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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O cangaceiro Lampião no banco dos réus

Por Paulo César Gomes
Virgulino Ferreira da Silva - Lampião

Lampião foi absolvido! Essa frase que é recheada de elementos que perturbam a cabeça de curiosos e estimula o trabalho de pesquisa de estudiosos do cangaço no Brasil e no mundo, foi dita em alto em bom tom no dia 13 de abril de 2002, no Sítio Passagem das Pedras, a 46 Km da cidade de Serra Talhada – PE, ao lado da casa onde Lampião nasceu. Nesta data ocorreu o julgamento (simulado) do Rei do Cangaço, um evento que foi organizado pela Fundação Cultural Cabras de Lampião, presidida pelo escritor pesquisador Anildomá Willans de Souza (Domar).

Anildomá Willans de Souza e Manoel Severo

O julgamento foi conduzido pelo juiz Assis Timóteo Rodrigues, que na época atuava pela Comarca de São José de Belmonte; a defesa de Lampião foi feita pelo advogado Franklin Machado e a acusação pelo historiador e ex-prefeito Luiz Lorena (representando o Ministério Público). O conselho de sentença – que foi formado após sorteio – era composto de intelectuais, historiadores e advogados de vários estados do Nordeste. Virgolino Ferreira da Silva foi representado pelo saudoso ator, poeta e coreografo Gilvan Santos.

Antônio Amaury foi assistente da defesa.

O evento atraiu pessoas de diversas regiões do Brasil, somando cerca de 400 pessoas, inclusive estudantes de História e Turismo das universidades do Rio Grande do Norte e Pernambuco. Durante duas horas e meia, essa plateia acompanhou atentamente sob o sol da caatinga os ataques e defesas em torno da figura lendária e controversa de Lampião, o maior dos cangaceiros.

“Absolvê-lo é condenar a história da minha Serra Talhada”, apelou exaustivamente, o promotor Luiz Lorena. Já a defesa recorreu a elementos históricos, como a impunidade dos coronéis, os esbulhos de terra, a perseguição aos pobres, para apontar Lampião “como um fruto do meio”. Em determinados momentos, dava-se a impressão que Lampião estava em carne e osso no sítio, tal era o envolvimento da plateia, dos advogados e do juiz Assis Timóteo.

Após ouvirem as alegações da acusação e da defesa, cada jurado declarou o seu voto e, coube ao ex- presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) – seção Serra Talhada –, Jânio Carvalho, o voto que absolveu Lampião pelo placar de 4×3. Emocionada, a neta de Lampião, 

Guilherme Machado e Vera Ferreira - neta de Lampião

Vera Ferreira, abraçou calorosamente o ator que representou o seu avô. Após a leitura da sentença, o escritor Hilário Lucettti (Crato – CE), que fez parte do júri e pediu a condenação de Lampião, expressou o seu desejo de recorrer da sentença.

Mas o juiz Assis Timóteo esclareceu que por se tratar de um júri popular simulado, não cabiam recursos e nem apelações uma vez que essas regras não foram estabelecidas. Na verdade, Lampião já fora inocentado em outubro de 1997 pela prescrição do último processo que tramitava contra ele. O juiz Clóvis Silva Mendes, que na época ocupava a comarca de Serra Talhada e de Flores, inocentou Lampião de uma ação datada de 1928. Nesse processo o cangaceiro era acusado de matar três homens em 1925.

Adendo: Reveja um vídeo de Aderbal Nogueira com  compacto deste evento.


Independente de todas as controversas, ou não, que rodeiam o universo no qual foi edificada a figura de Lampião, uma coisa é certa, a história do cangaço e do povo nordestino é encantadora, marcada por passagem de lutas e de pioneiros. Uma expressão verdadeira da identidade cultural e social do povo brasileiro.

Lampião foi bandido sim! Praticou e o foi vítima de atrocidade, e isso ninguém será capaz de mudar, mas não podemos negar que a sua história é repleta de simbolismo e cultura, fatores que são não podem serem desprezados pela nossa população. Eventos como o que narrei aqui, ajudam a promover o nome de Serra Talhada no cenário regional, nacional e mundial, o que passar a ser uma forma legitima de recuperar todo o prejuízo econômico provocado pelo cangaço.

Pesquei no Farol de Noticias

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ÂNGELO ROQUE – A REGENERAÇÃO DE UM CANGACEIRO

Publicado em 20/08/2013 por Rostand Medeiros

Manchete da reportagem da década de 1950, sobre a regeneração de Ângelo Roque

Manchete da reportagem da década de 1950, sobre a regeneração de Ângelo Roque

Autor – Rostand Medeiros

No Brasil a palavra “regeneração”, definitivamente é algo que o nosso povo não sabe trabalhar muito bem em suas mentes e seus corações, quando aplicada aqueles que erraram junto a sociedade, contra os que praticaram crimes diversos, contra os que sofreram as duras penas da lei e estiveram um período em alguma unidade prisional.

Dificilmente vemos o antigo presidiário como alguém que se regenerou. Olhamos para ele mais com medo do que com esperança de que ali está uma pessoa recuperada. Isso não é difícil diante verdadeiras masmorras medievais que existem nos nossos presídios.


Por isso é que na história carcerária brasileira chama tanto atenção o fato dos homens que foram cangaceiros, pelo menos os que se entregaram e passaram um tempo presos, terem tido um índice de reincidência criminal baixíssimo.

Na verdade digo “terem tido um índice de reincidência criminal baixíssimo”, pois ouvi isso de outros pesquisadores do tema cangaço. Mas confesso que nunca li e não tenho dados que comprovem especificamente quantos antigos cangaceiros padeceram na prisão e quantos voltaram ao crime após a liberdade.


Entretanto é vasto, inclusive amplamente divulgado na imprensa brasileira das décadas de 1950 e 1960, que vários homens que andaram nas caatingas debaixo do peso do chapéu de couro e do “pau de fogo”, ao deixarem a prisão se tornaram os ditos “cidadãos de bem”, totalmente regenerados. Muitos se tornaram pacatos funcionários públicos, pequenos comerciantes, caixeiros viajantes e outros exerceram simples e honestas atividades. Um dos casos mais emblemáticos na minha opinião é a recuperação do chefe cangaceiro Ângelo Roque.

Vida Bandida

Em uma entrevista a um periódico carioca, repleta de fotografias, temos a história de Ângelo Roque da Costa, o conhecido cangaceiro Anjo Roque, o conhecido Labareda. Teria nascido em 1910, no lugar Jatobá, depois pertencente ao município pernambucano de Tacaratu (e por isso conhecido como Jatobá de Tacaratu), era filho de família humilde, mas respeitada em seu lugar.

Lampião, o primeiro a esquerda, e seus cangaceiros

Na reportagem afirmou que entrou na vida do cangaço após matar um soldado de polícia que desvirginou a sua irmã de 14 anos de idade. Roque contou que o conquistador se chamava Horácio Cavalcanti, que havia casado quatro vezes e quatro vezes abandonou as esposas. Consta que sua família buscou a justiça de sua região, mas um juiz e outras autoridades pouco deram importância ao sentimento de raiva de seus familiares.

Logo houve um encontro dos dois homens em um trem, a faca vibrou e ambos ficaram feridos. Mas logo o jovem Roque, então com 16 ou 17 anos, matou o soldado com um tiro de rifle e caiu “em desgraça” perante a justiça.

Para sobreviver em uma situação como esta, naquele sertão atrasado, só entrando para o cangaço. Foi em uma propriedade denominada Jurema que Roque entrou no bando de Lampião, que lhe deu apoio e ambos se tornaram grandes amigos.

Um Cangaceiro

Na reportagem Ângelo Roque detalhou que esperou 13 dias por Lampião na propriedade Jurema. Logo Roque ficou alcunhado no bando como Labareda. Comentou que Lampião sempre foi um homem de pouca conversa, mas era extremamente hábil na luta das caatingas. Labareda informou que passou dois anos andando junto a Lampião no seu bando, onde teve um grande aprendizado na arte da guerrilha nordestina. Devido a sua capacidade de comando e de combate, logo Labareda passou a comandar um subgrupo de cangaceiros.

No seu processo de regeneração, o antigo cangaceiro aprendeu a ler e escrever

Para Roque era normal Lampião ter cerca de 60 homens em seu bando. Já o famigerado cangaceiro Corisco andava com um grupo que tinha em torno de 20 a 25 combatentes e Labareda seguia com uma média de 15 cangaceiros. Nesta vida Ângelo Roque da Costa permaneceu 16 anos em luta, onde afirmou a reportagem ter combatido “200 vezes contra a polícia”.

Lembrou aos repórteres que seu primeiro combate, sem especificar datas, foi em Sergipe, onde cerca de 40 cangaceiros brigaram diretamente com vários policiais, sem perdas para os “cabras” de Lampião, mas com a morte de vários homens da lei.

Ângelo durante a entrevista

Para o cangaceiro Labareda os dias de cangaço eram “Dias miseráveis!”, onde os cangaceiros tinham um ódio extremo aos policiais e, assim que tinham alguma oportunidade, não perdiam a oportunidade de desfechar terríveis ações violentas contra os membros da “Força”.

Em seus relatos Labareda afirmou categoricamente que era “Um bandido”, que aquela vida lhe trazia muitas amarguras. Tanto que para conceder a entrevista ele perguntou primeiramente ao Professor Estácio de Lima se aquela exposição na imprensa seria positivo para ele. O Professor Estácio concordou.

Ângelo Roque e o Professor Estácio de Lima

Na época da entrevista Ângelo Roque era um pacato funcionário do Concelho Penitenciário da Bahia, morando em Salvador, onde trabalhava como auxiliar de confiança do Professor Estácio.

Na Prisão

Após a morte de Lampião em 28 de julho de 1938, o cangaceiro Labareda andou ainda quase dois anos pelas caatingas de armas na mão, tendo se entregado as autoridades no início de abril de 1940, em Paripiranga, Bahia. Logo ele e mais outros companheiros foram recambiados para Salvador.

Fim de Lampião e seu bando
Fim de Lampião e seu bando

Na capital baiana, nos primeiros contatos com a imprensa na Secretaria de Segurança, os cangaceiros já se encontravam de cabelos cortados e usando paletó e gravata, mas Labareda fazia questão de ser tratado pela patente de “capitão”. Na ocasião houve um encontro muito animado com o cangaceiro Juriti, que já se encontrava detido. Comentaram que do terraço da repartição chamou atenção dos agora ex-cangaceiros a chegada ao porto de Salvador do paquete “L’Argentine”.

Saracura, companheiro de cangaço e de prisão de Ângelo Roque

Após a sua entrega justiça, Ângelo Roque da Costa foi julgado e condenado a 95 anos de prisão, depois reduzidas a 30 anos e comutadas a apenas 10 anos de cárcere. Mesmo com condenações tão elevadas no início do seu período de detenção, ele manteve a calma e se tornou um prisioneiro de comportamento exemplar.

O antigo cangaceiro Labareda entre as cabeças de Corisco e Lampião

Primeiramente foi enviado para o “Campo Experimental de Ondina”, em Salvador, onde passou a cumprir seu tempo de prisão junto com os companheiros de luta.

Lembrou que na época do início do cumprimento de sua pena, lhe chamou atenção o interesse e a curiosidade provocada em várias pessoas pelos ex-cangaceiros. Recordou que em uma ocasião receberam a visita de Renato Monteiro, documentarista da “Tupy Films”, que realizou um pequeno filme (provavelmente pago pelo Governo Federal), mostrando a regeneração dos anteriormente temidos “Guerreiros das Caatingas”. Foram realizadas filmagens daqueles homens em uma lavoura, tendo sido capturado as imagens do antigo Labareda, de Saracura, Juriti, Jitirana, Velocidade e cinco outros ex-cangaceiros.

Inclusive pelo bom trabalho realizado nesta lavoura, em 1944, durante o período da Segunda Guerra Mundial, ele e outros 20 condenados pela justiça receberam um prêmio da LBA-Legião Brasileira de Assistência. Este programa era denominado “Hortas para a vitória!” e havia sido implantado para incrementar e ampliar o que hoje denominamos de agricultura familiar, tudo em prol do esforço de guerra brasileiro.

Ângelo Roque e a cabeça de Lampião

Como comentei anteriormente, não sei estatisticamente quantos dos cangaceiros que se entregaram as autoridades reincidiram no crime. Mas não deixa de chamar atenção pelas fotos aqui publicadas, como as autoridades faziam questão de propagar a regeneração dos antigos cangaceiros a imprensa brasileira.

Não sei se é utopia da minha parte, sei que os tempos e os problemas são outros, mas bom seria se alguém da área de direito penal, ou de alguma área relativa aos estudos penitenciários, se dispusesse a pesquisar mais a fundo estes casos específicos dos ex-cangaceiros.

Talvez o resultado de um trabalho assim, poderia trazer lições do passado que possam ajudar os “homens das leis” dos nossos conturbados e violentos dias, a terem uma nova abordagem para a recuperação dos nossos apenados.


Extraído do blog "Tok de História" do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com/
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Tiro de Guerra de Mossoró - Parte II

Por: José Mendes Pereira
José Mendes Pereira

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano:

Sobre o Tiro de Guerra de Mossoró temos muitas coisas a relatarmos, e uma delas, os antigos e surrados fardamentos que nós recebíamos no TG. 

www.compararprecos.cc

Naquele tempo, nenhum de nós teve o prazer de vestir fardas inteiramente novas, todas já tinham sido usadas pelas tropas de Natal, sujas, imundas, e muitas delas, além de rasgadas, eram necessária uma costureira repará-las, remendando-as aqui e ali, porque já eram bastante surradas, e até a cor verde de muitas, já havia desaparecido. 

Você sabe muito bem que quando chegavam os uniformes para nós atiradores, eram todos jogados no chão da quadra, para que cada um escolhesse o que mais se aproximava da sua medida.

harrydarkcoturno.blogspot.com

E os coturnos, lembra? Eram necessária a participação de um sapateiro profissional, para que ele colocasse pregos nos solados, do contrário andávamos sem segurança, pois se não fossem consertados, estávamos sujeitos a perdermos os solados dos coturnos em uma marcha.

Mas nós sabíamos que os sargentos não tinham culpa deste desprezo aos atiradores. Os patenteados tinham vontade de verem os seus comandados com fardamentos, coturnos, cintos de guarnição, cantis... novos. Mas infelizmente eles nunca realizaram os seus desejos, porque o governo federal não tinha o mínimo interesse de organizar o exército brasileiro. 

Certo dia, em uma das machas que fizemos para Governador Dix-sept Rosado, eu fui um dos que mais sofreu, causado por um prego cravando o meu calcanhar esquerdo. Devido a estrada ter sido feita com piçarra, quando eu pisava em uma pedra, o  prego ficava  furando o meu calcanhar.

Chamei o sargento Moura e lhe disse que eu não tinha condições de continuar a marcha, que eu deveria ir no jeep (este nos seguia atrás para um possível socorro), alegando-lhe que um prego no coturno estava me furando, e eu não iria aguentar aquele sofrimento, porque eu já sentia que dentro do coturno estava cheio de sangue. 

O sargento Moura ficou me xingando, dizendo-me que era manha minha, e que aquilo não passava de relaxamento meu, e já que eu sabia que naquela madrugada nós iríamos  caminhar até às terras de Governador Dix-sept Rosado, um dia antes eu deveria ter feito um reparo geral nos coturnos, batendo todos os pregos, que possivelmente poderiam me afetar.

Ao chegarmos no local do acampamento improvisado, no meio de uma porção de carnaubeiras, e na beira do rio, eu retirei o coturno, e lá senti o alívio do que me incomodava naquele momento. Chamei o sargento Moura para que ele visse de perto o estrago que o prego havia feito em meu calcanhar.


Reconhecendo o seu erro, por não ter aceitado eu seguisse no jeep, disse-me que no retorno eu voltaria no automóvel. E assim foi feito. Ao retornarmos da marcha, eu vim no jeep, mangando de vocês, que além de cansados, o sol estava mais quente do que nunca.



Minhas simples histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

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MACIEL MELO: UM ARTISTA QUE REPRESENTA O AUTÊNTICO FORRÓ PÉ DE SERRA

Jadilson Ferraz, João de Sousa Lima, Maciel Melo e Antonio Fernandes

O POETA MACIEL MELO  

Maciel é um grande poeta do nordeste brasileiro. Suas músicas tem a dimensão do mais profundo sertão caatingueiro, onde os causos e casos registraram páginas incríveis na historiografia do Sertão. Suas músicas influenciaram uma grande leva de novos artistas, ganhando também a admiração dos astros já consagrados. Sua trajetória musical,para a luz da história recente o coloca no patamar dos fenomenais artistas da nação nordestina.
    
Recentemente Maciel lançou o livro “A Poeira e A Estrada”,uma obra literária que o coloca também no rol dos grandes escritores. A construção dos capítulos, as tramas arquitetadas, o desenrolar dos textos nos remetem ao mais profundo atalho dos sonhos das infâncias vividas nas brenhas dos nossos amados torrões nordestinos.
     
As páginas do livro tem cheiro de terra molhada, cheiro do barro batido nas olarias da vida, das lenhas queimadas nas caeiras infindas que perseguem as memórias dos tempos de menino.
     
Maciel é sinônimo do mais autêntico forró Pé de Serra. Sua musicalidade transcende a alma, invade os sentimentos, esquadrinha os corações, faz pulsar o que de mais sagrado há na inocência das nossas infantis lembranças.
      
Maciel representa o barro moldado, o couro curtido, o riacho que sangra, o pássaro que canta nas invernadas, a fogueira que arde, a lua que brilha, o sol que queima, a rede que acomoda o corpo pro descanso, a planta que desabrocha, a flor que perfuma os campos sagrados  do Nordeste Brasileiro.
     
Maciel é o menino irrequieto que cruza a vida a passos largos, feito cometa que rasga o espaço deixando seus rastros iluminados, Maciel é o que há de mais puro e autêntico, ele  representa nossos sons e ritmos, feito chama que arde em nossas almas de meninos arteiros, meninos que não foram arrematados pelos sonhos dos homens que se embruteceram com as malícias de um mundo consumista. Por tudo...      

ISSO VALE UM ABRAÇO COMPANHEIRO.

João de Sousa Lima

 Maciel Melo presenteou João de Sousa Lima e Antonio Fernandes com suas novas obras

UM POUCO DE SUA VIDA...

Maciel Melo nasceu no dia 26 de maio de 1962 na pequena Iguaraci, cidade do sertão pernambucano, a 363 km do Recife. Filho de Heleno Louro e Maria de Lourdes.

O pai, Heleno Louro,  tocador de sanfona, ensinou-lhe desde cedo que o autêntico forró pé-de-serra não se limita a sanfona, zabumba e triângulo. Vale utilizar também o violão com baixaria, sopros, cavaquinho, banjo e até guitarra elétrica.

Maciel já entrou na história da música nordestina com o clássico “Caboclo Sonhador”, sucesso com Flávio José e Fagner. Virou uma referência para onde se voltam tantos cantores do gênero, que vivem na região, ou os que emigraram para o sudeste: Xangai, Santanna, os citados Flávio José e Fagner, Zé Ramalho, Elba Ramalho.

O primeiro disco de Maciel Melo, “Desafio Das Léguas”, foi lançado em 1989. Um disco ousado para um desconhecido, com participações de Vital Farias, Xangai, Dominguinhos e Dércio Marques, que comprovam o seu talento.

Sete anos depois o álbum "Janelas" deu continuidade ao trabalho iniciado com dificuldade. No ano seguinte (1997) ele gravou o disco "Retinas". Em 1998 o artista participou do primeiro número da coletânea Só Forró, pela Kuarup. O álbum conta com a participação de grandes artistas nacionais, como Sivuca, Xangai, Dominguinhos, Marines e Petrúcio Amorim. Em 1999 Maciel gravou o disco "Jeito Maroto"; em 2000, "Isso Vale um Abraço"; em 2001 lançou "Acelerando o Coração". Ainda no mesmo ano ele emprestou seu talento à coletânea Só Forró II (Kuarup). Nesse CD Maciel Melo gravou ao lado de nomes como Jackson Antunes, Juraildes da Cruz, Heraldo do Monte, Dominguinhos e Genaro. Já “O Solado da Chinela” foi gravado em 2002.

A temática de suas letras é fundamental para a continuidade do forró que teve as bases assentadas por Gonzagão. Não menos importante, o forró de Maciel Melo é feito para dançar. Não tem nada de forró pé-de-serra de ocasião, universitário da moda, moderno produzido em linha de montagem. É simplesmente atemporal, como toda grande música que se preze.

Jadilson e Maciel

Toinho de Juvininho, João de Sousa Lima e Maciel

Jadilson e João assistindo o show de Maciel no teatro Santa Izabel

Maciel cantou com o sanfoneiro Cezinha

O show marcante

O Exército brasileiro em homenagem ao dia do soldado

João de Sousa Lima é escritor e pesquisador do cangaço

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Este blog anda meio sem graça. 

Difícil o uso de postagens

Convite Missa

Por: Kydelmir Dantas

Acontecerá neste domingo 25/08, às 9:00h, na Matriz de Arco Verde-PE
a missa dos 30 dias de falecimento do Sr.
MANOEL DANTAS LOIOLA.


A Família agradece o comparecimento e a participação de todo(a)s.

Também agradece os contatos e apoios, vindos dos diversos amigo(a)s e parentes,
espalhados pelo Brasil, naquele momento de tristeza e dor.

Kydelmir Dantas
Mossoró - RN

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço Kydelmir Dantas

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PARÁBOLA DE PAI PARA FILHO

Por: Francisco de Paula Melo Aguiar(*)

Até a vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda quando ti verdes cabelos brancos, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.
Isaias, 46:4

Meu filho no dia em que este velho, teu pai, não for mais o mesmo, tenha paciência e ética, me compreenda, porque você será eu no amanhã. De modo que fique atento, pois, quando derramar comida sobre minha camisa e esquecer como amarrar meus próprios sapatos, volto a lembrar-lhe, tenha paciência comigo e procure lembrar-se das horas que passei ensinando-o justamente a fazer as mesmas coisas quando você era criança. Fique sempre me observando, pois, se quando conversar comigo, eu repetir mais de uma vez as mesmas coisas e ou casos, que você já sabe de sobra como terminam, não me interrompa, me escute e deixe eu terminar de falar. Assim sendo, quando você era pequeno, para que dormisse, eu tive que lhe contar milhares de vezes a mesma estória até que você fechasse completamente os olhinhos, aí eu o levava para sua cama para dormir e sonhar com os anjos. De modo que quando estivermos reunidos e sem querer, subitamente, eu fizer minhas necessidades básicas de todo ser humano em declínio, não fique com vergonha de mim. Procure sempre compreender que não tenho culpa disso, pois, já não as posso controlar como antes fazia na juventude e maturidade saudável. Olhe meu filho, pense quantas vezes, pacientemente, troquei suas roupas para que você estivesse sempre limpinho e cheiroso. Pare meu filho e medite nunca me reprove se eu não quiser tomar banho. Procure sempre ser paciente comigo, porque tudo me levar a crer que eu já não sou mais eu, procure entender isso.
                      
Antes de mais nada, lembre-se dos momentos em que o persegui e os mil e um pretextos que inventava para convencê-lo sempre a tomar banho diário. Jamais meu filho, esqueça de que quando você me vir inútil e ignorante na frente das chamadas novas tecnologias do mundo Net que já não poderei entender, eu lhe suplico por tudo que for mais sagrado e ou importante para você, que me dê todo o tempo que for necessário, e que jamais me machuque com um sorriso de zombaria e ou sarcástico.
                    
Filho meu, lembre-se de que fui eu quem lhe ensinou tantas coisas neste mundo, como por exemplo: comer, beber, vestir-se e também como enfrentar a vida na sociedade tão bem como você hoje faz. Queira ou não você, isso é o resultado do meu esforço pessoal e da minha perseverança. Sempre acreditei em você. De modo que se em algum momento, quando conversarmos, eu me esquecer do que estávamos falando, tenha sempre paciência comigo e me ajude a lembrar da temática. Contra fato não se tem argumento, pois, talvez a única coisa importante para mim naquele momento seja o fato de ver você perto de mim, dando-se atenção, amparo e prestigio, e não o que falávamos. Entenda se alguma vez eu não quiser comer, saiba insistir com carinho filial, por analogia, assim como fiz com você quando era criança. É evidente de que também compreenda que com o passar do tempo não terei mais dentes fortes, nem agilidade para engolir os alimentos. Alerto-lhe também que quando minhas pernas falharem por estarem tão cansas, e eu já não conseguir mais me equilibrar [...] com ternura, dê-me sua mão para eu Me apoiar, como eu o fiz incondicionalmente quando você começou a caminhar com suas perninhas tão frágeis.
                  
Enfim, se algum dia me ouvir dizer que não quero mais viver neste mundo, não se aborreça comigo, pois, algum dia entenderá que isto não tem a ver com seu carinho e ou com o quanto o amo do fundo do meu coração. Compreenda sempre que é muito difícil ver a vida passando e abandonando aos poucos o meu corpo [...] e que é duro admitir que já não mais o vigor dos meus verdes anos, a exemplo do romance da estória do romance de José Lins do Rego, para correr ao seu lado, ou para tomá-lo em meus braços, como antes fazia quando você era criança e na sua adolescência. É verdade que sempre quis o melhor de minhas posses para você e sempre me esforcei para que seu mundo fosse mais confortável, mais belo, mais seguro, mais florido, embora que a estão do ano fosse o verão de sol causticante. É certo, meu filho de que até quando me for, construirei para você outra rota em outro tempo, mas estarei sempre com você, zelando por você todos os dias de sua vida.
                   
Olhe! Fruto do meu amor, jamais se sinta triste e ou impotente diante do mundo por me ver ficar assim. Veja bem, não me olhe com cara de pena e ou de dó. Preciso muito que me dê o seu coração, compreenda-me e me apóie como sempre o fiz quando você foi gerado, nasceu e começou a viver em todos os sentidos da vida familiar e social. Somente agindo assim, me dará as forças que necessito e muita coragem para enfrentar a nova realidade, diante do novo caminho que terei que caminhar rumo à eternidade. Assim, da mesma maneira que te acompanhei no início da sua jornada terrena, peço-lhe que me acompanhe para terminar a minha sem atropelos de quaisquer espécies. Volto a pedir-lhe, trate-me com amor e paciência, tudo tem começou e tudo terá fim, e eu lhe devolverei sorrisos e gratidão eterna, com o imenso amor de pai que sempre tive por você.
Atenciosamente agradece o seu velho pai...

· Cadeira 7 da Academia Paraibana de Poesia

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Cangaço na Bahia - 1926 - Bahia - A primeira Incursão

Por: Rubens Antonio

14 de setembro de 1926, no “Diario da Bahia”: - LAMPEÃO INVADE A BAHIA



Communicações telegraphicas de ultima hora informam, com segurança, que o terrivel bandoleiro Lampeão atravessou o S. Francisco no logar denominado Barrinha, penetrando no municipio de Curaçá onde prendeu o coronel Joviniano e membros da familia Ribeiro, depredando e incendiando as propriedades dos que se reccusam attender ás suas criminosas exigencias de dinheiro – Telegramma do cel. Raul Coelho, Intendente de Curaçá confirma os informes acima, sollicitando providencias – Pelo 1° trem de hoje seguirá para aquella zona mais um forte contingente da força policial.

15 de setembro de 1926, no “Diario da Bahia”: - O bandido Lampeão continúa em territorio bahiano A sua columna é de 180 cavallarianos

A familia sertaneja continúa seriamente ameaçada em sua tranquilidade, nos seus haveres e na sua honra, ante a perspectiva de depredações e outras possiveis praticas infames do bandido Lampeão e sua gente.

Sabe–se que o destemeroso scelerado, ora no solo bahiano e já depredando–o, com a violencia que lhe é habitual, desenvolve os seus ataques com cavallarianos em numero de 180, de modo a tomar o mais rapida possivel toda a sua acção aggressiva e fugindo para evitar qualquer movimento de contra ataque ás suas forças.

O governo do estado não cessa de tomar todas as providencias possiveis, enviando fortes contingentes policiaes, no intuito de rechassar a terrivel horda de bandoleiros.

De Joazeiro, recebemos, hontem, mais o seguinte telegramma:

JOAZEIRO, 14 – Acabo de receber o seguinte telegramma de Curaçá: 

– Positivo vindo de Orocó, diz que Lampeão está ali. Minha loja foi destruida. Grupo atravessando rio. Assignado. Barreirinho.

Lampeão promette invadir Curaçá e outros portos. Reina o pavor. Resta confiarmos medidas urgentes do governo.

15 de setembro de 1926, no “A Tarde”: É O FLAGELLO DOS SERTOES DO NORTE Lampeão atravessa a fronteira bahiana. MAS A POLICIA EM NUMEROSOS CONTINGENTES, CORRE-LHE NO ENCALÇO

Lampeão é o typo do nosso bandido nordestino, vagamente romantico e religioso até a superstição, matando e roubando com o rosario numa mão e o punhal na outra.

Em constantes razzias pelas regiões despoliciadas, constituem esses bandoleiros um flagello como são as seccas ou as enchentes, as febres epidemicas, males esses de origem commum, oriundos que são todos eles da nossa civilização defeituosa, da vagarosa e difficil penetração.

O sertanejo acceita-os todos, resignadamente, oppondo-lhes fraca resistencia, confiando na justiça e no amparo do governo, que nunca lhes falta, mas que por força da propria organisação politica, não é de molde a extirparl-os radicalmente, restabelecendo nesses rincões hostis, um regimen de ordem e continuada garantia do trabalho.

Lampeão, bandido a muitos annos, mas de celebridade recente, pode se orgulhar de um triste titulo – o de mais temido e poderoso pelo numero de capangas arregimentados, de quantos correm nos sertões do Nordeste.

 As suas victimas não mais numerosas que as figuras do seu bando. É esse salteador de estradas, rude e valentão, desconfiado e astuto, que dorme na campina, tendo o sellim por travesseiro, cheios de bentinhos e rezas cujo contato pensa absolver de todos os crimes – que acaba de invadir a Bahia, cahindo como uma tromba sobre as populações inermes, cujos haveres e vidas estão desgarantidos.

Immediatamente avisado, o chefe de Policia da Bahia não demorou em attender os appellos.

É claro que essas providencias por mais promptas fossem ordenadas, não evitarão os primeiros damnos, as primeiras lagrimas dos que assistem as scenas de vandalismo. Mas elles serão escorraçados como já teem sido de outros logares, até que melhor occasião se offereça para um cerco em regra, com a captura final.

A policia da Bahia, no particular, - e é justo que se diga – se moveu com uma presteza elogiavel.

O primeiro rebate veio de Santo Antonio da Gloria. Immediatammente partiram, com aquelle destino, um contingente de 100 homens, via Propriá, sob o commando do capitão Côrtes e mais dois, com menores efectivos, sob as ordens do tenente Alfredo Gomes e outro official. O governo utilizou assim novas forças, de preferencia a utilizar as do contingente do tenente-coronel Pedro, em outra missão qual a de combater os revoltosos e portanto subordinado ao commando supremo do general Mariante.

Ainda em defesa das populações ameaçadas por Lampeão, segue, hoje, um reforço de 100 homens, sob a direcção dos tenentes Hermogenes Pires e Othoniel dos Santos Lima.

UM APPELLO DESESPERADO

De Joazeiro, recebemos, hoje, mais o seguinte telegramma.

JOAZEIRO, 14 – Acabo de receber o seguinte telegramma de Curaçá:

“Positivo vindo de Orocó, diz que Lampeão está ali. Minha loja foi destruida. Grupo atravessando rio. Lampeão promette invadir Curaçá e outros pontos. Reina grande pavor. Resta confiarmos medidas urgentes do governo.” ( Do correspondente)

SANTO ANTONIO DA GLORIA JÁ ESTÁ TRANQUILLO

O sr. governador do Estado recebeu hontem esse despacho agradecendo as providencias tomadas:

“SANTO ANTONIO DA GLORIA, 14 – Em nome do commercio do povo, agradeço a Vossencia a presteza das providencias para guarnecer esta localidade, contra a imminente invasão do bandido, estabelecendo a tranquilidade. A população está satisfeita com a disciplina modelar do bravo Capitão Arthur Côrtes. Saudações. – Heron Carvalho, Intendente.”


16 de setembro de 1926, no “Diario da Bahia”: O famigerado bandido Lampeão abandona o territorio bahiano

Segundo uma pequena nota hontem dada á publicidade pelos nossos dignos confrades da “A Tarde”, o sr.dr. Madureira de Pinho, Secretario de Policia e Segurança Publica, recebeu o seguinte telegramma:

“Grupo bandido Lampeão voltou Pernambuco. População calma. Saudações Manoel Jacome, delegado policia.”

Embora não saibamos do nome da localidade de onde procedeu o referido despacho, podemos affirmar que partiu da zona ameaçada pela incursão do perigoso bandoleiro.

Está de parabens o sertão bahiano, de parabens está toda Bahia.

Esse recúo de Lampeão e sua gente, figuras de grande ousadia e habituada a encarar situações difficeis, enfrentando contingentes policiaes e lutando com certo destemor, não pode ter sido determinada senão em virtude das providencias ultimamente tomadas e representadas pela remessa immediata de forças numerosas para repelir e rechassar o grupo invasor, forçando–os a contra marchas para alem das fronteiras do Estado.


Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

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