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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Eduardo Coutinho ouve e grava o canto do povo

Paulo Henrique Silva - Repórter
cinema cineasta eduardo coutinho
"Colhemos de tudo, até canções próprias; só não tem funk, mas gostaria que tivesse", diz o cineasta
No Centro do Rio de Janeiro, Eduardo Coutinho entrevista 42 pessoas que relacionam a vida a determinadas músicas

FORTALEZA* – Falar de um filme que ainda não está pronto “dá um azar danado”, considera Eduardo Coutinho. Diretor de alguns dos mais importantes documentários brasileiros, casos de “Cabra Marcado para Morrer” e “Jogo de Cena”, um dos homenageados do festival Cine Ceará, ele quebra a regra e revela detalhes do projeto que define como “cante e conte”.
O realizador paulistano, de 78 anos, entrevistou 42 pessoas que relataram casos particulares relacionados a determinada música. Coutinho ainda não sabe o que será aproveitado no material final, mas adianta que tudo se resume a dois temas: amor e morte. “Tinham que saber cantar minimamente. Não com beleza, mas com força. Só o contar não interessava”.
O interesse por cantores anônimos é antigo, esboçado em vários filmes em que deixa vários de seus depoentes se manifestarem pela música. “Já cantaram até ‘My Way’, mas nunca me preocupei com direitos autorais. Eles cantam a capela, não teria porque pagar. Não é um fonograma. Além disso, meus filmes não dão dinheiro”, defende o realizador.
Coutinho não interferiu na escolha das músicas em seu novo filme. O que importava era a relação com a história pessoal. “Se me falassem que escolheram por uma razão estética, por causa do intervalo de quarta, eu caía fora. Se a música é tecnicamente extraordinária, não me interessa. Colhemos de tudo, até canções próprias. Só não tem funk, mas gostaria que tivesse”.
Boa parte das músicas é antiga, muitas delas de dor de corno. “Falam de um Brasil antigo”, entrega. Outra curiosidade: ninguém se arriscou a cantar músicas estrangeiras. 
Coutinho buscou ser o mais plural possível, entrevistando representantes de todas as classes sociais, recrutados no Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro. “Ali tem de tudo, da classe média à favela”.
Entre os longas, o novo projeto parece ser o de concepção mais simples. Em uma semana, no mês de fevereiro, Coutinho realizou todas as entrevistas, concentradas no mesmo estúdio onde filmou “Jogo de Cena”.
No trabalho anterior havia certo aparato técnico. Agora, o despojamento é total. “Queria um filme que fosse barato e que pudesse ser feito de forma imediata”, explica o veterano cineasta. Uma das razões é o desgaste com o envolvimento numa produção maior e sob encomenda, que exigiria atores e muitos técnicos. “Quando me falaram que precisaria de um diretor de arte, eu desisti. Era um filme sobre citações e saí fora faltando dois meses para as filmagens”.
Com cabelos grandes e muito magro – ele combate um enfisema pulmonar mas não larga o cigarro, Coutinho se viu impelido a falar do novo filme depois de constatar que a conversa com os jornalistas ficaria muito limitada: não poderia comentar os problemas gerados pelo penúltimo trabalho, “Um Dia na Vida”. A produção reúne imagens colhidas da programação de TV. “Nesse caso, sou proibido de falar por lei, por ser um filme clandestino, Coutinho não detém os direitos de exibição dos programas usados no documentário. Aliás, não é um filme, é um gesto, um conceito. Se não posso falar de nenhum dos dois, o que sobra? Minha infância? Também não quero falar disso”, ironiza.
Voltando à produção atual, com ou sem azar, os problemas aparecem, já na edição, e não se sabe ainda “para que lado (o longa) vai”. Coutinho define a montagem como imprevisível, “onde se descobre o filme após feito ou muitas vezes nem chegando a descobrir, conforme aconteceu com ‘Moscou” (documentário lançado em 2009 com o grupo de teatro Galpão).
Outro destaque no Cine Ceará, em Fortaleza – que prestou homenagem a Coutinho e ao ator Chico Diaz – é a história do casal de cangaceiros
Moreno e Durvinha, que se refugiou em Minas Gerais após a morte de Lampião. A saga é retratada pela primeira vez no documentário “Os Últimos Cangaceiros”, apresentado semana passada no centenário Theatro José de Alencar, durante a 21ª edição do festival.
Um dos filmes mais aguardados da programação, a produção de Wolney de Oliveira registra “a história de amor surgida em meio à selvageria”, conforme destaca
João de Souza Lima, historiador que trabalhou como consultor no longa-metragem e autor do livro “Moreno & Durvinha – Sangue, Amor e Fuga no Cangaço”.
Festival destaca saga de cangaceiros
Após acompanhar a exibição de “Os Últimos Cangaceiros” na capital cearense,
Nely Maria da Conceição não segura a emoção ao falar dos pais (Durvinha faleceu em 2008; Moreno, no ano passado), destacando, principalmente, a oportunidade de ter reencontrado o irmão, Inácio, que foi deixado com um padre em Pernambuco quando a dupla fugiu do sertão, andando por três meses até chegar a Montes Claros.
Os Últimos Cangaceiros” menciona esse encontro, ocorrido mais de 60 anos depois, jogando com o paradoxo entre pais procurados pela Justiça e o filho que se tornou policial.
O documentário tem narrativa leve e divertida, arrancando risadas da plateia com as lembranças de Moreno e Durvinha. Moreno, que morreu com 100 anos de idade, fala com simplicidade do tempo em que matou 21 pessoas, apesar de ter guardado seu passado a sete chaves por várias décadas – com medo de ser preso.
Nem mesmo os filhos sabiam da história. Boa parte da entrevista foi feita em Belo Horizonte, onde o cangaceiro foi “descoberto” pela mídia. O filme de Wolney Oliveira é o primeiro documentário sobre o cangaço e tem como ponto alto um farto material de arquivo, caso das imagens inéditas de outro casal de cangaceiros, Corisco e Dadá.
Do bando de Lampião, hoje resta apenas Aristeia, 98 anos, também presente ao lançamento de “Os Últimos Cangaceiros”.

(*) O repórter viajou a convite da organização do Cine Ceará

O Auto da Liberdade - Parte II - 20 de Setembro de 2010

Por: Geraldo Maia do Nascimento

O espetáculo “Auto da Liberdade”, que é encenado anualmente em Mossoró nos dias que precedem o trinta de setembro, é composto de quatro atos: 



a Libertação dos Escravos, a Revolta das Mulheres, a Defesa de Mossoró contra o bando de Lampião e o Primeiro Voto Feminino. O texto é de autoria do poeta Joaquim Crispiniano Neto.

 
               
Na primeira parte desta matéria tratamos de explicar como se deu a Libertação dos Escravos em Mossoró. Trataremos agora do episódio que ficou conhecido como a Revolta das Mulheres ou Motim das Mulheres de Mossoró. 

O Motim das Mulheres de Mossoró foi um movimento de protesto ocorrido em 30 de agosto de 1875, contra a obrigatoriedade do alistamento militar para os jovens. 

Corria o ano de 1875 e o país vivia uma fase de intensa vibração partidária. Vários movimentos populares estouravam no Brasil e o clima se agravou mais com a queda do Gabinete de 7 de março de 1871, presidido pelo Visconde do Rio Branco. Para substituir o Visconde, o Imperador convidou o Duque de Caxias para organizar o Ministério de 25 de junho. Ao assumir o Ministério, no entanto, Caxias deparou-se com uma medida extremamente impopular: o Decreto nº. 5.881 de 27 de janeiro de 1875, que aprovava o regulamento do recrutamento para o Exército e Armada. O objetivo do recrutamento obrigatório era de dotar o país de uma tropa de reserva treinada e não, como é anunciado por alguns órgãos da mídia, recrutar soldados para a Guerra do Paraguai, visto que a Guerra havia terminado desde 1870. Mas o recrutamento, que no momento era indispensável e lógico, exasperou o povo e constituiu elemento poderoso de irritação coletiva. E em quase todo o país estalaram tumultos provocados pela aplicação da lei do recrutamento.
               
No Rio Grande do Norte vários protestos populares surgiram contra a aplicação da tal lei. Em Arês, a 1º de agosto, homens e mulheres seguidos por um grupo de indígenas armados de faca e cacetes invadiram a Igreja Matriz e destruíram tudo que dizia respeito ao recrutamento como livros, papéis e editais. No mesmo dia, no município de Canguaretama, um grupo de homens e mulheres invadiram a Igreja onde estava sendo feito o alistamento, rasgando e queimando toda a documentação. Nessa luta, o capitão João Paulo Martins Nanninguer mandou dispersar o movimento à baioneta e ficaram feridas dezesseis pessoas. No município de Goianinha ocorreu movimento idêntico.
              
Em Mossoró, o movimento não passou em branco. Mais uma vez a fibra do povo mossoroense foi mostrada. Ninguém desejava que seus filhos fossem apanhados para o serviço militar, notadamente quando era sabido das intenções dos chefes políticos dominantes em darem preferência a filhos de adversários. Foi aí que um grupo de mulheres, inspiradas nos movimentos que estavam acontecendo no restante da Província, promoveram uma manifestação e conseqüente passeata pelas ruas da cidade, rasgando os editais afixados na Igreja de Santa Luzia como também livros e papeis relativos ao alistamento, encaminhado-se depois a redação do jornal O Mossoroense, onde destruíram cópias dos editais que ali estavam para serem publicados. Saindo dali, foram para a Praça da Liberdade, onde entraram em luta corporal com os soldados que haviam sido enviados para dominar a rebelião, tendo como resultado algumas mulheres feridas, só não assumindo conseqüências mais graves graças a interferência de outras pessoas que se encontravam no local.
               
O movimento contou com a presença de mais de 300 mulheres, que eram chefiadas por Ana Floriano, uma mulher alta, forte, de olhos azuis e cabelos louros, que vinha a ser a mãe do jornalista Jeremias da Rocha Nogueira, fundador do jornal O Mossoroense. Outras mulheres que se destacaram no movimento foram Maria Filgueira, esposa do Capitão Antônio Secundes Filgueira e Joaquina Maria de Góis, mãe do historiador Francisco Fausto de Souza.
               
A 31 de agosto a Câmara Municipal comunica ao Presidente da Província o fato ocorrido. Este, por sua vez, exigiu que fosse feito um inquérito para levantar a responsabilidade pelo movimento, pedindo urgência nas providências e oferecendo, inclusive, reforço policial se necessário fosse. A peça processual, no entanto, desapareceu do arquivo do Departamento da Segurança Pública, não sendo tomadas outras providências.
               

Em ofício de 4 de setembro do mesmo ano, o Juiz de Direito de Mossoró, Dr. José Antônio Rodrigues, narra sua versão dos fatos ao Presidente da Província, Dr. João Bernardo Galvão Alcoforado Júnior. Na versão do Juiz, o movimento contava com um grupo de 50 a 100 mulheres, capitaneadas por D. Maria Filgueira, mulher do Capitão Antônio Filgueira Secundes, 3º Suplente de Juiz Municipal e D. Maria de Tal, mãe do jornalista Jeremias da Rocha Nogueira, pretenso chefe liberal.
               
O que diferenciou o movimento de Mossoró com os dos demais municípios, foi o fato de aqui ter surgido entre as mulheres, não tendo sido registrado a presença de nenhum homem. Eram mães, mulheres, irmãs e noivas defendendo os seus filhos, maridos, irmãos e noivos. Foi mais um capítulo da luta do povo mossoroense na defesa dos seus direitos e da sua liberdade.

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comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:

HOMENAGEM

Por: Rangel Alves da Costa

Alcino Alves Costa 

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será homenageado no município de 

Imagem de N.Sra.da Glória-Foto:Paulo Noronha
Imagem de N.Sra.da Glória-Foto:Paulo Noronha

Nossa Senhora da Glória, no sertão Sergipano.



Extraído do blog ser tão/sertão

LAMPIÃO NO MUNICIPIO DE AURORA *

Por: Amarílio Gonçalves Tavares (*)
Em virtude da amizade com o Coronel Isaias Arruda, na verdade um dos grandes coiteiros de Lampião no Ceará, o rei do cangaço, como era chamado, esteve, mais de uma vez, no município de Aurora. Em suas incursões pelo município sul - cearense, o bandoleiro se acoitava na fazenda Ipueiras, de José Cardoso, cunhado de Isaias.
Uma dessas vezes foi nos primeiros dias de junho de 1927. Na fazenda Ipueiras, onde já se encontrava
Massilon Leite, que chefiava pequeno grupo de cangaceiros, Lampião foi incentivado a atacar a cidade norte-riograndense de Mossoró – Um plano que o bandoleiro poria em prática no dia 13 do citado mês.
Em razão do incentivo, Lampião adquiriu do coronel um alentado lote de munição de fuzil que, de mão beijada, Isaias havia recebido do governo Federal ( Artur Bernardes, quando este promoveu farta distribuição de armas a coronéis para alimentar o combate dos batalhões patrióticos ‘a coluna prestes(54)
Presente aquela negociação, que rendeu ao coronel Isaias a considerável quantia de trinta e cinco contos de réis, esteve o cangaceiro Massilon, que teve valiosa influência junto a Lampião, no sentido de atacar Mossoró, cujos preparativos tiveram lugar na fazenda ipueiras. Consta que Massilon Leite – associado a Lampião no sinistro empreendimento – tinha em mente assaltar a agência local do Banco do Brasil e sequestrar uma filha do coronel Rodolfo Fernandes.
O Bando de Lampião que chegou a Aurora era composto de uns cinquenta cangaceiros, dentre os quais Rouxinol, Jararaca e Severiano, os quais já se encontravam, há dias, na aludida fazenda acoitados por José Cardoso.
 De Aurora, Lampião levou José de Lúcio, José de Roque e José Cocô (José dos Santos chumbim), todos naturais da região de Antas, tendo sido incluídos no subgrupo de Massilon.
No dia 13 de junho de 1927, Lampião ataca a cidade de Mossoró, a mais importante do interior do Estado potiguar. ”Após quarenta minutos de fogo, já tendo tomado duas ruas, Lampião ordena a retirada. Fracassara o seu maior plano (55)
Após o frustrado ataque à cidade norte –riograndense, Lampião bate em retirada, entrando no Ceará pela cidade de Limoeiro, onde não é importunado. Ali fez dois reféns a resgate – pessoas idosas e de destaque social, e teve a petulância de, com seu grupo, posar para uma foto, no dia 16 daquele mês.
Ante a ameaça de invasão das cidades da zona Jaguaribana e já havendo um plano de combate ao famigerado bando, juntaram-se contingentes policiais de três estados – Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba – numa quixotesca campanha contra Lampião, tendo sido nomeado “comandante geral das forças em operações“ o oficial cearense, Moisés Leite de Figueiredo (Major).
No dia 16 de junho, a força paraibana havia seguido para Limoeiro, mas ao chegar ali, Lampião já tinha levantado acampamento. Prosseguindo em sua retirada pelo território cearense, com um grupo reduzido a trinta e poucos homens, em virtude da morte de dois dos mais temíveis cangaceiros – Jararaca e colchete – e das deserções que se seguiram ao malogrado ataque, inclusive a de Massilon Leite e seu sub-grupo, Lampião é perseguido por volantes, com as quais tava combates.
Dentre estes, o mais intenso foi o travado no dia 25 de junho, na Serra da Macambira, município de Riacho do Sangue, no qual Lampião, mais um vez, provou a sua invencibilidade. Enfrentando uma força de mais de trezentas praças, sob o comando exclusivo do tenente Manoel Firmo, este sendo auxiliado por nove tenentes – José Bezerra, Ózimo de Alencar, Luiz David, Veríssimo Alves, Antonio Pereira, Germano Sólon, Gomes de Matos, João Costa e Joaquim Moura, Lampião pôs-se em fuga incólume, deixando quatro soldados mortos. Seguram-se combates menores em cacimbas (Icó), Ribeiro, no vale do Bordão de Velho, e Ipueiras os dois últimos no município de Aurora, com o rei do cangaço levando a melhor.
No dia 28 de junho, Lampião contorna a serra do Pereiro, passando pelas serras vermelhas, Michaela e Bastiões- o Grupo marchava a pé, por veredas e nunca por estradas – tendo a tropa em seu encalço. É aí que Lampião resolve derivar para o lado do cariri e continuar a retirada em direção ao município de Aurora, onde esperava encontrar refúgio no valha Couto do seu “amigo” Isaias Arruda.
Em seu livro “ Lampião no Ceará, narra o major Moisés Leite Figueiredo que, no dia 1º de julho de 1927, Lampião com seu grupo estacionava no alto da serra de Várzea Grande no lugar olho d’água das éguas.
E que ali perto, no lugar Ribeiro, já se encontrava as forças do tenente Agripino Lima, José Guedes e Manoel Arruda – o primeiro, da polícia do rio grande do norte, e os dois últimos, da polícia paraibana, valendo salientar que tais contingentes totalizavam “cerca de duzentos homens, bem aparelhados, no dizer do major Moisés. A tropa que teve encontro com os bandoleiros foi a do tenente Arruda, empiquetada no sítio Ribeiro, onde aconteceu um fato tão misterioso, quanto engraçado.
Não obstante o lugar se achar “bem guarnecido”, ao clarear a barra, o grupo de bandoleiros, sem sofrer o menor revés, passou entre as trincheiras, nas quais os soldados dormiam, para só despertarem depois, com cerrada fuzilaria, quando os bandidos não estavam mais ao alcance da pontaria da polícia” O grupo ocultou-se no vale do Bordão de Velho.
Do local onde estava Lampião enviou dois cabras à casa de João Cabral, morador ali perto, convidando-o a vir a sua presença. João Cabral a tendeu e Lampião disse-lhe estar com fome e sede, pedindo alimento e água para o grupo, no qual foi atendido.
Marchando pelo pé da Serra da Várzea Grande, Lampião chega a fazenda Malhada Funda, onde faz alto, sendo recebido por Gregório Gonçalves, que, após saber com quem estava falando, perguntou a Lampião em eu podia servi-lo.
Este respondeu “só quero comida para minha rapaziada. Gregório Mandou matar o boi que estava no curral, e duas ou três ovelhas. Os cangaceiros estavam com tanta fome, que não esperaram. Comendo as carnes sapecadas. Os quartos de ovelha, eles colocaram nos bornais sobressalentes, junto com farinha e rapadura.
Ao retirar-se, Lampião levou João Teófilo como guia. Este saiu montado num burro que o bandoleiro havia tomado de um cidadão que estava comprando rapaduras. O bando saiu na direção sudeste do município. Lá muito adiante, o guia foi substituído por outro de nome David Silva, tendo lLmpião recomendado a João Teófilo pra só voltar quando escurecesse, e que não fosse pelo mesmo caminho.
Continuamos a narrativa, baseada no livro do major.
“em sua marcha, Lampião procurou a Serra do Coxá, na divisa do município de Aurora com o de Milagres, burlando a vigilância dos policiais, de tal modo que estes se afastavam do ponto em que estavam os bandidos, tomando o rumo de Boa Esperança, Serrote do Cachimbo, Riacho dos Cavalos, Ingazeiras e Milagres.
Como se vê, Lampião era um perito em estratégia Militar. Uma de suas táticas consistia em ludibriar a polícia que andava no seu encalço, como fez, quando procurou a Serra do Coxá. Deste modo, tornou-se inócua a providência do Major Moisés, designando o tenente Caminha para colocar piquetes nas estradas, uma vez que, por estas, não passaria o grupo de bandidos.
Enquanto Lampião ficava escondido na Serra do Coxá, o tenente Manoel Firmo seguia para o lado oposto, isto é com a sua tropa, passava de trem por Aurora, em demanda ao cariri, sem dar satisfações ao seu chefe, major Moisés, que naqueles dias se encontrava em nossa cidade, em tratamento de saúde. Com o tenente Manoel Firmo, viajavam os tenentes Luis Leite, Laurentino, Moura Germano, em passeio a Juazeiro e Crato, totalmente despreocupados com os bandidos.
Para piorar a situação do “comandante das tropas“ em operações”, chegavam em Aurora o contingente comandado pelo tenente Agripino de Lima, que conduzia trinta e quatro animais de montaria, tomados a fazendeiros de Icó, Peneiro e Jaguaribe.
Quando o Major pensava que o oficial vinha em seu auxilio, o tenente Agripino comunicava-lhe que resolvera abandonar a campanha e voltar para o Rio Grande do Norte. Diante disso, o Major Moisés apreendeu os referidos animais, entregando ao Sr. Vicente Leite de Macedo, com a recomendação de devolvê-los aos respectivos donos.
Além dos animais tomados a sertanejos, o Major Moisés constatou irregularidades na tropa do tenente Agripino, como a venda de munição feita por praças e muitas destas se entregando à embriaguez.
A atitude do tenente Manoel Firmo, viajando para Juazeiro e Crato, arrastando o grosso da tropa e quatro tenentes, deixou o comandante Moisés “num mato sem cachorro”.
O Major viu-se na contigência de pedir ajuda – imagine o leitor a quem?
Ao coronel Isaias Arruda, o mesmo que, tempos atrás, havia acoitado Lampião, mas que, agora, dava uma de perseguidor do bandoleiro, pondo oitenta e sete cabras à disposição do major Moises.
Se no combate travado com os bandidos, na Serra da Macambira, havia cerca de 400 praças, como se explica ter o major Moisés levado para Ipueiras apenas 15 soldados. Descoberto o paradeiro de Lampião no alto da Serra do Coxá, destacaram-se elementos de confiança para, aproximando-se do grupo, conhecerem melhor a sua posição, dentre eles Miguel Saraiva, tio de um dos bandoleiros e morador nas proximidades.
Foi então que o Major Moisés e Isaías Arruda conceberam um estratagema, que consistia em preparar um almoço para Lampião e seus cabras, na casa de José Cardoso, em Ipueiras, e juntos, abaterem o bandido  nas horas conveniente.
Miguel  Saraiva se faz acompanhar de oito homens que se apresentam a Lampião, fingirem que são perseguidos pela polícia, e para melhor comover o chefe do bandoleiros, lamentam e choram a sua desgraça, tentando com isso, infiltrar-se no bando.
“Alguns bandoleiros aceitaram a presença de novos companheiros, mas Lampião logo faz sentir que não acolhia em seu grupo pessoas que lhe fossem estranhas” os oito homens de Miguel Saraiva tinham recebido instruções para atacar os bandidos na hora em que o grupo” descansasse” a armas para almoçar.
Simultaneamente, os soldados e jagunços puseram-se discretamente em volta de casa, prontos para fechar o cerco aos bandidos, no momento oportuno. Mas o ardil fracassou, porque Lampião, sagaz, arisco e desconfiado, chegou a rejeitar o almoço oferecido por Miguel Saraiva. E colocou sua gente em pontos diversos e estratégicos.
Eis como o major Moisés descreveu o tiroteio,
“Conhecido o fracasso do estratagema, fomos impelidos a atacar os bandidos, com ímpeto, de sorte que, em pouco tempo, estavam debaixo de cerrada fuzilaria. A luta teve início pouco mais ou menos ‘às 12 horas do dia 7 de julho, tendo uma duração de mais de três horas; terminou infelizmente, porque os bandido caíram em fuga, e no campo deixaram dois mortos, um queimado, que recebeu vários ferimentos, e outro também morto na ocasião em que fugia”
Essa foi a história narrada pelo major Moisés no citado livro. Entretanto, existe outra versão para o episódio segundo nos contaram Róseo Ferreira e Vicente Ricante que, na época, moravam nas proximidades da fazenda Ipueiras, a coisa aconteceu assim.
O Major Moisés Leite e o Coronel Isaías Arruda combinaram um plano de acabar com Lampião, assim que este chegasse em Ipueiras, pois sabiam que o grupo vinha desmuniciado e bastante desfalcado, em conseqüência da derrota sofrida em Mossoró e das deserções que se seguiram ao frustrado ataque àquela cidade norte rio-grandense.
Lampião ficara na manga com a cabroeira. Convidado para almoçar na casa de José Cardoso, na citada fazenda Ipueiras, o rei do cangaço compareceu com alguns dos seus rapazes. Quando Miguel Saraiva chegou e pôs sobre a mesa o alguidar contendo o almoço envenenado, Lampião tirou do bornal uma colher de latão e meteu-a na comida. Quando puxou a colher, o bandido notou mudança de cor e deu alarme.
“ninguém come desta comida. Esta comida está envenenada! Nisto, Lampião e os seus cabras conseguem romper o cerco de um cordão de jagunços e soldados a paisana que se formara em volta da casa, e outro em volta da casa, e correm para a manga onde ficara a maior parte da cabroeira, sendo atacados pelo cabras de Isaías e soldados do major Moisés.
Ao mesmo tempo em que estrugiu a fuzilaria, os atacantes lançaram fogo na manga, por todos os lados do local em que estavam os cangaceiros. Lampião investiu várias vezes contra os atacantes, conseguindo, por fim, escapar por um corredor. Lampião perdeu dois cangaceiros, um queimado e ferido por ocasião do ataque. O outro, com ferimento no ouvido, ficou em Ipueiras, em tratamento, mas os coiteiros acabaram de matá-lo, tocando fogo no cadáver...
Ao escapar do cerco de Ipueiras, Lampião tomou o rumo da Serra do Góes, perto de São Pedro do Cariri, atual Caririaçu. Veja o leitor o Zig- zag feito por Lampião para confundir a polícia. No dia 7 de julho, saiu de Ipueiras, desceu pelo riacho do Pau Branco, atravessou o rio Salgado no lugar Barro Vermelho, passou pelos sítios Jatobá e Brandão, fazendo“ alto “ em vazantes.
Na Serra dos Quintos, fez um refém – o Sitiante Joaquim de Lira – para ensinar o caminho para a Serra do Góes, aonde chegou, no início da noite. Na manhã do dia 9, Lampião deixou a Serra do Góes e rumou para o município de Milagres, atravessando a via - férrea no lugar Morro Dourado.
O Major Moisés havia mandado tomar as ladeiras da Serra do Mãozinha e são Felipe, por onde poderia passar o bandoleiro. Mas Lampião, mais uma vez, conseguiu burlar a foça policial e penetrou no Estado da Paraíba, pela Serra de Santa Inês, no rumo de Conceição do Piancó, de onde prosseguiu em fuga para Pernambuco.
*54 Frederico Pernambucano de Melo, op. Cit. P 32
* TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO AURORA HISTÓRIA E FOLCLORE, AMARÍLIO GONÇALVES TAVARES P. DE 138 A 146 IOCE, 1993 - CAPÍTULO 15

A Cadeia Velha de Pombal

Verneck Abrantes (*)
A cidade de Pombal localiza-se no alto sertão da Paraíba, foi o primeiro núcleo populacional do interior sertanejo. Foi ela quem deu origem a outros núcleos habitacionais da região. Na velha cidade, entre outros marcos históricos, destaca-se a Velha Cadeia, que mantêm ainda suas linhas arquitetônicas, denunciando em nosso tempo, a introdução de um marco da era imperial no alto sertão paraibano. Desativada como presídio, a Velha Cadeia deveria ser o Museu do Cangaceiro, o que bem caracterizaria sua história, mas o projeto não foi adiante.
Alicerçada no ano de 1848, famosa porque concentrava presos perigosos do Estado e cangaceiros da década de 20 e 30 do século passado, a Velha Cadeia não abriga mais presos, mas uma instituição denominada de Casa da Cultura, necessitando de mais zelo e maior identificação com sua história.
Em suas celas de parede largas e piso de tijolos rústicos passaram muitos criminosos que marcaram época, a exemplo: Donária dos Anjos, que durante a seca de 1877, segundo a própria, “para não morrer de fome”, matou uma criança e comeu sua carne. O bandido “Rio Preto”, que se dizia, tinha um pacto com o diabo: “era curado de bala e faca, no seu corpo os punhais entortariam as pontas e as balas passariam de raspão”. Ferido à bala por vingança, “Rio Preto” morreu dentro da velha cadeia.
Outro preso famoso foi Chico Pereira, que após a morte de seu pai se fez um dos grandes chefes do cangaço no sertão da Paraíba. Os fanáticos Pretos da “Irmandade dos Espíritos da Luz”, chefiados por Gabriel Cândido de Carvalho, depois da prática de crimes, também tiveram sua participação na história da velha cadeia.
Mas entre muitos acontecimentos, um se destaca pela audácia: Jesuíno Brilhante, cangaceiro inteligente, com certa instrução educacional, foi protagonista da história, que se deu da seguinte forma: Lucas, irmão de Jesuíno, cometeu um crime em Catolé do Rocha, foi preso e remetido, havia tempo, para cadeia de Pombal, onde estavam mais de 50 presos da cidade e de outras vizinhanças. Como o julgamento estava demorando, Jesuíno tomou a decisão de libertar o irmão. Às duas horas da manhã de 19 de fevereiro de 1874, numa quinta feira, chovendo bastante, não havendo ronda noturna, Jesuíno Brilhante, seu irmão João Alves Filho, o cunhado Joaquim Monteiro e outros, perfazendo um total de oito cangaceiros, todos montados a cavalos, atacaram de surpresa a Velha Cadeia, que na época era guarnecida por um cabo, onze soldados da Guarda Nacional e um da Polícia. Despertando-os a tiros, dizendo em voz alta os nomes dos primeiros atacantes, destacados como os mais importantes do bando, dando viva a Nossa Senhora, os oitos cangaceiros conseguiram dominar todos os soldados. Enquanto isso, os presos acendiam velas e lamparinas para iluminar as celas. Os cangaceiros se apoderaram das armas e munições, distribuiriam com presos que, aos poucos, iam ganhando liberdade e ajudando no ataque. Arrebentaram cadeados, fechaduras, dobradiças, grades e saleiras com pedras, machados e outros instrumentos. Foi um verdadeiro levante, na maior algazarra.
Depois se retiraram gritando pelas ruas, quando já se tinham evadido 42 presos de justiça, ficando 12 que não quiseram fugir. Os fugitivos tomaram rumos diversos, não constando nos autos a captura de um só criminoso. Nunca tantos presos deveram tanto, a tão poucos bandoleiros.
Hoje, a Cadeia Velha, que resiste à passagem do tempo, é um marco da era imperial encravada no sertão da Paraíba, uma relíquia da memória pombalense, que faz parte do centro histórico da nossa querida cidade.
Então, quando estiver em Pombal, visite a Cadeia Velha – A Casa da Cultura – os seus passos serão os de muitos que ali passaram e fizeram história, infelizmente, de muitos crimes.
(*) Agrônomo, pesquisador e sócio da SBEC.

Gingas do Brasil - Maria bonita, a rainha do sertão

Texto de Leandro Valquer
Efetivamente quem mais contribuiu com o fortalecimento da imagem do cangaço foi um árabe da Palestina, nascido em Belém, chamado Benjamim Abrahão, secretário pessoal de Padre Cícero. Logo após a morte do padre, Abrahão planejou a estada do bando em Juazeiro e coordenou algumas audiências de Lampião a personalidades locais. Depois de quase dois anos no encalço do bando de
Lampião e Maria Bonita, com a finalidade de realizar um filme, uma fusão de ficção, documentário e publicidade, encontra-os na caatinga, conseguindo realizar a única filmagem existente do bando. Nestas filmagens, os cangaceiros interpretaram a si mesmo, em cenas da vida cotidiana, simulando combates, uma novena realizada por Lampião, danças, namoros, cangaceiros armados indo em direção à câmera, Maria Bonita penteando carinhosamente os cabelos de Lampião...
Dessa gravação, restaram apenas 10 minutos de filme. Ao contrário de todos os jornalistas que contataram os cangaceiros, Benjamim Abrahão foi o único que transmitiu a imagem que eles queriam passar de si próprios. Isto positivou a imagem do bando e custou caro à Benjamim, assassinado com 47 facadas. Após 20 anos de perseguição policial sertão adentro, o cangaço moderno teve seu fim. Maria Bonita contava, então, com oito anos de cangaço.
Chegaram na fazenda de Angico, Sergipe, numa terça-feira, dia 26 de julho. O hóspede ou coiteiro, como diziam, era Pedro de Cândida, que saiu para comprar uma máquina de costura e tecidos, para confeccionar a roupa de José, sobrinho de Lampião que, em breve, ingressaria no bando.
Na madrugada do dia 28, quinta-feira, às 5 horas, Lampião acordou o grupo para fazerem o Santo Ofício de Nossa Senhora. Terminado o ofício, Amoroso foi buscar água e, quando se abaixou no córrego, veio o primeiro tiro.
O cangaceiro Balão detalhou: “Então vi Lampião caído de costas, com uma bala na testa. Moeda, Tempo Duro, Quinta-feira... todos estavam mortos. Contei os corpos dos amigos: nove homens e duas mulheres. Maria Bonita, ferida, escondeu-se debaixo de algumas pedras. Mas foi encontrada e degolada viva. Não havia tempo para chorar. As balas batiam nas pedras soltando faíscas e lascas".
O XAXADO
O cangaço também contribuiu com a cultura brasileira, presenteando-a com o xaxado, ou paraxaxá. É uma típica dança de guerra, em que os cangaceiros cantavam sua própria história, por vezes desferindo desafios uns aos outros, ou a inimigos externos, caçoandoos. Dança-se ainda hoje em fila indiana, batendo os pés no chão, que se abanam para a direita e para a esquerda. Essas pancadas com a sola dos pés no chão funcionam como instrumento percussivo, marcando o ritmo da cantoria. Outro instrumento utilizado na percussão era o rifle ou o parabellum, de onde era extraída a parte mais aguda da percussão, similar ao som tirado na borda da zabumba. Os mesmos rifles faziam vezes de companheira na dança, muito antes da entrada das mulheres na quadrilha. Além do xaxado, o cangaço praticava outras manifestações culturais, segundo o relato do cangaceiro Beija-Flor: “Nas noites de lua sentavam no chão, bebiam cachaça, Lampião tocava sanfona e Maria Bonita acompanhava no bandolim. Os cangaceiros cantavam modas. Canções que falavam de sua vida aventurosa e cheia de perigo. Também falavam de amor.”

Fonte:

Gingas do Brasil - Maria bonita, a rainha do sertão

Texto e ilustrações: Leandro Valquer

Maria Déa, popularmente conhecida como Maria Bonita, foi uma sertaneja baiana, natural da cidade de Santa Brígida*, fruto legítimo da fazenda de Caiçara, que se tornou uma das figuras mais emblemáticas da história da Bahia. Viveu a infância comum das meninices de sua época e de sua classe social na caatinga, entre os irmãos e a parentalha, divertindo-se no balanço dos arvoredos e nas brincadeiras de roda ou com bonecas de sabugo de milho vestidas de chita. Vez por outra, gastava a infância no labor modorrento das roças da família. Maria Déa casou-se bem jovem com o primo, o sapateiro José Neném. Cultivaram no casamento vasto pé de briga, com esparsas separações em que Maria refugiava-se na casa dos pais. Num destes retiros de Maria, por volta de 1929, Lampião rondava pelas cercanias de Santa Brígida, quando, surpreso, deparou-se com Maria Déa, ficando encantado, enlouquecido com sua beleza. Durante um ano, Lampião vagou apaixonado pelas redondezas da fazenda, visitando-a regularmente. Aí é que nasceu o personagem Maria Bonita, a bandoleira que Virgulino amaria até o fim da vida, a primeira cangaceira batizada pela mão de Lampião, num bando que era estritamente masculino.
A entrada de Maria Bonita no bando, com festiva e calorosa recepção de baile perfumado, estimulou o aparecimento de um numeroso e crescente séquito de mulheres guerreiras que mudaram o modo de vida no cangaço. Após a chegada de Maria Bonita, viriam Dadá, Lídia, Inacinha, Maria de Juriti, Verônica, entre outras. Os pequenos grupos relativamente autônomos, chefiados por diversos cangaceiros, ganharam características mais familiares. No chapéu de couro de Lampião, apareceu bordado com moedas de ouro a palavra amor. Maria Bonita foi a única pessoa que teve forte ascendência sobre Lampião, e é este signo de mulher firme e libertária que, de certa forma, modelou o comportamento das demais cangaceiras.

PEQUENA GÊNESE DO CANGAÇO
Nada, nem ninguém, impunha limite à criatividade efervescente daquele bando que perambulava incansável debaixo de sol e chuva, através dos sertões dos Estados nordestinos: ora como mendigos maltrapilhos das agrestes veredas sem futuro, ora como pomposa e perfumada corte cigana reluzente de ouro e pedras preciosas, porém, sempre portando a canga, seu penduricalho belicoso de armas e munições que deram nome à espécie cangaceira, isto é, os que carregam os apetrechos de guerra.
Foi por volta de 1877 (mas existem rastros do cangaço já em 1770, com atividades do bando de Cabeleira), durante a grande seca que culminou em grandes convulsões sociais, que se espalharam os primeiros rumores sobre esses bandos, que se opunham ferozmente à ação armada de mercenários que se agrupavam em milícias sob o mando e desmando de políticos, fazendeiros, coronéis, grileiros e latifundiários sedentos por fortuna. Lembrando que cangaceiros nunca tiveram teoria, projeto, nem visão política reformista ou revolucionária. Eram insubmissões, revoltas espontâneas, imediatas, movidas geralmente por desejos de vingança, como inicialmente ocorreu a um dos precursores desses bandos, Antônio Silvino, que buscava vingar o pai assassinado por uma dessas milícias. Entretanto, revolucionários ou não, o escritor Ruben Braga enfatizou o seguinte comentário no Diário de Pernambuco em 1935: “O cangaceiro é um homem que luta contra a propriedade, é uma força que faz tremer os grandes senhores feudais do sertão. Se alguns desses senhores se aliam aos cangaceiros, é apenas por medo, para poderem lutar contra outros senhores, para garantir sua própria situação.
Ora, para as massas pobres e miseráveis da população do nordeste, a ação dos cangaceiros não pode ser muito antipática. É até interessante.” Só lá pelos idos de 1920, é que vem à tona a figura lendária de Lampião, reformando e estabelecendo um código de honra muito peculiar no cangaço, com ritos de passagem e religiosidade próprios, fazendo do cangaço um estilo de vida e uma profissão, paramentando o cangaceiro com uma indumentária muito característica e ostentatória, e de uma soberania e autoestima que colocava o cangaceiro, chefe de grupo, num poder de negociação à altura de coronéis e autoridades locais, mesmo que na clandestinidade, e desprovidos do aparato jurídico. A imagem pública do cangaço nos meios de comunicação oficial ficava sob a vigilância e censura do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão que controlava a informação na ditadura Vargas, mas a literatura de cordel também informava – de maneira mais livre – acerca do paradeiro de cangaçeiros e suas novas aventuras.
Fonte:

O BENEFÍCIO DA LEITURA NA FORMAÇÃO DO JOVEM (Cont...) - 26 de Janeiro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Na verdade, nesse momento da história brasileira, o número de escolas era muito restrito. No período colonial as práticas iniciais de escolarização se davam, na maior parte dos casos, nos próprios engenhos ou fazendas, com algum elemento mais letrado, o padre, o capelão ou mesmo um mestre-escola contratado para esse fim. Poucas eram as escolas públicas de ensino primário. Os escravos eram proibidos de freqüentar os bancos escolares e às meninas considerava-se necessário oferecer-lhes apenas uma educação geral necessária para bem cumprirem as atividades domésticas. Aos poucos, principalmente a partir do período imperial, algumas iniciativas foram sendo tomadas no sentido de ampliar a oferta de escolarização da população. A sociedade começou a se tornar mais complexa e as demandas em torno da escolarização aumentaram significativamente. Mais postos de trabalho surgiram, outros costumes culturais foram adotados: a instrução e a educação passaram a ser vistas como necessárias ao desenvolvimento econômico e cultural do país e um dos signos da \"civilidade.\"
 É somente também no século XIX, com a implantação da imprensa régia em 1808, que o Brasil iniciou sistematicamente a impressão de livros. Então, não só na escola, mas nas diversas instâncias sociais, eram raros os objetos disponíveis para a leitura, poucos os lugares onde se poderia adquirir esses objetos (bibliotecas e livrarias só existiam nas cidades mais populosas) e, conseqüentemente, poucos os leitores.

A partir da segunda metade do século XIX, começaram a surgir no país, ainda que alguns fossem impressos na Europa, livros de leitura destinados especificamente às séries iniciais da escolarização. Em 1868, Abílio César Borges iniciou a publicação de uma das séries mais editadas no período. Os livros foram considerados inovadores no momento em que foram editados: o Primeiro Livro, destinado ao aprendizado inicial da leitura e da escrita, poderia substituir as cartilhas grosseiras ou os materiais manuscritos. Os demais livros da série tinham um caráter enciclopédico, trazendo conteúdos de várias áreas do conhecimento. De cunho mais instrutivo do que moral, os livros de Borges foram aplaudidos pela crítica intelectual da época, sendo reeditados várias vezes, educando gerações de brasileiros. O autor também era elogiado por, em sua prática como dono de escolas, ter abolido os castigos corporais, ainda utilizados na maioria do país. Apesar disso, Borges aparece, na memória dos alunos que estudaram com seus livros, como uma figura temida, capaz de provocar pavor. Graciliano Ramos, em Infância, narrativa autobiográfica de sua meninice na virada do século XIX para o século XX, sentia dificuldades para entender as lições; o livro chegava a lhe provocar náuseas. As horas de leitura eram, para o menino, horas de tortura. O mesmo menino que, depois de entrar em contato com algumas obras literárias fora da escola, passou a buscar com ânsia e prazer outros objetos de leitura na pequena cidade em que morava, no sertão pernambucano. Havia, apesar da escola, tornado-se leitor. E - os anos iriam dizer mais tarde - um dos maiores escritores de língua portuguesa.
               

Se cada aluno passar a ler pelo menos três páginas por dia de um livro, e fizer isso sistematicamente, no final do ano terá lido mais de mil páginas, o que o colocaria como grande leitor. Eu disse apenas três páginas por dia.
               

Nas práticas escolares a literatura tem sido, ao longo das últimas décadas, sistematicamente destituída de seu papel formador e paulatinamente substituída por outras tendências de leitura que deslocam o texto literário para lugares secundários ou inexistentes. Entretanto, ao eliminar o contato direto do leitor com a literatura, torná-lo rarefeito ou banalizado, a escola está ignorando aspectos essenciais para a formação do indivíduo. Em razão disso, faz-se necessário entender o sentido, a influência e a importância da literatura na formação do jovem na história recente e no momento contemporâneo.
               

A leitura abre a mente, amplia horizontes. Para dizer da importância da leitura para o jovem hoje, lembro as palavras de Ezequiel Teodoro da Silva, ao afirmar a natureza transcendental da palavra. Por ter o ser humano uma inteligência lingüística, o ato de ler é que lhe permite conhecer palavras para exprimir seus sentimentos, suas emoções, suas idéias. Permite-lhe estar no mundo como pessoa; pôr-se em contato, pelo poder da escrita, com as idéias dos grandes homens, mesmo que distantes no espaço ou mortos já há séculos. Permite-lhe fruir do belo literário, alcançando, em suas fontes, a expressão do que não pode ser expresso pela oralidade nem exposto pela linguagem denotativa. Por aí se deduz que ler não só propicia o crescimento intelectual do jovem, como o desenvolvimento de sua sensibilidade, sua formação como ser humano.
               

Há exemplos maravilhosos de pessoas que freqüentam sebos, tomam livros emprestados de bibliotecas, de parentes, e, até mesmo, exemplos de catadores de papel que lêem livros jogados no lixo. Recentemente os jornais publicaram a notícia de uma biblioteca formada com mais de mil desses exemplares e disponibilizada aos amigos por um morador de favela. E há exemplos de uma elite endinheirada que tem televisão de plasma, computadores de última geração, celulares substituídos a cada novo modelo no mercado, mas que não lê.
               

O Brasil tem uma cultura da oralidade e, não, da escrita. A criança brasileira fica poucas horas na escola e o resto do dia vê televisão, fala e ouve. A própria escola é oralizante, pois o professor prefere dar aula expositiva, “facilitando” para o aluno, em linguagem coloquial, as explicações que, no manual didático, estão em texto escrito de coesão mais “difícil” e vocabulário “mais complicado”. Até mesmo em cursinhos pré-vestibulares, nota-se que alguns professores acreditam, ingenuamente, que, ao aproximar sua linguagem da do jovem, suas explanações ficam mais claras . E o aluno é imaturo para perceber que a facilitação, até mesmo com o uso de expressões populares e gírias mais comuns, contribui para afastá-lo não só da norma culta das obras que deve ler para suas provas de ingresso na universidade, mas do nível padrão que deve adotar em seus textos escritos. Repertório insuficiente para a expressão escrita clara de suas idéias sobre questões propostas nos vestibulares e pobreza vocabular na hora da redação revelam, claramente, essa falta de leitura.

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
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Brisa lilás (Poesia)

Brisa lilás
  
Rangel Alves da Costa


O vento forte passou
a janela fechada se abriu
suavemente em aragem
numa brisa que chega
trazendo perfumes
semeando de aromas
o meu pensamento
que se enche de lilás
cor dessa recordação

a cor do céu ao amanhecer
e o pôr do sol tem lilás
o lábio nu se veste lilás
uma flor da mesma cor
de roxo azulado demais
e querer esse tom agora
aquarela que satisfaz
é beber na boca da noite
o azul misterioso demais
desse beijo molhado
de batom docemente lilás.



Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com 

AMIGOS MAIS QUE IMPORTANTES (Crônica)

 Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

AMIGOS MAIS QUE IMPORTANTES

Sou de palavra, não sou de lorota não. Fujo da mentira como o malfeitor da cruz e não admito que me venham com inverdades. Digo logo isso porque sei que daqui em diante vão querer dizer que estou enlouquecendo ou tecendo um mundo de deslavada mentira.

Asseguro antes de prosseguir: tenho a mesma idade da pedra, da terra inabitada, da mata virgem; sou de uma herança mais longínqua do que o mais distante dos seus ancestrais; ensinei o vento soprar e a água correr; dobrei a curva da estrada e coloquei olhos onde não tem olhar. Quando tudo era somente silêncio, o nada, o vazio e o caos, eu já estava lá ajeitando tudo, colocando tudo no seu devido lugar.

Mas como não teve jeito, e tudo ficou a bagunça que ainda está, decidi descer o monte e caminhar por aí, conversando com a voz do tempo e dando bom dia a todos os amigos que pude encontrar. E foram muitos, mas somente sobre alguns vou falar nesse momento.

Encontrei Francisco, aquele mesmo nascido em Assis e hoje reconhecido como santo, numa das vezes que entrei na mata para colher frutos adocicados para matar a fome. Lembro como hoje, o bom Francisco estava sentado numa pedra em meio a uma clareira rodeado por passarinhos que voejavam em círculo. Pediu licença aos seus amigos de pena e bico e ficamos conversando por uma tarde inteira. Até hoje não esqueço as doces palavras, de tantas lições para a vida nem de uma pequena oração que começava dizendo “Senhor, fazei-me instrumento de Vossa fé...”.

Encontrei Tiradentes pela última vez quando era levado acorrentado pelas ruas do Rio de Janeiro em direção ao Campo da Lampadosa, onde o carrasco esperava para o enforcamento. Como eu estava numa esquina da Rua Velha, um tanto escondido por causa dos algozes famintos por injustiça, o vi olhando de relance, alcançando o meu olhar, num entristecimento infinito. Estava dolorosamente contrito, magoado demais com tanta iniqüidade e tirania, mas convicto de que morreria por um ideal de justiça e liberdade. E recordo que na última vez que dividimos uma xícara de chá nos escondidos de um porão, Joaquim José colocou a mão sobre o meu ombro e disse que sua morte seria o nascimento da consciência de um povo. Talvez não tenha acertado o meu bom amigo.

Encontrei Jorge Amado ao entardecer na casa da Rua Alagoinha, no Rio Vermelho, enquanto pilheriava com Caribé e Jenner Augusto. Não sei qual dos três era mais conversador, porém sei que o menino grapiúna era o mais desbocado. Recebeu-me com cerimônia, pois certa vez dei-lhe uns tapas na bunda na propriedade do seu pai, o coronel João Amado, lá pelas bandas dos rincões cacaueiros onde enriquecia num dia e empobrecia no dia seguinte. Havia ido até ali exatamente para dar um recado enviado por seu genitor, e para dizer em segredo que a mulata dourada, cor de cravo e canela, de nome Gabriela, estava esperando um filho seu. Ele me desmentiu na hora, dizendo que não duvidava do apetite sexual do seu velho, mas que dali em diante já sabia o que fazer com aquela tal de Gabriela. E deu nome da moça a livro que ganhou o mundo de tanta beleza e safadeza.

Encontrei Lampião logo que deixou Vila Bela depois de uma desavença familiar e se embrenhou sertão adentro para fazer justiça e levantar uma controvertida bandeira de luta. Eu disse menino tivesse muito cuidado, soubesse que toda vitória com sangue seria o mesmo sangue derramado na derrota. Tantas outras vezes fui chamado por ele para uma pergunta, uma indagação maior, uma humilde lição. Porém tudo que lhe disse e avisei parece jamais ter sido ouvido. E estive com o Capitão e sua Maria um dia antes do trágico acontecimento de 38. Chamei os dias num canto de mataria mais afastada e disse que no outro lado estava o maior zumzumzum sobre a presença da volante ali por perto. Dessa vez ele me ouviu e falou que dali a dois dias estaria levantando acampamento da Gruta do Angico. Mas nem teve tempo.

Soube da morte do Capitão enquanto lia uma correspondência há muito enviada por outro grande amigo chamado Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, mais tarde codinominado Alexandre, o Grande. No manuscrito me agradecia de coração por um dia eu ter indicado como seu professor um certo Aristóteles, cuja filosofia lhe fez muito bem nos anos de luta, vez que vivia sempre consciente que toda batalha só se justifica se, mesmo com a vitória, o guerreiro saiba que ainda não está completamente preparado.

E num tempo muito distante fui encontrado por Deus. Fiz tanta amizade que passei a viver eternamente à sua procura. E na última vez que o vi ainda não tive, nem quero ter tempo, de sair de sua presença.


Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

O BENEFÍCIO DA LEITURA NA FORMAÇÃO DO JOVEM - 25 de Janeiro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

O incentivo à leitura, na criança, deve começar antes do aprendizado das letras. Quando os pais têm o habito da leitura e costuma ler para seus filhos estórias compatíveis com a idade deles, desperta nas crianças fascínio pelas coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a estória. Dessa forma, o aprendizado da leitura começa antes mesmo que a aprendizagem das letras. E se essa prática de leitura é seguida pelos professores nos primeiros anos de aprendizagem, a criança se volta para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está lendo.

Todo texto literário é uma partitura musical. As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele domina a técnica, se ele surfa sobre as palavras, se ele está possuído pelo texto – a beleza acontece. E o texto se apossa do corpo de quem ouve. Mas se aquele que lê não domina a técnica, se ele luta com as palavras, se ele não desliza sobre elas – a leitura não produz prazer: queremos que ela termine logo. Assim, quem ensina a ler, isto é, aquele que lê para que seus alunos tenham prazer no texto, tem de ser um artista. Só deveria ler aquele que está possuído pelo texto que lê. Por isso eu acho que deveria ser estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de leitura“. Se há concertos de música erudita, jazz e MPB – por que não concertos de leitura? Ouvindo, os alunos experimentarão os prazeres do ler. E acontecerá com a leitura o mesmo que acontece com a música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível esquecer. Leitura é droga perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler, a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas sobre os textos - gramática, usos da partícula “se“, dígrafos, encontros consonantais, análise sintática –que não houve tempo para serem iniciados na única coisa que importa que é a beleza musical do texto literário.

Dar um livro que não corresponde com sua realidade e que a leitura seja \\\"pesada\\\", isto é, precisa ser lido e relido, parágrafo por parágrafo, para entender as idéias de seu autor, para quem não gosta de ler é tarefa difícil. E, depois, a culpa é jogada no próprio e infeliz aluno, afinal, é \\\"ele que não gosta de ler\\\".

A grande maioria dos Educadores concorda que não se pode conceber a Educação sem o hábito da leitura. Ocorre que essa concepção, infelizmente, não passa de mais uma das tantas teorias discutidas e não aplicadas. Infelizmente percebermos que para muitos alunos a leitura de um bom livro ainda é entendida como \\\'perda de tempo\\\', ou como algo desagradável e imposto. Não podemos culpar os estudantes - o exemplo deve ser dado pelos pais e professores! O tempo passa, mas os pais e o professor continuam sendo o modelo, e se eles não tiverem o hábito e o prazer da leitura, certamente não conseguirão fazer com que seus filhos e alunos criem o hábito ou sintam o prazer da leitura.

Precisamos levar em consideração que a vida moderna é realmente muito corrida, mas para quem gosta de ler sempre há tempo! Pretendo neste momento refletir com vocês a respeito dessa vida moderna, a qual reflete o desenvolvimento do Ser Humano. A Tecnologia hoje é encarada como \\\'fim\\\' e não como \\\'meio\\\' de facilitar e agilizar os trabalhos cotidianos. A Tecnologia é fundamental, mas para que nos sobre mais tempo para desfrutar da vida e não para nos escravizar!
               
Hoje já não se aceita mais a desculpa de que o aluno não lê porque não pode comprar livros. Temos as bibliotecas escolares, as bibliotecas públicas, os sebos, onde se pode comprar livros muito mais barato, etc. No passado era difícil adquirir livros. Até meados do século XIX, os livros de leitura praticamente não existiam nas nossas escolas. Várias fontes, como relatos de viajantes, autobiografias e romances indicam que textos manuscritos, como documentos de cartório e cartas, serviam de base ao ensino e à prática da leitura. Em alguns casos, a Constituição do Império (e a lei de 1827, a primeira lei brasileira especificamente sobre instrução pública, prescreve isso), o Código Criminal e a Bíblia serviam como manuais de leitura nas escolas.
             
Continua...

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:
http://www.blogdogemaia.com