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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

MIGUEL INÁCIO DOS SANTOS

Por Histórias do Brasil

Miguel Inácio dos Santos, mais conhecido como Casca Grossa, nasceu em Tacaratu, Pernambuco, e integrou o bando de Lampião ainda no primeiro período da chamada era lampiônica. Antes de ingressar no cangaço, trabalhou na fazenda Poço do Ferro, propriedade do coronel Ângelo da Gia, figura apontada como coiteiro do famoso chefe cangaceiro. Seu apelido não veio por acaso: apesar da aparência juvenil, Miguel ganhou fama pela resistência física e pela postura considerada “braba” nos combates, demonstrando coragem acima do que sua pouca idade aparentava.

Casca Grossa participou de ações importantes do bando, incluindo a célebre tentativa de invasão a Mossoró, em 1927 — episódio que entrou para a história como um dos maiores reveses sofridos pelo grupo de Lampião, mas também como um dos acontecimentos mais marcantes do cangaço. Dois meses após o fracasso em Mossoró, ele foi preso em sua cidade natal, Tacaratu. A partir daí, começou uma peregrinação judicial: foi recambiado por cidades onde respondia acusações, como Sousa e Martins. Nesta última, prestou longo depoimento às autoridades locais, detalhando sua participação no bando.
O processo seguiu na cidade de Salgueiro, em Pernambuco, onde foi julgado ao lado de outros cangaceiros e condenado. Em 1928, já cumpria pena na Casa de Detenção do Recife, onde acabou se tornando figura de curiosidade pública. Sua imagem foi registrada ao lado de outros bandoleiros e publicada na revista O Malho, revelando um rapaz de traços jovens, quase adolescentes.
Um dos pontos mais curiosos de sua prisão foi a questão da idade. Ao ser capturado, Casca Grossa afirmou acreditar ter apenas 16 anos. As autoridades duvidaram da declaração, argumentando que ele já possuía experiência de combate incompatível com alguém tão novo. Para resolver a controvérsia, foi submetido a exame físico, com análise de dentes e ossos, a fim de estimar sua idade biológica. O laudo concluiu que ele teria entre 19 e 21 anos — resultado visto por muitos como conveniente, pois permitia que fosse julgado como adulto.
Diferentemente do que sustenta uma lenda popular na região de Martins, no Rio Grande do Norte — segundo a qual ele teria sido executado ali mesmo e teria seus restos mortais encontrados na localidade —, os registros indicam que Casca Grossa permaneceu preso no Recife. Na detenção, conviveu com outros cangaceiros capturados vivos, como Baraúna e Beija-Flor, tornando-se parte de um grupo que despertava grande interesse da imprensa e da população.
A trajetória de Casca Grossa mostra como o cangaço também foi composto por figuras muito jovens, muitas vezes envolvidas em um contexto maior do que podiam compreender. Entre mito e documentação, sua história permanece como mais um capítulo complexo desse período turbulento do Nordeste brasileiro.
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