

From the early early morning
To the early early night
When I caught miss Molly in the house of blue lights

Good golly miss Molly...

Momma poppa told me
Son you'd better watch yourself
If they knew about miss Molly have to watch my pop myself

Good golly miss Molly

Going to the corner
Gonna buy a diamond ring
When she hug me and kiss me
Make a ting-a-ling-a-ling...

Good golly miss molly...

GOOD GOLLY MISS MOLLY

Uau, senhorita Molly
Gosta de "curtir"
Oh céus, senhorita Molly
Com certeza gosta de uma "curtição/transa"
Quando você está botando pra quebrar
Eu posso ouvir sua mãe te chamar

Desde bem cedo de manhã
Até tarde, tarde da noite
Quando peguei senhorita Molly

Meu Deus, senhorita Molly ...

Mamãe e papai disseram
Filho melhor você prestar atenção
Se soubesse de Miss Molly me veriam me borrar

Oh céus, senhorita Molly

Quando eu for as compras
Vou comprar um anel de diamante
Quando me abraçar e me beijar
Faz um ting-a-ling-a-ling ...


Nossa, Miss Molly ...

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