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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

QUEM TEM NOTÍCIAS SOBRE O FAMOSO PESQUISADOR BILLY J CHANDLER?

 Por José Mendes Pereira

O pesquisador do cangaço José Francisco Gomes de Lima e eu, temos bastantes interesses de sabermos sobre este famoso pesquisador do cangaço que escreveu o livro com o título "The Bandit King Lampião of Brazil", e que reside Nos Estados Unidos. 

A última informação que tivemos sobre ele foi através do escritor e pesquisador do cangaço o professor Honório de Medeiros, e que tenho em nosso blog a postagem sobre o pesquisador. 

BILLY JAYNES CHANDLER Lampião, o rei dos cangaceiros.

Por Francisco Aleluia*

Acabei de adquirir essa importante obra, uma edição de 1981 pela editora Paz e Terra, trabalho que, há 40 anos vem servindo de base importante para o estudo do cangaço e, da mesma forma, para a produção de outras tantas ao longo dos anos.

As pesquisas para essa obra foram realizadas pelo autor Billy Jaynes nos anos de 1973, 1974 e 1875. A obra Lampião: O rei dos cangaceiros 1981), segundo Jaynes,é baseando em relatos, pesquisas em arquivos e muita entrevistas dadas pelo autor no que ele considera ser a primeira obra a apresentar um relato sistemático e digno de confiança sobre o personagem brasileiro mais discutido e bibliografado do país. Logo no prefacio da obra, Jaynes procurou "[...] apresentar uma versão completa e racional da história deste bandido". (CHANDLER, 1981, p. 13).

Jaynes, ao referir-se sobre a questão de Lampião ser ou não enquadrado dentro do chamando "banditismo social", definição erguida por Hobsbawm (HOSBAWM, Erick J. Bandidos. 5° ed. Río de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2017, p. 83-84), questiona: "O problema talvez seja que sua definição não é somente controvertida, mas também desnecessariamente bitolada". (Idem, 272). Hobsbawm chega a considerar esses homens (cangaceiros) como "[...] monstros públicos [...]" (Idem, p. 84) para, depois, cunhar a famosa expressão apresentando-os como sendo "[...] uma variedade especial do banditismo social". (Idem).

Concluindo, Chadler vai de encontro ao ponto de vista popular que alimenta a ideia de que este banditismo rural seria uma espécie de protesto social contra a ignorância, a pobreza, a busca de vingança e a injustiça da sociedade sertaneja. No mais, Chadler nos brindou com uma obra que, há 40 anos, já nos trazia questionamentos importantes e sempre atuais para o estudo e debate acerca do banditismo e do Cangaço Lampiônico no Brasil.

(*) Francisco Aleluia é funcionário público estadual e graduado en História.

https://www.facebook.com/groups/179428208932798/user/100002566177446

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

DEPOIMENTO DE DONA MADALENA - ÚLTIMA FILHA VIVA DO PRIMEIRO CANGACEIRO MORENO DO BANDO DE LAMPIÃO.

 Por Cangaçologia.

https://www.youtube.com/watch?v=cXAq0Brvdws

Achar uma preciosidade como essa nos dias atuais está sendo cada dia mais difícil e coletar um depoimento como o que está contido nesse documentário é algo quase impossível. Podem acreditar.

Dona Madalena Maria Alves é a última filha viva dos sete filhos do casal Luíza Alves Batista e Joaquim Laurindo de Souza conhecido como Moreno (Primeiro). Primeiro cangaceiro a fazer uso da alcunha (Moreno).

Cearense de Missão Velha, Moreno veio ainda jovem para o estado da Paraíba, onde no Sítio Saco dos Caçulas (Patos de Princesa) na época pertencente ao município paraibano de Princesa se estabeleceu e constituiu família.

Durante o período em que Lampião esteve sob proteção do fazendeiro Marcolino Pereira Diniz (1922 - 1924), Moreno I participou de algumas incursões juntamente com o bando cangaceiro, porém tempos depois abandonou o cangaço e passou a fazer parte do "exército particular" do coronel José Pereira Lima (Princesa/PB), algo que não foi visto com bons olhos por Lampião e como se isso não bastasse ainda participou do ataque ao cangaceiro Meia-Noite I (Antônio Augusto Feitosa), antigo aliado de Lampião, quando este e sua companheira encontravam-se homiziados em uma casa de farinha no Sítio Tataíra (Princesa/PB), além de conduzir a companheira do cangaceiro até a cadeia pública de Princesa, após a mesma ter se entregado à polícia. Fato que ocorreu no segundo semestre do ano de 1924. Os anos se passaram e após a derrota do coronel José Pereira na chamada Guerra de Princesa (1930), Moreno I, juntamente com sua família, decidiu se mudar para o estado de Alagoas, onde na cidade de Água Branca se estabeleceu e recomeçou nova vida, porém dessa vez longe das armas. A vida pacata de Moreno e sua família teve fim no dia 13 de fevereiro de 1936, quando ao anoitecer teve sua casa cercada por Lampião e seus homens e em seguida após breve conversa foi assassinado pelos cangaceiros na frente de sua esposa e filhos menores. Começa a partir de então uma nova saga na vida de dona Luíza e seus sete filhos. Vou parar por aqui! Uma história de dor, sofrimento e superação é o que vocês conhecerão ao assistirem esse formidável e histórico documentário, que cuja narração é feita por dona Madalena Maria Alves, filha de Moreno e a última testemunha dos acontecimentos que culminaram no assassinato de seu pai. Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações e postagens. INSCREVAM-SE TAMBÉM NO CANAL "ARQUIVO NORDESTE", ACESSANDO O LINK ABAIXO:

Forte abraço... Cabroeira! Atenciosamente: Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia e Arquivo Nordeste. Seja membro deste canal e ganhe benefícios:

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AOS 98 ANOS FEZ AMEAÇAS

Por Aderbal Nogueira 

https://www.youtube.com/watch?v=Kavqx3-Ukvs

Nesse terceiro vídeo, João Souto fala de seu pai, o ex-cangaceiro Moreno, e conta que ele fez ameaças aos 98 anos de idade. Para participar da Expedição Rota do Cangaço entre em contato pelo e-mail: narotadocangaco@gmail.com Seja membro deste canal e ganhe benefícios:    / @cangacoaderbalnogueira   Parcerias: narotadocangaco@gmail.com #lampiao #cangaço #maria bonita #cangaceiros

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VIRGÍNIO UM HOMEM DE CONFIANÇA.

Por Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=QdQbFx3E1NI

  • O ex-cangaceiro Moreno fala se tem saudade da época do cangaço
  • Virgínio, um homem de confiança
  • A morte espreitando com a falta d'água e a sede terrível
-O combate de Aroeiras
  • Não cometi crime no Ceará nem em São Paulo
  • Moreno fala sobre as mortes que carrega nas costas
  • Durvinha e a emoção de falar de João e do reencontro da família

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Link desse vídeo:

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A HISTÓRIA DO CANGAÇO.

 Por Paulo Rezzutti

https://www.youtube.com/watch?v=H2cInZLs0vo

Em 1953, os cinemas da França foram invadidos por um grande sucesso. A história falava a respeito de um bando de criminosos que aterrorizam uma terra árida e sem lei, onde os poderosos mandam, até que o amor de uma moça causa um conflito entre eles. Parece a trama de um faroeste, mas não é. Eu estou falando do filme “O Cangaceiro”, que ganhou como melhor filme de aventura no Festival de Cannes de 1953 e é considerado o primeiro filme a lançar o cinema brasileiro lá fora.

O cangaço, retratado no filme, foi um fenômeno social do interior do Nordeste que acabou romantizado na cultura popular brasileira, do mesmo jeito que o modo de vida do oeste norte-americano. Mas afinal, o que foi o cangaço? É o que você vai saber neste vídeo.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O FUNESTRO EXEMPLO DE LAMPIÃO...

   Material do acervo do Giovane Gomes

O funesto exemplo de Lampeão anima outros bandoleiros a lhe seguir o exemplo surge aqui ou ali um outro bando dirigido por um scelerado qualquer commenttendo roubos e assisinos, espalhando o pavor e a morte por onde passam.

Surgiu agora, perto de Algodões, o grupo chefiado pelo bandido " Jararaca " ex-praça do Exército e que , dizem. Já ter feito parte do grupo de Lampeão do qual ministrou instrucção militar.

ortográfica da época.

Fonte: Relatório da Secretaria de Justiça do Estado de Pernambuco.

Dr Eurico Leão

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

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10 FATOS POUCO CONHECIDOS SOBRE OS CANGACEIROS.

 Do falso encontro com Prestes às lutas contra as volantes, o cangaço divide opiniões desde antes de Lampião

André Nogueira
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Cabeças cortadas do bando de Lampião
Cabeças cortadas do bando de Lampião - Wikimedia Commons

O Cangaço foi um fenômeno social nordestino que entrou entre os elementos mais clássicos da cultura brasileira. Movimento disseminado no sertão entre os séculos 19 e 20, os bandos de criminosos nômades só chegaram ao fim com a repressão policial da Ditadura Varguista.

Além de Lampião, o cangaço envolveu grandes nomes e não foi um movimento organizado de maneira centralizada, manifestando características diferentes dependendo do grupo analisado. Porém, aspectos unificavam as unidades, como o banditismo, uma estética parecida e a inimizade com o Estado.

Conheça 10 curiosidades sobre o cangaço brasileiro

1. Relação com os coronéis

Coronéis do cacau na Bahia / Crédito: Domínio Público

O período imperial, assim como o início da República, foi marcado pela negligência do Estado em relação ao sertão. Isso teve como consequência direta o aumento da violência e a falta de fiscalização das leis no nordeste, causando uma espécie de soberania dos poderes regionais dos mais ricos.

Mesmo na época em que a região nadava em lucros, com a crise do algodão gerada pela Guerra Civil Americana, o sertão e o agreste mantinham-se marcados pela violência. Em combate a esse cenário, o Império criou o titulo de Coronel da Guarda Nacional, aumentando o poder desses grupos econômicos com hegemonia.

Acima da lei, muitos desses coronéis se tornaram inimigos dos cangaceiros, que os combatiam em nome dos mais pobres (mesmo que muitos, como Corisco e Lampião, tivessem amizades entre os coronéis e se aproveitassem dessa desigualdade). Com isso, nascia uma guerra entre poderes paraestatais.

2. O crime quase compensa

Corisco / Crédito: Wikimedia Commons

Muitos homens que acabaram optando por entrar no cangaço o fizeram como forma de encontrar uma alternativa sustentável à miséria e à submissão aos coronéis. A caatinga já não era um ambiente receptivo ao ser humano, e a exploração do trabalho, que se aproveitava de um povo desesperado, criava um sentimento de revolta popular contra os poderosos.

A violência do cangaço não era necessariamente um atrativo. Mas como a maioria dos coronéis e policiais também tinham as armas na frente da boca na hora de abordar os populares, o senso de justiça pessoal costumava gritar mais alto que o medo da guerra. Além disso, a bandidagem oferecia, na visão deles, benefícios: riquezas, bens, liberdade e respeito.

3. Frieza e sangue

Volantes contra o cangaço / Crédito: Wikimedia Commons

Entre os cangaceiros, a violência e o sangue eram aspectos recorrentes. O vermelho era uma das cores mais comuns da vida de um bandoleiro, e a agressividade se tornou parte da identidade desses grupos. Um dos exemplos clássicos disso eram as execuções por sangramento, violentas e econômicas, hediondas e que exigiam estômago dos bandidos. Nessas atividades, um punhal era usado para realizar cortes em pontos vitais de vítimas, fazendo necessária uma frieza inestimável.

Como consequência estranha, ao mesmo tempo em que essas pessoas eram frias e sanguinárias, também são comumente relatados como risonhos, animados e cantarolantes: a morte já fazia parte do dia-a-dia. A música era muito comum entre os bandos.

4. Opiniões polêmicas

Maria Bonita / Crédito: Wikimedia Commons

Como era de se esperar de um fenômeno tão complexo, o cangaço divide opiniões. Muito antes de Lampião ser fotografado por Benjamin Abrahão, os cangaceiros eram seres quase lendários da caatinga. A maioria deles, não só nos dias de hoje, eram amados e odiados ao mesmo tempo: vistos como Robin Hoods tropicais por uns, e como assassinos sem pudor por outros, era difícil não gerarem ao menos uma opinião.

Lampião mesmo era visto como bandido inescrupuloso pelas volantes, mas tinha contatos entre sertanejos, coronéis e até na Igreja Católica. Ao mesmo tempo, até hoje se discute se os cangaceiros eram bandidos que não mereciam a fama que tinham ou se realmente prestavam um serviço válido ao povo pobre do sertão.

5. O escudo ético

Traje clássico de cangaceiro / Crédito: Wikimedia Commons

Entre os populares que viam nos cangaceiros uma atitude moralmente justificada, havia uma distinção significativa entre um bandido e um membro do Cangaço. Afinal, o crime, por si só, ainda era visto negativamente. Por mais mal que um cangaceiro poderia causar, ele ainda era visto por muitos como melhor que um assaltante comum devido a um escudo ético (termo do historiador Frederico Pernambucano de Mello) que os protegia na visão dos mais pobres.

Segundo essa noção, a atitude dos bandidos do cangaço era justificada pelo seu compromisso com a expropriação das riquezas dos poderosos, fazendo justiça contra as estruturas de opressão. Como afirma Câmara Cascudo: “o sertanejo não admira o criminoso, mas o homem valente”.

6. As volantes eram treinadas como eram os cangaceiros

Volantes / Crédito: Domínio Público

Por muito tempo, a polícia era infinitamente inferior, em termos de poder militar  e estratégia, ao preparo e à valentia dos bandoleiros. Com agilidade, furtividade e armas com chumbo até os dentes, esses cangaceiros eram treinados para vencer os policiais.

Então, como resposta a essa situação constrangedora, os estados do nordeste criaram forças policiais especiais treinadas com base nas formas de ação dos próprios cangaceiros. Muitos desses volantes, inclusive, eram ex-bandidos que, vendo vantagens financeiras, mudaram de lado. Com o preparo e o treinamento análogo ao dos bandoleiros, a capacidade de repressão das volantes aumentou consideravelmente.

7. O boato de que Lampião lutou contra Prestes

L. C. Prestes / Crédito: Wikimedia Commons

Em meio à crise da Republica Velha e o afloramento do tenentismo, poucos movimentos tiveram a magnitude da Coluna Prestes, que cortou o Brasil em uma passeata de oposição. O então presidente Arthur Bernardes queria o fim do movimento, independentemente do custo. Sabendo da capacidade bélica e do poderio que os bandos de Lampião tinham, o plano do presidente foi conseguir contato com o cangaceiro.

A briga entre os dois nunca aconteceu de verdade, não passou de especulações movimentadas por documentos falsos da época. O plano original ficou a cargo do deputado Floro Bartolomeu, que deveria tentar achar o Rei do Cangaço através de sua devoção pelo Padre Cícero e, assim, criar o Batalhão Patriótico.

Porém, isso foi apenas na teoria, e a Coluna atravessou o estado do Ceará sem nenhuma dificuldade. Porém, até hoje há quem ache que essa batalha épica entre o cangaceiro e o futuro comunista aconteceu de verdade.

8. Baile perfumado

Filme Baile Perfumado / Crédito: RioFilmes

Numa situação em que os banhos eram uma raridade, Lampião usava perfumes de boa qualidade e em grandes quantidades. Gostava de roubar perfumes caros e importados nas capitais, que juntava com o cheiro de suor e da brilhantina usada no cabelo, criando uma mistura de cheiros única e que virou uma marca do cangaço. Muitos cangaceiros tinham o hábito de aproveitarem a passagem pelas capitais para adquirirem vidros de perfume.

9. Benjamin Abrahão, o documentarista do cangaço

Benjamin Abrahão / Crédito: Wikimedia Commons

Um dos principais responsáveis pelos registros hoje conhecidos do bando de Lampião, principalmente as fotografias, foi o jornalista libanês que, negociando com o Rei, conseguiu acompanhar o bando por meses: Benjamin Abrahão Botto. Ele já tinha trabalhado como secretário de Cícero Romão em Juazeiro e era um excelente fotógrafo.

Como Lampião era um devoto de Cícero, a aproximação dos dois foi mais fácil que o comum. E como Lampião era extremamente vaidoso, a proposta de um jornalista o acompanhando para regirá-lo para a eternidade foi bastante tentadora. Então, entre 1936 e 1937, o bando foi acompanhado e fotografado. Tendo o trabalho tratado como ofensivo, Abrahão foi censurado pelo Estado Novo.

10. O fim da era

Cabeças cortadas da trupe de Lampião / Crédito: Wikimedia Commons

Depois de mais de um século de derrotas do Estado no combate ao banditismo sertanejo, o governo já tinha amadurecido suas formas de luta. O fim do cangaço, através da repressão policial, foi um fenômeno da década de 1930, nas mãos do governo Vargas. Com o tempo, os principais nomes do movimento iam sucumbindo progressivamente às balas do Exército.

O grande marco do fim do cangaço foi a morte de Lampião e Maria Bonita na Gruta do Angico, em 1938, resultado de um aperfeiçoamento nas técnicas de combate à criminalidade. O ocorrido foi possível a partir de uma campanha de negação ao auxílio de coronéis corruptos que auxiliavam os bandoleiros e um investimento pesado nas forças policiais do agreste.


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O MAIOR MISTÉRIO DO CANGAÇO

Por Robério Santos

Ao unir estas três emblemáticas palavras “maior”, “mistério” e “cangaço” construímos previamente uma equação perfeita, na qual todas as histórias contadas passam por nossa mente procurando particularmente qual delas seria a cereja do bolo, a última rapadura do tacho. Eu, como escritor e pesquisador, trago para minha tipoia este fardo pesadíssimo, mas pessoal, ao identificar tal acontecimento. Qual seria, na sua opinião, o maior mistério. Eu mesmo tenho um preferido: o cão na Grota do Angico.


Todas as teorias foram descritas como verdadeiras, a partir do ponto de vista de cada um. Mas, a história tem que ser apenas uma, intacta, sem arrodeio e nem floreios. Mas, para tal proeza deveríamos ter uma máquina do tempo e ser onipresente em todos os pontos de interesse entre os dias 27 e 28 de julho de 1938; entre Delmiro Gouveia (Pedra de Delmiro) e a Grota do Angico pertencente então a Porto da Folha. Teríamos que estar em várias frentes. Desde a casa de Joca Bernardo até o encalço dos filhos de Guilhermina e Cândido; da mensagem passada pelo telégrafo até seu recebimento; o aprontar das tropas e o repouso dos cangaceiros. Da luz do dia até o clímax. Montar este quebra-cabeças (SIC) não é fácil. Desde Amaury, passando por Frederico Pernambucano; de Alcino a Archimedes, nenhum deles ousaram bater o martelo, mas hoje eu quero fazer isso, mesmo sem saber se conseguirei tal proeza.

Já estive na grota por 17 vezes nos últimos vinte anos. Já fui pela manhã, meio-dia, pela tarde e até durante a madrugada. Queria respostas e não mais perguntas. Uma das coisas que mais me indagam no canal O Cangaço na Literatura é “Por que os cães não latiram naquela manhã, alertando Lampião e comparsas?”. Primeiramente, não haviam cães, mas apenas um, o cão Guarani, pertencente a Virgulino. Este, que era um cão escuro, magro e fiel, raramente latia. Por mais que cangaceiros como Zé Sereno tenha dito futuramente em depoimento que “os cães do cangaço só faltavam falar”, esta expressão aqui no Nordeste quer dizer que eram de extrema inteligência, mas não que eles latiam desenfreadamente, pois “o bom cabrito, não berra”, como dizia Barrerito em sua canção; então, o bom cachorro cangaceiro, não late, pois poderia entregar o coito ou espantar a caça.

Analisando nosso primeiro ponto, nota-se que cães que são “adaptados” para o mato, apenas dão sinais sutis de alerta. O melhor da espécie, o perdigueiro, no qual já cacei codornas com um deles várias vezes, define seu alerta através e uma pausa brusca no caminhado, levantar de orelhas, de rabo e caminhado manso, até nos levar ao alvo. Se ele latir, vai obviamente espantar a caça, recebendo uma dura de seu dono e com o tempo ele aprenderá que não pode latir e assim, se tornará um bom hounddog. Assim eram os cães no cangaço, eles alertavam, mas não latiam (seria inútil se alertassem as volantes à direção que os cangaceiros estavam através do latido, assim como choro de criança sinalizava). Olhando por este ponto de vista, tecemos nossa primeira tese: o cão alertou a chegada das volantes naquela madrugada escura de lua nova, mas os cangaceiros, principalmente Lampião, estavam dormindo após uma noite de beberagem e o alerta do cão, o levantar de orelhas e rabo, não foi suficiente para ligar o alerta dos 35 indivíduos que estavam naquela “cova de defunto”. Outro ponto interessante é que o alerta pode ser facilmente confundido com os diversos animais que ali residem. Eu pessoalmente notei que aparecem no final do dia, madrugada e nascer do sol, mocós, onças-pardas, cobras, saguis e lagartixas, tornando o alerta do cão confundível, caso houvesse alguma aproximação anterior. As tropas demoraram muito, se posicionaram e esperaram amanhecer para facilitar o ataque. Seus odores se misturaram facilmente ao ambiente e ao cheiro comum dos cangaceiros que estavam mais próximos do cão. Devemos lembrar que quando usamos um determinado perfume, nosso nariz passa por algo chamado “estresse olfativo” que é a saturação do cheiro, levando-nos a crer que o odor já se esvaiu, levando-nos à surpresa quando alguém fala “nossa, como tu tá cheiroso”, e já nem sentimos mais que estamos. Com o cão acontece o mesmo, mesmo numa proporção diferente, pois o olfato canino é 100 mil vezes que o humano, isso é um ponto a ser levado em conta.

Outro fator é o barulho causado pelos passos dos Volantes. Como João Bezerra e sua tropa demoraram horas para fazer o percurso que facilmente se cumpre em meia hora com passos rápidos, eles se locomoveram com cuidado. Inclusive aconteceu algo inusitado. Durante o trajeto, um cavalo se posicionara entre a Grota e a Volante. Todos pararam ao sinal, prenderam a respiração e esperaram o animal sair naturalmente do caminho, pois temiam que ele se espantasse e alertasse os cangaceiros.

Entre a noite do dia 8 e a madrugada de 9 de fevereiro de 2018, eu e meu fiel escudeiro Nininho fomos à Grota do Angico tentar responder algumas perguntas e obter mais perguntas sobe o fato. Não levamos um cão, claro, mas pedi pra que Nininho em total silêncio se deslocasse de onde eu estava (na cruz de Lampião) até a encosta onde uma das Volantes se posicionou com a Metralhadora, arrastando os pés. Novamente sabemos que o cão consegue ouvir a uma frequência de 10hz, levando em comparação à humana que é de no mínimo 40hz, temos um Super Ser incrível que é o cachorro. Por isso pedi que meu parceiro fizesse barulho e pisasse firme, para compensar a frequência auditiva. Ele não chegou a caminhar cinquenta metros e o som desapareceu completamente, dei um grito e pedi para que parasse. Sugeri que ele gritasse e o som chegou muito baixo, quase abafado, devido a altura da encosta da serra e o forte vento na copa das árvores. Vento este que além de dissipar o cheiro, encobria o som. Temos aí fortes teorias que impediram tanto o cão de farejar e ouvir quanto os cangaceiros de ouvirem os passos das tropas.

Por fim, há uma história que e bastante propagada pela literatura na qual alega que alguns cangaceiros saíram cedo para pegar leite na sede da fazenda Angico, levando com eles o cão Guarani. Ao ouvir os tiros, o cão voltou e foi morto por uma bala perdida de metralhadora e os cangaceiros fugiram. Inclino-me a refutar esta hipótese. Como que os cangaceiros saíram e não se toparam com as Volantes? Com o cão, desta vez em alerta, à vista dos acordados não deixaria de alertar, levando os planos de João Bezerra a saírem dos trilhos. Os cães eram “treinados” sim, mas não adestrados a ponto de darem piruetas, mas para serem exímios caçadores e bons companheiros. Sei que existem mais perguntas que respostas e minha meta não é responder todas elas, mas neste momento abrimos um novo afluente na pesquisa e quem sabe estaremos mais próximos da verdade do que antes, pois devemos seguir em frente e não ficarmos presos à Teoria da Espiral do Silêncio de Elisabeth Noelle-Neumann. O cangaço é fascinante e devemos olhar melhor os fatos, sentir os cheiros e transformar nossa sensação na mais pura experiência sinestésica, pois Lampião não morreu envenenado, nem em Minas Gerais, sua morte já foi passada a limpo, mas isso ficará para um outro texto. Parabéns, cãozinho, você merece uma cruz na Grota do Angico.
https://www.facebook.com/OCangacoNaLiteratura/posts/o-maior-mist%C3%A9rio-do-canga%C3%A7oao-unir-estas-tr%C3%AAs-emblem%C3%A1ticas-palavras-maior-mist%C3%A9r/998880133596470/

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