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domingo, 25 de setembro de 2016

O FENÔMENO DO CANGAÇO

Por Analucia Gomes

Vendo o documentário postado no grupo Historiografia do Cangaço onde o historiador Frederico Pernambucano com muita propriedade fala sobre a Estética do Cangaço, vários questionamentos começaram a se elucidar para mim. Devo dizer que respeito à opinião dos historiadores e as pesquisas fundamentadas como sendo o Cangaço um grupo de bandoleiros, bandidos, criminosos e a pessoa do “Lampião” ser denominada de facínora, que apontam Lampião simbolizando a brutalidade, o mal, uma doença que precisava ser cortada. Entretanto, e ao contrário do que muita gente pensa, os cangaceiros nem sempre eram hostilizados pelos moradores do sertão. Pelo contrário: muitos deles foram admirados e respeitados. 


Não pretendo fazer nenhuma contestação e nem desmerecer as pesquisas, todas buscaram a verdade embutida em suas publicações. Todavia, existem os historiadores que catam em suas pesquisas capturar o que representou e representa até hoje o movimento do Cangaço. Para Pernambucano, os cangaceiros não eram criminosos comuns, que não arriscavam se misturar ao ambiente para não serem notados. Não se camuflavam, nem se escondiam, faziam do estardalhaço visual e verbal, seu cartão de visita. 

Alguém pode me questionar, mas eu escolho em qual lado da história eu prefiro ficar. Vale pra mim o que o Cangaço proporcionou nas artes: poesia, música, dança, artezanato, cinema, TV, literatura de cordel (outros) e na estética que influenciou e dita moda na contemporaneidade. "Sem Lei, sem Rei e feliz..." Nós temos leis que não nos favorecem na grande maioria, somos submetidos a um Rei mal coroado e o que é pior... Somos felizes? 

Analucia Gomes.

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A VISTA ESQUERDA DE LAMPIÃO


Virgolino Ferreira da Silva teve um problema sério nas vistas. Desde muito novo que uma doença denominada Leucoma afetou, cronicamente, uma das vistas dele, à direita, terminando em uma total cegueira da mesma com a “ajuda” de um pequeno espinho, pêlo, de um cacto da flora catingueira, cactácea, pequena ‘palma’, sertaneja chamada por alguns de ‘Palmatória’, o Quipá, Opuntia Inamoema ou Tacinga Inamoema.


O Leucoma é uma opacidade corneana quando a córnea toma aspecto branco em toda sua extensão ou em parte. O mesmo pode ser congênito ou se desenvolver após doenças infecciosas, principalmente herpes ocular ou traumas, o que achamos que ocorreu com o futuro “Rei dos Cangaceiros” por ter se tornado tangerino, almocreve e vaqueiro desde tenra idade, e tenha sofrido alguma pancada ocorrendo o trauma, já que não encontramos a doença em nenhum dos irmãos e/ou irmãs dele. Além disso, o leucoma é uma opacidade que pode se localizar centralmente e também provocar alterações na curvatura corneana, diminuindo a visão.

Perder uma das vistas, para Lampião, não foi um problema que o impediu de dar prosseguimento ao ‘reinado’. Pelo contrário. Ajuda-o no manejo e mira das armas longas como rifles, fuzis e mosquetões. Porém, sem elas, ficando totalmente cego das duas, não tinha como continuar.


Em determinada ocasião, segundo historiadores, o ‘Rei Vesgo’ ver-se acometido de uma doença em sua vista esquerda. Não sabemos relatar aos amigos se foi uma infecção contraída, ou mesmo transmitida da que acometeu sua vista direita, tão pouco, se devido a algum ‘novo’ trauma sofrido.

Passando, o chefe mor do cangaço, a sentir “queimor intenso e fortes dores no olho esquerdo, além de lacrimejamento, prurido intenso e diminuição da acuidade visual”, começa a sentir temor pela ‘escuridão’ total. Resolve pedir ajuda aos amigos, coiteiros, na tentativa de curar aquele mau.

O ‘coronel’, em sua pessoa de ‘autoridade’ dominante regional, não foi amigo de cangaceiros simplesmente por ser. Pelo contrário, suas amizades baseavam-se em troca de ‘favores’ e negociatas.

Em todos os sete Estados nordestinos por onde seu ‘reinado’ se estendeu, Lampião lançou sua ‘rede’ capturando adeptos de todas as partes sociais que existiam na época. Na ocasião da doença em sua vista esquerda, ele procura ajuda com o ‘amigo’ coronel Manoel Maranhão, no Estado das Alagoas. Esse, não podendo fazer muito, se junta ao amigo cangaceiro, e envia um emissário, que transpõem a divisa de Estado e vai levar o pedido de ajuda a um dos maiores coiteiros de Lampião em terras pernambucanas, que se encontrava na ocasião na fazenda Formosa, o coronel Audálio Tenório de Albuquerque, grande latifundiário nos Estados de Pernambuco e Alagoas.


No momento em que é sabedor da ocorrência, o coronel Audálio não se faz de rogado, parte imediatamente para fazenda do amigo fazendeiro, coronel Manoel Maranhão, a fim de socorrer seu protegido.

Inteirando-se do que acometeu a vista ‘boa’ do Capitão, o coronel Audálio Tenório parte para Capital pernambucana para falar com um, na ocasião, dos mais afamados oftalmologistas do Nordeste, o Dr. Isaac Salazar.


“(...) Nesta época o capitão já se encontrava em decadência, não tinha a mesma força, o clímax do cangaceiro é aos 25 anos, as volantes tinham ordem de matar para depois conversar, era lei qualquer cidadão ficar com os bens do cangaceiro caso o matasse, todo mundo queria ficar rico, os jornais noticiavam diariamente as estripulias e as maldades do cangaço, as estradas que cortavam os sertões permitiam o envio de caminhões de soldados e munições, as mulheres e os filhos passaram a ser uma das preocupações dos cangaceiros, os coiteiros sumiram, o cangaço perdia a força, a lei era matar(...).” (Iderval Reginaldo Tenório)

Iderval Reginaldo Tenório

Sem poder levar o ‘paciente’, o coronel Audálio segue sozinho e, lá chegando, faz um relato pormenorizado de todos os sintomas da doença, sempre referindo ao médico que se trata de um dos seus vaqueiros de uma das suas fazendas.

“(...) o médico prescreveu alguns medicamentos, injeções, pomadas, colírios e bandagens, dias depois chegava na sua fazenda o Coronel com todos os medicamentos e o capitão inicia o milagroso tratamento, a vista foi melhorando, aos poucos foi clareando, como trunfo, cheio de alegria e de vida(...).” (Iderval Reginaldo Tenório).


O Coronel Audálio Tenório de Albuquerque foi muito ligado, também, a altas autoridades militares nas Alagoas. Eleito deputado Estadual por Pernambuco em 1966, teve seu mandato cassado pelo regime militar implantado no País. Em sete de dezembro de 2012, o jornal Diário de Pernambuco publica que, passados 50 anos, o Governo ‘devolve’ seu mandato, mesmo o coronel já tendo morrido... Nas quebradas do Sertão.


Foto lampiãoaceso.com
cariricangaço.com
Benjamin Abrahão


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MULHER RENDEIRA

Por Fidias Diniz‎
https://www.youtube.com/watch?v=yxjWPUJmVvA

LAMPIÃO, o cangaceiro VOLTA SECA, entre outros eram compositores. Músicas que até hoje embalam o folclore nordestino. 


Fonte: facebook
Página: Fidias Diniz‎

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POMBAL REVIVE CANTANDO O QUE LEANDRO SONHOU

Por Daudeth Bandeira

Como quem ouve um estalo,
Um velho nó se desmancha,
E a poesia deslancha,
Num fenomenal embalo,
Um novo canto de galo,
No espaço reboou,
Ao mundo anunciou,
Que o passado está voltando,
POMBAL REVIVE CANTANDO
O QUE LEANDRO SONHOU.

A história se renova,
Nos seus melhores capítulos,
Um vate recebe títulos,
Nas profundezas da cova,
O solo fértil comprova,
Que ele, um dia ocultou,
E o grão que ele semeou,
Graças a Deus vem brotando,
POMBAL REVIVE CANTANDO
O QUE LEANDRO SONHOU.

Leandro Gomes de Barros,
De expressões romanescas,
As estórias pitorescas,
Nos seus trabalhos bizarros,
São como flores nos jarros,
Que o tempo as fossilizou,
Mas o calcário rachou,
E o perfume está vazando,
POMBAL REVIVE CANTANDO
O QUE LEANDRO SONHOU.

Pombal lamentou chorosa,
Quando Leandro morreu,
E o cordelismo perdeu,
A joia mais preciosa,
Numa nuvem se ocultou,
Agora a nuvem passou,
Ressurge o astro brilhante,
POMBAL REVIVE CANTANDO
O QUE LEANDRO SONHOU.

Com discurso, festa e brilho,
Festival, livro e programa,
Pombal eterniza a fama,
Do seu talentoso filho,
Seus versos são como o milho,
Que a esmo se debulhou,
O passado esparramou,
E o presente está juntando,
POMBAL REVIVE CANTANDO
O QUE LEANDRO SONHOU.

Nos versos de um menestrel,
No tilintar da viola,
Na fachada de uma escola,
No rodapé de um painel,
Num folheto de cordel,
Lido por um camelô,
No intervalo de um show,
Nesses momentos é quando,
POMBAL REVIVE CANTANDO
O QUE LEANDRO SONHOU.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO POUPA VIDA DE UM SERTANEJO

Por Lourival Custódio Filho

Caro Amigo Geraldo Júnior //veja interessante o perfil de Lampião// Quem leu conta um dia, a inteligência da vítima venceu a morte.

Virgulino Ferreira invadiu com a sua cabroeira um pequeno povoado. Zé Baiano arrombou logo a porta da entrada da casa da fazenda, não quis saber, foi logo amarrando no moitão de madeira da casa, e disse:

- Cadê o dinheiro, esta aonde?

E com o punhal pinicava a garganta do sujeito. Na mesma hora entra Lampião e diz:

- Fale logo se não você morre!

- E o dono da casa, amarrado, toma coragem e fala, ainda com o último suspiro de medo e diz:

- Boa tarde! Com quem eu tenho o prazer de falar?

E Lampião responde:

- Com o capitão Virgolino, seu cabra!

- E o dono da casa responde:

- Há capitão, gosto muito do senhor! Grande honra capitão, em te conhecer! Esse cara quer me matar, me amarrou capitão! Veja capitão, tenho vários recortes de jornal na minha parede que coleciono do senhor. Se eu não tivesse amarrado, iria querer te dar um grande abraço, capitão! Sou seu amigo, capitão!

E na mesma hora Virgolino se emocionou e disse ao zé baiano que estava com uma cara feia zangado:

- Um caboco desse não se mata!!!!! Se prepare que você vai ser um de meus meninos! 

E na mesma hora ordenou que o próprio Zé Baiano desse armas, munições, chapéu e um cavalo para o cabra e se foram:

Depois de 03 dias o cabra fugiu.

Fonte: Extraído do livro “LAMPIÃO NA BAHIA” de Oleone Coelho Fontes. 

TEM DÚVIDAS?  É só comprar o livro.


Informação do http://blogdomendesemendes.blogspot.com: Acho que este livro você irá encontrá-lo com o professor Pereira, lá em Cajazeiras. Aqui está o seu e-mail para um futuro pedido: franpelima@bol.com.br

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DELMIRO GOUVEIA

Por Guilherme Machado

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, mais conhecido como Delmiro Gouveia (Ipu, Ceará, 5 de junho de 1863 — Pedra, Alagoas, 10 de outubro de 1917), um industrial brasileiro, foi um dos pioneiros da industrialização do país, e do aproveitamento do seu potencial hidroelétrico, tendo construído a segunda usina hidroelétrica do Brasil, sendo a primeira a Usina de Marmelos construída por Pacifico Mascarenhas, inaugurada em 11/12/1898, conforme o historiador Abílio Barreto (Alysson Mascarenhas.

Nasceu na Fazenda Boa Vista, no município cearense de Ipu, sendo filho natural do cearense Delmiro Porfírio de Farias e da pernambucana Leonila Flora da Cruz Gouveia. Sua família transferiu-se em 1868 para o estado de Pernambuco, onde se estabeleceu na cidade de Goiana, mudando-se para o Recife em 1872.

Com a morte de sua mãe teve que começar a trabalhar aos 15 anos de idade, em 1878, inicialmente como cobrador da Brazilian Street Railways Company no trem urbano, denominado maxambomba. Posteriormente chegou a Chefe da Estação de Caxangá, no Recife. Foi despachante em armazém de algodão.

Em 1883 foi ao interior de Pernambuco, interessado no comércio de peles de cabras e de ovelhas, que passou a negociar, tendo obtido grande sucesso. Em 1886 estabeleceu-se no ramo de couros e passou a trabalhar, por comissão, para o imigrante sueco Herman Theodor Lundgren (Casas Pernambucanas) e para outras empresas especializadas nesse comércio, como a Levy & Cia. Trabalhava também por conta própria. Em 1896 fundou a empresa Delmiro Gouveia & Cia e passou a alijar seus concorrentes do mercado, empregando os melhores funcionários das empresas concorrentes.


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METEMPSICOSE

Por Francisco de Paula Melo Aguiar

Mundo, histórias transcritas de cada ser...
Esperanças...
Travessias...
Visões...
Transmigrações...
Migrações...
Mudanças...
Passagens...
Partidas...
Desterros...
Sonhos...
Vidas...
Perigos...
Ilusões...
Nascimentos...
Mortes...
Ilusões desveladas...
Olhares que se cruzam na multidão...
É o vale tudo ou nada...
Gotas do rio e do mar...
Que se junta à poeira dos pés...
Como lágrimas de inocentes...
Sem vez, sem voz e sem pão...
O amanhã vai ser melhor...
Utopias do povo...


Enviado pelo o autor


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sábado, 24 de setembro de 2016

A VALENTIA E A CORAGEM ERAM QUALIDADES PRESENTES NOS COMPONENTES DOS DOIS LADOS DA “GUERRA” DO CANGAÇO.

Do acervo do pesquisador do cangaço Geraldo Júnior

Leiam essa história...

Após ter sido capturado em uma fazenda do município da cidade pernambucana de Águas Belas, o Coronel João Nunes, então oficial na reserva, embora para os cangaceiros continuasse a ser o mesmo homem que chefiara a Policia de Pernambuco e que os perseguira tenazmente. A fúria de Virgulino, que o conduziu prisioneiro por alguns quilômetros, estava prestes a desabar sobre o militar por não ter recebido a quantia de quinze mil Réis exigida pelo seu resgate quando um bandoleiro intercedeu por sua vida, declarando que lhe devia um grande favor.

Mas o que pesou certamente na decisão do chefe dos bandoleiros para dar a liberdade ao prisioneiro foi a sua consciência de que aquele homem em suas mãos não era um anônimo nem insignificante, mas um prisioneiro muito importante; se o liquidasse, amargaria as consequências desse ato e atrairianovamente a perseguição das forças pernambucanas certamente com maior apoio das autoridades. Mesmo que tivesse optado pelo seu extermínio, teria guardado de João Nunes a imagem de um homem corajoso que não se deixou dominar pelo temor da morte iminente e que se mostrou altivo diante das ameaças sofridas.
Ao ser interpelado, naquela ocasião, se não se arrependia de ter combatido os cangaceiros, respondeu-lhes que não, pois havia cumprido o seu dever e se tudo começasse de novo, tornaria a fazê-lo do mesmo modo, pois era antes de tudo, um Soldado.

Fonte: Livro “O CANTO DA ACAUÔ de Marilourdes Ferraz
Foto: Acervo do Professor Antonio Vilela (Garanhuns/PE)
Transcrição: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)
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AGUABRANQUISMO

Por Valberto Barbosa Sena 
 

Do meu nascimento, passando à infância
Aos dias de jovem até em adulto
Sou a prova viva do quanto resulto
Na prosperidade dessa minha estância.
Viajei um dia, deixei essa terra
Como vento errante que vagante erra,
Tentei esquecê-la, mas não foi possível.
Bateu-me a saudade, me trouxe de volta,
E as recordações foram minha escolta:
Devolvi-me à casa; fiz-me indivisível.

Retornando ao ventre do seio materno
Colei as raízes dos dias de ausência.
Fui condecorado pela consciência:
“MEDALHA DE ORGULHO E DE AMOR ETERNO”.
A minha intenção agora é ficar
De pernas plantadas no mesmo lugar,
Nessa boa vida de tons e matizes.
Na tranqüilidade do bem dado a vista
De quem a procura, encontra e conquista,
Em meio aos destroços das próprias raízes.

Não é cafonice nem é fanatismo.
Somente é apego pelo que se tem.
Valorize tudo que for seu também,
Depois faça idéia sobre o meu lirismo.
Não é vil receio de ética ou de código,
Nem é mera trova dalgum filho pródigo
Agradando aos pais no retorno à casa.
Não é devaneio dalgum gira mundo.
É sim meus senhores, amor tão profundo,
Que faz o meu peito queimar que nem brasa.

Sinto tanta honra nesse sentimento,
Que noto um acréscimo em meu coração.
Percebo que ele infla igual balão,
De mim se desprega e escoa ao vento.
Todo sentimento se faz comovente,
Quando toca o ego, e adentra na mente,
Sai pelos soluços, exigindo calma,
Larga o íntimo puro repleto de amor.
Se externa nos olhos com luz incolor
E ganha outro rumo transpassando a alma.

Eu nesse estribilho exponho o que penso,
Por ser a vontade de tudo que pinto.
Sabendo a verdade e como eu a sinto,
Agarro-me com unhas no valor imenso.
Não é objeto para expor a venda,
Nem é caderneta ou fonte de renda,
Ou coisa que eu valorize demais.
É só o respeito e o valor justo,
Do meu sentimento que não meço custo
À terra na qual nasci com meus pais.

O meu sentimento é puro e real.
A minha verdade é essa que falo.
Martela no peito e na mente. Não calo.
Tudo isso ocorre de forma normal.
Supervalorizo a cidade bela,
Onde um ancestral depositou nela,
Semente genética na qual me amparo.
Decorrendo o tempo, a mesma germina,
Crescendo floresce e tudo termina
Nesse fruto doce, de gosto tão raro.

O meu sentimento é dos mais profundos
Para o coração de homem sentir.
E para os futuros dias do porvir
Os meus sonhos são sonhos mais fecundos.
Esse amor tão forte batendo em meu peito,
Faz-me caminhar num caminho estreito
No qual não existe vereda ou atalho.
Mas, há de deixar-me no ponto final
No local correto, no mesmo local
Do meu sentimento no qual me encalho.

Se alguém quer saber do que estou falando,
Atentem os olhos para o que escrevo.
Sem nenhum bajulo, pois a ninguém devo,
E a minha causa só estou honrando.
Por descrever isto, meu eu se embarga.
A partir daqui, sendo estreita ou larga,
Cada porta ao mundo pra mim se destranca,
Dependendo apenas da própria vontade.
Por esse motivo com toda verdade,
Agradeço a Deus por ser de Água Branca.

Valberto Barbosa Sena. Poeta Popular, natural de Água Branca/PB.

Enviado pelo escritor, professor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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UMA ANÁLISE DO CANGAÇO NA HISTÓRIA DO BRASIL


O estudo do cangaço é investigar também o contexto socioeconômico e cultural do Brasil desde a sua colonização. Um país “descoberto” por europeus que não respeitavam a cultura dos habitantes ali encontrados, iniciando assim uma série de violências contra a etnia que habitava as terras e palmeiras brasileiras. O poder político do Império através das capitanias e sesmarias concedeu terras aos seus correligionários em detrimento dos que ali já viviam. Posteriormente a exploração da mão-de-obra escrava também não era questionada em razão das etnias, tidas como minorias e não serem reconhecidas culturalmente sendo tratadas como inferiores, forçadas ao progresso “civilizador”.

O objetivo é refletir essas práticas violentas compreendendo-as como um grito de justiça social diante da concentração de riqueza, da ausência do Estado de direito, do controle social exercido pela política coronelística. O estudo traz uma reflexão sobre o cangaço, configurando-o como uma questão social nordestina, pelo fato de ter surgido no final do século XIX, época de seca na Região Nordeste, fome e miséria, além dos conflitos gerados pelo latifúndio explorador onde o homem do campo era subserviente à elite agrária e ao coronelismo político. Os direitos sociais eram inexistentes e a lei do mais forte era a que imperava, de modo que a justiça se efetivava através da coragem das pessoas e de suas ações vingativas.

As condições climáticas do semiárido nordestino favoreciam o surgimento de secas prolongadas de tempos em tempos, castigando a produção agrícola do homem do campo trazendo miséria e fome. As secas, o controle social, a partir da prática de favor cultivada pelos senhores de fazenda diante dos trabalhadores fez com que alguns se indignassem e fossem mudar o seu destino, adentrando no cangaço ou no messianismo. Ainda havia aqueles que decidiam entrar no cangaço por motivos de vinganças pessoais ou como grito de justiça em um país onde não havia políticas para diminuir as desigualdades sociais e os direitos só eram efetivados através da lei do mais forte.

“Em 1877, por exemplo, o sertão nordestino foi atingido por uma terrível seco, que matou cerca de 500 mil pessoas e obrigou 3 milhões de sertanejos a buscar sobrevivência em outras áreas. Uma delas foi a Amazônia, onde se expandia a exploração da borracha” (Projeto Araribá: 2006.p.69).

“Vale a pena citar o Diário de Pernambuco que informa o número de flagelados em fins de 1877: 700 mil no Ceará, 150 mil no Piauí, 117 mil no Rio Grande do Norte, 400 mil na Paraíba, 200 mil em Pernambuco, 50 mil em Alagoas, 30 mil no Sergipe e 500 mil na Bahia. Vê-se que o Nordeste sofria por inteiro, com fome, miséria e morte. A história do sertão é marcada pela ausência do Estado; o sertão passou da monarquia para a República, esquecido pelo poder central ficando a mercê das elites arbitrárias. O sertanejo continuou entregue à própria sorte.” (Diário de Pernambuco in Bezerra: 2009.p 58).

O orgulho e a questão de honra no sertão nordestino sempre foram muito fortes, uma vez que não havia resposta imediata da justiça, os sertanejos faziam justiça com as próprias mãos respondendo as suas indignações. 

Muitos sertanejos entraram no cangaço pelo status social que ele adquiriu no sertão, chamados de justiceiros, o que denotava poder entre a população sertaneja, já que ora eram amados e ora eram temidos. Outros seguiam Antônio Conselheiro ou o beato José Lourenço nas comunidades criadas por eles onde se vivenciava os princípios da igualdade e fraternidade, onde ninguém era oprimido e tudo era repartido entre todos.

Virgulino Ferreira da Silva (o Lampião) sentindo-se injustiçado formou seu bando e, com a alma ébria de ódio saiu pelo sertão nordestino saqueando o comércio, as fazendas e matando sem temor, como forma de se vingar e sobreviver a dor que encarcerava as veias do seu coração. Agia como se toda a sociedade fosse culpada pela sua perda e assim a vida destemida o protegia de seu desalento e o fato de ser temido e conhecido no País inteiro alimentava o seu ego.

Lampião foi o produto de uma sociedade desigual econômica e socialmente, que por não oportunizar aos trabalhadores à dignidade, transforma-os em rebeldes e revolucionários, Virgulino fez do cangaço uma forma de enfrentamento à justiça, às desigualdades sociais, ao próprio governo e a toda elite agrária, sendo temido por suas ações violentas e truculentas em todo o sertão nordestino. Subverte a ordem também quando por amor deixou Maria Bonita adentrar no cangaço, levando-a consigo e tratando-a como companheira, o que acarretou a vinda de outras mulheres para esse movimento social. Analisamos a questão de gênero que envolve o cangaço. Um país que caminhava com base na educação patriarcal, machista, onde o homem era o centro das decisões, cabendo a mulher apenas a educação da prole e a organização do lar. Na vida rudimentar da Caatinga, do sertão nordestino, as mulheres entram no cangaço, quebrando a tradição masculina do mesmo e são tratadas como companheiras, participando das lutas, seguindo os seus companheiros nas viagens, alegrando as suas noites com músicas e danças.

O estudo sobre o cangaço trouxe a possibilidade de analisar esse movimento como uma questão social do Nordeste, surgida como um grito de justiça social em decorrência das desigualdades, da falta de oportunidades com dignidade para o trabalhador rural e pela ausência do Estado diante das questões sociais.

Conclui-se que a violência praticada no cangaço pode ser refletida a partir de uma análise da conjuntura do Brasil naquele momento, assim podemos melhor compreender as razões que levaram a formação desse movimento social.

http://www.m.vermelho.org.br/noticia/249409-11


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A PRIMAVERA DOS POETAS

*Rangel Alves da Costa

Um dia, sentados num café europeu vitoriano, dois poetas conversavam, quando um de repente exclamou: “Que me venha assim a primavera. Preciso de novas cores no meu jardim, preciso de novos aromas ao amanhecer, preciso dar mais poesia ao meu viver”. Ao que o outro falou: “Não há mais primavera. Nunca houve primavera. As estações estão apenas nas nossas mentes. Suas flores e seus aromas são as mesmas folhas mortas que há em mim. E muito desejaria que não morressem minhas flores de plástico”.

“Engana-se, amigo, engana-se. A primavera existe sim, sempre será essencial que continue existindo. Mesmo que não venha nas suas manhãs, nos seus jardins, nas suas cores, nos seus aromas e suas fragrâncias, será sempre necessário que continue existindo. O ser humano precisa dessa estação em sua vida, que seja realista ao olhar ou de concepção ilusória. Não podemos perder o senso mais profundo da existência do belo, da permanência das esperanças. Ademais, a janela dos olhos devem se abrir nas manhãs em busca do arbusto verdejante, da folhagem viçosa, da pétala rodeada de beija-flores, das flores, lírios, rosas e jasmins, no mais profundo do olhar, do coração, dos sentimentos. Assim, na estação a primavera me chega como um alento d’alma, e, se ela parte, ainda assim sinto que necessito continuar buscando suas flores pelos jardins. E um jardim em qualquer lugar”. Afirmou o primeiro poeta.


O outro logo expressou: “Abraça-te ao otimismo como um cão ao mais fétido dos ossos. Diante de ti, bom amigo, certamente o tempo de desolação estará povoado de borboletas e colibris. Que bom que pense assim. Certamente que faz bem ao âmago avistar chaminés como roseirais e muros cimentados com a feição de heras. E quantos pomares não estariam onde povoa o ferro e a ferrugem, a pedra e o espinho. Não me desfaço de sua primavera florida agora e em qualquer estação, mas eu, porém, tenho de me reconhecer como o mais triste dos jardineiros. Qual a valia das rosas, begônias e crisântemos, ante o som ensurdecedor da máquina triturando ao lado? Qual a beleza e o viço da pétala perante a pele mendiga e ossuda que passa catando restos nos beirais das calçadas? Qual a sensação de ter borboletas e beija-flores ao redor da fumaça, da sirene, do apito, do fumo que sai voraz das caldeiras? Sim, eu também queria a primavera mais primaveril, a manhã mais pujante de cor, a paisagem mais doce e cativante. Contudo, não sou apenas poeta, sou humano, essencialmente humano, e, como tal, hei de reconhecer que nós, os homens, nas nossas ânsias e indiferenças, acabamos apagando os calendários. E a primavera morreu”.

“Sinto que o teu copo transborda de pessimismo. E não posso tirar-lhe a razão. Mas tenho a minha razão. Talvez o homem tenha se deixado demasiadamente levar pelos negativismos da vida. Sim, os tempos são difíceis, angustiantes, mas não de modo a não poder avistar outras realidades. A sensibilidade ainda deve prevalecer, eis que os bons sentimentos superam as angústias da alma. Por isso reafirmo que há primavera e vivemos num tempo de primavera. Não apenas uma estação viva no calendário, mas principalmente pelos jardins do olhar e do coração. Encontro uma rosa e a multiplico, encontro um colibri e o multiplico. Sinto a poesia do perfume, a gratidão florida em cada encontro com as singelezas da vida. Tal primavera existe. E talvez além e mais verdadeira que a própria primavera”. Foram as palavras do primeiro poeta, que em seguida ouviu:

“Então colhe tuas flores que eu colho as hastes pontudas que a tudo dilaceram. Tens um jardim, preserva-o, conserva-o, e eu tenho pedras sobre meus sapatos e ácidos nas minhas veias. Mas uma coisa é certa, ao morrermos sobre o teu túmulo vingará uma bela flor, e sobre o meu apenas a cruz solitária e feia. E nisto você tem razão: o outono é sempre mais triste”.

Em seguida, silenciosamente, levantaram e saíram caminhando por entre canteiros ainda desnudos. Todo florido ao olhar de um poeta. Ressequido demais perante os olhos do outro.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com 

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O CANGAÇO NO NORDESTE BRASILEIRO

https://www.youtube.com/watch?v=mz-SLdM-aTs

Enviado em 4 de abr de 2011
Video Apresentado na disciplina de História do Brasil III no curso de História - UFPB no ano de 2010.

Narração: Felipe Coutinho
Música: O cangaço - Cabrueira
Edição: Maíra e Suelen
Categoria
Licença
Licença padrão do YouTube
Música
"CocoNutzMass" por boTECOeletro ( • )

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ANIVERSÁRIO UERN ABRE PROGRAMAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DE 48 ANOS


UERN abre Programação do Aniversário de 48 anos.

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) abriu nesta quinta-feira, 22 de setembro, a programação alusiva ao seu aniversário de 48 anos.

As comemorações terão como ápice a tradicional Assembleia Universitária, que ocorrerá no dia 28 de setembro, às 19h, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, presidida pelo Magnífico Reitor, Pedro Fernandes Ribeiro Neto.

Durante a solenidade serão outorgadas honrarias a professores, servidores técnicos e personalidades que prestaram relevantes serviços à Instituição e ao município de Mossoró.

SELO COMEMORATIVO- O aniversário de 48 anos marca ainda o início das comemorações em torno dos 30 anos de estadualização da UERN. Para celebrar as três décadas de estadualização, a Unidade Regional dos Correios lançará um selo comemorativo da UERN. O lançamento do Selo ocorrerá no dia 27 de setembro, às 16h, na Reitoria.

Outra referência aos 30 anos de estadualização será a entrega da Medalha da Abolição 2016 aos vereadores da Legislatura de 1983/1988.

FUNDAÇÃO - Criada em 28 de setembro de 1968, pela Lei Municipal nº 20/68, a UERN nasceu com o nome de Universidade Regional do Rio Grande do Norte - URRN, vinculada à Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte - FURRN. Em 8 de janeiro de 1987, o então Governador do Estado, Radir Pereira, assinava a Lei Estadual nº 5.546, que estadualizou a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN.

PROGRAMAÇÃO
Culto Evangélico
Quinta-feira - Dia 22 de Setembro de 2016
Local: Igreja Presbiteriana
R. Felipe Camarão, 711, Centro, Mossoró-RN
Horário: 19h30
Missa em Ação de Graças
Sexta-feira - Dia 23 de Setembro de 2016
Local: Igreja de São Vicente
Centro, Mossoró-RN
Horário: 18h
Lançamento de Selo Personalizado - 30 anos de Estadualização da UERN
Terça-feira – Dia 27 de setembro
Data: 27/09/2016
Horário: 16h
Local: Reitoria da UERN.
Endereço: Almino Afonso, 478 – Centro, Mossoró/RN
48ª Assembleia Universitária
Quarta-feira - Dia 28 de Setembro de 2016
Local: Teatro Municipal Dix-Huit Rosado
Praça Cícero Dias, s/n | Centro, Mossoró-RN
Horário: 19h

HOMENAGEADOS
Título de Doutor Honoris Causa
Jerônimo Vingt Rosado Maia (in Memoriam)
Título de Professor Honoris Causa
Profa. Dra. Maria dos Remédios Fontes Silva
Título de Professor Emérito
Profa. Esp. Maria Hélderi de Queiroz Diógenes Negreiros
Diploma do Mérito Administrativo
TNS Me. Francisco Fábio Mesquita Oliveira
Medalha da Abolição - Vereadores da Legislatura de 1983/1988
Antonio Fernandes Duarte
Antônio José de Almeida Sobrinho
Davi Lima de Santana (In Memoriam)
Edmilson Lucena Barreto (In Memoriam)
Expedito Mariano de Azevedo (In Memoriam)
Francisca Gurgel de Brito da Silva
Francisco Cornélio Evaristo Nogueira
Francisco Silmar da Silveira Borges
Geraldo Alves de Oliveira
Gilmar Lopes
Herbert de Oliveira Mota
Janúncio Soares da Silveira
Jessé Luiz da Rocha (In Memoriam)
Joalba Vale
José Bernardes da Silva
José Lázaro de Paiva
Mateus Justino Carreiro (In Memoriam)
Paulo Caetano Davi
Raimunda Nogueira do Couto (In Memoriam)
Raimundo Milton da Silveira
Reginaldo Regi Campelo Bezerra Paz (In Memoriam)



 Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

FOTOS DO LANÇAMENTO DO MEU LIVRO " HISTÓRIA DA MINHA VIDA PROFISSIONAL "

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Fotos do lançamento do meu livro "História da Minha Vida Profissional", em Natal, na Academia Norte-rio-grandense de Letras, na noite do dia 22-9-2016, que contou com as presenças do Presidente em Exercício, da Secretária e de muitos Acadêmicos da ANRL, respectivamente, Paulo Macedo e Leide Câmara. 

A apresentação do livro ficou a cargo do amigo e Conselheiro do TCE Gilberto Jales, que fez um belíssimo discurso. Muitos amigos da EMPARN, de Mossoró, parentes, escritores e intelectuais que fazem parte do mundo cultural do nosso Estado, prestigiaram este evento.










Enviado pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes

http://blogdomendesemendes.blogpot.com