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domingo, 8 de março de 2015

MATÉRIA SOBRE O CANGACEIRO VOLTA SECA


No mínimo interessante... Olhem a data. 23 de Fevereiro de 1944, Matutina, Geral, página 4

Segundo Robério Santos em sua página no facebook:

Bem, o fato dele ter voltado ao Cangaço é mentira mas que ele fugiu em 1944, se juntou a outros dois, praticou crimes em Sergipe, foi perseguido pela polícia, levado de volta a Cadeia ainda sendo noticiado como cangaceiro isso é 100% verdade. Volta Seca, na prática, foi o último cangaceiro do bando de Lampião na ativa. Não estou querendo desmerecer Corisco nem os apaixonados, estou apenas narrando os fatos. Tenho alguns jornais sergipanos de 1944 que dizem muitas coisas... Mas, não vou polemizar.

Ele nem teve tempo para formar nada nem voltar à ativa, voltou para a cadeia. Mas, apenas estou levantando o debate pois um dia desses conversamos aqui sobre ex-cangaceiros que voltaram a cometer crimes depois de preso. Enfim, achamos um exemplo. E mais, na cadeia ele fugiu 3 vezes, foi acusado de consumir maconha lá dentro e outras coisas. Ele só se tornou "exemplar" depois de 1946... Ai até barcos ele aprendeu a fazer na cadeia.

Inclusive quando ele saiu, foi dito que ele era incorrigível. Na verdade o Volta Seca nunca foi estudado de verdade. Escritores pegaram cada um pedaço de entrevista e copiaram como verdade. Acho horrível o que tem nos livros sobre ele. A culpa é da preguiça de procurar cruzar informações.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos‎

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VOLTA SECA FUGIU 3 VEZES DA CADEIA


O cangaceiro Volta Seca não só fugiu duas vezes da cadeia, e sim, foram 3 vezes.  A primeira fugida foi no ano de 1939. A Segunda foi no ano de 1944. E a terceira fugida foi no ano de 1946 - 18 de Janeiro de 1946, Vespertina, Geral, página 10.


09 de Outubro de 1939, Matutina, Geral, página 4


09 de Março de 1944, Matutina, Geral, página 4

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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“O GLOBO” – 02/06/1975 ESCRITOR CONTESTA PADRE: LAMPIÃO MORREU BALEADO

Material do acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho

Três autores de obras sobre Lampião – Luiz Luna, Nertan Macedo e Estácio de Lima – contestam a tese de que Virgulino Ferreira morreu envenenado. Segundo os três, o líder do cangaço foi realmente morto a tiros, pela volante que o cercou de surpresa.

Ao contestar a tese do padre Frederico Bezerra Maciel, de que Lampião morrera envenenado, o professor e escritor pernambucano Luiz Luna – que esteve em Angicos três dias após a morte do líder dos cangaceiros e entrevistou os principais personagens do episódio e várias pessoas da região -, disse ao “O GLOBO” que o capitão Virgulino Ferreira foi morto realmente a tiros de fuzil e metralhadora, de madrugada, cercado pelas volantes do tenente João Bezerra e do sargento Aniceto.

O padre Maciel afirmara em Recife ao “O GLOBO” – em reportagem publicada na edição de ontem – que foi o veneno que o coiteiro Pedro de Cândido colocou no café e provavelmente na comida que matou Lampião; quando a volante do tenente João Bezerra entrou em ação o cangaceiro já estaria morto. Esta versão será detalhada em seu livro “Lampião, seu tempo e seu reinado”, a sair brevemente.

O escritor pernambucano Luiz Luna, 59 anos, autor do livro “Lampião e seus cabras”, e que mora no Rio há mais de 15 anos, diz que Lampião sempre preparava a sua própria comida por questão de segurança, e no momento em que ocorreu o ataque da polícia ele tomava café com Maria Bonita – “o que contraria por completo a tese do padre Frederico Bezerra Maciel”.

PESQUISA

Em julho de 1938, Luiz Luna, então repórter da “Folha da Manhã”, de Recife, foi a Angicos documentar “os últimos dias de Lampião”. Os dados que ele colheu durante uma semana indicaram que o combate entre as volantes policiais e o “bando de Lampião” não durara mais que 30 minutos e que o capitão Virgulino nem sequer participara da luta, atingido de surpresa pelos primeiros disparos.

- Quase que o plano da polícia fracassa devido ao atraso de algumas horas. Bezerra e Aniceto tinham um pacto de honra: quem encontrasse primeiro Lampião teria que avisar ao outro. Um vaqueiro, não me recordo o nome, foi quem traiu o cangaceiro, avisando ao sargento Aniceto o local onde o bando estava acampado. Aniceto imediatamente comunicou-se com Bezerra e a necessidade de reforçar a tropa, atrasou em algumas horas o cerco final.

Para Luiz Luna, essa é a única verdade acerca do fato, confirmada por muitos outros historiadores. Ele disse que a tese do padre Maciel já havia sido levantada por outros pesquisadores, mas sempre esbarrou em dados concretos nos pormenores do combate e inclusive no depoimento de alguns sobreviventes, como Sérgia Silvia Chagas, a Dadá, ex-mulher de Corisco, “um dos cabras mais valentes que o cangaço já conheceu”.

- Há autores que desconhecem a presença de Corisco na luta final de Angicos. Ele lutou ao lado de Lampião e conseguiu escapar, junto com Dadá e com o cabra Mané Pedro, morto mais tarde em uma outra batalha pelos sertões de Sergipe.

- Para esclarecer ainda mais o assunto, devo dizer que o capitão Virgulino Ferreira e boa parte do seu grupo não tomavam bebida alcoólica, condição que Lampião exigia para manter a ordem e a disciplina. A bebida predileta do cangaceiro era a “gasosa”, um refrigerante de limão e maçã, comum na Bahia e em Pernambuco. Toda a comida era muito bem cuidada e o bando se encarregava a de examinar tudo. Não há realmente nenhuma chance de morte por envenenamento.

MITO

Lampião, para o professor Luiz Luna, era um misto de herói e covarde, e, às vezes, até ingênuo. No começo, diz ele, a vontade de fazer justiça o tornou um combatente puro, simbolizando um protesto violento e desordenado conta as injustiças e misérias da vida do sertão. Depois, suas ligações com pessoas influentes e religiosas, como o padre Cícero Romão Batista, o levaram a transferir sua luta para outras fronteiras que nada tinham em comum com seus ideais de justiça.

Em seu livro, o professor Luiz Luna detalha a linguagem e o sentido do cangaço, as lutas e as revoltas do sertão. Lampião, ressalta, foi produto de tudo isso.

- O cangaceiro era cruel como as secas, às vezes generoso e violento como as invernias, e às vezes cheio de ternura.

Estácio de Lima

ESTÁCIO: A TESE DO VENENO É INGÊNUA

SALVADOR (O GLOBO) – O professor Estácio de Lima, autor do livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, o grande estudioso do cangaço, disse ontem que a tese defendida pelo padre Frederico Bezerra Maciel, de que Lampião morreu envenenado, “só pode ser classificada como ingênua, pois reflete o pensamento de quem não viveu e não sentiu de perto o problema e olha a distância a questão”.

- Não há dúvida de que tanto Lampião quanto sua mulher, Maria Bonita, e vários outros cangaceiros foram abatidos a tiros por forças policiais alagoanas comandadas pelo tenente Bezerra. Este fato já foi narrado não só por diversos companheiros de Lampião com por sua própria filha, não havendo, portanto, margem para dúvidas.

Estácio de Lima vem estudando o problema do cangaço desde o tempo em que Lampião era vivo, tendo conseguido, inclusive, um contato direto com o cangaceiro através do então vigário da cidade baiana de Jeremoabo, padre Magalhães.

Como professor de Medicina Legal, ele sempre lutou pela redução da pena e liberdade dos cangaceiros apreendidos pela polícia, “principalmente porque não os considerava criminosos irrecuperáveis, mas apenas produto do meio social em que viviam”.

- Quando o Marechal Dutra ocupava a Presidência da República, apelei para que ele concedesse liberdade a vários cangaceiros presos. Meu pedido foi atendido e, entre outros, foram postos em liberdade o Volta Seca (hoje funcionário da Leopoldina, no Rio), Labareda (que morreu há dois meses, como porteiro do Museu Penitenciário da Bahia) e Saracura, hoje um excelente funcionário do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues.

O autor de “O Mundo Estranho dos Cangaceiros” dispõe de depoimentos de todos estes ex-cangaceiros sobre a morte de Lampião, além do que lhe foi contado por Dadá, mulher de Corisco, e a filha do rei com cangaço. Em seu livro, ele conta até detalhes do tiroteio que acabou com a morte do cangaceiro, ocorrida em fins de julho de 1938.

As cabeças de Lampião, Maria Bonita e todos os cangaceiros mortos no tiroteio foram doadas ao Museu de Antropologia Criminal Estácio de Lima, pelo governo do estado de Alagoas, sendo os corpos sepultados no local da morte. Depois de 40 anos, as cabeças foram também sepultadas, devido, segundo o professor Estácio de Lima, “ao falso sentimentalismos de pessoas cujos nomes não vale a pena mencionar”.

Nertan Macedo

NERTAN: AS LENDAS NÃO DATAM DE AGORA

BRASÍLIA (O GLOBO) – O escritor Nertan Macedo, autor do livro “Lampião, Capitão Virgulino Ferreira”, disse ontem a “O GLOBO” não acreditar na versão do padre Frederico Bezerra Maciel de que Lampião morreu envenenado.

Frederico B. Marciel

- Não acredito que o reverendo pernambucano possa desmentir uma volante inteira que, sob o comando do falecido tenente João Bezerra, atacou e matou Lampião, Maria Bonita e vários outros cangaceiros no grotão de Angicos, do lado de Sergipe, - afirmou.

Nertan Macedo, afirmando que tem o maior respeito pelas pesquisas do padre Maciel, “que há muitos anos se dedica à história do Nordeste e particularmente à do cangaceirismo”, disse que espera a publicação do livro do padre Maciel para analisar sua tese.

Segundo Nertan Macedo, “o lendário sobre a morte de Lampião não data de agora”. Além da tese do envenenamento, o escritor lembra algumas outras histórias correntes pelo Nordeste desde a morte de Lampião.

- Por exemplo, diziam que Lampião, muito rico, tinha ido morar em Paris, onde levava vida de nababo. Outras: que Lampião, segundo um velho conselho do padre Cícero, fingira-se de morto e fora morar em Goiás, como rico fazendeiro e sob outro nome e disfarçado.

Nertan Macedo acha que “dificilmente se poderia impingir à Nação uma farsa como a do envenenamento. Na época, autoridades e povo do Nordeste, além de diversos jornalistas estiveram no local do combate onde Lampião morreu, ao lado de Maria Bonita”.

O escritor cearense diz que a verdade é que o tenente João Bezerra, levemente ferido no início do combate, não teve durante o tiroteio uma noção exata do que ocorrera:

- A manhã estava enevoada e chuvosa e o comandante da volante só soube da morte de Lampião quando um de seus soldados chegou perto e ele informou, laconicamente: “Tenente, o cego também morreu”.

Fonte: facebook

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ATANÁSIO E NARCISO DIAS


Sr. Atanásio, reside em Adustina-BA é contemporâneo do cangaço, conheceu Lampião e outros chefes de sub grupos como Labareda e Saracura. Apesar de ter transcendido ao tempo nos seus 112 anos ainda goza de excelente memória.

Fonte: facebook
Página: Narciso Dias

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LIVROS SOBRE CANGAÇO É COM O PROFESSOR PEREIRA


Livros sobre "CANGAÇO" você irá encontrar na Livraria do professor Pereira, lá em Cajazeiras, no Estado da Paraíba, através deste e-mail: franpelima@bol.com.br. Se ele não tiver no momento em sua livraria, mas sabe quem tem, e informará como você irá adquiri-lo.


O livro "Lampião a Raposa das Caatingas" você poderá adquiri-lo através destes e-mails:

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AS CANGACEIRAS ANNA E OTÍLIA


A presença de cangaceiras aprisionadas foi uma das marcas do momento.

Anna Maria da Conceição, nascida em Jeremoabo, era companheira do cangaceiro Jurema. Caminhava com Jurema, Juremeira, Beija-Flor e Nevoeira, quando a volante do sargento Vicente caiu sobre o subgrupo. Foi alvejada com dois tiros de fuzil, que lhe atingiram os braços, sendo capturada.

Otília Teixeira Lima, de Poços, era companheira de Mariano. Adentrou o Cangaço em 1931, depondo que constituíam o bando, naquele momento em que adentrou, Lampeão, Mariano, Zé Bahiano, Pó Corante, Gato, Bananeira, Volta Secca, Maçarico, Cajueiro, Balisa, Cabo Velho, Nevoeiro, Luis Pedro, Virgínio, Suspeita e Medalha, além de Maria Bonita e algumas mulheres que não indicou os nomes.

Deslocava-se, em 1935, junto com Mariano, Criança, Pai Velho e Pau Ferro, quando foi o subgrupo cercado pela volante do sargento Rufino.

Cerrada brigada, foi cercada, não conseguindo Mariano romper o seu cerco para libertá-la. Acabou entregando-se.

Fonte: facebook
Página: Virgulino Ferreira

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DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Por José Mendes Pereira
"Maria Bonita".

Ela foi uma mulher de modos diferentes e estranhos. E durante oito anos acompanhou feras humanas, principalmente o mais perverso e sanguinário homem do nordeste brasileiro. Assistiu tiroteios, presenciou vinganças seguidas de mortes, perdeu tudo que era bom, o seu teto, sua tranquilidade seus pais, seus irmãos, seus parentes e amigas, mas a sua escolha, para ela, foi a mais certa que fez durante toda sua vida, que foi viver no cerrado, enfrentando tudo e todos que lhe perseguiam, momentos de vitórias e momentos de derrotas, mas ali, estava mais feliz do que na companhia do seu primo e primeiro esposo, o grosso e desamoroso o Zé de Neném. O que Maria Bonita queria mesmo era satisfazer o seu "EGO". Mas mesmo com todos os acertos, isto é, para ela, e com todos os erros que ela cometeu, assistindo os rios de sangue derramados pelos seus companheiros e parceiros, não impede de ser também homenageada neste dia. Além de ser o "Dia Internacional da Mulher", hoje também é o dia do seu aniversário de nascimento. 

Parabéns para todas as mulheres do mundo, inclusive para todas as mulheres que por um motivo qualquer, saiu do mundo do bem para o mundo do mal, principalmente "Maria Bonita" que foi degolada ainda viva.!

 Dulce em foto rara - http://www.joaodesousalima.com/2014/09/eu-e-dulce-ultima-guerreira-do-cangaco.html

De todas as mulheres que fizeram parte do chamado "Movimento Social dos Cangaceiros" somente a ex-cangaceira "Dulce", que era companheira do facínora "Criança" ainda está viva, mas segundo o escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima ela já se aproxima dos 100 anos. Parabéns, dona Dulce!


Mulher (Sexo Frágil)

Dizem que a mulher é o sexo frágil,
Mas que mentira absurda!
Eu que faço parte da rotina de uma delas
Sei que a força está com elas
Vejam como é forte a que eu conheço
Sua sapiência não tem preço
Satisfaz meu ego, se fingindo submissa
Mas no fundo me enfeitiça
Quando eu chego em casa à noitinha
Quero uma mulher só minha
Mas pra quem deu luz não tem mais jeito
Porque um filho quer seu peito
O outro já reclama a sua mão
E o outro quer o amor que ela tiver
Quatro homens dependentes e carentes
Da força da mulher

Mulher! Mulher!
Do barro de que você foi gerada
Me veio inspiração
Pra decantar você nessa canção
Mulher! Mulher!

Na escola em que você foi ensinada
Jamais tirei um 10
Sou forte, mas não chego aos seus pés


Link com mensagens para mulher:

http://www.belasmensagens.com.br/dia-da-mulher/dia-da-mulher.html

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sábado, 7 de março de 2015

"ESTIVE COM A NAVALHA NO PESCOÇO DE LAMPIÃO"


Isso sim é uma matéria sensacionalista!!!!

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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“O GLOBO” – 01/06/1975 PADRE AFIRMA EM LIVRO QUE LAMPIÃO MORREU ENVENENADO

Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

RECIFE (O GLOBO) – O padre pernambucano Frederico Bezerra Maciel, depois de 30 anos de pesquisa no sertão, afirma no seu livro “Lampião, seu tempo e seu reinado” que o capitão Virgulino Ferreira morreu envenenado. Ao contrário de historiadores que afirmam que o cangaceiro foi assassinado a tiros de fuzil, o padre Maciel acha que está em condições de apoiar a tese do envenenamento, anteriormente levantada por outros estudiosos.

- Foi o veneno que o coiteiro Pedro de Cândido colocou no café e provavelmente na comida – escreve o padre Maciel – que matou Lampião, e quando a volante do tenente João Bezerra entrou em ação o cangaceiro já estava morto. Para o tenente Bezerra seria importante encontrar o líder dos cangaceiros vivo, pois exterminá-lo lhe daria fama. Mas ele só conseguiu eliminar os companheiros de Lampião.

O livro, dividido em duas partes e cinco volumes, aborda o lado menos divulgado do cangaço e os aspectos positivos da vida de Lampião, visto como “um guerrilheiro místico, justiceiro, romântico, carismático e político”. Na primeira parte, em quatro volumes, o autor faz uma análise histórica do aparecimento do cangaço, “mas sem se limitar ao alinhamento dos fatos cronológicos, procurando dar uma visão histórica ligada à sociologia, antropologia e ecologia”.

MOTIVAÇÕES

O primeiro volume da primeira parte conta porque Virgulino Ferreira se tornou Lampião, sua vida em família, a ligação afetiva com os pais e a perseguição que a família Ferreira sofreu até perder seus bens. Explica o padre Maciel que, com a morte do pai, Virgulino, até então um homem pacífico, “partiu para o cangaço como forma de luta contra os seus perseguidores, mas sem ser um simples salteador sanguinário, como muitos acreditaram”.

Os dois volumes seguintes, rotulados de “A Guerra de Guerrilhas de Lampião”, descrevem as táticas de luta do cangaceiro, mencionando mais de 200 batalhas. Segundo o padre Maciel, as guerrilhas armadas pelo cangaceiro eram formas de defesa contra os ataques da polícia e dos inimigos.
- Lampião era um gênio nas táticas de guerrilha – escreve o padre Maciel -, usava métodos muito inteligentes, mas só atacava para se defender dos primeiros ataques e quando, penetrava em cidades e fazendas, só tirava dinheiro e alimentos à força quando seus pedidos não eram atendidos.

ROMANTISMO

O quinto e último volume da obra analisa a personalidade de Lampião e mostra a imagem de um homem que, embora muitas vezes violento, “sempre por necessidade”, não deixou de ser um poeta, um romântico e “um grande compositor e repentista que conseguia conversar durante horas com seu interlocutor em verso”.

O autor cita uma memória de João Ferreira, o irmão do cangaceiro, que denuncia as perseguições movidas pelos inimigos e pela polícia contra a família de Lampião e destaca a sensibilidade de Virgulino interessado em fazer justiça e dividir o dinheiro que arrecadava entre o povo.

- Lampião tirava dos fazendeiros, dinheiro e gêneros alimentícios por dois motivos: primeiro, para sobreviver e depois para dividir com o povo pobre. Por isso, ele não era temido por essa gente que, ao contrário, gostava e respeitava Lampião. Entre o povo, ele era um líder, e entre seus companheiros, exercia uma influência carismática.

Para o padre Maciel, a morte de Lampião acelerou o desaparecimento do cangaço: “Ele institucionalizou o cangaço e nenhum outro cangaceiro conseguiu superar suas técnicas, suas formas de preparar os companheiros e nem o sentido social que ele dava a essa forma de vida”.

Segundo o autor do livro, no sertão atual é impossível o reaparecimento do cangaço, porque os meios de comunicação e as mudanças geográficas impedem o fenômeno. Para o padre Maciel, a figura do cangaceiro é típica de uma estrutura geográfica histórica, social e cultural de uma época, mas nenhum outro teve “a visão e a inteligência de Virgulino Ferreira”.

Fonte: facebook


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A CANGACEIRA ADÍLIA - VÍDEO DO ACERVO DO ADERBAL NOGUEIRA


Clique no link abaixo para você ver os cangaceiros do capitão Lampião ANTES E DEPOIS:

http://cangaceirosdepauloafonso.blogspot.com.br/2011/01/o-antes-e-o-depois-dos-cangaceiros.html

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TEM XANDU DE SOBRA

Por José Tavares de Araújo Neto

Coronel Zé Pereira e Xandu, Major Floro Diniz e Dona Dulce, Xandu e Coronel Marcolino Diniz (foto do arquivo de Stella Veras). 

Tinha três Xandu e elas eram primas. Antonio Pereira, filho do Major Floro e Dona Xandu, irmão de Marcolino e sobrinho e cunhado do Coronel Zé Pereira, também era casado com uma senhora de nome Xandu, que também era sua prima.  Ou seja, os irmãos Antonio Pereira e Marcolino Diniz tinham uma irmã chamada Xandu e as esposas de ambos também chamavam-se Xandu.  

Então, vejamos: Marcolino Diniz era sobrinho do Major Floro Diniz, pai de sua esposa Xandu. Portanto, Marcolino era casado com sua prima. 

Marçal Diniz, pai de Marcolino, era casado com uma irmã do Coronel Zé Pereira, que este último era casado com uma filha de Marçal Diniz, irmã de Marcolino, ou seja, sua sobrinha, que também se chamava Xandu. 

Para complicar, Antonio Pereira, irmão de Marcolino, era casado com uma senhora de nome Xandu, que também era prima das outras duas Xandu.

Observe ainda que o coronel Zé Pereira era tio-avô dos seus próprios filhos.

Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

A Revolta de Princesa

Foto colorida pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

A guerra de Princesa, em 1930, foi um acontecimento que marcou e transformou a vida estadual e teve repercussão nacional. Tudo começou através de discórdias políticas e econômicas, envolvendo poderosos coronéis do interior do estado e o governador eleito da Paraíba em 1927, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. O principal deles era o chefe político de Princesa Isabel, o “coronel” José Pereira de Lima, detentor do maior prestígio na região, que se tornou o líder do movimento. Era a própria personificação do poder político. Homem de decisão e coragem pessoal, também era fazendeiro, comerciante, deputado e membro da Comissão Executiva do partido.

João Pessoa discordava da forma como grupos políticos que o elegera, conduziam a política paraibana, onde era valorizado o grande latifundiário de terras do interior, possuidores de grandes riquezas baseadas no cultivo do algodão e na pecuária. Estes “coronéis” atuavam através de uma estrutura política arcaica, que se valia entre outras coisas do mandonismo, da utilização de grupo de jagunços armados e outras ações as quais o novo governador não concordava. Nos seus redutos, eram eles que apontavam os candidatos a cargos executivos, além de nomearem delegados, promotores e juízes. Eles julgavam, mas não eram julgados. Verdadeiros senhores feudais, nada era feito ou deixava de ser feito em seus territórios que não tivesse a sua aprovação. Mas João Pessoa passou a não respeitar mais as indicações de mandatários para nomeações de cargos públicos.

Por esta época, esses coronéis exportavam seus produtos através do principal porto de Pernambuco, em Recife, provocando enormes perdas de divisas tributárias para a Paraíba. Procurando evitar esta sangria financeira e efetivamente cobrar os coronéis, João Pessoa implantou diversos postos de fiscalização nas fronteiras da Paraíba, irritando de tal forma estes caudilhos, que pejorativamente passaram a chamar o governador de “João Cancela”.

A gota d`água foi a escolha dos candidatos paraibanos à deputação federal. Como presidente do estado, João Pessoa dirigiu o conclave da comissão executiva do Partido Republicano da Paraíba que escolheu os nomes de tais pessoas. A ideia diretriz era a rotatividade. Quem já era deputado não entraria no rol de candidatos. Tal orientação objetivava afastar o Sr. João Suassuna, grande aliado de José Pereira que, como presidente do estado que antecedeu a João Pessoa, teria maltratado parentes de Epitácio na cidade natal de ambos, Umbuzeiro. No entanto, João Pessoa deixou na relação dos candidatos o nome de seu primo, Carlos Pessoa, que já era deputado. Isso valeu controvérsia na comissão executiva e apenas João Pessoa assinou o rol dos candidatos.

Com o apoio discreto, mas efetivo, do Presidente da República e dos governadores de Pernambuco, Estácio de Albuquerque Coimbra, e do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine de Faria, o coronel José Pereira decidiu resistir a essas investidas contra seus poderes. Com data de 22 de fevereiro de 1930, ele rompe oficialmente com o governo do Estado, através do seguinte telegrama:

"Dr. João Pessoa - Acabo de reunir amigos e correligionários aos quais informei do lançamento da chapa federal. Todos acordaram mesmo que V. Excia., escolhendo candidatos à revelia Comissão Executiva, caracteriza palpável desrespeito aos respectivos membros. A indisciplina partidária que ressumbra do ato de V. Excia, inspirador de desconfianças no seio do epitacismo, ameaça de esquecimento os mais relevantes serviços dos devotados à causa do partido. Semelhante conduta aberra dos princípios do partido, cuja orientação muito diferia da atual, adotada singularmente por V. Excia. Esse divórcio afasta os compromissos velhos baluartes da vitória de 1915 para com os princípios deste partido que V. Excia. acaba de falsear. Por isso tudo delibero adotar a chapa nacional, concedendo liberdade a meus amigos para usarem direito voto consoante lhes ditar opinião, comprometendo-me ainda defendê-los se qualquer ato de violência do governo atentar contra direito assegurado Constituição. Saudações (a) José Pereira".

Como resposta, João Pessoa mandou a polícia invadir o município de Teixeira, reduto dos Dantas, aliados de José Pereira, prendendo pessoas da família e impedindo que ocorresse votação naquela cidade. Determinou que acontecesse o mesmo em Princesa, mas lá, o coronel se armou, juntou um exército e reagiu.

José Pereira tinha armas em quantidade, recebidas do próprio governo estadual, em gestões anteriores, para enfrentar o bando de Lampião e mais tarde a Coluna Prestes. Seu exército particular era estimado em mais de 1.800 combatentes, onde diversos desses lutadores eram egressos do cangaço ou desertores da própria polícia paraibana. Com esse poderio bélico e seu prestígio político, começou a planejar o que ficou conhecido como “A Revolta de Princesa”. Partiu então para a arregimentação de aliados. Nessa tentativa, no dia 27 de fevereiro de 1930, dirigiu ao Sr. Odilon Nicolau a seguinte carta:

"Amigo Odilon Nicolau, o meu abraço. O governo tem feito grande pressão aos eleitores e sei agora que têm sido espancados vários correligionários da Causa Nacional. Como você já deve saber, rompi com o governo de João Pessoa e estou disposto a garantir os nossos amigos, para o que envio vários contingentes. 

O meu pessoal não tocará em ninguém, salve se for agredido. Havendo de provocar a intervenção, pois estou disposto a ocupar todos os municípios do Sul do Estado. O mesmo se fará no Norte com outra força comandada por pessoa em evidência no Estado. Penso ter direito e bem razão em lhe convidar para esta luta, porque as minhas relações com você e sua família, me animam a assim proceder. Não me engane porque a luta está amparada pelos próceres da política nacional. João Pessoa está ilegalmente no governo, logo depois da eleição, dado o movimento, o Governo Federal tomará conhecimento dos atos absurdos e inconstitucionais praticados por ele. Venha e não se receie. Do velho amigo, José Pereira Lima. Princesa, 27 de fevereiro de 1930".

O movimento declarou a independência provisória de Princesa Isabel do Estado da Paraíba. Em 28/02/1930 o Decreto nº 01 foi aclamado pela população, que declarou oficialmente a independência da cidade (República de Princesa), com hino,bandeira e leis próprias.

Essa rebelião atingiu também diversos municípios como Teixeira, Imaculada, Tavares e outros. A cidade, que já tinha visto passar diferentes grupos de cangaceiros, passou a ser reduto de valentia e independência. Foram travadas sangrentas batalhas e inúmeras vidas foram perdidas. Princesa se tornou uma fortaleza inexpugnável, resistindo palmo a palmo ao assédio das milícias leais ao governador João Pessoa.

Mas a luta perde sua razão de ser. O "coronel" queria afastar o presidente João Pessoa do governo, porém, o advogado João Duarte Dantas, por motivos pessoais/políticos, assassinou o presidente do Estado da Paraíba, na confeitaria Glória, no Recife, às 17 horas do dia 26 de julho de 1930. É que João Dantas teve a sua residência e escritório de advocacia na capital da Paraíba invadidos pela polícia do Estado, tendo parte de seus documentos apreendidos e divulgados pelo jornal A União, quase um diário oficial do estado. Vieram à luz detalhes de suas articulações políticas e de suas relações com a jovem Anayde Beiriz. Em uma época em que honra se lavava com sangue, Dantas sabendo que João Pessoa estava de visita ao Recife, saiu em sua procura para matá-lo.

Com sua morte, o movimento armado de Princesa, que pretendia a deposição do governo, tomou novo rumo. Os homens de José Pereira comemoraram, mas o coronel, pensativo, teria dito: “Perdemos...! Perdi o gosto da luta. Os ânimos agora vão se acirrar contra mim".

E conforme sua previsão, os paraibanos ficaram chocados com o assassinato (a partir daí criou-se todo um mito). O crime foi apresentado como obra dos perrepistas, o Partido Republicano Paulista. Seus partidários, em retaliação, foram perseguidos e tiveram suas casas incendiadas, além de sofrerem outros tipos de perseguição e violência.

O Presidente da República, Washington Luiz, decidiu então terminar com a Revolta de Princesa e o "coronel" José Pereira não ofereceu resistência, conforme acordo prévio, quando seiscentos soldados do 19º e 21º Batalhão de Caçadores do Exército, comandados pelo Capitão João Facó, ocuparam a cidade em 11 de agosto de 1930. José Pereira deixa a cidade no dia 5 de outubro de 1930.

No dia 29 de outubro de 1930, a Polícia Estadual ocupa a cidade de Princesa com trezentos e sessenta soldados comandados pelo Capitão Emerson Benjamim, passando a perseguir os que lutaram para defender a cidade ameaçada, humilhando e torturando os que foram presos, sem direito a defesa. A luta teve um balanço final de, aproximadamente, seiscentos mortos.

Depois de anistiado, em 1934, José Pereira foi residir na fazenda "Abóboras" em Serra Talhada-PE.

Publicado em 
http://culturapopular2.blogspot.com.br/2011/02/revolta-de-princesa.html

http://clubedahistoria.com.br/post.php?codigo=212

Fonte: facebook
Página: Jose Tavares De Araujo Neto

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

TRABALHO PERFEITO DO PESQUISADOR RUBENS ANTONIO


“Paraíba “ - Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira 

“Quando a lama virou pedra / E Mandacaru secou / Quando o Ribaçã de sede / Bateu asa e voou / Foi aí que eu vim me embora / Carregando a minha dor / Hoje eu mando um abraço / Pra ti pequenina / Paraíba masculina / Muié macho, sim sinhô / Paraíba masculina / Muié macho, sim sinhô / Eta pau pereira / Que em Princesa já roncou / Eta Paraíba / Muié macho sim sinhô / Eta pau pereira / Meu bodoque não quebrou / Hoje eu mando / Um abraço pra ti pequenina / Paraíba masculina / Muié macho, sim sinhô / Paraíba masculina / Muié macho, sim sinhô / Quando a lama virou pedra / E Mandacaru secou / Quando ribaçã de sede / Bateu asa e voou / Foi aí que eu vim me embora / Carregando a minha dor / Hoje eu mando um abraço / Pra ti pequenina / Paraíba masculina, / Muié macho, sim sinhô / Paraíba masculina / Muié macho, sim sinhô / Eta, eta, / muié macho sim sinhô”.

Fonte: facebook
Página: Rubens Antonio

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sexta-feira, 6 de março de 2015

MORENO E DURVINHA - SANGUE, AMOR E FUGA NO CANGAÇO.


PREZADOS(AS) AMIGOS(AS)...

É com imenso prazer e satisfação que apresento-lhes o nosso mais novo trabalho, trata-se na verdade de um documentário inspirado na obra "SANGUE, AMOR E FUGA NO CANGAÇO" do Escritor, Pesquisador e Historiador João De Sousa Lima, que retrata a saga do casal cangaceiro Moreno e Durvinha, antes, durante e após o período do cangaço.

Uma das histórias mais fantásticas e sensacionais entre as muitas que existiram durante o período de atuação do fenômeno cangaço.

Moreno e Durvinha integraram as hostes cangaceiras e mesmo após a morte de Lampião ainda perambularam pelas caatingas do Nordeste até o ano de 1940 quando resolveram abandonar definitivamente o cangaço.

O casal rumou para outras terras, assumiram novas identidades e permaneceram escondidos durante sessenta e seis anos, mantendo suas vidas passadas em segredo até mesmo dos próprios filhos.

Porém no ano de 2005 Moreno adoece e prevendo o pior, resolve revelar o segredo até então de todos escondido e o mundo novamente toma conhecimento da existência do último casal de cangaceiros.

Uma história fascinante que vocês conhecerão a partir de agora...

MORENO E DURVINHA - SANGUE, AMOR E FUGA NO CANGAÇO.
CURTAM E COMPARTILHEM.
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior

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Trecho do livro "Volta Seca". Robério Santos.


Era mais de meia noite, finalzinho de verão (1) já começando as chuvas torrenciais recheadas a relâmpagos que mais pareciam um arrastar de mobília no céu de São Pedro (2). Um silêncio dominava a vastidão da entrada do vale do Rio Cotinguiba (3). Uma mulher de vinte e sete anos estava prestes a dar à luz. No dia anterior pela tarde alguns tropeiros indo em direção a Maruim (4) passaram pelo Saco Torto pedindo água na casa de Manuel.

- Bom dia, esta é a estrada do Riachuelo? Falou o mulato de chapéu de aba quebrada (5).

- É sim senhor, tu chega lá antes de anoitecer si num pararem na rua6.
- Queremos encher nossa cabaça (7), se não for incomodar.

- Não incomodam, aqui a casa é pobre, mas água não nos falta no pote, desamuntem e venham encher.

Eram três homens que vinham da região de Geremoabo, não se sabia ainda qual a razão deles irem até aquelas bandas. Maruim já não era como antes, a pobreza tomara conta daquele pedaço de lugar. Deus já estava esquecendo todos ali. Mas, a prosa continuava.

- Quanta criança, umas meninas bonitas. São suas?

- Sim senhor, são cinco (8): Maria, Filismina, Laura, Otília e Fausta, o sexto está para vir ao mundo esses dias. 

- Como vai se chamar?

- Se for mulher chamarei de “Arminda”, como a mãe, se for homem darei meu segundo nome, “Antônio” (9).

Enquanto enchiam suas guarnições, olhavam para uma pequena plantação (10) no quintal e pediram uma melancia que estava madura, eles pagariam por ela. Ao ver a cara que as meninas fizeram ao saber que a melancia iria ser levada pelos homens, Manuel solta.

- Sabe cumo é, a muié prenha já tá desejando esta melancia faiz tempo, vai que o menino venha ao mundo com cara redonda, não vamos arriscar (11).

Todos começaram a sorrir, inclusive Arminda, que acabara de entrar sorrateiramente acompanhada da esposa de Manuel Tenório (12), vizinha deles. Os homens retiraram os chapéus e a cumprimentaram. Viram que estava buchuda e um deles afirmou.

- Esta barriga tem cara de que é menino.

- Ôxi, ômi e cumo tu sabe?

- É pela pusição dela (13).

- Bom mermo qui seje hômi, já tem muié demais nessa casa. Já são cinco muié, si vié a sexta não vou querê que o sétimo seja homem, pois diz os mais véio que se tivé assim vem com parte cum demo, vira labisôni que corre as sete freguesia (14).

- Engraçado isso, mais é verdade. Bem, já estamos de saída, parece que chamamos atenção demais, vejam quanta gente veio nos ver. Tomem cuidado, grupos de cangaceiros de Propriá (15) estão por estas bandas e eles fazem muito mal ao povo.

- E vocês são negociantes? Falou Antônio.

- Nós somos caixeiros viajantes, nos cavalos temos alguns produtos para serem vendidos em Maruim.

- Mais, num síria mió vende em Tabaiana? É quase aqui do lado, atravesse a serra e tá quase dento.

- Não, lá no litoral temos gente certa pra nossas coisas. Já negociamos em Itabaiana, inclusive viemos por dentro dela hoje, domingo, pois a cidadela tá pacata demais (ontem foi feira), mas tem muita concorrência no nosso ramo já. Há dois anos em 1916 (16) arrumamos uma briga lá com um tar Sebrão (17) e decidimos vortá mais não para aquele lugar.

Os três homens montaram em seus cavalos, se despediram e um deles foi se aproximando do pequeno grupo de curiosos que haviam se aglomerado perto da cerca baixa do cemitério (18), Manuel já estava andando na direção dele também e este ouve.

- Como eu disse que seu filho será um homem, aceite este presente, é um pequeno boneco de madeira feito por eu mesmo com minha faca, era para meu filho, mas um dia dê ao seu, pois eu faço ôto pro meu bruguelo.

Nesta hora uma das meninas, Maria das Dores, a mais velha, chega com a dita melancia nas mãos e diz.

- Pode levar moço, nossa mãe disse que anda enjoada e não está mais desejando, vocês vão precisar mais que nóis.

- Ôxi, parece até que trocamos os produtos, só vou aceitar porque eu sei que a menina não sabia do presente. Fiquem com Deus e vou dar um galope para acompanhar meus dois irmãos. Até mais.

O boneco era o de um sertanejo de chapéu com a aba pra cima, parecia muito com eles.

As dores começaram por volta das onze horas da noite, a bolsa estourou pouco mais de meia noite e já se aproximava a primeira hora da madrugada. A parteira do povoado foi chamada às pressas. A bacia d’água, os panos, as idosas orando, o candeeiro aceso (19). Mais de uma hora se passa e as dores só aumentavam. Arminda era dura na queda, não gritava. Já havia passado outras cinco vezes em pouco mais de cinco anos, era comum no nordeste essa frota de filhos. Era quase um a cada ano. Uma mulher de nome desconhecido passava uma toalha azul na testa da gestante e segurava sua mão firme. A parteira pedia mais oração e força. Uma hora e meia se passa e nada do rebento chegar. Duas horas e meia depois e nada ainda. De todos, este foi o que mais deu trabalho para vir ao mundo externo (20), parecia gostar da barriga. Nesta altura, Manuel estava no oitavo pacaio (21) e na quinta dose de cachaça. A filha mais velha cuidando dos mais novos como era de costume (22) e do nada um silêncio toma conta do local. Nenhuma respiração se ouvia. Antônio tentou entrar na casa, mas duas irmãs dele não deixou. Uma delas entra e apenas sombras se faziam presente nas paredes. Passou apenas um minuto de silêncio, mas parecia mais de uma hora. Nisso um choro rompe naquela noite sem lua, apenas iluminada pelos pirilampos (23) na Terra e estrelas no Céu. O pai aflito tenta pela segunda vez entrar na casa e vê sua irmã chegar com a notícia.

- É hômi, Manuel, é machim!

- Bem que o môço onti dissi qui ia sê macho, inté deu um presente. Posso vê?

- Deixa lavá ele e colocá um pedaço cordão vermeio moiado na testa (24).

Alguns minutos se passaram e Raposa (25) (assim gostava também de ser chamado) entrou na casa, bem lentamente e vai se aproximando da esposa já com o mais novo membro da família nos braços.

- Nenêm, como vamos chama nosso novo filho?

- Ômi, tu já tinha iscoído, ele vai se chama Antônio, como seu segundo nome.

- Antônio Grigório (26) dos Santos, assim ele si chamará de hoje in diante.

- Vamos ter muito orgulho deste menino.

- Vamos sim.

- Espero que ele sobreviva (27).

- Vamos rezá direitinho desta veiz (28).

Um monte de cabecinhas passavam pela porta, todos curiosos para ver o que estava dentro da barriga durante oito meses e meio passados (29). As pessoas se retiraram, Manuel Antônio dos Santos terminou de secar o litro de pinga sentado no alpendre, dois foguetes foram soltos na porta da casa, era sinal que mais um habitante do Saco Torto havia chegado ao mundo e no dia seguinte, seria um dia de festa (30).

1 17 de março de 1918

2 Na crendice popular a chuva é São Pedro lavando a casa e os trovões são os móveis sendo arrastados. Numa outra versão, a chuva é São Pedro urinando.

3 A região do Saco Torto pertencia na época a Riachuelo-SE, hoje pertence a Malhador-SE.

4 Havia um porto nesta região e alguns remanescentes europeus. Era comum a passagem de Tropeiros por aquela região. 

5 Não necessariamente o chapéu de aba quebrada era de cangaceiros, na verdade na década de 10 chegava a ser moda também entre civis.

6 "Rua" era a denominação que davam para a cidade que pertencia o povoado. Volta seca sempre se referiu seu nascimento a Itabaiana, já que na época para todos aquela região era de Itabaiana Grande. A "Rua" que Antônio se refere é a de Riachuelo que eles poderiam ocasionalmente dar outra pausa.

7 Moringa

8 Volta Seca afirma que é o sexto, primeiro homem, de uma família de 13 até a morte de sua mãe.

9 Era comum dar o nome do pai ao filho, como também da mãe. Ainda hoje é comum. 

10 Volta Seca em entrevista diz "Ele negociava com o que o sítio produzia". O Globo, 4 de novembro de 1958. Entrevista de Volta Seca a Bruno Gomes. 

11 Esta superstição ainda hoje existe entre os mais velhos.

12 Manuel Tenório, segundo Volta Seca, teve 22 filhos. 

13 Esta superstição ainda hoje existe entre os mais velhos.

14 Os mais antigos acreditavam que se o casal tivesse seis filhas e o sétimo fosse um homem este seria ofertado ao demônio e que voltaria em forma de Lobisomem. 

15 "Cabras" do coronel Francisco Porfírio. Fonte: Olímpio Rabelo, Retalhos de História, Livraria Regina Editora, 1966, Aracaju, p. 41.

16 O Caxangá na Política de Itabaiana. 

17 José Sebrão de Carvalho. Chefe político do grupo dos Pebas.

18 Em entrevista, dona Ilza dos Santos, filha de Felismina dos Santos, afirma que a casa dos avós ficava ao lado do antigo cemitério local. 

19 Era uma forma muito rudimentar de se fazer um parto, muitas vezes era esta a razão de tantas mortes prematuras.

20 Palavras do próprio Volta Seca em entrevista ao O Globo de 1958.

21 Cigarro de Palha.

22 Palavras do próprio Volta Seca em entrevista ao O Globo de 1958 fala desta irmã mais velha que cuidou dele na infância.

23 Vaga-Lumes

24 Era um costume interiorano colocar um pedaço de barbante vermelho na testa da criança para espantar mau olhado. Em algumas regiões este hábito era muito comum.

25 Assim era conhecida a família de Volta Seca na região, os "Raposas".

26 Volta-Seca não tinha documentação quando fez novamente, seu nome que o acompanhou no cangaço era apenas "Antônio dos Santos", o "Gregório" foi abandonado, apenas lembrado pelas familiares.

27 Era comum mortes prematura e a existência de "Cemitérios de anjos" em várias cidades.

28 Geralmente as mortes dos "anjos" eram algumas vezes atribuídas a pouca fé e pouca oração. 

29 Nasceu prematuro de quinze dias.

30 Era comum soltar fogos e fazer um forró para comemorar a chegada de mais um filho.


Trecho do livro "Volta Seca". Robério Santos.
Inédito.
Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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