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domingo, 8 de novembro de 2015

UM ÍDOLO SEM ROSTO - WHERE IS BILLY JAYNES CHANDLER?

por Bárbara de Medeiros e Honório de Medeiros
Honório de Medeiros, filhos e esposa

Era hora do almoço quando papai pediu que eu traduzisse uma reportagem pra ele. Nessas horas, os quatorze anos de estudo de inglês geralmente se pagavam, e foi com prazer e uma certa confusão que li para ele uma reportagem policial de uma criança, Billy James Chandler, que fora assassinada por um de seus pais. O mistério estava em qual dos dois fora o responsável pele monstruoso ato, mas os testemunhos levavam a crer que o pai, William Chandler, tinha sido o verdadeiro algoz do pequeno ser de apenas seis meses.


Claro, a minha curiosidade não podia permitir que eu realizasse tal trabalho sem perguntar o quê papai queria com aquele casal louco e seu falecido filho. Balançando a cabeça com uma expressão de decepção, ele me disse que não era isso que ele procurava, e começou a me contar acerca de Billy James Chandler, o pesquisador, que teria escrito alguns dos livros mais importantes acerca do cangaço. Era ele quem meu pai procurava.

Bastou uma rápida procurada no Google pra descobrir que o nome do historiador era, na verdade, Billy Jaynes Chandler, e obviamente ficou claro que não havia nenhuma relação entre esse homem e a notícia que ele me colocara para ler.

Eu ainda não tocara na comida.

Fui atrás do meu computador para procurar mais acerca do homem que meu pai queria encontrar na rede social. Mas uma rápida pesquisa do seu nome apenas indicava sites onde os seus livros mais conhecidos estavam disponíveis para compra.

Foi aí que meus conhecimentos das ferramentas do Google vieram a calhar. Tirando as palavras chaves relacionadas às suas obras, sobraram poucos sites disponíveis, mas que aparentemente seriam mais importantes na minha pesquisa.

O primeiro deles foi o da editora Record, responsável pelos livros de Chandler (doravante denominado BJC) aqui no Brasil. Ela mantém uma página com informações de todos os escritores que publicam pelo seu selo. Obviamente, fui para a página do historiador, mas qual não foi a minha surpresa ao descobrir que nela não havia qualquer palavra. Nenhuma. Só o nome inteiro do americano como título, o resto era completamente branco.

Meu primeiro instinto foi encontrar a página de contato da editora e escrever pedindo informações sobre Mr. Chandler. Embora sabendo que a maioria das companhias brasileiras têm o péssimo hábito de ignorar seus leitores, não custava nada pedir. Feito isso, prossegui na minha pesquisa. Nada obtive.

O próximo passo foi procurar a editora americana responsável pela primeira impressão dos seus trabalhos. Depois de pesquisar na Amazon, descobri que era a Texas A&M University Press, e foi para o site dela que parti. Não consegui achar nenhuma informação na página deles, mas me atrevi a lhes mandar um e-mail pedindo alguma informação que pudessem me conceder. Até o presente momento, nada.

Ainda mexendo nas páginas da web descobri o site da faculdade onde Billy Jaynes fez seu bacharelado em história: a Austin Peay State University. Na parte da Alumni, seu nome consta na lista de “perdidos”, e pede-se que qualquer pessoa que tiver alguma informação a seu respeito (e outros que também se encontram na lista), favor entrar em contato. Lá consta que o ano da sua graduação foi 1954. E agora eu sabia pelo menos mais uma pequena informação sobre esse homem que agora começava a me fascinar (mais pelo seu mistério, devo admitir, que pelo seu trabalho).

O próximo passo foi olhar no site da Universidade onde ele lecionou história - a Texas A&M University - Kingsville. Foi lá que descobri que o homem por quem procurávamos havia se tornado professor emérito em 1995. Dez anos atrás. Escrevi um e-mail pedindo informações, sem maiores expectativas. De todos os que eu enviara, esse era o que eu menos esperava que fosse respondido.

A única outra menção a Billy Jayne Chandler na história da Universidade na qual fora professor era em um livro de Cecilia Aros Hunter e Leslie Gene Hunter, contando a história da universidade. Algumas páginas estavam disponíveis no Google Books e foi lá que eu encontrei o nome do professor, no último parágrafo da página 155, contando que ele fizera circular uma petição para uma associação dos professores universitários americanos pedindo que um tal Robins explicasse a crise financeira que a escola enfrentava. A petição dele, segundo consta no livro, dizia que a secretaria da administração estava causando um sério declínio na moral da instituição.

Avisei papai do estado da minha pesquisa e agora só me restava esperar pelas respostas aos meus e-mails. Honestamente, a expectativa não estava alta.

Até hoje somente recebi uma resposta, um e-mail, surpreendentemente do único órgão do qual não esperava resposta: a universidade onde Chandler trabalhara. Robert C. Peña, diretor assistente de serviços da web, me respondeu dizendo que não fora possível encontrar nenhum tipo de informação de contato de Mr. Chandler, já que registros pessoais eram mantidos apenas por alguns anos. Ele sugeriu que eu tentasse contactá-lo pela Amazon (e anexou o fórum online do autor) ou pela editora que publicava seus livros.

Como já disse antes, eu já tentara essa segunda alternativa, e o fórum de Billy Jayne Chandler é constituído por duas pessoas tentando encontrá-lo: algum brasileiro, aparentemente, e alguém denominado Elizabeth, representando um antigo colega de trabalho (também ex-professor de história). Após uma conversa com papai, decidimos mandar um e-mail para essa mulher pedindo qualquer informação que ela pudesse nos repassar.

Os dias se passaram e eu não obtive retorno, mas para a minha surpresa o Robert C. Peña, da antiga faculdade onde Billy trabalhou entrou em contato novamente comigo, para me avisar que ele tentara encontrar no campus alguém que tivesse alguma informação a respeito do historiador, mas que ninguém parecia saber onde ele se encontrava.

Tendo agradecido a informação, só me restava aguardar alguém mais responder, quem sabe Elizabeth, do fórum de BJC na Amazon. E talvez por julho ter sido um mês tão bom, os meus pensamentos positivos se concretizaram e em dois ou três dias recebi uma resposta dela.

O e-mail não trazia grandes informações. Informou que ela trabalhava com esse tal professor que trabalhara com Chandler e que ele estava muito interessado em retomar o contato. Ela me avisou que não havia muito a ser dito sobre BJC, que estava na Europa, e quando voltasse responderia meu e-mail com as poucas informações às quais tinham eles acesso.

Eu preferi não responder nada por alguns dias, pois meu longo conhecimento em troca de e-mails assegurava que quase sempre as pessoas tendiam a esquecer de responder uma pergunta quando diziam que fariam isso depois. Então eu deixei para enviar um e-mail agradecendo sua prontidão em compartilhar suas informações praticamente uma semana depois, quando eu ainda não tinha recebido qualquer o retorno dela.

Foi o que fiz. E, até agora, nada.

Oh, my God, where is Billy Jaynes Chandler?



P.S. Billy Jaynes Chandler é um dos mais importantes escritores acerca do cangaço e coronelismo. Suas obras “Lampião, o Rei dos Cangaceiros”, e “Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns”, são canônicas, seminais. Tentando localizá-lo para uma entrevista via internet, esbarrei nessa dificuldade relatada acima, a meu pedido, por minha filha Bárbara de Medeiros. Ficou uma imensa curiosidade acerca de onde anda Chandler. Terá morrido? Por que se esconde? 

Encontrei no blog http://estoriasehistoria-heitor.blogspot.com.br/2012/12/livros-em-que-familia-feitosa-e-tema.html um artigo de Heitor Feitosa Macêdo que publico abaixo, parte dele, acerca de Chandler:

“O norte americano Billy Jaynes Chandler era um doutorando em história pela Texas A & University, tendo despertado seu olhar para o Brasil, como campo de estudo, em 1963, durante o curso de Introdução à Língua Portuguesa na Universidade da Flórida, pois era pré-requisito para o doutorado pretendido.

Inicialmente o autor cogitou o México para servir-lhe de objeto para a dissertação, contudo, durante um curso de Sociologia ministrado pelo Dr. José Arthur Rios, professor visitante da Universidade da Flórida, Chandler fora dissuadido, e terminou optando pelo Brasil.

Segundo o próprio autor, o Brasil oferecia outros tópicos de maior relevo do que os Inhamuns, porém Chandler queria familiarizar-se “com um aspecto mais amplo ou pelo menos diferente da vida brasileira.” Sendo seu objetivo estudar “uma comunidade fiel às tradições”, isolada ou isenta dos avanços do século XX, “onde tudo fosse como antigamente”.

Logo, em face desse anseio por um corpo social que fosse culturalmente mumificado, o Ceará apresentou-se bastante adequado, segundo a indicação do professor Rios.

A região dos Inhamuns foi escolhida depois de leituras adicionais, porque, conforme Chandler, esse espaço sertanejo caracterizava-se por ser uma “área rural, isolada e tradicional”, além disso, também era “a terra de uma numerosa família que mais de uma vez atraíra a atenção local e até do País inteiro”.

Desta forma, depois da escolha, partiu para aquele rincão, chegando em novembro de 1965, onde foi ciceroneado gentilmente pelos filhos daquele sertão. Por isso ficando o autor admirado e agradecido pela gente que o hospedou e conduziu pelas sendas dos Inhamuns, citando-se Antônio Gomes de Freitas, Antônio Teixeira Cavalcante, Lourenço Alves Feitosa, Aramando Arrais Feitosa etc.

A obra, publicada no Brasil no ano de 1981, é considera a segunda [17] a ser forjada em moldes de verdadeira ciência, pois, em sendo tese de doutoramento em história, consubstanciou a aplicação do método científico frente a antigos fatos registrados nos alfarrábios e na oralidade. O estudo é considerado suficientemente amplo por compreender aspectos administrativos, econômicos e políticos.

A análise recai sobre o início da colonização em 1700, e vai até o ano de 1930, considerado como marco final da perda do poder hegemônico dos Feitosa sobre grande parte dos Inhamuns.

Paralelamente sob a ótica do conflito entre o público e o privado, esquadrinha as instituições sociais, sobretudo a família, e a sua relação com o poder estatal. Igualmente identificando causas e consequências, do apogeu ao declínio político-econômico, dos Feitosa no seu feudo continental.

Assim, parece que o declínio relativo dos Feitosas foi acelerado por dois fatores: a importância que davam às prestigiosas atividades pecuárias, mesmo quando outros haviam conseguido constituir uma base econômica mais sólida através da agricultura, e a destruição periódica de seus únicos recursos produtivos – os rebanhos de gado – pelas secas (Billy Jaynes Chandler)”.

Encerro fazendo minhas as palavras de Bárbara de Medeiros: “where is Billy Jaynes Chandler?


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HÁ 145 ANOS MOSSORÓ ERA ELEVADA AO PREDICAMENTO DE CIDADE - 08 DE NOVEMBRO DE 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Em 9 de novembro de 1870, através da Lei Provincial nº 260, a vila de Mossoró era elevada ao Predicamento de cidade. O projeto foi do Deputado Provincial Antônio Joaquim Rodrigues, vigário colado de Mossoró, com assento pela sexta vez na Assembleia do Estado. 


Mossoró foi emancipada em 15 de março de 1852. Naquela data, era publicado o Decreto Provincial de nº. 246, criando o MUNICÍPIO DE MOSSORÓ, desmembrado do Município do Açu e estabelecia a criação da sua Câmara. Acontece, no entanto, que naquela época o povoado não tinha nenhuma atividade econômica que justificasse o ato, sendo a emancipação uma manobra política de Antônio Joaquim Rodrigues, Presbítero Secular e Pároco Colado na Paroquial Igreja de Santa Luzia do Mossoró, que era Deputado Provincial, para o desenvolvimento da região. Por esse motivo, o povoado foi emancipado como vila e não como cidade.
               
Para cumprir o que determinava a lei de emancipação, deveria ser instalada a sua Câmara. Isso aconteceu em 24 de janeiro de 1853, quando o padre Freire assumiu a Intendência, sendo ele o primeiro governante do novo município e vila de Mossoró.
               
E 23 de maio de 1861, oito anos após a instalação da Câmara, era instalada também a Comarca de Mossoró, sendo a sexta Comarca da Província. O seu primeiro Juiz de Direito foi o Dr. João Querino Rodrigues da Silva, tendo o Dr. Manuel José Fernandes exercido à primeira Promotoria Pública da nova Comarca.
               
O período que se seguiu entre os anos de 1862 a 1870 foi de grande expansão comercial para Mossoró. O historiador Raimundo Nonato cunhou a expressão “Ciclo Áureo do Negociante Estrangeiro” para caracterizar esse período. A pecuária já não produzia mais riqueza. Descrentes do resultado da luta das fazendas com o gado sem resistir ao rigor de prolongadas estiagens e onde os rebanhos decresciam de número e de valor, os antigos fazendeiros procurariam outro meio de vida, abraçando a atividade mercantil, bem mais rendosa e de menor investimento. Essa nova atividade floresceu em Mossoró, graças à situação privilegiada que se encontrava a vila: equidistante de duas capitais, onde o comércio podia se abastecer e entre o sertão e o mar, passando a contar, inclusive, com um pequeno porto, por onde recebia os produtos manufaturados e exportava os produtos naturais vindos do sertão. Aí chegaram os comerciantes estrangeiros; trazido pelas mãos do vigário Antônio Joaquim, ainda como Deputado Provincial, veio o suíço Johan Ulrich Graf, instalando aqui um império comercial, a Casa Graff, grande suficiente para justificar a contratação de navios inteiros de mercadorias vindas do velho mundo, a para lá levando as nossas matérias primas. A Casa Graff foi instalada em Mossoró em 1867. Outros grandes comerciantes vieram aqui se instalar, vindos principalmente do Ceará, embalados pelos negócios crescentes da “Praça de Mossoró”. O desenvolvimento foi tanto que Mossoró tornou-se “Empório Comercial” do sertão potiguar. E assim chega o ano de 1870.
               
Em 9 de novembro de 1870, através da Lei nº. 620, da mesma data, a vila de Mossoró era elevada à categoria de cidade, com o nome de Cidade de Mossoró.
                
A elevação da vila de Mossoró ao predicamento de cidade representou um avanço muito mais econômico do que político, haja vista que nada mudou em relação ao governo municipal. O tenente-coronel da Guarda Nacional Luiz Manuel de Filgueira, que havia assumido o governo municipal em 1869, mal se deu conta da mudança, prosseguindo com a sua gestão até 1872 quando, através de eleição, passou o cargo para também tenente-coronel da Guarda Nacional Miguel Arcanjo G. de Melo que ocupava o posto já pela 3ª vez.
               
E assim, de etapa em etapa, o pequeno povoado de Santa Luzia do Mossoró tornou-se vila e depois cidade, dissociando-se do nome da fazenda e absorvendo apenas o nome do rio, passando a ser Cidade de Mossoró.

Geraldo Maia do Nascimento

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BÁRBARA PEREIRA DE ALECAR

Bárbara Pereira de Alencar - www.dec.ufcg.edu.br

Bárbara Pereira de Alencar nasceu em Exu, no dia 11 de fevereiro de 1760na Fazenda Caiçara, de propriedade de seu avô Leonel Alencar Rego, patriarca da família Alencar, e faleceu no dia 18 de agosto de 1832. Foi uma revolucionária da Revolução Pernambucana de 1817, e da Confederação do Equador. Mãe de José Martiniano Pereira de AlencarTristão Gonçalves, e Carlos José dos Santos também revolucionários.


Quando adolescente, Bárbara mudou-se para a então vila do Crato, no Ceará, e casou com o comerciante português, José Gonçalves do Santos.

No contexto da Revolução Pernambucana de 1817, numa das celas da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção esteve detida Bárbara de Alencar, considerada localmente como a primeira prisioneira política da História do Brasil.

Na poesia

Em 1980 o escritor Caetano Ximenes de Aragão publica o épico livro-poema Romanceiro de Bárbara sobre a Confederação do Equador com ênfase na saga desta heroína em 77 poesias. Recentemente reeditado pela secretaria de cultura do Ceará sob a coleção luz do Ceará.

Homenagens

Em 11 de fevereiro de 2005, foi lançada pelo Centro Cultural Bárbara de Alencar a “Medalha Bárbara de Alencar”. Anualmente, três mulheres, sempre no dia 11 de fevereiro serão agraciadas com o prêmio por suas ações junto à sociedade.

Prisão no forte de N.S. da Assunção onde Bárbara de Alencar cumpriu parte da pena

O centro administrativo do Governo do Ceará é batizado de Centro Administrativo Bárbara de Alencar.

Em Fortaleza, existe estátua da heroína situada na Praça da Medianeira na Avenida Heráclito Graça próxima ao Ginásio Paulo Sarasate.

O pintor Oscar Araripe retratou Bárbara de Alencar em 2009.

Pela Lei 13.056 de 22 de Dezembro de 2014 teve o seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.

Túmulo de Bárbara Pereira de Alencar - Trem da Vida Web Site - www.myheritage.com.br

Heroína nacional, foi a primeira mulher a ser presa política no Brasil e primeira republicana. Em 1817, frustrada a Revolução Pernambucana e o levante do Crato, foi aprisionada e trazida para Fortaleza juntamente com os filhos Tristão Gonçalves, José Martiniano de Alencar e Padre Carlos José. 

Em 1818 foram mandados para a prisão da Fortaleza das 5 Pontas em Pernambuco, e de lá para o presídio da relação, em Salvador. 

Em 1821 foram postos em liberdade, retornando ao Ceará. Bárbara de Alencar faleceu em 1832, depois de várias peregrinações em fuga da perseguição política, foi sepultada em Campos Sales, no Ceará. Seu túmulo está em processo de tombamento.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%A1rbara_de_Alencar

http://cearaemfotos.blogspot.com.br/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-08:00&max-results=47

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A SIMPATIA DE MARIQUINHA


Maria Miguel da Silva era seu nome verdadeiro, mas no Cangaço era chamada de Mariquinha, a companheira de Ângelo Roque, conhecido como Labareda. 


Foi a  segunda mulher a entrar no bando e era cunhada e prima de Maria Bonita, por ser irmã do primeiro marido da Rainha do Cangaço. 

Maria Bonita e seu primeiro esposo José Miguel da Silva

Acompanhou   Ângelo Roque por mais de 10 anos e a exemplo de Maria Bonita, criou coragem e deixou o marido Elizeu para seguir o   grupo, uma vez que seu casamento não ia bem.

Mariquinha era baiana da Malhada da Caiçara, baixinha, magrinha, porém muito esperta, segundo seus companheiros. Morena, cabelos lisos fazia amizade com facilidade. Era a menor das cangaceiras, mas superava o tamanho pela simpatia.

Foto da volante de Odilon Flor

Foi   uma das que conseguiu escapar do massacre   de Angico em 1938. Morreu no ano seguinte pela volante de Odilon Flor durante demorado tiroteio em Riacho Negro, Sergipe. Eram 15 soldados contra oito cangaceiros. Ela, e mais dois cangaceiros foram decapitados e suas cabeças carregadas num carro de boi para Paripiranga, Bahia, como era o costume das volantes e depois expostas como troféus. Satisfeitos, os soldados foram se deliciar com doce de leite na casa de uma família amiga.

Pesquisador do cangaço e escritor João de Sousa Lima

Sua vida no Cangaço não teve grandes feitos. Entretanto,  não passou despercebida. Uma foto sua é raridade. O escritor João de Souza, de Paulo Afonso, tem apenas foto da sua sepultura.

http://www.mulheresdocangaco.com.br/a-simpatia-de-mariquinha/

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O ESCRITOR JOÃO DE SOUSA LIMA ESTARÁ EM JORDÂNIA EM DEZEMBRO A CONVITE DO CASAL RUAS (TIÃO E MARTHA)


Estará em Jordânia, nos dias 04 e 05/12/2015, a convite do casal RUAS (Tião e Martha), 

Tião e Martha Ruas

o maior escritor e pesquisador do “Brasil Cangaceiro”, JOÃO DE SOUZA LIMA, lançando seu mais recente trabalho literário: LAMPIÃO, O CANGACEIRO!


Este é seu décimo terceiro livro.

Estarão também a convite do casal RUAS, Lili e Gilaene, filhas dos ex-cangaceiros, Moreno e Durvinha e Zé Sereno e Sila, consecutivamente.

Lili Conceição filha do casal de cangaceiro Moreno e Durvalina

 Gila filha do casal de cangaceiro Sila e Zé Sereno

LANÇAMENTO DO LIVRO:
LOCAL: Câmara Municipal de Jordânia
HORA: 20:00 HS.
DATA: 05 - 12 - 2015

Convidamos a todos (as) para assistir este grande momento histórico na nossa cidade.

Obrigado!
Tião Ruas e Martha Ruas

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sábado, 7 de novembro de 2015

BENJAMIN ABRAÃO – O POLÊMICO SECRETÁRIO DO PADRE CÍCERO


Ele foi tido como conterrâneo de Jesus e, por isso mesmo, um segundo enviado de Deus quando chegou a Juazeiro do Norte, no Ceará, e se apresentou como o homem que nasceu em Belém, na Terra Santa. O nome? Benjamin Abrahão. O sírio caiu nas graças do religioso mais famoso do Nordeste, o Padre Cícero, e logo se tornou seu secretário pessoal. Daí em diante, Abrahão se fez na vida. Pois, apesar de ter sido considerado um santo, soube aproveitar as oportunidades para colocar em prática as malandragens dos homens de carne e osso, chegando a ser fotógrafo particular de Lampião para ganhar uns tostões.

Esse sírio – chamado de turco pelos inimigos – chegou ao Brasil com 14 anos, em 1915. Veio fugido das perseguições do Império Otomano pela qual passava a Síria, e da ação sanguinária do general Jamal Pachá, que alistava jovens como Benjamin no Exército. Foi morar com uns parentes distantes, os Elihimas, no Recife, que por sua vez faziam a vida vendendo miudezas no comércio. Virou caixeiro-viajante e começou a explorar a credulidade do povo: contava sua vida na Terra Santa e, entre uma história e outra, vendia os produtos. 

Depois de dois anos perambulando pelo sertão, ele se deparou com um grupo de romeiros indo a Juazeiro para receber a bênção de Padre Cícero. Decidiu se juntar a eles e, quando chegou, o padre reconheceu Abrahão como diferente em meio a tantos caboclos. Porque era um indivíduo branco, meio alourado e bem mais alto que a média. 

A beata Mocinha (Joana Tertuliana de Jesus, secretária e tesoureira do padre Cícero) se aproximou, a mando do padre, para saber de onde vinha o forasteiro. O sotaque estrangeiro o denunciou e foi aclamado por todos quando disse que vinha da Terra Santa. “Padre Cícero se dirige aos fiéis e diz: meus amiguinhos, Benjamin que está aqui é conterrâneo de Jesus”, afirma o historiador Frederico Pernambucano de Mello.


Bastaram 15 dias para Abrahão se converter e ser nomeado secretário pessoal do padre. A beata Mocinha era chefe de uma ordem que tinha por objetivo arrecadar donativos para mandar aos padres que cuidavam do Santo Sepulcro na Terra Santa. A presença de Abrahão ali, então, era como uma purificação para a casa. 

O sírio foi esperto. Já no início, ele se declarou ourives e passou a cuidar das joias do religioso. Não demorou a prosperar na vida: comprou ternos de casimira inglesa e gravata de seda pura. Algumas testemunhas contavam que ele cuidava de joias belíssimas que deviam ser de Padre Cícero.

Rua de Juazeiro na década de 1920

Para Benjamim Abraão, os anos de 1917 a 1934 – tempo em que viveu ao lado do padrinho – nunca mais seriam os mesmos. Abrahão virou um homem da sociedade.A morte do Padre Cícero, aos 90 anos, fez com que Benjamin caísse em desespero. O padre era o ganha pão do sírio. Para salvar o bolso, então, ele filmou o enterro do padre para a Aba film e, malandro, abriu as portas para depois oferecer à mesma Aba film uma película (e fotos) de Lampião e de seu bando – já que desde 1930 o jornal New York Times noticiava as muitas façanhas de Lampião.

Abrahão tinha, estranhamente, uma credencial de jornalista quando chegou ao Brasil, escrita em francês. Em certa ocasião conheceu o pioneiro do cinema no Brasil, Ademar Albuquerque, que mais tarde criou a Aba Film. Conseguiu filmadora, tripé e uma máquina fotográfica e foi atrás do grupo, pois já conhecia Lampião de uma visita que o cangaceiro fez ao Padre Cícero em 1926, no Juazeiro.



Lampião não apenas fez pose para a foto como chamou o bando de todo o Nordeste para se reunir na filmagem. O resultado:  Noventa fotos de qualidade heterogênea e um filme de 35 mm (hoje restam 15 minutos dele na Cinemateca Brasileira) em que Lampião é transformado em garoto propaganda da Bayer, que patrocinou o filme. Alegremente agitado, ele diz na gravação que até Lampião usacafiaspirina quando tem dor de cabeça...

Abraão morreu em 1938, em Serra Talhada (PE), assassinado com quarenta e duas punhaladas, sem que o crime jamais viesse a ser esclarecido, tanto na autoria como na motivação, donde se especula ter sido mais uma das mortes arquitetadas pelo Estado Novo uma vez que o sírio teve seus trabalhos apreendidos pela ditadura de Getúlio Vargas, que nele viu um antagonista do regime. Mas também existe a versão de que o fotógrafo sírio-libanês teria sido vítima de um ladrão, apesar de com este nada de valor haver. 

Fontes:
Benjamin Abrahão, Entre Anjos e Cangaceiros. Frederico Pernambucano de Mello. Ed. Escrituras. 352 páginas.
Wikipédia 
Fotos Aba Film

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MUSEU DO SERTÃO EM MOSSORÓ APRESENTA AOS LEITORES DESTE BLOG CARRO DE BOI

Por Benedito Vasconcelos Mendes

No passado, o carro de boi, ao lado das tropas de burro e jumento, foram os principais veículos de carga no sertão semiárido nordestino, principalmente, para o transporte de carga pesada a longa distância. 

Os tropeiros, com seus burros, jumentos e as vezes, com cavalos, levavam em bruacas, surrões e caçuás pendurados nos paus das cangalhas a produção das fazendas para as feiras semanais das vilas e cidades sertanejas (arroz, feijão, milho, batata doce, jerimum, farinha e goma de mandioca, rapadura e outros produtos). 

As cargas pesadas e de maiores tamanhos, chegadas nos portos, vindas de outros Países em vapores (barcos), como moendas de moer cana-de-açúcar, máquinas de costura, tecidos, querosene, mármore, móveis, ferro, aço e outros materiais) eram transportadas em carro de boi. 


O sal era levado da salina em grande quantidade (cerca de 1.500 quilos) e a grande distância (por mais de 1.000 quilômetros ) em carro de boi, que às vezes, demorava meses para voltar à fazenda de origem. 

Dependendo do peso e das subidas e descidas existentes no caminho, o carreiro, o guieiro e auxiliares utilizavam carro de boi fornido, com mesa, cabeçalho e rodas grandes, com muitas juntas de bois (3, 4, e não raro, 5 parelhas de bois mansos, ou seja, 6, 8 ou 10 bois). 

Nas longas viagens, que demoravam mais de um mês, eles levavam um eixo de miolo de aroeira já pronto, como sobressalente, além de serrote, enxó, marreta, pua, formão e outros apetrechos de carpintaria, para que pudessem consertar uma roda ou mesmo fazer outra peça em plena viagem. 


Os mantimentos (rapadura, queijo de coalho, carne de charque, feijão de corda, paçoca de carne seca, farinha e muitas cabaças d'água), panelas, binga (isqueiro rudimentar) ou fósforo, rede, mudas de roupa, sabão, toalha e a espingarda e munições, para caçar e se defender dos assaltantes, não podiam ser esquecidos. Este veículo simples  de duas rodas era também utilizado nas fazendas para o transporte de madeira  (estacas, mourões, lenha etc.), material de construção, produtos alimentícios e mesmo para o transporte de passageiros da fazenda para a cidade. 

O carro de boi foi introduzido no Brasil pelos colonizadores portugueses e foi muito usado na época colonial, no império e na república, pois ainda hoje é usado em algumas regiões do Nordeste e do Centro-Oeste. É um primitivo e tosco meio de transporte de carga e de passageiros, confeccionado em vários tamanhos, com diversos tipos de madeira, dependendo da região. O diâmetro das rodas e as medidas da mesa ou lastro, determinam a dimensão das outras peças do carro de boi. 

O carapina especializado em fazer carro de boi tinha na memória as medidas de todas as peças. O eixo tinha um formato característico, com 8 faces ( oitavado ) e era feito de madeira dura e resistente ( miolo de aroeira ou baraúna ). A mesa, assoalho ou  lastro era construído de pau-d'arco ou de craibeira. As rodas eram de pau-d'arco, com aros de ferro e o cabeçalho ou cambão, de pau-d'arco, aroeira ou angico. Os aros de ferro eram colocados nas rodas, quente em brasa (incandescente) e depois resfriado com água, para se contrair e ficar justo . Os fueiros, de pau-branco, sabiá ou pereiro. 


A canga era de madeira leve e resistente como o cedro, cumaru e as vezes de pau-d'arco. O espaço reservado para cada boi na canga era limitado pelos canzis, em número de quatro, sendo dois para cada pescoço. Os canzis atravessavam a canga na vertical, de cima para baixo, de modo a formar o espaço para receber o pescoço de cada boi, separadamente. 

Nas parelhas de bois, um boi é unido ao outro pelas pontas dos chifres, pois  as pontas são furadas, para deixar passar a tira de couro cru que vai amarrar um boi ao outro, formando a junta. A canga é colocada nos pescoços dos bois da junta e presa ao cambão ou cabeçalho para puxar o carro. O guieiro usa a vara do ferrão ( vara de madeira com cerca de  dois metros e meio de comprimento com o ferrão de ferro na extremidade) para cutucar os bois. 

O carro de boi emite um som característico chamado gemido, canto ou lamento. O atrito do eixo com os mancais (chumaço e cocão) das rodas produz este som característico que é ampliado pelas ocas das rodas (dois orifícios circulares deixados em cada roda). O carreiro conduzia um chifre de boi com azeite de carrapateira, para lubrificar o eixo e diminuir o atrito e carvão vegetal em pó, para gerar o som característico do carro de boi.

Informação do http://blogdomendesemendes.blogspot.com:

O Museu do Sertão na "Fazenda Rancho Verde" em Mossoró não pertence a nenhum órgão público, é de propriedade do seu criador professor Benedito Vasconcelos Mendes.

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LAMPIÃO E SUAS ORAÇÕES..!...O Lado místico e religioso dos cangaceiros.


Ao ser assassinado na Grota do Angico-SE, em 28/07/1938 pela volante policial do então, Ten. João Bezerra, foi encontrado com o Rei do Cangaço, Patuás e DIVERSAS ORAÇÕES, dentre elas: Oração da Pedra Cristalina; Oração de Nossa Senhora de Monserrate; Oração Milagrosa do Santo Lenho, Oração para fechamento de corpo, dentre outras, as quais estão no Inst. Hist. de Maceió... Vide, abaixo, algumas delas.



Como se sabe, era rotineiro, logo de manhãzinha, LAMPIÃO e seus asseclas rezarem com o intuito de se protegerem...

Fonte: facebook

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“O LAUDO CADAVÉRICO DE UM VIVO”

Por Sálvio Siqueira

Amigos (as), falar da morte de um fora – da – Lei, é uma coisa... Falar também de seus atos, façanhas e etc., mesmo que ‘criadas’, é a mesma coisa. Pelo menos perante o grande público.

No entanto, falar das ações daqueles que tinha, antes de tudo, a farda que representa a ordem e a honra de um Estado, é outra, e bem diferente. Mesmo tendo eles, agido contra a “Lei” que representavam.


Em 13 de junho de 1927, a cidade de Mossoró, RN, é ataca por uma horda de cangaceiros chefiada pelo intrépido pernambucano do sítio Pedra, município de Vila Bela, no Leão do Norte. O resultado da luta foi que o bando de cangaceiros, depois de mais de uma hora de batalha, fugiu deixando um cangaceiro morto, o cabra conhecido como “Colchete”, e outro  gravemente ferido, o cangaceiro “Jararaca”, que seria preso um dia depois, ou seja, no dia 14. 


Atualmente, um belíssimo prédio é muito visitado naquela metrópole por ser o Museu Municipal. Anteriormente, na época do ataque, o prédio era a Cadeia Publica. Local onde o prisioneiro, José Leite de Santana, ferido na altura do tórax e outro ferimento na região glútea, mais precisamente na altura da articulação coxo-femural do membro inferior direito ( o laudo médico,  não especifica o lado do membro, então, verificando um registro fotográfico, em que o prisioneiro encontra-se sentado, notamos seu calcâneo direito um pouco erguido do solo, deixando uma nítida impressão, que seria o mesmo estar traumatizado), é ‘alojado’ e medicado.
  

O cangaceiro preso, não mostra nenhum receio perante seus captores e, muito a vontade, depois de depor, concede uma entrevista ao jornalista Lauro da Escóssia. Nela, não mede, nem dosa o que diz, relatando ‘acontecimentos’, ‘fatos’ e ‘nomes’ que não poderiam ser proferidos para a população nordestina, e, por que não dizer, brasileira.


Rapidamente são tomadas as ‘devidas’ providências para que aquele ‘delator’, ficasse calado, para sempre.

“(...)Morreu porque sabia demasiado. Conhecia os meandros do banditismo profissional e as complexas ramificações de mórbido sistema. O depoimento do canganceiro prestado à polícia de Mossoró no dia 14 de junho – associado a entrevistas concedidas a jornais em dias subseqüentes – revelou informações de fato comprometedoras. O bandido pernambucano apontou coiteiros, protetores e financiadores das extravagâncias criminosas de Lampião. Tornou notória a delinqüente conivência de poderosos. Para policia não sobrou alternativa:

- Que seja silenciado o falastrão!(...)”. ( “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE – A história da grande jornada”, DANTAS, Sergio Augusto de Sousa. Pg 286, Cartgraf Gráfica Editora. Natal, RN, 2005)


O cangaceiro, nota, talvez tarde demais, que tinha ‘caído em areia movediça’. Vendo a foice da morte escancarar-se diante de seus olhos, ainda tenta arranjar uma saída do tão profundo e negro buraco que, tendo entrado espontaneamente, tinha que sair. Pede ao carcereiro que “chame o Intendente Rodolfo Fernandes”. (FERNANDES, 197, P. 103).

Como é lógico, seu pedido não foi repassado para o Intendente.

Faltando uma hora a findar-se a noite e começo da madrugada do dia 18 para o dia 19, em frente a Cadeia Publica de Mossoró, um preso dorme profundamente quando, dois carros com vários policiais estacionam bem em frente ao prédio.

Sem delongas o preso é bruscamente acordado e escuta do policial que o acordou, que iriam para a capital do Estado.


Nesse momento, mais dois policias agarram o prisioneiro e, suspendendo-o o arrastam para fora do prédio. Naquele alvoroço todo, o preso refere que estar com os pés descalços e que, na cela, estão as suas alpercatas, que alguém pegue, pois não queria chegar à Capital sem. Alguém, dentre a escolta, diz que, lá chegando, ele lhe presentearia com um par novo.
Nesse momento, experiente como era, José Leite de Santana, deve ter percebido que seu destino, de maneira alguma, seria viajar para cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte, mas, que faria outra “viagem”.

Segue o automóvel pelas ruas desertas e silenciosas da cidade, dentro dele um “condenado” sabedor de seu destino. Rodaram, evitando os maiores logradouros e param diante daquele que seria, para sempre, o endereço do cangaceiro “Jararaca’, o Cemitério Publico.
  

Sua escolta era formada pelos “tenentes João Antunes, Laurentino de Morais e Abdon Nunes; mais os sargentos João Laurentino Soares,Pedro Silvio de Morais e Eugênio Rodrigues; mais os cabos Manoel e José Trajano; complentanto com os soldados João Arcanjo e Militão Paulo” (BRITO, 1996)


“(...) Homero Couto, o motorneiro, testemunhou ao escritor Raul Fernandes o início da execução:

O soldado do lado oposto, ( frise-se aqui, que ao descer um dos soldados puxar a perna ferida do preso, arrancando do mesmo um urro de dor), desferi-lhe  violenta coronhada de fuzil na cabeça, sem dar-lhe tempo ao mais leve gesto de defesa. Sucederam-se as pancadas. Tomavam proporções altíssimas, em meio ao silêncio da noite. Parecia que socavam terra. (FERNADES, 1985, P 2110).

Série de coronhadas caiu impiedosa sobre sua cabeça. Chegara a sua hora final. Encontrou ainda breve fio de voz para desabafar aos algozes:
_ vocês querem me matar, mas não vão me ver chorar de medo não! Nem pedir de mãos postas para não me tirar a vida! Vocês vão ver como é que morre um cangaceiro!* (Ob. Ct.)

Quando a barra do dia 19 vem formando-se o ‘Caso Jararaca’ está encerrado. Pelo menos para os mandantes, como para os autores, seria “prego batido e ponta virada” aquele assunto. No entanto, por mais que tente se esconder um crime é deixado alguma pista.

“(...) A causa atribuída à morte restou insofismavelmente escrita para a posteridade:
Projéteis de arma de fogo. Um atingido a região glútea, ao nível da articulação coxo-femural e, outro, alojado no tórax, no segundo espaço intercostal a dois dedos do externo.

E assim foi. Horas antes da execução e sob escuso pretexto de rotina, examinavam-se ferimentos de um corpo, sofridos durante uma batalha.
Logo depois se chancelava, com base em conclusões médico=legais, documento de óbito de homem ainda vivo. ”(Ob. Ct.)

O Dr° Sérgio Augusto de Souza Dantas, Juiz de Direito, em sua Obra Citada nessa matéria, em sua pesquisa para formulação do trabalho científico metodológico, na página 288, em NOTAS, na de nº 11 cita, em seu segundo parágrafo: “A data da realização do exame “cadavérico” de Jararaca é incontroversa.O documento – de indiscutível fé pública – é iniciado na forma seguinte: “Aos dezoito dias do mês de junho de mil novecentos e vinte e sete, nesta cidade de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, pelas quatro horas da tarde, no edifício da cadeia Pública  desta cidade”. Como resposta à pergunta número 2 do laudo – a qual versava sobre  o motivo que originou a morte do examinando – a explicação dos peritos foi incontroversa: “Projétil de arma de fogo”. Não há, pois, como contestar o seu conteúdo.E nem indícios de uma trama para sua execução.”

* Em nota, o autor da Ob. Ct. frisa: “Há dissenso  quanto às últimas palavras de Jararaca, mas  o sentido final é o mesmo em toda as versões existentes”.

Fonte de pesquisa:
  
O Mossoroense
“LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE – A história da grande jornada”, DANTAS, Sergio Augusto de Sousa. Cartgraf Gráfica Editora. Natal, RN, 2005

Fotos:

“LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE – A história da grande jornada”, DANTAS, Sergio Augusto de Sousa. Pgs 442,443 e 444. Cartgraf Gráfica Editora. Natal, RN, 2005.

PS// FAVOR CITAR A FONTE AO USAR A MATÉRIA OU AS FOTOGRAFIAS.

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FOTOGRAFIA DE ENEDINA COMPANHEIRA DO CANGACEIRO ZÉ DE JULIÃO “CAJAZEIRA”.


Essa fotografia foi localizada pelo pesquisador/escritor Alcino Alves Costa (in memorian) da cidade de Poço Redondo/SE, sendo a única imagem que se tem conhecimento da ex cangaceira Enedina em vida.

Enedina era casada com Zé de Julião “Cajazeira” e após o ingresso deste no cangaço, passou a acompanha-lo, permanecendo ao lado do marido até o dia de sua morte ocorrida em 28 de julho de 1938, ocasião em que foram mortos Lampião, Maria Bonita e outros oito companheiros.

A outra fotografia de Enedina que temos conhecimento é a de sua cabeça decepada ao lado das cabeças de seus demais companheiros de cangaço, mortos em Angico.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

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