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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Os pais de Lampião

Por: José Mendes Pereira
Lampião

Segundo informações de alguns pesquisadores através de depoimentos pessoais, que José Ferreira da Silva, o patriarca da família Ferreira, era pessoa pacata, trabalhadora, ordeira e de ótima índole, do tipo que evita ao máximo qualquer desentendimento. Esses depoimentos positivos merecem especial atenção e ainda maior credibilidade por terem sido prestados por pessoas inimigas da família. Apesar da inimizade, nenhum depoente denegriu a pessoa de José Ferreira da Silva. Ao contrário, elogiou de acordo com o seu comportamento de um grande homem sertanejo.

Mas segundo os depoentes, a mãe de Lampião dona Maria Sulena da Purificação já era um pouco diferente, isto é mais realista em relação ao ambiente em que a família vivia. De maneira geral todos os entrevistados declararam que José Ferreira da Silva desarmava os filhos na porta da frente, e dona Maria os armava na porta de trás dizendo:

"- Filho meu não é para ser guardado no caritó. Não criei filho para ser desmoralizado".

Quem está de fora tem outra visão, porque o que aconteceu com os Ferreiras não foi com a sua família. Eu acho que dona Maria tinha razão, quando  exigia o respeito com os seus filhos.

Diante de tantas decepções que a família Ferreira viveu, o que ganhou foi sofrimentos. O pai perdeu a propriedade, isto é obrigado a vendê-la a qualquer valor, desde que saísse daquelas terras de Pernambuco, tentando evitar um confronto que poderia surgir mortes entre seus filhos e o fazendeiro José Saturnino.

O fazendeiro José Saturnino - inimigo nº 1 de Lampião

O futuro rei do cangaço estava cobrando do Zé Saturnino a falta de honestidade, por  ter aceitado roubos no seu rebanho de bodes, e quem sabe, tenha sido ele mesmo o causador da subtração no seu rebanho. 

Sem ter nada com a confusão de Lampião contra o fazendeiro José Saturnino, o João Ferreira dos Santos, o quinto filho do casal foi preso e maltratado, porque os policiais exigiam dele informações onde se encontrava Lampião.

 
João Ferreira dos Santos -irmão de Lampião

Em seguida Lampião perdeu a mãe. Ela não suportando o desrespeito que o Zé Saturnino estava praticando contra o seu esposo, o coração não aguentando as pressões,  infartou-a. E dias depois, perdeu o pai, que fora assassinado pelas armas do tenente Zé Lucena.

 Tenente Zé Lucena

QUANDO TUDO ACONTECEU
Por: Hélio Pólvora 

"1889: Proclamação da República no Brasil; 1898: Nasce Virgulino Ferreira da Silva, a 4 de julho, em Serra Talhada, Pernambuco (segundo a certidão de batismo); 1911: Nasce Maria Bonita, a 8 de março; 1914: Primeira Guerra Mundial; 1918: O pai de Lampião é assassinado após disputa de terra. 1920: Lampião entra para o cangaço, com três irmãos; 1925: A Coluna Prestes inicia marcha; 1926: Lampião recebe patente de capitão dos Exércitos Patrióticos; 1930: Deposição de Washington Luiz e início da era Vargas; Corisco se junta a Lampião; 1932: Nasce Expedita, filha única de Lampião e sua rainha, a 13 de setembro; 1937: Vargas decreta o Estado Novo; 1938: Lampião e Maria Bonita morrem na Grota do Angico: ela é decapitada ainda viva. 1939: Segunda Guerra Mundial; 1940: Morre Corisco, a 25 de maio, metralhado em Barra do Mendes, Bahia; 1969: As cabeças de Lampião e Maria Bonita são sepultadas na Quinta dos Lázaros, em Salvador, a 6 de fevereiro".
http://www.vidaslusofonas.pt/lampiao.htm
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Dominguinhos foi sucessor direto de Luiz Gonzaga

POR: LUCAS NOBILE - DE SÃO PAULO

Considerado um dos maiores sanfoneiros do país, Dominguinhos foi o sucessor direto de Luiz Gonzaga (1912-1989). Nascido em Garanhuns (PE), em 1941, filho de Seu Chicão, afinador e tocador de foles de oito baixos, José Domingos de Moraes iniciou sua carreira ainda na infância.

Aos oito anos, se apresentou para o Rei do Baião pela primeira vez, em hotel de sua cidade natal, sem saber que tocava para Gonzagão.


"Ali na porta do Tavares Correia [hotel em Garanhuns, em Pernambuco] a gente tocava sempre. Um dia nos botaram pra tocar dentro do Tavares Correia. Tinha uma pessoa lá, um cidadão e exatamente era o Luiz Gonzaga. Só que eu com oito, nove anos não sabia quem era Luiz Gonzaga nem artista nenhum", conta Dominguinhos em trecho do filme "Dominguinhos Canta e Conta Gonzaga", lançado em 2012.


O sanfoneiro não foi o principal discípulo de Gonzagão apenas no estilo musical. Foi o Rei do Baião que lhe batizou artisticamente como Dominguinhos, dizendo que Neném, apelido de infância do músico, não pegaria. O apadrinhamento de Gonzaga se intensificou em 1957, quando ele convidou o sanfoneiro a fazer sua primeira gravação, "Moça de Feira" em um disco do Rei do Baião, três anos depois de se mudar para o Rio, por recomendação de seu "professor".


Em mais de 55 anos de carreira, Dominguinhos gravou 40 discos. No primeiro, "Fim de Festa" (1964), além de interpretar temas de outros compositores, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Zito Bormorema e Zé do Baião, registrou duas músicas suas: "Frevo Cantagalo" e "Garanhuns".

No último, "Iluminado Dominguinhos", lançado também em DVD em 2010, Dominguinhos gravou grande parte de seu repertório instrumental com a participação de Gilberto Gil, Elba Ramalho, Wagner Tiso, Yamandu Costa, entre outros.

Assim como Luiz Gonzaga, Dominguinhos se notabilizou por ser um dos divulgadores pelo país de gêneros nordestinos, como o baião, o frevo, o forró e o xote. Também como seu incentivador, não se restringiu apenas a aqueles estilos, sendo reconhecido também por suas interpretações para o repertório de choro.


Grande parte do aprendizado desse gênero se deu ainda nos anos 1960, quando ele chegou a tocar no regional do Canhoto, ao lado de nomes como os violonistas Dino Sete Cordas e Meira, absorvendo harmonias inventivas em contatos informais.

Como instrumentista, tocou com nomes respeitados da música brasileira como Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Chico Buarque, Fagner, Elba Ramalho, Milton Nascimento, Nara Leão, Toquinho, Beth Carvalho, Djavan, Nana Caymmi, Jards Macalé, Luiz Melodia, Renato Teixeira, entre outros.


Além de sua trajetória como sanfoneiro, Dominguinhos também se destacou como compositor. Autor de músicas instrumentais carregadas de sentimento e expressividade --muitas delas simples e complexas ao mesmo tempo--, também teve composições suas letradas que alcançaram grande sucesso.


Suas músicas mais conhecidas são "Eu Só Quero um Xodó" e "Tenho Sede" (parcerias com Anastácia), cujo registro mais famosos foram feitos por Gil na década de 1970, "Isso Aqui Tá Bom Demais" e "De Volta pro Aconchego" (com Nando Cordel), clássico na voz de Elba Ramalho, nos anos 1980, "Abri a Porta" e "Lamento Sertanejo" (com Gil).


"De Volta pro Aconchego" e "Isso Aqui Tá Bom Demais" fizeram parte da trilha da novela "Roque Santeiro", aumentando a popularidade de Dominguinhos nos anos 1980. Na mesma década, Chico Buarque gravou "Tantas Palavras", parceria sua com o sanfoneiro, que novamente voltou a fazer sucesso por todo o país.

Dominguinhos fez sua última apresentação em 13 de dezembro, em homenagem a Luiz Gonzaga, no dia do centenário de nascimento do Rei do Baião, em Exu (PE).

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/07/1246795-dominguinhos-foi-sucessor-direto-de-luiz-gonzaga.shtml

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A história de Luiz Gonzaga

Foto de Luiz Gonzaga

O INÍCIO

Gonzaga nasceu em 13 de Dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, em Exu, distante 603 Km da Capital Pernambucana. Segundo dos nove filhos da união do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus(Santana), veio ao mundo dividido entre a enxada e a sanfona. Foi observando seu pai animando bailes e consertando velhas sanfonas, que lhe desperta a curiosidade por tal instrumento. Certa vez seu pai encontrava-se na roça e sua mãe na beira do rio, o mesmo pegou uma velha sanfona e começou a tocar. Santana, que não queria que o filho trilhasse o mesmo caminho do pai, dava-lhe puxões de orelha que nada adiantavam. Luiz seguia em frente, acompanhando seu pai em diversos forrós, revezando-se com ele na sanfona e ganhando seus primeiros trocados. Um belo dia Januário foi pego de surpresa quando o Srº Miguelzinho, dono de um forró, pediu para que Gonzaga tocasse, este havia acordado com um outro tocador que não apareceu. A salvação foi convidar o então menino Gonzaga que já mostrara suas habilidades no mesmo terreiro, sem a anuência de seus pais. Fez muito sucesso.

Januário, pai de Luiz GonzagaSantana, mãe de Luiz Gonzaga

 E por aquelas "bandas" era conhecido por Luiz de Januário. Assim o Forró rolou solto ao longo da noite, Gonzaga sentia-se feliz, empolgado, era a primeira vez que tocava com o consentimento da mãe. Com o passar da noite, começou a sentir seus olhos arderem, a cabeça pesar, foi então que pediu para deitar na rede e de tão menino que era, ainda fez xixi enquanto dormia. Daí então passou a acompanhar Januário em festas de mais responsabilidades, revezavam-se entre toques e cochilos. Santana a princípio relutava, mas deixou-se levar pelos dois mil réis que o principiante tocador ganhava em suas "empreitadas". Assim cresceu Gonzaga: ajudando o pai na roça e na sanfona, acompanhando Santana às feiras do Exu, fazendo pequenos serviços para os fazendeiros da região, sendo protegido pelo Cel. Manuel Aires de Alencar, homem bondoso e respeitado até por seus inimigos. Gonzaga era bem tratado pelos Aires de Alencar, tanto que suas primeiras escritas e leituras foram ensinamentos das filhas do Coronel.

A PRIMEIRA SANFONA

Januário e Luiz Gonzaga tocando sanfona juntos

Foi o próprio Coronel Aires quem realizou o grande sonho de Gonzaga: possuir sua primeira sanfona. Tal instrumento custava a importância de cento e vinte mil réis, Gonzaga tinha só a metade, a outra o próprio Coronel adiantou, quantia esta paga mais tarde com o fruto do seu trabalho de sanfoneiro. O primeiro dinheiro ganho com a nova sanfona foi no casamento de Seu Dezinho, na Ipueira, onde ganhou vinte mil réis. Tal convite viera aumentar sua fama, começa ali a ser um respeitado sanfoneiro na região.

O PRIMEIRO AMOR

Casamento? Gonzaga só pensava nisso. Comprou até aliança. Queria casar com Nazinha, filha do Seu Raimundo Milfont, um importante da cidade. O pai da moça ao tomar conhecimento das intenções do aprendiz de sanfoneiro, não permitiu o namoro. "Um diabo que não trabalha, não tem roça, não tem nada, só vive puxando fole". Gonzaga não hesitou, indignado, comprou uma peixeira, tomou umas truacas (cachaça), quis brigar, quis matar, mas acabou levando outra surra de Santana. Dessa vez fugiu triste para o mato, mas com uma idéia fixa na cabeça: entrar para o Exército.

GONZAGÃO GANHA O MUNDO

Foto de Luiz Gonzaga

Dizendo que ia a uma festa deixou a terra natal rumo ao Crato, no Ceará, cidade maior e mais próspera, onde vendeu a sanfona e pegou o trem para Fortaleza, alistando-se em seguida. Com a Revolução de 1930, o batalhão de Gonzaga percorreu muitos Estados até chegar à cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ali, conheceu outro sanfoneiro, Domingos Ambrósio, o grande amigo que lhe ensinara os ritmos mais populares do Sul: valsas, fados, tangos, sambas. Gonzaga tirou de letra. Em 1939 deu baixa no Exército e seguiu para São Paulo e em seguida para o Rio de Janeiro. Passou então, a apresentar-se em bares da zona do meretrício carioca, nos cabarés da Lapa e em programas de calouros, sempre tocando músicas estrangeiras. Em uma dessas apresentações, um grupo de estudantes cearenses chamou-lhe a atenção para o erro que estava cometendo: por que não tocava músicas de sua terra, as que Januário lhe ensinara? Luiz seguiu o conselho e passou a tocar e compor músicas do Sertão Nordestino. Foi no programa do Ary Barroso que Gonzaga recebera calorosos aplausos pela execução do Vira e Mexe, música de sua autoria, proporcionando ao até então desconhecido Gonzaga o seu primeiro contrato pela Rádio Nacional, no Rio de Janeiro.

SEUS AMORES

Casamento de Luiz Gonzaga e Odaléia Guedes

Na solidão da cidade grande, distante de sua família e do seu pé-de-serra, Gonzaga não dispunha de ninguém que dele cuidasse. Apesar de estar morando com seu irmão Zé, demonstrava vontade em construir seu próprio lugar, sua própria família. Teve diversos amores o mais conhecido foi com a corista carioca Odaléia Guedes, em meados do ano de 1945, tendo-a conhecida já grávida, assumindo e registrando como seu filho Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior - Gonzaguinha. Apesar de ser bastante exigente Gonzaga finalmente encontra o que procurava, Em 1948 conhece a pernambucana Helena Cavalcanti, tornando-a sua secretária particular e mais tarde sua companheira. Tal união estendeu-se até perto de sua morte. Não tiveram filhos, pois era estéril.

O SUCESSO

O apogeu do Baião perpassou a segunda metade da década de 40 até a primeira metade da década de 50, época na qual Gonzaga consolida-se como um dos artistas mais populares em todo território nacional. Tal sucesso é devido principalmente à genialidade musical da "Asa Branca" (composição dele com Humberto Teixeira), um hino que narra toda trajetória do sofrido imigrante nordestino.

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação.
Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira

A partir de 1953 Gonzaga passou a apresentar-se trajado com roupas típicas do Sertão Nordestino: chapéu (inspirado no famoso cangaceiro Virgulino Ferreira, O Lampião, de quem era admirador), gibão e outras peças características da indumentária do vaqueiro nordestino. Alia-se a esta imagem a presença de sua inconfundível Sanfona Branca - A Sanfona do Povo. Com o surgimento de novos padrões na música popular brasileira, o apogeu do Baião começa a apresentar sinais de declínio, apesar disso, Gonzaga não cai no esquecimento, pelo menos para o público do interior, principalmente no Nordeste. Todavia, foi o próprio movimento musical juvenil da Década de 60 - notadamente Gilberto Gil e Caetano Veloso, este último e depois Gonzaguinha regravando ambos o sucesso Asa Branca, responsáveis pelo ressurgimento do nome Gonzaga no cenário musical do país. Em março de 1972 em show realizado no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, marca o reaparecimento de Gonzaga para as platéias urbanas. Nessa época retorna às paradas de sucesso como "Ovo de Codorna" cuja autoria é do nordestino Severino Ramos.

A VOLTA PRA CASA

Luiz Gonzaga na fazenda em Exu

Após longo período de atividade profissional, cerca de 35 anos, é chegada a hora de retornar a sua terra natal. Em Exu dá início à construção do tão sonhado Museu do Gonzagão, localizado às margens da BR-122, dentro do Parque Aza Branca (escrevia desta forma por pura superstição, embora soubesse do erro ortográfico). 

Luiz Gonzaga e reunião em família

Lá se encontra o maior acervo de peças pertencentes ao Rei do Baião: suas principais sanfonas, inclusive a que tocou para o Papa em Fortaleza; suas vestimentas; seus discos de ouro; troféus; diplomas; títulos; fotos e presentes a ele ofertados ao longo de sua brilhante carreira. Além do Museu, o Parque abriga também o Mausoléu da família, lanchonete, grande palco de shows, várias suítes para acolhimento de visitantes, a casa de Vovô Januário, lojinha de souvenir e a casa grande de onde Gonzaga observava a sua pequena Exu.

http://www.gonzagao.com/historia_de_luiz_gonzaga.php

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terça-feira, 29 de outubro de 2013

PROFESSOR VILDER SANTOS, SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ...

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Igual peregrino em busca da montanha para alongar sua visão de mundo, tal qual o sábio que espera um discípulo para as boas palavras, como o viajante que na humildade e simplicidade dialoga com pássaros e outros seres, eis a caminhada de Vilder Santos. Ou alguém que anda por aí envolto de luz e sabedoria.

Tarefa difícil qualificá-lo nos seus afazeres, diferentemente de delineá-lo no seu jeito de ser. Professor, radialista, poeta do triverso, pesquisador incansável, é uma verdadeira biblioteca ambulante. Das páginas de sua memória surgirão respostas para todo tipo de questionamento, pois homem culto sem ter a intelectualidade pedante dos especialistas. Folheia mentalmente desde impensáveis manuscritos aos conhecimentos mais atualizados.

Por isso mesmo também reconhecido como verdadeiro baú de antigas curiosidades, de fatos pitorescos de outros cotidianos, de histórias e mais histórias desde que era Aracaju era terra de cajueiros e papagaios. Traz sempre consigo fatos, datas, números, contextos; enfim, o passado na acessibilidade da informação mais confiável. Mas lhe dói recordar o parque Carrossel do Tobias, pertencente a seus pais e tão importante nas tardes natalinas do Aracaju de outros tempos.

Vez por outra o jornalista Luiz Eduardo Costa faz constar de sua página dominical no Jornal do Dia alguma importante relembrança trazida pelo Professor Vilder. Um dado histórico sobre o futebol, o exsurgir das cinzas de um acontecimento já desprezado pelas transitoriedades da vida, precisamente aquilo que não pode ser relegado pelos anais da história sergipana. Acessível a todos, terá sempre como honra ser abordado nas ruas para uma indagação.


De muitos já ouvi que quem não conhecer o Professor Vilder o acaba tomando por um simples caminhante que passa apressado para comprar o pão e o leite; de outros ouvi que dificilmente o passante imaginaria quanta potencialidade intelectual e tamanha grandeza humana acompanha aquele homem de baixa estatura, magro, cabelo baixo, de tez amorenada e sorriso sempre aguardando um chamado. Realmente, Vilder Santos contrasta a primeira visão, pois pequenino e imenso, silencioso e gritante, pacato demais e tão importante.

Importante sim, e de uma importância fundamental para a vida cultural, educacional, histórica e humana de Sergipe. Nascido em família com longas raízes políticas, filho de político atuante, pois seu pai, o saudoso Milton Santos, teve assento garantido na câmara municipal em sete legislaturas e foi figura das mais prestigiadas na política aracajuana, ainda assim Vilder reservou para si outro destino. Frequentou com avidez os bancos escolares, foi estudar em outras cidades, procurou se aprofundar em lições da religiosidade no Curso de Teologia Pedagógica e talvez até tivesse pensado no sacerdócio.

Porém, como dito, seu destino era outro. Abraçou os livros como abraça a vida, fez da busca do conhecimento toda sede e fome que possam existir num homem, percorreu seu caminho como alguém que precisava urgentemente chegar. Mas chegar aonde? Ao berço sólido do conhecimento, à indestrutível seara da formação acadêmica e humana. Daí ter se formado em Letras e Direito pela UFS, além de haver percorrido muitos outros caminhos do saber. E certamente não quis permanecer nas lides jurídicas porque sua concepção humanista e educacional lhe mostrava outro caminho.

Enveredou de vez pelos caminhos da educação, ensinando e aprendendo para ensinar, e se tornou conhecido como Professor Vilder. Seu percurso no magistério é dos mais profícuos. Ensinou no Ginásio Municipal Belém de Maria (em Pernambuco), no Atheneu, no Colégio 15 de Outubro, no Instituto de Educação Rio Barbosa, no Colégio Alcebíades Melo Vilas Boas e em outros centros educacionais. Pela sua cátedra passaram disciplinas como Português, Linguistica, OSPB e Moral e Cívica. Colocado à disposição da UFS durante 15 anos, lecionou Estudos de Problemas Brasileiros e depois Psicologia Geral e Português Instrumental.

É também radialista profissional e verdadeiramente apaixonado pelo rádio. Sua paixão é tanta por tudo que aconteça no rádio que atualmente ruboriza emocionado, como num idílio juvenil, ao falar numa locutora de uma emissora paulista que, segundo diz, possui a voz de despertar corações. Já manteve programa radiofônico regular, mas hoje parece gostar mais de participar como ouvinte ou dando pequenas entrevistas. Por isso que não é difícil encontrá-lo ouvindo um radinho de pilha.

Encontro-o sempre pelas ruas com seu caminhado de cabeça baixa, pensativo, reflexivo, ou no mercadinho pelos lados da seção de frutas e verduras. Parece ser adepto apenas da horta e do pomar. Solteiro, não fuma nem bebe, mas convive e se embriaga com a imensidão de livros que se avolumam e se espalham na sua moradia. Dorme com os livros, sonha com os livros. Sua vida são páginas de todos os livros num só livro pequenino e singelo. E quanta sabedoria em cada página.

Assim é o Professor Vilder. Alguém que anda por aí carregando uma pastinha com poucos escritos. Mas a pujança de sua bagagem está na mente, na inteligência, no conhecimento. Quem dera professor, quem dera amigo Vilder, que todos fossem iguais a você.

Poeta e cronista
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São Raimundo Nonato: Compromisso SBEC 2015 !


A SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, divulga a cidade sede do
IV Congresso Nacional do Cangaço
a se realizar em Outubro de 2015:

São Raimundo Nonato no estado do Piaui


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Lembra de sua promessa? - Código de honra dos cangaceiros


Romper com a palavra dada no cangaço era uma atitude inaceitável no código de honra dos cangaceiros. Melhor seria escolher a morte, do que a desonra de se quebrar a palavra empenhada, e não ser mais considerado um homem de verdade.

Cangaço

Quando o cangaceiro dava a sua própria palavra sobre alguma coisa ou assunto, não tinha mais como o cabra voltar atrás. A palavra estava dada. E a honra também.

Não se precisava de papel. para registrar, comprovar com assinatura. Era uma questão de vida, ou de morte em vida (se o cabra descumprisse a palavra). Porque a palavra era a honra, e a honra estava na palavra empenhada.

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"A VIDENTE DE UMÃ"

Por: Jair Eloi de Souza
Jair Eloi de Souza

Os caboclos já madornavam, noite chuviscada, veredas entrançadas de cipós e feijão-brabo. As macambiras nas empenas da serra talhavam os pés semi-protegidos com alpercatas abertas e já gastas, grilos faziam uma sinfonia descompassada, porém, efusiva que de certa forma protegia aquele vivente do cinzento que se destinava a mais uma visita a sua confidente, a vidente do Umã. Era quarto minguante, o sinistro estava presente no canto lastimoso da “Mãe da Lua”[1] solitária, espojada nas galhadas na burra leiteira. Virgulino Lampião tinha lá suas confidências, quando os sonhos pesadelos lhes roubavam o sono, e no arredar da luz do dia e dos fogos com os macacos, acorria até a casa da cabocla, que via o passado nos labirintos do pensamento e antevia o futuro invisível nas dobras do tempo vincendo, era, pois, uma espécie de telepata. 

Virgulino Ferreira, o cangaceiro Lampião

A Serra do Umã tinha suas histórias de bravuras, de caboclos que traziam na sua ancestralidade a figura do temido bacamarteiro e chefe do clã, o mítico Miguel dos Anjos. Lampião admirava os dotes de robustez e valentia daqueles caboclos que faziam a vida na cumeeira e abas daquela serra. Grassava a última lua do mês das cobras, pois era vinte e seis de agosto do ano de l926. Saía de refrega no lugar chamado Favela, onde destroçara volante comandada pelo anspeçada[2] Mané Neto, e chegara à vez de visitar quem lhe dava resposta a sua mente atanazada pelos últimos acontecimentos: Como as persigas mais constantes, o despacho de macacos para o Pajeú, Caatinga do navio, Moxotó e a arregimentação de cachimbos[3], tornando os cabras de Nazaré, numerosos e mais afoitos, pois, já não cuidavam mais de suas terras, tornaram-se espécie de mercenários do cinzento, com um agravante, além de receberem soldo do Governo, na infância e adolescência criaram-se com os ferreiras, tinham os mesmos dotes, que facilitavam o permeio na caatinga, o que nunca deixou de ser temido por Lampião, daí, se valer da cabocla puxada na cor, de idade meã, olhar prudente e macerado pelo tempo e precisão, adereçada por xale fubento de tanta lavagem, a mítica Vidente de Umã, seu confessionário naquele mundaréu cinzento.

Morava a Vidente de Umã em casebre de taipa, troncho no oitão esquerdo, que se fazia de pé por milagre ou graças a duas estroncas de pau-d`arco. O adereço da cozinha um fogão de trempe, que tinturava a parede de pucumã. Na sala da frente, a presença dos registros de papel, sem qualquer moldura, mas com certeza benzidos pelo Padim Cícero, onde se via Santa Luzia, Nossa Senhora da Conceição. Na camarinha junto à parede, a zidora[4] com esteira feita de bananeiras, um cafiote de couro cru. A aproximação do visitante ilustre foi denotada pelo vira-lata que latiu. Virgulino naquelas horas tinha que adiantar o prefixo: Ôh de casa! Naquela negritude dos tempos, uma voz feminina arrastada responde: ôh de fora! Quem é? É Virgulino Lampião, Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, é de paz. Para sempre seja o Senhor louvado, em tênue bocejo respondera a mítica cabocla. A porta se abriu e fechou.

Era a quarta vez, em visita extraordinária, que Virgulino entrava naquela choça para consultar a vidente. A primeira em novembro em plena seca de l919. A segunda no principiar do ano de l925. A terceira em dias de janeiro de l926. Era também costume todo começo de mês quando estava em refrigério visitá-la ocultamente. Segundo Frederico Bezerra Maciel, reproduzindo diálogo do Padre José Kehrle com Lampião, este levava a sério essa visita, tanto era assim que provocado pelo vigário deixou essa relíquia: “Padre Kehrle: Porque você nunca caiu em emboscada?” “Porque teu u`a mulher em Umã que devinha tudo a respeito de mim” respondeu Virgulino. Padre Kehrle: “É feiticeira?” “não Senhor. Ela tem devoção às almas”. “Duas noites antes de findar o mês, sonha tudo que vai me acontecer”. Essa é minha protetora aqui na terra. 

Na primeira visita a Vidente em novembro de 1919, apareceram duas bandeiras separadas, logo em seguida morreram seus pais. Na segunda em l925, foi a vez do seu irmão Livino. Em l926, aparecem as bandeiras de números 4 e 5,. Logo no comecinho do ano, morrera sua Irmã Angélica em janeiro e no seu final em dezembro, era vez do seu irmão Antônio, o mais velho e seu lugar tenente mais graduado, cuja função, era atuar na retaguarda, principalmente quando o palco de luta era um desfiladeiro ou em boqueirão de Serra, utilizando o famoso laço húngaro, tão executado pelos que fizeram a travessia nacional nas hostes da coluna Prestes.
Convém admitir que essa cabocla tenha morrido sem percepção de ter sido talvez, mais determinante na vida de Lampião que qualquer outra mulher, incluindo-se aí a própria Maria Bonita, que embora tenha estabelecido no âmbito do bando, a tenda do cupido em coitos remotos, não prenunciou a morte de Lampião, como o fez a Vidente, pois, pouco tempo do epílogo da saga lampiônica, dissera ao Rei do Cangaço, quando provocada pela indagação, o que veria ser “uma cobra bem comprida vomitando fogo”? A Cabocla telepata dissera: “A serpente comprida seria a estrada, o progresso, o caminhão a levar gente do Governo a sua persiga. O fogo que vomita é a costureira,[5] que vai dar cabo de sua vida”.

Essa interpretação mística e mítica de que Lampião tinha o “corpo fechado pra bala, era máxima popular não só nos Sertões do Seridó, como em todo o Nordeste, inclusive atribuía-se a Padim Cícero Romão ser o grande protetor de Lampião. No entanto, não é mistério, Lampião no seu último estágio, que foi o Cangaço-meio, era um facínora muito bem informado, montara rede de positivos, coiteiros, cuja mantença financeira, comprometia setenta por cento de sua rapinagem, além dos seus dotes de maior guerrilheiro do Cinzento, quando sendo sabedor das existências dos pequenos choradores ou finas veias de cacimba, fazia do Raso da Catarina, um dos maiores desertos do Mundo, seu habitat natural, pra não dizer um baita refrigério, com direito a toque de concertina, em xote gineteado ou xaxado parraxado, o parraxaxá daqueles bandoleiros nômades do cinzento nas terras nordestinas.

Nota do autor: Fragmento da obra Lampião o lobo do Cinzento."


Enviado pelo professor e pesquisador Francisco Borges de Araújo - Jardim de Piranhas 

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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Abraço dos Nazarenos...

Por: Euclides Ferraz
Euclides Ferraz Neto e Manoel Severo no Cariri Cangaço 2013

Amigo Severo, amei ter participado do Cariri Cangaço 2013. Confesso que saí  do Juazeiro do Norte encantado, maravilhado e honrado. Quero parabeniza-lo pela organização deste evento inesquecível, tudo estava impecável. 

Para nós foi uma experiência impar. Conhecemos ricas pessoas, lugares lindos ( Porteiras, Aurora, Missão Velha, Barro, etc) e histórias fantásticas sobre a vida do Cangaço. Estou devendo o vídeo da fala em Piçarra, além de outros e fotos inéditas. Estarei te enviando em breve.

Deixo aqui meu abraço e coloco-me a sua disposição para qualquer evento dirigido por você. Conte comigo.
Atenciosamente 

Euclides Flôr Ferraz Neto (Netinho)
Serra Talhada/Floresta

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