Por Antonio Neilton Medeiros
Há indícios consistentes para sustentar a tese de que o ataque de Massilon a Apodi ocorreu a mando de Décio Holanda. Massilon vivia sob a proteção de Holanda, que, juntamente com seu sogro, Tilon Gurgel, mantinham uma relação de inimizade com Francisco Pinto, intendente do município de Apodi. Dentro desse contexto de disputas locais, não é difícil compreender as motivações que levaram Massilon a atacar a cidade, a mando de Décio e seu sogro Tilon, supostamente com a ordem de executar o intendente.
O ponto que permanece obscuro, contudo, é justamente a não execução de Francisco Pinto. Para explicar esse fato, a historiografia e a tradição oral levantam algumas hipóteses: a possível compra da vida pelo intendente; a intervenção de um padre em seu favor; a possibilidade de que o objetivo do ataque não fosse a execução, mas sim a humilhação e desmoralização pública do chefe político local; ou, ainda, o sensacionalismo dos jornais da época, que teriam exagerado ou mesmo inventado a intenção de execução para atrair leitores.
A hipótese da compra da vida de Francisco Pinto parece pouco convincente. Considerando a lógica da violência cangaceira, Massilon poderia ter facilmente aceitado o dinheiro e, ainda assim, cumprido a ordem de executar o intendente, satisfazendo tanto o mandante quanto seus próprios interesses financeiros. Essa possibilidade enfraquece a ideia de que o pagamento tenha sido decisivo para poupar a vida do chefe político.
Já a intervenção do padre surge como uma explicação mais plausível. Apesar da brutalidade de suas ações, muitos cangaceiros demonstravam forte religiosidade e respeito pelas autoridades clericais. Não seria improvável que um apelo feito por um sacerdote tivesse peso suficiente para dissuadir Massilon de levar a execução adiante.
A hipótese de que o ataque visasse mais à humilhação e à desmoralização do intendente do que à sua morte também merece consideração. Naquele contexto histórico, a honra e a imagem pública eram elementos centrais do poder masculino e político. Submeter um intendente a vexames públicos poderia representar uma punição tão eficaz quanto a própria morte, enfraquecendo sua autoridade perante a população.
Por fim, o sensacionalismo da imprensa não pode ser descartado. Os jornais da época frequentemente exageravam fatos ou criavam narrativas mais dramáticas para aumentar a venda de exemplares — prática que, aliás, não é estranha nem mesmo aos meios de comunicação contemporâneos. Assim, a suposta ordem de execução pode ter sido amplificada ou até mesmo construída pela imprensa, contribuindo para a aura de violência e mistério em torno do episódio.
Enviado pelo o autor.
ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!







