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sábado, 12 de outubro de 2019

VEM AÍ O MEMORIAL CASA DE CAPISTRANO DE ABREU POR ACLA


Paulo Neves e Manoel Severo diante do alicerce da Casa de Capistrano de Abreu
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João Capistrano Honório de Abreu; o Príncipe dos Historiadores Brasileiros;  nasceu na  cidade de Maranguape no estado do Ceará no dia 23 de outubro de 1853; no sítio Colominjuba, cerca de 15 km da sede do município. Capistrano de Abreu realizou seus primeiros estudos em rápidas passagens por várias escolas para em 1869, viajar para Recife, onde cursou humanidades e retornando ao Ceará dois anos depois fundou a Academia Francesa, órgão de cultura e debates, progressista e anticlerical, que durou de 1872 a 1875. 

Capistrano de Abreu, o "Príncipe dos Historiadores Brasileiros"

Capistrano de Abreu mudando para o Rio de Janeiro onde foi aprovado em concurso público para a Biblioteca Nacional. Em 1879, foi nomeado oficial dessa mesma Biblioteca, lecionou Corografia e História do Brasil no Colégio Pedro II e foi nomeado por concurso em que apresentou tese sobre O descobrimento do Brasil e o seu desenvolvimento no século XVI. Capistrano dedicou-se ao estudo da história colonial brasileira, elaborando uma teoria da literatura nacional, tendo por base os conceitos de clima, terra e raça, que reproduzia os clichês típicos do colonialismo europeu acerca dos trópicos, invertendo, todavia, o mito pré-romântico do «bom selvagem». Por seu talento invulgar, dedicação e pela grande Obra, foi considerado o "Príncipe dos Historiadores Brasileiros". Capistrano de Abreu ; membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), patrono da cadeira 15 da Academia Cearense de Letras e da cadeira 23 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, morreu no Rio de Janeiro, aos 73 anos, em 13 de agosto de 1927. 
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ACLA, diante do Obelisco do Centenário do alicerce da Casa de Capistrano de Abreu
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Para celebrar e resgatar a memória do maior historiador brasileiro, nasce há 27 anos a ACLA - Academia De Ciências Letras e Artes De Columinjuba ; sob ideia de Américo de Abreu; com sede na mesma Colominjuba de Capistrano , assumia o desafio desse resgate. Com ela o sonho , a dedicação e o trabalho de abnegados defensores de sua memória e obra do "Príncipe dos Historiadores Brasileiros". Tempos depois nasce o projeto do Memorial Casa de Capistrano de Abreu; projeto ousado de reconstrução da Casa Original de Capistrano de Abreu em sua Colominjuba.
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 Mesa solene da Reunião da ACLA, no"maravilhoso barracão da obra" da construção da Casa de Capistrano de Abreu
Presidente da ACLA, Paulo Neves
Odaílson da Silva, Manoel Severo, Pedro Abreu e Moreira Lopes

Na manhã deste último domingo, dia 29 de setembro de 2019, sob a presidência de Paulo Neves, aconteceu a Reunião Itinerante da ACLA, bem diante do Obelisco que celebra o 1º Centenário de Capistrano de Abreu e bem diante dos primeiro alicerces da reconstrução da Casa Memorial Capistrano de Abreu. "Essa presente reunião deste domingo da ACLA, neste maravilhoso barracão da obra da reconstrução da Casa de Capistrano de Abreu, bem no meio de nosso sertão amado é mais uma demonstração da visão, do entusiasmo e dinamismo de nosso querido Paulo Neves, avante !" ressalta Manoel Severo Barbosa.
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 Emanuela Honório e Karine Coelho em momento solene de Juramento
Karine Coelho e Odaílson da Silva
Alonso Hygino e esposa com a filha, Emanuela
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A reunião marcou a apresentação por parte do Sodalício das primeiras obras referentes à reconstrução do precioso imóvel, à frente a Comissão da Obra, que conta com o presidente da ACLA, Paulo Neves, os engenheiros Walter Veloso e Francisco Moura, além de Pedro Abreu, acadêmico, ex-presidente e representante da família. "A ideia é já inaugurarmos a primeira etapa da obra ainda no primeiro semestre de 2020" comenta um dinâmico e entusiasmado Paulo Neves.

Na oportunidade a ACLA promoveu a posse de mais duas integrantes; a escritora Karine Coelho que assumiu uma das cadeiras de Letras da referida academia e a jovem Emanuela Honório, a primeira a ocupar uma cadeira do sodalício destinada aos membros juvenis.

 Capistrano de Abreu e Manoel Severo
Manoel Severo e Paulo Neves e os alicerces da Casa de Capistrano de Abreu

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A ACLA - Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba foi criada em 21 de junho de 1992, no Sítio Columinjuba, na cidade de Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza. A data de sua inauguração homenageia o nascimento de Antonio de Abreu, primeiro dentre os Patronos a ter um livro publicado. Seu primeiro presidente foi o intelectual Américo de Abreu, escolhido por suas virtudes, raras qualidades e reconhecido saber cultural. Por ocasião de criação deu-se a solenidade de posse da primeira Diretoria Executiva e do seu Conselho Fiscal, além da posse dos primeiros Membros Titulares da ACLA, assim, plantada a semente de um sodalício em um aprazível local, berço de figuras exponenciais cujas principais virtudes sempre foram a honra, a disposição para o trabalho e, principalmente, o sentimento de fraternidade.

Reunião da Acla
Sitio Colominjuba de Capistrano de Abreu
Maranguape, CE 29 de Setembro de 2019 


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PAPA APROVA OFICIALMENTE MUDANÇA NA ORAÇÃO DO PAI NOSSO


O Papa Francisco aprovou oficialmente uma mudança na oração do Pai Nosso, descrita em Mateus 6:13, que substitui o trecho “não nos deixes cair em tentação” por “não caiamos em tentação”.

Segundo informações do site uCatholic, o Vaticano promulgou a mudança no dia 22 de maio, durante a Assembleia Geral da Conferência Episcopal da Itália.

O Papa acredita que a nova versão é melhor porque a primeira tradução implica que Deus leve as pessoas à tentação, uma ação que é contra a sua natureza como um Deus bom e santo.

“Um pai não faz isso, um pai ajuda você a se levantar imediatamente”, disse Francisco sobre o versículo em questão. “É Satanás quem nos leva à tentação, esse é o departamento dele”.

Durante anos, os cristãos lutaram com o significado real por trás de “não nos deixes”. Depois de mais de 16 anos de estudo, alguns pesquisadores bíblicos dizem que uma melhor tradução da escritura seria: “Não nos abandones quando formos tentados”.

O falecido teólogo Charles Spurgeon explicou durante um sermão em 1863 que a palavra “tentação” em Mateus 6:13, na verdade, contém dois significados: tanto a tentação do pecado como das provações e tribulações.

Embora Spurgeon concorde que Deus não nos tenta, ele argumenta que Deus nos envia provações e situações em que a tentação para com o pecado está sempre presente.

“Deus não tenta homem algum”, disse Spurgeon. “Para Deus, tentar no sentido de atrair ao pecado [é] inconsistente com a Sua natureza, e totalmente contrário ao Seu conhecido caráter. Mas para Deus, nos conduzir para os conflitos com o mal que chamamos de tentações, não é apenas possível, mas é habitual”.

A Igreja Católica está usando a Vulgata — a tradução para o latim da Bíblia — para tentar determinar o melhor fraseado. Mas Spurgeon argumentou em seu sermão que ele acredita que a versão original grega, que diz “não nos deixes”, é a melhor.

O Dr. Corne Bekker, da Escola de Divindade da Universidade Regent, em Virgínia (EUA), concorda com a análise de Spurgeon. Ele disse à CBN News que acredita que a grande questão é: “Qual é o propósito da tentação?”

“Deus permite que sejamos tentados, e eu acho que duas coisas acontecem: nós nos conhecemos um pouco melhor e, é claro, aprendemos que não temos nenhum recurso contra o pecado. Mas o mais importante é que conhecemos o próprio Deus. Nós temos que lembrar a próxima frase na oração do Pai Nosso — ‘mas livra-nos do mal’. Ele é capaz de fazer isso”, explicou Bekker.

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Parece que o "Papa" ainda não percebeu que o "Pai Nosso" não é como qualquer coisa que se pode mudar a hora que quiser. O "Pai Nosso" é bíblico com um tempo de mais de 2.000 anos. Mudar qualquer ensinamento da bíblia é mostrar às nações do mundo que ela é apenas um livro literário com criações de bons escritores.

Cuidado Papa Francisco, para não menospresar os ensinamentos de Deus e de Jesus! Na bíblia está escrito que ai daquele que mudar uma palavra dela! Qualquer mudança feita pelo homem de hoje menospresa a real história bíblica.


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A MORTE E A MORTE DE DELMIRO GOUVEIA


Por Vandeck Santiago
Publicado no Diário de Pernambuco em 10/10/2017

Hoje faz cem anos da morte de um nordestino que sonhou com um Nordeste industrializado e desenvolvido. Na luta para concretizar o seu sonho, enfrentou oligarquias estaduais, brigou com empresa estrangeira, agrediu a golpes de bengala o político mais poderoso de Pernambuco na época (Rosa e Silva, em 1899), desafiou coronéis da região e abriu uma fábrica no Sertão alagoano que transformava camponeses e ex-flagelados da seca em operários, e os tratava como cidadãos. Não podia acabar bem. Por volta das 21h de 10 de outubro de 1917, quando lia jornais na varanda de casa, foi morto a tiros de rifles, disparados por pistoleiros. Nunca se descobriu o mandante, ou mandantes, do crime.

Delmiro Gouveia — este era o seu nome — morreu cedo (tinha apenas 54 anos), mas deixou em torno de si uma série de imagens míticas, como a de pioneiro do desenvolvimento do Nordeste, de mártir da luta contra o imperialismo e de pobretão (órfão de pai e mãe, ex-vendedor de passagens em trem) que fizera fortuna graças ao próprio esforço.

Nasceu em 1863, em Ipu, interior do Ceará. Perdeu o pai aos 5 anos. Sua mãe migrou para Pernambuco, trabalhou como empregada doméstica e morreu pouco tempo depois. Ele tinha 15 anos. Nenhum lugar do mundo é bom para um órfão de pai e mãe, nessa idade — muito menos o Recife da segunda metade do século 19. Mas Delmiro Gouveia contrariou o destino esperado para alguém na situação dele. A história registra um dos seus empregos — o de cobrador de trem. Mais tarde, a origem humilde seria alvo de zombaria dos seus adversários ricos.

Nas suas viagens ao interior, teve o seu faro empreendedor despertado para produtos típicos da região, peles e couros de bode, cabra, carneiro. Tornou-se comerciante desses produtos, e conseguiu chamar a atenção de uma firma americana, com quem fez sociedade, passando a exportar os couros dos bichos para Europa e Estados Unidos, onde eram itens cobiçados. Saía de cena o órfão pobre de Jó, e entrava “o empresário jovem, elegante e charmoso que despontava no mundo dos negócios”, segundo expressão da professora da USP Telma de Barros Correia, autora de uma das muitas obras que narram a vida de Delmiro (Pedra: plano e cotidiano operário no Sertão, lançado em 1998, pela Editora Papirus).

Em 1899, aos 36 anos, ele inaugura o Mercado do Derby — se o leitor, ao ler este nome, imaginou (com todo respeito) carnes, moscas, frutas e caldo de cana espalhado por todo o recinto, permita-me dizer que está completamente enganado. O de Delmiro reunia um centro de comércio, hotel, velódromo e parque de diversões. Sim, nele se comercializava alimentos, mas também itens sofisticados, tecidos, calçados, louças, jornais, livros. Sua concepção o aproximava “do conceito do shopping center atual”, e quem diz isso não é um pernambucano bairrista, e sim a professora da USP, Telma Correia. Há também outro testemunho insuspeito de bairrismo — o da escritora americana Marie Robinson Wright, que o descreveu no livro The New Brazil (1890): “(...) Um dos melhores hotéis da América do Sul, o Hotel do [Mercado] do Derby é um dos maiores estabelecimentos do seu tipo, no Brasil, e está equipado para os amplos negócios que diariamente são nele realizados”.

Nos conflitos entre Delmiro e governantes locais, o Mercado acabou pagando o pato: foi incendiado pela polícia, em 1890. Três anos depois, Delmiro mudou-se para Alagoas. Comprou uma fazenda no Sertão alagoano, no povoado de Pedra (atual município de Delmiro Gouveia, a 300 km de Maceió). Lá idealiza a construção de uma fábrica de linhas de costura — não havia nenhuma no Brasil. Para isso precisava antes de energia elétrica. Em 1913 ele implanta uma usina hidrelétrica próxima à Cachoeira de Paulo Afonso (BA) — e daí sai a energia para a fábrica em Pedra.

No auge do funcionamento, a fábrica tinha 2.000 funcionários, submetidos a jornada de 8 horas de trabalho e com creches para os filhos. O empreendimento tinha outra experiência inovadora: uma vila operária, formada de casas de alvenaria. A comunidade vivia sob rígidos códigos de higiene (as ruas e as casas tinham de estar sempre limpas; era proibido cuspir na rua) e conduta (quem “mexesse” com as mulheres operárias, era “punido” com o casamento obrigatório). Cuidava-se também do lazer dos trabalhadores: havia sessões de cinema, bailes, pista de patinação, campo de futebol e parque de diversões.

As inovações de Delmiro Gouveia para o Nordeste morreram com ele, na tocaia. “E o que se vê, em 1917, naquele tenebroso 10 de outubro”, diz o historiador pernambucano Frederico Pernambucano de Mello, que cunhou a melhor definição sobre o assassinato dele, “é nada menos que a morte do futuro pelas piores energias do passado”.

Foto: Arquivo/DP
* O texto acima retrata única e exclusivamente a opinião do autor.


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LUTO NO JORNALISMO MOSSOROENSE



O grupo Relembrando Mossoró toma conhecimento da morte prematura do grande amigo e jornalista JOÃO CARLOS DE BRITO, o mesmo trabalhava na TV Cabo Mossoró, nossos sentimentos aos familiares e amigos. VÁ EM PAZ AMIGO.


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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

PINTO DO MONTEIRO...


Por Guilherme Machado

Pinto do Monteiro. Um cantador violeiro. Se alista nas forças volante de Pernambuco para a persiga de Lampião e seu bando. Foi na cidade de Floresta do Navio PE em 1928.

Severino Lourenço da Silva Pinto conhecido como Pinto do Monteiro (Carnaubinha, município do Monteiro. Nasceu em 21 de novembro de1895. Faleceu em 28 de outubro de 1990). Foi um poeta popular, compositor, cantador e improvisador brasileiro. Filho de uma doméstica com um tropeiro, chegou a trabalhar como vaqueiro, vendedor de cuscuz, auxiliar de enfermagem e guarda do serviço contra a malária. 

Foi também soldado no combate aos bandos de cangaceiros de Lampião casou-se quatro vezes e aprendeu a ler e a escrever já depois de adulto. Para só assinar seu nome para alguns benefícios Sociais. Este foi o Bardo do Cariri o Repentista Pinto do Monteiro o imbatível.


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FOI NESSA CASA QUE LAMPIÃO SE ABRIGOU AO ENTRAR NO RN EM 1927

Curiosidades da trajetória história do cangaço 
Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi

A casa que fica no sítio baixio, no pé da Serra de Luís Gomes, pertencia a familiares dos cangaceiros Massilon Leite e Pinga-fogo. Massilon era ‘os olhos e ouvidos’ do líder pelas bandas do sertão potiguar. Era ele o responsável por guiar os homens do cangaço no plano de atacar a cidade próspera de Mossoró.

A recepção durou pouco. Quando amanheceu os cangaceiros se embrenharam na caatinga. Galoparam por veredas, saquearam fazendas e fizeram prisioneiros. Na Fazenda Nova, onde hoje é o município de Major Sales, até o padrinho de Massilon, coronel Joaquim Moreira foi sequestrado. Na fazenda vizinha de Aroeira, onde hoje é a cidade de Paraná, eles fizeram mais uma refém: a senhora Maria José foi levada pelo bando que seguia despistando a polícia e invadindo propriedades. “A passagem do bando de Lampião pelo RN está qualificada como banditismo, pois tem casos de assalto, assassinato e uma novidade que até então não tinha aqui que era o sequestro”, explicou o pesquisador Rostand Medeiros que já fez o mesmo trajeto de Lampião no RN algumas vezes. “Depois desses ataques na manhã do dia 10, o bando continuou subindo e praticando todo tipo de desordem”, lembrou.

Para seguirem sem alardes os cangaceiros evitavam a passagem por centros urbanos mais desenvolvidos e desviavam de estradas reais, aquelas por onde passava o gado e o movimento era maior. O objetivo era evitar confrontos para não desperdiçar munição e nem perder homens, já que ainda tinha muito caminho até Mossoró

Mapa mostra o percurso feito por Lampião em terras potiguares — Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi.

Mapa mostra o percurso feito por Lampião em terras potiguares — Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi.

Mais ataques.

Na tardinha do dia 10 de junho de 1927 o grupo chegava na Vila Vitória, território que hoje pertence ao município de Marcelino Vieira. No povoado ainda é possível encontrar casas remanescentes da época, e algumas até com sinais da violência praticada pelo bando. Na casa de dona Maria Emília da Silva, por exemplo, eles deixaram marcas de boca de fuzil. Era comum bater com as armas na madeira para assustar os donos da casa. “Eles só foram embora quando viram o retrato de Padre Cícero. Onde tinha retrato de Padre Cícero ele não fazia nada”, contou.

Na comunidade vizinha os cangaceiros saquearam a casa onde mora dona Terezinha de Jesus. A casa é antiga, do ano de 1904, mas ainda mantém a estrutura da época. A aposentada conta que o pai avistou de longe quando o bando chegava, mas não teve tempo de fugir. Na casa, eles procuraram joias, armas e dinheiro. “Eles iam a cavalo e armados. Papai dizia que para montar era um serviço grande porque estavam pesados com armas”, disse Dona Terezinha ao mostrar o quarto dos fundos onde ficam guardados os baús alvos dos cangaceiros. “Deixavam as roupas tudo no chão. Jogavam tudo atrás de dinheiro. Aí dinheiro não tinha. Naquela época era difícil, né? Mas se achassem podiam levar. Era o que diziam”, contou dona Terezinha enquanto acendia a lamparina para mostrar os objetos preservados.

Depoimentos de testemunhas e vítimas da vila Vitória compõem o processo contra Lampião que tramitou na Comarca de Pau dos Ferros.


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A PEIA DO CANGACEIRO TEIMOSO


Por João Filho de Paula Pessoa‎



Na Passagem de Lampião pela cidade de Jardim/CE., em 1927, onde foi bem recebido pelas autoridade locais, não cometeu crimes, não mexeu com a população, comeu, bebeu, fez compras, jogou moedas para as crianças, foi à uma oficina e serrou o cano de um fuzil, testou atirando e derrubando um urubu de uma árvore e foi acoitado

Ao chegar a noite, mandou seus homens se reagruparem no acampamento numa fazenda e fez a contagem do bando, verificou que faltava um cangaceiro, um novato que tinha ingressado no grupo recentemente, na passagem por Juazeiro do Norte e mandou outro cangaceiro procurá-lo e trazê-lo ao grupo, sendo que este estava bebendo na bodega e disse que não iria naquele momento. E assim seu recado foi dado a Lampião que imediatamente mandou selar seu cavalo e foi ao encontro do desobediente no bar. Lá, ordenou-lhe que levantasse e caminhasse em direção ao grupo, chicoteando-lhe por todo o percurso.

No coito amarrou-lhe à uma árvore, açoitando-o de vez em quando para morrer na peia. Mais tarde chegou Cazuza de Pajeú amigo e conterrâneo de Lampião e pediu pela liberdade do jovem rapaz, sendo atendido.

O cangaceiro teimoso, em carne viva, foi tratado na farmácia e logo depois foi embora, desaparecendo completamente, para nunca mais se ter notícia dele. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.)


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A VINGANÇA DO REI DO CANGAÇO

Por José Mendes Pereira


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REMINISCÊNCIAS DA CANGACEIRA DADÁ..!


Por: Oleone Coelho Fontes / escritor...Matéria publicada no jornal da SBEC, em 2011.


A primeira vez que vi Dadá estava na companhia do saudoso escritor (figura lírica) Álvaro de Sá Nunes Meira, na porta do edifício Thêmis, Praça da Sé. Ela se retirava do prédio, arrimada as suas muletas, e Álvaro disse que aquela senhora fora casada com um homem historicamente importante. Homem historicamente importante! A história tem destas, tanto consagra o grande homem quanto o "grande homem pelo avesso".

O grande homem a quem Álvaro Meira se referia fora eleito perante a história pelo nome de Cristino Gomes da Silva Cleto. Atendia pela alcunha de Corisco ou Diabo Louro. A mulher apontada, por Álvaro Meira, era Sérgia da Silva Chagas, esta semana falecida aos 78 anos.

Lá estive, no cemitério jardim da saudade, para levar meu último abraço a quem soube viver com dignidade, com elegância e com alegria, mesmo quando nas hostes de Corisco, o cangaceiro que dizem ter sido malvado e sangrento. Enquanto não tinha lugar o sepultamento, compusemos, o cronista e Francisco Teles (também grande amigo de Dadá), reminiscências de uma vida voltada para fuga e tiroteio nas caatingas. Sim, porque toda a conversa de Dadá sempre terminava caindo em Corisco, a quem ela amou desde os 13 nos. Amor que resistiu à morte do Demônio Ruivo e que o cineasta Zé Umberto garante ter sido assassinato, uma vez que Corisco, quando perseguido, já tinha sido anistiado. Mataram-no á procura dos 30kg de ouro que ele carregava na patrona e do muito dinheiro amealhado no papo-de-ema.

Francisco Teles, homem de letras, fundador e presidente da Federação Baiana de Escritores, um dia, faz muitos anos, me apresentou ao segundo marido de Dadá, Alcides Bartolomeu Serafim Chagas. Apertei a mão daquele vulto esguio, assarazado e disse: "É um prazer conhecer o capitão Corisco!" Alcides pulou como um gato, olhos esbugalhados: "Que Corisco, meu chapa, sou Alcides, seu criado, pintor de paredes".

Só anos mais tarde fui conhecer Dadá pessoalmente, ela já morando na Mussurunga. Mas quando ela vivia no Barbalho acontecia de eu cruzar por sua porta e vê-la, e soltava um grito: "Dadá!", que ela respondia com um aceno e outro berro. Me lembro do dia em que bati em sua porta, na Mussurunga, na companhia de Sérgio Valente Coni Moura. Fomos muito bem recebidos por Dadá, que muito conversou de sua vida, suas dificuldades, seus amigos, seus filhos, netos e bisnetos. E fatalmente a conversa rolou para o cangaço. Quando ela falava de Corisco se transformava. Corisco fora a peça mais importante de sua vida, a quem ela deu amor sempre. E sempre tinha um argumento para defendê-lo quando apontávamos este ou aquele episódio no qual o Demônio Ruivo fizera jorrar sangue, como o caso de Herculano Borges. Daquele longo bate papo num sábado à tarde, sobrou a lembrança de uma terrível dor de cabeça e uma grande amizade que não terminou com a morte de Dadá. Segundo Cascudo, as pessoas que nos merecem afeto continuam vivas sempre em nossos corações e mentes, independentemente de morrerem ou desaparecerem de nosso campo visual.

Obs: Artigo publicado no Jornal da SBEC (2011)


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LIMA, EDUARDO. ENAMORADOS. 10.OUT.2019. ÓLEO SOBRE TELA, 80CM X 100CM.



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FILME "O CANGACEIRO" COMPLETO


Por Volta Seca

ASSISTA...O FILME COMPLETO.." O CANGACEIRO "... Ganhador de prêmio no Festival de Cannes - França ( 1953) ...

Atores: Milton Ribeiro, Vanja Orrico, Adoniran Barbosa (cantor). e, grande elenco...

Direção: Lima Barreto. (morreu na miséria)
Diálogos : Grande escritora Rachel de Queiroz ...
Figurino : Caribé... (Pintor baiano)

OBS: Filme de cangaço de maior bilheteria no Exterior, vendido seus direitos autorais, por uma micharia...


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UM MOMENTO HISTÓRICO DO CANGAÇO..!

Por Volta Seca

1º)Tente dizer do que se trata o momento da respectiva foto, bem como, identifique os personagens numerados de 1...a...4 .

2º) Em que data esse fato aconteceu e, onde foi ?

Foto: Jornal " A Tarde ".


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A MORTE DE LAMPIÃO



Apresentação em tema: "Capítulo VI A morte de Lampião Aquêle ôlho terrível que nos fitava no fundo da história do sertão..."— Transcrição da apresentação:

2 Capítulo VI A morte de Lampião Aquêle ôlho terrível que nos fitava no fundo da história do sertão...

3 Lampião põe Luis Carlos Prestes para correr do Ceará Virgulino Ferreira da Silva, o Capitão Lampião, que juntamente com seu braço direito Cristino da Silva Cleto, o Capitão Corisco, que receberam a missão do padre Cícero Romão Batista através de seu porta voz Floro Bartolomeu, de combater a coluna Prestes. Prestes, quando soube que o Capitão do nordeste se encontrava preparado para o enfrentamento, mudou a rota e partiu em retirada sendo perseguido por Lampião que o obrigou a fugir, a fim de não ter que passar pelo vexame de ser derrotado e humilhado pelo Capitão do Sertão. Corisco/Lampião.

4 Alguns argumentos em prol do envenenamento Depoimento espontâneo e corajoso do coronel JOSÉ ALENCAR DE CARVALHO (Senhorzinho Alencar), oficial reformado da Polícia Militar de Pernambuco, que durante dez anos enfrentou Lampião em combates memoráveis: — "Essa questão de envenenar Lampião era velha. Vendo, dia a dia, agravar-se o problema do cangaço, os chefes de volantes queriam acabar com o terrível bandoleiro de qualquer maneira.. A ordem que vinha de cima (Getúlio), era para liquidar com ele. Desconfiado, ligeiro, ágil como cabrito novo, Lampião escapava sempre dos cercos da polícia. Daí a solução rápida, embora ilegal: a morte pelo envenenamento. E muitos chefes de volantes pensaram assim:

5 - MANUEL NETO, dos mais heróicos combatentes contra o cangaceirismo, procurou comprar coiteiros para envenenar Lampião. “Eu mesmo, certa vez, prometi vultosa fortuna a uma velha, da inteira confiança de Virgulino, se ela fizesse o Rei do Cangaço beber de um vinho que eu lhe dera ". - Dois episódios em que o coronel Alencar, provando que ninguém jamais pegou Lampião desprevenido, corrobora o propósito geral de matá-lo com veneno: a) "Sabendo que ele (Lampião) tinha desejos de pegar um seu inimigo, fiz do mesmo uma espécie de cobaia. Coloquei-o na fazenda de certo parente de onde ele passou a mandar insultos e recados a Lampião, convidando-o a brigar. A resposta do bandoleiro foi esta: — "Você está muito fácil. Aguardo uma oportunidade mais difícil". Como se adivinhasse que ali perto eu me achava, pronto para atacá-lo pela retaguarda.

6 b) "De outra vez, no encalço de Lampião, encontrei-me com um vaqueiro que disse saber onde ele estava escondido. Numa casa abandonada, a dez léguas dali, ele tratava de Antônio Rosa, um de seus cabras de confiança, atacado de febre. Guiados pelo vaqueiro, andamos toda a noite. Ao amanhecer, estávamos diante da casa. Mas, que surpresa! As árvores próximas estavam crivadas de balas. Xique-xiques e mandacarus decepados por forte tiroteio. Soube, tempos depois, que a sentinela de Lampião, despertada alta noite por um barulho que vinha do mato, alertou o bando. Abriram tiroteio cerrado e terminaram por fugir. A causa do barulho: um bode que pastava nas proximidades. Foi um simples bode, mas podia ser a volante. Lampião não facilitava nunca". 2. Em PARIPIRANGA, BA, a polícia envenenara toda a comida que Lampião, acampado perto dali, mandara comprar. Somente no dia seguinte iria ele mandar dividir esses mantimentos com os cabras. De manhã, porém, a polícia, em erro de tática, vexou-se em atacá-lo, travando-se tiroteio. Descoberto que a comida estava envenenada, Lampião bateu em retirada deixando-a aos soldados...

7 3. Pouco tempo antes de Angico havia João Bezerra afirmado a Mane Neto que iria exterminar Lampião a veneno. Pondo de lado o despeito de Mane Neto em não ter podido jamais matar nenhum dos irmãos Ferreiras, os quais, ao contrário, lhe mataram quinze nazarenos, sendo nove familiares, o certo é que, na polêmica mantida na imprensa entre esses dois oficiais, terminou João Bezerra confirmando que "nenhum governo estipulou a espécie de morte que seria aplicada a Lampião". Depois veio ele querendo escamotear dizendo: — "Envenenar Lampião teria sido um prazer, se tivesse tido essa grande oportunidade!" 4. PEDRO CÂNDIDO esteve badalando que botou veneno (Cf. Adendo II).

8 5. O cangaceiro Zé Sereno, em entrevista ao Correio da manhã, do Rio de Janeiro, a 28 de julho de 1971, caderno Anexo, recordando a tragédia de Angico, assim se exprime: — "O, coiteiro (Pedro Cândido) chegou com os alimentos envenenados a mando da volante, menos três litros de pinga que, normalmente, ele próprio, o coiteiro, deveria ingerir em pequenas doses para provar sua confiança (...) minha suspeita com Pedro de Cândido confirmou-se depois que ele se foi (...) Apanhei um LITRO DE VERMUTE Cinzano e notei um pequeno buraco na rolha, pro­vavelmente feito por uma seringa. Chamei Lampião e disse-lhe: — “O SENHOR É CEGO DE UM OLHO, MAS PODE VER QUE ESTA BEBIDA ESTÁ ENVENENADA"'.

9 6. Padre José Kehrle ouviu o SOLDADO VICENTE, integrante da volante de Angico, afirmar — "Até com juramento!" — que Lampião fora envenenado. 7. José Francisco do Nascimento, vulgo ZEZINHO BARBA AZUL, casado em Catende, PE, donde é natural, atualmente residindo em Caruaru. Origem curiosa de seu apelido: deixou a mulher que prevaricara e foi arranjando outras até completar o número de seis, incluindo a esposa. Com o caso da perda da esposa, perdera também o medo do que quer que seja e adquiriu a tal coragem motivada pelo estado de desespero em que ficara. Em certas ocasiões, chegou a brigar com Lampião perto, enquanto seus "colegas de farda se mijavam de medo"! Afirmando enfim, "com toda a certeza", que Lampião não foi morto a bala.

10 8. O coronel SENHORZINHO ALENCAR, após ouvir minucioso relato de um ex-volante de Angico e de examinar cuidadosamente o fato, declarou de público: — "Acredito firmemente na hipótese do envenenamento de Lampião". 9. O tenente ANICETO RODRIGUES, um dos principais componentes da Tragédia de Angico, igualmente levantou suspeição (daí por que João Bezerra omite seu nome no livro Como dei cabo de Lampião). 10. O coronel LUCENA, fugindo a um inquérito, que seria contundente, para decidir a questão, saiu-se com esta: — "É tarde demais!" (cf. mais adiante, Adendo II b).

11 11. Os onze cadáveres foram encontrados numa área apenas de vinte e cinco metros quadrados, não havendo sinal de terem sido arrastados por ali. Indício de que, reunidos para o café, foram ao menos mais da metade dos cangaceiros, caindo envenenados dentro desse reduzido espaço. Em luta teriam sido mortos sim, mas dispersos. Por isso o coronel MANUEL NETO em carta aberta na imprensa: — "Não acreditei e continuo desacreditando, porém, na possibilidade de haver sido Lampião e seu grupo, abatidos como porcos, num único combate e no mesmo chiqueiro, registrando-se, apenas, uma baixa na tropa que o enfrentou". E concluía: "Lampião não era um covarde, um inexperiente para se deixar abater tão facilmente...“ 12. Assim, também, o historiador sertanejo ULISSES LINS, tão escrupuloso da verdade: "... para que todos fossem mortos a bala, fora necessário todos juntos... como passarinhos na bebida..."

12 13. Outro historiador, RODRIGUES DE CARVALHO, no seu livro Serrote preto, é pelo envenenamento. 14. ANTÔNIO SILVINO, velho cangaceiro muito experimentado, não acreditou em combate e até pilheriou dizendo que Lampião e seus homens estavam "dormindo"... 15. URUBUS MORTOS. Sob a orientação dos professores drs. José Joaquim de Almeida e Aníbal Firmo Bruno, formou-se, na Faculdade de Direito do Recife, uma comissão de estudantes segundanistas do curso de bacharelado, a qual, para conseguir facilidades em Alagoas, tomou o nome de Comissão Acadêmica Coronel Lucena, com a finalidade de visitar e estudar os resultados da Tragédia de Angico in loco. Compunha-se a caravana de seis acadêmicos: Edson Cantarelli Caribe (presidente), Wandenkolk Wanderley, Plínio Inácio de Sousa, Haroldo de Melo, Décio de Sousa Valença e Alfredo Pessoa de Lima. A este incumbia apresentar ao interventor de Pernambuco o relatório da missão. Agamenon Magalhães arranjou as passagens, ida e volta, de trem, a Maceió. Edson voltou de Quipapá, alegando não poder fazer face a certas despesas, enquanto os outros prosseguiram, chegando, no mesmo dia 3, a Maceió, onde entraram, de imediato, em entendimento com as autoridades.

13 Partiram dali em caminhão que levava tropa. Viagem sacrificosa e morosa por estradas carroçáveis, em péssimas condições de conservação, no itinerário de Santana de Ipanema, Pão de Açúcar (onde dormiram na casa do delegado Tenório) e Entremontes, e daí para Angico, em canoa e a pé, como ainda hoje. Nove dias fazia que os cadáveres estavam insepultos! Não se contendo de indignação o ardoroso Alfredo Pessoa de Lima improvisou ali mesmo uma espécie de discurso libelo muito comovente censurando aquele "crime da polícia". Deixando de lado o Relatório desse acadêmico (trechos publicados no Caderno acadêmico, setembro de 1942, p. 97-111), vazado em rebuscada linguagem eivada de pruridos das teorias lombrosianas tão em moda na época, o que mais importa é seu depoimento pessoal como testemunha ocular: — "Lampião e seus sequazes foram envenenados. A prova peremptória está nos urubus mortos junto aos corpos putre jactos". Outro acadêmico que, junto com Décio Valença, vencendo a repugnância, se aproximou mais do local para observar melhor. Wandenkolk Wanderley, chegou à mesma conclusão. Mais de vinte anos depois, esse destemeroso advogado criminalista, provocado em debate, declarava:

14 — "Eu vi com meus próprios olhos, visitando o local, alguns urubus mortos, cinco ou seis, caídos junto aos corpos dos cangaceiros. Devorando as víceras dos bandoleiros (ou os alimentos envenenados), eles também se envenenaram pelo arsênico". E, concluindo: — "A versão dada pela polícia do então tenente João Bezerra não passaria de conversa preparada para iludir crianças. O tal combate não se teria registrado, uma vez que os cangaceiros não podiam mais resistir. Chegando ao esconderijo de Lampião, os soldados teriam encontrado homens moribundos, morrendo sob o efeito do arsênico. Tiveram apenas o trabalho de acabar de matá-los, degolando-os em seguida".

15 16. Mas, antes dessa comissão de acadêmicos, quem primeiro esteve no coito de Angico foram o repórter Melquiades da Rocha e o fotógrafo Maurício Moura, enviados do jornal A noite, do Rio, os quais encontraram os corpos decepados e os urubus mortos. Mais interessante ainda é que encontraram um vidro contendo pó amarelo. O médico do 2º Batalhão de Policia de Alagoas, dr. Arsênio Moreira, verificou que era estricnina. Remetido para o Rio, o chefe do gabinete de Investigações e pesquisas científicas da Polícia, Antônio Carlos Vila Nova (atual diretor da Polícia Técnica de Brasília, ano de 1962), confirmou o veneno — estricnina! O frasco, talvez, caído inadvertidamente do bolso de Pedro Cândido. Daí sua grande preocupação se o plano falhasse.

16 17. "VOX POPULI"... O autor deste trabalho, nomeado vigário de Tacaratu de 1942 a 1945, percorrendo aquela região toda — de Itacuruba ao vale do Ipanema, das catingas do Navio e Moxotó às ribeirinhas cidades de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu e Própria, dos vastos sertões baianos, a começar de Juazeiro, passando por Curaçá, Chorrochó, Jeremoabo e Glória, ao pequeno sertão sergipano — não encontrou outra opinião senão esta: — Lampião morreu envenenado! 18. O prefeito de Pão de Açúcar, AL, Joaquim Rezende, afirmou ao cantor Sílvio Caldas que Lampião fora envenenado em Angico, antes do tiroteio. 19. Ainda está vivo o ex-cangaceiro Chá Preto, Eldi Antônio de Oliveira, co-participe da Tragédia, para afirmar que Lampião foi envenenado.

17 20. O celebrado historiador polemista, Otacílio Anselmo, autor de Padre Cícero — mito e realidade, está escrevendo um livro, fundamentado em longo e cuidadoso trabalho de pesquisa e centenas de depoimentos fidedignos, provando que Lampião foi envenenado. Revelando ainda que o laudo médico da morte de Lampião — inicialmente — atestou a presença de veneno e deu como causa mortis o envenenamento! O resultado desse exame, no entanto, foi mantido em sigilo! (Supondo o autor que para não prejudicar o Turismo). Não teria havido, porém, outro motivo mais forte? Não teria sido por razão política — de exaltação das autoridades e da polícia? 21. O sargento Manuel Bento declarou que "foi a maior covardia do tenente Bezerra fazer o que fez com Lampião, que era homem para morrer brigando no campo e não envenenado".

18 Depoimento básico sobre o envenenamento Um testemunho de máxima importância no ato supremo da Tragédia de Angico. Suficiente por si só, caso não bastasse os outros, que urdiram o texto deste capítulo — o mais intrincado e difícil de escrever — e os vinte e um argumentos anteriores em prol do envenenamento (Adendo II). Os cangaceiros do coito sobreviventes, distantes do local onde tombaram as vítimas, na surpresa e confusão do momento, quase nada sabem dizer. Conseguiu o autor anotar o depoimento, abaixo fielmente trasladado, mediante compromisso de não comprometer o declarante. Agora, trinta anos depois, com a prescrição legal, quase tudo pode ser revelado.

19 Do padre Magalhães, vigário de Geremoabo, esta declaração pessoal ao autor: — "Posso afirmar ex-fide que Lampião morreu envenenado". Ex-fide, expressão jurídico-canônica ajuramentaria, como se dissesse: "Juro diante de Deus", diferente do sentido jurídico-civil, que é apenas atestatório. O mesmo pode dizer o autor a respeito do presente depoimento. As circunstâncias de ordem psicológica e sacramentai conferem ao depoimento valor incontestável, dir-se-ia absoluto, e invalidam o princípio jurídico do testis unius. Tão impressionante depoimento tornou-se o ponto de partida determinante do interesse das pesquisas do autor sobre Lampião.

20 O sono de Lampião Lampião nunca dormia com o grupo. Desconfiado por natureza, ficava separado, sozinho. Um dos cabras de sua inteira confiança, muitas vezes escolhido na hora, chamado por ele de "sentinela-do-sono", lhe montava guarda. Perigos de fora e, pior ainda, de dentro havia, se se oferecesse fácil ocasião. Espreitavam-lhe a ambição de lhe tomar a chefia geral do cangaço, a glória de ser seu matador, o prêmio de cinqüenta contos de réis oferecido por sua cabeça... Numa comunidade humana tudo pode acontecer. A vigilância teria de ser "eterna".

21 O sono de Lampião Aliás, o bando não dormia todo junto, não. Por ordem tática de Lampião, formavam-se grupos de dois ou três, espalhados, não longe uns dos outros. Assim, difícil o aniquilamento sob um ataque de surpresa. Desde Maria Bonita, quando o cangaço foi aberto às mulheres, essas normas se tornaram mais severas, principalmente quanto aos casais. Nenhuma promiscuidade. A moral era rigorosíssima!

22 O começo Quando ele se apresentou era moço ainda, mas de cenho fechado no apardavasco da pele e com ar de espanto. No antes, porém, era "menino saído". De família humilde, mas honrada, vivendo dos roçados e de umas poucas de criações, além da vaquinha amojada com bezerrinho, e do cavalo de fazer feira. Os irmãos, antes e depois dele, não vingaram sequer um mês. Apenas lhe fazia par a irmãzinha, mais nova do que ele, então na adolescência. Um dia, desses que surgem repetindo a mesma história, um triste acontecido virou o juízo e a pacatez do moço. Na ocasião em que a menina se achava sozinha em casa, veio, sorrateiro, um tarado soldado da polícia e boliu com ela, à força. Acobertado pela farda e pela justiça, nem um padre nosso teve de penitência, continuando nas suas funções e maldades. Pouco depois, o irmão vingava a honra da família, esfaqueando o miserável cujo nos braços de uma mulher separada. Agora sim, a justiça enxergou e descobriu o criminoso — ele! E dos piores, porque matara uma "autoridade"! Caçado pela polícia, foi recebido por Lampião, que lhe trocou o nome por um de guerra — Paturi, a fim de evitar perseguições à sua família e forjou-o cangaceiro de sua confiança.

24 O relato Eis o seu depoimento, aliás muito cru, tomado naqueles idos de 1942, quatro anos da morte de Lampião fazendo. Foram eliminadas repetições inúteis e digressões supérfluas. O linguajar, fonético e sintático, corrigido, deixa, entretanto, transparecer, raramente entre aspas, palavras e expressões comuns no sertão. Pausadamente e, por vezes, angustiado, assim falou: "Naquela derradeira noite do Capitão, eu fui escolhido para sentinela-do-sono. Tarde da noite, o Capitão e Maria Bonita, que estavam nas melodias, assopraram o candeeiro para dormir. Noite fria, serenando, estiando, serenando, assim...

25 Quando foi de madrugada, ainda escuro, Maria Bonita saiu da barraca, acendeu o fogo para ferver água na panela de barro. Botou dentro pó de café e pequenos tacos de rapadura. Logo o Capitão apareceu, de manga de camisa, escovando os dentes, de junto de uma pedra grande defronte da barraca. Alguns cangaceiros foram se achegando, sem armas, caneco na mão, para o café ali fumaçando. Devia começar primeiro pelo Capitão, era o chefe. Ele encheu o caneco e bebeu ligeiro, sem carne assada e farinha, sem nada, puro. Adespois os outros foram fazendo o mesmo. A gente tinha de viajar logo.

26 A hora do café...

27 De repente, o Capitão soltou o caneco no chão. Parece que sentiu gastura, porque passou a mão rodando pela barriga. Deu uns passos largos, sem prumo e caiu na rede ainda armada na barraca. Deitou só o corpo, as pernas caídas do lado de fora. Eu ajutorando Maria Bonita a juntar os troços, que a gente ia sair cedo, vi tudo. Ela se queixava de dor de cabeça e os beiços queimando. Dizia que foi adepois que 'exprementou' o café para ver se estava bom de doce, um tiquinho de nada molhado e 'ponido' na palma da mão para lamber. Aí, eu avisei a Maria Bonita. Ela, deixando a bacia, correu para ver. Eu corri também. Chegou logo Luís Pedro e Vila Nova. Num instante, o Capitão virou a bola do olho para riba, ficando só o branco, e abriu a boca. Uma gosma suja, com escuma, saía escorrendo do canto da boca. Luís Pedro olhou o pulso e o coração e disse: — 'Tá morto!' Chorando, ele tapou com as mãos os olhos do Capitão e apanhou o chapéu dele. Aí eu disse: — 'É veneno!' Maria Bonita, aperriada, sacudiu a cabeça dele e os ombros. E ele sem ação, morto de mesmo. Tive, na hora, o maior desgosto de minha vida, os olhos chorando. Maria Bonita, coitadinha!, toda agitada e desesperada, gritou: — 'Virgulino morreu!' Eu gritei repetido: — 'O Capitão morreu! O Capitão morreu!'

28 Mergulhão, que estava deitado no pé da caraibeira, levantou-se todo espantado e perguntou alto: — 'O Capitão morreu?' Aí eu vi logo cangaceiros cair ali, de todo jeito, para frente, para trás, para os lados, de dejunto da panela de café. Maginei comigo mesmo: — 'O veneno era forte que era danado!‘ Eu acho que algum macaco da volante emboscada, com os gritos e os mexidos no coito, passou fogo em Amoroso. Ele tinha ido ver água talvez para o Capitão banhar o rosto. E quaje igual, outro tiro, que pegou Mergulhão. Atrás veio logo uma trovoada de bala! Aquele despotismo que nem deu tempo mais de pensar! Aí era o causo de se salve quem puder, como diz o outro. Assim de surpresa, bala para todo lado e naquele cafus, como era que a gente podia tomar posição e brigar? Aí me soquei dentro de um buraco comprido e baixo, que eu sabia. Lampião

29 Ficava no pé do morro, 'próchimo' da gruta e atrás da barraca do Capitão. O buraco só dava para caber o corpo pragatado, a barriga no chão, sem poder se virar mais, muito apertado. Na frente tinha moita de mato tapando. Fiquei aí, os braços incomodados, não tinha posição para botar eles. Mesmo querendo, eu não podia sair dali. Do lado de fora era bala por todo canto zinindo. Adespois, as pernas ficaram 'drumentes', moles, bambas só mulambo. Fiquei sem mexer. Mexia só os olhos e o baticum do coração. O resto estava morto. Vi a hora das balas me pegarem. Deixa que chegaram a açoitar a moita. Foi Deus e a Santíssima Virgem que me livraram. Dali de bem de riba, eu fiquei pombeando tudo pela brecha que fiz na moita.

30 O horror era grande! As balas vinha de magote. Foi torada de bala a rede do Capitão, que caiu com todo o peso no chão. O pano da coberta da barraca avoou, ficando só as varas. Vi Mergulhão cair. Adespois foi Maria Bonita caindo, as mãos cheias de sangue apertando a barriga. Luís Pedro deu uns tiros, mais arriou logo. Vila Nova correu. Não deu tempo de ninguém brigar. Não teve 'loita', não. Possa ser que mais algum cabra de lá de riba do riacho desse besteira de tiro, sem palpite, à toa. A gente e o riacho todinho se acabando na bala. Não posso dizer nem o que foi. Era a confusão do inferno! Mas, não demorou muito tempo, não. Foi ligeiro, ligeiro... coisa de meia hora.

31 Quando tudo parou de atirar, começou a chegar macaco de todo lado, quer dizer, de riba do alto das Perdidas e beirando o pé da Imburana, passando 'dadonde' eu estava, coisa de duas braças. Eles vinham se achegando devagar, com medo. Um volante, sem ser alto, caboclo forte, mancando da perna, desceu das Perdidas. Parecia o comandante, porque dava ordens. Mais tarde, já livre dali, eu soube que era o tenente João Bezerra. Junto com ele caminhavam três macacos, deviam ser ordenanças. Alguns macacos subiram um pouco o riacho, disparando a espingarda nos matos para espantar se tinha gente. O comandante foi direto para a barraca do Capitão, como que determinado e sabendo. Eu vi quando ele cascavilhou os troços e pegou o papo-de-ema e a mochila com cinco quilos de ouro que o Capitão ia mandar para sua filha. Me arrependo ainda não ter pegado aquelas coisas, também na hora nem me alembrei.

32 Os macacos, quinem urubus, deram em riba dos cangaceiros caídos, atrás do saqueio de dinheiro, ouros, jóias, outras coisas mais. Não tinham paciência de tirar os anéis dos dedos, cortavam logo os dedos. Sentado numa pedra, o comandante deu a ordem: — 'Cortem as cabeças dos cangaceiros!' Aí foi um alvoroço, todo o mundo gritando: — 'Cortar as cabeças!... Cortar as cabeças!...' Não sei como não morri vendo aquele horror! Parecia um bando de bicho do mato, de feras selvagens, dando gargalhadas e chamando toda nação de nome feio. Levantavam as cabeças dos mortos, segurando pelos cabelos, botavam o pescoço escanchado numa pedra — ficava uma coisa feia: a boca escancarada, os olhos arregalados! — e metiam o facão. Um macaco furando, furando, de pedacinho, com a ponta da faca no redor do pescoço de um cabra até separar do corpo. Outro rolou o facão no pescoço e, quando puxou a cabeça, saiu a guela de dentro do corpo. Foi uma mangação danada! Nenhuma cabeça era cortada de uma só vez. Davam mais de um golpe.

33 Vi uma coisa horrível, que nunca um cangaceiro fez e só bicho faz: os macacos lamberem o sangue da folha do facão melado! A cabeça cortada era levantada pelo cabelo e mostrada, todos dando risada de gosto, mangando e dizendo nomes feios. Tinha cangaceiro meio vivo, mexendo os olhos e falando. Cortaram assim mesmo a cabeça deles com vida! A sangreira era medonha! Tudo melado: macaco, facão, pedra, chão, água, roupa, 'tudim'. Eu vi tudo, já era dia claro, de dia. Naquele meio, veio a ordem do comandante para acabar depressa. Ele estava sentado numa pedra, o pé amarrado, e muito zangado, acho que era de dor. Eu tive dó quando um macaco levantou a cabeça de Maria Bonita, dependurada pelos cabelos compridos. O outro macaco, que tinha o facão na mão, perguntou meio espantado: — 'Inda tá viva, bandida? Cadê o dinheiro?' Ela respondeu bem fraquinho: — 'Não tenho, não'. — 'Então, lá vai...' E cortou o pescoço dela com duas 'facãozadas'. O corpo ficou batendo no chão como de galinha sangrada, e as pernas se descobrindo. Aí eles arregaçaram a saia dela para espiar o resto e começaram a bolir com as mãos, dizendo lérias.

34 Tive tanta raiva que veio vontade de sair e avançar naqueles dois sujeitos safados, desculpe a má palavra. Chegou a vez do Capitão. Um macaco conheceu e disse: — 'É o peste do cego!' Danou uma coronhada de fuzil na cabeça e foi avisar o comandante. O outro ficou cortando o pescoço do Capitão em riba de uma pedra. Quando acabou, a cabeça escorregou e rolou pela ladeira da pedra até o chão. Ele pegou ela e levou para mostrar ao comandante, que ficou cercado de macaco examinando e falando. Tudo acabado, botaram as cabeças em três sacos, as bocas amarradas num pau. Sim, botaram, também, um corpo com cabeça dentro de uma rede dependurada noutro pau. Tudo mode ser carregado, nos ombros de dois. Adespois os macacos foram se lavar nas poças mais de riba, de água limpa. Começaram a ir embora. O comandante numa cadeirinha feita dos braços de dois macacos. Levaram todo o saque. Foram subindo, um atrás do outro, feito formiga, pelo caminho do alto das Perdidas.

35 Fiquei ali deitado o dia todo. A cabeça zoava todinha, o corpo doía, quinem tinha apanhado uma pisa de cacete. Faltei coragem para sair dali. Eu via macaco pulando até pelos galhos mais altos dos pés-de-pau. Não tinha fome, não. Mas a sede era de matar, aperriando. Senti uma agonia doida. Mas, esperei, esperei... O silêncio muito grande. Os passarinhos assustados não voltaram mais. Fechava os olhos e enterrava a cara no chão com medo de ver as almas daqueles defuntos aparecerem sem cabeça. Fiquei tão assombrado que sentia algumas vezes o gume do facão passar no meu pescoço. Rezei tanto a Nossa Senhora do Desterro que cheguei a suar de pingar. Tardinha, fui saindo com medo de assombração e de tudo. Caminhava de quatro pés, não podia ficar de pé causo das pernas feito molambo e tremendo. Eu queria ficar fora da vista daquele açougue de carne de cristão. Subindo o riacho cheguei no dependo do alto, os joelhos esfolados. Me aprumei, fui andando, assim cambaleando, areado, até poder sair correndo, ligeiro ou devagar, a noite inteirinha, até chegar na casa de meus pais. Tava mais morto do que vivo.

36 Passei aquele dia deitado tomando tudo o que era de meizinha que minha mãe preparava e me dava. Comida de panela comi bem pouquinho. De noite, já no outro dia, meu pai me levou para casa de um tio meu, viúvo, que morava sozinho, lugar mais seguro, um esquisito. Estou lá este tempo todim, fazendo planta, dando limpa, xaxando terra nos pés, colhendo legume e capucho de algodão. Também no cuido das criações. Sem sair pra nenhum lugar. Somente agora saí praqui causo minha mãe mandou pedir perdão a Deus. Adespois desta conversa eu quero que seu vigário escute meus pecados na confissão e me comungue na missa".

37 O fim Satisfazendo a curiosidade do leitor: Esse moço, que escapara da morte para contar a história, logo depois, feito embarcadiço de um vapor do rio São Francisco, rumou para o Sul, sem documentos, de nome novamente trocado, para começar nova vida. E desapareceu... No local onde Lampião caiu morto, o capitão João Bezerra fez erguer uma grande cruz latina, de ferro, com três metros de tamanho, hastes binadas, cravada em peanha natural, de pedra. Seu autor teve uma concepção original, que tornou a cruz única no gênero.

38 Mandou colocar duas estreitas barras de ferro unindo as extremidades de cada braço ao topo da haste vertical, formando assim dois triângulos- retângulos, em cujas hipotenusas foram levantadas dez pequenas cruzes, também de ferro, com o nome dos companheiros de Lampião mortos com ele, e distribuídas, a começar do topo, na seguinte ordem: do lado esquerdo — Maria Bonita, Elétrico, Mergulhão, Desconhecido (depois se descobriu tratar-se de Mangueira), Diferente (este fugiu; o morto era Moeda); do lado direito — Luís Pedro, Quinta-Feira, Cajarana, Caixa- de-Fósforo, Enedina. Particularidades interessantes e coincidentes: — a cruz de Maria Bonita fica à esquerda — o lado do coração! — a de Luís Pedro, à direita — o lado da confiança! A inscrição reza assim: — "Aqui jaz o Rei do Cangaço, Capitão Lampião, com dez companheiros. Combate a 28 de julho de 1938. Lembrança do capitão João Bezerra. Colocação da cruz em 30 de outubro de 1961". A essa inscrição poderia aquele oficial acrescentar as palavras suas, ditadas, anos mais tarde, pela análise sincera e pelo critério sereno e honesto de seu espírito amadurecido a respeito do Rei do Cangaço:

39 Anjico Angico A Cruz de Lampião

40 — "Se ele (Lampião) fosse vivo hoje, eu não permitiria que ninguém encostasse o dedo nele. Hoje eu não acho que ele era bandido". Tenente João Bezerra

41 "Ainda se ouvem os gritos do seu feroz combater, na toada das rendeiras, na voz do cego das feiras, o peito quente do povo espera o seu renascer" (Cancioneiro de Lampião). Lampião morreu... Ficou ali sua cruz de ferro. Cruz simbólica e significativa de uma Época no Tempo... de um Rei no Reinado do Sertão! Cruz eternamente solitária de um Homem — mito e legenda — força telúrica e épica —surgido das estranhas profecias do Conselheiro e em cujo peito de ferro foi fincada a Fé e confiado um Destino!...

42 Lampião e Maria Bonita Lá ia ela, ao lado do Capitão, caminhando ou a galope, sempre bela, coleante, amorosa e redondinha. Orgulhosa como um pavão a ombrear com o macho temível. Sorrindo sempre, mesmo na hora de praticar amor. E sempre seguida de perto por um cachorro negro e comprido que o Capitão lhe dera de presente, o Zé Rufinho, nome com que a bonita Maria batizara o animal, em debochada homenagem ao sanguinário e destemido comandante de polícia José Rufinho, que estava constantemente nos calcanhares dos dois amantes famígeros. Lampião, Maria Bonita e Zé Rufinho

43 Depois do bando de Lampião assassinado pela volante alagoana do Tenente João Bezerra a 28 de julho de 1938, expostos na escaldaria na Prefeitura de Piranhas, Alagoas, em composição atribuída a Lisboa.

44 Corisco - Herdeiro e vingador de Lampião...Corisco levou dois dedos à boca, tirou um som curto; ao ouvi-lo, os cabras invadiram a varanda. Foi um terremoto. No meio do barulho que faziam esses homens sedentos de vingança, ouviu-se a voz de Corisco: - Matem todos! Então, foi um verdadeiro inferno: uma calamidade. As facas reluziram à luz dos lampiões. Só escapou o delator, porque tinha fugido para Alagoas. A varanda estava juncada de corpos e o sangue continuava a correr. Depois, os cabras partiram...

45 POESIA Menina vou te contar a história de um cangaceiro, bicho bom do pé ligeiro, lobisomem do sertão. Comia moça donzela, reparava a injustiça, estrangulava macaco por crime de traição, entrava nos povoados e deixava em petição de miséria o prepotente vergado na punição.

46 Desocupado, erradio, vagueou como um papão, por muitos anos a fio não buscou a salvação, tinha grande protetor, o padre Cícero Romão, no lugar onde chegava era vigário e juiz, amancebado casava e livrava o infeliz que nas grades da cadeia vivia curtindo peia, delegado de polícia escapava por um triz.

47 Nos doze pares de França foi buscar inspiração, seu chapéu era igualzinho ao do rei Napoleão, o imperador Carlos Magno houvera de ter paixão, valente como Olivério, brigava como Roldão, dos tempos mais recuados, só Osório e Cipião podiam ser comparados ao guerreiro Lampião.

48 Nestes autos vou narrar a vida de Lampião, quem tiver oiças, escute e faça do coração a via do entendimento, pois nada vale a razão, sangue e terra se misturam em perpétua comunhão, na linguagem do mistério dou a minha tradução, o demônio sobrevive no descendente de Adão, quem de si não o afugenta apodrece na prisão, o homem não nasce bom, já nasce na expiação, se o anjo prevalecesse já teria morto o Cão. Nertan Macêdo

49 Uma Revista feita com o amor de Maria Bonita e a coragem de Lampião

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