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sábado, 15 de agosto de 2026

O CAVALO STAR BLACK

Por: José Mendes Pereira

sobrecavalos.blogspot.com

João Teotônio da Silva era cearense, mas viveu em Mossoró até os seus últimos dias de vida. Chegara aqui ainda garoto, quando o seu pai, o velho Marcinho veio trabalhar na firma algodoeira “Alfredo Fernandes”.

João Teotônio cresceu no bairro da Lagoa do Mato, trabalhando como zelador de cavalos de corrida. Apesar da profissão que exercia nunca participou de vaquejadas e nem de derruba de gado nos tabuleiros. Era obcecado por cavalos, principalmente cavalo preto, Star Black, como chamava ele. Os tempos foram se passando e nunca tirou da mente de um dia ser proprietário de um bom e lustroso cavalo. Mas só queria se fosse preto, retinto.  

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Já casado, morando à beira da estrada que leva até à cidade Governador Dix-sept Rosado, vivendo de uma pequena criação de gado miúdo: suíno, caprino e ovino, João Teotônio fez economia, e dois anos depois era dono do mais famoso cavalo da região. Assim que o comprou, ensinou-lhe a deitar-se, a levantar as patas dianteiras, a cumprimentar as pessoas que o assistiam, correr rodopiando, relinchar agradecendo aos que presenciavam ao espetáculo.

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Tinha um cuidado exagerado ao seu cavalo, e até a água que o animal bebia era guardada em cisterna, e   antes de lhe dar de beber, era passada em melhores filtros, para não deixar seu cavalo beber água contaminada com vírus.

João Teotônio orgulhava-se quando passeava pelas ruas de Mossoró, montado no seu belo animal, recebendo os olhares dos curiosos e invejosos que ouviam o toc, toc no calçamento, causado pelas ferraduras aparafusadas nas patas do seu cavalo. Teotônio todo enfiado num uniforme de cor preta, até aparentando o cavaleiro Star Black. Ali se sentia um dos mais admirados homens de Mossoró.  Nem o prefeito da cidade era tão importante quanto ele.

Certo dia, ao clarear, dirigiu-se até ao estábulo onde o cavalo pernoitava.

Ao chegar, encontrou a porteira aberta e o Star Black não estava lá. Desesperado com o desaparecimento do cavalo, danou-se pelos campos da pequena propriedade, mas não o encontrou. Saiu pelas fazendas vizinhas em busca de informações sobre o paradeiro do animal, mas ninguém o viu.

Os dias foram se passando e João Teotônio continuava sua luta pelos campos e fazendas para ver se recuperava o seu famoso cavalo, mas não recebera nenhuma informação. Desconfiado que se tratava de furto, e sabendo que se não fizesse algo diferente não seria tão fácil recuperá-lo, inteligente, organizou um aviso:

"Atenção moradores de Mossoró e das cidades adjacentes! 

Sou um fazendeiro que reside na cidade de Pau dos Ferros-RN, e querendo comprar um cavalo  de cor preta, totalmente preto, gordo, bonito, famoso, que já seja acostumado a usar ferraduras, sem marcas de ferro no corpo, sem orelhas assinadas, favor comunicar a Rádio Difusora de Mossoró, localizada à Rua Alfredo Fernandes, nº 271, fone: (****), que a mesma entrará em contato comigo. Mas lembrando que só me serve com estas características.

Quero realizar um desejo da minha esposa, que no momento está querendo sair pelas ruas de Pau dos Ferros, em uma carruagem puxada por uma dupla de cavalos pretos, imitando a rainha Elizabeth I. Já tenho um cavalo com estas mesmas características, por essa razão não adianta ninguém me apresentar cavalos diferentes. Compro-o com preço além do oferecido no mercado. Assinado: Paulo Galvão Filho)".

https://pt.dreamstime.com/carruagem-desenhada-por-cavalos-vista-da-retaguarda-de-um-cavalo-tradicional-vitoriano-fechado-tra%C3%A7ou-transporte-com-dois-negros-image161676204

Dias depois, o suposto fazendeiro recebeu informações da rádio, que um senhor de nome Bertoldo, no Sítio Piquiri, tinha um cavalo com essas mesmas características. De imediato, João Teotônio abalou-se para o sítio indicado, na intenção de saber se era o seu cavalo.  Ao chegar, ao longe avistou o animal, e sem dúvida, aquele cavalo era o seu. E entre uma árvore e outra, foi chegando mais perto.

Virando-se para  o homem que o acompanhava, naquele momento era o dono do cavalo, disse-lhe:

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- Senhor, aquele cavalo é meu.

- Não senhor! Aquele cavalo eu o comprei na semana passada - disse-lhe o comerciante de cavalos.

 - Justamente. Ele foi roubado na semana passada. E vou provar ao senhor que é o meu cavalo. Eu o chamo de Star Black. Vou me esconder atrás desta aroeira e vou o chamar. O senhor vai ver que ele vai ficar me procurando. Mas se esconda também - dizia o suposto fazendeiro.

Ali, se esconderam entre as árvores e João Teotônio fez:

- Star Black!?

Ouvindo a voz do seu dono, o cavalo virou-se em direção a eles, e lá ficou impaciente o procurando, e talvez se perguntando: "Quem me chamou? Terá sido o meu dono? Ou eu estou sonhando?

Voltando-se para o  comprador de cavalos, João Teotônio disse-lhe:

- Eu não sou fazendeiro, apenas me apresentei no aviso, pois eu queria recuperar o meu cavalo que já o considerava perdido. Este é a minha vida. Eu vou me aparecer e o senhor vai ver que ele vai correr em minha direção.

Quando o João Teotônio saiu detrás da árvore, o cavalo fez carreira em sua direção.

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Ao chegar, relinchou, deitou-se, em seguida levantou-se e pôs as  patas para o ar, e pôs-se a forcá-lo com o nariz, como se estivesse dizendo: "leva-me para casa, estou com uma saudade imensa dos meus amigos, das ovelhas, dos porcos..., preciso revê-los, aqui já apanhei, mudaram meu nome para "Pelé", aqui não conheço ninguém, sou tratado como cavalo, e em tão poucos dias nesta fazenda, me sinto socado dentro de um verdadeiro inferno. Eu já imaginava que poderia ser vendido para o abate. Nunca mais tomei um banho e tenho me alimentado muito mal. Leva-me! Leva-me para nossa residência! Lá é o meu lugar".

Satisfeito por ter achado o seu amado cavalho, Teotônio olhou com um sorriso bem aberto, perguntando ao comprador de cavalos:  

- O senhor ainda tem dúvidas que este cavalo não é  meu?

- Não. O que o cavalo fez, ficou mais do que provado que é seu! Ponha aquela montaria e o leve em sua companhia. Não tenho mais dúvida.

- Eu não quero saber a quem o senhor o comprou, dizia João Teotônio,  quero apenas levá-lo de volta para minha casa. Ele é tratado como um filho, coisa que na minha casinhola nunca nasceu.

Minhas fantásticas histórias

  • ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

    Perdoe qualquer agressão, para não se sentir culpado ao tirar a vida de alguém. E entenda que: Perdoar é devolver ao outro o direito de ser feliz.

    Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

     Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

    As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

    Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

    Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é domá-lo.

    Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer. 

    Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo. 

    É melhor vivo medroso do que  morto valente.

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    "O site acima diz que este rapaz condenado a morrer não morrei, mas foi baleado por este ignorante".

    Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

    Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem. 

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AS ENTREVISTAS DE JOCA BERNARDO – A CONTAGEM REGRESSIVA PARA A MORTE DE LAMPIÃO – 1ª PARTE

 Acervo do historiógrafo Rostand Medeiros.

Autor – Roberto Vilanova – Jornalista.

SEMANÁRIO DESAFIO, ALAGOAS – Antigo e extinto periódico de circulação semanal. Infelizmente não consegui a data em que foi publicada essa entrevista.

O prêmio máximo seria a patente de sargento da Polícia Militar de Alagoas. No mínimo cinco contos de réis ou o seu equivalente hoje a Cr$50 mil. Em troca pedia-se a cabeça de um homem: Virgulino Ferreira — O Lampião — exaustivamente caçado pelas caatingas do sertão de vários Estados. Mas a pessoa que aceitou a oferta, o antigo coiteiro Joca Bernardo, recusou ser sargento. E declara, nessa reportagem de Roberto Vilanova, que nunca pensou trair Lampião, mas fazer outro coiteiro, Pedro de Cândido, levar uma surra da Polícia. Joca vive, hoje, no Piau, distrito de Piranhas, a mais de 320 Km de Maceió, com a aposentadoria do Funrural. Não gosta de falar sobre o assunto, mas teve de quebrar o silêncio porque carrega, nas costas, a responsabilidade pelo massacre de uma família, dizimada por Corisco por culpa sua.

Jornalista Roberto Vilanova.

A história não reservou para Joca Bernardo, quase 80 anos de idade, uma linha sequer. Mas é bem melhor assim, porque ele entrou para a história íntima do sertão como traidor de Virgulino Ferreira – o Lampião, e, talvez por arrependimento, recusou receber o prêmio maior pela delação: a patente de sargento da Polícia Militar de Alagoas. Por causa disso sua esposa, desde essa época, lhe abandonou depois de argumentar e tentar convencê-lo de que não deveria jogar fora a sorte. Como jogou, ela preferiu ir embora para São Paulo no primeiro pau-de-arara que cortou as estradas secas do sertão, não lhe dando mais notícias.

A bela cidade de Piranhas, Alagoas, a margem do Rio São Francisco – Foto – Rostand Medeiros.

Mas não é fácil encontrar Joca, apesar dele viver discretamente no distrito do Piau, pertencente a Piranhas, a mais de 350 quilômetros de Maceió, porque o sertanejo é, também, antes e tudo, muito desconfiado. Aliás, a sua própria existência só é sabida por quem conhece a fundo a história de Lampião, como o presidente da ARENA (Aliança Renovadora Nacional) de Piranhas, Antônio Rodrigues, que lhe descobriu para essa reportagem.

Medo de Morrer

A troca de identidade, complementada pelos cumprimentos à mão estendida, durou pouco, mas Joca Bernardo mantinha-se olhando por baixo dos olhos, como se estivesse diante de um Tribunal. À pergunta se escondia com medo de morrer, respondeu que não. E explicou que era para evitar comentários que, na certa, iria lhe trazer recordações. E ele não desejava recordar as inconveniências naturais de um traidor.

Joca Bernardo em 1977 – Foto – Hélder Monteiro.

Nesse pé a conversa se expandiu e tomou gosto, porque se Joca se manteve, durante todo esse tempo calado, chega mesmo um momento, principalmente na sua idade, em que o peso da consciência rompe a barreira do silêncio que se impõe por conveniências. Silêncio que é quebrado também pelo conflito interno que Joca passou a viver logo depois da morte de Lampião. Não porque traiu o bandido, mas porque, para escapar da morte que Corisco espalhou como vingança, acabou delatando um inocente.

Ou seja, disse a Corisco, com quem se encontrou mais tarde, que o vaqueiro Domingos Silvino, empregado do sogro do tenente Bezerra, é quem havia delatado Lampião à polícia. Corisco foi à casa de Josias e matou ele, a mulher, uma visita, três filhos e deixou vivo apenas o de menor idade, Antônio Silvino, que mora hoje em Piranhas e não quer ver Joca na sua frente. Foi o próprio Antônio Silvino quem relatou o massacre aos seus familiares e, conforme Corisco disse a seu pai, Joca é o único responsável.

A casa extremada era a residência do tenente José Bezerra, para onde a criança Silvino Ventura trouxe as cabeças ensanguentadas de seus familiares dentro de um caçuá, transportado por um animal – Foto -Rostand Medeiros.

Silvino falou que um dos cangaceiros chegou a puxar o punhal para matá-lo, mas Corisco o conteve. Nessa época Antônio tinha seis anos de idade e recebeu a missão de conduzir um burro com as cabeças de toda a sua família, que deveria ser entregue ao tenente Bezerra em Piranhas, com um bilhete atrevido. “Quando eu passei pelas ruas de Piranhas era dia de feira. O Corisco juntou as cabeças dentro de um caçuá e mandou eu tanger o burro. Nas ruas o povo pensava que o sangue que escorria era carne de boi. E quando eu parei na porta do tenente Bezerra foi que juntou gente”, conta Silvino.

Nega Tudo

Joca Bernardo nega a delação ao vaqueiro Domingos Silvino, mas confirma que se encontrou com Corisco. Até o seu relato do encontro – surpresa e, até mesmo, as circunstâncias dele, Joca parece não mentir. Mas na reprodução do diálogo ele acaba revelando uma certa frieza:

Silvino Ventura tinha seis anos de idade quando viu sua família ser covardemente trucidada pelo famigerado Corisco na Fazenda Patos e foi obrigado a transportar em um animal as cabeças cortadas de seus familiares para a casa do tenente José Bezerra, em Piranhas. Faleceu de um acidente em Piranhas, no dia 30 de julho de 1985, aos 54 anos de idade – Foto – Hélder Monteiro...

“Eu estava juntando o gado quando o Corisco pulou de cima de um lajedo. O Corisco e mais uns cinco cabras, inclusive a Dadá, que foi a minha salvação. Aí o Corisco falou se era verdade que tinham matado Lampião? Eu respondi que ouvi dizer. Aí ele disse: vou matar muita gente para vingar a morte. E vou começar logo por você. Aí a Dadá disse – “óxente, home. Que história é essa? A gente mata quem tem culpa, inocente não”.

A História é bem diferente, segundo conta o Senhor Antônio Rodrigues, de tradicional família de Piranhas e político influente na região.

Ruínas da propriedade Patos, onde a família Ventura foi trucidada – Foto – Rostand Medeiros.

Corisco soube que Joca havia traído Lampião e foi procurá-lo. No encontro, disse que ia matá-lo e Joca, com medo, falou que se morresse seria inocente. E lamentou que tivesse servido de coiteiro para Lampião e, agora, qual o pagamento que recebia?”.

Corisco titubeou, principalmente diante da interferência de Dadá, e resolveu tirar a história a limpo. Foi então que Joca Bernardo lembrou, maliciosamente, “onde Lampião teria passado antes de ir para Angico”, seu até então inexpugnável esconderijo.

Corisco

Lampião, antes de atravessar o rio São Francisco, passou na fazenda do sogro do tenente Bezerra (o fazendeiro Antônio Brito). Com isso, Joca quis insinuar que o vaqueiro Domingos Silvino Ventura, sempre à disposição para cumprir ordens e fazer recado do bando, teria denunciado os planos de Lampião de se alojar em Angico por alguns dias.

A verdade é que Corisco aceitou a justificativa, se não teria evitado o massacre da família Silvino Ventura, de quem sobrou, a propósito, apenas Antônio Silvino, o filho mais novo na época.

Foto – Rostand Medeiros.

Traição a Lampião

Na verdade, Joca Bernardo não tinha nada contra Lampião – a quem ajudava, na medida do possível, para poder ir levando a vida sem ser molestado pelo seu bando. Se bem que tivesse de enfrentar as inconveniências da polícia que sempre se confundia, pelas arbitrariedades cometidas, com os cangaceiros, muitas vezes praticando horrores em nome da Lei, que a bem da verdade era material, porque estava simbolizada na mira de um fuzil “bem azeitado e municiado”.

Assim, dentro do possível ou de acordo com os conformes, Joca e tantos outros coiteiros se prestavam ao serviço de acoitar Lampião e seu bando porque não tinha mesmo escolha. E entre ser morto pelos cangaceiros ou pela polícia, o que no fundo dá no mesmo, era preferível morrer tentando ser fiel a Deus e ao diabo, mesmo sem saber quem era quem. Ou seja, quem era Deus e quem era o diabo.

Pedro de Cândido

Mas como a miséria só quer começo, um dos maiores coiteiros de Lampião, Pedro de Cândido – que ninguém duvidava da sua ligação com Lampião e vivia imune em Piranhas – foi comprar queijo que Joca fabricava no dia em que os cangaceiros se arrancharam em Angico. E apesar de Pedro sempre levar dinheiro suficiente dado por Lampião, acabava usurpando o chefe e não pagava as mercadorias, o que criava, naturalmente, um clima de animosidade não só para ele, como para o bando.

Tiro Fatal

Naquele dia, porém, Pedro de Cândido, inadvertidamente, engatilhou a arma que desfechou em Lampião o tiro fatal.

Utilizando-se da fama de valente, talvez imposta pela condição de coiteiro chefe de Lampião, Pedro bateu à casa de Joca Bernardo para comprar “todos os que queijos que tivesse na hora ou a fazer durante os próximos 15 dias”, que era o tempo de descanso dos cangaceiros.

Manchete do jornal natalense A República sobre a morte de Lampião.

Joca respondeu que tinha uma encomenda de queijo do juiz da cidade de Pão de Açúcar e não podia ceder o volume que já se encontrava pronto. O argumento não foi levado em consideração, porque Pedro de Cândido retrucou abusado:

Cabra safado, eu estou pedindo o queijo e não quero saber de história. Vou levar tudo agorinha mesmo”, recordou Joca.

Apesar de se saber que Pedro era coiteiro de Lampião, Joca ainda duvidou para quem seria tamanho carregamento de queijo. Até que descobriu:

Eu pensei assim” – conta ele – “o Pedro não negocia e se quer tanto queijo só pode ser pra muita gente. Se é para muita gente, Lampião tá por aqui.”

Manchete do jornal natalense A República sobre a morte de Lampião.

Joca não reagiu e Pedro de Cândido levou todo o carregamento de queijo que havia sido encomendado pelo juiz de Pão de Açúcar. Mas naquele mesmo dia o sargento Aniceto foi informado da situação. Ele tinha ficado em Piranhas, enquanto o coronel Lucena, o tenente Bezerra e o aspirante Chico Ferreira saíram em diligência atrás de Lampião na localidade de Pedra, atual município alagoano de Delmiro Gouveia. O relato ainda é de Joca:

Eu fui procurar o tenente Bezerra, mas ele não estava. Encontrei o sargento Aniceto, que me perguntou se sabia sobre algo, e lhe contei: sargento, eu não sei o que o senhor quer, mas se o senhor quiser saber onde Lampião tá escondido, aperta o Pedro de Cândido que ele diz. Agora só digo uma coisa ao senhor: Lampião está aqui por perto e não veio com pouca gente não. Têm uns 100 homens com ele. E contei também o caso dos queijos que o Pedro me tomou.

A partir daquele momento, começou a contagem regressiva da vida de Lampião e seu bando.

Mas como o próprio Joca admite a delação não tinha a intenção de trair Lampião porque, do jeito que até hoje alguém afirma que o cangaceiro não morreu, naquele tempo acreditava-se na sua imortalidade, pelo menos à bala ou à faca. Joca desejava que Pedro levasse uma surra através do “aperto” da polícia, e não admitia que a polícia desse fim a Lampião, porque o bandido sempre escapava aos cercos ilesos. Mas não foi assim que aconteceu: o cangaceiro morreu mesmo.

Recusa

O sargento Aniceto se encarregou de assegurar junto ao tenente Bezerra e ao coronel Lucena o trabalho decisivo de Joca Bernardo, ajudando à Polícia. Aí os dois oficiais chamaram Joca a Piranhas e anunciaram o prêmio: cinco contos de réis e a patente de sargento da Polícia Militar de Alagoas, que lhe seria dada pelo Governo do Estado.

Sargento José Bezerra.

Joca recusou as divisas e aceitou apenas o dinheiro, que acabou não recebendo em toda sua totalidade.

Eu acho que o Governador mandou o dinheiro todo, mas o portador ficou com um pedaço. Eu só recebi um conto de réis”, relembra.

Ele recusou as divisas de sargento, porque teria de vir morar em Maceió e um sargento naquela época não ganhava suficiente para sustentar uma família. Então Joca preferiu continuar tangendo gado e fazendo queijo, sem pagar aluguel de casa e sem ter outros gastos que naturalmente teria de assumir se mudasse de cidade e de vida.

Entrada na propriedade Patos. – Foto – Rostand Medeiros.

Mas sua mulher não aceitou a argumentação e como não pôde fazê-lo receber a patente, preferiu abandonar a casa. Foi morar em São Paulo. Por ironia, quem recebeu as divisas foi o Pedro de Cândido.

Joca, que pensava em se vingar da sua violência, não só proporcionou a Pedro sua reaproximação com as autoridades de Piranhas e de Alagoas, como lhe deu a própria chance de ser autoridade, porque logo em seguida foi incorporado à polícia como sargento e nomeado delegado no sertão. E morreu assassinado por culpa, ao que se sabe, de seus dotes de “Dom Juan”, sem que lhe respeitassem, ao menos, a posição de delegado.

Bela região do Rio São Francisco – Foto – Ricardo Trigueiro Morais.

Joca amargou a fama de traidor – na verdade o traidor é ele mesmo e se não fosse a aposentadoria do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural), engordada pelo frete que consegue tangendo um burro carregado de água, estaria na miséria.

Sequer Joca conseguiu o intento de fazer Pedro de Cândido levar uma surra dos policiais, porque este ao ser preso não reagiu e nem criou maiores dificuldades para contar aonde era o esconderijo de Lampião.

https://tokdehistoria.com.br/2026/05/01/as-entrevistas-de-joca-bernardo-a-contagem-regressiva-para-a-morte-de-lampiao-1a-parte/

  • ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

    Perdoe qualquer agressão, para não se sentir culpado ao tirar a vida de alguém. E entenda que: Perdoar é devolver ao outro o direito de ser feliz.

    Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

     Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

    As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

    Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

    Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é domá-lo.

    Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer. 

    Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo. 

    É melhor vivo medroso do que  morto valente.

     https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 
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    Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

    Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem. 

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