Por Tesouros Reais.
O cangaceiro conhecido como
Gitirana, cujo nome verdadeiro era Antônio Félix — também identificado por
alguns registros como Antônio José dos Santos — foi uma figura singular no
cenário do cangaço nordestino. Diferente da imagem comum associada apenas à violência
e ao banditismo, Gitirana destacou-se por unir a vida errante do cangaço à
sensibilidade artística da poesia e da música.
Natural do estado de Alagoas,
Gitirana ingressou no cangaço por volta de 1937, motivado pelo desejo de
vingança após a morte de seu pai, assassinado em uma ação policial. Como
ocorreu com muitos sertanejos da época, a violência estatal e a ausência de justiça
formal empurraram-no para a vida fora da lei.
Durante sua trajetória, Gitirana
integrou bandos comandados por dois dos maiores nomes do cangaço: Lampião, o
“Rei do Cangaço”, e, posteriormente, Corisco, um de seus principais seguidores
após a morte de Lampião em 1938. Mesmo em meio à dureza da vida armada,
Gitirana se diferenciava pelo comportamento menos brutal e pelo apreço à arte.
Reconhecido como repentista,
compositor e cantor, ele costumava criar versos que abordavam o amor, a saudade
e a beleza do sertão, especialmente durante as noites no acampamento. Seus
poemas contrastavam com a violência cotidiana do cangaço, revelando um lado
mais humano e sensível do movimento.
Em 1940, já enfraquecido
fisicamente, Gitirana decidiu se entregar às autoridades na Bahia, acompanhado
de sua companheira, conhecida como Maria de Gitirana, e de outro cangaceiro.
Pouco tempo após a rendição, ele faleceu em decorrência de tuberculose, doença
comum e muitas vezes fatal no sertão da época.
A história de Gitirana permanece
como um exemplo das contradições do cangaço: um homem marcado pela violência do
seu tempo, mas que encontrou na poesia e na música uma forma de expressar
sentimentos em meio ao conflito e à perseguição.
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