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sexta-feira, 18 de julho de 2014

RAIDS AO INÍCIO DA AVIAÇÃO COMERCIAL

Publicado em 10/07/2014 por Rostand Medeiros

Localização estratégica de Natal, nas rotas aéreas entre as Américas e os continentes africano e europeu, chamou atenção dos pioneiros da aviação. Cidade foi base para aventuras e rotas comerciais.


Autor – Rostand Medeiros

Publicado originalmente no jornal Tribuna do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, edição de domingo, 26 de janeiro de 2014. Mas o presente artigo que apresento está completo e não foi colocado desta maneira no jornal por questões de espaço.

Não existem dúvidas que a história do voo é a história de um sonho: o sonho dos homens de voarem através dos céus como pássaros. Não existem dúvidas que a história do voo é a história de um sonho: o sonho dos homens de voarem através dos céus como pássaros.

Pintura do holandes Jacob Peter Gowi, denominada “A queda de Ícaro”. Do século XVII, se encontra no Museu do Prado, Madrid e retrada o antigo sonho do homem de voar através da história da fuga de Ícaro e Dédalos.

Este sonho vai se concretiza utilizando tecnologias revolucionárias, que culminam na invenção do avião. Este momento da história inaugura o período onde os humanos não estariam definitivamente mais ligados à superfície da Terra. Foi o início de uma viagem onde a pura alegria de voar capturou a imaginação de muitos. Logo a vontade ir além do horizonte crescia. Seguir pelo vasto céu azul, atravessar milhares de quilômetros de terra, superar montanhas e, da mesma forma como fizeram os antigos navegadores, cruzar os oceanos passou a ser o objetivo e o desejo nas mentes dos primeiros aviadores. Para muitos este desejo era pura aventura, busca de reconhecimento, notoriedade, ou simplesmente porque deveria ser feito. Mas para outros aviadores havia um lado prático; a busca de pontos estratégicos para encurtar distâncias entre os continentes e ganhar dinheiro voando.

E é neste ponto que Natal, uma pequena capital localizada na porção nordeste do Brasil, vai despontar para o mundo da aviação como um dos mais importantes e estratégicos pontos de apoio para aquele novo empreendimento da aventura humana.

A primeira indicação do RN como ponto de apoio

Pouco depois das primeiras aeronaves deixarem o solo, o desejo dos aviadores de vencer as distâncias, principalmente sobre os oceanos, era noticiado em Natal. Na edição de 5 de abril de 1910, do jornal natalense A República, vemos a reprodução de um artigo de uma revista inglesa onde era debatido o futuro da aviação.

Mapa do Rio Grande do norte e dos estados vizinhos no início do século XX

Entre posições positivas e negativas, já era exposto que o seu desenvolvimento logo iria proporcionar a “travessia entre o Velho e o Novo Mundo pelo ar” e que isso poderia se fazer em “75 horas”. Mas o debate, a propagação das ideias e o desenvolvimento da aviação são drasticamente interrompidos com o início da carnificina que foi a Primeira Guerra Mundial.

5 de abril de 1910, Jornal “A República”

Apesar disso, é inegável que o fim do conflito impulsionou de maneira extraordinária a aviação. Mesmo com a precária estrutura e potência dos motores dos aviões existentes, o grande número de máquinas e pilotos excedente permite o início da exploração de novos horizontes e até mesmo de rotas aéreas comerciais. Em 23 de outubro de 1918, poucos meses após o fim da Primeira Guerra, o jornal A República reproduziu uma reportagem do jornal “O Estado de São Paulo”, onde o Comandante José Maria Magalhaes Almeida, adido naval brasileiro na Itália e futuro governador do Maranhão, declarou que ao realizar uma visita oficial a fábrica de aviões do industrial Giovanni Battista Caproni, este comentou que tinha o “grande sonho de voar através do Atlântico”.

Gianni Caproni, de terno, na nacele de um de avião fabricado pela sua empresa
.
O italiano, conhecido como Gianni Caproni, coletou de Magalhaes Almeida informações sobre a nossa costa. O plano de Caproni era para uma travessia aérea em um “colossal hidroplano, entre Serra Leoa (África) e Rio Grande do Norte ou Pernambuco”. Provavelmente esta foi a primeira vez que uma pessoa com forte atuação no meio aeronáutico mundial apontava a importância estratégica da costa nordestina para a aviação.

23 de outubro de 1918, jornal “A República”

Apesar da elite potiguar fazer questão de propagar nos jornais locais qualquer notícia positiva sobre o nosso estado produzida lá fora, acredito que ninguém levou a sério a informação do Comandante Magalhaes Almeida.

Provavelmente colocaram a possibilidade de um aeroplano Caproni chegar a nossa região voando sobre o Oceano Atlântico apenas no campo dos sonhos.

A 1ª aeronave em céus potiguares

Mas, lá fora, a aviação progredia.

A primeira travessia aérea do Atlântico Sul foi concluída com sucesso em 17 de junho de 1922, pelos aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, como parte das comemorações do primeiro centenário da independência do Brasil. Os lusos realizaram a travessia oceânica cobrindo uma distância de 1.890 milhas com muitas dificuldades, onde tiveram que utilizar três aeronaves.

Sacadura Cabral e Gago Coutinho em 1922

Os aviadores portugueses não passaram por Natal e seguiram de Fernando de Noronha direto para Recife.

Apesar da frustração por não receberem a dupla Coutinho/Cabral, no dia 21 de dezembro de 1922 os potiguares viram pela primeira vez uma aeronave sobrevoar sua terra. Era um hidroavião biplano Curtiss H 16, batizado como “Sampaio Correia II” (o primeiro fora destruído em Cuba, sem ferimentos nos aviadores). A tripulação era de cinco pessoas. O piloto era o oficial da marinha americana Walter Hinton e o copiloto era Euclides Pinto Martins, um cearense de Camocim, que havia morado no Rio Grande do Norte e aqui tinha muitos amigos.

O norte americano Walter Hinton e o cearense Euclides Pinto Martins, piloto e copiloto do hidroavião “Sampaio Correia II”, a primeira aeronave a voar sobre o Rio Grande do Norte

O “Sampaio Correia II” tocou as águas do rio Potengi as 12:45, atracando no Cais Tavares de Lyra, diante da aclamação popular e muitas homenagens prestadas pelas autoridades do Estado. Pelo fato de Pinto Martins ser conhecido em Natal, muita gente pensou que o cearense iria ficar aqui algum tempo com seus amigos, participando de inúmeras homenagens típicas da época. Mas o “Sampaio Correia II” partiu no dia posterior a sua chegada, ás sete da manhã, sem dar muitas satisfações ao povo natalense.

Entretanto Hinton e Pinto Martins não deixaram a terra potiguar tão rapidamente como desejavam. Perceberem falhas em um dos motores da aeronave e tiveram de amerissar no mar, próximo a comunidade de Baía Formosa. Analisado o motor descobriram que algumas engrenagens estavam irremediavelmente danificadas e tinham que ser substituídas. Só conseguiram o conserto das peças em Pernambuco, mais exatamente em Recife.


O hidroavião decolou dias depois de Baía Formosa rumo  a Recife. Existe a informação que a saída da aeronave foi realizada com muitas dificuldades e, aparentemente, gerou uma nova pane que os forçou descer em Cabedelo, já na Paraíba. Ao final o “raid” do hidroavião de Hinton e Pinto Martins demorou 75 dias para ser concluído no Rio de Janeiro.

Pássaros de aço que passam e não param

Apesar do Comandante Magalhães Almeida haver apontado para o italiano Caproni que as terras potiguares era um ótimo ponto estratégico na eventualidade de uma travessia aérea do Oceano Atlântico, os potiguares ficaram um tempo sem testemunhar a passagem de aviões. Só veriam outra aeronave no ano de 1926.

Mapa do trajeto do hidroavião espanhol “Plus Ultra”

Primeiramente houve uma grande expectativa no mês de fevereiro com a possibilidade da  chegada em Natal do hidroavião espanhol “Plus Ultra”, comandando por Ramon Franco, irmão do futuro ditador espanhol Francisco Franco Bahamonde. Mas este e sua tripulação repetiram a rota dos lusos Gago Coutinho e Sacadura Cabral e seguiram de Fernando de Noronha direto para Recife, aparentemente sobrevoando o território potiguar sem tocá-lo.

Os argentinos do Raid Nova York-Buenos Aires, passaram por Natal e pararam em na praia de Barra de Cunhaú, município de Canguaretama. Na imagem aspectos da chegada desta aeronave no Rio de Janeiro

Nas primeiras semanas de julho de 1926 um hidroavião de fabricação italiana, com uma tripulação argentina e batizado como “Buenos Ayres”, era por aqui aguardado. Eles realizavam um “raid” de Nova York a capital argentina. Mas a aeronave com seus três tripulantes, comandados por Eduardo Oliviero, após vários acidentes no trajeto entre Havana e a região norte do estado do Pará, apenas sobrevoou Natal no dia 11 de julho, as 11:20 da manhã.


Mas tal como aconteceu com o “Sampaio Correia” não deixou rapidamente o Rio Grande do Norte. Devido a uma forte tempestade tiveram de amerissar na região de Barra de Cunhaú. Os aviadores receberam total apoio do coronel Luiz Gomes, chefe político da cidade mais próxima, Canguaretama, e só seguiram viagem na manha de 13 de julho.

O ano em que tudo mudou

Em fevereiro de 1927 chega a notícia que um hidroavião bimotor italiano, modelo Savoia-Marchetti S 55, estava atravessando o Atlântico em direção a capital potiguar. A aeronave havia sido batizada como “Santa Maria”, tinha como piloto o herói de guerra Francesco De Pinedo, tendo como companheiros o capitão Carlo Del Prete, e o sargento Victale Zachetti.

Francesco De Pinedo – Fonte – http://www.aeronautica.difesa.it

Haviam partido do porto de Elmas, Itália, em 13 de fevereiro, bordejaram a costa oeste africana até Porto Praia, capital da atual República de Cabo Verde. Somente no dia 22 alçaram voo em direção a Natal. Mas em Fernando de Noronha houve problemas com a quantidade de combustível e De Pinedo teve de fazer um pouso de emergência. Foi apoiado pelo Cruzador “Barroso”, da Marinha do Brasil. No dia 24 de fevereiro, pelas 7 horas decolavam para Natal.

Foi com um estrondoso repicar dos sinos das igrejas que Natal recebeu a notícia da partida daquela nave do arquipélago. Logo o comércio, as repartições públicas, as escolas fecham suas portas e uma multidão calculada em 10.000 pessoas, vai se aglomerar desde o Cais da Tavares de Lira, até a então conhecida praia da Limpa, onde atualmente se localizam a áreas do prédio histórico da Rampa, o Iate Clube de Natal e as dependências do 17º Grupamento de Artilharia de Campanha.

O “Santa Maria” – Fonte – http://www.aeronautica.difesa.it

No alto da torre da igreja matriz, na Praça André de Albuquerque, escoteiros estão posicionados, vasculhando os céus com binóculos e lunetas em busca do hidroavião. No mastro ali existente tremulam as bandeiras italiana e brasileira. Finalmente, às nove e vinte da manhã, um ponto é avistado para além da praia da Redinha, ao norte da cidade. Os escoteiros estouram rojões, novamente os sinos das igrejas repicam e navios ancorados no porto apitam ruidosamente, deixando Natal em polvorosa.

O hidroavião sobrevoa a cidade, segue em direção a região do atual bairro de Igapó, retornando na direção do porto. Vai baixando devagar, extasiando a todos ao amerissar tranquilamente no sereno rio Potengi.

Apesar de toda pompa e circunstancia com que o aviador foi recebido em Natal, De Pinedo parecia cansado, com aspecto carrancudo. Mesmo sem externar maiores emoções típicas dos latinos, em um banquete oferecido pelo governo estadual, De Pinedo ergueu um brinde de agradecimento à acolhida efetuada pelos natalenses, à figura heroica do aviador potiguar Augusto Severo e comentou entre outras palavras que “Natal seria a mais extraordinária estação de aviação do mundo”.


De Pinedo foi o primeiro aviador a se pronunciar publicamente sobre a positiva condição que Natal possuía para a aviação mundial, sendo este pronunciamento repetido em diversos jornais nacionais e estrangeiros.

Um italiano realizava o sonho de outro italiano, Giovanni Battista Caproni, da travessia aérea do Oceano Atlântico entre a África e o Brasil, tendo a costa potiguar como ponto de apoio.

A vinda de De Pinedo a Natal tornou conhecida a capital potiguar no cenário da aviação mundial e mostrou ao co-piloto e navegador Carlo Del Prete, que nesta cidade havia um ponto seguro para receber qualquer aeronave que desejasse se aventurar a cruzar o vasto Oceano Atlântico.

Raids que eram uma festa e entraram para a história

Vinte dias após a passagem do “Santa Maria”, a cidade de Natal recebe outro “raid” histórico. Era um hidroavião bimotor, modelo alemão Dornier DO J Wall, batizado como “Argos”. A nave pertencia ao governo português, era pilotado por José Manuel Sarmento de Beires, um major do exército, que tinha como auxiliares os militares e patrícios Jorge de Castilho e Manuel Gouveia.

Da esquerda para direita temos Sarmento de Beires, Castilho e Gouveia, os portugueses do “Argus”

Seu feito foi haver realizado a travessia Atlântica à noite. Decolaram de Bolama, na atual Guiné Bissau, às 17 horas do dia 12 de março de 1927 e pousaram em Fernando de Noronha na manhã do dia 18, uma sexta feira, por volta das 10:15. A parada no arquipélago foi rápida e às 12:55 o hidroavião português já evoluía várias vezes sobre Natal. Depois amerissaram no rio Potengi e prenderam seu hidroavião em boias defronte á pedra do Rosário.

Foram recebidos com muita atenção pela população de Natal. Os aviadores lusos estiveram em várias recepções. A mais importante foi no palacete do comerciante Manoel Machado, o mais abonado da cidade naquela época e nascido em Portugal. No domingo, dia 20 de março, pelas oito da manhã o “Argos” partiu. Em Recife, em uma entrevista ao Diário de Pernambuco, Beires declarou que “Natal era um excelente ponto para aviação”.

Hidroavião da esquadrilha Dargue

No mesmo dia da partida do “Argos”, mas por volta das quatro da tarde, de uma maneira um tanto surpreendente para grande parte da população de Natal, surgem sobre as dunas do Tirol três hidroaviões monomotores pintados de azul escuro e amarelo. Estes realizaram um voo a 300 metros de altitude sobre a Natal de pouco menos de 40.000 habitantes e amerissaram tranquilamente no rio Potengi. Era a esquadrilha comandada pelo Major Herbert Arthur Dargue, que havia partido dos Estados Unidos ainda no ano anterior e percorria toda a costa da América Latina.

Oficialmente a esquadrilha era denominada Pan-American Goodwill Flight, sua equipe original era composta, além do major Dargue, de três capitães e seis primeiros tenentes. Todos vinham acomodados em cinco hidroaviões modelo Loening OV-1 e cada aeronave havia sido batizada com o nome de uma grande cidade americana.

Este Loening OV-1, o “San Francisco”, que esteve em Natal em 1927, está preservado no Smithsonian’s National Air and Space Museum, em Washington D. C.

Haviam partido de Kelly Field, no Texas, no dia 21 de dezembro de 1926 e progrediram de forma relativamente lenta em direção sul. Tinham como missão levar mensagens de amizade dos Estados Unidos para os governos e os povos latino-americanos, promover a aviação comercial dos Estados Unidos na região e forjar rotas de navegação aérea através das Américas. Extra oficialmente esta esquadrilha voava para “mostrar a estrela” abaixo de suas asas. Ou seja, demonstrar aos países abaixo da fronteira sul dos Estados Unidos a capacidade e alcance de seu aparato aéreo militar.

Major Herbert Arthur Dargue. Morreu durante a Segunda Guerra Mundial

Sobrevoaram a costa do Oceano Pacifico desde o México a Argentina, sempre em meio a muitos festejos. Em Buenos Aires, durante uma apresentação no aeroporto de Palomar, dois hidroaviões se chocaram em voo e caíram. Um capitão e um primeiro tenente morreram no desastre. Deste ponto as aeronaves da marinha americana seguem em direção norte, acompanhando a costa Atlântica da América do Sul. Em decorrência do acidente trágico na Argentina voam de forma discreta, sem festividades nas suas paradas. Além disso, os jornais de Natal haviam sido informados que estas aeronaves não amerissariam no rio Potengi, seguindo de Recife direto para São Luís do Maranhão. Por isso houve tanta surpresa na capital potiguar no domingo, 20 de março de 1927.

General Ira C. Eacker, comandante da 8th Air Force, a grande força de bombardeiros americanos baseados na Inglaterra durante a II Guerra, era um dos membros da Esquadrilha Dargue e esteve em Natal em 1927

A viagem do Pan-American Goodwill Flight como ficou conhecido, foi amplamente divulgado na época, com cobertura de primeira página em todos os principais jornais dos Estados Unidos e de outros países, durante quase todos os dias do trajeto aéreo. Em outubro de 1927 a conceituada revista National Geographic dedicou 51 páginas para o épico voo. Na edição de 22 de março de 1927 do jornal A Republica, o Major Dargue foi entrevistado pelo engenheiro agrônomo Octavio Lamartine, filho do político Juvenal Lamartine, que por realizar uma especialização na Universidade de Geórgia, Estados Unidos, dominava perfeitamente o idioma inglês. O oficial aviador americano declarou entre outras coisas que “Natal era um ponto ideal para a aviação”. Para ele a posição geográfica da cidade, o clima e a condição do rio Potengi para os hidroaviões apontavam que a capital potiguar viria a ser “Necessariamente uma base intercontinental de aviação mundial”.

No centro da foto vemos o general Muir S. Fairchild, membro da Divisão de Planos Estratégicos em Washington durante a II Guerra e outro membro da Esquadrilha Dargue em Natal no ano de 1927

Em pouco mais de 15 anos, com a implantação da grande base americana de Parnamirim Field, as palavras do Major Dargue se tornaram verdadeiras.

Interessante comentar que dois dos comandados de Dargue que estiveram em Natal, o então Capitão Ira Clarence Eaker e o Primeiro Tenente Muir Stephen Fairchild, se tornaram oficiais generais de extrema relevância durante a Segunda Guerra Mundial. O primeiro foi comandante da 8º Força Aérea de bombardeiros, onde muitos dos seus quadrimotores B-17 e B-24 passaram por Natal a caminho de bases na Inglaterra, de onde atacavam com suas bombas o coração do Terceiro Reich. Já o outro foi um renomado membro da Divisão de Planos Estratégicos em Washington, um dos grandes planejadores das ações aéreas americanas e que certamente deve ter opinado sobre a construção de uma grande base aérea em Natal durante aquele conflito.
Um voo que nunca chegou e outro que marcou

Os próximos “raids” a passarem por Natal é uma grande marca na história aeronáutica brasileira e da aviação mundial. Enquanto isso, o que não faltava nos céus de todo o planeta eram aeronaves realizando “raids”.

O aviador norte americano Charles Lindbergh. Ele esteve em Natal na década de 1930, realizando um Raid em um hidroavião monomotor, junto com a sua esposa

Pretendendo a travessia do Atlântico Norte estava os franceses Nungesse e Coli, com o seu avião batizado “Pássaro Azul”. Da Inglaterra os Tenentes Carr e Gilman preparavam o voo que ligaria a Inglaterra a Índia. Da Espanha chegavam notícias da volta ao globo pretendia por Ruiz Alba e Padelo Roda e voando de New York para Paris, buscando ganhar um prêmio no valor de 25.000 dólares, havia um desconhecido piloto chamado Charles Lindbergh.

O “Jahú”- Fonte – Coleção do autor

O Brasil estava em uma extrema expectativa com o voo através do Atlântico Sul do hidroavião brasileiro “Jahú”. Era um aparelho Savoia Marchetti S-55, de fabricação italiana, comandado por João Ribeiro de Barros, paulista da cidade de Jaú. Tinha como companheiros João Negrão, Vasco Cinquini, e o Capitão Newton Braga. Em meio a inúmeros problemas, que incluíram inclusive sabotagem, o “Jahú” decolou às quatro e meia da manhã, do dia 28 de abril de 1927, de Cabo Verde. Os natalenses e pessoas de várias cidades dormiram nas calçadas dos jornais, aguardando notícias. Somente no dia seguinte, soube-se que o “Jahu”, pelas 17:30, amerissou a 100 milhas de Fernando de Noronha. Natal aguardava com ansiedade o brasileiríssimo “Jahú” e, enquanto ele não vinha, foi noticiado que outro voo estava programado para chegar a Natal e desta vez a nave viria pilotada por um nobre francês: o capitão Pierre Serre de Saint-Roman, filho do Conde de Saint-Roman e sua ideia era vir a América do Sul para percorrer 52 cidades do continente e a primeira seria Natal.

O aviador francês Pierre Serre de Saint-Roman, aquele que nunca chegou a Natal

Os momentos iniciais do voo de Saint-Roman foram atribulados. Talvez por ele possuir apenas 250 horas de voo como experiência anterior a um salto sobre o Atlântico. Talvez pelo seu avião Farman F.60 Goliath, um biplano bimotor, batizado como “Paris-Amérique-Latine” e concebido originalmente como bombardeiro, não ser a nave ideal. Em todo caso, ele e mais dois companheiros decolam de Saint-Louis (Senegal), no dia 5 de maio de 1927, às seis da manhã. Em Natal muitos imaginam que Saint-Roman vai chegar primeiro que o “Jahú”, mas o “Paris-Amérique-Latine” e seus tripulantes jamais foram vistos novamente. Somente no dia 29 de junho, restos do avião de Saint-Roman foram encontrados entre o Maranhão e Pará, bem distantes da rota planejada pelos aviadores desaparecidos.

Apesar da competitividade reinante entre os voos do “Jahú” e do “Paris-Amérique-Latine”, percebe-se lendo os jornais da época que Natal sentiu o desaparecimento do avião francês.

O “Jahú”, um hidroavião Savoia-Marchetti S.55, o último de seu modelo no mundo, atualmente se encontra no Museu de aviação da TAM, em São Carlos, São Paulo – Fonte –http://www.panomario.com

Mas logo ele seria esquecido com a triunfal chegada do “Jahu”.

Os pilotos brasileiros partiram de Fernando de Noronha no dia 14 de maio e por volta das 13 horas ouviu-se o crescente ronco dos motores e uma silhueta vermelha surgiu no horizonte vindo do mar. A chegada desta aeronave a capital potiguar foi algo marcante na população local.


Dois meses depois, em 18 de julho de 1927, Natal foi surpreendida com a chegada de uma aeronave de rodas, um autêntico avião. Ele era francês, biplano monomotor, do tipo Breguet, e pertencia a uma empresa comercial francesa chamada Latecoère. Percorriam o litoral brasileiro em busca de locais para construção de campos de aviação para uso comercial, através de um convênio com o governo brasileiro para fazer o transporte do correio internacional.

Paul Vachet no centro da foto

O problema era que o biplano só poderia aterrar em um campo de pouso, que não existia ainda na cidade e o piloto Paul Vachet, acompanhado de Dely e Fayard, aterrissou na praia da Redinha.

Com eles, começou a aviação comercial em Natal e a aventura de voar, aos poucos, foi ficando no passado.

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Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand medeiros

http://tokdehistoria.com.br/2014/07/10/a-aviacao-pioneira-nos-ceus-potiguares-dos-primeiros-raids-ao-inicio-da-aviacao-comercial/

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UM GRUPO DE POLICIAL VOLANTE NA CAÇA Á LAMPIÃO.. ( Foto inédita.!)

UM GRUPO DE POLICIAL VOLANTE NA CAÇA Á LAMPIÃO.. ( Foto inédita.!)

Volante formada por filhos de Martinho de Souza e alguns primos, década de 1930. Foto extraída da obra MOMENTOS DA MINHA VIDA, de Antônio Conrado de Souza.

Cortesia: Kiko Monteiro (Lampião aceso)

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta.

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O mais novo livro sobre o cangaceiro Jararaca


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Marcílio Lima Falcão

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP).
Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e Movimentos Sociais no Brasil Republicano.


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A VERDADEIRA CEGUEIRA DE LAMPIÃO

Por Rangel Alves da Costa*

A representação visual de Virgulino Ferreira da Silva se acentua no seu óculo de armação arredondada e no seu olho direito meio fechado. Em desenho, pintura ou fotografia, a confirmação maior vem de tais aspectos. Igualmente a John Lennon, não há que se falar no líder cangaceiro sem se ter em mente o rosto triangular adornado pela famosa armação. E também pelo olho semicerrado.

O rei Lampião

Se Lampião era completamente cego ou apenas de pouca visão no olho direito, de pouca valia terá na sua outra cegueira, aquela que tantas vezes se fez tão verdadeira que talvez ele não tenha conseguido enxergar nem dentro de si mesmo. 

Ora, cegueira não significa apenas um distúrbio na visão, uma perda total ou parcial da capacidade de avistar, mas também o não querer enxergar aquilo que está adiante, não só dos olhos como da percepção. E em muitas situações era esse tipo de cegueira, a pessoal, que mais afligiu Lampião, conscientemente ou não.

Verdade é que muitas vezes, diante de muitos fatos e acontecimentos, Lampião se mostrou completamente cego perante a realidade. O problema no olho não o impedia de divisar sombras escondidas na mataria, não dificultava seu alvo certeiro, não causava nenhum problema nos momentos mais precisados. Mas a sua outra cegueira sim.
E por que a outra cegueira? Considerando-se, de modo figurado, que cegueira é também distúrbio da razão, falta de discernimento, falsa percepção da realidade, obcecação, falta de lucidez ou de capacidade de raciocinar, logo se tem que Lampião se mostrou completamente cego, por exemplo, quando confiou demais na sua fama, na rede de proteção que havia firmado e na descrença perante aqueles que o alertavam para os perigos rondando.

Mas nada disso causa estranheza diante de outras demonstrações de absoluta escuridão íntima, pessoal, confrontando mesmo todo aquele arcabouço consciente, intelectivo e estratégico do líder maior dos cangaceiros. É de causar verdadeiro espanto quando o grande estrategista, o astuto catingueiro, o sábio da luta, de repente começa a agir como se nenhuma valia desse mais ao seu mando, ao código de conduta imposto, ao que considerava de essencialidade para o respeito e sobrevivência do cangaço.

Mas vamos aos fatos. Mas antes disso respondam: Lampião era homem de duas faces, de duas caras como se diz por aí, ou era cabra de palavra, que exigia respeito, ordem e obediência? Mais uma pergunta: Será que Lampião passava uma imagem exterior de uma forma e no âmbito familiar cangaceiro, perante o seu bando, agia de modo totalmente diferente e a ponto de perder força de comando?

Prefiro acreditar no homem de pulso, severo diante de erros, no verdadeiro líder. Prefiro continuar acreditando no homem que jamais se desnorteou das linhas do destino traçadas em sua mão. Contudo, também não posso deixar de afirmar sobre o irreconhecível Lampião diante de tantas façanhas macabras recontadas pelos historiadores e pesquisadores. Somente na mais completa cegueira pessoal o líder maior aceitou que verdadeiros absurdos acontecessem.

O cangaceiro Zé Baiano

As atrocidades de Zé Baiano, o Carrasco Ferrador, contra aquelas mocinhas de Canindé, ocasião em que as três faces sertanejas foram impiedosas marcadas com ferro em brasa. A covardia e a traição praticadas contra a cangaceira Rosinha, covardemente morta pelos próprios companheiros de bando - e dizem até que a mando do próprio líder. As mortes de inocentes durante os ataques empreendidos pelo bando nas povoações interioranas. E sem desprezar os relatos dando conta das sanhas bestiais da cangaceirama e de suas ações de violências ilimitadas contra o pobre homem da terra, tudo isso demonstra que talvez os dois olhos de Lampião estivessem fechados. Ou completamente cegos, mas pela outra cegueira.

E verdadeiramente cego porque inadmissível que o homem que pregava uma guerra justa permitisse que seus comandados fizessem qualquer um de inimigo, principalmente quando se tratava de desvalidos da terra. Absolutamente cego porque não se admite que um líder, ainda que não esteja presente em todas as ações dos seus, anteriormente não os alerte sobre as consequências das violências extremadas e dos atos impensados. Cegueira total em Lampião ao saber que seria responsabilizado por toda maldade praticada pelos seus cabras, ainda assim permitiu que tudo perdesse o controle em muitas situações.

Por isso mesmo que a cegueira do olhar é um quase nada diante da cegueira humana, da perda de clareza na sua ação. O seu olho afetado - e apenas um - não o impedia de enxergar claramente as ações de seus comandados. Como líder máximo, absoluto, ou foi convivente com as atitudes tomadas ou simplesmente foi aceitando, assim como uma bola de neve ou de espinho. E ao agir assim, ferindo a visão de sua própria consciência, logo Lampião se mostrou verdadeiramente cego.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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quinta-feira, 17 de julho de 2014

II Seminário Regional Parahyba Cangaço e Cariri Cangaço Paraíba

Por Wescley Dutra

Nobres amigos e amigas “vaqueiros(as) da história”,

Saudações cangaceiras.

É com grande alegria que encaminho em anexo o convite para participarem do II Seminário Regional Parahyba Cangaço e Cariri Cangaço Paraíba. 

Certo da presença de todos(as).

Atenciosamente, 
Prof. Me Wescley Rodrigues


Agosto se aproxima e junto com ele teremos o II Seminário Regional Parahyba Cangaço e Cariri Cangaço Paraíba. Esse é um ano festivo, pois comemoraremos 90 anos do ataque a cidade de Sousa pelo bando de Lampião, capitaneado pelos cangaceiros Chico Pereira, Antônio Ferreira e Livino Ferreira, no fatídico amanhecer do dia 27 de julho de 1924. De 22 a 24 de agosto as cidades de Sousa, Nazarezinho e Lastro abrem os braços para acolher todos os pesquisadores, estudantes e “vaqueiros da história” interessados em conhecer um pouco da história do cangaço no alto sertão paraibano.

Momentos como esse são de grande valor por possibilitar a abertura de novos rumos no entendimento do movimento do cangaço e da história social e cultural do Nordeste brasileiro, levando-nos a quebrar paradigmas já cristalizados que focam a história do cangaço apenas nas figuras do “estado maior”: Lampião, Corisco, Zé Sereno, Maria Bonita, Sila, Dadá...

É necessário uma “nova leva” que promova uma reflexão sobre outros agentes que foram lapidares na constituição histórica do cangaço. Torna-se latente o resgate desses sujeitos para os anais, pois eles também foram importantes na teia formadora do cangaço. Abrimos assim espaço para um cangaceiro pouco conhecido, Chico Pereira, mas de grande relevância para entendermos como se dava as relações de poder, a política, justiça, criminalidade e cangaceirismo no sertão paraibano.

Chico Pereira foi um dos mais importantes cangaceiros do sertão da Paraíba, sendo responsável por maquinar o ataque a cidade de Sousa, tido como um dos maiores ataques cangaceiros no estado durante a década de 1920, para vingar a morte do seu pai, João Pereira,

2 que fora assassinado brutalmente, não tendo sido justiçado pela justiça oficial, que relegou o caso a um segundo plano.

A “cidade dos dinossauros” juntamente com Nazarezinho e o Lastro irmanam-se para comemorar essa data festiva, lembrando ser a história um espaço de memória e rememoração, significação e resignificações. Não temos assim pretensão de exaltar o banditismo, mas entendê-lo dentro de um contexto social de uma época marcada pelo descaso, falta de políticas públicas e justiça promotora da dignidade humana.

Esse também é um momento propício para lutarmos pela criação do Museu do Cangaço na casa grande do sítio Jacu, que pertenceu a Chico Pereira e hoje encontra-se em ruínas. Essa luta é de grande importância não só para as cidades do sertão paraibano, mas para a história nacional, haja vista Chico Pereira não mais pertencer apenas a história da cidade de Sousa e Nazarezinho, mas ser uma figura da história nacional.

Reforçamos assim o convite, nobres amigos e amigas, vaqueiros e vaqueiras da história. Em breve divulgaremos a programação oficial.

Saudações cangaceiras,
Prof. Me. Wescley Rodrigues

Enviado pelo autor Wescley Rodrigues

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FEIRAS, SALTIMBANCOS E NOTÍCIAS

Por Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2014 - Crônica Nº 1.222

Com o início da festa de Senhora Santa Ana, hoje, em Santana do Ipanema, Alagoas, associamos a ela, a palavra “feira”.

Foto: indicação abaixo da crônica.
Obs. Você que acompanha o blog, estão faltando três crônicas: "Agripa: vuvuzelas para os desentendidos"; "A cueca do deputado"; "Escritores visitam a CPAI". Encontradas, porém, no site: alagoasnanet, onde são reproduzidas.

Com o aumento de terras cultivadas na Europa, durante a Idade Média, cresceu significativamente a produção de grãos. O que excedia o consumo passou a ser comercializados em inúmeros lugares. Os pontos que mais atraíam o comércio eram os entroncamentos de estradas por onde circulavam os fiéis católicos de várias regiões para seus festejos anuais. As entradas dos castelos também fizeram surgir às feiras medievais, palavra que já foi sinônimo de festa.

O que acontecia antes, ainda hoje acontece nesses encontros. Os negociantes armam barracas, expõem mercadorias, trocam informações e notícias e fecham negócios com os seus produtos.

Ontem como hoje, surgem os artistas populares (saltimbancos), os que emprestam dinheiro a juros e os que chegam somente porque gostam de passear no ambiente.

Por questões de segurança, artesãos e comerciantes se estabeleceram nos arredores das muralhas dos feudos, surgindo pequenos povoados que recebia o nome de “burgos”, nos dias atuais, palavra depreciativa.

Santana do Ipanema, ainda hoje tem a sua feira-livre principal que ocorre aos sábados. Quem sugeriu o dia de sábado, foi um dos seus fundadores, o padre penedense Francisco José Correia de Albuquerque (visionário e rico em virtudes) evitando assim esse trabalho aos domingos, dia dedicado ao Senhor e ao descanso semanal.

Quando adolescentes ouvimos por várias vezes, pessoas que ─ referindo-se à feira do sábado ─ diziam com sorrisos expressivos: “Vou pra festa!”. E de fato, feira é festa e vice-versa, atualmente ameaçada nos centros maiores pelos mercadões, supermercados e o tal Shopping Center.

Portanto, tem início hoje o novenário de Senhora Santana, encerrando no mesmo dia marcado em todos os lugares do mundo por determinação da Igreja, onde houver festejos à avó do Cristo. Vamos à feira... Ou à festa.

Foto antiga de domínio público, uma das mais significativas de Santana do Ipanema e que estará no livro “227” de Clerisvaldo B. Chagas. Breve.


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EM MEMÓRIA DOS VIVOS

Por Rangel Alves da Costa*

Talvez os vivos mereçam uma missa, um pranto de saudade, um buquê de flores e um emocionado discurso louvando sua memória e suas virtudes. Seria um tipo de Réquiem para os vivos, um rogo pela purificação das almas que se alastram perdidas nos desvãos da existência. Assim, ao invés de o celebrante dizer “dai-lhes o repouso eterno”, diria “dai-lhes o renascimento do que de mais puro ainda existe nas suas almas”.

Somente na louvação e na memória é possível lustrar as feições humanas com os bálsamos inexistentes perante a realidade. Mas o que os viventes, os que continuam vivos e perambulando por aí, fizeram para que sua memória precisasse ser reverenciada antes do desaparecimento terreno? Não seria mau augúrio nem antecipação dos fatos, mas apenas um forma de reconhecimento agora daquilo que certamente o homem esconde em si. E também uma maneira de despertar as tais virtudes que parecem enclausuradas e sufocadas pelo lado frio e arrogante do ser.

Não há de se duvidar que o homem que anda por aí é um ser transformado pela realidade que vivencia no seu dia a dia. A bem dizer, é apenas um ser revestido de outra roupagem que não aquela inicialmente concedida. Despido de sua natureza intrínseca, e esta nascida boa pelo próprio desígnio humano sobre a terra, aos poucos foi convergindo para si os males do mundo e assim se deixado levar no convívio e nas suas relações. É como se a sua bondosa natureza tivesse sido tomada pelos fluídos negativos da Caixa de Pandora.

Envolvido e transformado sem ser esse o seu destino, é preciso que se diga. Nenhum homem nasceu com a sina da maldade, da violência, da desonestidade consigo mesmo e com o próximo. Nenhum ser humano nasceu carregando a cruz da miséria, da discórdia e do sofrimento. Nenhum ser humano veio ao mundo para expurgar de si seus relevos espirituais e se transformar em algo medonho e temido. Logo se tem que a roupagem adquirida nada lembra aquela vinda no corpo, na alma e no coração do homem.


Quer dizer, o homem não é assim tão desumano, egoísta, soberbo, falso, mentiroso, aproveitador, que só pensa nele mesmo e depois em si mesmo. Não, o homem não pode ser assim, e certamente não é, mas algo o impulsiona a assim ser e se comportar. E uma missa em sua memória, ou à memória de suas virtudes, talvez possa fraquejar o lado insidioso e fazer renascer aquilo que se espera ressurgindo. As palavras de glorificação e reconhecimento de suas capacidades servirão como remição para os tantos erros e ressurgimento das boas virtudes que acabaram nas sombras.

A verdade é que o homem não pode continuar aprisionado por aquilo que não deseja. Assim porque se presume não desejar ser, viver e agir sendo comandado pela sua feição mais desumana e insensível. Em muitos há uma verdadeira luta íntima para não se deixar conduzir pelas ações que lhe retiram o que tem de mais virtuoso. E porque seu lado bom continua prisioneiro das exigências e influências negativas do mundo, o homem espiritual precisa ser urgentemente libertado destes tormentosos grilhões.

O homem é um ser essencialmente esquecido das lições primordiais da vida. Basta que algo brilhe como ouro, e já larga as preciosidades duramente alcançadas. E na ganância, na ambição desmedida, acaba rejeitando princípios éticos, morais e de bondade, para se alimentar somente da acumulação daquilo que nenhuma serventia traz à alma. E neste afã de conquista, todo aquele que se puser à sua frente tenderá a ser visto como empecilho e pisado como verme asqueroso.

E num mundo de disputas, ambições e injustiças, a medida da ação será aquela que lhe garanta não só a sobrevivência, mas principalmente ter sempre mais do que necessita, e custe o que custar. Nesse estágio, a violência não comove, a arrogância não é sentida, a desonestidade não provoca revolta, o medo não provoca qualquer espanto. E nada disso faz sofrer ou causa reflexão porque também é agente dessa situação. É como se aprendesse no erro a também errar. É como se escolhesse negligenciar as condutas positivas da vida porque pressente e se guia pelos desacertos de seus semelhantes.

Lamentável que seja assim. Ora, o homem, enquanto dádiva da criação, é um ser bondoso, digno, virtuoso, nascido para o companheirismo e o agradável convívio. Que se tome como exemplo a criança brincalhona, feliz, cheia de satisfação, ainda que nascida em leito empobrecido. Tome-se como exemplo o jovem sonhador, lutador, que vai abrindo caminho e enfrentando os espinhos sem perder a candura nem afrontar o destino. Mas parece que tais qualidades acabam depois da curva da estrada. Após isso, já não mais será avistado como antes.

Diferentemente do que se possam imaginar, tais palavras não são pessimistas nem carregadas de descrenças no ser humano e generalizando de modo negativo as feições existentes em cada indivíduo. Pelo contrário, surgem como reconhecimento de sua capacidade para agir positivamente diante do que lhe foi confiado na existência. E reconhecimento também que os malefícios acaso surgidos, e proliferados de modo tão danosos, não são fruto de escolha pessoal, mas do meio que impõe a sujeição a todos os tipos de indignidades.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com  

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Corisco não se entrega porque a mulher não deixa.

Por José Mendes Pereira

Afirmam os estudiosos do cangaço que quando o cangaceiro Velocidade entregou-se à polícia, abriu a boca dizendo: "- Corisco não se entrega porque a mulher não deixa". A mulher que ele se referia era a Dadá, esposa do perverso Corisco.

Foto colorida pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio 

Mas o cangaceiro Corisco tinha suas razões para não contrariar, magoar ou machucar fisicamente a sua amada Dadá. Era um homem que não gostava de machucar mulheres. Além de valente, Corisco era um sábio. 

tokdehistoria.com.br - Acervo do Rubens Antonio

Ele sabia que era muito melhor enfrentar os fuzis e a maldade de Zé Rufino do que contrariar uma mulher, no caso a sua companheira. Mas o cangaceiro Velocidade não concordava e dizia o contrário. "- Corisco não se entrega porque a mulher não deixa". 

Se analisarmos direitinho o cangaceiro Velocidade quis dizer mais ou menos assim:

"- Corisco é mandado pela mulher e morre de medo dela".

Mas não devemos dizer que o cangaceiro Corisco era "Manicaca", como diz o velho ditado, quando um homem obedece a sua esposa. E ainda: "Em mulher não se bate nem com uma flor". 

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"DOMINGUINHOS, O NENÉM DE GARANHUNS"


O livro "DOMINGUINHOS, O NENÉM DE GARANHUNS" de autoria do professor Antonio Vilela de Souza, profundo conhecedor sobre a vida e trajetória artística de DOMINGUINHOS, conterrâneo ilustre de GARANHUNS, no Estado de Pernambuco.

Adquira logo o seu através deste e-mail:
incrivelmundo@hotmail.com

R$ 35,00 Reais (já com o  frete)

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http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com 

Próxima visita ao Museu do Sertão em Mossoró

Professor Benedito Vasconcelos Mendes - Proprietário do Museu do Sertão

Amigo Zé Mendes:

A próxima visita ao Museu do Sertão será no dia 09 de Agosto de 2014. O ingresso é um kg de alimento não perecível, que deverá ser entregue no Lar da Criança Pobre. 

A visita começará as 7:00 horas e terminará às 12:00 horas. Mais informações você encontrará no Site: www.museudosertao.com.br

Forte abraço, Benedito





Você que gosta de visitar Mossoró no Rio Grande do Norte, precisa conhecer o "Museu do Sertão", fundado pelo professor e Presidente da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Benedito Vasconcelos Mendes. O Museu do Sertão em Mossoró não pertence a nenhuma repartição do governo. Foi fundado com os próprios recursos do professor.

Você que é diretor de escolas em Mossoró leve seus alunos ao "Museu do Sertão", no dia 09 de Agosto de 2014. E para maiores informações, entre em contato com o Museu através do seu site: 


Leve os seus filhos para eles verem o que os seus olhos nunca viram. Vale a pena conhecer o "Museu do Sertão" em Mossoró-Rn. São 11 galpões, com mais de 5.000 peças para os seus olhos conhecerem.

Nota: - 
Vale lembrar ao leitor que você não pagará nada para visitar o Museu, apenas colaborará com um kg de alimento não perecível, que deverá ser entregue no "Lar da Criança Pobre" em Mossoró, e lá você receberá o ingresso para a visita ao Museu. O Museu do Sertão em Mossoró não necessita de ajuda para sobreviver. 

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Sinhô Pereira e Lampião

Sinhô Pereira

Quando Lampião e seus irmãos Antônio e Livino caíram em definitivo no cangaço, em Junho de 1920, para vingar a morte de seu pai, Virgolino teve que aguardar bastante tempo até ser chamado de chefe, ou líder de bando ou até de Lampião. Com efeito, a princípio os Ferreiras entraram para o bando de Sebastião Pereira mais conhecido como Sinhô Pereira, um pernambucano nascido em 1896 e falecido em Minas Gerais em 1972.


Segundo Sinhô Pereira em entrevistas: “- Lampião e os irmãos chegaram de Alagoas depois do assassinato do pai, dispostos a confrontar com José Saturnino, seu inimigo comum. Não tinham condições financeiras nem experiências e participaram com muita bravura de alguns combates”.

Havia muitas ligações entre Lampião e Sinhô Pereira: eram vizinhos; a mãe de Lampião era afilhada do pai de Sinhô Pereira; o pai de Lampião era afilhado do Padre Pereira, tio de Sinhô Pereira; as famílias eram amigas; e com comuns inimigos: “Os Saturninos” e José Lucena.

Sinhô Pereira possuía alguns antepassados ilustres, pois descendia do coronel Andrelino Pereira da Silva (1830-1901), o Barão de Pajeú. Era alfabetizado e trabalhava no campo, o que o diferia culturalmente bastante dos outros bandoleiros. 

http://www.piracuruca.com/index.php/historia/169-chefe-de-lampiao-foi-expulso-do-piaui

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“A TRIBUNA” – 17/06/1931 O CORONEL ANTONIO FRANCO E A LEGALIDADE


Senhor Redator:

Venho acompanhando, com vivo interesse, o noticiário do seu jornal, destacando-se, nestes últimos dias, as gafes cometidas no Rio de Janeiro, pelo industrial sergipano, coronel Antônio do Prado Franco.

Que homem inconveniente, senhor Redator!?

Como ele tem se deixado iludir naquela terra!?

Se fosse mineiro, o coronel Antonio Franco, diríamos que Sua Senhoria tem honrado, na capital da República, as velhas tradições dos célebres compradores de bondes...

O coronel ilustre procurou o Sr. Bernardes!

Estou francamente admirado, senhor Redator!

E sabe por quê?

Quando Sergipe estava na iminência de cair nas mãos dos revolucionários de Outubro, o senhor Antonio Franco mandou pedir ao presidente Manoel Dantas, que lhe fornecesse armas para organizar um batalhão “patriótico”, que deveria ficar às ordens do governo.

O Presidente de então, negou terminantemente o pedido, alegando que, de forma alguma, admitiria, no seu governo, fossem armados cangaceiros pois, desde o início da sua administração, vinha-os combatendo com energia, como aconteceu com os que residiam nas fazendas do aludido coronel.

Com esta resposta, fulminante, o coronel Antônio Franco procurou o major Pinto Guedes, comandante do 28º Batalhão de Caçadores para solicitar sua intervenção no sentido de conseguir do governo as armas e munições solicitadas.

O coronel Manoel Dantas respondeu ao major Pinto Guedes da mesma maneira que ao coronel Antonio Franco e terminou dizendo “se o comandante quiser armar a gente do coronel Franco deve incluí-la como voluntários nas fileiras do 28 BC”, o que de fato sucedeu.
Daí a razão do meu espanto.

O senhor coronel Antonio Franco, que ontem auxiliava o governo oferecendo-lhe apoio moral e material, hoje vai procurar o Sr. Bernardes, que teve papel saliente na revolução de Outubro.

Como se transformam os homens, senhor Redator!

O senhor Antonio Franco devia estar silencioso.

Diante de todos esses fatos que confundem, afinal de contas, o seu critério de homem rico e independente, Sua Senhoria não devia fazer declarações inoportunas na hora que passa.


Mas, o homem é irrequieto e não pode fica calado. Dá entrevistas, passa telegramas, informa, a seu belo prazer, notícias inverídicas relativamente às incursões do facinoroso grupo de Lampião, neste Estado, cometendo assim, um mundo de inconveniências e prejudicando, cada vez mais, o seu nome. JOÃO DO SUL

Imagens: Manoel Dantas; Virgulino Lampião; Usina Central, em Riachuelo/SE, de propriedade do coronel Antonio Franco; e fac-símiles das edições referidas de "A Tribuna".

Fonte: facebook

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A Família de Lampião em Juazeiro

Por Leandro Cardoso
Dr Leandro Fernandes Cardoso

Muita gente não sabe, mas a família de Lampião viveu em Juazeiro do período de 1923 a1927, com a permissão do Padre Cícero.Na segunda década do século passado, por duas vezes, a família Ferreira teve que se mudar em razão dos entreveros com o vizinho José Alves de Barros, o Zé de Saturnino. Na primeira vez, obedecendo a um pacto de acomodação arbitrado pelo Coronel Cornélio Soares de Vila Bela, mudaram-se para a Vila de Nazaré.

Na segunda vez, demandaram à cidade alagoana de Mata Grande, ocasião em que morreram os genitores de Lampião, José Ferreira (vítima da volante de José Lucena Maranhão) e Dona Maria (vítima de um ataque cardíaco). Em 1922, o jovem cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, já definitivamente com o pé fincado no cangaço, assume a chefia do bando do célebre Sinhô Pereira, que deixava o Nordeste em fuga para Goiás. A família Ferreira, sem possibilidade de retornar para Vila Bela, procura abrigo em Juazeiro do Norte. Com a morte dos pais, João Ferreira (o único dos irmãos que não entrou para o cangaço), assume a chefia da família. Após conversa com o Padre Cícero, recebe permissão para se estabelecer em Juazeiro com as irmãs, cunhados, primos (os Paulo) e sobrinhos.Na passagem de Lampião por Juazeiro do Norte, em 1926, foram tiradas várias fotografias da família.

Identidades: 1- Zé Paulo, primo; 2 - Venâncio Ferreira, tio; 3 - Sebastião Paulo, primo; 4 - Ezequiel, irmão; 5 -João Ferreira, irmão; 6 - Pedro Queiroz, cunhado (casado com Maria Mocinha, que está à sua frente, sentada); 7 - Francisco Paulo, primo; 8 - Virgínio Fortunato da Silva, cunhado (casado com Angélica) 9 - Zé Dandão, agregado da família. Sentados, da esquerda para direita: 10 - Antônio, irmão; 11- Anália, irmã; 12 - Joaninha, cunhada (casada com João Ferreira); 13 - Maria Mocinha, ou Maria Queiroz ,irmã; 14 - Angélica, irmã e 15 - Lampião.

Na célebre foto da família reunida (que é vista acima), vemos na extrema esquerda sentado, Antônio Ferreira e na extrema direita, Lampião; a segunda sentada da direita para a esquerda é Dona Mocinha (tendo seu marido, Pedro Queiroz, atrás de si); ao lado direito de Pedro está João Ferreira; do lado esquerdo de João está Ezequiel (que depois entraria para o cangaço com o vulgo de Pente Fino); e, finalmente, o segundo da direita para a esquerda, em pé, é Virgínio (seria o futuro cangaceiro Moderno, chefe de grupo), casado com uma irmã de Lampião, que logo morreria de parto em Juazeiro.

Na ocasião da foto, Dona Mocinha (Maria Ferreira de Queiroz) estava recém-casada com Pedro e, nas várias ocasiões em que a entrevistei, ela sempre externou a enorme benevolência do Padre Cícero, e que todos da família se sentiam seguros em Juazeiro.  Dona Mocinha, hoje com 96 anos, única remanescente viva dos irmãos e irmãs de Lampião, moraem São Paulo e foi diversas vezes entrevistada por mim. Contou-me que aprendeu a dançar com Virgulino tocando “harmônica” no terreiro da fazenda “Passagem das Pedras”, em Vila Bela, e que o irmão vivia na casa da avó, Dona Jacosa Lopes. Refere-se aos irmãos sempre com muito carinho, dizendo que o mais fechado era Antônio e o mais brincalhão era Levino Ferreira. E, em todas as vezes que conversamos, sempre externou a excelente acolhida que a família teve em Juazeiro, e gratidão de todos ao Padre Cícero. Tanto é que seu primogênito é afilhado do Padre Cícero. Rememora com muita satisfação dos familiares de João Mendes de Oliveira, de quem se tornaram amigos.

Aderbal Nogueira, Leandro Cardoso, Antonio Amaury, Paulo Britto e Alcino Costa, no Cariri Cangaço.

Dona Mocinha casou em Juazeiro com Pedro Queiroz e só deixou a Meca nordestina quando a polícia pernambucana intimou seu marido em Vila Bela, e o prendeu arbitrariamente. Então, Dona Mocinha (e parte da família), teve que deixar Juazeiro em 1927 para residir em Serra Talhada. Para finalizar, deixo minhas homenagens à Dona Mocinha, que hoje, quase centenária e lúcida, é um repositório vivo da história recente do Brasil e de Juazeiro do Norte, uma vez que foi expectadora de camarote de um dos períodos mais interessantes e polêmicos da nossa história recente, além de ser testemunha inconteste do desprendimento e da bondade incondicionais do Padre Cícero Romão Batista. (O autor é médico, cordelista, escritor, residente em Teresina, PI – Foto 1: O autor com Dona Mocinha. Foto 2: Lampião com seus familiares em Juazeiro 

Leandro Cardoso Fernandes, Médico, Pesquisador e Escritor
Conselheiro Cariri Cangaço

Fonte:http://historiadejuazeiro.blogspot.com.br
http://cariricangaco.blogspot.com

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Lampião e Maria Bonita, Luneta do Tempo trata de amor e cangaço


Lampião e Maria Bonita: ressuscitados pela luneta do tempo

O Luneta do Tempo, filme escrito e dirigido por Alceu Valença, está pronto para estrear na tela grande. O longa que começou a ser filmado em 2009, concorre ao Kikito do Festival de Cinema de Gramado. Com Irandhir Santos e Hermila Guedes nos papeis de Lampião e Maria Bonita, Luneta do Tempo trata de  amor e cangaço, mergulhando no universos de aboiadores, emboladores, violeiros, grupos de forró e cavalo marinho, poesia e circo. A saga revisita estas influências e as destrincha em versos e imagens. Mergulha no inconsciente dos cantadores anônimos, dos cegos arautos de feira, no universo da literatura de Cordel e expõe sua herança cultural, política e poética.

Divulgação

A história de Severo Brilhante (Evair Bahia), o temido braço direito do bando de Lampião (Irandhir Santos) e Maria Bonita (Hermila Guedes), vive em permanente confronto com as volantes comandadas por Antero Tenente pelas caatingas do Nordeste. A mulher do tenente, a fogosa Dona Dodô (Ana Claudia Wanguestel) mantém um relacionamento extraconjugal com o circense argelino Nagib Mazola (Ceceu Valença) enquanto o marido se ocupa em perseguir os cangaceiros nas imediações de São Bento. Depois de uma batalha sangrenta, Nair (Khrystall), a mulher de Severo Brilhante, decide abandonar o cangaço e seguir junto com o circo. Nagib Mazola logo conquista a cangaceira e desta união nasce um menino.  Ao mesmo tempo em que Nair dá à luz, nasce também o bebê de Dona Dodô.  Embora este venha a ser criado como filho de Antero, São Bento inteira sabe que o verdadeiro pai da criança é o sedutor Mazola.  Trinta anos se passam até que os jovens Antero (Charles Theony) e Severo (Ari de Arimateia) se encontrem na cidade.  Enquanto Antero torna-se um policial tão implacável quanto seu suposto pai, o sanfoneiro Severo sonha tornar-se o novo Luiz Gonzaga. O conflito é acompanhado pelo desocupado Mateus Encrenqueiro (Helder Vasconcelos) e pelo poeta Severino Castilho (Tito Lívio). Contestador, iconoclasta e boêmio, Severino escreve um cordel sobre o improvável encontro de Maria Bonita e Lampião no paraíso, ao mesmo tempo em que ataca a igreja e propõe soluções para o povo do Nordeste.

Após o regresso do Circo liderado pelo velho Mazola (Roberto Lessa), o confronto entre os irmãos se estabelece em pleno picadeiro. Um duelo repleto de magia e música, humor e tragédia, verdades e lendas, capitaneado pelo palhaço Véio Quiabo, interpretado por Alceu Valença. Espectadores e atores não sabem ao certo se sangue, teatro e cangaço são reais ou imaginários. Nos versos do cordel, Lampião avisa: “Pela luneta do tempo, eu serei ressuscitado”. Em algum lugar do paraíso, Virgulino e Maria Bonita celebram a vida.

Confira filmes da mostra

LONGAS BRASILEIROS
A Despedida, de Marcelo Galvão (SP)
A Estrada 47, de Vicente Ferraz (RJ)
A Luneta do Tempo, de Alceu Valença (RJ)
Esse Viver Ninguém Me Tira, de Caco Ciocler (DF)
Infância, de Domingos Oliveira (RJ)
O Segredo dos Diamantes, de Helvécio Ratton (MG)
Os Senhores da Guerra, de Tabajara Ruas (RS)
Sinfonia da Necrópole, de Juliana Rojas (SP)

Fonte: Jornal Tribuna do Norte RN.
Enviado pelo pesquisador do cangaço Antonio Ferreira da Silva Neto

(Neto) Natal-RN

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